As entidades de classe reúnem os principais participantes do mercado de títulos públicos e facilitam o debate entre Tesouro Nacional, intermediários e clientes. Nesse sentido, mostram-se como importantes parceiros para a divulgação de temas de dívida pública e auxílio na mudança de cultura dos investidores, bem como capturam as dificuldades que tais participantes encontram no mercado em questões relacionadas à negociação de títulos públicos. No mercado doméstico brasileiro, as principais associações são: Associação Brasileira de Instituições de Previdência e Assistência Estaduais e Municipais (Abipem); Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp); Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid); Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima); Federação Brasileira de Bancos (Febraban); Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi); e Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg).
A Abipem foi criada em 23 de outubro de 1980, como Abipe, e era integrada apenas pelos institutos estaduais de previdência. Posteriormente, com o ingresso de institutos municipais, transformou-se em Abipem, e tem por objetivo congregar as instituições que dela participam, promovendo aprimoramento de seu conhecimento técnico-administrativo, atividades de intercâmbio, realização de congressos nacionais e encontros regionais, discutindo e difundindo os princípios da doutrina previdenciária e assistencial.
A Abrapp foi fundada em 1978 para representar os fundos de pensão, ou EFPC, perante a sociedade. Tem como objetivos:
...] colaborar com o poder público em tudo o que disser respeito à previdência complementar, especialmente no tocante à sua regulamentação e ao estabelecimento e execução de políticas e diretrizes básicas pertinentes às suas atividades, [...] organizar, promover ou realizar estudos, análises, pesquisas, cursos, congressos, simpósios ou outros tipos de conclave sobre temas, problemas e aspectos da previdência complementar,15 dentre outros.
Nesse sentido, ela auxilia a comunicação com órgãos do governo, como o Tesouro Nacional e a SPC, e também divulga informações, dados e trabalhos sobre o setor. Em outubro de 2008, o sistema fechado de previdência era composto por 369 fundos de pensão.
O Tesouro Nacional, convidado pela Abrapp, participa de reuniões e seminários, nos quais é possível divulgar a política de emissão de títulos públicos federais e esclarecer os investidores sobre as características dos títulos ofertados em leilão com o objetivo de auxiliar na mudança da cultura do CDI por grandes investidores de recursos no mercado doméstico brasileiro. Tais reuniões são também uma boa oportunidade para debater sobre as particularidades do mercado em questão e sobre o papel dos fundos de pensão no âmbito da administração da Dívida Pública Federal.
A Anbid foi criada em 1967 com o objetivo de representar os bancos de investimento. Atualmente, possui mais de setenta associados dentre bancos de investimento e bancos múltiplos que atuam na gestão e na administração de fundos de investimento, empresas de asset management e de consultoria financeira. Em fevereiro de 2009, foram contabilizados 8.190 fundos de investimento, com patrimônio líquido total de R$ 1.135,9 bilhões, todos pertencentes a instituições associadas à Anbid.
Em 1999, a Anbid lançou o primeiro Código de Auto-Regulação de Ofertas Públicas de Distribuição e Aquisição de Valores Mobiliários, o que inaugurou sua função de entidade autorreguladora. Atualmente, tal entidade apresenta mais quatro códigos: Autorregulação de Fundos de Investimento, Autorregulação para os Serviços Qualificados ao Mercado de Capitais, Autorregulação para o Programa de Certificação Continuada, e Autorregulação para a Atividade de Private Banking no Mercado Doméstico.
A associação tem como objetivos permanentes fortificar o mercado de capitais, apoiar o fortalecimento da CVM como órgão regulador do mercado de capitais, incentivar a adoção de melhores práticas entre os associados e o respeito aos direitos dos investidores, contribuir para a ampliação do conhecimento dos investidores e dos agentes relevantes do mercado sobre os produtos de investimento disponíveis no mercado de capitais, dentre outros.
A parceria entre Tesouro Nacional e Anbid dá-se no sentido de divulgar as ações do Tesouro no âmbito da administração da dívida pública e também dos títulos a serem emitidos, com prazo e perfil de indexação mais condizentes com as estratégias de alongamento do prazo médio da dívida e redução do risco e consequente mudança na cultura de aplicação dos investidores.
A Andima, criada em 1971, tem como missão “atuar para o fortalecimento do mercado financeiro, com ênfase na renda fixa, estabelecendo padrões éticos e operacionais para os participantes e assegurando a produção e a divulgação de informações técnicas que contribuam para seu crescimento”.
É a mais abrangente de todas as instituições, nela se reunindo bancos, corretoras e distribuidoras de valores mobiliários, fundos de investimento e fundos de pensão. Além disso, também se mostra como prestadora de serviços e oferece suporte técnico e operacional às instituições associadas, fomenta novos mercados e trabalha para o desenvolvimento do sistema financeiro nacional. Como entidade autorreguladora, possui o Código de Ética (CE) e o Código Operacional do Mercado (COM), ambos adotados pela Cetip, pelo Sisbex e pela Abrapp.
A Andima desempenha papel importante no mercado de títulos públicos brasileiro ao divulgar diariamente preços para todos os títulos de emissão do Tesouro Nacional que estão em poder do mercado, por meio do Projeto de Consolidação, Disseminação e Monitoramento de Preços, que contribui para a melhoria da transparência do mercado. Isso torna a Andima uma instituição de referência para todo o mercado que precisa de preços para marcação a mercado de suas carteiras. A coleta de preços realizada pela instituição obedece a critérios estatísticos de expurgo dos preços de operações fora de mercado e apresenta critérios de classificação em relação aos provedores de preços que relacionam a qualidade da instituição relativamente à assiduidade dos dados e à dispersão em relação à amostra, dentre outros. A base para esse trabalho está em três pilares: coleta e divulgação de informações, construção de intervalo indicativo de preços e monitoramento efetivo dos preços praticados no segmento.
