Manejo das abelhas
Básico em Apicultura
1 Comunicação entre as abelhas
As abelhas se comunicam de duas maneiras: por meios químicos, através de feromônios, e através de danças. Um tipo de feromônio marca a vitima após o ataque. As operárias são capazes de avisar onde é a entrada da colmeia em caso de mudança de local e a presença da rainha é notada pelo seu cheiro característico, que para o homem é imperceptível.
Além dessa forma de se comunicar, as abelhas utilizam as danças. É por meio delas que as campeiras recrutam outras para explorar uma determinada fonte de alimento, informando distância e direção para as abelhas que assistem à dança. Depois de dançar, elas dão uma pequena quantidade do alimento achado para as outras sentirem o sabor e o cheiro que ajudará na localização da fonte.
Existem vários tipos de danças, mas as duas principais são a dança circular e a dança do requebrado.
Materiais apícolas e segurança no trabalho
Vestimentas: O apicultor de hoje tem que usar roupa apropriada para sua proteção e segurança, mas, no passado, era possível trabalhar com as abelhas sem a roupa apropriada. Depois da africanização das abelhas no Brasil, isso não é mais possível. Os componentes da vestimenta são considerados equipamentos de proteção individual (EPI) e não se deve ir ao apiário sem todos os componentes da vestimenta e o fumigador.,
Macacão: Pode ser feito de brim, nylon ou tela de poliamida. Cobre todo o corpo e pode ter a máscara acoplada.
Jaleco e calça: O mesmo que o macacão, porém, dividido ao meio.
Máscara: Feita de tela e tecido, protege o rosto de ferroadas. Dependendo do modelo da máscara, pode ser necessário o uso de um chapéu de aba dupla.
Luva : A ideal é a de borracha sintética para proteger as mãos; não use luvas grossas, se não quiser levar ferroadas na mão. Use por baixo da luva de borracha outra luva de algodão (a luva de algodão parece que é feita de barbante fino).
Bota: É essencial usar botas brancas de borracha; não use tênis ou botas pretas, pois as abelhas ficam mais agressivas e atacam essa região.
Equipamentos, utensílios e outros
Fumigador: O principal equipamento do apicultor e o mais importante. Em nenhuma hipótese o apicultor deve ir ao apiário sem ele, e mesmo que não vá abrir colmeias, ele deve ser levado e estar preparado para uma emergência (carregado e aceso).
Sua função é produzir fumaça, que deve ser aplicada fria e branca, pois a fumaça diminui a agressividade da abelha. O enxame fica alerta por achar que há fogo se aproximando da colmeia e as abelhas tomam mel para uma possível fuga, o que as impede de ferroar.
Serragem: Material para combustão no fumigador. A melhor serragem para esse fim é a de madeira clara e que não tem cheiro forte. Deve estar seca e deve ser levada para o apiário em um saco para reabastecimento do fumigador se for necessário. A serragem deve ser grossa, parecida com lasquinhas de madeira. Pode-se usar, ainda, casca de café, de melhor efeito do que a serragem.
Jornal e fósforo: Para acender o fumigador, usam-se duas folhas de jornal amassadas e fósforo ou isqueiro.
Formão: Ferramenta em forma de “L” com as extremidades afiadas, usada para abrir as colmeias, retirar os quadros e raspar a própolis. Dependendo do trabalho a ser feito, outros acessórios e utensílios podem ser usados, como sacos plásticos, faca, bandeja, elásticos, fita gomada etc.
A colmeia
A colmeia padrão usada internacionalmente é a Langstroth e recomenda-se comprar as colmeias de fornecedor idôneo, acostumado a fazer colmeias; se possível, comprar sempre no mesmo local para evitar diferenças de medidas. Lembre-se: um milímetro de erro nas medidas da colmeia pode tornar o manejo impossível.
Recomenda-se, em especial, adquirir colmeias feitas de madeira de reflorestamento e que sejam parafinadas, para ter longa duração. A colmeia é formada por fundo, onde está o alvado (parte aberta para entrada das abelhas, campo de pouso); ninho, onde ficam os quadros de cria; melgueira, que tem a metade do tamanho do ninho em altura; tampa; e quadros, que são 10 para o ninho e 10 para cada melgueira.
Acessórios
Tela excluidora: Feita para impedir que a rainha suba para pôr ovos nos quadros da melgueira.
Apanha abelhas: Tela colocada no alvado para impedir que as abelhas saiam, mas que permite a entrada pelo escape invertido.
Tela de transporte: Que substitui a tampa na hora de transportar a colmeia, possibilitando a respiração das abelhas e impedindo o aumento da temperatura interna.
Redutor de alvado: Sarrafo de madeira colocado no alvado com o objetivo de diminuir a abertura.
Núcleo de desenvolvimento, captura e fecundação: Pequena colmeia formada pela metade de uma colmeia normal, ou seja, com cinco quadros. É usada para capturar enxames voadores, enxames pequenos ou ainda para fecundar rainhas virgens.
