Manual brasileiro de boas práticas agropecuárias na produção de suínos 3
Gestão de Agronegócios
1 Manejos aplicados à recria e terminação
O período de vida dos suínos entre a saída da creche e o abate é denominado terminação. Essa fase ainda pode ser subdividida em duas outras: recria e terminação. A recria compreende a saída da creche até a metade do peso de abate (50-60 kg de peso vivo) e a terminação é iniciada aos 50-60 kg e vai até o peso fi nal de abate (100-120 kg de peso vivo).
nação é iniciada aos 50-60 kg e vai até o peso final de abate (100-120 kg de peso vivo). Nessa fase de terminação, a conversão alimentar é um dos pontos mais importantes a serem monitorados, já que o custo de alimentação pode chegar até 70-80% dos custos Nessa fase As metas que devem ser buscadas estão descritas na tabela abaixo.
Cuidados no alojamento dos leitões
Os leitões são recebidos com 18-25 kg de peso vivo, dependendo do sistema de produção. As instalações de terminação devem ser adequadas para receber leitões que passarão por diferenças muito grandes no seu peso nessa fase, ou seja, aumentarão em mais de quatro vezes o seu peso corporal (de 25 para mais de 100 kg).
De uma forma geral, os galpões nas terminações têm largura entre 8 e 12 m, pé-direito de 3 a 3,5 m e comprimento variável de acordo com o número de animais alojados. O volume de ar por suíno deve ser de 3 m3/animal e a velocidade do ar de 0,1 a 0,3m/s. Essas características são importantes para facilitar a dissipação do calor, a renovação do ar e a retirada de gases tóxicos e da poeira de dentro das instalações.
O tipo de piso (figuras 1 a 5) pode ser totalmente ripado, parcialmente ripado, totalmente compacto, cama sobreposta, lâmina d’água, com declividade de 3 a 5%, sendo que o mais comum é o piso parcialmente ripado.
Os novos projetos apontam como ideal ter no máximo 20 leitões por baia, o que facilita a identificação de animais doentes e o manejo de limpeza durante o lote. Recomenda-se, ainda, a utilização de baias maiores – procedimento que leva a um aumento na conversão alimentar.
O número de suínos por baia também deve ser determinado em função da quantidade de bebedouros e comedouros. O objetivo é que não exista restrição de consumo de água ou ração. Utilizar um bebedouro para cada 10 animais.
Logo após a chegada, é importante que se faça a uniformização dos leitões por tamanho e por sexo. Esse procedimento é fundamental para igualar as disputas na baia e para todo o manejo subsequente. Os leitões doentes ou machucados devem ser tratados em baias separadas até sua recuperação.
Os leitões mais leves devem ser tratados de forma especial, podendo ser utilizado um tempo maior de fornecimento da ração inicial e condições de ambiência mais cuidadosa.
Cuidados gerais na recria/terminação
Os principais cuidados nessa fase estão relacionados ao fornecimento de água e ração, cuidados com a ambiência e manutenção da higiene e saúde dos suínos.
Cuidados de ambiência
As condições ideais de ambiência e alojamento dos leitões para a fase estão descritas a seguir:
• A temperatura adequada varia de acordo com o peso dos animais, sendo de aproximadamente 22-23ºC nas primeiras semanas e chegando a 18ºC ao final da fase;
• Os equipamentos que auxiliam na ambiência são as cortinas e forros e os ventiladores (figura 6 e 7), os quais auxiliam na manutenção e redução da variação da temperatura dentro das instalações e não deixam o sol e correntes de ar incidirem sobre os animais;
• O plantio de árvores e grama ao redor das instalações também são importantes para a melhoria do ambiente interno (fi gura 8);
A limpeza diária das instalações é fundamental para a manutenção do bom desempenho e da baixa ocorrência de doenças. As baias devem ser limpas diariamente através da raspagem seca dos dejetos, diminuindo, desse modo, a formação de cascão de fezes no piso. Os corredores e as baias também têm de ser varridos duas a três vezes por semana, reduzindo o acúmulo de poeira dentro das instalações.
