Qualidade no Atendimento ao Cliente
Recepcionista
1 QUALIDADE DO ATENDIMENTO PRESTADO AO CLIENTE-CIDADÃO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE REGULAÇÃO URBANA DE APARECIDA DE GOIÂNIA: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO E PROPOSITIVO
Resumo:
Este artigo tem como objetivo identificar as necessidades dos clientes-cidadãos no atendimento da Secretaria Municipal de Regulação Urbana (SMRU), em Aparecida de Goiânia, mensurando os níveis de satisfação dos mesmos em relação aos serviços prestados pelo órgão. Ao aceitar a pesquisa teórica como base para respostas e a pesquisa exploratória para abordar as vantagens e deficiências do órgão, obteve-se sugestões de mudanças e adaptações para atender as necessidades diagnosticadas. As organizações públicas precisam rever seus papéis, focar suas tarefas e elevar para a totalidade o nível de satisfação dos clientes-cidadãos nos processos de atendimento. Além disso, precisam evoluir, promovendo mudanças e adaptações rápidas, implantando, com ações corretivas, melhorias contínuas e progressivas nos processos de atendimento para que estes alcancem, como dito, níveis de excelência no cumprimento dos desejos, necessidades e demandas do cliente-cidadão.
INTRODUÇÃO
A qualidade no atendimento ao cliente-cidadão constitui o tema desse artigo, que discorre sobre o assunto mediante duas abordagens: a primeira, com enfoque conceitual. A segunda, com foco numa pesquisa exploratória, tomando como estudo o atendimento na Secretaria Municipal de Regulação Urbana de Aparecida de Goiânia (SMRU). O desenvolvimento desse trabalho é justificado a partir da premisse de que, em se tratando de serviço de atendimento em órgão público, cujos serviços são tarifados, é inadmissível a hipótese de ter o usuário que sair do ambiente público com a sensação de insatisfação pela má receptividade dos serviços. Ainda considerando a concepção de se dar importância e foco no atendimento de forma a envolver os servidores em busca de satisfazer às expectativas do cliente, sendo possível retratar a possibilidade de evolução social do prestador de serviço público correspondendo com suficiência, motivação e satisfação às necessidades do cliente-cidadão que procura pelos serviços públicos.
É possível levantar dificuldades e soluções para as mesmas quanto ao trabalho prestado no serviço público para que o mesmo se torne agradável e eficiente, tanto para servidores como para usuários, embasado em informações e conhecimentos teóricos na área de gestão pública. Pontuando a existência de problemas envolvendo o setor em foco, surge a pergunta: que ações podem ser tomadas para medir o grau de satisfação dos usuários dos serviços da Secretaria Municipal de Regulação Urbana, listando as deficiências e os impedimentos enfrentados pelo atendimento na prestação dos serviços com qualidade, de modo que o mesmo possa ocorrer de maneira eficiente e satisfatória, suprindo as necessidades dos usuários dos serviços?
Assim, como objetivo geral busca-se identificar as necessidades do cliente-cidadão usuário dos serviços de atendimento na Secretaria Municipal de Regulação Urbana para diagnosticar os pontos que precisam ser trabalhados no mesmo a fim de melhorar a qualidade do atendimento, enfatizando soluções para tais problemas. Mais especificamente:
- Conhecer fatores influenciadores e determinantes na prestação de serviços se ocorre de forma precária, deixando a desejar ou não;
- Identificar o grau de satisfação ou insatisfação diante da procura de suprir as necessidades dos serviços, encontradas pelos usuários do atendimento da Secretaria Municipal de Regulação Urbana;
- Sugerir ferramentas gerenciais que, se necessária a aplicação, ao serem adotadas ou implementadas poderá alcançar totalidade na satisfação das ações do atendimento;
- Conscientizar, caso precise, a equipe de servidores quanto à necessidade de melhorar a qualidade da oferta dos serviços ao cidadão apontando meios para tal.
