Introdução a liderança

Administração em Recursos Humanos

1 O que é liderança?

De maneira simples, podemos dizer que a liderança é a arte de motivar um grupo de pessoas a atuar na busca de um objetivo comum. Esta definição de liderança capta o essencial para ser capaz de inspirar os outros e estar preparado para fazê-lo.

A liderança efetiva se baseia em idéias (originais ou emprestadas), mas não acontecerão a menos que essas idéias possam ser comunicadas aos outros de forma envolvente e persuasiva.

Sendo assim, um líder deve ser fonte de inspiração. Ele ou ela é a pessoa do grupo que possui a combinação de personalidade e habilidades que faz com que outros desejem seguir sua direção.

Mais especificamente, os líderes compartilham objetivos e padrões similares a serem respeitados. Porém, é comum que cada líder tenha seu próprio estilo e estratégia. Além disso, estilos de liderança e métodos variam por causa de influências externas e desafios pessoais. A liderança incorpora conceitos como:

  • Decisão
  • Foco
  • Consistência
  • Empatia
  • Confiança
  • Otimismo
  • Honestidade
  • Inspiração

Os princípios-chave de excelentes líderes

Existem alguns princípios que compõem um líder e a seguir você verá algumas dessas características:

Sabem como criticar

Os líderes precisam apontar quando os membros da equipe não estão atingindo as expectativas, mas isso deve ser feito de forma cuidadosa e que não plante as sementes do ressentimento. Isso pode ser feito reconhecendo as realizações do indivíduo em questão antes de apontar uma falha, por exemplo.

Reconhecem seus próprios erros perante a sua equipe

Os melhores líderes não se apresentam como se não tivessem falhas. “Admitir os próprios erros ,mesmo de vez em quando ,pode ajudar a convencer alguém a mudar seu comportamento”.

Sabem quando sugerir ao invés de ordenar diretamente

O caso do famoso industrial Owen D. Young que ao invés de atirar ordens a seus subordinados, levava suas demandas como sugestões (“Você pode considerar isso”) ou perguntas (“Você acha que isso funcionaria?”). Que tal você também experimentar essa atitude com sua equipe?

Elogiam todos os pontos fortes

As qualidades desaparecem sob a crítica, mas florescem sob encorajamento”. Mas, claro, quando os motivos para os elogios forem reais. Seja generoso com elogios, mas apenas de uma maneira genuína. “Lembre-se, todos nós desejamos reconhecimento, e faremos quase qualquer coisa para conseguir”. “Mas ninguém quer insinceridade. Ninguém quer lisonja”.

Esperam por excelência

Quando um líder conquista o respeito de seus seguidores, consegue resultados muito melhores, sem a necessidade de muita cobrança. Para Carnegie, “se você quiser melhorar uma pessoa em um certo quesito, atue como se essa característica particular já fosse uma de suas qualidades mais excepcionais”.

Tornam os desafios mais fáceis

Os melhores líderes são capazes de tornar as tarefas mais simples para que sua equipe consiga desempenhar. Eles continuam otimistas e encorajadores,  minimizando a ansiedade entre seus seguidores, movendo-os rumo ao sucesso.

Tornam seus colaboradores mais satisfeitos com seus trabalhos

Napoleão inspirou o moral de suas tropas, distribuindo liberalmente títulos e elogios, da mesma forma que o Google faz de tudo para criar uma ambiente estimulante. Seja no campo de batalha ou no escritório, os melhores líderes encontram maneiras de infundir paixão em seus seguidores, para que suas tarefas se tornem agradáveis.

Afinal, um líder nasce pronto ou se forma?

Embora existam pessoas que parecem ser naturalmente dotadas de mais habilidades de liderança do que outras, as pessoas podem aprender como se tornarem líderes, melhorando habilidades específicas.

A psicologia de hoje concorda: a liderança é cerca de um terço de qualidade inata e dois terços de qualidade desenvolvidas ao longo da vida. Apesar de muitas vezes um líder ter  qualidades inerentes à personalidade, como  extroversão, empatia e um alto grau de inteligência social, é possível que uma pessoa seja treinada para aprender a dimensionar  situações e processos sociais agindo com uma postura de liderança.

Carnegie, por exemplo, reconheceu a demanda por treinamento de liderança há cerca de um século e começou a ensinar sucesso pessoal e a aulas de fala pública que se tornaram imensamente populares.

Ele e uma equipe de pesquisadores desenvolveram um currículo com base em lições aprendidas com a vida de grandes líderes como Thomas Edison e Abraham Lincoln, além de informações de textos de psicologia.

2 Teorias de lideranças

À medida que o interesse pelos diferentes tipos de liderança e suas consequências aumentou ao longo do tempo, foram criadas varias teorias sobre a liderança para explicar exatamente como e por que certas pessoas se tornam grandes líderes.

