EPI e prevenção de acidentes

NR 12 - Máquinas e Equipamentos

1 Equipamentos de Proteção Individual

Os riscos ocupacionais dos pet shops e clínicas veterinárias existem e precisam de prevenção. As normas regulamentadoras existentes utilizadas nos serviços de saúde humana podem pautar os procedimentos de  segurança e higiene no setor animal.

EPI - é todo o dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos susceptíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho (Portaria 145 de jan/2010 DRT –  NR nº06 – Portaria 3214 de junho/72). A referida norma técnica aplica-se ao “pessoal” que tem contato com animais direta ou indiretamente, no nosso caso – salão de banho e tosa/escolas de banho e tosa. 

Tipos de EPIs:

1) Proteção auditiva: abafadores de ruídos ou protetores auriculares e tampões. Usado para diminuir o ruído do ambiente de trabalho que tem equipamentos como sopradores, secadores, etc… que em muitos estabelecimentos o profissional fica exposto por mais de 8h seguidas; 

2) Proteção respiratória: máscara de proteção – evitando assim que respiramos diretamente em cima do animal, a umidade do ar provocada com a expulsão da umidade do pelo, umidade do banho eu tudo fica no ar da sala de trabalho além dos pelos que podem provoca algum tipo de alergia;

 3) Proteção ocular: óculos de segurança que irão proteger contra impactos de partículas volantes como lasca da unha que está sendo cortada que poderá ferir o olho; 

4) Proteção das mãos: Luvas – feitas em diversos materiais e tamanhos apropriadas para a situação conforme os riscos contra os quais queremos proteger.

5) Proteção dos pés: Sapatos, coturnos, botas, tênis apropriados para nosso caso (calçado fechado) evitando que o pé fique exposto a umidade e até mesmo a queda, em cima, de equipamentos como a tesoura ou lâmina, até mesmo algum tipo de produto químico que iremos utilizar para higienização de nosso ambiente de trabalho, que também é nossa responsabilidade manter limpo.

  6) Proteção do tronco: Avental – protege contra a umidade no trabalho com água, na tosa para que os pelos não fique em contato direto com nossa roupa e pele. Cuidar para que o avental seja com uma cava não muito aberto, protegendo o peito e na altura de até dois dedos a cima do joelho assim ficaremos bem protegidos. Não esqueça que o material do avental deve ser apropriado para realmente proteger.  

Todo o material de proteção (EPI) deve ser fornecido pelo empregador ou escola, ao qual também tem a responsabilidade de ensinar a usar e averiguar se o mesmo está sendo usado. O profissional ou aluno tem o direito de receber o mesmo, informar quando seja preciso haver a troca ou já estiver danificado, assim como, tem a obrigação de usar. Precisamos da nossa saúde para trabalhar, aprender, nos qualificarmos cada vez mais nesse mercado exigente de hoje, porque não cuidar de nós mesmos? As obrigações e os direitos são de ambos, tem de se aprender desde o início pois assim se cria o hábito de uso,

2 Prevenção de Acidentes

Cuidados com os animais

Antes do banho:Verificar se o animal possui algum tipo de lesão e/ou parasitas e comunicar o proprietário e/ou médico veterinário;

Durante o banho: Não deixar o animal solto na banheira, evitando assim que este pule e torça ou frature algum membro;

Ao  prender  o  animal  na  banheira  verificar  se  a  corda  possui  tamanho  suficiente  para  o  conforto  do  animal  e  uma distancia tal que o mesmo não consiga pular da banheira (evitando enforcamento);Cuidado com produtos químicos e shampoos nos olhos, a fim de evitar alergias e inflamações;

Durante a secagem:Cuidado com a temperatura e a distância do secador para evitar queimaduras e o aumento da temperatura corpórea (a temperatura normal de cães e gatos varia de 37,5°C a 39,2°C). E stes não possuem glândulas sudoríparas pelo corpo, portanto trocam calor pela boca. Altas temperaturas podem superaquecer os animais e provocar lesões internas séria, principalmente em raças braquicefálicas (boxer, bulldog, pug etc);

Cuidado com o secado r quente e diretamente nos olhos dos animais, pois pode provocar úlcera de córnea;

Ao escovar e desembolar os nós, cuidado para que a rasqueadeira não machuque a pele dos animais;Nunca deixar o animal sozinho na mesa de tosa, solto e/ou preso à girafa, pois este pode pular e se enforcar;Sempre utilizar solução específica para limpeza dos ouvidos