Alimentadores: Existem vários tipos de alimentadores individuais de alvado ou internos e coletivos para alimento líquido ou sólido. Os mais conhecidos e mais usados são o Bordman e o ABS, para alimentos líquidos.
Coletor de pólen: Tela usada no alvado, substituindo o fundo ou melgueira, para coletar pólen. Ao passarem, as abelhas raspam o pólen, que cai na bandeja abaixo.
Melgueira para produção de própolis: Parecida com a melgueira comum, porém tem janelas laterais de 2 a 3cm de altura, que as abelhas enchem de própolis.
Cera alveolada: Folhas de cera feitas da própria cera das abelhas. Têm o tamanho do quadro. Nunca economize cera alveolada, pois ela propicia aumento de produção de até 50%. Para cada quilo de cera produzida, as abelhas gastam de 5 a 7 quilos de mel.
Limpador de ranhuras : serve para limpar a ranhura dos quadros, local onde a cera alveolada encaixa.
Incrustador elétrico: É uma resistência que, ao se colocarem os polos no fio de arame, aquece e adere a cera no arame. A cera é colocada no quadro já aramado com a ajuda do incrustador elétrico ou carretilha.
Caneco soldador: Usado para derreter pequena quantidade de cera virgem para fixar a cera alveolada nas ranhuras do quadro.
2 Preparação da colmeia para uso
Se o material adquirido for parafinado, não será preciso pintar a colmeia. Caso contrário, é necessário pintar com tinta branca, amarela ou azul. Mas somente a parte externa; não pintar a área de pouso do alvado. A melhor opção é pintar de amarelo, devido à facilidade de camuflar com o ambiente e impedir a localização e o roubo.
Os quadros devem ser pregados e amarrados com arame número 24 em todos os furos e as pontas do arame devem ser amarradas e não pregadas para facilitar a sua troca no caso de arrebentar.
Equipamentos para a coleta de mel
Bandeja receptora: Encaixa na parte de baixo da melgueira para que esta não fique diretamente no chão. Pode ser substituída por uma tampa de colmeia.
Garfo desoperculador: Garfo com 21 dentes pontudos e compridos que serve para desopercular os quadros e para retirar a tampinha que fecha os alvéolos de mel, chamada de opérculo. Para a mesma operação, pode ser usada uma faca desoperculadora.
Centrífuga: Máquina cilíndrica que recebe os quadros e opera com rotação. O mel é extraído por centrifugação, deixando os favos vazios e sem danificá-los. Existem modelos manuais ou motorizados. Devem ser de inox ou material autorizado pelo Ministério da Agricultura.
Balde: De plástico atóxico ou inox para receber o mel da centrífuga e despejar no decantador.
Peneira ou coador: Para filtrar o mel e retirar todo tipo de impureza. A mais eficiente é a meia elástica feminina, encaixada em um coador de leite sem a tela. Depois de usada para coar, deve ser descartada.
Decantadores: Tanques de inox ou plástico utilizados para deixar o mel descansar e as impurezas e as bolhas de ar subirem. Os decantadores possuem torneiras na parte inferior para escoar o mel, que será transferido para os baldes de transporte ou envazado diretamente para a venda.
Derretedor de cera a vapor: Panela usada para derreter cera escura que, posteriormente, na forma de blocos, será trocada por cera alveolada.
Vestimenta para manipulação do mel
Todo o material de manipulação do mel deve respeitar padrões rígidos de limpeza. Com a roupa do manipulador não pode ser diferente. Para manipular o mel é essencial que a pessoa esteja com as unhas curtas e de banho tomado. É aconselhável o uso de avental, luvas cirúrgicas, touca e máscara para não contaminar o mel.
Instalação do apiário
O apiário é o local onde vão ficar reunidas as colmeias. A escolha do local é fator primordial para o sucesso da atividade. O apiário deve estar no mínimo a 300 metros de qualquer atividade ou construção a fim de evitar acidentes. A água deve estar próxima, ter fácil acesso, e o local ideal não pode ter sol nem sombra em excesso.
É muito difícil reunir todas essas qualidades, porém deve-se analisar o máximo possível o local e lembrar de alguns detalhes: um enxame grande pode consumir até 5 litros de água por dia e as melgueiras de mel pesam muito e você não aguentará carregar todo o material. Portanto, o carro deve entrar no apiário ou encostar ao lado.
As abelhas precisam de alimentos em quantidade e qualidade, e voam até 3km de raio a procura de alimentos. Lembre-se: quanto mais alimentos, mais mel, mais pólen e mais própolis.
Coloque o apiário em local que impeça o roubo, comum em algumas regiões.
Se possível, coloque as colmeias com o alvado voltado para o nascente, de maneira que os primeiros raios de sol entrem e as desperte bem cedo. Evite locais com ventos fortes, pois os ventos atrapalham o vôo e prejudicam o aquecimento da colmeia.
