MANUAL DE Administração de Agronegócios
Gestão de Agronegócios
1 Introdução ao Agronegócios:
Administração de Agronegócios:
Um aspecto fundamental para a contextualização contemporânea do agronegócio, está associado à maneira pela qual sua gestão tem incorporado diversas práticas tradicionalmente relacionadas a organizações industriais, comerciais e prestadoras de serviços tipicamente urbanas. Esta dinâmica encontra até na terminologia adotada para representar estas organizações agropecuárias como simbologia distinta daquelas anteriormente denominadas como empresas rurais. Trabalhando ativamente na busca de alternativas tecnológicas que viabilizem o desenvolvimento sustentável do produtor/ administrador rural, em sua estrutura física e humana de pesquisa, seja a instalada na própria região, como também a localizada no restante do Estado.
Para um melhor entendimento e um melhor aproveitamento do tema abordado, é necessário o planejamento, a organização, a direção e o controle de todos os recursos disponíveis, compreendendo a utilização dos recursos naturais e tecnológicos existente, com o objetivo de produzir o máximo possível e com o menor custo. Essas mudanças são profundas, passando de um modelo produtivo baseado em intervenção governamental para outro modelo de economia globalizada em que a livre iniciativa ocupa espaço. Mudanças significativas estão ocorrendo na ordem econômica mundial. Elas trazem conseqüências importantes para os setores produtivos, principalmente para a agricultura. E o governo deixa de ser o estimulador do setor.
Logo, no novo cenário internacional, é preciso aumentar a eficiência, tanto na área tecnológica quanto na gestão das atividades agrícolas. É importante saber produzir, mas é preciso também conhecer as técnicas de negociação para a compra e venda de insumos e produtos, as relações trabalhistas, os problemas fiscais e tributários, enfim, as questões que envolvem a gestão administrativa e financeira da propriedade rural. Aumentar a capacidade gerencial do produtor é o objetivo desta disciplina. Diante desta nova realidade, que se caracteriza por mudanças significativas para todos, é muito importante que cada produtor reflita sobre as mudanças e adote o melhor comportamento possível para conduzir as suas atividades.
Em muitos lugares (e/ou países) nem mesmo o fenômeno da agricultura se esgotou e já se está implantando a industrialização, com as naturais complicações advindas deste salto tecnológico (espanto, surpresa, alienação, sentimento de perda de liberdade, desagregação social e familiar, entre outros). O administrador rural é o profissional que aplica os seus conhecimentos sobre administração ao mercado de agribusiness*. Assim, o curso de Administração de Agronegócios universitário assegurar a formação ideal para que se desenvolvam as funções básicas desta profissão: pesquisar o mercado, planejar as ações, administrar processo de fabricação comercialização dos produtos agropecuários.
AGRIBUSINESS =
“É a soma total de todas as operações envolvidas na manufatura e distribuição de produtos agrícolas, desde as operações de produção nas fazendas, e armazenagem, o processamento e a distribuição dos produtos agrícolas e dos itens produzidos a partir deles”. (Davis & Goldberg, Harvard)
2 Introdução à Empresa Rural:
As atividades rurais são também conhecidas na terminologia de agropecuárias, são exercidas das mais variadas formas, desde o cultivo caseiro para a própria subsistência ou extrativistas até os grandes complexos industriais, explorando os setores agrícolas, pecuários e agroindústrias, sendo que quase todas as tarefas necessárias eram desempenhadas em seu âmbito interno. A evolução das dinâmicas sociais, tecnológicas e econômicas alterou de maneira significativa, os padrões e referenciais técnicos, comerciais e organizacionais das empresas rurais. De acordo com Marion, classicamente, as empresas rurais são definidas como aquelas que exploram a capacidade produtiva do solo através do cultivo da terra, da criação de animais e da transformação de determinados produtos agrícolas. Essas empresas podem explorar três categorias diferentes de atividades, que são:
- Atividades Agrícolas;
- Atividades Zootécnicas; e
- Atividades Agroindustriais.
Estas referências tradicionais vinculam as empresas rurais à divisão das atividades econômicas em três setores convencionais, a saber:
- Setor primário (agricultura, atividades extrativas);
- Setor secundário (indústria de transformação); e
- Setor terciário (serviços em geral).
A agricultura, em seu processo de modernização, absorveu e incorporou muitos avanços tecnológicos. Afinal, mesmo sendo uma atividade anterior a indústria, que lentamente avançou, sempre houve necessidade de se obter mais produtividade. Assim, pode-se dizer que a agricultura representa toda a atividade de exploração da terra, sejam elas culturas hortícolas, forrageiras e arboricultoras, e está sujeita as limitações pela natureza, como clima, grandes distâncias, incertezas, ciclos biológicos, política de preços, perecimento de estoques, etc. E se caracterizou por três idades tecnológicas, os quais citam:
a) A era Mecânica: Os ganhos de produtividade acontecem pelo uso intensivo de máquinas e equipamentos;
b) A era Química: Onde estes ganhos de produtividade passaram a ser obtido pela incorporação de fertilizantes, defensivos, inseticidas; e
c) A era Biotecnológica: Novos avanços foram conseguidos com atuação no campo da genética e do equilíbrio e harmonia ecológica, controle biológico, transgênicos, etc.
As atividades zootécnicas abrangem as atividades direcionadas na arte da criação e tratamento de animais (zootecnia). Estudo científico da criação e aperfeiçoamento dos animais domésticos: Tais como:
a) Apicultura (criação de abelhas);
b) Avicultura (criação de aves);
c) Cunicultura (criação de coelhos);
d) Pecuária (criação de gado);
e) Piscicultura (criação de peixes);
f) Ranicultura (criação de rãs); e
g) Sericicultura (bicho da seda), etc.
