Manual brasileiro de boas práticas agropecuárias na produção de suínos 2

Gestão de Agronegócios

1 Biosseguridade e ferramentas de controle sanitário

As doenças constituem um dos principais desafios da suinocultura, impactando diretamente sobre os resultados técnicos e financeiros das granjas pelas altas taxas de mortalidade e também pelas perdas em desempenho. Dessa forma, a preocupação com a biosseguridade e a prevenção de doenças tornam-se obrigatórias na busca de melhores resultados.

O que é biosseguridade?

A biosseguridade se refere à aplicação de normas e procedimentos utilizados na prevenção da introdução de doenças infecciosas em qualquer sítio de produção. A utilização eficiente desses conceitos requer a identificação de todas possíveis vias de transmissão das doenças, sendo fundamental contar com controles sanitários.

Biosseguridade engloba um conjunto de práticas de manejo e normas rígidas que, seguidas de forma adequada, reduzem o potencial para introdução de doenças na granja e transmissão dentro delas.

Um programa efetivo exige o desenvolvimento de vários itens de aspectos técnicos de restrição de trânsito de pessoas (visitas), planos de lavagem e desinfecção de instalações e veículos, programas de vacinação, entre outros (fi guras 1 a 9). Nesse contexto, em relação ao controle de trânsito de animais o controle de entrada de suínos e a quarentena são fundamentais.

Fatores importantes para a biosseguridade

Estabilidade imunológica

O sistema de produção deve ser entendido de forma dinâmica, de maneira que a formação de cada grupo de cobertura, parição, desmame e terminação estabeleça um comportamento que mostre um equilíbrio entre os microrganismos e os animais, determinando, desse modo, a estabilidade imunológica.

Quando há aumento na pressão de infecção ou queda na imunidade, alguns animais adoecem e passam a funcionar como “super-difusores”. Estes excretam os agentes no meio, aumentando o limiar de infecção e deixando um número maior de animais expostos às doenças.

Fatores que favorecem o desequilíbrio entre a pressão de infecção e o balanço imunitário:

Esses fatores interagem e atuam contribuindo para o aparecimento de doenças, bem como interferem na eficiência dos programas de medicação e vacinação.

O nível de imunidade para várias doenças varia durante todo o tempo. Há grupos de suínos que são importantes para a manutenção do equilíbrio imunitário. As marrãs de reposição são causas consideráveis da instabilidade do status de saúde dos rebanhos, seja pela introdução de novos agentes patogênicos nas granjas seja por sua natural menor imunidade, o que constitui fator de grande relevância na disseminação de doenças.

Na prática, o setor de reposição é um dos mais esquecidos quando se trata de planejamento de granjas. Muitas granjas iniciam a sua produção sem um setor de reposição estabelecido e assim prosseguem. A ampla maioria das granjas no Brasil não possui quarentena e os animais adquiridos de outras granjas entram diretamente para o plantel.

Quarentena

Na suinocultura, a prevenção deve ser a principal ferramenta de atuação sanitária. Impedir a entrada de determinados agentes patogênicos e manter uma boa estabilidade sanitária e imunológica no rebanho pode ser a diferença entre o lucro e o prejuízo.

As doenças entram nos rebanhos de forma direta (pelos suínos de reposição) e indireta (vento, veículos, pessoas, equipamentos, água, alimentos e outros animais), conforme ilustram as fi guras 10 e 11.

A entrada de suínos nas granjas configura um dos maiores riscos da introdução de doenças nas granjas, já que existem muitos portadores saudáveis, ou seja, suínos que possuem os agentes causadores de doenças, mas não estão doentes no momento da avaliação. Este risco está associado aos variados períodos de incubação para algumas doenças, a possíveis quadros de infecções subclínicas, enfermidades emergentes e de difícil diagnóstico (quando não há um teste diagnóstico desenvolvido) e, ainda, ao transporte da quarentena até a granja.

Os cuidados na introdução de animais no sistema de produção representam, juntamente com o isolamento, as barreiras mais importantes para a prevenção do surgimento de problemas de ordem sanitária no rebanho. Para auxiliar na segurança sanitária da introdução de animais nas granjas existe a quarentena.