Fornecimento de água
Faz-se necessário que a água seja fornecida à vontade, sendo de boa qualidade e na temperatura de 12 a 18ºC . Os bebedouros recomendados são os dos tipos concha (fi gura 9), chupeta (fi gura 10) ou byte ball, sendo que a sua regulagem e higiene devem ser adequadas para evitar desperdício ou restrição no consumo de água.
O ideal é que os bebedouros do tipo concha sejam fixados a 18 centímetros do chão e os dos tipos chupeta e byte ball instalados entre 5 e 7 centímetros acima do dorso dos leitões. Cada bebedouro deve ter a capacidade para 10 animais e uma vazão de 1,5 l/minuto.
Manejo de alimentação
O fornecimento de ração pode ser realizado com comedouros automáticos ou manuais, além de ser restrito ou à vontade.
De uma forma geral, os suínos são alimentados à vontade até os 60-80 kg. Depois disso inicia-se a restrição (fi guras 11 e 12). Com esse manejo, é possível aproveitar ao máximo a boa conversão alimentar e a alta deposição de carne magra nessa fase inicial. Após isso, a quantidade de ração deve ser diminuída, promovendo um bom ganho de peso, boa conversão alimentar e baixa deposição de gordura.
Na alimentação à vontade, podem ser utilizados comedouros automáticos (figura 13) ou manuais (fi gura 14), onde a ração fi ca disponível aos suínos durante todo o dia, sem nenhuma restrição de consumo.
Como a conversão alimentar deve ser uma das principais metas a serem buscadas nessa fase, faz-se necessário evitar, ao máximo, o desperdício de ração (fi gura 15 e 16). Para isso, os comedouros devem ser regulados várias vezes ao dia e a cada nova partida de ração, já que a densidade e a composição da ração podem interferir no seu funcionamento.
Com curvas de restrição alimentar é possível manter o mesmo peso ao abate e reduzir em 15-20 kg de ração consumida por suíno durante a fase de terminação. Isso assume um impacto muito importante sobre a rentabilidade do sistema, além de diminuir a quantidade de dejetos. As curvas devem ser desenhadas de acordo com a genética e a nutrição utilizadas.
É importante considerar também o custo médio do kg de ração, já que muitas vezes são utilizadas rações de custo elevado sem se observar o ganho de peso proporcionado por elas, desperdiçando, assim, nutrientes e recursos.
Manejo sanitário
A presença de doenças é um dos fatores que reduzem o crescimento dos suínos, aumentando a variação no ganho de peso e, consequentemente, o risco dos animais pertencerem à categoria de baixo peso à saída de terminação.
Como principais manejos de impacto sanitário podemos destacar:
a) A limpeza/desinfecção/vazio sanitário entre lotes – essas atividades são essenciais para quebrar o ciclo de agentes e iniciar os lotes com uma baixa pressão de infecção.
2 Manejos aplicados à recria e terminação Parte 2
3 Manejo pré-abate dos suínos
Manejo pré-embarque
Principais cuidados no embarque
Principais cuidados no transporte
4 Alimentação dos suínos
Principais alimentos para suínos
A alimentação dos suínos está baseada principalmente em rações balanceadas, formuladas predominantemente a partir de produtos de origem vegetal, embora os de origem animal também sejam utilizados. Além disso, são usados minerais e vitaminas. Entre os produtos de origem vegetal, os principais são milho e farelo de soja. Alguns outros produtos podem ser utilizados ocasionalmente, dependendo da disponibilidade, tais como cereais de inverno e seus subprodutos, sorgo, milheto, subprodutos do beneficiamento do arroz, tortas e farelos de outras oleaginosas, entre outros. Os principais produtos de origem animal são soro de leite integral, leite em pó, soro de leite em pó, farinhas de carne, sangue, peixe e ossos, plasma sanguíneo e sebo bovino.
