A partir das entrevistas realizadas, alguns trechos importantes foram destacados para serem analisados de acordo com os autores usados no referencial teórico e outros. Quando se pensa em inclusão, logo vem à ideia de escola de educação especial. A escola inclusiva deve ser uma escola para todos. Onde os alunos possam interagir com os seus colegas e com a aprendizagem. Na opinião da família da aluna com Síndrome de Down, na entrevista realizada com a irmã dela, quando perguntei suas considerações sobre a inclusão ela respondeu:
“ Eles não devem ficar em sala com crianças apenas com Síndrome de Down ou outros tipos de problema, mas junto com crianças normais também.” Durante a entrevista com a professora quando foi perguntado quais suas considerações sobre a inclusão ela respondeu: “Eu creio que é uma excelente iniciativa essa questão de introduzir um aluno com Síndrome de Down em uma sala normal e não só com Síndrome de Down.
Na escola nós temos alunos que apresentam outras dificuldades. Vemos isso como algo positivo, pois ele está se relacionando com outros colegas, vivenciando as diferenças porque eu acho que no geral todos nós temos dificuldades, mas cada um o seu grau e o seu jeito de aprender.” Tanto a irmã da aluna quanto a professora, apresentam a mesma opinião sobre a questão da inclusão.
Ambas acreditam que além da inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais na escola regular, também é necessário que eles estejam na sala de aula junto com outros alunos, para que ocorra uma integração social entre os normais e os deficientes. Para Carvalho a Educação Inclusiva tem como objetivo oferecer uma escola de qualidade, com acesso a todos os alunos respeitando as suas diferenças. Porém, de acordo com o que foi falado na entrevista da irmã de uma aluna com Síndrome de Down, parece que nem sempre a inclusão é praticada efetivamente nas escolas regulares.
“ Ela estudava com crianças normais e crianças com Down também e depois eles colocaram ela junto apenas com crianças com deficiência.”Durante a entrevista com a professora atual da aluna com Síndrome de Down, quando perguntei se o processo de inclusão na escola era novo ela me respondeu: “Sim. Existia uma sala, no período da tarde, só com eles...” (alunos com necessidades educacionais especiais) “A tarde nós tínhamos uma sala multisseriada, com alunos com alguma dificuldade...” Ter uma sala apenas de alunos com necessidades educacionais especiais pode facilitar a exclusão dentro do processo de inclusão.
Alunos com necessidades educacionais especiais são discriminados e excluídos devido as suas características“biopsicossociais”, ou seja, estão sendo excluídos das suas oportunidades de aprender, na integração escolar nem todos os alunos com deficiência estão em uma turma de ensino regular, porque ocorre uma seleção para verificar quem está apto para integrar na turma. A integração é importante para relação entre as pessoas ditas normais e as pessoas com deficiência.
A exclusão pode ser causada pelo fato de apenas inserir um aluno com necessidades educacionais especiais nas turmas regulares, sem que ocorra interação entre os alunos portadores de deficiência e as outras crianças não portadoras de deficiência. A irmã da aluna, reconhecendo isso, comenta durante a entrevista que:“-É interessante sim ele estar incluso na sala de aula, porque ele convive com as outras crianças e assim ele tem um leque de experiências, para que possa adquirir vivência e experiência de vida, para o dia-a-dia, possibilitando maior integração entre os colegas e os professores.”É importante nos primeiros anos de vida de crianças com Síndrome de Down a estimulação, que ajuda no seu desenvolvimento devido aos diferentes ritmos de aprendizagem e as suas necessidades especiais.
Sobre este aspecto, é possível reconhecer os esforços em torno da estimulação na fala da irmã, ao abordar brevemente sobre o processo de escolarização da aluna com Síndrome de Down.“No início ela começou com tratamentos na APAE e na Casa da Esperança, depois ela começou a estudar na APAE para começar a adquirir experiência de estudo”. A educação infantil é muito importante para que crianças com Síndrome de Down adquiram autonomia dentro da sala de aula e para o inicio da integração com um novo grupo social, que é diferente do ambiente familiar em que ela vive.
