Gestão da Saúde e Segurança no Ambiente de Trabalho

Noções Básicas da Gestão da Saúde e Segurança no Trabalho de Odontologia

1 Saúde e segurança no trabalho:

Introdução:

 

A gestão do cuidado é o provimento ou a disponibilização das tecnologias de saúde, conforme as necessidades de cada indivíduo, em diferentes momentos, com o objetivo de promover segurança e autonomia, visando uma vida saudável e produtiva. A gestão do cuidado em saúde pode ser realizada nas dimensões Gestão do cuidado em Odontologia: individual, familiar, profissional, organizacional, sistêmica e societária, que se relacionam e apresentam interdependência, sendo representadas por atores ou protagonistas e determinados elementos ou lógica da dimensão.

A gestão de segurança do trabalho é essencial para garantir a saúde e segurança ocupacional no ambiente da empresa. A estrutura permite que os técnicos identifiquem e controlem riscos à integridade dos trabalhadores, o que reduz consideravelmente o índice de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.

Geralmente as empresas possuem um departamento destinado a gestão da segurança e saúde do trabalho (SST), os responsáveis fazem estudo das possíveis causas de acidente e doença, eles também realizam procedimentos, métodos e técnicas que garantem o controle de prevenção para os mesmos. 
 

 

Alguns programas e normas regulamentadoras:

 

Nelas existem alguns programas e normas regulamentadoras que garantam saúde  e bem estar ao trabalhador como: 

  • Comissão Interna dos Acidentes(CIPA): são os representantes que fazem reuniões para discutir as situações de risco para as empresas.
  • Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA): são programas que estabelecem métodos para garantir melhor qualidade de vida para os colaboradores, evitando doenças e acidentes no trabalho por meio de análise do ambiente).
  • Programa de Controle Médico de Saúde Operacional (PCMSO): esse é um programa que antecipa os desvios capazes de comprometer a saúde dos funcionários. As atividades estão no mapeamento da zona de risco, identificação de doenças por meio de exames ocupacionais, realização o mapeamento das doenças mais frequentes e direcionamento dos colaboradores para tratamentos.
     

 

Equipamento de Proteção Individual (EPI): 

 

 

Como propriamente dita são os acessórios e produtos que são usados de forma individual para evitar acidentes e prevenir a saúde. Alguns exemplos de EPI: 
        

  • Óculos de proteção;
  • Protetor auricular;
  • Abafador de som;
  • Capacete;
  • Luva;
  • Cinto de segurança;
  • Protetor solar.

Existem vários profissionais da saúde responsáveis por contribuir com a gestão de trabalho para o colaborador.

Entre elas estão o técnico de segurança do trabalho, engenheiro da segurança do trabalho, médico do trabalho, enfermeiro do trabalho e auxiliar de enfermagem do trabalho, cada profissional exerce funções diferentes em cada setor. O profissional especializado em odontologia no trabalho ainda não é tão reconhecido pelas empresas.

No próximo capítulo iremos conhecer a nova especialidade em Odontologia, que é a especialidade em odontologia no trabalho, quais benefícios trazem ao colaborador e a empresa.

2 Profissional especializado em odontologia do trabalho:

Introdução:

 

O CFO (Conselho Federal de Odontologia) através das resoluções de n° 22, de 27 de dezembro de 2001, e de nº 25, de 28 de maio de 2002, criou e regulamentou uma nova especialidade na área Odontológica, a Odontologia do Trabalho.  

A especialidade é uma área específica do conhecimento, exercida por profissional qualificado a executar procedimentos de maior complexidade, na busca de eficácia e da eficiência de suas ações.
Nessa especialidade o cirurgião dentista poderá prescrever medicamentos e solicitar exames.

Esta nova especialidade começa a preencher uma lacuna de grande importância na atenção primária à saúde, pois reúne todos os fatores que envolvem o cotidiano do trabalhador, como: os sociais, os econômicos, os culturais, os educacionais e os comportamentais.
 

Especialidade em odontologia do trabalho:

 

A Odontologia do Trabalho é uma especialidade recente da Odontologia que se preocupa em combater os agravos à saúde do trabalhador, atuando nos variados tipos de ambiente de trabalho .

