Povoando as Colmeias
Básico em Apicultura
1 Povoando as colmeias
Para introduzir abelhas no apiário (povoamento), o apicultor pode conseguir enxames de diferentes maneiras: comprar colmeias já povoadas, capturar enxames ou dividir famílias fortes.
Em qualquer caso, para facilitar a aceitação das abelhas à nova caixa, é recomendável pincelar o interior dela com uma mistura de própolis e água ou com extrato de capim-limão ou de capim-cidreira. Outra maneira é esfregar um punhado de folhas do capim no interior das caixas, pois isso deixa a madeira com um cheiro mais atrativo para o enxame.
Captura de enxames na natureza
Captura passiva:
Utilização de caixas-iscas
Nas épocas de enxameação (períodos naturais de divisão e deslocamento de enxames), o apicultor deve distribuir algumas caixas, com 3 ou até 5 quadros com cera alveolada, perto de fontes de água ou de locais com boas floradas, por exemplo.
As colmeias devem ser fixadas em árvores, ou colocadas em cima de tocos, de 1 metro e meio a 2 metros acima do solo, para que fiquem mais visíveis aos enxames.
Se preferir, o apicultor pode usar caixas de papelão próprias para captura de enxames, encontradas em lojas especializadas, ou fazer pequenas caixas de madeira. Dessa forma, é menor o prejuízo em caso de roubo, e o transporte do enxame para o apiário fica mais fácil, embora seja maior o risco de perda do enxame no momento de sua transferência para a caixa padrão.
Caixa-isca instalada em árvore.
A cada 10 dias, é necessário observar se as caixas foram povoadas. Quando um enxame tiver ocupado a caixa-isca, ele deve ser transportado para o apiário em alguns dias (apenas o necessário para o início da postura pela rainha), pois sem o acúmulo de alimento, o enxame será menos defensivo, e isso facilita seu transporte.
Captura ativa:
Coleta de enxame migratório
O enxame migratório geralmente encontra-se instalado provisoriamente em árvores, postes, telhados, etc. Nesse enxame, o apicultor não notará a presença de favos. Para capturar as abelhas, basta colocar o enxame completo na caixa contendo quadros com cera alveolada. Pode-se utilizar um balde ou simplesmente colocar a caixa embaixo do enxame e sacudir as abelhas. A caixa deve ser fechada imediatamente e transportada para o apiário.
Coleta de enxame fixo
A captura do enxame fixo é mais trabalhosa, uma vez que ela exige a retirada dos favos e sua transferência para a colmeia. Depois de encontrado o enxame, devese aplicar bastante fumaça no local, cortar os favos e encaixá-los na armação do quadro, fixando-os com elástico ou barbante.
Os favos cortados devem permanecer na mesma posição em que estavam anteriormente, e aqueles com células de zangão e mel não devem ser aproveitados.
Com o uso de um recipiente, as operárias são colocadas no interior da caixa. Se a rainha não tiver sido encontrada e se as abelhas estiverem entrando naturalmente na colmeia, é sinal de que a rainha já está no interior da colmeia.
Deve-se retirar do local todo o material que sobrar do enxame, raspando bem os restos de favos, para evitar que o local continue atrativo para a instalação de um novo enxame (obviamente, se um novo enxame não for de interesse do apicultor).
A colmeia deve permanecer no mesmo local antes ocupado pelo enxame, com o alvado voltado para o mesmo lado da antiga entrada da colônia, e assim ficar por, no mínimo, 3 dias, tempo necessário para que as abelhas fixem os favos transferidos.
Divisão de colônias
Quando o apicultor notar que uma de suas colmeias está muito populosa, ele poderá dividi-la em duas colônias menores. Mas não se deve abusar dessa técnica para multiplicar as colônias do apiário, pois são justamente as colmeias mais populosas que produzem mais.
Ao fazer uma divisão, o apicultor deve repartir igualmente o número de quadros contendo favos de cria e alimento nas duas colmeias, deixando o maior número de ovos (crias abertas) para a colônia que ficar sem rainha, pois eles serão necessários para a formação de uma nova rainha. Somente os ovos ou larvas de até 3 dias podem gerar rainhas.
