Desenho mecânico

Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico

1 Desenho mecânico

Desenho mecânico é a representação gráfica voltada ao projeto de máquinas, motores, peças mecânicas.

O desenhista mecânico realiza desenhos, projeções e cortes utilizando principalmente meios eletrônicos, prepara folhas de trabalho e diagramas detalhados de máquinas e peças e de projetos mecânicos contendo as informações necessárias para a sua produção e documentação e elabora relatórios e outras formas de documentação textual, de acordo com as normas técnicas ABNT, ISO ou DIN, em condições de qualidade, segurança e preservação ambiental.

Um desenho técnico deve conter vistas que demonstrem todos os detalhes necessários para a execução do projeto. As vistas adotadas no Brasil são em projeção de 1º diedro (também utilizado em toda a Europa), que contém 4 vistas: vista frontal, superior, lateral esquerda e lateral direita.

Se possível um desenho pode conter apenas uma vista, desde que seja adotada apenas a frontal, pois quando se cria um desenho deve-se convencionar que o máximo de detalhes possa ser demonstrado nesta vista.

Detalhes ocultos (furos, rebaixos, rasgos) podem ser demonstrados através de linhas tracejadas, meio corte, cortes parciais ou em outras vistas.
 

Normalmente, se o desenho não contiver nenhuma indicação, deve-se supor que todas as medidas estão em milímetros.
 

As folhas adotadas em desenho técnico mecânico são no formato A devendo-se usar margem adequada para cada tipo de folha de acordo com a Norma NBR6462.
 

Podem ser:

A0 - Margens de 10mm na direita, superior e inferior e 25mm na esquerda

A1 - Margens de 10mm na direita, superior e inferior e 25mm na esquerda

A2 - Margens de 7mm na direita, superior e inferior e 25mm na esquerda

A3 - Margens de 7mm na direita, superior e inferior e 25mm na esquerda

A4 - Margens de 7mm na direita, superior e inferior e 25mm na esquerda

Podem ser usadas tanto tipo retrato como tipo paisagem.

Em casos de peças de grande porte que não caibam nestes formatos de folha, utiliza-se escala de redução, ou em casos de peças muito pequenas podem ser adotadas escalas de ampliação, sendo as escalas de redução adotadas da seguinte maneira 1:2 (lê-se um por dois) que significa: 1 mm (unidade padrão da mecânica) no desenho equivale a 2 mm na peça. Podendo ser adotadas as escalas de 1:5 e 1:10. Nas escalas de ampliação adotamos como 2:1 5:1 10:1.

2 Linhas

As linhas são a base do desenho. Combinando-se linhas de diferentes tipos e espessuras, é possível descrever graficamente qualquer peça que se queira produzir, com clareza e riqueza de detalhes.
De acordo com a ABNT, as linhas básicas recomentadas para o desenho técnico são as seguintes:

Linha para arestas e contornos visíveis

É continua larga (0,7) e indica todas as partes visíveis do projeto, determinando-lhe o contorno.

Linha para arestas e contornos não visíveis

É um traço interrompido (0,5) indica todas as partes não visíveis de um desenho.

Linha de centro e eixo de simetria

Trata-se de uma linha estreita (0,35), formada por traços e pontos alternados.

Linha auxiliar

Uma linha contínua e estreita, auxiliar para linha de cota, indicanto limites de uma medida.

Linha de cota

Trata-se de uma linha estreita e contínua limitada por flechas agudas. Em casos especiais, usam-se pontos ou traços no lugar das flechas. As pontas das flechas devem tocar as linhas auxiliares.

3 Vista em corte

Uma vista de corte, também chamada diagrama com secções, é um desenho técnico, um gráfico tridimensional, diagrama ou ilustração no qual elementos da superfície de um modelo em três dimensões são removidos de forma seletiva para que características internas possam ser visualizadas, sem que se sacrifique completamente o contexto externo.

Generalidades

Conforme Diepstraten (2003), "o propósito de um desenho em corte é permitir que quem olha possa ver um objeto opaco presente dentro de outra forma sólida. Em vez de deixar simplesmente o objeto dentro da superfície circundante, partes do objeto fora são simplesmente removidas. Isso produz uma aparência visual como se alguém tivesse cortado partes da superfície externa. Os cortes nessas ilustrações evitam ambiguidades em relação ao ordenamento espacial e provem forte contraste entre objetos frontais e o plano de fundo, facilitando o entendimento do espaço em questão."
Embora os desenho com vistas em corte não apresentem dados dimensionais que permitam fabricação de peças ou conjuntos,os mesmos são meticulosamente desenhados por artistas dedicados que tenham acesso aos detalhes de fabricação ou possam deduzi-los, observando a evidência visível do interno que está oculto (por exemplo, linhas de rebite, etc).
O objetivo desses desenhos em estudos pode ser identificar padrões de design comuns para determinadas classes de veículos. Assim, a precisão da maioria destes desenhos, embora não de 100%, é certamente suficientemente boa para o efeito desejado.
Essa técnica é extensivamente usada em CAD. Também pode ser aplicada nas interfaces com usuários de alguns video game.
Em The Sims, por exemplo, os usuários podem selecionar por meio de um painel de controle selecionar se querem ver uma casa sem paredes, com alguns cortes localizados, ou com paredes completas.