Ainda com relação aos alimentos, deve-se ter em mente:
1) A utilização de ingredientes de boa qualidade, principalmente em relação à quantidade e disponibilidade de nutrientes e à pureza (livres de micotoxinas e de contaminantes);
2) O monitoramento da qualidade e da conservação dos ingredientes;
3) A aquisição de concentrados, núcleos, premixes e outros produtos a serem utilizados no preparo das rações, em empresa registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e que, portanto, correspondam às especificações legais e técnicas e seguem as normas de boas práticas de fabricação de produtos para alimentação animal.
Tipos de ração
As rações têm diferentes formas de apresentação: farelada (mais usual – figura 1), peletizada (demanda uma peletizadora – fi gura 2) ou peletizada e triturada (demanda uma peletizadora e moinho). Podem ainda ser constituídas com base em milho seco ou silagem de grão (milho) úmido. No ato do fornecimento, serão oferecidas na forma de ração seca, umedecida ou líquida (figura 3).
Para a utilização de rações líquidas é necessário o uso de equipamentos específicos, com sistemas computadorizados, garantindo, assim, a adequada mistura e distribuição das rações e a higienização dos equipamentos.
O número e a complexidade das rações variam em função da fase de criação e do grau de tecnificação da granja.
Reprodução
a) Ração de reposição – para leitoas de reposição, dependendo da idade ou peso das fêmeas quando de sua chegada à propriedade, pode-se fornecer duas rações com níveis diferenciados de proteína, uma dos 80 aos 110 kg de peso vivo e outra dos 110 kg até a cobertura.
b) Ração de gestação – para porcas e leitoas gestantes, pode ser fornecida uma única ração até a entrada na maternidade, variando apenas a quantidade fornecida na fase fi nal (a partir dos 85 dias), ou duas rações, a primeira (G1) até os 85 dias de gestação e a segunda (G2) até a entrada na maternidade. Recomenda-se que ambas as rações devem conter farelo de trigo ou outra fonte de fibra para aumentar o volume e dar a sensação de saciedade e para estimular o transito intestinal. A G2 também pode conter sulfato de magnésio com o propósito de estimular o transito intestinal.
c) Ração pré-parto, pré-lactação ou gestação-lactação – para porcas e leitoas, deve ser fornecida da entrada da maternidade até cinco dias após o parto. Deve conter os mesmos níveis nutricionais de uma ração de lactação, porém suplementada com sulfato de magnésio.
Maternidade
Nesta fase os animais (porcas e leitões) permanecem de 21 a 28 dias.
a) Ração de lactação – para porcas e leitoas em lactação, ração com altos níveis de energia e proteína para suprir a máxima quantidade possível dos nutrientes necessários à produção de leite e manutenção corporal da fêmea.
b) Ração pré-zero ou pré-maternidade – ração para leitões lactentes. É disponibilizada a partir dos sete dias de idade dos leitões.
Creche
Esta é uma fase na qual se observa uma maior variação na complexidade das rações entre os sistemas de produção. Tal variação é consequência da complexidade do plano nutricional vigente e da realidade de cada um destes sistemas de produção. Nessa fase, os animais permanecem em média entre 35 e 42 dias, a depender da idade de desmame.
a) Ração pré-inicial – deve ser fornecida por sete a 14 dias após o desmame (até os 35 dias de idade), dependendo da idade de desmame; pode ser fornecida aos leitões lactentes em lugar da ração pré-maternidade.
b) Ração inicial 1: para leitões de creche dos 36 aos 49 dias;
c) Ração inicial 2: para leitões de creche dos 50 dias até a saída da creche.
Terminação
Esta é outra fase onde se verifica variação de tipos de ração entre os sistemas de produção.
a) Ração crescimento ou ração recria – pode ser dividida em crescimento/recria 1 e 2; para suínos desde o alojamento até os 105 dias de idade;
b) Ração terminação ou ração engorda – também pode ser dividida em terminação/ engorda 1 e 2; para suínos do fi m da ração crescimento/recria até os 135 dias de idade;
c) Ração abate – para suínos do fi m da ração terminação/engorda até o abate.