As operárias também devem ser divididas e o espaço vazio das caixas, preenchido com quadros com cera alveolada. A colônia que ficar com a rainha deve ser instalada a uma distância mínima de 2 metros da outra.
Esquema de divisão de enxames.
Ilustração: Fábia de Mello Pereira
Esquema de divisão de enxames. Ilustração: Fábia de Mello Pereira
2 Como cuidar das colméias
A criação de abelhas africanizadas exige muita dedicação e cuidados. Não compensa ter um apiário com várias colmeias se elas não produzirem bem e, em consequência, não derem lucro. Certos procedimentos são fundamentais para o sucesso na apicultura, e as principais atividades que se deve realizar são descritas a seguir.
Revisão das colmeias
O apicultor precisa estar sempre informado sobre suas colmeias:
- Existe alimento suficiente?
- A rainha está presente, realizando postura?
- O enxame está forte ou fraco?
- Falta espaço na colmeia?
- Estão ocorrendo doenças ou pragas?
- Existem favos velhos ou escuros?
- Existem peças danificadas?
Quando e como realizar as revisões
Como as revisões perturbam muito o trabalho das abelhas, devem ser feitas conforme as orientações e situações seguintes:
- Quinze dias depois da instalação de um novo enxame – Para verificar seu desenvolvimento inicial e observar as condições gerais dos favos.
- Antes das principais floradas.
- Durante as floradas, realizar revisões nas melgueiras a cada 15 dias – Para verificar como estão a produção de mel, a quantidade de quadros completos, operculados, e a necessidade de acrescentar mais melgueiras.
- Depois das principais floradas, realizar uma revisão completa no ninho
- Para preparar a colmeia para o período de entressafra.
- Na entressafra, as revisões devem ser mensais – Para saber da necessidade de alimentar as colmeias, reduzir o alvado, controlar inimigos naturais ou unir enxames fracos.
Para que as revisões não atrapalhem o trabalho das abelhas, deve-se seguir as orientações abaixo:
- Fazer as revisões das 8 às 11 horas da manhã e das 3 às 5 e meia da tarde. Nessas horas, a maioria das operárias está no campo coletando néctar e pólen.
- Nunca fazer revisões durante a chuva.
- Usar a roupa de apicultor, que deve estar limpa, ser de cor clara e não pode estar rasgada.
- Ao lidar com as abelhas, evitar cheiros fortes (suor, perfume) e não provocar ruídos que possam irritá-las.
- A revisão deve ser feita por 2 pessoas: uma maneja o fumigador, enquanto a outra abre e revisa a colmeia.
- Ficar sempre na parte de trás ou nas laterais da colmeia, nunca na frente, para não dificultar a entrada e a saída de abelhas.
- Realizar a revisão com calma, sem movimentos bruscos, porém rapidamente, para evitar que a colmeia fique aberta por muito tempo.
- Não deixar os quadros no sol nem no frio por longo tempo.
Uso do fumigador
Usar o fumigador sempre que revisar as colmeias ou colher mel, pois a fumaça deixa as abelhas menos agressivas. Os melhores materiais são a serragem, as folhas e as cascas secas, que produzem fumaça branca, fria e sem cheiro forte. Jamais usar produtos de origem animal (ossos, pelos, gordura, etc) ou mineral (óleos), pois prejudicam as abelhas e contaminam o mel. Usar o mínimo de fumaça, já que ela em excesso prejudica a qualidade do mel.
Na abertura da colmeia, deve-se:
- Colocar fumaça na entrada da colmeia (alvado) e esperar alguns segundos para que a fumaça atue sobre as abelhas.
- Levantar um pouco a tampa, com o formão, e aplicar fumaça por cima dos quadros.
- Retirar a tampa, em seguida, sem provocar movimentos bruscos.
- Aplicar a fumaça, sem exagero, tanto na colmeia aberta quanto nas colmeias próximas, caso as abelhas se mostrem agressivas durante a vistoria.
O que observar durante as revisões?
Na retirada dos quadros, um a um pelas laterais da colmeia, deve-se observar:
- Se os favos têm mel e pólen, para saber se a colônia tem alimento suficiente.