O objetivo da quarentena é evitar a introdução de agentes patogênicos no sistema de produção. Esse período serve para realização de exames laboratoriais e também para o acompanhamento clínico no caso de incubação de alguma doença. Os animais ficam em uma instalação segregada por um período de 28 a 40 dias antes de serem introduzidos na granja. O objetivo do isolamento é proteger o rebanho reprodutivo da introdução de agentes infecciosos pela entrada de novos animais. Uma área de isolamento permite detectar enfermidades no período de incubação e checar a presença de infecções crônicas ou, ainda, eliminar um agente infeccioso através da medicação antes da introdução na granja.

A instalação deve ser longe do sistema de produção (mínimo de 500 m) e estar separada por barreira física (vegetal), como mostra a figura 12.

As instalações do quarentenário devem permitir limpeza, desinfecção e vazio sanitário entre os lotes, mantendo equipamentos e, quando possível, funcionários exclusivos. A quarentena necessita, ainda, respeitar medidas específicas de biosseguridade, sendo a última área a ser visitada e os visitantes devem banhar-se também ao sair. Todo material e equipamentos utilizados devem ser exclusivos a esta área.

Para as granjas de alto status sanitário é recomendável que a quarenta esteja a uma distância mínima de 2 km da unidade de produção. Nas granjas localizadas em regiões de alta densidade e com apenas um status médio, a quarentena poder ser construída a uma distância de 100 a 150 metros da granja. Enfim, o principal objetivo é prevenir a contaminação a partir do contato direto e assegurar uma correta aclimatação dos animais de reposição.

O controle de sanidade na quarentena passa por um período que serve tanto para a expressão das infecções latentes quanto para a investigação laboratorial do status sanitário dos animais de reposição, podendo ser iniciada a adaptação destes aos microrganismos da granja. A partir da introdução na quarentena recomenda-se realizar um exame clínico completo, inspecionar os lotes ao menos duas vezes ao dia durante os primeiros 15 dias e uma vez dia no período subsequente, registrando os aspectos clínicos como tosse, apatia, diarreia e febre. Além disso, devem ser realizados testes sorológicos ou outros exames para confirmação laboratorial. Todo esse monitoramento precisa ser recomendado e acompanhado por um médico veterinário.

O transporte da quarentena até a granja pode ser um ponto crítico. Deve-se assegurar que os animais não se infectem durante esse trajeto.

Adaptação sanitária

A adaptação sanitária pode durar de 30 a 90 dias e objetiva expor gradativamente os animais de reposição aos patógenos existentes na granja para que, quando colocados em uma condição de maior desafio, já apresentem imunidade e menores riscos de adoecerem clinicamente. O procedimento pode ser iniciado ainda durante o período de quarentena ou dentro da própria granja, quando houver introdução direta de leitoas de aproximadamente 100 kg e 150 dias de idade.

As principais atividades desenvolvidas são as vacinações, a serem recomendadas por um médico veterinário, bem como o contato com suínos mais velhos, os quais são portadores dos microrganismos presentes na granja. O segundo procedimento é a fase mais crítica da adaptação das marrãs, recomendando-se o uso de rufiões, como sentinelas, já se iniciando, nesse momento, o trabalho de preparação de marrãs e registro de cios.

Quanto maior for o desafio sanitário da granja, menor deve ser a idade dos animais de reposição, restando tempo hábil para se desenvolver a imunidade. Como recomendação, sugere-se adquirir animais com menos de cinco meses, iniciando-se um plano de vacinação que contemple a imunidade aos principais agentes da granja. Não é recomendado adquirir animais adultos e fêmeas gestantes, a menos que sejam provenientes de um programa controlado de reposição via quarto sítio.

O tempo mínimo para aclimatação deve ser de 45 dias. É possível, porém, recomendar períodos de 60 a 100 dias. Há também ferramentas de medicação, via ração ou água, que podem ser úteis no processo de adaptação, a ser realizado, no entanto, somente a partir de indicação de um médico veterinário.

Monitoria sanitária na quarentena

Existe uma relação direta entre a sanidade da granja receptora e a biosseguridade na doadora. Assim, é fundamental conhecer o status sanitário da granja fonte, tendo-se em mente que a saúde de rebanhos é um estado dinâmico relacionado à pressão de infecção e estabilidade imunológica.