Água
A água precisa ser preservada sob todos os aspectos, não só porque é um nutriente indispensável para os animais, mas também por constituir um fator limitante para a sobrevivência das próximas gerações. As fontes e os cursos de água devem, portanto, ser naturalmente protegidos e preservados de qualquer contaminação possível.
1) Proteger as fontes e qualquer outra origem de água, mantendo e recuperando a vegetação nativa ao redor e impedindo que animais tenham acesso direto a ela através do uso de cercas;
2) Fornecer água limpa, fresca, sem odor, incolor e isenta de microrganismos à vontade em qualquer fase da criação de suínos;
3) Monitorar a quantidade de água consumida através do uso de hidrômetro na saída da caixa d’água principal;
4) Monitorar a qualidade da água a cada seis meses, por meio de análises de laboratório;
5) Tratar a água quando necessário;
6) Manter a água de beber a uma temperatura máxima de 20°C;
5 Alimentação Parte 2
Uso de aditivos na ração de suínos
Fábrica de ração, gestão de processos e controle de qualidade
Produção de ração
Recepção e armazenagem das matérias primas
Amostragem
Como amostrar produtos
Amostragem em função da quantidade
6 Alimentação Parte 3
Armazenagem
Fatores que favorecem a contaminação por fungos e o consequente aumento na contaminação por micotoxinas
Mistura
7 Alimentação Parte 4
Dicas para uma mistura adequada
Controle de qualidade dos processos de fabricação
O programa de qualidade na fabricação deve basear-se em sete pontos:
Principais pontos críticos de uma fábrica
8 Alimentação Parte 5
9 Gestão ambiental
Passivo ambiental da suinocultura
Algumas atividades, como a granja suinícola, são classificadas segundo seu porte e potencial poluidor. Esses dois itens estão definidos na legislação ambiental. O potencial poluidor/degradador da atividade é considerado pequeno (P), médio (M) ou grande (G), em função dos efeitos causados sobre o solo, o ar e a água. O porte do empreendimento também é considerado pequeno (P), médio (M) ou grande (G). Cada uma dessas categorias ainda é dividida em I, II e III.
Com relação à legislação ambiental, é importante que se tenha em mente que existem as legislações federal, a estadual e até mesmo a municipal. Mesmo sabendo que a legislação federal se sobrepõe a qualquer outra, é sempre prudente consultar a legislação estadual e municipal do empreendimento em questão, uma vez que uma destas pode ser mais rígida que a federal.
O licenciamento ambiental é uma obrigação legal prévia à instalação de qualquer empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente e possui como uma de suas mais expressivas características a participação social na tomada de decisão por meio da realização de audiências públicas como parte do processo.
Essa obrigação é compartilhada pelos Órgãos Estaduais de Meio Ambiente e pelo Ibama, como partes integrantes do SISNAMA (Sistema Nacional de Meio Ambiente). O Ibama atua, principalmente, no licenciamento de grandes projetos de infra-estrutura que envolvam impactos em mais de um estado e nas atividades do setor de petróleo e gás na plataforma continental.
As principais diretrizes para a execução do licenciamento ambiental estão expressas:
a) Na Lei 6.938/81;
b) Nas Resoluções CONAMA nº 001/86 e nº 237/97;
c) Além dessas, o Ministério do Meio Ambiente emitiu recentemente o Parecer nº 312, o qual versa sobre a competência estadual e federal para o licenciamento, tendo como fundamento a abrangência do impacto.