- Se existem ovos nas áreas de cria. Quando existem muitas falhas nessas áreas, geralmente a rainha está velha e fraca.
Áreas de crias com poucas falhas (a) e com muitas falhas (b).
- Se as abelhas se penduram fora das colmeias, formando cachos ou “barbas”. Isso é sinal de falta de espaço na colmeia, o que acaba provocando a enxameação.
- Se existe presença de realeiras. Elas podem indicar ausência de rainha ou que a colônia vai enxamear.
- Se as áreas de cria têm falhas. A presença delas pode ser sinal de doenças. Quadros com uma espécie de “teia” e danificados podem indicar a existência de traças. É importante observar também se existem sapos, lagartixas ou outros animais nas proximidades das colmeias.
- Se são boas as condições gerais dos quadros. Laterais, fundos, tampas e suportes estragados devem ser substituídos.
Situações encontradas durante as revisões e medidas recomendadas
Quando a colmeia tem crias jovens e também realeiras, isso pode indicar que a rainha morreu e está sendo substituída por outra, que nascerá de uma das realeiras.
Quando não há crias nem realeiras, mas a rainha está presente, pode ser indicação de que a colméia está passando fome. Colmeias nessa situação devem ser alimentadas e, além disso, deve-se reduzir o tamanho de sua entrada (alvado).
Quando existem realeiras, a rainha é encontrada e sua postura está normal (presença de grande número de ovos, larvas e pupas), é um alerta de que o enxame se prepara para enxamear. Nesse caso, deve-se retirar as realeiras e aumentar o espaço na colmeia, acrescentando sobrecaixas, ou efetuar a divisão do enxame
Quando a colmeia está sem rainha e sem realeiras, com um zumbido forte das operárias, isso indica que a rainha morreu e que a colmeia não tem condições de produzir uma nova rainha, por falta de crias jovens. Nesse caso, deve-se introduzir uma rainha ou fornecer condições para que as abelhas a produzam, colocando na colmeia favos com ovos ou larvas bem pequenas, com até 3 dias de idade.
3 Colmeias fracas e colmeias fortes
Para colmeias muito fracas (com poucas abelhas) ou muito fortes (com muitas abelhas), algumas medidas devem ser tomadas.
Colmeias fracas
As colmeias fracas precisam ser fortalecidas, pois, além de não produzir nada, estão mais sujeitas a sofrer ataques de pragas e doenças das abelhas. Geralmente, as colônias ficam fracas (com poucas abelhas) quando:
- Falta alimento no campo.
- Ocorre divisão natural de enxames (enxameação).
- A rainha está muito velha.
- Os enxames são recém-capturados.
Como fortalecer enxames
- Existem muitas maneiras de fortalecer enxames:
- Fornecendo alimentação (explicado mais adiante).
- Fornecendo favos com crias fechadas, retirados de outras colmeias mais fortes. É importante lembrar que essas crias devem estar na fase de pupa (alvéolo fechado), pois, se forem mais novas, o enxame fraco não terá condições de alimentá-las adequadamente. Além disso, essas crias ainda não produzem e precisam de tempo para se transformar em abelhas adultas.
- Reduzindo o espaço de entrada (alvado) para evitar a entrada de abelhas de outros enxames e o roubo do pouco alimento da colmeia.
Também é possível reduzir o espaço interno da colmeia, dividindo-a com uma peça de madeira, o que facilitará a manutenção da temperatura dentro da caixa.
União de colônias
Outra forma de reforçar colmeias fracas é obtida pela união de colônias. A técnica mais usada é a união de com o uso de papel. É feita com um pouco de mel e duas folhas de papel, pouco maiores que a tampa da colmeia. O papel deve ser flexível, sem impressão, tipo papel de embrulho.
Na união de colônias, deve-se:
- Selecionar, nas colônias a serem unidas, uma das rainhas e eliminar a outra.
- Colocar uma folha de papel no lugar da tampa da colmeia que ficou com a rainha.
- Derramar um pouco de mel sobre o papel e colocar outra folha de papel por cima.
- Retirar o fundo da colmeia sem rainha e colocá-la em cima do papel.