Muita pessoas estão interessada na liderança, e sempre esteve ao longo da história da humanidade, mas a aparição de teorias sobre o tema é algo mais recente, pelo menos de teorias mais formais. A primeira metade do século XX foi o marco de aumento de interesse por esse tema.

As primeiras teorias sobre a liderança se concentraram nas qualidade que distinguiam líderes e seguidores, enquanto as teorias que surgiram depois analisaram também outras variáveis, como os fatores do ambiente e os níveis de habilidade.

As teorias de Grande homem

De acordo com esse ponto de vista, os grandes líderes simplesmente nascem com as características necessárias, como o carisma, a confiança, a inteligência e as habilidades sociais.

Esta teoria supõe que a capacidade de liderar é inerente, ou seja, que os grandes líderes nascem, não se fazem. Essas teorias costumam descrever os grandes líderes como heróis míticos destinados a ocupar uma posição de liderança.

Usa-se o termo “Grande Homem” porque, no momento em que essas teorias surgiram, originalmente propostas pelo historiador Thomas Carlyle, a liderança era considerada principalmente uma capacidade masculina em termos de liderança militar.

Essas teorias sugerem que as pessoas não podem aprender a se tornar líderes fortes, pois nascem com a capacidade inata para fazê-lo.

Teorias dos traços

As teorias dos traços são, em alguns aspectos, parecidas com as teorias dos grandes homens. As teorias dos traços supõem que as pessoas herdam certas qualidades e traços que são mais adequados para a liderança.

As teorias dos traços observam então os traços de personalidade e os comportamentos que contribuem para a liderança. O enfoque principal está na personalidade e nos comportamentos que são compartilhados pelos grandes líderes.

O problema, porém, é que as pessoas com traços similares podem acabar se tornando líderes completamente diferentes. Em alguns casos, um pode se tornar um líder, enquanto outro segue sendo um seguidor, independentemente das semelhanças em termos de personalidade e comportamento.

Teorias de contingência

As teorias de contingência mostram os diferentes estilos de liderança dependendo da situação em que o líder se encontra. Elas se concentram em variáveis particulares relacionadas com o ambiente do líder, que podem determinar um estilo particular de liderança, que é na verdade o mais adequado apenas para aquela situação.

Segundo essa teoria, nenhum estilo de liderança é melhor para todas as situações. Os pesquisadores de liderança White e Hodgson sugerem que um líder verdadeiramente eficaz não tem apenas as qualidades de um líder; trata-se também de conseguir alcançar um equilíbrio entre os comportamentos, as necessidades e o contexto.

Nesse modo, os bons líderes são capazes de avaliar as necessidades de seus seguidores, fazer um balanço da situação e então ajustar seus próprios comportamentos. O sucesso depende de uma série de variáveis, incluindo o estilo de liderança, as qualidades dos seguidores e os aspectos inerentes de cada situação.

Teorias situacionais

As teorias situacionais, como as teorias de contingência, defendem uma adaptação dos líderes à situação na qual eles se encontram. A diferença está no fato de que se considera que o líder muda seu estilo de liderança de acordo com a evolução de uma situação.

As teorias situacionais incluem uma mudança na motivação do líder, assim como nas capacidades dos indivíduos que são seguidores. O líder pode mudar sua opinião sobre seus seguidores, sua situação e seu estado mental e emocional. Todos esses fatores contribuem para as decisões que um líder toma.

Além disso, as teorias situacionais propõem que os líderes escolham o melhor caminho para agir com base em variáveis situacionais. Diferentes estilos de liderança precisam ser mais apropriados para certos tipos de tomada de decisão diferentes.

Teorias do comportamento

De acordo com as teorias do comportamento, a crença é que os líderes se formam ou são criados independentemente de terem nascido com uma característica ou outra. A liderança seria aprendida pela observação e do ensinamento. Assim como acontece com outros comportamentos, acredita-se que a liderança também possa ser aprendida e desenvolvida.

Sendo assim, as teorias do comportamento da liderança se baseiam na crença de que os grandes líderes são criados, não nascidos. Segundo essa teoria, as pessoas podem aprender a ser líderes através do ensinamento e da observação.

Teorias participativas

As teorias da liderança participativa sugerem que o estilo ideal de liderança é aquele que leva em consideração o papel que os demais podem ter. A inclusão dos outros no processo de tomada de decisão do líder seria vital de acordo com as teorias da liderança participativa. Os bons líderes buscariam de maneira ativa a contribuição dos demais.