A percepção dos agentes envolvidos nas atividades da SMRU, especialmente dos clientes-cidadãos, foi o indicador escolhido para mensurar a qualidade dos serviços prestados. O diagnóstico atual do órgão público em estudo, cotejando-o com o que preceitua a Emenda Constitucional nº 19/982 constituiu o objetivo geral desta pesquisa. Já a preocupação em apresentar os conceitos principais utilizados no trabalho, distinguindo-os ‘nas suas dimensões público e privado’, formatou os objetivos específicos do estudo.
Com isso, a pesquisa pretende frisar, por um lado, que as organizações públicas necessitam de mudanças, decisões e adaptações cada vez mais rápidas, trabalhando com afinco na identificação de suas potencialidades e fraquezas. Por outro, sublinhar que o clientecidadão de hoje está mais exigente e conhecedor de seus direitos. Quer ser tratado como ‘único’ e, via de regra, não desconhece as ferramentas que o setor público dispõe para estimar, avaliar, qualificar e quantificar seus desejos/necessidades de cidadão.
REFERENCIAL TEÓRICO
Organização:A organização em si, partindo do princípio de que, ao se formar, tem por interesse alcançar objetivos comuns, deve ter como ato gerador de sua existência a realização dos objetivos a que se destina e atender os interesses daqueles que necessitam dos serviços da mesma. Para Maximiano (1992)
Uma organização é uma combinação de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos coletivos. Por meio de uma organização torna-se possível perseguir e alcançar objetivos que seriam inatingíveis para uma pessoa na sua individualidade.
A partir da junção de ações individuais objetivando a realização do todo, há a formação da organização que, inicialmente, adota o alcance da satisfação do todo que, somado ao fator qualidade, tem prosseguimento como quesito para o sucesso da organização . O sucesso da organização não é determinado pelos numerários que podem interpretar o seu tamanho, mas sim pelos resultados apresentados ao atingir a satisfação pretendida numa ação focada ao alcance de objetivos dos receptadores dos serviços. Como elementos de composição para o sucesso da organização os itens ética, honestidade, dedicação e servidão ao cliente ou cidadão são de elevada importância quanto aos atos individuais que influenciarão na determinação e aferição para o alcance dos objetivos a que a organização está voltada. Mesmo que uma organização seja formada pelo conjunto de elementos comuns voltados para atender interesses comuns, dentro do âmbito de sua atuação elas se subdividem em três focos, sendo Organização pública, Organização não-governamental (ONGs)2 e Organização privada.
Organização Pública
Para atender as necessidades dos cidadãos quanto ao cumprimento da normatização imposta pelo Estado, bem como também quanto ao que lhe é de direito, faz-se necessário a existência e atuação da organização pública que, através do exercício dos seus agentes, trabalhará para a consecução dos propósitos de um governo. Este governo, por sua vez, atenderá de forma adequada às demandas da sociedade. “Pode-se definir o órgão público como uma unidade que congrega atribuições exercidas pelos agentes públicos que o integram com o objetivo de expressar a vontade do Estado” (DI PIETRO, 2003). Matias-Pereira (2007) define bem a organização pública como centros de competências instituídos para o desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputável à pessoa jurídica a que pertencem. Não tem personalidade jurídica e nem vontade própria. Portanto, como “centro de competência” a organização pública deve promover os interesses públicos com primazia e qualificação da equipe que, por sua vez, terá às mãos equipamentos adequados para utilizar e desenvolver as tarefas públicas com agilidade e competência.
Administração Pública
Movimentos do mundo todo serviram como instrumento de forte influência para traçar os caminhos da administração pública no Brasil. Desde tempos remotos, raízes históricas da administração pública vêm sendo traçadas e influenciadas por grandes nomes que muito difundiram suas idéias e teorias pelo mundo. A administração pública brasileira teve seu começo no século XIX, com um marco divisório em 1930, momento em que se iniciou a chamada Burocratização do Estado Nacional. Foi instituída a modernização da administração pública através do estabelecimento de um padrão de eficiência no serviço público federal, que sufocou o Estado patrimonial, defensor da falta de qualificação dos servidores, devido ao nepotismo. Durante a ditadura militar (1964-1985), a administração pública passou por transformações como a ampliação da função econômica do Estado com a criação de várias empresas estatais, facilitando a implantação de políticas e o aprofundamento da divisão da administração pública: para administração direta e indireta. A reforma do período militar também teve relevância na padronização e normatização nas áreas de pessoal, compras e execução orçamentária, instituindo ainda os cinco princípios estruturais da administração pública: planejamento, coordenação, descentralização, delegação de competências e controle.
