Iniciação em processos apícolas

Básico em Apicultura

1 Introdução em processos apícolas

Existem muitos espécies de abelhas, mas aqui trataremos da espécie social com ferrão e que produz mel: a abelha africanizada, conhecida no meio científico como Apis mellifera, muito comum em todo o País.

Para obter sucesso na atividade, o apicultor precisa conhecer vários aspectos da vida desse tipo de abelha. Assim, pode-se tirar melhor proveito da capacidade que ela possui de produzir mel e outros produtos.

As abelhas possuem o corpo dividido em três partes: cabeça, tórax e abdome.

O veneno das abelhas

O veneno da abelha, chamado apitoxina, fica numa bolsa ligada ao ferrão. Depois da ferroada, o ferrão fica preso à vítima, e o veneno continua sendo injetado.

O ferrão deve ser retirado da vítima o mais rápido possível, raspando o local com uma faca ou canivete. Nunca se deve tentar tirar o ferrão com os dedos, pois, nesse caso, há o risco de injetar o resto do veneno.

A tolerância das pessoas à dose do veneno varia bastante. Há casos de pessoas que receberam mais de 100 ferroadas e não apresentaram sintomas graves. Entretanto, pessoas muito alérgicas podem até morrer com uma única ferroada, se não socorridas a tempo.

Organização social e desenvolvimento das abelhas africanizadas

As abelhas, da mesma forma que as formigas e as vespas são consideradas insetos sociais, ou seja, vivem em comunidade e dividem as tarefas para a sobrevivência da colônia. Elas vivem em enxames que podem estar localizados dentro de ocos de árvores, pendurados em galhos, em buracos no chão ou em pedras, cupinzeiros ou ainda instalados nos telhados de residências.

Na criação comercial de abelhas, o costume é recolher os enxames e alojá-los em caixas apropriadas chamadas colmeias

2 Os produtos das abelhas.

 

 

Os principais produtos das abelhas são:

  •  Mel.
  • Cera.
  • Própolis.
  • Pólen apícola.
  • Geléia real.
  • Apitoxina.

Mel

O mel é um alimento natural de grande valor. Contém açúcares, água, sais minerais, pequenas quantidades de vitaminas e outros nutrientes.

É produzido pelas abelhas que colhem e transformam o néctar, um líquido açucarado encontrado nas flores. Esse líquido, após algumas transformações, é depositado nos alvéolos dos favos, onde o mel amadurece, ou seja, fica pronto para o consumo. Nesse ponto, as abelhas tampam os alvéolos com uma fina camada de cera para que o mel fique protegido até que seja usado como alimento.

A cor, o gosto (sabor), o cheiro (aroma) e a consistência do mel variam com as floradas e com o clima, além de outros fatores. A manipulação do mel pelo apicultor também pode alterar suas características.

Cera

A cera produzida pelas abelhas é usada na construção dos favos e no fechamento dos alvéolos (operculação). As indústrias de produtos de beleza, de medicamentos e de velas são as principais consumidoras de cera, que também é usada nas tecelagens.

Própolis

A própolis é produzida quando as abelhas misturam a cera com a resina das plantas. Essa resina é retirada dos botões de flores, das gemas e dos cortes nas cascas.

A própolis é usada pelas abelhas para manter a colméia livre de doenças e para fechar as frestas e a entrada do ninho, o que evita correntes de ar frio durante o inverno. Atualmente, a própolis é usada principalmente pelas indústrias de produtos de beleza e de remédios. Possui efeitos cicatrizantes e é considerada um antibiótico natural.

Pólen apícola

O pólen apícola é retirado das flores e manipulado pelas abelhas, sendo depois depositado nos alvéolos. É usado para alimentar as larvas e abelhas adultas com até 18 dias de idade. Graças a seu alto valor nutritivo, é usado como alimento. É vendido seco, misturado com mel, em cápsulas ou tabletes.

Geléia real

A geléia real é produzida pelas abelhas operárias mais novas (até 15 dias de idade). Na colmeia, é usada como alimento das crias e da rainha. É rica em proteínas, água, açúcares, gorduras e vitaminas. Possui cor branco-leitosa e sabor ácido forte.

A geléia real é produzida por alguns apicultores para comercialização em estado natural, misturada com mel ou mesmo seca e em tabletes. As indústrias de produtos de beleza e de medicamentos também usam esse produto.

Apitoxina

Com o uso de técnicas apropriadas, é possível extrair o veneno das abelhas (apitoxina) e vendê-lo. Entretanto, essa atividade não é interessante para os pequenos produtores. A apitoxina é usada como medicamento no tratamento de doenças reumáticas, mas só pode ser comercializada por farmácias e drogarias.

Organização da colméia

Numa colmeia, é possível encontrar:

A rainha: Responsável pela reprodução, é a única abelha da colmeia que se acasala com os machos (zangões) e pode pôr ovos que geram fêmeas (operárias e rainhas) e zangões.

Os zangões: Machos da colmeia, cuja única função é se acasalar com a rainha.

As operárias: Realizam todo o trabalho da colmeia: coletam alimento (néctar e pólen) e água, cuidam das crias e da rainha, limpam a colméia e defendem o enxame.

Na falta da rainha, algumas operárias podem pôr ovos, mas desses ovos só nascerão zangões.

