Importância da segurança na radiologia odontológica

Noções Básicas da Gestão da Saúde e Segurança no Trabalho de Odontologia

1 A importância da biossegurança na odontologia:

Introdução:

 

A biossegurança na odontologia, é quem determina os procedimentos que devem ser realizados dentro de um consultório para evitar a propagação da doença. São ações que devem ser tomadas por qualquer tipo de atividade que envolvam riscos químicos, físicos ou biológicos, de forma para preservar a saúde dos envolvidos. 

Essa proteção é principalmente focada em proteger contra doenças infecciosas, que são qualquer tipo de patologia causada pela transmissão de vírus, bactérias ou fungos, que podem passar de uma pessoa para outra.

No caso da odontologia, a biossegurança fica focada em procedimentos que devem ser seguidos dentro do consultório odontológico de forma a garantir a saúde e a segurança tanto do dentista e seus auxiliares, quanto do paciente além de proteger também suas famílias e pessoas do convívio, que podem acabar sendo atingidas por contaminação indireta.

Esses procedimentos na odontologia envolvem estratégias de imunização e também a prevenção da exposição de dentistas, auxiliares e pacientes a materiais infecciosos.

A seguir iremos falar qual foi a motivação que levou a criar a biossegurança e insalubridade na odontologia.

 

O que é insalubridade e seus benefícios:

 

A insalubridade e a periculosidade têm como base legal a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu Título II, cap. V seção XIII., e a lei 6.514 de 22/12/1977, que alterou a CLT, no tocante a Segurança e Medicina do Trabalho. Ambas foram regulamentadas pela Portaria 3.214, por meio de Normas regulamentadoras.

“Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos.”

A neutralização ou a eliminação da insalubridade ocorrerá:

  • Com a adoção de medidas que conservem o ambiente do trabalho dentro dos limites de tolerância;
  • Com a utilização de equipamentos de proteção individual ao trabalhador, que diminuam a intensidade do agente agressivo aos limites de tolerância.

“Artigo 192 – O exercício de trabalho em condições insalubres, acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho, assegura a percepção de adicional respectivamente de 40%, 20%, e 10% do salário mínimo da região, segundo se classifiquem nos graus máximo, médio ou mínimo. “

A insalubridade foi regulamentada pela Norma Regulamentadora No 15, por meio de 14 anexos.

Os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) foram regulamentados na Norma Regulamentadora de No 06.

Limite de Tolerância é a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral.

Os agentes classificam-se em: 

  • Químicos;
  • Chumbo;
  • Físicos;
  • Calor;
  • Biológicos;
  • Doenças infectocontagiosas.

Como os cirurgiões-dentistas realizam atividades e métodos de trabalho que os expõem à substância ou agentes insalubres, a súmula 228, do TST e o art. 192 da CLT, fixaram graus de insalubridade, que corresponde ao adicional salarial. Trabalhar em condições de insalubridade assegura ao trabalhador um adicional sobre o salário mínimo da região e, se houver previsão convencional, este adicional poderá ser sobre o salário nominal. Este adicional varia de acordo com o grau de insalubridade e é de:

  • 40%, para o grau máximo;

  • 20%, para o grau médio;

  • 10%, para o grau mínimo.

Para inflamáveis, explosivos e radiações ionizantes: o adicional é 30% sobre o salário básico, excluídas gratificações, prêmios e participação nos lucros. Para eletricidade, de 30% sobre o salário recebido, no caso de permanência habitual em área de risco, desde que a exposição não seja eventual (pró-rata).

Segundo o art. 191 da CLT, a empresa terá que tornar o ambiente de trabalho menos desfavorável ao trabalhador, adotando para tanto medidas para reduzir a insalubridade aos limites de tolerância ou utilizar os equipamentos de proteção individual. O exercício do trabalho em condições insalubres assegura ao trabalhador, segundo o art. 191 da CLT, o direito a um adicional de insalubridade que será de 10%, 20% ou 40% do salário mínimo da região, de acordo com o grau em que o caso se enquadram (mínimo, médio ou máximo).

