Escola Papel Social e Desafios Contemporâneos

Administração e Gestão Escolar

1 Papel social da escola

A escola precisa repensar sobre que tipo de sociedade ela pretende construir, haja vista que ela tem participação preponderante na formação do caráter social dos indivíduos, e, portanto, tem em suas mãos o poder de intervenção pelos mecanismos da educação, consolidar as relações sociais de acordo com os padrões exigidos pela sociedade. Por isso mesmo, este trabalho de pesquisa tem suma importância no momento em que visa criar um link de discussões e reflexões na comunidade escolar, e, principalmente no corpo docente e direção, a partir do tema sugerido, como uma possibilidade importante de oferecer aos profissionais da educação um despertamento quanto à sua função social no processo educacional e acerca da necessidade de uma abordagem mais incisiva, no sentido de incorporar sua missão social com mais compromisso e dedicação.

A função da escola é complexa, ampla, diversificada. Tem necessidade de dedicação exclusiva por parte do professor, necessidade de acompanhar as mudanças que se processam aceleradamente no campo de trabalho, atualizando o seu currículo e sua metodologia. Para dar sustentação às contínuas evoluções, a escola precisa ressaltar um ensino que crie conexão entre o que o aluno aprende nela e o que ele faz fora dela, conexão entre o ensino formal e o mundo do trabalho, entre o conhecimento e a vida prática do aluno. Vincula a educação escolar com o mundo do trabalho. A escola é o meio social em que alunos e professores interagem na construção do saber. Agir nela é também agir sobre os atores escolares e elementos simbólicos que a constituem, e isso requer entendimento dos processos que nela ou com ela decorrem e das finalidades que lhe são socialmente cometidas. A escola muda na medida em que é compelida a mudar pela necessidade da função social que exerce, em ritmos, circunstâncias e elementos que se tornam difíceis de identificar e integrar.

Devemos, deste modo, entender a escola e o conjunto de conhecimentos que ministra como elementos funcionais da cultura que a legitima, fruto e co-construtora de um aparelho simbólico de que toda a ação social se inspira. A complexificação crescente da realidade social (e as necessidades que determina) vem fazendo com que, ao longo dos tempos, a escola venha evoluindo também, tendo a sua existência tomado forte sentido a partir do momento em que, há quatro milênios, a humanidade inventou a escrita e assim a necessidade de ensiná-la.
Portanto, para cumprir sua função social, a escola precisa considerar as práticas culturais, sociais, políticas e econômicas, entre outras, que perpassam nossa sociedade.


No Brasil, aos poucos vem sendo dado à devida importância à escola, e a sua função educativa. Estamos vendo sua expansão gradual acompanhada das necessidades instrumentais de produção social expressas curricularmente nos saberes úteis como ler, escrever e contar, elementos privilegiados nas práticas escolares nas séries iniciais do ensino fundamental e decisivos para o prosseguimento dos estudos. Porém, outros valores que a escola elege refletem a dificuldade em corresponder aos requisitos das mudanças sociais.

2 Desafios Contemporâneos

A função social da escola na sociedade contemporânea tem sido um tema recorrente nos debates sobre educação em todo o mundo. Vive-se um período de profundas e vertiginosas transformações sociais, culturais e tecnológicas que têm contribuído para redefinições do papel da escola no atual contexto de economia globalizada. Por outro lado, observa-se a presença, nas agendas internacionais, da discussão sobre a importância da educação escolar como elemento impulsionador do desenvolvimento econômico e social das nações. Reconhece-se, portanto, sua contribuição para o combate às desigualdades sociais, para a promoção da eqüidade social e para o exercício pleno da cidadania.

Quando pensamos no sistema educacional e nas escolas em si precisamos, de  fato,  “intervir  no  sistema  escolar,  crentes  de  que  esse  sistema,  sua  cultura,  rituais,  lógicas,  estruturas  podem  ser  mais Gestão escolar pública: 60 democráticos,  menos  seletivos”.  Democracia  pressupõe  participação  e  representação,  em  vários  sentidos  e  de  diversas  formas.  Interessa-nos  aqui  discutir  um  dos  aspectos  que  consideramos  crucial  para  a  consolidação  de  uma  perspectiva  democrática  nas  escolas:  a  questão  dos  currículos  e  das  práticas  escolares,  que  devem  –  segundo  a  Lei  de  Diretrizes  e  Bases da Educação Nacional (LDB), alterada pelas Leis no 10.639/2003 e 11.645/2008 (BRASIL, 2003, 2008)26 – contemplar de fato a complexidade cultural e étnico-racial que historicamente forma a sociedade brasileira, de forma a democratizar os currículos e, como consequência, os conhecimentos produzidos e compartilhados nas escolas, possibilitando a todos, alunos,  pais,  funcionários  e  professores  de  todas  as  origens  étnico-raciais  se  sentirem  participantes  e  representados  nos  currículos trabalhados nas escolas 

 Os gestores e as gestoras são os grandes articuladores, dentro e fora das escolas, tanto liderando as  articulações  com  as  políticas  educacionais  macro  –  com  o  Ministério  da  Educação,  as  Secretarias  de  Educação,  os  programas  governamentais  etc.  –,  quanto  liderando  as  políticas  e  os  projetos  específicos  da  escola,  em  diálogo  com  a  comunidade  escolar  e  contribuindo  para  a  consolidação  de  uma  gestão  democrática.  Essas  políticas  estabelecidas  nas escolas não podem ser desarticuladas das demandas e das lutas sociais, nas quais todos estamos envolvidos como cidadãos, seja participando ativamente delas, seja ao menos sofrendo impactos de diferentes formas por tais lutas e por seus resultados. A luta contra o racismo, por exemplo, tem produzido transformações na sociedade brasileira, especialmente no âmbito da educação. Com o crescimento do movimento social negro durante o processo de redemocratização da década de 1980 – principalmente a partir de 1988, ano do centenário da Abolição da Escravidão, quando centenas de manifestações foram realizadas  por  organizações  do  movimento  negro  em  todo  o  país  –,  muitas  lideranças  foram  formadas,  e  mobilizações  e  articulações  políticas  foram  construídas  pelo  movimento  negro  em  diferentes  âmbitos  –  com  sindicatos,  partidos  políticos, instituições públicas e organismos do Estado nos âmbitos municipal, estadual e até federal, com representantes no Poder Legislativo

Indicação para leitura : 

Livro - A Escola e os Desafios Contemporâneos