Como citado anteriormente, é obrigatória a aquisição de animais de reposição (machos e fêmeas) de granjas com certificado GRSC, devidamente monitoradas pelos órgão competentes e com a legislação vigente cumprida, certificando-se, assim, que não houve mudança nesse status sanitário desde a última aquisição de animais.

2 Biosseguridade e ferramentas de controle sanitário Parte 2

O ideal para o equilíbrio imunológico é que os animais sejam sempre comprados na mesma granja, ou seja, em condições normais. O comportamento dos animais, após a introdução na granja, passa a ser conhecido e as medidas preventivas tornam-se mais efetivas.
A partir da realidade dos nossos rebanhos, verificamos que alguns agentes merecem maior atenção e, portanto, devem ser monitorados. É necessário que a granja de origem possua certificado GRSC dentro do período de validade, atestando serem os animais livres de sarna suína, peste suína clássica, doença de Aujeszky, brucelose, tuberculose e leptospirose suínas.
O status sanitário da granja fornecedora deve ser igual ou superior ao da granja compradora. Assim, o comprador disporá de todas as informações que o permita comparar o nível de saúde entre a duas granjas, as quais devem ser fornecidas pelos responsáveis técnicos das granjas.
Pode ser realizado um acordo entre a granja de origem e a receptora de envio do Atestado Sanitário emitido pelo Médico Veterinário responsável, comprovando a negatividade para os principais agentes etiológicos de importância para cada cliente, como o Mycoplasma hyopneumoniae e o Actinobacillus pleuropneumoniae, além dos agentes da rinite atrófica.
Há diferentes protocolos para a monitoria sanitária da quarentena, porém as doenças monitoradas na granja de destino e os exames aplicados devem ser definidos com o auxílio de um médico veterinário e enviadas para um laboratório previamente definido.
Todo o procedimento de coleta, armazenamento e envio das amostras deve ser realizado de acordo com o tipo de exame solicitado. A seguir é representado um esquema de monitoramentos e exames laboratoriais programado para granjas de suínos.

Dispensário de medicamentos veterinários

A indústria farmacêutica disponibiliza atualmente um grande número de drogas que, no seu dia-a-dia, após um diagnóstico do problema, são administradas de diferentes formas. O emprego das drogas deve sempre seguir as recomendações do fabricante. Observações práticas demonstraram que muitos tratamentos preventivos ou curativos não propiciam resultados satisfatórios devido a erros nas condições básicas relativas à conservação e à aplicação de medicamentos e/ ou vacinas.
Em um sistema intensivo de produção suína geralmente existe um dispensário de medicamentos veterinários (DMV), antigamente denominado simplesmente de farmácia, que faz parte dos segmentos de apoio à área de produção animal na qual são armazenados e estocados os medicamentos veterinários para uso imediato nos animais.
O objetivo primordial do estoque de medicamentos e vacinas é evitar sua falta sem que essa diligência resulte em estoques excessivos ou insuficientes em relação às reais necessidades da suinocultura. Por meio do controle de estoque procura-se manter os níveis estabelecidos em equilíbrio com as necessidades de consumo.
Faz-se importante que medicamentos termolábeis e imunobiológicos sejam armazenados em geladeiras ou mesmo frigobar, devendo-se evitar sua exposição direta a luz.
Dessa forma, é imprescindível a disponibilização de uma geladeira ou frigobar para uso no setor DMV. Tais itens devem ser usados exclusivamente para conservação de medicamentos, produtos imunobiológicos, como vacinas e amostras coletadas para exames laboratoriais. Alternativamente, em alguns sistemas de produção, medicamentos, produtos imunobiológicos – vacinas e amostras coletadas para exames laboratoriais – são estocados na geladeira da casa dos proprietários sem que sejam tomadas preocupações mínimas visando impedir a contaminação de alimentos estocados na geladeira. Esta alternativa não deve ser recomendada pois o risco de contaminação dos alimentos estocados na geladeira sempre existe. É também imprescindível que seja evitado o congelamento de medicamentos e vacinas, já que, dessa forma, podem ser perdidas determinadas atividades farmacológicas dos produtos.
O manejo da geladeira é vital para o sucesso de um programa de prevenção de doenças. O insucesso de vários programas de controle de doenças de suínos pode estar relacionado com a utilização de vacinas congeladas.