As abelhas produzem cera para a fabricação dos favos. Neles, é realizada a postura, as crias se desenvolvem e é armazenado o alimento – mel e pólen.

Cada pequena célula do favo é chamado alvéolo. Os alvéolos dos zangões são maiores que os das operárias. A rainha nasce em uma célula diferente, chamado realeira, com formato de um pequeno tubo com a abertura voltada para baixo. Lembra também o formato de um amendoim.

3 A rainha e os zangões

A rainha adulta tem quase o dobro do tamanho de uma operária.Só há uma rainha em cada colméia. Quando nasce a primeira rainha, ela destrói as outras realeiras. Se nascerem duas ou mais rainhas ao mesmo tempo, elas brigam entre si até uma delas morrer.

Uma rainha nova começa a pôr ovos depois de acasalar-se com zangões. O acasalamento ocorre cerca de 13 dias após o nascimento da rainha, em pleno vôo, a uma altura de 10 a 20 metros do chão. A rainha pode se acasalar com 8 ou até 20 zangões.

Dos ovos da rainha podem nascer tanto machos (zangões) quanto fêmeas (operárias e rainhas). A rainha pode viver até 3 anos, dependendo de uma série de fatores, mas sua postura é maior no primeiro ano de vida. Quanto maior a postura, maior a produção de mel da colônia. Por isso, recomenda-se trocar a rainha todo ano.

A rainha está sempre acompanhada por um grupo de 5 a 10 operárias, encarregadas de alimentá-la e cuidar de sua limpeza. A rainha recebe, durante toda sua vida, um alimento chamado geleia real. Os zangões são os indivíduos machos da colônia, cuja única função é acasalar com a rainha durante o vôo nupcial. As larvas dos zangões são criadas em alvéolos maiores que os das larvas de operárias. O zangão morre logo após a fecundação, mas, se ele não se acasalar com nenhuma rainha, pode viver por até 80 dias.

Desenvolvimento das abelhas

Durante sua vida, as abelhas passam por quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto. O ovo das abelhas, de cor branca, lembra um pequeno grão de arroz e é colocado “em pé”, no fundo do alvéolo. Três dias depois da postura, ocorre o nascimento da larva, que é branca e fica no fundo do alvéolo com o corpo curvado, em forma de “C”.

No final da fase larval, o alvéolo é fechado com um tampão de cera, o opérculo. Assim, diz-se que o alvéolo está operculado, ou seja, tampado com cera. A fase seguinte é a fase de pupa.

Na fase de pupa, é possível distinguir cabeça, tórax e abdome, com distinção de olhos, pernas, asas, antenas e partes da boca. O tempo de desenvolvimento, do ovo até a fase adulta, é de 19 dias para as operárias; 16 para as rainhas; e 24 para os zangões.

Os favos

O ninho das abelhas é formado pelos favos, que são formados por pequenas células com seis lados, chamadas alvéolos. Os alvéolos têm uma pequena inclinação para cima, para evitar que a larva e o mel escorram, e são construídos em dois tamanhos. Nos maiores, a rainha põe ovos de zangão; os menores podem ser usados para a criação de operárias e para armazenar o mel e o pólen.

Quando o mel está maduro, as abelhas fecham os alvéolos com uma fina camada de cera chamada de opérculo.As crias geralmente estão localizadas nas partes centrais da colmeia, de forma a facilitar o controle da temperatura pelas operárias. O centro dos favos é normalmente ocupado pelas crias, sendo os cantos inferiores e superiores usados para estocagem de alimento, pois isso facilita o trabalho das abelhas responsáveis pela alimentação das larvas

Até o terceiro dia de vida, as larvas de operárias são alimentadas com um produto chamado geléia de operária. Após esse período, passam a receber uma mistura de geléia de operária, mel e pólen.

A comunicação das abelhas

Entre as abelhas, a comunicação pode ser feita por meio de sons, substâncias químicas, tato, danças ou estímulos eletromagnéticos. A dança é um importante meio de comunicação. Por meio dela, as operárias podem informar a distância e a localização exata de uma fonte de alimento, um novo local para instalação do enxame, a necessidade de ajuda em sua higiene. Podem, além disso, impedir que a rainha destrua realeiras e, com isso, estimular a enxameação.

A comunicação das abelhas

Entre as abelhas, a comunicação pode ser feita por meio de sons, substâncias químicas, tato, danças ou estímulos eletromagnéticos. A dança é um importante meio de comunicação. Por meio dela, as operárias podem informar a distância e a localização exata de uma fonte de alimento, um novo local para instalação do enxame, a necessidade de ajuda em sua higiene. Podem, além disso, impedir que a rainha destrua realeiras e, com isso, estimular a enxameação.

Controle da temperatura

A área de cria da colmeia é mantida entre 34 °C e 35 °C. Temperaturas mais altas ou mais baixas podem provocar o aumento da mortalidade das crias ou causar defeitos físicos nas asas ou noutras partes do corpo das abelhas recém-nascidas.

As próprias abelhas percebem quando a temperatura e a umidade da colmeia não estão normais. Se precisam aquecer as colmeias, as abelhas começam a abanar as asas com movimentos rápidos e espalham gotas de água pelos favos.

Para aumentar a temperatura do interior do ninho em períodos frios, as abelhas se aglomeram em cachos e vibram o corpo, gerando calor.