As áreas que os especialistas em odontologia  do trabalho poderão atuar inclui:

  • Identificação, avaliação e vigilância dos fatores ambientais que possam constituir risco à saúde bucal no local de trabalho, em qualquer das fases do processo de produção;
  • Assessoramento técnico e atenção em matéria de saúde, de segurança, de ergonomia e de higiene no trabalho, assim como em matéria de equipamentos de proteção individual, entendendo-se inserido na equipe interdisciplinar de saúde do trabalho operante;
  • Planejamento e implantação de campanhas e programas de duração permanente para educação dos trabalhadores quanto a acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e educação em saúde;
  • Estatística de morbidade e mortalidade com causa bucal e investigação de suas possíveis relações com as atividades laborais

Diante desta necessidade de promover saúde no trabalho, desenvolveu-se a Odontologia do Trabalho, que possui como finalidade melhorar a saúde bucal do trabalhador, sua influência sobre a produtividade do trabalho e o diagnóstico precoce de manifestações de doenças ocupacionais. A Odontologia do Trabalho se preocupa com a etiologia e o desenvolvimento das patologias bucais no ambiente de trabalho. Desta forma existe uma necessidade de atuar dentro das empresas, fazendo campanhas de educação para a saúde, como na prevenção de doenças respiratórias por inalação de substâncias tóxicas ao organismo humano e do câncer de lábio em trabalhadores cujas atividades são desenvolvidas com exposição direta à luz solar, por exemplo. 

Os exames odontológicos ocupacionais são de suma importância para a prevenção da saúde bucal no ambiente de trabalho.   

Os exames podem ser:

  • Admissionais: O exame odontológico admissional deve ser realizado antes da contratação do colaborador, visando avaliar sua saúde bucal de maneira a estimar se a função desejada e se o exercício da função pretendida não trarão agravos à sua saúde. Esse exame não tem como objetivo a exclusão do trabalhador.
  • Periódicos: O exame odontológico periódico deve ser realizado em momentos predeterminados para todos os colaboradores da empresa. O objetivo é o diagnóstico precoce de algum agravo à saúde do trabalhador.
  • Mudança de função: O exame odontológico de mudança de função deve ser realizado sempre que o colaborador for transferido de função ou setor, se houver alteração nos riscos ocupacionais a que será exposto.
  • Exame de retorno ao trabalho: O exame odontológico de retorno ao trabalho deve     ser realizado em situações nas quais o colaborador permaneça afastado do serviço por período igual ou superior a 30 dias, por motivo de doença ou acidente de natureza ocupacional.
  • Demissional: O exame odontológico demissional deve ser realizado até a data da homologação, e consiste em avaliar se ocorreu algum agravo à saúde bucal do colaborador no período em que trabalhou na empresa e em decorrência do trabalho desempenhado.
     

Benefícios da implantação de especialistas em odontologia no trabalho:

 

Benefícios para o trabalhador:

Os colaboradores se sentem mais valorizados com a empresa, melhoram a auto estima e bem estar.Pois em diversas áreas quanto industrial tanto para o administrativo existe grande risco como a exposição química, físicos e biológicos que podem afetar a saúde bucal.

 

Benefícios para a empresa:

O investimento na saúde bucal, pode trazer para a empresa produtividade do colaborador gerando lucros, pois se o indivíduo trabalhar com dor dental pode se automedicar e, como resposta da medicação, geralmente anti-inflamatórios  pode ter diminuída sua função neurológica e ficar sonolento. Essa condição pode desencadear acidentes de trabalho, com possíveis consequências sérias para o trabalhador, sua família e a empresa. Nesse cenário, o cirurgião-dentista do trabalho é um colaborador de relevante importância, tanto para o empregador quanto para o colaborador. Por meio de seu compromisso, caráter criterioso e conhecimentos técnico-científicos, o cirurgião-dentista do trabalho é o profissional legalmente habilitado para avaliar a conservação e a integridade da saúde bucal do trabalhador.
 

Sistematização de prevenção:

 

Uma importante mudança de paradigma tem ocorrido na Odontologia brasileira que se dedica à promoção da saúde bucal no ambiente do trabalho e às suas implicações na  qualidade de vida do trabalhador, nos resultados da empresa e em todo o desenvolvimento.