- Juntar as duas colônias numa única caixa, 2 ou 3 dias após a união.
O papel colocado entre as duas caixas separa as colônias e evita brigas entre as operárias. Estimuladas pelo cheiro de mel, elas cortam e eliminam o papel, vagarosamente. Como muitas vezes o enfraquecimento da colônia é por causa de rainhas velhas e cansadas, o melhor é introduzir uma rainha nova, proveniente de um enxame mais produtivo e forte.
Esquema da união de enxames usando o método do papel.
Colmeias fortes
Quando há uma grande quantidade de abelhas fora da colmeia, é sinal de que a colônia está muito forte. Falta espaço para as abelhas e, por isso, a temperatura na colmeia aumenta. Com o objetivo de dividir a colônia para resolver o problema, as operárias produzem uma nova rainha.
Para não perder suas abelhas, o apicultor deve dividir as colônias fortes, aumentando o número de colmeias do apiário. Outra forma é adicionar melgueiras às colmeias fortes ou usar seus quadros para fortalecimento de outras colônias. Seja qual for a decisão, o importante é não perder abelhas.
Detalhes sobre a técnica de divisão de enxames são mostrados mais adiante.
Pilhagem
A pilhagem ou saque é o roubo de mel das colmeias por operárias de colônias vizinhas. Pela aglomeração e briga no alvado, o enxame roubado é facilmente identificado. Nele, há grande quantidade de abelhas procurando entrar na colmeia pela tampa e outras frestas, e encontram-se operárias mortas no chão.
Para evitar a pilhagem, deve-se:
- Evitar famílias fracas no apiário e, enquanto os enxames são fortalecidos, usar tela antipilhagem ou redutor de alvado e não deixar grande quantidade de mel nas colmeias.
- Não derramar mel ou alimentos próximo das colmeias.
- Alimentar as caixas apenas ao entardecer e, de preferência, com alimentadores internos.
- Diminuir o número de colmeias.
- Deixar as colmeias distantes pelo menos 3 metros uma da outra.
- Identificar as colmeias saqueadoras e trocar a rainha.
- Utilizar cavaletes individuais.
Troca de quadros e caixas
Durante as revisões, o apicultor deve marcar e trocar os quadros que possuam arames partidos ou peças quebradas e que estejam com cera velha, principalmente aqueles já naturalmente rejeitados pelas abelhas.
Se os favos velhos ou danificados estiverem com cria, devem ser transferidos para as laterais da colmeia, e ali permanecer até o nascimento das abelhas, para então serem substituídos.
Esses quadros devem ser substituídos por quadros com cera alveolada, de boa qualidade, quando se verifica se existe alimento suficiente para as abelhas continuarem a construção dos favos. É bom lembrar que a produção de cera depende de uma boa quantidade de alimento na colmeia: para a produção de 1 quilo de cera, são necessários de 6 a 7 quilos de mel.
Caixas danificadas, com furos ou que não fecham direito também devem ser substituídas.
Substituição de rainhas
A rainha deve ser trocada, de preferência a cada ano, e o apicultor pode fazer isso de duas formas:
Comprando rainhas de produtores conhecidos (de preferência de sua região). Para evitar rainhas irmãs no apiário, recomenda-se comprá-las de fornecedores diversos.
Ele próprio produzindo as rainhas. Nesse caso, treinamento especializado é fundamental para o sucesso no manejo.
Cuidados na substituição de rainhas
Na substituição das rainhas, recomenda-se:
- Verificar se a rainha está fecundada. Se ela for virgem, é necessário observar se existem zangões no apiário.
- Destruir as realeiras existentes na colmeia antes da introdução da nova rainha.
- Realizar a introdução das rainhas apenas em dias claros, sem chuva ou ventos fortes e, de preferência, pela manhã.
- Usar gaiolas apropriadas (muitos tipos são encontrados no mercado).
- Retirar (eliminar) a rainha velha 24 horas antes da introdução da nova rainha, de preferência.
Quadro com postura nova da rainha (ovos).