Como funciona: 

Os limites de tolerância das condições insalubres são determinados pelo Ministério do Trabalho e a caracterização da atividade insalubre, perigosa ou penosa depende da realização de perícia.

O trabalhador terá direito a este adicional enquanto estiver exercendo atividades em ambientes de condições adversas, identificadas pela perícia. Caso as condições insalubres sejam eliminadas ou reduzidas pela adoção de medidas de segurança com o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), por exemplo, pode resultar na suspensão do adicional de insalubridade ou na redução do percentual concedido.

 

Motivo da criação de biossegurança e insalubridade na odontologia:

 

Os agentes biológicos representam o risco ocupacional mais antigo e o mais comum nas atividades relacionadas ao trabalho desenvolvido pelos profissionais da área de saúde. O advento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida-AIDS aumentou consideravelmente a exposição desses profissionais, pois é cada vez maior o número de indivíduos infectados com o vírus da AIDS. De acordo com Mastroeni (2004) os meios de transmissão dos agentes biológicos são por contato direto ou indireto, por vetor biológico ou mecânico e pelo ar, sendo as rotas de entrada por inalação, ingestão, penetração através da pele e por contato pelas mucosas dos olhos, nariz e boca.

Além dos profissionais de saúde como patologistas, cirurgiões dentistas, os que lidam com emergências e principalmente os que lidam com doenças infecto- contagiosas, os profissionais que atuam em laboratórios recebendo e manuseando materiais biológicos potencialmente contaminados estão expostos a uma alta carga de agentes biológicos. Profissionais que cuidam da saúde dentária tem o potencial de transmitir infecções para outros e também serem infectados durante o trabalho.

Alguns fatores próprios da profissão aumentam as chances de que tais fatos venham a ocorrer, e estes fatores são: grande potencial de estímulo a sangramento, geração de aerossóis através do uso de canetas de alta rotação, uso de aparelhos ultrassônicos e rotatividade dos instrumentos de atendimento, o que leva ao contato com vários pacientes. De acordo com o exposto fica claro que em odontologia as chances de infecção e contaminação cruzada são inúmeras e a adoção de medidas que levam ao tratamento deste modo de infecção na prática dentária de rotina é desejável, no intuito de que, os responsáveis por equipes de saúde dentária tenham o dever de assegurar que todas as providências sejam tomadas para prevenir infecções no sentido de proteger não só os pacientes, como a si próprio e a própria equipe.

Devido a estas ocorrências é que foram criadas as normas de biossegurança, dentro dos consultórios odontológicos. 

 

No próximo capítulo iremos falar dos agentes biológicos, agentes químicos e agentes físicos.

2 Atividades e operações insalubres:

 

Agentes Biológicos, Agentes Químicos e Agentes Físicos:

 

O que são os Agentes Biológicos:

 

Em relação às atividades que envolvem agentes biológicos, cuja insalubridade é caracterizada pela avaliação qualitativa. Insalubridade do grau máximo Trabalho ou operações, e contato permanente com:   

  • Pacientes em isolamento por doenças infecto-contagiosas, bem como objetos de seu uso, não previamente esterilizados;

  • Carnes, glândulas, vísceras, sangue, ossos, couros, pêlos e dejeções de animais portadores de doenças infectocontagiosas (carbunculose, brucelose, tuberculose);

  • Esgotos (galerias e tanques); 

  • Lixo urbano (coleta e industrialização).

Insalubridade de grau médio Trabalhos e operações em contato permanente com pacientes, animais ou com material infecto-contagiante, em:

  • Hospitais;

  • Serviços de emergência;

  • Enfermarias;

  • Ambulatórios;

  • Hospitais, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados ao atendimento e tratamento de animais (aplica-se apenas ao pessoal que tenha contato com tais animais);

  • Contato em laboratórios, com animais destinados ao preparo de soro, vacinas e outros produtos;

  • Laboratórios de análise clínica e histopatologia (aplica-se tão-só ao pessoal técnico);

  • Gabinetes de autópsias, de anatomia e histoanatomopatologia (aplica-se somente ao pessoal técnico);

  • Cemitérios (exumação de corpos);

  • Estábulos e cavalariças; 

  • Resíduos de animais deteriorados.