Uma das questões levantada pelos pais de crianças com Síndrome de Down é a falta de conhecimento sobre o assunto que leva a dificuldade de aceitação. Durante a entrevista a irmã fala sobre as dificuldades da inclusão e um dos motivos que ela coloca são os diferentes graus da síndrome que há entre os portadores. “Porém é importante lembrar que há crianças com Síndrome de Down com um grau mais elevado e outras com menos e isso é importante no momento de mesclar as turmas.” “...talvez para crianças que apresentam maior dificuldade, a gente percebe que as escolas não as aceitam tão facilmente.”
São os graus de retardo mental, que geralmente em crianças com Síndrome de Down estão entre as faixas leve e moderada, rotular e categorizar alunos com Síndrome de Down destacando as suas dificuldades e excluindo as suas facilidades para aprendizagem os prejudica muito. Levando pais e professores a terem baixas expectativas em relação à aprendizagem desses alunos, exigindo menos e diminuindo as chances de melhoria no seu desenvolvimento. Portadores da Síndrome de Down e pessoas normais, apresentam diferenças no seu comportamento, personalidade e desenvolvimento. Sendo assim não são iguais.
Atribuir estereótipos, como pessoas com Síndrome de Down são carinhosas, concretizam o preconceito e acontecem frequentemente também com outras deficiências. No caso de Síndrome de Down, uma opinião já formada sobre o que é a Síndrome o significado da palavra preconceito seria uma opinião já formada sobre algo ou alguém. Na entrevista a irmã também fala sobre a existência do preconceito, mas que ele está diminuindo. “...as pessoas enxergavam a Síndrome de Down como algo muito diferente.
Mas hoje as barreiras não existem mais ou estão acabando.” “Quando levamos ela em ambientes sociais, festas, barzinhos... As pessoas convidam ela para participar de uma dança, uma conversa e essas barreiras estão terminando. “Porém existem algumas pessoas que tem preconceito.” Ainda que a irmã reconheça um avanço na superação dos preconceitos, é importante salientar que “o atípico incomoda, gera desconforto, na medida em que pouco se sabe a respeito do porquê alguns são ‘mais diferentes’ do que seus pares e, em decorrência, o que fazer com eles, em sala de aula”.
Quando perguntei sobre qual o motivo do preconceito na opinião dela, obtive as seguintes respostas: “Na minha opinião, a falta de informação, por não saber o que é a Síndrome.” “Eu percebo que algumas pessoas da sociedade têm um pouco de preconceito, ficam olhando de maneira diferente...”O preconceito é mais uma das barreiras atitudinais que dificultam a aceitação de pessoas com deficiência. A este respeito, cabe ressaltar que, para remover as barreiras existentes é preciso identificá-las. E, seguramente as barreiras atitudinais expressas pela sociedade são as mais significativas. É importante informar a população através de campanhas de educação para acabar com o preconceito com as pessoas deficientes.
Para a professora o preconceito também é uma das principais barreiras da inclusão: “...existe a questão do preconceito, que tem que ser muito trabalhado ainda entre os alunos e os profissionais que trabalham na escola, para realmente aceitar esse aluno de uma forma natural.” E o homem diante do desconhecido e do que é diferente toma algumas atitudes de ataque e/ou atitudes defensivas que expressam o preconceito. Podendo afirmar que o preconceito faz parte do seu comportamento cotidiano.
Um dos assuntos mais discutidos atualmente é a ideia de que o professor deve criar nas salas de aula um bom convívio entre os alunos. Isto é considerado como algo encorajador. Mas parece que nem todos os professores se sentem preparados para essa prática. Na opinião da Professora: Seria importante um trabalho com os outros alunos para aprender a aceitar as diferenças, quanto maior a “diversidade” dos alunos na sala de aula, mais complexa e rica é a turma.