Utilização de medicamentos

Nos programas de controle sanitário, os medicamentos apresentam um papel muito importante para promoção e manutenção das saúde dos rebanhos.
Existe uma tendência mundial de se restringir o uso de antibióticos nos animais de produção, em especial na Comunidade Européia que, desde o ano de 2006, aboliu a utilização de promotores de crescimento, permitindo somente o uso de antimicrobianos na forma terapêutica.
O uso de medicamentos em sistemas de produção intensiva de suínos deve ser feito de forma criteriosa, com receituário veterinário, respeitando as dosagens e indicações para as diversas enfermidades, o período de carência, o registro obrigatório no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e considerando também o custo.
O MAPA desenvolve e mantém o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), cujo principal objetivo é promover ações direcionadas para conhecer e evitar a violação dos níveis de segurança ou dos limites mínimos de substâncias autorizadas, bem como a ocorrência de quaisquer níveis de resíduos de compostos químicos de uso proibido no país. Para isso, são colhidas amostras de animais abatidos e vivos, de derivados industrializados e/ou beneficiados, destinados a alimentação humana, provenientes dos estabelecimentos sob Inspeção Federal (SIF).
Existem basicamente quatro abordagens terapêuticas para uso de antimicrobianos em animais de produção que se diferenciam pelos objetivos de uso, dose e duração do tratamento:
1) Promotor de crescimento:uso de antimicrobianos orais de baixa absorção intestinal, em baixas dosagens e por longos períodos, tendo como função modular a flora intestinal, resultando em ganhos de desempenho (conversão alimentar e ganho de peso diário). Seu uso foi banido da União Européia em 2006;
2) Profilático: previne de forma individual ou grupal antes da doença ocorrer;
3) Metafilático: tratamento dos animais em risco. Previne de forma grupal a disseminação do agente infeccioso assim que alguns animais adoecem;
4) Terapêutico: é o tratamento individual ou grupal dos animais doentes sendo utilizados via injetável ou oral.
Para que o programa de medicação tenha a eficácia que se pretende, é necessário conhecimento de alguns critérios:
a) Conhecimento do agente etiológico;
b) Ação e efeito antimicrobiano seletivo;
c) Amplo espectro de ação do antibiótico;
d) Sensibilidade do microrganismo à droga (antibiograma);
e) Atoxicidade para o organismo animal;
f) Ação bactericida preferencialmente;
g) Alta concentração da droga no local da infecção;

3 Biosseguridade e ferramentas de controle sanitário Parte 3

h) Ser excretado ou metabolizado regularmente pelo organismo;

i) Baixo custo e facilidade de aquisição;

j) Permissão de uso pela legislação vigente e registro no MAPA.

Vias de medicação em suínos

Normalmente, a via parenteral injetável deve ser adotada nos casos que se visa uma resposta mais rápida e que não seja necessário medicar um grande número de animais. Para os casos de medicação em massa, é mais prático que seja utilizada a via oral (água ou ração).

É preciso ficar claro que tais procedimentos não são excludentes. A medicação parenteral intramuscular (injetável) é preferível no tratamento de indivíduos isolados e/ou com sintomatologia mais grave e evidente. Por outro lado, a medicação oral apresenta uma maior praticidade e eficiência na terapia de massa, quando grande parte ou a totalidade dos indivíduos de determinado lote necessita ser medicado.

Para a medicação injetável, deve-se respeitar o tamanho da agulha e o local da aplicação de acordo com a recomendação para cada medicamento (fi guras 14 a 17). Qualquer tipo de medicação deve obedecer os critérios de um médico veterinário.

Medicação via água x medicação via ração

Na medicação oral, é preciso entender que fatores como a presença de alimento no trato gastrintestinal, solubilidade do medicamento e características químicas dos medicamentos podem interferir com a absorção oral de alguns antibióticos, sendo critérios determinantes para se optar pela medicação via ração ou água de bebida. Adicionalmente, suínos na fase aguda da infecção podem beneficiar-se de uma maior absorção de antibiótico via água, devido à diminuição da ingestão de ração.