OBSERVAÇÃO: Postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados aos cuidados da saúde humana (aplica-se unicamente ao pessoal que tenha contato com os pacientes, bem como aos que manuseiam objetos de uso desses pacientes, não previamente esterilizados.

 

Agentes químicos:

 

São considerados agentes químicos as substâncias , compostos ou produtos que possam penetrar no organismo do trabalhador, por via respiratória, nas formas de poeira, fumos, gases, neblinas ou vapores.

A preocupação em evitar o surgimento de doenças decorrentes da exposição dos indivíduos a agentes químicos no ambiente de trabalho conduz à tomada de medidas de prevenção. Estas são a base da monitorização biológica e consistem em verificar se a concentração destes agentes ou de seus metabólitos no organismo dos trabalhadores está dentro dos níveis estabelecidos por órgãos governamentais ou pela comunidade científica. (VINHA) Os indicadores biológicos de exposição e os índices biológicos máximos permitidos são determinados por meio de estudos epidemiológicos, experimentais e casos clínicos. 

No Brasil, a Norma Regulamentadora n.º 7 (NR-7) e a Portaria n.º 24 de 29 de dezembro de 1994 da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho, estabelecem os parâmetros biológicos para controle da exposição a agentes químicos.

Conforme esta Portaria todos os empregados e instituições que admitem trabalhadores como empregados são obrigados a elaborar e implementar o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). O referido programa tem por objetivo promover e preservar a saúde dos trabalhadores. (STEVENS) Esta monitorização biológica complementa o monitoramento ambiental e a vigilância à saúde, considerando-se que determina a exposição global diretamente no indivíduo e detecta efeitos precoces e reversíveis, proporcionando uma melhor estimativa de risco.

 

Agentes Físicos:

 

São considerados agentes químicos as energias a que são expostas o trabalhador como:

  • Ruídos;

  • Vibrações;

  • Pressões anormais;

  • Temperaturas extremas;

  • Radiações ionizantes;

  • Radiações não ionizantes.

OBSERVAÇÃO: O controle médico deve ser feito por meio do exame áudio-métrico pré-admissional e periódico, para diagnóstico precoce da lesão auditiva, visando portanto impedir que a exposição continue por mais alguns anos e acabe por resultar numa surdez total.

Riscos á saúde: 

 

Ruido:

Provoca cansaço, irritação, dores de cabeça, diminuição da audição (surdez temporária, surdez definitiva e trauma acústico), aumento da pressão arterial, problemas no aparelho digestivo, taquicardia, perigo de infarto.

 

Vibrações:

O cansaço pode causar: cansaço, irritação, dores nos membros, dores na coluna, doença do movimento, artrite, problemas digestivos, lesões ósseas, lesões dos tecidos moles, lesões circulatórias.

 

Calor extremo:

O calor extremo pode causar: taquicardia, aumento da pulsação, cansaço, irritação, choques térmicos, fadiga térmica, perturbação das funções digestivas, hipertensão.

 

Frio extremo:

Já o frio extremo pode nos causar: fenômenos vasculares periféricos, doenças do aparelho respiratório, queimaduras pelo frio.

 

Radiações ionizantes:

A radiação ionizante pode trazer como consequência: alterações celulares, câncer, fadiga, problemas visuais, acidentes do trabalho.

 

Radiação não ionizantes:

Já as radiações não ionizantes pode causar: queimaduras, lesões na pele, nos olhos e em outros órgãos. É muito importante saber que a presença de produtos ou agentes no local de trabalho como, por exemplo, radiações infravermelhas, presentes em operações de fornos, de solda oxiacetilênica; ultravioleta, produzida pela solda elétrica; de raios laser podem causar ou agravar problemas visuais (ex. catarata, queimaduras, lesões na pele, etc.). Mas isto não quer dizer que, obrigatoriamente, existe perigo para a saúde, pois depende da combinação de muitas condições como a natureza do produto, a sua concentração, o tempo e a intensidade a que a pessoa fica exposta a eles, por exemplo.