Na Andima, funcionam vários comitês e comissões que têm como finalidade debater assuntos correlatos ao funcionamento do mercado financeiro, com ênfase para o mercado de renda fixa, tanto de títulos públicos quanto de títulos privados. São comitês da Andima, atualmente: Acompanhamento Macroeconômico, Consultivo do Selic, de Gestão de Recursos, de Mercado, de Novos Produtos, Operacional e de Ética, Operacional e de Ética Misto – Andima/Abrapp, de Política Monetária, de Precificação de Ativos, Tributário e de Normas e de Valores Mobiliários. O Tesouro participa de grupos de trabalho associados a esses Comitês que discutem sobre o desenvolvimento do mercado secundário e também sobre o desenvolvimento do mercado de empréstimo de títulos públicos.
Institucionalmente associada ao Comitê de Precificação de Ativos está a Comissão de Benchmarks, da qual o Tesouro Nacional é participante. Tal comissão é um grupo de trabalho responsável pela divulgação, pelo acompanhamento e pelos estudos que promovam o aprimoramento dos índices de renda fixa da Andima. Atualmente, os principais índices elaborados e divulgados diariamente são o Índice de Renda Fixa Mercado (IRFM) e o Índice de Mercado Andima (IMA). O IRFM é formado pelos títulos prefixados emitidos pelo Tesouro Nacional; já o IMA apresenta diferentes classificações, definidas a seguir.
O IMA-B é composto pelos títulos indexados ao IPCA; o IMA-C, pelos títulos públicos federais indexados ao IGPM; e o IMA-S, pelos títulos com rentabilidade atrelada à taxa Selic. Existe também o IMA-Geral, que é a composição de todos os IMAs, inclusive o IRFM, já citado. Os IMAs indexados a índice de preços (IMA-B e IMA-C) apresentam, adicionalmente, duas classificações intermediárias por prazo: no grupo chamado de IMA 5 estão os títulos com prazo de vencimento até cinco anos e no grupo IMA 5+ estão os títulos com prazos mais longos.
A criação de tais índices é mais um passo no caminho de dar referência de rentabilidade aos investidores, diferente do usual CDI, um dos objetivos é o de que esses índices referenciados em títulos públicos levem os aplicadores a buscarem ativos diferentes para referenciar suas aplicações.
A Febraban, como representante oficial dos bancos, auxilia na comunicação com esses agentes, assim como apresenta propostas, aos órgãos competentes, de desregulamentação do mercado e possíveis ações no sentido de modernizar regulamentos. Foi criada em 1967 e tem como objetivo “representar seus associados em todas as esferas – Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e entidades representativas da sociedade –para o aperfeiçoamento do sistema normativo, a continuada melhoria da produção e a redução dos níveis de risco”.20 Possui 120 bancos associados, de um total de 156 em atuação no Brasil.
O Código de Ética Bancária e os Estatutos do Sistema Nacional de Ética Bancária, elaborados pela Febraban, entraram em vigor em janeiro de 1986. No Código de Ética (CE) estão os princípios fundamentais que devem nortear a atividade do sistema bancário, enquanto o Sistema Nacional é o organismo que aplica os princípios do CE, defende os mercados em que os bancos atuam e promove as práticas de mercado. Na referida Federação funcionam 25 comissões técnicas, que têm o objetivo de desenvolver estudos e trabalhos sobre os temas relacionados à atividade bancária, como, por exemplo, Comissão de Economia, de Serviços Bancários, de Tecnologia e Automação Bancária, de Gestão de Riscos e de Assuntos de Bancos Internacionais.
A Fenaprevi, criada em março de 2007, é a entidade sucessora da Associação Nacional de Previdência Privada (Anapp)21 e representa as Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPC). Presta serviços para as associadas, fomenta novos mercados, desenvolve conhecimento técnico e trabalha pelo desenvolvimento da previdência complementar no Brasil. Alguns dos objetivos da Fenaprevi são o de:
[...] promover a permanente defesa dos interesses dos segmentos representados junto ao mercado, aos poderes públicos, às instituições da sociedade civil e demais entidades de classe; atuar na criação e aperfeiçoamento de leis, normas e regulamentos que aumentem a eficiência dos segmentos econômicos representados, mediante interação e cooperação com autoridades e instituições da sociedade civil [...].
O universo de empresas associadas à Fenaprevi possui carteira de R$ 139,34 bilhões, e o Código de Ética adotado ainda é o da antiga Anapp, até que a nova instituição defina e aprove o seu próprio. A entidade possui 11 comissões técnico-regulatórias que têm o objetivo de acompanhar e coordenar assuntos e atividades relacionados às questões jurídicas, atuariais, financeiras, contábeis, tecnológicas e de produtos do setor de previdência privada e vida.
A Fenaseg foi fundada em 1951 e tem como objetivo promover o desenvolvimento do setor de seguros e capitalização. Atualmente existem 160 empresas associadas, das quais 143 são seguradoras que representam 99,2% da arrecadação do mercado de seguros.23 A entidade tem como uma de suas várias missões “colaborar com o governo no estudo e na elaboração de normas que possam contribuir para o desenvolvimento e aprimoramento da atividade que representa, e para a solução de problemas que se relacionem com o setor”.24 A Fenaseg tem em seu quadro seis comissões técnicas e três grupos de trabalho, dos quais um sobre ética e autorregulação.
Todas essas instituições exercem a função de parceria com os órgãos públicos, tanto com os órgãos reguladores quanto com o Tesouro Nacional, que, por sua vez, entende que o desenvolvimento e a modernização do mercado financeiro brasileiro permitirão a melhoria do perfil da Dívida Pública Federal doméstica.