4 A alimentação das colmeias
Como nós, as abelhas precisam consumir água e alimentos para sobreviver. Necessitam principalmente de alimentos que forneçam energia e proteínas, mas também precisam de vitaminas, sais minerais e gorduras.
As abelhas se alimentam de néctar (líquido açucarado encontrado nas flores), de mel, que elas mesmas fabricam a partir do néctar, e de pólen (minúsculos grãos também encontrados nas flores).
Nas épocas do ano em que faltam flores, o apicultor deve fornecer outros alimentos para as abelhas, como caldo de sumo de caju, xarope de açúcar, feno da folha de mandioca, vagem de algaroba e farelo de soja. Caso contrário, os enxames se enfraquecem e abandonam as colmeias.
Quando os enxames estão enfraquecidos, as abelhas ficam doentes, e as colmeias são atacadas por traças e formigas, por exemplo. O resultado é uma queda na produção de mel durante a próxima safra, e os prejuízos para o apicultor são certos. Por isso, para evitar que os enxames sofram com a falta de alimento no campo, deve-se fazer revisões periódicas nas colmeias e socorrer as abelhas.
O néctar e o pólen, dependendo da região, podem faltar em épocas secas, chuvosas ou frias. Deve-se ficar atento: sempre que houver menos de 2 quadros de mel na colônia, é necessário fornecer alimento a ela.
Pode-se adaptar a alimentação de acordo com os alimentos que existem perto do apiário. Os alimentos mais usados para substituir o mel são: xarope de água e açúcar, xarope invertido, caldo de cana-de-açúcar e rapadura.
Xarope de açúcar
Ingredientes - Água e açúcar em quantidades iguais.
Modo de fazer - – Colocar a água no fogo e adicionar o açúcar logo que levantar fervura. Mexer até o açúcar se dissolver por completo. Desligar o fogo e deixar esfriar. Misturar a solução antes de colocá-la nas colmeias.
O xarope, fornecido 1 ou 2 vezes por semana, na quantidade de 500 mL (meio litro), deve ser feito no dia em que for usado,e o que não for consumido pelas abelhas em até 24 horas deve ser recolhido e eliminado, para que as abelhas não se alimentem de xarope estragado.
Xarope invertido
Outro alimento recomendado e bastante usado é o açúcar invertido, que é o xarope com ácido tartárico ou ácido cítrico.
Para reduzir os custos, o apicultor pode fazer o xarope com água e açúcar em quantidades iguais. Adiciona-se 1 colher (chá) de ácido tartárico para cada 8 litros de xarope, logo depois que a mistura ferver e o fogo for desligado. A vantagem desse alimento é que o ácido não deixa o xarope se estragar, e, portanto, este pode ser deixado nas colmeias por mais de 24 horas.
Xarope de algaroba
Um bom alimento para as abelhas pode ser preparado com a vagem de algaroba, que é fonte tanto de energia quanto de proteína. Para produzir esse xarope, deve-se levar ao fogo 1 quilo de vagem de algaroba triturada, misturado com 2 litros de água. A mistura deve ser fervida até se transformar em xarope, que deve ser fornecido no mesmo dia para as abelhas, pois assim elas se alimentam antes de ocorrer a fermentação do produto.
Seguem 2 receitas que substituem, ao mesmo tempo, o mel e o pólen:
Receita 1
Ingredientes - 3 partes de farelo de soja, 1 parte de farinha de milho e 6 partes de mel.
Modo de fazer – Misturar bem o farelo com a farinha e adicionar o mel devagar, até formar uma pasta mole. Fornecer 200 g do alimento, 2 vezes por semana.
Receita 2
Ingredientes - 7 partes de farelo de trigo, 3 partes de farelo de soja e 15 partes de mel.
Modo de fazer – Misturar os farelos e acrescentar o mel. Deixar em repouso por 1 semana em local limpo e, se possível, refrigerado. Fornecer 200 g do alimento, 2 vezes por semana. No lugar do mel, pode-se usar xarope ou açúcar invertido, mas o mel é mais atrativo para as abelhas. Além disso, os farelos devem estar muito bem moídos, pois as abelhas não conseguem pegar o farelo grosso.