Quando se compara a medicação via água e via ração, não é justo concluir que uma é superior a outra, pois o que vai determinar a escolha de uma delas é a estratégia a ser adotada no controle de determinadas doenças, a praticidade em medicar estrategicamente os animais em muitas granjas em uma certa idade, as limitações estruturais de determinados sistemas de produção, além da disponibilidade de medicamentos adequados às diferentes formas de uso.

Para a medicação via água pode ser utilizada a diluição do princípio ativo diretamente na caixa d’água ou o aparelho dosador (fi guras 18 e 19).

Controle de endo e ectoparasitas

Em sistemas de manejo onde os animais são criados 100% confinados e não têm acesso à terra, praticamente se reduziram a zero os problemas de verminoses, já que nesses sistemas são adotados procedimentos de limpeza e desinfecção que impedem que o ciclo de vida dos endoparasitas (vermes) se complete, impossibilitando, assim, sua disseminação.

Em sistemas de manejo, nos quais alguma fase de criação tenha contato com a terra ou material orgânico por tempo prolongado, como é o caso de criações ao ar livre – SISCAL – ou mesmo criações que utilizam cama sobreposta, deve-se dar mais atenção a possíveis infestações por vermes, principalmente em animais mais jovens.

Um bom acompanhamento pode ser feito durante as monitorias de abate, pois. na maioria das vezes. uma das fases do ciclo passa pelo fígado do suíno e provoca lesões que poderão ser observadas no abate.

No caso de ectoparasitas, principalmente sarna, todos os sistemas de manejo estão suscetíveis à infecção. Também podem ser monitorados no abate, ainda que a avaliação visual das fêmeas gestantes seja bastante conclusiva. Mas o diagnóstico mais efetivo atravesse dá a partir de raspados de pele, a serem realizados na introdução de animais na granja (quarentena) de forma a impedir a contaminação do plantel, e mesmo nos animais já em produção (gestação) para se avaliar o grau de infestação do rebanho.

Para todo o controle de endo e ectoparasitas, é necessário que se consulte um médico veterinário , bem como se utilizem os produtos registrados no MAPA.

Programa de vacinação

A vacinação constitui o método mais efi caz para a prevenção das doenças infecciosas nos humanos e animais. A elaboração de um programa de vacinação representa um recurso importante na prevenção de enfermidades. Nos sistemas intensivos atuais, onde os animais são criados confinados em um aproveitamento máximo de área, a proximidade uns dos outros acarreta maior desafio sanitário para os mesmos. Dessa forma, ferramentas de controle de enfermidades, como a utilização de vacinas, tornam-se indispensáveis para a redução das perdas econômicas causadas.

Período de carência

O período de carência ou de retirada tem como objetivo evitar a presença de resíduos do produto veterinário em alimentos, como carne, leite, ovos, pescado e mel, acima do permitido em nível considerado prejudicial à saúde humana. Esse período, que vai desde a retirada do medicamento ou suspensão do fornecimento da ração medicada até o abate do animal, depende do produto ou mesmo das combinações de produtos utilizados. Importante destacar que os períodos de carência variam muito entre as diferentes drogas.

O período de carência, que deve ser obedecido rigorosamente, atendendo à indicação do fabricante, tem de obrigatoriamente constar no rótulo do produto.

Programa de limpeza e desinfecção

O processo de limpeza e desinfecção é uma ferramenta indispensável no programa de biosseguridade e em todas as fases da produção. Tem como objetivo preparar as instalações para recebimento de um novo lote de suínos, reduzindo a pressão de infecção (retirada de sujidades e eliminação de agentes causadores de doenças como vírus, bactérias e parasitos), melhorando, assim, a produtividade e a lucratividade na suinocultura.

Muitas doenças se estabelecem quando se verifica uma grande presença de agentes patogênicos, ultrapassando os limites da resistência do animal. Desta forma, num ambiente com condição de higiene ruim, potencialmente contaminado, os animais não apresentam resistência e adoecem com frequência, causando perdas diretas (mortes) ou indiretas (desuniformidade, perda de peso, gastos com medicamentos, mão-de-obra).