A pecuária é a arte ou o conjunto de processos técnicos usados na domesticação e produção de animais com objetivos econômicos, feita a campo. Também conhecida com criação animal, a prática de produzir e reproduzir gado é uma habilidade vital para muitos agricultores. Através da atividade pecuária, os seres humanos atendem à maior parte de suas necessidades de proteínas animais (com uma pequena parte sendo satisfeita pela pesca e pela caça). A carne (bovina, bubalina, de aves, etc), ovos, leite e mel são os principais produtos alimentares oriundos da atividade zootecnia. Couro, lã e seda são exemplos de fibras usados na indústria de vestimentas e calçados. O couro também é extensivamente usado na indústria de mobiliário e de automóveis. Alguns povos usam a força animal de bovídeos e eqüídeos para a realização de trabalho(s).
No setor agroindustrial, são as atividades que englobam o beneficiamento e transformação de produtos, quer agrícolas, zootécnicos de forma direta, cooperativa, etc., adoção das inovações tecnológicas vem acelerando esta evolução através de:
a) Processos de mecanização em constante evolução;
b) Uso de adubos químicos e defensivos;
c) Adoção de sementes melhoradas;
d) Novos sistemas de manejo e alimentação;
e) Intervenção nos tratos reprodutivos e genéticos (vegetal e animal);
f) Execução das várias operações produtivas para obtenção do produto;
g) Colocação no mercado dos produtos e subprodutos obtidos; e
h) Outros.
Vale destacar que o termo “AGROINDÚSTRIA” não deve ser confundido com o termo “Complexo Agroindustrial” ou “Agribusiness”. O primeiro está contido no segundo.
Negócios agropecuários ou Agr ibusiness deve-se entender toda cadeia produtiva, antes e depois da “porteira da fazenda” e concentrado nas atividades de “dentro da porteira”. Estão também incluídos no agribusiness todos os serviços financeiros, de transporte, classificação, armazenamento, marketing, seguros, bolsas de mercadorias, entre outros.
Apesar de seu uso recente no Brasil, o termo agribusiness aparece pela primeira vez publicado em 1957, na Universidade de Harvard, quando os professores John Davis e Ray Goldberg realizaram um estudo na matriz insumo-produto e formalizaram o conceito. Ele é a soma das operações de produção e distribuição de suprimentos (insumos, máquinas, equipamentos), das operações de produção nas unidades agrícolas, do armazenamento, do processamento e distribuição dos produtos e itens produzidos a partir deles.
Analisando esta definição, percebemos que, respeitadas as diferenças tecnológicas, a maioria destas atividades está incorporada ao termo agricultura descrito anteriormente e que, com a já citada especificidade tecnológica e, conseqüentemente, gerando especialização, saem da alçada do termo ao longo do tempo.
3 Caracterização e Definição de Empresa Rural:
A unidade de Produção:
Unidade de produção rural é a área de terra onde se realiza a produção agropecuária. Desde que haja a produção de um bem, o local onde ele é produzido, composto de terra, máquinas, equipamentos, mão-de-obra, insumos, etc., é considerada uma unidade de produção. Cada unidade de produção exige uma infra-estrutura específica, dificultando ao produtor mudar de ramo por questões conjunturais. Logo, a infra-estrutura existente é um dos principais fatores que inibem a mudança das atividades. Poucas são as empresas que produzem e comercializam máquinas, implementos, agrotóxicos, fertilizantes, rações e medicamentos. Elas atuam em sistema por vezes, de oligopólio, o que lhes permite aumentar o seu poder de barganha e estabelecer o preço “básico” no mercado.
Por outro lado, poucas empresas compram a produção agrícola (frigoríficos, indústrias de óleo, de farinha). Elas atuam de forma que podem determinar os preços “teto” no mercado. Comumente as unidades de produção podem ser chamadas de fazenda, sítio, granja, propriedade rural, outros nomes regionais (roça, estância, pousada, rancho, retiro, etc.), que abrange as terras em parcerias, arrendamento e posse. Este conceito não se restringe ao aspecto formal da propriedade legal em terra, mas abrange também áreas sob o sistema de parceria, estudos realizados nos últimos anos permitem classificar em cinco tipos básicos de economia no Brasil: São Latifúndios, Empresas Capitalistas, Agro-Silvo-Pastoris, Empresa Familiar e Unidade Camponesa.
LATIFÚNDIO:
É uma unidade de produção que apresenta as seguintes características: Baixo nível de capital de exploração, sendo este entendido aqui como baixo valor do Capital permanente, ou seja, o valor da terra, das culturas permanentes, das benfeitorias e melhoramentos, máquinas, veículos, equipamentos e utensílios, dos animais de trabalho, e de produção. Contudo o valor do capital circulante empregado é grande, investindo na atividade o dinheiro para o pagamento de salários, aquisições de insumos em geral, pagamentos de fretes, taxas, impostos, energia, combustíveis, etc.
Com relação à comercialização, o latifúndio pode ter uma grande participação no mercado, isto é, grande parte do que é produzida destina-se à venda, mantendose, no entanto, uma parte da produção para consumo dos parceiros. A relação social de produção, na maioria das vezes, acontece em forma original, com a força do trabalho formada basicamente de trabalhadores que não são remunerados exclusivamente em dinheiro, a exemplo de parceiros e arrendatários. De modo Geral é uma unidade especializada, ou possui poucas linhas de exploração, e tem área multi-modular, composta de grande quantidade de módulos regionais.
EX: Grandes grupos, Grandes empresários, etc.