Umidade:

A umidade pode causar como consequência: doenças do aparelho respiratório, doenças da pele e circulatórias, e traumatismo por quedas. 

 

Pressões anormais:

As pressões anormais tem como sintoma: hiperbolismos, embolia traumática pelo ar, embriaguez das profundidades, intoxicação por oxigênio e gás carbônico, doença descompressiva.

O nosso próximo assunto sera da importância das normas de Radioproteção, os riscos e efeitos que a radiação pode causar no organismo. 

3 Normas e segurança na Radiologia Odontológica:

Normas de Radioproteção na odontologia:

 

Ter precaução em qualquer atividade sujeita a radiação ionizante , visto que as mesmas não são percebidas pelos sentidos humanos e, qualquer que seja o nível de radiação envolvido no trabalho da radiologia diagnóstica haverá o risco do desenvolvimento de algum dano biológico. Os serviços de radioterapia respondem por procedimentos terapêuticos essenciais para o câncer, uma das principais causas de morbidade e mortalidade populacional. Apesar de sua importância no sistema de saúde e do seu potencial de risco pelo uso da radiação ionizante, poucos estudos têm sido dedicados a eles.

Foi realizada uma pesquisa em 49 serviços de radioterapia no ano de 2000, tipologias desenvolvidas  para o desempenho e uma variável estrutura e saúde. Foram observadas diferenças importantes nos serviços quanto à posição no sistema de saúde, nível de complexidade e distribuição geográfica, com desempenho médio melhor para as condições estruturais e desempenho muito inadequado na proteção ao paciente, apontando para a necessidade de uma vigilância sanitária mais efetiva. Procedimentos de proteção radiológica ou de radioproteção têm como objetivo proteger o ser humano dos efeitos nocivos da radiação ionizante para que ele possa usufruir dos benefícios dessa radiação com segurança.

O perigo da radiação já era conhecido desde quando começou a ser usado na indústria de medicina. 

Foi a partir da experiência adquirida ao longo desses anos que desenvolveu-se e continua-se a desenvolver as normas que regulamentam o uso das radiações nos diferentes campos. As guerras mundiais contribuíram para o desenvolvimento dos procedimentos radioproteção, porém a um alto custo humano devido à elevada exposição de alguns grupos à radiação. Durante a Primeira Guerra Mundial, apesar do conhecimento que já se tinha dos efeitos da exposição à radiação, muitos casos de leucemia devido à alta exposição à radiação em hospitais e indústrias foram relatados.

A construção do primeiro reator nuclear, em 1942, e os testes e usos de bombas nucleares durante a Segunda Guerra Mundial ofereceram várias oportunidades de estudo dos efeitos da exposição controlada e acidental à radiação. Organizações nacionais e internacionais determinam normas de segurança e padrões de proteção radiológica visando a segurança daqueles que trabalham com radiação e do público em geral. Uma das organizações internacionais mais importantes é a Comissão Internacional de Proteção Radiológica (ICRP - International Comission on Radiation Protection) criada ainda no início do século XX.

No Brasil, o órgão responsável pela regulamentação e padronização de normas é a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Existem normas específicas de proteção radiológica para um serviço de radioterapia. O principal instrumento de implementação de um programa de proteção radiológica em um serviço de radioterapia é o plano de radioproteção. O plano de radioproteção da instituição abrange diversos aspectos, desde metodologias de monitoração ambiental e individual e controle de qualidade dos equipamentos a procedimentos para situações de emergência e atualização de funcionários, entre outros. Em todo serviço de radioterapia deve haver um físico responsável pela proteção radiológica. O físico responsável deve elaborar o plano de radioproteção da instituição, a ser submetido à aprovação da CNEN.

