Reeducação Alimentar

Culinária Fitness

1 Reeducação Alimentar

A nutrição tem um papel fundamental na saúde do ser humano e é considerada um componente integral do estilo de vida saudável. Em parceria com a atividade física, a dieta balanceada é altamente recomendada por autoridades nacionais e internacionais ligadas à saúde, como fatores essenciais na melhoria da qualidade de vida dos indivíduos

O tema nutrição e qualidade de vida vem sendo intensa-mente discutido tanto nos meios acadêmicos, como nas mídias. Porém, muitas vezes, essas discussões estão baseadas em conceitos sem fundamentação científica e acabam promovendo práticas que não trazem benefícios e sim, frequentemente, prejuízos à saúde.

Efeitos deletérios da alimentação inadequada na saúde dos indivíduos

Atualmente, observa-se um padrão alimentar caracteri-zado pelo alto consumo de alimentos de origem animal, de açúcares, óleos e farinhas refinadas, e um baixo consumo de cereais integrais, legumes, verduras e frutas.

No Brasil, apesar da desnutrição na infância, baixo peso ao nascer e vulnerabilidade às infecções serem problemas ainda freqüentes, estão perdendo espaço para as doenças crônicas não transmissíveis.

A alimentação desequilibrada e o sedentarismo constituem os fatores mais freqüentemente apontados como determinantes do súbito aumento dos casos de obesidade entre as populações. A dieta pobre em carboidratos complexos e rica em açúcares simples e gorduras está fortemente associada à obesidade, que, por sua vez, torna-se fator de risco para outros eventos, como aterosclerose, hipertensão arterial, dislipidemias, diabetes, osteoartrites, patologias biliares e vários tipos de câncer, levando a um maior risco de mortalidade, principalmente por doenças cardiovasculares.

As doenças do aparelho circulatório foram responsáveis por 1/3 dos óbitos em 2005, sendo a principal causa de morte na população adulta do Brasil (Brasil, 2007).

Ao falar da importância das doenças crônicas como problema de saúde, não se deve considerar apenas seu papel na mortalidade, mas, também, na qualidade de vida da população. As chamadas complicações crônicas dessas doenças são altamente incapacitantes além de serem causas freqüentes de invalidez precoce. Também são motivos comuns de hospitalização, acarretando alto consumo de leitos ou absenteísmo ao trabalho, causando, muitas vezes, dificuldade na obtenção de emprego

Atualmente, existem muitos trabalhos científicos demonstrando a relação entre dieta e saúde/doença. Está comprovado que altos níveis de consumo de gordura e calorias associam-se fortemente ao excesso de peso corporal, especialmente com aumento do tecido adiposo. Além disso, a composição da dieta, especialmente o seu conteúdo em gordura, mais do que o consumo energético total, possui um importante papel no desenvolvimento da obesidade.

As dietas com alta densidade de gordura saturada, gordura trans (encontrada principalmente em margarinas, biscoitos, bolos e sorvetes) e colesterol também estão associadas a um risco aumentado de doença coronariana. Quanto ao consumo de sódio, é evidente que está diretamente associado com a pressão arterial. Alguns auto-res sugerem que uma diminuição de aproximadamente 3g de sódio por dia implicaria em diferenças na pressão sistólica e poderia levar a uma redução do número de indivíduos com necessidade de tratamento antihipertensivo e de mortes por doenças do aparelho circulatório.

De acordo com as evidências acumuladas pela ciência, o reconhecimento da relevância da dieta saudável sobre a saúde da população está aumentando. Independentemente de seu grau de desenvolvimento, inúmeros países vêm, nos últimos anos, adotando estratégias para melhorar a qualidade da dieta e restringir o porcionamento dos alimentos consumidos como ações de saúde pública.

A Organização Mundial da Saúde estabeleceu em 2004, a Estratégia Global para a Promoção da Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde. Segundo as recomendações do documento, o profissional deve orientar a dieta para manter o equilíbrio energético e o peso saudável do indivíduo; limitar a ingestão de gorduras saturadas, substituindo-as pelas insaturadas e eliminar as gorduras trans; aumentar o consumo de frutas, legumes e verduras, cereais integrais e leguminosas; restringir a ingestão de açúcar livre e de sódio e consumir sal iodado.

2 Papel da educação nutricional na mudança de hábitos alimentares

Nesse contexto de consumo alimentar excessivo, desequilibrado em nutrientes e construído pela mídia, torna-se um desafio a atuação do nutricionista como educador, principalmente se for considerada toda a complexidade que envolve a seleção individual de alimentos. Para alguns autores, existe uma relação muito sutil entre o que as pessoas sabem e o que as pessoas fazem. O conhecimento não desencadeia o processo de mudança, mas pode funcionar como um instrumento quando as pessoas desejam mudar.
O sucesso da intervenção nutricional parece depender do entendimento do papel desempenhado pelos alimentos na vida das pessoas, e este, muito mais do que mera fonte de nutrientes para a sobrevivência, é fonte de gratificações emocionais e meio de expressar valores e relações sociais.
Em suma, inúmeros fatores influenciam a escolha qualitativa e quantitativa dos alimentos a serem ingeridos. O que se come e o que se bebe é uma questão social, cultural, familiar. Isto significa que os hábitos alimentares constituem o resultado das experiências apreendidas ao longo da vida; portanto, é possível, com algum esforço e técnicas eficazes de educação, reformular esses mesmos hábitos alimentares, no sentido de corrigir possíveis distúrbios nutricionais
O objetivo da promoção de uma alimentação saudável é incentivar a autonomia na decisão da escolha de práticas alimentares e de vida saudáveis. A identidade cultural das populações deve ser preservada, estimulando-se uma dieta mais saudável, atendendo às questões de quantidade, qualidade, prazer e saciedade. Também deve atender os atributos de acessibilidade física e financeira, sabor, variedade, cor, harmonia e segurança sanitária.
Está claro que a nutrição é uma ciência complexa e de vital importância para a saúde, sendo o nutricionista o profissional preparado para orientá-la, pois além de conhecer a composição nutricional dos alimentos, também detém informações das melhores formas de prepará-los. A união desses dois aspectos é útil no processo de mudança do hábito alimentar.
A nutrição, como ciência, utiliza a variedade como um fator contribuinte ao equilíbrio de nutrientes e não somente como um atrativo do cardápio. Todos os nutrientes devem ser explorados em graus que são diretamente proporcionais aos resultados que podem manifestar no corpo, só desta forma a conciliação do prazer de comer com a melhoria da qualidade de vida será plena.