EMPRESA CAPITALISTA:
Apresenta as seguintes características: É uma unidade de produção com elevado nível de capital de exploração, com alto grau de comercialização, o que explica as naturezas intensivas de sua produção, que visa o mercado. É uma unidade de produção especializada que visa lucro persistente. Numa empresa desse tipo, as relações sociais de produção são capitalistas, isto é, a força de trabalho é formada de trabalhadores assalariados, permanentes ou temporários. Finalmente, constitui uma (ou várias) unidade(s) de produção profissionalmente especializada em conceitos dinâmicos (modernos) ou com poucas linhas de exploração, muitas vezes complementares, e tem áreas até multi-modulares. Franco reforça apontando que, para obter os lucros na empresa rural, predominam os aspectos de natureza econômica.
EX: Cooperativas, Usinas, Grandes Fazendas, etc.
EMPRESA AGRO-SILVO-PASTORIS:
Constitui uma unidade de produção de caráter especializada ou com poucas linhas de exploração, no entanto (eventualmente rústicos), caracteriza-se pelo cultivo do solo e da criação de animais. A unidade agro-silvo-pastoris pode ser de subsistência ou ter caráter comercial, especializando-se em algum produto para exportação ou para o mercado interno. Segundo Valle, o empreendedor agrário pode combinar com a sua capacidade de dirigente, para obter o máximo resultado líquido do empreendimento. É uma empresa com alto grau de comercialização, uma vez que sua produção visa o mercado. Couffin acrescenta que a experiência demonstra que a capacidade de dirigir não é proporcional à dimensão da empresa, mas depende da mentalidade do empresário. As relações sociais de produção são formadas pela força de trabalho assalariados e por membros da família.
EMPRESA FAMILIAR:
Unidade de produção com elevado nível de capital de exploração. Possui incentivos do governo e de instituições de crédito para contratação de empréstimos nesse tipo de empresa, sendo que as relações sociais de produção são caracterizadas pela predominância do trabalho não remunerado, realizado pelos membros da família. Uma empresa familiar caracterizando-se quase sempre por possuir um alto grau de comercialização, uma produção geralmente especializada (quando a atividade principal é a agrícola), com poucas linhas de exploração (as criações de gado ou de outras espécies de animais), e uma área modular, do tamanho aproximado do módulo regional.
EX: Produtor feirante, fornece as quitandas e mercearias.
UNIDADE CAMPONESA:
Neste tipo de unidade de produção, vamos encontrar, basicamente, um baixo nível de capital de exploração. Aqui, as relações sociais de produção caracterizam-se pela predominante familiar. Numa unidade camponesa, o grau de comercialização tende a ser baixo, pois produz essencialmente, o que será consumido pela família. O produto comercializado geralmente é sobra da subsistência. Muitas vezes essa sobra é resultado do subconsumo ou representa o subtrabalho da família. Em alguns casos, a subsistência é complementada pelo trabalho fora da unidade de produção e, na maioria das vezes, nas empresas capitalistas. Por fim, é uma unidade de produção diversificada e possui área modular caracterizada como minifúndio (pequena propriedade rural).
EX: Venda de porta em porta direto ao consumidor
4 Objetivos da Empresa Rural:
São aquelas que exploram a capacidade produtiva do solo através do cultivo da terra, da criação de animais e de transformação de determinados produtos agrícolas. Contudo, é preciso ficar claro que são as quantidades demandadas e as ofertadas que dependem dos preços e não o contrário. A demanda é uma função decrescente com preços, enquanto a oferta é, geralmente, crescente, sobretudo em mercados agrícolas.
ATIVIDADE AGRÍCOLA:
A agricultura é um negócio, que deve ser lucrativo. Significa um processo evolucionário, pelo quais as forças econômicas que influenciam os setores industriais tradicionais passam a ser semelhantes às forças que influenciam os setores de produção, processamento e distribuição de alimentos. O produto agrícola ou agropecuário tradicional possui uma série de características. Com o avanço das tecnologias agrícolas, contudo, principalmente a irrigação, melhoramentos genéticos, transportes, acondicionamento e refrigeração, observam-se que praticamente todas as antigas características tipicamente associadas aos produtos agrícolas passam a ser menos evidentes atualmente.
Os produtos agrícolas, em geral, não podem ser estocados por muito tempo. Em alguns casos, o consumo final deve ser feito imediatamente após a produção. Se a competitividade não acontecer entre produtores, certamente acontece entre nações, que disputam os mercados compradores, oferecendo produtos de qualidade a preços interessantes.
- CULTURAS AGRÍCOLAS (HORTÍCOLAS) E FORRAGEIRAS: Cereais (feijão, soja), Hortaliças (verduras, tomates), Tubérculos (batata, mandioca), Plantas Oleaginosas (mamonas, amendoim), Especiarias (cravo, canela), Fibras (algodão, rami), Floricultura (forragens, plantas industriais).
- ARBORICULTURA: Florestamentos (eucalipto, pinho), Pomares (manga, laranja), Vinhedos (olivais, seringueiras).
ATIVIDADE ZOOTÉCNICA:
As atividades de zootécnica vêm acontecendo nos últimos anos, desde a adoção das inovações tecnológicas que vem acelerando esta evolução, como novos sistemas de manejo e alimentação, intervenção nos tratos reprodutivos e na genética, e importação de outros países de novos reprodutores. Apicultura (criação de abelhas), Avicultura (criação de aves), Cunicultura (de coelho), Pecuária (de gado), Piscicultura (de peixe), Ranicultura (de rãs), Sericultura (bicho da seda), Estrutiocultura (criação de avestruz), etc.
ATIVIDADE(s) AGROINDUSTRIAIS:
A produção industrial visa atender ao consumo, e entre estes dois pontos há o tempo. A produção agroindustrial sedimenta o vínculo entre a produção e o consumo ao longo da cadeia alimentar, ao envolver as atividades ligadas à manipulação, processamento, preservação, armazenamento e distribuição de produtos.
- Beneficiamento de produtos agrícolas (arroz, café, milho, etc.).
- Transformação de produtos zootécnicos (mel, lacticínios, casulos, etc.)