Importante salientar que alguns "mitos" adquiridos quanto a radiação x devem ser quebrados. Frequentemente se ouve falar que não se pode utilizar espelhos no local onde o aparelho de raios x estão instalados, bem como o medo de ficar na mesma sala durante o disparo dos raios x, mesmo quando se utiliza o biombo de proteção, por achar que a radiação fará curva e alcançará o operador. Estes fatos podem ser desmistificados quando recorremos aos princípios fundamentais dos raios x, que provam que os raios-x não sofrem reflexão, refração ou difração em situações normais, bem como caminham em linha reta não fazendo curva.

Uma dúvida frequente por parte dos pacientes é o medo de entrar em uma sala de raios-x ou em um ambiente que faz o uso deste, em decorrência de achar que o ambiente está "contaminado" ou "carregado" de radiação. Este fato não existe, visto que a radiação utilizada em nossos consultórios é classificada como eletromagnética e só haverá produção de radiação quando o aparelho for acionado. Segundo a ANVISA (2010), uma questão que deve ser observada é o uso de exames radiográficos em pacientes que estão no período gestacional. É muito importante neste caso o uso do bom senso e a avaliação do custo-benefício. Todo paciente pode ser radiografado, porém deve-se evitar o uso de radiação nos 3 primeiros meses de gestação, por ser o período de maior atividade mitótica.

Veja abaixo quais efeitos a radiação pode causar no organismo, os riscos causados por exames radiodiagnósticos e seus efeitos. 

 

Efeitos da radiação no organismo:

 

A radiação provoca efeitos deletérios ao organismo, independentemente da quantidade de exposição. Obviamente, uma pequena quantidade de radiação não será suficiente para provocar uma manifestação clínica ou genética, mas certamente provocará uma reação celular com quebra e desorganização de moléculas. Desconhece-se com certeza os efeitos biológicos da radiação para pequenas doses tanto para desenvolver uma lesão (nível somático), como para provocar mutação (nível genético). Em nível somático, ocorre destruição de tecidos em que a radiossensibilidade é maior, como o tecido vascular, sexual e oftálmico.

Em nível genético, as mutações ocorrem por quebras de cromossomos que contêm os genes, ocorrendo reorganização aleatória e alterando o padrão hereditário.

Como proteção deve-se:

  • Lançar mão de dispositivos que diminuam a incidência de radiação sobre o paciente, o cirurgião dentista;

  • A área do consultório e regiões vizinhas.

Para o paciente:

  • Temo filtração e colimação dos feixes;

  • Filmes ultra rápidos;

  • Cilindros abertos;

  • Avental de chumbo;

  • Gola de tireóide.

O Emprego de técnicas seguras, como a periapical pelo paralelismo, por exemplo, diminui o risco de repetições e fornece exames de excelente qualidade, sendo portanto um eficiente meio de proteção.

 

Dispositivo de proteção para os profissionais:

 

Biombo de proteção:

 

O profissional também se beneficia de todos os dispositivos de proteção, mas ainda assim deve se proteger com biombos de chumbo a distância de no mínimo 1,80 m do cabeçote do aparelho de raios-x e jamais segurar o filme na boca do paciente.  As áreas anexas à sala onde está o aparelho de raios-x também devem ser protegidas com pare desde pelo menos meio tijolo compacto revestido de barita (composição mineral que contém um elemento de alto número atômico, o bário ). Divisórias e portas devem ter revestimento de chumbo, as portas visores plumbíferos. Janelas que dão acesso a áreas em que ocorrem trânsito de pessoas devem ser removidas.

 

Importância da manutenção correta dos equipamentos:

 

Obviamente a correta manutenção do aparelho de raios-x é extremamente importante para segurança dos seus operadores, tanto no sentido de diminuir a dose de radiação secundária como no sentido de receber uma descarga elétrica altíssima, uma vez que esta radiação é produzida por correntes elétricas de no mínimo 50.000 Volts. Qualquer relato de vazamento de óleo da cabeça do aparelho é motivo para que este não seja mais utilizado enquanto não for realizada uma revisão. Segundo Mezaddri pode-se definir programa de garantia de qualidade como procedimentos que visam assegurar a máxima qualidade das imagens radiográficas com uma maior proteção do paciente.