Todas as atividades com potencial poluidor somente obterão autorização para operar após cumprir as etapas do licenciamento ambiental. O licenciamento ambiental é constituído de três fases:
a) Licença Prévia (L.P.) – concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade, aprovando sua localização e concepção. Essa licença não autoriza o início de qualquer obra ou serviço no local do empreendimento.
b) Licença de Instalação (L.I.) – autoriza a instalação do empreendimento ou atividade conforme as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes. Essa licença autoriza o início da obra ou serviço no local do empreendimento, porém não autoriza seu funcionamento.
c) Licença de Operação (L.O.) – autoriza o funcionamento da atividade ou empreendimento, após a verificação do cumprimento das exigências que constam nas licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação.
Cuidados com o meio-ambiente
À medida que aumentam as preocupações com a manutenção e a melhoria da qualidade do meio ambiente, bem como com a proteção da saúde humana, organizações de todos os tamanhos vêm crescentemente voltando suas atenções para os potenciais impactos de suas atividades, produtos e serviços. O desempenho ambiental de uma empresa vem assumindo importância cada vez maior para as partes interessadas, internas e externas. Alcançar um desempenho ambiental consistente requer comprometimento organizacional e uma abordagem sistemática ao aprimoramento contínuo.
Para tanto, é imprescindível que as empresas tenham seu sistema de gestão ambiental (SGA) bem defi nido e em andamento (Oliveira, 2006). Esse SGA certamente terá uma dimensão e complexidade proporcional, sendo ajustado ao porte de cada uma das empresas e de acordo com seu potencial poluidor. Fato é que, na atualidade, não há mais como uma empresa não dispor de uma política ambiental para apresentar e, naturalmente, seguir. A direção da empresa deve elaborar uma política ambiental que represente seus produtos e serviços, que seja divulgada entre os funcionários e a comunidade. É necessário ainda que se demonstre o quanto a direção está comprometida com o cumprimento dessa política. Deve-se obter o cumprimento legal e a busca do melhoramento contínuo do desempenho ambiental da empresa.
Assim sendo, o SGA merece ser tratado como uma estrutura da organização, a ser continuamente monitorado e renovado, objetivando fornecer orientação efetiva para as atividades ambientais de uma organização em resposta a fatores internos e externos, que estão em alteração. Todos os membros de uma organização devem assumir a responsabilidade pela melhoria ambiental. Um SGA oferece ordem e consistência para os esforços organizacionais no atendimento às preocupações ambientais através de alocação de recursos, definição de responsabilidades, avaliações correntes das práticas, procedimentos e processos.
Considerando-se o já exposto, é de suma importância conhecer e seguir a legislação que envolve a questão ambiental, assim como cercar-se de conhecimento sobre normas e certificações ambientais. A principal diretriz relacionada ao meio ambiente é a ISO 14.000 - uma norma elaborada pela International Organization for Standardization (ISO), com sede em Genebra, na Suíça, que reúne mais de 100 países com a finalidade de criar normas internacionais.
O objetivo geral da ISO 14.000 é fornecer assistência para as organizações na implantação ou no aprimoramento de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), principalmente nos grandes empreendimentos. A iniciativa é coerente com a meta de “Desenvolvimento Sustentável” e dentro das diretrizes e princípios do Mecanismos do Desenvolvimento Limpo (MDL), sendo compatível ainda com diferentes estruturas culturais, sociais e organizacionais.
A Diretriz 14.000 especifica os elementos de um SGA e oferece ajuda prática para sua implementação ou aprimoramento. Fornece também auxílio às organizações no processo de efetivamente iniciar, aprimorar e sustentar o Sistema de Gestão Ambiental. Tais sistemas são essenciais para a habilidade de uma organização em antecipar e atender às crescentes expectativas de desempenho ambiental e para assegurar, de forma corrente, a conformidade com os requerimentos nacionais e/ou internacionais.
A ISO 14.000 oferece diretrizes para o desenvolvimento e implementação de princípios e sistemas de gestão ambiental, bem como sua coordenação com outros sistemas gerenciais.
Tais diretrizes são aplicáveis a qualquer organização, independente do tamanho, tipo ou nível de maturidade, que esteja interessada em desenvolver, implementar e/ou aprimorar um SGA.