A cavidade bucal é parte integrante e inseparável da saúde do indivíduo, estando diretamente relacionada às condições de alimentação, moradia, trabalho, renda, meio ambiente, transporte, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde e à informação e que, por isso, torna-se inviável pensar em saúde geral de modo dissociado da saúde bucal, sendo o contrário também verdadeiro.

Apresentam inúmeras justificativas relacionadas em defesa da implantação de serviços odontológicos destinados ao segmento dos trabalhadores, destacando-se:

  • Prevalência muito alta de problemas relacionados à cárie dental e ao periodonto;
  • Possibilidade de detecção precoce de lesões relacionadas ao câncer bucal;   
  • Manifestações orais da AIDS e de outras ;
  • Doenças de relevância vital;
  • Cerca de 60% do tempo de vida ativa é despendido no emprego ou local de trabalho;
  • Grandes chances de desenvolver um programa participativo;
  • Aumento da satisfação da força de trabalho.

Outras justificativas ainda podem ser relacionadas em defesa da implantação de serviços odontológicos destinados ao segmento dos trabalhadores. Entre elas:

  • Possibilidade de detecção precoce de lesões relacionadas ao câncer de boca das manifestações bucais dos portadores do vírus HIV e de outras doenças de relevância vital;
  • Aumento da satisfação da  força de trabalho.


No próximo capítulo iremos estudar quais os riscos ocupacionais no consultório odontológico.
 

3 Riscos ocupacionais do profissional odontológico no consultório:

Riscos ocupacionais do profissional em consultório:

 

Introdução:

Como trabalhador, o cirurgião-dentista também está exposto a riscos em seu ambiente de trabalho ao exercer sua profissão. A odontologia está como umas  das profissões mais expostas a doenças contagiosas, agentes químicos, radiação,biológicos, ambientais e ergonômicos, ou seja, riscos ocupacionais. 

Os problemas ocupacionais da profissão dizem respeito àqueles que envolvem sua saúde e do auxiliar durante a prática. Sendo assim é de suma importância serem  todas as medidas necessárias para os profissionais no ambiente de trabalho.

Segue abaixo os riscos que os profissionais estão expostos ao exercer sua profissão:

 

Riscos físicos: 

Os riscos físicos que os profissionais da Odontologia  estão mais expostos estão relacionados a iluminação, radiação, ruído, calor, ventilação e agentes mecânicos.
 

Iluminação:

 No consultório odontológico, a iluminação é um dos transtornos ao profissional quando não é projetado adequadamente. A alta iluminação pode causar fortes dores de cabeça, miopia, astigmatismo, fadiga, insensibilidade da retina e até mesmo a perda da visão.
 

Radiação:

 

Existem 2 tipos básicos de radiação: as de (raio X) que são as ionizantes, e não ionizantes, que produzem que são infravermelhas e ultravioletas.
Uma correta utilização dos raios X deve sempre levar em consideração a proteção do paciente, do operador e das áreas adjacentes, sendo que é de responsabilidade do cirurgião-dentista a cargo do  aparelho de raios X ter certeza de que a exposição está em nível satisfatoriamente baixo.

Consequência dos indivíduos irradiados:  podem apresentar eritema, alterações de contagem sanguínea, ulcerações, esterilidade, cancerização, diminuição da longevidade
e morte. 
 

Ruído:

 

O ruído faz parte das condições insalubres que necessitam de uma avaliação qualitativa e quantitativa. O cirurgião dentista é exposto a várias fontes de ruídos no consultório como o som de sugadores, compressores, canetas de alta e baixa rotação.
A reação provocada no profissional com nível alto de ruído pode causar pode ser passageiras ou não.
 

Calor:

 

O rendimento normal em um consultório exige um ambiente de trabalho confortável onde, além de equipamentos adequados, também exista uma temperatura normal e um ar
saudável. Entre as medidas de para evitar as fontes de calor é: reduzir as fontes de calor, garantir uma ventilação, ingerir água, se a temperatura deste for mais baixa que a da
pele; utilizar vestuário adequado; procurar fazer alimentação e higiene adequada.
 