Esse processo envolve, então, as pessoas lideradas. Dessa maneira, um bom líder seria aquele capaz de alcançar um estado em que as pessoas se sentissem valorizadas, além de poderem ter um papel de influência nas decisões que são tomadas. Essa sensação de fazer parte e realmente ser importante no processo faria com que os seguidores se sentissem mais comprometidos como um todo.

Teorias de gestão ou transacionais

As teorias de gestão, também são conhecidas como teorias transacionais,se concentram no papel da supervisão, da organização e do rendimento do grupo. Essas teorias baseiam a liderança em um sistema de recompensas e castigos, ou seja, é um sistema de gestão do desempenho dos indivíduos por parte dos líderes, no qual os seguidores são premiados pelo sucesso e castigados pelas falhas.

Esta é, na verdade, a forma mais comum de liderança. O papel do líder nesse contexto é também de comandar  as expectativas dos seguidores e adaptá-las aos objetivos do grupo. Basicamente o líder seria um gestor, tanto de pessoas quanto de recursos.

Teorias de relações ou transformacionais

As teorias das relações, também conhecidas como teorias transformacionais, concentram-se nas conexões formadas entre líderes e seguidores. Esse enfoque não só se concentra no rendimento do grupo, mas também se interessa em saber por que e como cada um dos membros pode desenvolver todo o seu potencial.

Os líderes transformacionais se motivam e inspiram as pessoas manejando e alinhando dois interesses: o do grupo e o individual. Além disso, para eles a definição do objetivo é tão importante quanto os meios necessários para alcançá-los.

O líder motiva e inspira, fazendo com que os seguidores assumam o melhor papel tendo em conta seu jeito de ser e sua capacidade para desempenhá-lo. Tudo isso é importante para o resultado. A relação e a conexão entre um líder e seus seguidores é o foco principal, sem deixar de lado o respeito pela ética e o cuidado de cada seguidor ou subordinado de maneira individual.

3 Os tipos de liderança

Os tipos de liderança não devem ser taxados como melhores ou piores. Cada estilo de liderar pode ser mais ou menos adequado.Vai depender dos objetivos da empresa,área de atuação do negócio ou de acordo com o perfil da equipe, mas todos os tipos possuem seus prós e contras. 

É verdade que alguns tipos de liderança são mais  bem vistos que outros. Porém, ser um bom líder não se limita exclusivamente ao estilo. Também se caracteriza pelas habilidades natas somadas a um conjunto de estratégias para otimizar o desempenho – tanto o próprio quanto o do grupo

Os tipos de liderança

Antes de mostrar quais são os tipos mais frequentes de liderança, é importante lembrar porque eles são importantes e como influenciam o desenvolvimento do grupo.

Vale lembrar que, se você está buscando um estilo ou pretende modificar seu modo de atuação como líder, não necessariamente precisa escolher entre um ou outro tipo de liderança. Ao desenvolver suas habilidades de gerenciamento, mesclar as características de um tipo e outro pode ser uma alternativa, já que haverão diferentes processos a realizar.

Veja a seguir os tipos de liderança mais comuns e frequentes nas organizações, identificando os prós e contras de cada um, e em quais situações se aplicam mais adequadamente. 

Liderança Transformacional

O estilo de liderança transformacional, como o próprio nome diz, se relaciona com a iniciativa de mudanças e transformação dentro das organizações e grupos. Líderes que seguem a linha transformacional são conhecidos por motivar os membros da equipe a fazer mais do que é determinado e, inclusive, ir além do que julgam possível.

Grupos que são liderados dentro desse estilo costumam lidar com expectativas mais altas e desafiadoras, e geralmente conseguem entregar ao líder um maior desempenho, devido ao comprometimento e satisfação na realização das tarefas.

Entre os diversos tipos de liderança, o estilo de líder transformacional é conhecido por capacitar e inspirar sua equipe a inovar, sempre na busca pela melhoria e transformação.

Os pontos positivos desse estilo são a autonomia dada à equipe e o estímulo a pensar “fora da caixa”, que criam uma relação de confiança e união em torno do objetivo.

Porém, em empresas onde haja uma visão mais tradicional e se valorize os processos existentes, a liderança transformacional pode não ser bem aceita.

Liderança Transacional

A liderança transacional se refere a um tipo de relação baseada na troca, como uma transação. Aqui, o líder dá as instruções à equipe e, conforme o que for entregue de volta, cada membro será recompensado ou punido.

Esse é um dos modelos de liderança mais objetivos e bastante simples, onde os líderes informam a tarefa, esclarecem o que é esperado dos membros da equipe e explicam de que forma as expectativas podem ser atendidas. As recompensas são determinadas com base no cumprimento dos objetivos.