História

A vista em cortes e a vista explodida foram pequenas invenções gráficas do Renascimento que também tornaram mais claras as representações pictóricas.
Esse livro de 1556 é um tratado completo e sistemático de mineração e metalurgia extrativa, ilustrada por meio de interessantes xilogravuras que mostravam cada passo dos processos concebidos para extrair minério do solo e transformá-los em metas, outros processos também.
Mostra também os diversos moinhos de água usados em mineração e também máquinas elevadoras de pessoas em poços de minas.
O termo "vista de cortes" já era usado no século XIX, mas se tornou popular nos anos 1930.

Técnica

Localização e forma de cortar um objeto exterior depende de muitos fatores diferentes, por exemplo:
* tamanhos e formas dos objetos, dentro e fora,
* as relações espaciais dos objetos,
* gosto pessoal, etc.
Esses fatores, de acordo com Diepstraten (2003), "raramente podem ser formalizados por um algoritmo simples, mas as propriedades de corte podem ser distinguir em duas classes de cortes de um desenho":
corte propr. dito : desenhos onde os cortes se restrigem a formas bem simples e regulares de frequentemente um pequeno número de fatias planas na parte exterior do objeto.
quebra : um corte por meio de um único orifício no exterior do objeto.

4 Vista explodida

Uma vista explodida, também chamada de perspectiva explodida, é um diagrama, imagem ou desenho técnico, que mostra uma relação ou sequência de montagem de diversas peças de um conjunto de algo manufaturado.
Mostram-se os componentes de um objeto ligeiramente separados por uma distância, ou suspensos no espaço circundante, no caso de um desenho tridimensional, sendo isso a vista explodida.
O objeto é representado como se tivesse havido uma pequena “ explosão” controlada com suas partes como que emanando do centro do objeto. Essas partes do objeto ficam separadas por distância semelhantes de seus locais originais (depois da montagem).
A vista explodida é usada em catálogos de partes, montagem, manutenção e em outras instruções técnicas.
As perspectivas explodidas de conjuntos servem também para atender àqueles que não têm o domínio da leitura das vistas ortográficas normais.
Como norma, os componentes representados deverão ser dispostos segundo a ordem de montagem.

Generalidades

Um desenho em vista explodida é usado para mostrar a montagem de peças mecânicas e até outras. Mostra todas as partes do conjunto e como eles se encaixam. Geralmente em sistemas mecânicos os componentes mais próximos do centro são montados em primeiro lugar, ou é a parte principal no qual as outras partes serão montadas. Tal desenho também pode ajudar a representar a desmontagem de peças, onde as peças mais distantes do centro normalmente são removidas primeiro.
Diagramas explodidos são comuns em manuais descritivos mostrando a colocação de peças, ou peças contidas em uma montagem ou sub-montagem.
Normalmente tais diagramas têm o “part-number” de identificação e uma etiqueta (tag) das peças indicando qual preenche cada posição particular no diagrama. Há aplicativos quem podem criar automaticamente diagramas explodidos, como inclusive “gráficos de pizza”.
Em desenhos de Patentes, uma vista explodida as partes separadas podem (é permitido e padrão) ter indicação numérica da sequência de montagem.
As vistas explodidas também podem também ser usadas em um desenho arquitetônico, numa apresentação de projeto paisagístico. Tais vistas explodidas podem criar uma imagem de que os elementos estão voando pelo ar acima da planta arquitetônica, quase como numa pintura cubista. Os locais de fixação podem ser sombreados ou pontilhados.

História

Juntamente com os desenhos corte a vista explodida foi uma das muitas invenções gráficas do Renascimento, que foram desenvolvidos para esclarecer a representação pictórica de uma forma naturalista renovada. A vista explodida pode ser rastreada até os cadernos de Marino Taccola (1382-1453), tendo sido aperfeiçoada por Francesco di Giorgio (1439-1502) e Leonardo da Vinci (1452-1519).
Um dos primeiros exemplos claros de uma vista explodida foi criado por Leonardo no seu desenho de uma máquina de movimento alternativo. Leonardo aplicou esse método de apresentação em vários outros estudos, incluindo os de anatomia humana.
O termo "Vista explodida" surgiu na década de 1940 e foi também definido em 1965 como "ilustração tridimensional (isométrica), que mostrava as relações de posicionamento de peças, subconjuntos e conjuntos maiores. Também foi usado para mostras as sequência de montagem ou desmontagem de peças em detalhe.

Tipos de vista explodida

* Isométrica
* Dimétrica
* Trimétrica
* Cavaleira