As diretrizes são destinadas ao uso interno como uma ferramenta gerencial voluntária, não sendo apropriada ao uso por parte de entidades de Certificação/Registro de SGA, como uma norma de especificações. As diretrizes baseiam-se nos elementos centrais da especificação para SGA encontrados na ISO 14.001 e incluem importantes elementos adicionais para um Sistema de Gestão Ambiental amplo.
Manejo de dejetos
A relação da suinocultura com o meio ambiente é uma questão complicada. Sabe-se que a atividade é considerada pelos órgãos ambientais tanto como de alto risco quanto de elevado potencial poluidor. O problema está em o que fazer com os dejetos. A composição química média dos dejetos de suínos pode ser verificada na tabela 1 e 2 abaixo dispostas.
Toda suinocultura deve possuir um programa de planejamento e de controle de dejetos gerados visando à sua correta utilização, devendo considerar cinco etapas: produção, coleta, armazenagem, tratamento, distribuição e utilização dos dejetos (na forma sólida e líquida) (Perdomo, 1999).
Os suínos produzem em média 6,7 kg de dejetos/dia/100 kg de peso vivo (Oliveira, 1993; Oliveira, 2004) e, de uma forma geral, estima-se que a produção de dejetos de suínos pode variar de 60 a 100 L/matriz/dia em uma granja de ciclo completo e de 35 a 60 L/matriz/dia em granjas produtoras de leitão e de 4,5 a 7,5 L/cabeça/dia em granjas de produção de terminados (Perdomo, 1999; Oliveira, 2004, Seganfredo et al., 2007).
O tratamento de dejetos de suínos, de uma maneira geral, utilizam processos físicos, químicos e biológicos para a transformação/remoção da carga poluente presente no efluente (Seganfredo et al., 2007). Esses tratamentos de dejetos orgânicos normalmente estão divididos em três processos, como: físico, químico e biológico.
Gestão da água na suinocultura
Nas edificações para suínos frequentemente cometem-se erros hidráulicos comprometedores. Algumas instalações são executadas sem projeto técnico específico e muitas vezes sem grande preocupação com as perdas e desperdícios da água. As instalações hidráulicas, normalmente nas pequenas e médias propriedades, são executadas de maneira rudimentar e com material de baixa qualidade. São verificados frequentemente vazamentos e, em conseqüência, desperdício de água, aumentando-se consideravelmente o volume de água a ser incorporado aos dejetos. Nas edificações convencionais de produção de suínos, os sistemas de manejo de dejetos podem ser internos, através de canais cobertos por barras (ripado) e, alguns casos, com o uso de lâmina d’água. Na maioria das edificações de produção de suínos encontram-se canaletas externas sem cobertura ou controle de fluxo de dejetos, propiciando, assim, grande proliferação de moscas e penetração da água da chuva.
A limpeza dos dejetos nos canais internos ou externos é realizada com água, muitas vezes potável, o que acaba gerando grande desperdício. A incorporação de água aos dejetos reduz a qualidade, inviabilizando economicamente o seu uso como fertilizante orgânico, além de aumentar a estrutura necessária para o armazenamento e os custos de transporte e utilização (OLIVEIRA, 2004; Oliveira, 2006).
Com a finalidade de reduzir o consumo exagerado de água para limpeza das instalações e melhorar a qualidade dos dejetos, atualmente tem sido implantado um sistema de reaproveitamento dos dejetos líquidos para a limpeza de baias e canaletas. Denominado Flushing, esse sistema facilita o manejo, gerando economia ao produtor, tanto com mão-de-obra, quanto de consumo de água, além de evitar a incorporação de água para limpeza aos dejetos.
10 Gestão ambiental Parte 2
Manejo de animais mortos
Compostagem de animais mortos
Alternativas para tratamento de dejetos
Decantação
Peneiras
Lagoas naturais
Biodigestor