Ingredientes utilizados com os xaropes
Existem fontes naturais de proteínas, como, por exemplo, jatobá, vagem de pauferro ou juá, pó de folhas de feijão, abóbora, mandioca e leucena.
Para preparar o pó, deve-se deixar as folhas, as vagens ou os frutos secarem à sombra e depois triturá-los em forrageira, pilão ou liquidificador. É importante que tudo fique bem moído, como farinha de trigo ou goma de mandioca. Todos esses pós devem ser misturados com xarope, xarope invertido ou com mel, formando uma pasta mole. A consistência da pasta é importante, pois se ela ficar muito dura, as abelhas não conseguem recolher o alimento; se ficar muito mole e pegajosa, as abelhas morrem grudadas nela.
Por isso, ao preparar o alimento, deve-se acrescentar o xarope ou o mel aos poucos, misturando bem os ingredientes, até atingir a consistência desejada. Se passar do ponto e a pasta ficar muito mole, basta colocar um pouco mais do pó.
5 Como fornecer o alimento das abelhas
A alimentação artificial pode ser oferecida às abelhas tanto em alimentadores individuais quanto em alimentadores coletivos. Cada modelo tem vantagens e desvantagens, e deve-se escolher o tipo mais adequado à condição do apiário.
O alimentador coletivo é uma espécie de cocho que deve ser colocado próximo às colmeias, para fornecer alimento a todos os enxames. É um modelo que exige poucos cuidados, sendo recomendado para apiários com grande quantidade de colmeias.
Apesar de mais prático, o alimentador coletivo apresenta as seguintes desvantagens:
- Pode alimentar também outros enxames, além de pássaros, formigas, pequenos animais, etc.
- Incentiva o saque de mel nas colmeias.
- Pode ser uma fonte de disseminação de doenças.
- Os enxames fracos, justamente eles, ficam prejudicados, já que as abelhas das colônias fortes consomem mais alimento do que as fracas.
Os alimentadores coletivos devem ser instalados a cerca de 50 metros do apiário e a meio metro do chão. É importante colocar uma proteção em cada pé do suporte, para evitar formigas e outros animais. A proteção pode ser uma latinha com óleo ou uma garrafa pet cortada e virada de cabeça para baixo, como um funil.
Para evitar o afogamento das abelhas, deve-se colocar pedaços de pau ou de isopor, flutuando (boiando) no xarope.
Os alimentadores individuais podem ser comprados nas lojas especializadas, em diversos modelos, ou podem ser fabricados pelo próprio produtor. Deve-se preferir os que fornecem o alimento dentro da colméia, pois reduzem o saque.
Alimentador de Boardman
Instalado na entrada da colmeia, é utilizado apenas para alimentos líquidos. Consiste de um vidro emborcado sobre um suporte de madeira, parcialmente introduzido no alvado da colmeia. É um modelo muito prático, pois deixa o alimento exposto do lado de fora (não é necessário abrir a colmeia para o abastecimento). Pode, contudo, incentivar o saque.
Colméia com alimentador de Boardman.
Alimentador de cobertura ou bandeja
Consiste de uma bandeja colocada logo abaixo da tampa da colmeia, com abertura central em forma de fenda, que permite o acesso das abelhas ao alimento. No mercado, encontra-se esse modelo todo em madeira ou revestido com chapa de alumínio. Fornece alimento líquido, sólido ou pastoso. Entretanto, quando não revestido de alumínio, só pode fornecer alimentos líquidos depois de um banho de cera nas emendas, cuja finalidade é evitar vazamentos.
Colméia com alimentador de cobertura.
Uma desvantagem do alimentador de cobertura é a grande quantidade de abelhas que morrem afogadas no alimento. Os modelos com ranhuras na madeira próxima à abertura devem ser preferidos, pois essas ranhuras facilitam o retorno das abelhas para a colmeia e evitam que muitas morram afogadas.
Alimentador Doolitle ou de cocho interno
Do tamanho de um quadro de ninho ou melgueira, esse alimentador é usado dentro da colmeia, em substituição a um dos quadros. Para evitar que as abelhas morram afogadas no alimento líquido, esse modelo deve ter a parte interna rugosa para que as abelhas possam subir e sair do alimentador