Um dos obstáculos enfrentados pelos professores do ensino fundamental é o fato deles não se sentirem preparados para trabalhar com grupos muito diversificados. Como ocorre nas escolas de inclusão. Os professores preferem passar para os seus colegas especializados o “problema” de trabalhar com alunos com necessidades educacionais especiais. Assim não precisam se preocupar com as suas limitações profissionais. A professora também comentou sobre esse aspecto em diversos momentos da entrevista. "... não existe um preparo dos profissionais que atuam nessa área e mesmo de todo o processo educativo para acolher com segurança e qualidade esses alunos na escola regular.”
Porque falta apoio em todos os sentidos, de profissionais específicos para lidar com a Síndrome de Down e outros tipos de deficiências, que pudesse orientar o professor e a turma.” “... mas ainda é um processo muito inicial que gera insegurança, desconforto e até ansiedade pelo fato de querer saber se está trabalhando no caminho certo.Os professores têm medo de não conseguirem cumprir o seu papel em turmas de alunos com necessidades educacionais especiais, por serem inexperientes e incapazes.
O governo deve garantir programas de treinamento para professores já formados e para os professores em formação, incluindo as informações necessárias para o processo de educação inclusiva nas escolas de ensino regular. A falta de preparação dos professores parece ser mais uma das grandes barreiras da inclusão. É preciso estar atento para difícil tarefa de combinar igualdades e diferenças dentro da escola.
Os alunos não podem ser desvalorizados ou considerados incapazes devido as suas diferenças A Irmã da aluna declarou no final da entrevista que: “Colégios top como Y e Z, não incluem esse tipo de criança. Eu trabalhei no Y e percebi que é tudo muito elitizado, e existe um pouco de preconceito sim.” Nesse momento a irmã parece demonstrar indignação sobre este fato. Por ela ser professora e já ter trabalho nesses colégios, que são considerados de excelente qualidade, mas infelizmente ainda excluem alunos com necessidades educacionais especiais. Essa é considerada uma é prática de discriminação. Na declaração da Guatemala, decretada como lei, qualquer diferenciação, restrição ou exclusão de portadores de deficiência que impede essas pessoas de exercer os seus direitos é considerada como discriminação.
As escolas, consideradas como espaços educacionais, não podem ser lugares de discriminação. Assim, vale reiterar que, a escola deve se adequar aos alunos e não os alunos se adequar a escola. Outra dificuldade também foi apresentada pela irmã da aluna, durante a entrevista: “Na escola em que ela estuda, todos a receberam muito bem devido ao grau dela de dificuldade de aprendizagem, que não é muito, agora talvez para crianças que apresentam maior dificuldade, agente percebe que as escolas não aceitam as tão facilmente.”
“Eu acredito que o fato dela não ler, que dificulta um pouco tanto para ela trabalhar quanto para conseguir estudar em outras escolas.” temos que a escrita e a leitura é uma das maiores dificuldades de aprendizagem para crianças com Síndrome de Down, devido a sua deficiência mental. Mas o processo de alfabetização não é um caminho fácil. Não existe um método para ensinar todos os alunos com deficiência mental a ler, o mais adequado é variar as estratégias de aprendizagem, Também em, temos que a inclusão nas escolas regulares não tem sido aceita facilmente.
Pois há necessidade de grandes mudanças, desde aspectos arquitetônicos até a mudança do método de ensino e preparação dos professores. Tudo isso para oferecer oportunidade e qualidade de aprendizagem para todos os alunos. A irmã entrevistada fala sobre o desenvolvimento da aprendizagem da aluna com Síndrome de Down na sua atual escola. “Mas hoje, na sua escola atual, ela está tendo as oportunidades. Se ela tiver que faltar na aula ela fica muito brava porque ela ama aquela escola.” Sobre as suas práticas pedagógicas a professora comenta que: “- Muita coisa é feita na oralidade, devido ao fato da dificuldade que ela tem com a fala, tanto é que ela acompanha com fono (fonoaudióloga), como também a dificuldade da alfabetização, isso quer dizer: praticamente ela não escreve.”