Neste sentido, foi realizado um estudo, em 70 aparelhos de raios X odontológicos, na cidade de Itajaí (SC), com objetivo de verificar a taxa de Kerman no ar, sua reprodutibilidade e sua linearidade com o tempo de exposição. Também, analisar três tempos de exposição (0.3; 0.5 e 0.8 s) com escala de densidade, escolhendo aquele que correspondeu como sendo o melhor. Utilizou-se como instrumento de medida uma caneta dosimétrica Victoreen, modelo 8621, um cronômetro digital mRA, modelo CQ-01 e um dispositivo de alumínio puro constituído de 8 degraus.

Apenas 6,5 por cento dos equipamentos não apresentaram reprodutibilidade da taxa de Kerma no ar. Constatou-se que o melhor tempo de exposição nominal foi de 0.3 s. Os resultados obtidos mostraram que os valores de tempo de exposição, utilizados pela maioria dos profissionais, poderiam ser reduzidos, sem perda de qualidade de imagem. Navarro estudou as condições de funcionamento e radioproteção dos aparelhos de raios X em consultórios odontológicos localizados nas cidades de Palmas e Gurupi (TO) foram avaliados 100 aparelhos radiográficos por meio de equipamento de medição específico Nero 4000M+ e aplicado questionário aos profissionais levando em consideração os padrões de confecção de imagens, processamento e radioproteção. Um segmento posterior de uma mandíbula macerada com simulador de tecidos moles foi utilizado para obtenção de imagens dos aparelhos avaliados em diferentes tempos de exposição com filmes E-speed e processados automaticamente.

Essas imagens foram avaliadas por radiologista devidamente calibrado e escolhida de forma subjetiva a que apresentasse padrões de contraste e densidades médias ótimas para comparação com as imagens obtidas pelos profissionais. Em seus estudos, constatou-se que houve diferenças estatisticamente significativas (p< 0,05) entre as variáveis que correspondiam ao tempo de exposição utilizado pelo profissional (TE) e reprodutibilidade do tempo de exposição (RTE); tempo de exposição utilizado pelo profissional (TE) e tempo de exposição ótimo (TEO); dose de radiação no tempo de exposição utilizado pelo profissional (DP) e dose de radiação no tempo de exposição ótimo.

Por meio dos dados obtidos, associados às respostas dos questionários aplicados aos profissionais conclui-se que os profissionais das cidades de Palmas e Gurupi (TO) não conhecem tecnicamente os quesitos necessários para a prática de radiologia de boa qualidade em consultórios odontológicos e que tal fato está influenciando diretamente na dose de radiação desnecessária ao paciente e ao profissional que não se protege de forma adequada.

Riscos em radiodiagnósticos:

 

Tanto os raios X como as radiações provenientes dos elementos radioativos possuem energia suficiente para ionizar os átomos. Por isso são chamados de radiações ionizantes. Estas são de origem nuclear, como as radiações a, b e g (alfa, beta e gama) ou de procedência atômica, ou seja, as que são produzidas pelas interações com os átomos, como é o caso dos raios X. Chama-se atenção o fato de que as radiações ionizantes provêm de fontes naturais ou artificiais.

As fontes naturais de radiação incluem os raios cósmicos, a radiação terrestre e os radionuclídeos, presentes de maneira natural no corpo humano. O radônio, por exemplo, é um gás radioativo produzido pelo decaimento natural do urânio. Materiais de construção, a exemplo de concreto e tijolo, contêm radônio, elemento emissor de partículas alfa que se alojam principalmente no tecido pulmonar, podendo causar danos à saúde humana.