- Transformação de produtos agrícolas cana em: (açúcar/pinga/álcool) soja em: óleo, uva em: (vinho/vinagre/sucos), e moagem de trigo e do milho.
5 Recursos, Tipos e Tendências da Administração de Agronegócios
O empresário rural deve conhecer sua propriedade ter plenos conhecimentos do seu dimensionamento e localização, sua capacidade de uso e de seu solo, aparelhamento que poderá dispor (próprio ou alugado), objetivos da exploração e tendências de mercado, recursos financeiros que poderá dispor e principalmente disposição e vontade.
FORMA DE EXPLORAÇÃO AGROPECUÁRIA:
Exercem atividades rurais:
a. Pessoa Física: Que é a pessoa natural, e todo o ser humano, e todo o indivíduo ente sujeito de direito. A existência da pessoa física termina com a morte. b. Pessoa Jurídica: É a união de indivíduos que, através de trato reconhecido por lei, formam uma nova pessoa, com personalidade distinta da de seus membros. Pode ter fim lucrativo ou não.
OBS: No Brasil prevalece a exploração na forma da pessoa física, por ser menos onerosa que a pessoa jurídica.
ESTRUTURA DE UMA EMPRESA RURAL:
Empresa, de forma genérica, “é o organismo econômico e social que reunindo terra, capital, trabalho e administração, se propõe a produzir bens ou serviços na expectativa de lucros”. De forma genérica, esta conceituação apresenta, dentre outras, algumas palavras chaves importantes: “Organismo econômico e social” e “Expectativa de lucros”. A empresa rural, portanto, é uma unidade de produção que possui elevado nível de capital de exploração e alto grau de comercialização, tendo como objetivos técnicos à sobrevivência, o crescimento e a busca do lucro.
Os chamados fatores de produção são todos os recursos necessários para a capacidade produtiva: capital, trabalho e matérias-primas, podendo-se acrescentar ainda o capital humano, gerado e aprimorado pela educação. Para o setor agropecuário, existem várias conceituações possíveis de empresa rural, não havendo, porem, uma que seja universalmente aceita. Tecnicamente relacionado à empresa rural está o empresário rural, administrador rural, e os produtores rurais, cuja administração da propriedade é um esforço coletivo dos proprietários, técnicos e funcionários, através do qual se tenta atingir uma meta previamente estabelecida, balanceando o potencial de produção da propriedade, o nível de investimento a ser efetuado, a valorização e o resultado econômico das atividades desenvolvidas
O EMPRESÁRIO RURAL:
Interiormente relacionado à empresa rural está o empresário rural, que é a pessoa encarregada de tomar as decisões. Entre suas diversas funções, cabe ao empresário rural decidir sobre os aspectos internos da empresa, por exemplo, como e que mercado vender seus produtos. De forma geral a empresa rural exige a tomada decisão, a implementação dessas decisões e seu controle, tanto no que se refere às condições internas quanto ao seu ambiente externo. De forma jurídico-trabalhista empregador rural é a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que explore atividade agroeconômica, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou através de prepostos com auxílio de empregados.
O EMPREGADO RURAL E TRABALHADORES RURAIS:
Empregado Rural: É toda a pessoa que trabalha para o empregador rural, de forma contínua, mediante salário, desde que tenha finalidade econômica. Todavia à chácara de lazer, o trabalhador é doméstico (caseiro), pois não existe atividade econômica. O agronegócio é um grande absorvedor de mão-de-obra no Brasil e no mundo, tendo pessoas qualificadas, semiqualificadas e, muitas, quase sem qualificação alguma. São exemplos de empregados rurais: retireiros, peões, campeiros, administradores, colonos, safristas, trabalhadores braçais, outros (trabalhadores rurais como empregados que prestam serviços em escritórios, veterinários, agrônomos, portadores de títulos universitários, pilotos de aeronaves, tratoristas, vigias, mecânicos, pedreiros, eletricistas, etc.), que embora não exercendo funções de natureza rural, são considerados rurais. Para haver vínculo empregatício entre patrão e empregado, é preciso que haja os seguintes requisitos:
- Pessoalidade: somente pode ser empregada pessoa física.
- Habitualidade: haver certa habitualidade na prestação de serviços, se presta serviços esporádicos (eventuais) não pode ser considerado empregado.
- Subordinação: deve estar subordinado às normas internas e às ordens de outrem.
- Salário: para ser considerado empregado, deve ter ajustado, quando de sua admissão, que pode ser por hora, dia, semana, quinzena, mês, por peça, tarefa, comissão, etc.
Trabalhador rural: É o gênero de trabalhadores que presta serviços de natureza rural ao empregador ou empresa rurais. São aqueles que exercem atividades tipicamente rurais, tais como: capinar, limpar pastos, retirar leite, cuidar de gado, etc
São exemplos de trabalhadores rurais, porém excluídos da lei rural, que caracteriza como empregado rural:
- Arrendatários (Aquele que toma de arrendamento),
- Autônomos (que se realiza sem intervenção de forças ou agentes externos),
- Avulso (Separado, isolado, insulado, volante),
- Bóia-fria (Trabalhador agrícola que se desloca diariamente para propriedade rural, para executar tarefas sob empreitada.),
- Domésticos (Empregado que executa o serviço doméstico; empregado, criado),
- Empregados de mineração (Pessoa física que presta serviços de caráter não eventual a um empregador, sob a dependência dele e mediante salário),
- Empreiteiros (Que ajusta obras de empreitada; trabalho ajustado para pagamento global, e não há dias.),
- Eventual (Que depende de acontecimento incerto; casual, aleatório, acidental),
- Meeiros (Aquele que planta em terreno alheio, repartindo o resultado das plantações com o dono das terras),
- Oleiros (Ceramista; aquele que trabalha em olaria),
- Parceiros (Aquele que está de parceria; camarada, quinhoeiro, sócio),
- Temporários (Cargo temporário; provisório, interino, temporâneo),
- Trabalhadores parentes (Indivíduo que exerce habitualmente, sem qualquer vínculo empregatício, atividade profissional remunerada), etc.