Cuidado ao cortar a unha do animal, lembrando que dentro dela existe um vaso e que ao cortá-lo ocorrerá dor e sangramento;

Durante a tosa:

Sempre observar a temperatura da lâmina de tosa, a fim de evitar queimaduras.Cuidado ao cortar os pêlos próximos ao focinho, boca e olhos prevenindo acidentes como corte da língua e perfuração do globo ocular;

Animais com pele branca e fina, tendem a ter alergia a lâmina de tosa. Portanto, perguntar ao proprietário sobre histórico de alergia e tomar as providências devidas;

Após o banho e tosa:Manter sempre os animais do banho e tosa em gaiolas, evitando fugas e brigas;

Cuidados com o tosador e/ou banhista

Sempre pedir informação ao proprietário sobre o temperamento do seu animal;

Gatos: antes de começar o banho e / ou tosa deve-se cortar as unhas para evitar arranhuras, bem como tomarcuidado para não ser mordido, mantendo o animal sem pre bem contido;

Animais agressivos:Procurar sempre descobrir o motivo da agressividade (dominância, posse, medo, dor, etc) Muitas vezes esses problemas são resolvidos ou diminuídos quando o proprietário se afasta. Mesmo assim cuidado. O ideal é que este animal seja amordaçado

Contenção mecânica dos animais

Focinheira: pode ser de plástico, couro ou nylon

Mordaça (utilizada apenas para cães): são cordas, cordões ou barbante amarrados no focinho do animal com intuito de evitar a abertura da boca;

Botas : feitas com esparadrapo nas quatro patas do gato para evitar arranhões;

Primeiros Socorros

Corte de unha:Lembrar  que  a  unha  possui  uma  veia  interna  que  ao  ser  cortada  sangra  em  abundância.  Nesse  caso deve-se pressionar o dedo da unha correspondente e aplicar pó anti-hemorrágico

Queimaduras:Normalmente  provocadas  pelo  secador.  Devem  ser  encaminhadas  ao  médico  veterinário, imediatamente; 

Fraturas:Devem ser encaminhadas ao médico veterinário, imediatamente;

Mordidas:Devem ser lavadas com água e sabão. Em caso de sangramento superficial utilizar anti-hemorrágico em pó e  comunicar  o  médico  veterinário.  Em  lesões  muito  pro fundas  e  extensas  encaminhar  diretamente  ao   médico veterinário; 

Cortes superficiais: Lavar com água e sabão, e comunicar ao médico veterinário;

Cortes profundos:Lavar com água e sabão, colocar gaze para diminuir o sangramento e encaminhar ao médico veterinário em caráter emergencial;

Convulsão: O  animal  perde  os sentidos,  debate os membros  em movimento de   pedalar, saliva,  grita,  pode     urinar  e defecar.  Proteger  a  cabeça  tomando  cuidado  para  não  ser  mordido  e  encaminhar  com  urgência  para  o  médico veterinário;

3 Higienização do ambiente e dos materiais de trabalho

 Uma clinica veterinária ou pet shop comprometidos com a qualidade e profissionalismo deve priorizar a higienização e esterilização do material utilizado. A higienização consiste na limpeza das banheiras, das mesas, do chão e de todo o ambiente.

Limpeza das banheiras: deve ser feita diariamente quando terminar o trabalho do pet shop. Todos os resíduos de pelos devem ser retirados das banheiras e jogados no lixo, e em seguida deve ser feita a limpeza utilizando-se água  e sabão e, após  produtos específicos de o dor agradável  para m atar as possíveis bactérias.A limpeza da banheira também deve ser feita sempre após ser utilizada por um animal contaminado por  pulgas, carrapatos ou piolhos. 

Limpeza das mesas:Devem ser limpas entre um animal e outro e ao término do  expediente da mesma forma que as banheiras.  Normalmente as mesas tem uma capa de borracha que impede que a vassoura de fogo seja utilizada.

Limpeza do chão:Sempre ao término do trabalho ou quando houver necessidade. Esta deve ser feita com produtos a base de amônia quartenária.

Esterilização do material:Deve ser feito sempre ao término de cada dia de trabalho e recomendável que seja feita após o uso entre um animal e outro COM DESINFETANTES EM SPRAY.