Os efeitos das interações das radiações ionizantes com as células podem acontecer de forma direta, danificando uma macromolécula (DNA, proteínas e enzimas, entre outras), ou de forma indireta, interagindo com o meio e produzindo radicais livres. Essas modificações celulares podem ser reparadas através da ação das enzimas. Caso isso não ocorra, surgirão lesões bioquímicas que podem causar danos como morte prematura, alteração no processo de divisão celular e alterações genéticas. Os efeitos biológicos provocados pela interação das radiações ionizantes com a matéria podem ser de dois tipos: determinísticos e estocásticos.

Efeitos determinísticos acontecem quando a irradiação no corpo, geral ou localizada, provoca mais morte celular do que é possível ser compensada pelo organismo (limiar de efeitos clínicos). Acima desse limiar a severidade do dano aumenta com a dose. Apesar de esses efeitos possuírem caráter determinístico, podem ser reversíveis ou não. Também podem ser entendidos como efeitos para os quais existe um limiar de dose absorvida necessário para sua ocorrência e cuja gravidade aumenta com o aumento da dose. Nessa esfera, os efeitos estocásticos acontecem quando a irradiação no corpo humano, geral ou localizada, provoca menos morte celular do que é possível ser compensada pelo organismo.

A morte de algumas células pode não causar dano algum, e a modificação de uma única célula pode provocar um câncer. Esse tipo de efeito possui caráter probabilístico. Nesse caso, o aumento da dose provoca um aumento de probabilidade do dano e não da severidade do dano. Para a ocorrência desses efeitos não existe um limiar de dose. A probabilidade de que ocorram é uma função desta, no entanto a gravidade dos efeitos independente da dose.

 

Radiação por escape:

 

É a radiação emitida pelo cabeçote do aparelho de Raio X em todas as direções. Ocorre devido a falha na blindagem do aparelho, principalmente na periferia do diagrama.

Os efeitos biológicos das radiações ionizantes podem ser diretos ou indiretos.

 

Efeitos diretos:

 

 

São aquelas provocadas pela radiação numa área específica. As alterações celulares ocorrem devido a exposição direta da ionização, como por exemplo, na face do paciente.

 

Efeitos indiretos:

 

Efeitos celulares causados pela radiação:

  • Alterações no crescimento celular;

  • Interrupção ou inibição da mitose;

  • Alterações no ma tecido genético;

  • Vacuolização;

  • Morte celular.

Nosso organismo possui tecidos que são sensíveis , radiorresistentes à ação dos Raio X.

Escala dos tecidos mais sensíveis para os menos sensíveis:

  • Sangue;

  • Epitélio.;

  • Endotélio;

  • Conjuntivo;

  • Nervos;

  • Músculos.

Tecidos e células em ordem decrescente de suscetibilidade:

  • Linfócitos;

  • Eritrócitos;

  • Mieloblastos;

  • Células epiteliais;

  • Células do tecido conjuntivo;

  • Células do tecido ósseo;

  • Células do tecido nervoso;

  • Células musculares.

 

O que pode causar a doença Radiodermite:

 

A radiodermite  é uma consequência grave nos profissionais que têm o hábito de segurar o filme na bica dos pacientes. Ela é classificada em grau 1, 2 ou 3, como nas queimaduras comuns. No grau 1 a pele apresenta lesão vermelha, porém não atinge a derme e a reparação se dá sem sequelas externas. No grau 2, a pele apresenta uma lesão mais profunda com vesículas, mas também não atinge a derme. No grau 3 a pele apresenta lesões que atingem a derme deixando sequelas após sua reparação.

Com toda a dose produz dano, é preciso utilizar apenas a exposição mínima necessária para alcançarmos nossos objetivos através de exames radiográficos.

A quantidade total de radiação absorvida pelo tecido depende de muitas variáveis, incluindo o tipo e a energia da radiação e do objeto a ser irradiado. Há uma relação entre a extensão do dano e a radiação total absorvida.

Os raios X não são acumulados no organismo. Após a irradiação ocorre um pequeno dano e em seguida sua reparação incompleta, fazendo com que o dano sofrido permaneça.  

Os danos subsequentes adicionam- se e são conhecidos como efeitos cumulativos.