Os exercícios relacionados aos princípios estruturais da administração, responsáveis por constituir o processo administrativo, devem ser reproduzidos pela administração com o âmbito e propósito mais importante de proporcionar eficiência e eficácia . Com um controle eficiente e eficaz a direção poderá avaliar se a organização teve um planejamento adequado. O planejamento torna-se imperioso para que a organização se perpetue no mercado. Os atores presentes na organização deverão estar alocados e arranjados de maneira lógica e racional, para que as atividades sejam executadas da melhor maneira possível.
O marco referencial da nova administração pública é estimular nos servidores públicos um compromisso com a estruturação de uma sociedade mais preparada para atender a crescentes demandas da sociedade num contexto de fortes mudanças. Nesse esforço, deve procurar rever a forma de prestação dos serviços ao público buscando maior eficiência, eficácia e efetividade (MATIAS-PEREIRA, 2007, p.19).
Na busca pela eficiência, a administração contemporânea tenta desburocratizar o andamento dos processos, dando agilidade sempre que possível e suprimindo medidas ineficazes, que só servem para dar morosidade e complexidade aos resultados. A nova administração deve estimular o compromisso de interagir com grupos sociais diversos. O novo serviço público requer pessoas preparadas para detectar problemas complexos e oferecer assessoramento para a sua solução. A Constituição Federal Brasileira (1988) no seu artigo 37 estabelece os princípios a serem obedecidos na administração pública, tanto na direta como na indireta, na esfera de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo eles: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência
Grandes mudanças, por ocasião da transição para a democracia, ocorreram na administração pública com o surgimento de muitas expectativas de modernização, sem, contudo, conseguir remover muitas características tradicionais. Entre elas, estão a padronização dos procedimentos e as formas de abordar o usuário, como características que deveriam fazer parte das instituições públicas de modo geral. A modernização do Estado acontece a passos lentos, devido principalmente à cultura arraigada de concentração de poder. As idéias de reforma administrativa são sempre vistas como atraentes pelos cidadãos, tão acostumados a sofrer dificuldades em tratar de seus interesses em qualquer organização pública, que muitas vezes ficam somente com as promessas de eficiência imediata. Os questionamentos são sempre sobre a ineficiência e não a respeito da administração pública em si, culpando a inadequação das estruturas, dos procedimentos e a falta de habilidade dos servidores.
Atualmente, com o nível de conhecimento que é exigido para se inserir nos quadros do funcionalismo público, a impressão de má prestação do serviço público será transformada em uma visão mais flexível, com possibilidades de mudanças, pois ao analisar os antecedentes históricos, percebe-se que gradualmente têm ocorrido melhorias no sistema.
Atendimento
O atendimento ao público é a função que exige maior envolvimento com o conhecimento, pois é a partir dele que surgirá a boa ou má impressão da empresa, ou seja, se há um bom atendimento na captação de informações, logo o atendimento será também bom. Para Milet (1997), os critérios utilizados pelos clientes para avaliar a prestação do serviço de atendimento com qualidade são:
• Aspectos tangíveis: aparência da instalação física, equipamentos, pessoal, etc.
• Confiabilidade: habilidade para cumprir o prometido.
• Presteza: desejo e disposição de ajudar, ou seja, rapidez no atendimento.
• Competência: colaboradores com os perfis e os conhecimentos necessários.
• Cortesia: educação, respeito, consideração, atenção e cordialidade.
• Credibilidade: transmissão de confiança e credibilidade junto ao cliente.
• Segurança: minimização ou eliminação de risco, perigo ou ações duvidosas contra as pessoas e informações.
• Acessibilidade: facilidade de contato com as pessoas na organização.