A existência de outro apiário num raio de 3km também prejudica a produção. Se a florada não for muito farta, a produção será dividida entre as colmeias. Manter o apiário capinado ou roçado e livre de galhos e folhas é essencial para evitar o ataque de formigas e outros inimigos das abelhas.
Não é recomendável cercar o apiário, e se houver gado no local, não há problemas. Coloque as colmeias distantes uns 3 metros umas das outras para permitir a passagem entre elas. No início, algum animal poderá levar uma ou duas picadas, mas vão fugir e vão se respeitar. Os animais sabem seus limites, mas se, ao contrário, o local for cercado, um animal pode conseguir entrar e, se for picado, na hora do desespero poderá não encontrar saída e morrer de tanta picada. Pastos de vacas ou outros animais leiteiros devem ser evitados, porque as picadas causam infecções no peito dos animais.
Todos os passos iniciais tomados? É hora de povoar o apiário. Existem três maneiras de se iniciar o apiário: a primeira é comprar enxames; a segunda é montar caixas iscas e aguardar os enxames pousarem; a terceira opção é capturar enxames pousados recentemente em algum lugar ou transferir de locais já instalados, podendo estar em cupinzeiros, assoalhos, forros, em árvores, etc.
Para usar os enxames recém-pousados, basta sacudi-los dentro da caixa com quadros com fitinha de cera alveolada de uns 4 cm. A fitinha de cera nesta fase é importante para os favos ficarem retos no quadro e não pode ser lâmina inteira porque os enxames não entram em caixas com pouco espaço. Transporte para o local definitivo e, se for possível, retire pelo menos dois quadros de cria, sendo um quadro de cria aberta e outro de cria fechada e coloque no enxame recém-capturado. Esse procedimento vai aumentar as chances de sucesso.
Nos enxames fixos, é necessário transferir os favos construídos para a caixa. Os favos devem ser fixados na mesma posição que estavam na posição original. Basta cortar o favo na parte superior e fixar nos quadros sem arame, com a ajuda de elástico de prender dinheiro.
Se necessário, corte na parte de baixo para ajustar ao tamanho do quadro. Se couberem dois favos, um do lado do outro, pode-se colocar e prender juntos. Depois de retirar todos os quadros, transfira as abelhas que normalmente se aglomeram em algum local próximo.
Quando a maioria estiver dentro da caixa, possivelmente a rainha e as outras entrarão sozinhas. Entrando todas, feche a caixa com a ajuda de uma fita de espuma e substitua a tampa por uma tela de transporte, levando a caixa para o local definitivo.
Os favos devem ser manipulados com cuidado, pois são sensíveis e possuem crias em seu interior. Quando for fazer a captura de enxames leve sempre faca, sacolas, elásticos de dinheiro, corda e outros materiais que julgar necessário. O ideal é conhecer o local antes de ir fazer a captura.
Na operação de transferência, tenha calma, use pouca fumaça e dê preferência ao período da tarde, logo após o almoço. Assim terá bastante tempo e, ao entardecer, o trabalho terá acabado. Além disso, as abelhas acalmam com a chegada da noite, momento ideal para o transporte para o local definitivo se tudo tiver dado certo. Se não, e houver possibilidade, deixe o enxame por alguns dias no local da captura.
Lembre-se: é normal perder alguns enxames durante ou após a captura, mas não desanime e tente novamente. Evite abrir o enxame por uns 10 dias e, se for época de escassez de alimentos, alimente-as.
3 Manejo das abelhas
O manejo correto do apiário é requisito importante para o sucesso da atividade apícola. Dele dependerão os bons resultados do trabalho, no que se refere à quantidade e à qualidade do produto final. Parece ser muito fácil manipular uma colmeia, mas, na verdade, são necessários alguns cuidados, porque, no momento em que se abre a colmeia, está se intervindo no trabalho de milhares de abelhas e acionando seres vivos com um eficiente sistema de defesa. Por isso, alguns procedimentos básicos devem ser adotados pelo apicultor, como:
- Nunca trabalhar na frente da colmeia e sim por trás ou de lado;
- Não trabalhar com abelhas quando estiver com excesso de suor ou cheiro forte e, menos ainda, com cheiro de álcool;
- Preferencialmente, trabalhar com abelhas no período em que a maior parte delas estiver no campo, na parte da manhã ou à tarde;
- Sempre que trabalhar com as colmeias, use a roupa de apicultor; nunca vista roupas escuras, pois irritam as abelhas;
- Não colocar fumaça em excesso;
- Não trabalhar em dia de chuva;
- Não mexer nas colmeias continuamente;
- Nunca passar mais de 5 minutos trabalhando numa colmeia, salvo quando da extração de mel;
- Nunca usar no fumigador material tóxico, como óleo, querosene, bucha com graxa, fumo etc.