Administração Agronegócios em Relação a Outras Disciplinas:
Utiliza-se de conhecimento básico fornecido pela Economia Rural e outras Ciências Sociais, de conhecimentos técnicos tais como:
- Agronomia;
- Zootecnia;
- Engenharia Rural.
A administração é uma prática e não uma ciência, portanto, de onde vem o conhecimento em administração, ele é oriundo em sua maior parte das seguintes fontes:
- Pesquisas sistemáticas: (pesquisa experimental, em laboratório, no campo, pesquisa não experimental (estudos de campo), quantitativa e qualitativa);
- Conhecimento experiencial: (observação dos fenômenos administrativos) de pesquisadores, executivos e professores de administração; e
- Práticas empresariais: (prática nas empresas, através de novas fórmulas de trabalho, pesquisa de melhorias, estruturando a busca e o refino de informações, tentando novos projetos, novas formas de análise de seu desempenho e de seus processos).
Não se esquecendo de outros campos da administração, tais como:
- Administração de Materiais;
- Vendas;
- Financeira;
- Gestão de Pessoas (RH);
- Mercadológico;
- Administração em Geral, etc
Exemplos:
- Recursos físicos ou materiais: São necessários para qualquer empresa rural, tais como: Terra, instalações, máquinas, equipamentos, insumos, adubos, combustíveis, etc.
- Recursos humanos: São pessoas que trabalham ou participam da empresa, constituem o único recurso dinâmico, que decide e movimenta os demais, o que inclui tomar decisões (escolha de uma ou outra opção), o proprietário, os administradores, os técnicos e os demais funcionários, com seus diferentes papéis e cargos.
- Recursos financeiros: É o dinheiro, sob a forma de capital, necessário para a aquisição ou obtenção dos demais recursos.
- Recursos mercadológicos: São os meios através dos quais a empresa localiza e influência seus clientes. Envolvem todas as atividades de analise de mercado, busca de compradores, venda do produto, entrega, definição de preços, propaganda, etc.
- Recursos administrativos: São todos os meios através dos quais as atividades são planejadas, organizadas, dirigidas e controladas. Inclui todos os processos de tomada de decisão, obtenção de informações, esquemas de coordenação e integração utilizados, etc.
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DE UMA EMPRESA RURAL:
EMPRESA RURAL E SEU AMBIENTE:
FLUXO DE MERCADORIAS E DE INTER-RELAÇÕES ENTRE DIVERSOS AGENTES E/OU FASES DE PRODUÇÃO, TRANSFORMAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DOS PRODUTOS ORIGINAIS DA AGRICULTURA E PECUÁRIAS.
ESQUEMATIZAÇÃO DE UM SISTEMA AGROINDUSTRIAL:
EXEMPLO DE CADEIA AGROALIMENTAR:
FATORES DE PRODUÇÃO:
A empresa rural é uma unidade de produção onde são exercidas atividades que dizem respeito a culturas agrícolas, criação de animais, culturas florestais, com finalidade de obtenção de renda. Qualquer tipo de empresa rural, seja familiar, patronal, é integrado por um conjunto de recursos, denominado fator de produção.
São três os fatores de produção:
- Terra;
- Capital, e
- Trabalho.
a) Terra:
O fator de produção mais importante para a unidade de produção, para a empresa rural, pois é na terra onde se aplicam os capitais e onde se trabalham para obter a produção. Se a terra for ruim ou muito pequena, dificilmente se produzirá colheitas e criações abundantes e lucrativas, por mais capital e trabalho que se disponha o empresário rural. Uma das preocupações fundamentais que deve ter o empresário rural é conservar a capacidade produtiva da terra, evitando o seu desgaste pelo mau uso ou erosão.
b) Capital:
Representa o conjunto de bens colocados sobre a terra com objetivo de aumentar sua produtividade e ainda facilitar e melhorar a qualidade do trabalho humano.
Assim constitui capital de uma empresa rural:
- Animais de produção (bovinos de cria, de leite, de engorda, suínos, aves, etc.);
- Animais de serviços (bois de serviços, cavalos, asininos {jumentos, os burros e muares});
- Benfeitorias (galpões, barracões, aramados, galinheiros, pocilgas, terraços, etc.);
- Insumos agropecuários (adubos, sementes, inseticidas, fungicidas, sais minerais, vacinas, etc.); e
- Máquinas e implementos agrícolas.
O empresário rural necessita conhecer exatamente a quantidade e valor de cada bem que constitui o capital da empresa que dirige. E fácil verificar que os diversos tipos de capital apresentam características bem diferentes. Assim, as benfeitorias, os animais e as máquinas e implementos permanecem em uso na empresa durante vários anos. Já os insumos, uma vez utilizados, desaparecem, imediatamente, sendo, portanto, consumidos dentro do ano agrícola em curso. Este fato é de enorme importância para quem dirige uma empresa agrícola. Em primeiro lugar, porque o administrador deve ter especial cuidado com a conservação daqueles capitais que permanecem por vários anos na empresa. Estes capitais costumam ter um valor muito elevado e devem ser mantidos em condições de contribuir para a produção pelo maior tempo possível. Assim, uma casa de madeira deve durar pelo menos 25 anos; um trator deve trabalhar no mínimo 10.000 horas, ou seja, cerca de 10 anos; uma construção de alvenaria deve durar mais de 50 anos
A estes capitais que permanecem durante vários anos na empresa, chama-se de capital fixo. Os capitais que são consumidos dentro do ano agrícola são denominados capital circulante. Esta separação entre o capital fixo e capital circulante é fundamental para o cálculo do resultado econômico da empresa. Costuma-se calcular anualmente o resultado econômico da empresa. Se determinado tipo de capital devem durar vários anos, não se pode incluir como gasto daquele ano o total do valor de sua compra. Por exemplo, quando se compra um trator ou se constrói uma cerca com financiamento bancário, o valor do empréstimo solicitado é dividido é, esta quantia que se paga todos os anos, seja considerada como a despesa do ano. Mesmo que se tenha para a despesa à vista, no cálculo econômico se deve proceder como se fosse financiado, ou seja, dividir o total das despesas em várias parcelas iguais, cada uma correspondendo há um ano.