Ventilação:

 

Para que se possa controlar a velocidade, a temperatura e a umidade do ar, é necessário ar condicionado. Se o ambiente estiver em um clima quente,há redução de velocidade das reações e diminuição da agilidade mental do profissional, aumentando as possibilidades de acidentes e erros, além de afetar grandemente a produtividade do trabalho.
 

 

Agentes mecânicos:

Podem ocorrer vários tipos de problemas mecânicos com o cirurgião-dentista  e seu auxiliar durante os procedimentos,  como partículas de tártaros atingindo os olhos durante a raspagem coronal, cortes com instrumentos afiados e perfurações com agulhas ou instrumentos pontiagudos. Tais problemas podem resultar em graves lesões, levando inclusive ao afastamento do profissional.
 

 

Riscos químicos:

Os principais riscos químicos em um consultório odontológico envolvem mercúrio, luva látex, produtos de limpeza da clínica. Esses produtos podem causar:

  • Irritações nas vias  respiratórias;
  • Ardência nos olhos;
  • Exposição a substâncias voláteis de resina;
  • Produtos de limpeza e reveladores e fixadores de raios X;
  • Sabões;
  • Eugenol;
  • Formalina;
  • Fenol;
  • Desinfetantes. 
     

Riscos biológicos: 
Todas as pessoas envolvidas em um atendimento odontológico estão sujeitas à contaminação por vírus, bactérias e fungos, que podem causar diversas enfermidades.
 

As principais infecções virais na prática odontológica são:    

  • Hepatites A, B, C D e E;
  • Aids (HIV);
  • Herpes;
  • Rubéola;
  • Sarampo.

Entre as infecções bacterianas encontra- se:

  • Tuberculose;
  • Sífilis;
  • Difteria.

Em relação aos fungos, estão mais presentes no dia a dia da clínica são:

  • Candida;
  • Cadosporium;
  • Alternaria;
  • Penicillium;
  • Fusarium.

As principais vias de disseminação dos microrganismos patogênicos são:

  • Sangue do paciente infectado; 
  • Gotículas de saliva;
  • Secreções do periodonto e dente;
  • Contato direto com o paciente;
  • Equipamento contaminados;
  • Peças de mão contaminadas por microrganismos.
     

Riscos ergonômicos:

Os riscos ergonômicos abrangem:

  • Instalação;
  • Modelo e idade dos equipamentos; 
  • Fluxograma da clínica; 
  • Pessoal auxiliar;
  • Jornada de trabalho;
  • Repetitividade; 
  • Monotonia. 
     

A ergonomia tem como objetivo racionalizar o trabalho, possibilitando ao profissional a eliminação de manobras não produtivas, permitindo produzir mais e melhor dentro da menor unidade de tempo. Essa nova forma fez com que as empresas produzissem equipamentos que atendem a todas as especificações ergonômicas, tanto na construção como na combinação de seus diversos elementos, permitindo à classe odontológica atingir a sua finalidade, que é proporcionar o melhor atendimento clínico à população.
 

Riscos sociais:

Os riscos sociais são as formas de relação profissional com os:

  • Protéticos;
  • Auxiliares;
  • Órgãos de classe;
  • Administradores de convênios;
  • Isolamento dentro do consultório.
     

Riscos ambientais:

Os principais riscos ambientais odontológicos são referentes ao lixo hospitalar e ao esgoto do consultório. Os resíduos gerados em consultórios oferecem riscos ao meio ambiente, são classificados em grupo biológico e grupo químico.

O grupo biológico são resíduos que possuem agentes biológicos ou que são contaminados pelo pacientes que possam trazer riscos à saúde pública e ao meio ambiente, como:

  • Secreções;
  • Excreções e outros fluídos orgânicos quando coletados;
  • Materiais descartáveis utilizados;
  • Peças anatômicas;
  • Materiais perfurocortantes contaminados. 

Já o grupo químico são resíduos  que apresentam riscos à saúde pública e ao meio ambiente como:

  • Antimicrobianos e hormônios sintéticos;
  • Mercúrio e amálgamas;
  • Saneantes e domissanitários;
  • Reveladores de filmes;
  • Medicamentos vencidos e contaminados, interditados e parcialmente utilizados.