Existem diversas formas de esterilização, dentre elas podemos citar autoclavagem do matErial, utilização de auto clave ou até mesmo de produtos químicos   Aos animais portadores de doenças que normalmente aparecem nos pet shops tais como, otites, sarnas e pulgas, deve se dispender especial atenção , pois serão sérios problemas para se  lidar no dia a dia.  

Esterilização de toalhas ​​​​​​: Nunca utilizar a mesma toalha em animais diferentes. Hoje em dia contamos com empresas especializadas em esterilização de to alhas.

4 Código de ética do esteticista

Em 2009 durante a mesa redonda sobre o futuro da profissão de Esteticista Animal houve um consenso entre os presentes da necessidade de um Código que norteasse as relações entre profissional – cliente - mercado.

Esta necessidade nasce do desconhecimento que muitas vezes existe das partes sobre a seriedade e profissionalismo de determinado Esteticista em relação ao mercado em que ele esta inserido e trabalhando.

Código de Ética Profissional do Esteticista Animal:

  • Considerando que os animais possuem direitos e merecem todo o respeito do homem;
  • Considerando que o respeito dos homens pelos animais, significa também pela natureza e pela sua própria espécie;
  • Considerando que este respeito pelos animais, natureza e seus semelhantes, deve ser ensinado desde a infância
  • Considerando que nem sempre estes direito são respeitados;

Proclama‐se o seguinte:

Capítulo 1 – Princípios Fundamentais:

  • Art. 1° ‐ Exercer a profissão com zelo, carinho e respeito;
  • Art. 2° ‐ Denunciar maus tratos aos animais e agressões ao meio ambiente;
  • Art. 3° ‐ Adquirir continuamente conhecimentos sobre comportamento, bem‐estar e saúde do animal;
  • Art. 4° ‐ Defender a dignidade profissional, tanto por uma remuneração justa quanto pelas condições de trabalho compatíveis com o exercício ético da profissão.

Capítulo 2 – Do Comportamento e Deveres Profissionais:

  • Art. 5° ‐ Exercer a profissão comedidamente, evitando qualquer mercantilismo;
  • Art. 6° ‐ Não prescrever medicamentos, nem fornecer diagnósticos, encaminhando o animal com problemas ao médico veterinário;
  • Art. 7° ‐ Estabelecer uma comunicação plena, esclarecendo e orientando o proprietário de todos os procedimentos necessários para o embelezamento e estética (banho e tosa) possíveis em seu animal;
  • Art. 8° - Assumir a responsabilidade por faltas cometidas em suas atividades profissionais, independente de ter sido individualmente ou em equipe.

Capítulo 3 – Da Relação com os colegas

  • Art. 9° ‐ Relacionar‐se com os demais colegas de profissão, valorizando o respeito mútuo e a independência profissional de cada um;
  • Art. 10° - É vedado ao profissional de embelezamento e estética do animal (banho e tosa), agir de ma fé por pleito de emprego, fazer comentários desabonadores ou negar colaboração ao profissional que dela necessite.

Capítulo 4 – Dos Direitos Profissionais

  • Art. 11 – Exercer sua profissão sem ser alvo de discriminação de qualquer natureza;
  • Art. 12 – Ter a liberdade de aceitar ou não os animais que possam ameaçar a saúde ou integridade física do profissional; 
  • Art. 13 – No caso de haver cumprido fiel e pontualmente suas obrigações, e não ter recebido do cliente um tratamento correspondente ao seu desempenho, o profissional poderá retirar sua assistência. 

Capítulo 5 – Dos Honorários Profissionais

  • Art. 14 – Os profissionais de embelezamento e estética (banho e tosa) devem acordar previamente com o cliente sobre os procedimentos a serem efetuados. 
  • Art. 15 – Os honorários profissionais devem ser afixados com os seguintes requisitos:
  1. Tamanho do animal;
  2. Tosa diferenciada por raça;
  3. Estado de pele e pêlos dos animais (desembolamento, banhos medicamentosos sob prescrição veterinária, etc.)
  4. Procedimentos extras (trimming, clipping, e outros usados para concursos e desfiles)
  • Art. 16 – O responsável pelo animal ficará isento de pagamento pelo serviço prestado quando:
  1.  For constatado imperícia profissional;
  2. Quando o proprietário constatar que o procedimento previamente acordado não foi satisfatório.