É importante a integração entre a fonoaudióloga e a coordenação da escola para o trabalho de alfabetização. Já que pessoas com Síndrome de Down apresentam um atraso no desenvolvimento da linguagem. A professora também fala que: “... trabalhar atividades que eles já dominem, porque ele vai se sentindo mais seguro e com vontade de vir para escola, porque ele está conseguindo fazer as atividades.” “... Nós estamos com um olhar diferenciado para esse aluno, no sentindo de aproveitar o que ele está conseguindo aprender.”
Afirma que a Síndrome de Down limita o desenvolvimento da criança impedindo que ela atenda a todos os estímulos oferecidos. Porém essas limitações podem e são superadas com o passar do tempo sempre ocorre uma grande diferença entre a sua idade mental e a sua idade cronológica. A L tem 26 anos, mas ainda está no 3º ano do ensino fundamental I. O atraso no desenvolvimento parece dificultar a aprendizagem da aluna.
“A L. Está em uma turma do 3º ano (2ª série) e uma coisa que eu acho importante colocar é o lado afetivo e a socialização que são conteúdos trabalhados muito necessários para esses alunos. Porque quando eles se sentem bem, eles vêm para escola com prazer. Quando a criança e o adulto não se sentem bem e mais difícil dele querer fazer a atividade e aprender.”, alunos com deficiência devem ser vistos na escola inclusiva como pessoas que são grandes desafios para a capacidade dos professores e para escola em promover educação para todos respeitando as diferenças de cada um, e não devem ser vistos como problema. Isso soma-se à consideração de que a inclusão exige uma mudança organizacional para conseguir proporcionar uma educação para todos. A professora falou sobre a sua opinião a respeito dos resultados do processo de inclusão na escola. “O olhar dessa escola, sempre foi voltado para estar olhando para o aluno e trabalhando as diferenças. Então eu acho que agora que entraram esses alunos de inclusão, também continua esse olhar só que um pouco mais aprimorado.
Eu creio que os resultados aqui estão sendo positivos, mas ainda tem muito que melhorar.”, é importante o desenvolvimento das áreas de potencialidades do conhecimento demonstradas pelos alunos com síndrome de Down pela escola. A escola deve trabalhar com atividades que estimulem essas potencialidades. Entretanto, o processo de transformação que ocorre na escola regular para se adequar a educação inclusiva é lento.
A professora comenta também sobre o que ela pensa da inclusão. É a primeira vez que você trabalha com uma turma de inclusão? “Sim. Eu estive com a classe da L, no semestre passado apenas por um período. Era uma sala em que praticamente todos os alunos eram de inclusão, uma sala multisseriada. Agora a experiência é diferenciada. Porque eu tenho alunos de inclusão e alunos que não são de inclusão. Então eu tenho essas diferenças dentro da sala de aula, que é um pouco diferente do que eu vivi no semestre passado. Se você entende inclusão, como uma questão de diferença, isso já existe em qualquer sala.
Porque todos são diferentes, um tem facilidade para uma coisa outro tem dificuldade para outra coisa e o professor muitas vezes tem que fazer atividades diferentes para aqueles que têm alguma dificuldade, permitindo que o aluno possa aprender, compreender, se concentrar ou dominar o assunto.” , as diferenças podem ser reconhecidas de duas maneiras. A “diferença”, quando se trata de características diferentes que não causam conflitos, como as variadas cores de cabelos, e a “diferença significativa” que apresenta três critérios. O primeiro são resultados estatísticos, se você está fora desses resultados você é diferente. Depois temos o critério estrutural, que são as deficiências físicas, como ser cego ou surdo. E por último, o critério do “tipo ideal” o que adequado para sociedade. Sendo assim, para professora, as diferentes formas de aprendizagem entre os alunos é apenas uma “diferença”, fácil de lidar. Entretanto as diferenças que existem entre os alunos de uma sala de inclusão são “diferenças significativas“ e essas são mais difíceis de serem aceitas e trabalhadas em sala de aula.
Por fim, ambas entrevistas revelaram as opiniões, as dificuldades e os avanços da família e da professora sobre o processo de inclusão da aluna com Síndrome de Down.