Nesse caso, existe uma limitação de ideias inovadoras, tornando o ambiente rígido e aumentando a pressão sobre os colaboradores. A criatividade tende a ser sufocada, e o trabalho é realizado apenas para cumprimento do dever e recebimento da recompensa.

Mas, o aspecto positivo da liderança transacional está na diminuição das dúvidas e confusões, já que as tarefas são passadas com clareza e objetividade, assim como as expectativas. Além disso, o colaborador sempre terá um feedback sobre seu desempenho, seja ele bom ou ruim.

Liderança autocrática

O líder autocrático espera que sua equipe faça exatamente o que é determinado, seguindo processos tradicionais e bem estabelecidos. É um modelo de liderança mais rígido, bastante usado nos comandos militares.

A liderança autocrática é um dos modelos de liderança com estilo autoritário, onde o líder é focado em eficiência e resultado. Esse modo de liderar é conhecido pela rigidez e autonomia na tomada de decisões, que costuma ser feita de modo unilateral ou, no máximo, entre um pequeno e confiável grupo.

Mesmo sendo temido nas empresas, a liderança autocrática pode servir em organizações onde se deva respeitar uma série de regras e diretrizes, como nas áreas de saúde, leis, etc. Também pode ser útil para equipes de funcionários com pouca experiência e que necessitem de ampla supervisão.

Mas, é um jeito de liderar que não dá abertura para a criatividade ou co-autoria, fazendo com que os membros da equipe tendam a se sentir ignorados e restritos.

Liderança do tipo Laissez-faire (ou sem intervenção)

Fazendo oposição ao estilo autocrático, está o tipo de liderança laissez-faire, que consiste em delegar tarefas à equipe com pouca ou nenhuma supervisão, apenas fornecendo as ideias, recursos e ferramentas necessários.

Geralmente, esse é um dos tipos de liderança adotados quando os membros da equipe possuem um alto nível de experiência, treinamento e inteligência emocional.Desse modo, o líder que trabalha no modo laissez-faire pode se dedicar a outros projetos e atividades, já que não gasta parte do tempo gerenciando a equipe.

Mas, colaboradores que necessitam de maior motivação ou que trabalham melhor sob pressão podem apresentar uma queda na produtividade. Por dar muita liberdade à equipe, existe a possibilidade de gerar dúvidas quanto as expectativas do líder e confusão se não houver organização interna.

Por outro lado, equipes que desenvolvam trabalhos inovadores e criativos trabalham mais motivados e confiantes quando há essa independência.

Liderança Democrática

Podemos dizer que a liderança democrática combina dois tipos de liderança opostos: o autocrático e o laissez-faire. Também chamado de estilo participativo de liderança, o tipo democrático de líder é aquele que consulta e pede informações à equipe, considerando o feedback do grupo, antes de tomar decisões.

Assim, apesar de tomar decisões e delegar funções de um jeito mais objetivo, na expectativa de resultados bastante específicos, o líder democrático dá voz aos colaboradores e promove um espaço de participação. 

Desse maneira, a equipe considera suas contribuições como parte importante do processo, gerando níveis mais altos de comprometimento e criando um ambiente de trabalho mais satisfatório.Organizações como foco em tecnologia e inovação veem com bons olhos a liderança democrática, já que esse estilo proporciona debate e participação.

Porém, estatísticas sobre desenvolvimento organizacional mostram que esse é um dos tipos de liderança preferidos em diferentes áreas, pois envolve competência, criatividade, responsabilidade, inteligência e justiça entre o grupo.

Desenvolvendo um estilo de liderança

É possível afirmar que as habilidades necessárias para ser um grande líder corporativo precisam ser reavaliadas. Em essência, é preciso uma mudança de paradigma para lidar com “mundo VUCA“. Este termo, emprestado do inglês, é utilizado para descrever quatro características marcantes do momento em que estamos vivendo: Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade.

Em um cenário em constante mudanças, executivos e gerentes precisam rapidamente aprimorar seu estilo de gestão. Na era digital, a própria natureza do trabalho está mudando e a forma como se trabalha está mudando junto com ele.

Esses fatores, entre muitos outros, contribuem para que o estresse se tornaram mais prevalentes no ambiente de trabalho moderno.

Ferramentas levam os líderes para o alto nível

Nos dias de hoje,passa a ser crucial que C-levels, diretores e gerentes seniores utilizem ferramentas de treinamento e psicoterapia para estabelecer uma base do que Reid Hoffman, fundador do LinkedIn, definiu como essencial para o relacionamento empregador-empregado. Ao estabelecer uma base de confiança por meio de abertura e transparência, uma nova aliança pode ser formada. Esta redefine a própria natureza da liderança que considera a necessidade de ambos os lados e enfatiza o poder que esse estilo gerencial pode proporcionar.