Capital na Empresa Agropecuária:
Em sua função de instrumento indispensável e necessário a produção. O capital é importante fator econômico para a empresa rural. Assim como a qualquer outra. Para que subsista economicamente é necessário que disponha de espaço natural (natureza), de suficiente recurso de mão-de-obra (trabalho e por fim do aparelhamento necessário), complementando os fatores citados, que equilibrar a empresa segundo seus objetivos.
c) Trabalho:
O último fator da produção é o trabalho. O trabalho é o conjunto de atividades desempenhadas pelo homem. A tarefa de administrar é também considerada trabalho, assim como lavrar a terra, cuidar de animais, construírem cercas, etc. A diferença fundamental entre a administração e a execução de práticas agrícolas é que para primeira há uma exigência de conhecimento maior. O empresário deve ter sempre em vista a totalidade da empresa, enquanto que o executor de tarefas específicas necessita apenas saber fazer aquilo para o que foi designado.
A tarefa do empresário é, portanto, muito mais complexa. A ele cabe não somente a função de coordenar a atividade dos demais trabalhadores, como também de combinar a utilização de todos os fatores de produção, com a finalidade de obter resultados econômicos satisfatórios e manter elevada à produtividade daqueles fatores. Para isto o empresário deve se preocupar com dois aspectos:
- Organização da empresa rural.
- Manejo da empresa rural.
–A ORGANIZAÇÃO DA EMPRESA RURAL:
Entende-se por organização da empresa rural a combinação das atividades desenvolvidas em função das características dos fatores de produção disponíveis, isto quer dizer, escolher todas as culturas e criações que serão exploradas, de modo a aproveitar da melhor maneira possível da terra, as benfeitorias, as máquinas e implementos e a mão-de-obra, evitando assim ociosidade na utilização dos fatores de produção.
O MANEJO DA EMPRESA RURAL:
É o conjunto de medidas que deve tomar o administrador para que todas as práticas agropecuárias sejam realizadas a tempo e de maneira eficiente. Assim, as máquinas e implementos devem estar em perfeitas condições de funcionamento para iniciar os serviços. Bem como os insumos (adubos, sementes, vacinas, etc.) devem ser adquiridos com antecedência, para evitar a falta e que fique prejudicada à produção da empresa. Os serviços dos trabalhadores devem ser controlados permanentemente, para impedir que práticas mal executadas causem graves prejuízos à empresa rural.
6 Estruturas Fundiárias:
Nas estruturas agrícolas a industrialização nos processos agrícolas já vem acontecendo a partir dos anos 50, e a taxa de adoção das inovações tecnológicas vem acelerando esta evolução. Assim, a matéria pode ser estudada sob os três aspectos seguintes:
a). Pequenas lavouras: Nas pequenas lavouras estão incluídos, também, os sítios e as pequenas propriedades agrícolas que exploram uma única cultura, ou uma cultura principal e algumas secundárias.
b). Pequenas fazendas: Nas pequenas são exploradas, em escala média, umas culturas principais, com indústrias agrícolas acessórias e pequenas criação de gado e outros animais.
c). Grandes fazendas: Nas grandes fazendas são exploradas, em grande escala, a cultura de um determinado produto, com indústrias agrícolas acessórias e grandes criação de gado e outros animais.
Estruturas de Empresas essencialmente Agrícolas:
O setor agrícola apresenta algumas características peculiares, que o distinguem dos demais setores da economia. Estas características citadas em vários livros e artigos sobre administração rural, mas convém lembrar que a sua existência condiciona a adequação dos princípios gerais de administração, utilizados no setor urbano, para o setor rural. Deve ser notado também que estas características são validas, de modo geral, não apenas para a agricultura brasileira, mas para todos os países. Cálculos de adubação, controle de pragas, programação e controle de tratos culturais, manutenção e utilização de máquinas e equipamentos, registros de dados e balanço hídrico do solo, programação e controle de irrigação, controle de plantio, áreas de produção e produtividade. Estas exigências, se por um lado aumentam a competitividade da agricultura, por outro lado modificam as bases da concorrência, fugindo da competição baseada e produtos destinados aos mercados finais de massa e premiando a concorrência baseada na agilidade e na adequação.
CARACTERÍSTICAS DOS PRODUTOS AGRÍCOLAS:
Como já foi mencionado, costumam-se associar uma série de atributos aos produtos agrícolas, alguns dos quais não mais justificáveis frente às novas tecnologias disponíveis. Iremos estudar algumas destas características, fazendo as ressalvas necessárias ao contexto atual.
- Perecibilidade: Os produtos agrícolas, em geral, não podem ser estocados por muito tempo. Em alguns casos, o consumo deve ser feito imediatamente após a produção. É o caso de algumas frutas cuja preferência é que ainda estejam frescos. No caso da produção de grãoso prazo de validade dos estoques é bem maior, embora não seja tão longo quanto dos produtos industrializados.
- Homogeneidade: Os produtos agrícolas são geralmente bastante homogêneos. Mesmo que os produtores fiquem tentados a experimentar novos padrões, esbarram em legislações normatizantes, até por motivos de saúde alimentar.Homogeneidade: Os produtos agrícolas são geralmente bastante homogêneos. Mesmo que os produtores fiquem tentados a experimentar novos padrões, esbarram em legislações normatizantes, até por motivos de saúde alimentar.
