Transtornos Específicos da Aprendizagem
Educação Inclusiva
1 Transtornos específicos da aprendizagem:
De acordo com o código internacional de doenças , os transtornos de aprendizagem transtornos nos quais os padrões normais de aquisição de habilidades são perturbados desde os estágios iniciais do desenvolvimento. Eles não são simplesmente uma consequência de uma falta de oportunidade de aprender nem são decorrentes de qualquer forma de traumatismo ou de doença cerebral adquirida. Ao contrário, pensa-se que os transtornos originam-se de anormalidades no processo cognitivo, que derivam em grande parte de algum tipo de disfunção biológica” .
Para algumas pessoas, os anos escolares estão naturalmente encadeados em um desenvolvimento contínuo e crescente de suas habilidades acadêmicas e seu desempenho reflete esse percurso. Para esses alunos, aprender da maneira como as escolas ensinam, é natural. Mas não é assim para todos. A educação de alunos com transtornos específicos de aprendizagem , em especial a dislexia e a discalculia, tem trazido desafios aos métodos pedagógicos e propostas curriculares vigentes em nosso país. A situação ainda é muito adversa, expondo alunos e familiares a níveis críticos de risco emocional e financeiro.
Em decorrência da natureza neurobiológica de suas dificuldades, as crianças e jovens com TEA têm que trabalhar com fragmentos de informação, na difícil tarefa de tentar atribuir um padrão à informação que recebem. Esse universo “fragmentado” contribui para reforçar o senso de frustração construído ao longo de uma vida escolar sofrida, marcada pelo fracasso. Com os recursos cognitivos ocupados em lidar com sua dor psíquica, o jovem não pode avançar em seu processo de aprendizagem e, então, se vê aprisionado no sistema escolar: como não tem as ferramentas, não consegue aprender pela metodologia convencional e, como não aprende, não pode ser legitimado como sujeito que tem interesse em aprender.
No projeto Individualmente acreditamos que o dilema atual da diversidade de alunos versus a eficiência do ensino pode ser abordado pelo ângulo da customização da aprendizagem. À medida em que o aluno com TEA puder individualizar seu percurso de aprendizagem e desenvolver habilidades metacognitivas para adquirir autonomia na gestão de sua aprendizagem, ele terá condições de construir uma autoimagem de aprendiz produtivo e minimizar o sentimento de não pertencimento ao ambiente escolar.
Em outras palavras, poderá ser mais atuante no planejamento de suas futuras ações na vida adulta, sem sentir-se vencido pelos seus “limites”. Estima-se que 6 % da população mundial possua algum tipo de transtorno específico de aprendizagem . Esses transtornos persistentes manifestam-se muito cedo na vida e não decorrem da falta de oportunidade de aprender, de deficiência intelectual ou sensorial ou de doenças adquiridas. Quase sempre, resultam em muito sofrimento para o indivíduo e sua família. Se não houver uma intervenção personalizada e de longo prazo, a defasagem de desempenho na escola aumenta com o passar dos anos, resultando em prejuízos pessoais irreparáveis tais como: abandono escolar, transtornos psico-afetivos, inadaptação social e subemprego, para citar alguns. Estatísticas americanas indicam que 40% dos jovens com TEA não concluem o ensino médio naquele país.
Os TEA são classificados em subtipos, dependendo da área da aprendizagem mais afetada: transtorno de leitura, transtorno de expressão escrita, transtorno de habilidades matemáticas, transtorno não verbal e transtorno de linguagem, entre outros. É mais fácil estudá-los e explicá-los dessa forma, mas, na realidade, um indivíduo com transtorno específico de aprendizagem nunca será igual a outro, haverá sempre uma interação entre suas parcelas de “dificuldades” e de “aptidões” inatas e do meio familiar, educacional e sócio-cultural em que ele está inserido, resultando numa trama única.
Apesar de únicos na manifestação de suas dificuldades, crianças e jovens com TEA compartilham o fardo do mau desempenho na escola e com frequência são rotulados por colegas, pais e professores como preguiçosos, pouco empenhados e incompetentes. Indivíduos com TEA precisam ser ajudados e, felizmente, existem meios para que isso aconteça. Não há atalhos, o caminho é longo e árduo, mas essas crianças e jovens e suas famílias não precisam empreender a jornada sozinhos. O primeiro passo é identificar as dificuldades e providenciar uma avaliação interdisciplinar da aprendizagem. A partir dos achados da avaliação e do diagnósitco, delineia-se um percurso de intervenções e orientações para aquela determinada criança e ou jovem.