- Sazonalidade de oferta: A oferta de agrícolas é sazonal porque depende fortemente do clima e das condições naturais do ambiente onde estão sendo produzidos. Algumas culturas permitem duas ou quatro safras por ano. Outras só permitem uma única colheita anual.
- Susceptibilidade climática (riscos climáticos): Não é raro ver nos noticiários televisivos que alguma safra encontra-se perdida ou prejudicada por causa de excesso de chuvas, frio, calor, estiagem prolongada, secas etc., mesmo admitindo-se o uso intensivo de tecnologias como estufas, irrigação, espécies resistentes etc
- Baixa elasticidade da demanda: Tanto a oferta quanto à demanda por agrícolas são relativamente inelástica a preços. Isto porque mesmo grandes variações de preços induzem a alterações relativamente pequenas na procura pelo produto, haja vista o caráter prioritário conferido aos alimentos.
- Rigidez de oferta: A oferta é relativamente inelástica e rígida (no curto prazo) por dois motivos principais: Primeiro, porque, em empresas familiares, quando o preço cai, o produtor tende a aumentar a oferta para conseguir manter a sua renda estabilizada. Segundo, porque muitos dos custos de produção são fixos, isto é, independem da quantidade ofertada.
- Variabilidade de preços: Por tudo o que foi visto, os agrícolas estão sujeitos a fortes flutuações nos preços de equilíbrio. Por isto, justifica-se uma atenção redobrada do governo sobre estes mercados, assim como políticas específicas para o setor.
NOVOS USOS E HÁBITOS DOS CONSUMIDORES:
Neste final de século algumas mudanças nos hábitos dos públicos consumidores em todo o mundo podem ser verificadas, apontando para tendências de novos comportamentos, os quais irão ter um profundo reflexo na produção agrícola, tais como:
- Declínio do consumo per capita nos países mais afluentes (dietas);
- Demanda crescente por produtos étnicos;
- Demanda crescente por produtos que proporcionam nutrição e saúde, e que sejam ambientalmente benignos;
- Entrada de grandes aglomerados populacionais na economia de mercado;
- Mais consumo de alimentos fora do lar;
QUANTO AO VAREJO DE ALIMENTOS:
Nos países desenvolvidos, bem como nas grandes cidades mundiais, que costumam acompanhar os comportamentos, hábitos, usos e costumes daqueles países, verificam-se mudanças que também afetam a produção de alimentos, a saber:
- Atenção à fórmula “mais nutrição, mais qualidade e mais conveniência”; serão muito importantes para muitos varejistas;
- Um relacionamento mais próximo com os clientes finais e ter um menor número de fornecedores (parcerias e alianças com fornecedores);
- Vender mais alimentos prontos (ou semiprontos) e menos ingredientes;
- Busca de “mais eficiência nas respostas dos consumidores” irá forçar a administração da categoria de produtos a ser mais precisa;
- A tecnologia da informação (já disponível e um uso pelos varejistas) irá proporcionar que os seus padrões de compra sejam ligados com as informações obtidas junto aos compradores de maneira instantânea, com reflexos diretos na produção, processamento e distribuição de alimentos.
Estruturas de Empresas essencialmente da Pecuária:
O planejamento e a programação de atividades e investimentos são fatores importantes nesse processo que se pode chamar de profissionalização dos empreendimentos da pecuária. Há 30 anos ou mais, a boiada ficava no pasto até seis anos para atingir o peso de abate. Em 2002, bastavam 24 meses ou menos. A produção brasileira de carne bovina em 1970 era de 20 quilos por hectare ao ano, em 2000, este valor subiu para 34 quilos. A produtividade, a eficiência e a competitividade destas empresas e propriedades são fatores essenciais para sua sobrevivência e crescimento nos tempos atuais.
As ferramentas a serem apresentadas buscam exatamente estes objetivos. O Brasil tem o maior rebanho bovino do planeta, corresponde a 15% do total mundial e é o segundo maior produtor de carne bovina, com 6,9 milhões de toneladas (equivalente carcaça). Melhorias em escala: Controles de reprodução e filiação, controle de cobertura e inseminação artificial, controle sanitário, balanceamento da alimentação, acompanhamento e gerenciamento da produção (leiteira ou em ganho de peso).
O Paraná em 2006 produzia em média 2,7 bilhões de litros / leite por ano, o que representa 7,3% o 2º lugar da produção nacional, e produtividade média de 1954 litros/vaca/ano. O negócio do leite movimenta recursos todos os meses, enquanto a agricultura depende das épocas de safra. A única coisa que as cooperativas temem é que o governo federal derrube a taxação sobre o leite importado, que é de 30%. Se o governo resolver isentar as importações, o que ainda não se cogita, haverá uma “invasão” de leite argentino.
Daí nós conseguiremos competir, porque o custo de produção na Argentina é muito menor, e lá uma vaca produz em média 15 litros/dia, enquanto aqui a média é de 5,4 litros / dia. A diferença de produtividade se deve ao fato que o rebanho Argentino é de vacas holandesas puras e o clima é melhor que o do Brasil. Para o pequeno pecuarista, o leite hoje dá só para se manter. Como o preço é muito ruim, a atividade não dá nenhum futuro. Em alguns assentamentos de trabalhadores rurais sem-terra começam a estudar a produção de leite como alternativa à agricultura formando associações e pequenas cooperativas. O motivo é o fluxo de caixa.
Os programas de melhoramento genético têm dado bons resultados nos municípios, embora não se cite números. O produtor diz que a sua maior tristeza é não poder investir em tecnologia de ponta e genética. “Mas não existe incentivo. A gente investe o que dá para investir”, justificam. Para aumentar a rentabilidade, produtores estão fugindo de sistemas de integração e partindo para pequenas indústrias. Os pecuaristas estão deixando de vender sua produção para laticínios. Pecuaristas passam a comercializar o leite que é pasteurizado na propriedade e vendido em pequena escala, em forma de laticínios ou leite embalado em sistema cartucho. A baixa rentabilidade está revoltando os pecuaristas, que investem menos em tecnologia. Mesmo desanimados, eles acreditam num reflexo positivo da alteração no câmbio: a queda nas importações e aumento de preço. Com isso, o setor deixará de competir com produtos importados com subsídio no país de origem. O setor, que já estava descontente com a inexistência de uma política de incentivo, agora exige respostas do governo.
As grandes decisões no setor carecem de uma coordenação estratégica, estando pulverizados entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Banco do Brasil, O Ministério da Reforma Agrária, O Ministério do Planejamento, o Banco Central, o Conselho Monetário Nacional, a CONAB, DERAL, os Governos Estaduais e tantos outros.
Estruturas de Empresas essencialmente da Agropecuária em Geral:
A atividade agropecuária, pelas suas múltiplas atividades e volume financeiro das operações (compra, venda, contratação de serviços, produção, etc.), constituemse, na realidade uma empresa, apesar de nem sempre estar formalmente assim denominada e estruturada. Em um manual que trata de agronegócios, mais correto seria falar de produção rural, aí se incluindo desde atividades agropecuárias típica até a oferta de bens e serviços turísticos, culturais ou de lazer. Os produtos agrícolas nos dias atuais são em larga parte utilizados como insumos para a indústria de beneficiamento, sobretudo a de alimentos. Rações, grãos beneficiados, enlatados, pré-cozidos, congelados, refeições semiprontas, a gama de produtos é extensa. O produto agrícola ou agropecuário tradicional possui uma série de características.
Com o avanço das tecnologias agrícolas, contudo, principalmente as de irrigação, melhoramento genéticos, transportes, acondicionamento e refrigeração, observam-se praticamente todas as antigas características tipicamente associadas aos produtos agrícolas passam a ser menos evidentes atualmente. Em parceria rural ou em condomínio, relativamente à exploração das seguintes atividades:
a) Criação, recriação ou engorda de animais de qualquer espécie;
b) Cultura do solo, seja qual for à natureza do produto cultivado;
c) Exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, sericicultura, ou qualquer outra cultura de pequenos animais, inclusive da captura e venda in natura do pescado;
d) Exploração das indústrias extrativas animal e vegetal;
e) Colocação no mercado dos produtos e subprodutos obtidos; e
f) Transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura (exemplo: transformar grãos em farinha ou farelo; pasteurização e acondicionamento do leite de produção própria, transformação do leite em queijo, manteiga ou requeijão; produção de suco de laranja acondicionado em embalagem de apresentação; frutas em doces; etc.), quando feita pelo próprio agricultor ou criador e seus familiares e empregados, dentro do imóvel rural, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades agro-pastoris, utilizando exclusivamente matéria-prima produzida na propriedade agrícola ou pastoril explorada.
Características da agropecuária:
Alimentos e produtos agrícolas presentes nas estantes dos supermercados e mercearias das cidades se constituem em itens que já passaram por uma série de etapas de beneficiamento. Às vezes, estas mercadorias viajam distâncias intercontinentais até consumidas em lugares incrivelmente distantes de onde foram produzidas. Para administrar todo o processo, do suprimento de matéria-prima à comercialização do produto final, de forma a ganhar mercado e marcar posições sólidas, é bastante comum à empresa investirem em atividades que possibilitem a integração vertical e horizontal. Para compreender os mercados agrícolas e seus mecanismos de formação de preços, é preciso conhecer aspectos teóricos que permeiam a construção das curvas de demanda e de oferta características para este tipo de bem. Essa estratégia, de fato, aumenta o poder competitivo da empresa ao investir em atividades que possibilitem a integração, porém requer maior capital em pelo menos quatro pontos:
- Primeiro: para formação do ativo fixo que viabilize escalas econômicas de produção;
- Segundo: para bancar o lento giro dos estoques pois a sazonalidade da produção (uma característica muito mais pronunciada na atividade agrícola do que na pecuária), resulta em compras de matérias-primas concentradas num curto período e processamento ao longo de todo o ano;
- Terceiro: para acompanhar a evolução tecnológica dos processos produtivos, na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos;
- Quarto: para desenvolver os serviços de promoção, pesquisa de mercado e propaganda.
Capitais na Empresa Rural:
Classificação Tradicional e Genérica do Capital - Definição:
- Capital Fixo: São os que não podem ser retirados do local sem que sofra alterações físicas. Exemplos: Sede, currais, barracões, etc.
- Capital Circulante: São os que participam de apenas um ciclo de produção. Exemplo: Sementes, fertilizantes, rações, etc.
- Imobilizado: São as imobilizações técnicas que auxiliam o processo de produção. Exemplo: Tratores, colheitadeiras, veículos, animais de trabalho, de produção, etc
Classificação Usualmente Utilizada do Capital Fundiário:
a) Capital Fixo: É aquele que participa e concorre a mais de um ciclo produtivo. Geralmente é um bem durável capaz de sobreviver a vários ciclos produtivos. Exemplo: Terra, máquinas, culturas permanentes (citricultura – cafeicultura), rebanho bovino, eqüino, etc.
b) Capital Circulante: É aquele que participa de apenas um ciclo produtivo. Geralmente correspondem a bens de produção de gasto imediato. Exemplo: Fertilizantes, venenos, rações e sementes que acabem de forma a se incorporam ao produto.
O valor do capital circulante deve ser compensado totalmente pelo produto que ajudou a criar, enquanto que o capital fixo será recuperado em vários ciclos de produção.