Devem ser utilizados produtos de comprovada eficácia, adequados às características pró- prias de cada instalação e equipamentos, mão-de-obra qualificada, treinada e conhecedora da necessidade de uma perfeita atuação nas atividades de limpeza e desinfecção, e ainda, o conhecimento dos agentes etiológicos instalados na propriedade.

A realização rotineira de um processo de higienização detalhado é a condição indispensável para a manutenção de um alto nível de saúde do rebanho, pois através da redução da carga microbiana nas instalações, equipamentos e consequentemente no sistema de produção, seguramente se reduzirá o risco de ocorrência de doenças.

Importância econômica e sanitária da limpeza e desinfecção

A limpeza e desinfecção de instalações, veículos, equipamentos, silos, entre outros, requer o investimento nos insumos e tempo de mão-de-obra, mas consiste também em investimento rentável, tendo em vista que geralmente a prevenção de uma doença é mais fácil e barata que lidar com um surto e suas perdas.

Deve-se ressaltar que o custo com desinfecção representa menos de 1% do custo total de uma granja. Os processos de limpeza e desinfecção não conseguem impedir totalmente o risco da ocorrência de doenças. Sua aplicação, entretanto, ajuda a minimizar os efeitos negativos determinados pela maioria das infecções endêmicas às criações de suínos.

Isso significa que, se não for realizada a correta higienização, o lote seguinte de animais irá se deparar com os agentes que restaram no ambiente, oriundos do lote anterior. Somado a essa situação, devemos lembrar que qualquer estresse leva a imunodepressão em graus variados, ou seja, queda da resistência dos animais, como no caso de transferência de animais entre instalações. O somatório da baixa higiene das instalações, então, conjugado ao estado de baixa resistência dos animais constitui a fórmula perfeita para o aparecimento de doenças nos animais recém transferidos.

Animais em ambientes com baixa pressão de desafio (no caso, limpos e desinfetados) e com boa resistência (nutrição adequada e imunizados com vacinas adequadas e específicas ao desafio) têm melhor desempenho e menor ocorrência de doenças, gerando, desse modo, melhores resultados.

O recebimento e a armazenagem dos desinfetantes também são outros pontos que merecem atenção especial para evitar acidentes ou mesmo alterações indesejáveis. Ao recebê-los, confira quantidades, possíveis danos à embalagem e sedimentos ou alteração de cor (quando o recipiente permitir). Para armazená-los, considere sempre as instruções do fabricante e a ficha de segurança do produto.

Características dos desinfetantes

É muito importante estabelecer quais as bases serão utilizadas para desinfecção dentro da granja, inclusive determinando o tipo de desinfetante e sua correta diluição para cada instalação ou fase de criação. Tal planejamento deve prever o gasto mensal ou anual, quando tecnicamente justificável, estabelecer rodízio de bases ou princípio ativo e ainda estabelecer responsabilidades na execução e treinamento do pessoal.

4 Biosseguridade e ferramentas de controle sanitário Parte 4

Cada princípio ativo ou base do desinfetante tem ação sobre determinados microrganismos, conforme indica a tabela 5. Sua eficácia é modulada ou determinada pela concentração utilizada, ou seja, o grau de diluição.

Atenção à escolha do desinfetante

Quanto ao uso da vassoura de fogo ou lança-chamas em um programa de desinfecção, observa-se que tal procedimento tem sido menos indicado pelos técnicos e também menos usado pelos produtores. Sua indicação seria para bactérias e parasitas formadores de esporos (principalmente Clostridium e Isospora) que, nessa forma, apresentam-se muito resistentes ao meio ambiente e consequentemente à ação dos desinfetantes. Esse artifício somente é efetivo se aplicado muito lentamente para fazer com que as superfícies atinjam altas temperaturas capazes de destruir os agentes citados, tornando-se, assim, um processo bastante demorado.

Manejo “todos dentro/todos fora”

O sistema de manejo “todos dentro/todos fora” é o indicado no caso de granjas de suínos, pois se fundamenta na formação de grupos transferidos em sua totalidade de uma instalação a outra dentro da granja e simultaneamente. Por exemplo, na maternidade, onde todas as porcas parem em uma mesma sala, em um mesmo período de tempo e são todas desmamadas simultaneamente. Assim é possível fazer a limpeza e desinfecção completa e, ao mesmo tempo, na sala com todas suas baias, quebrando, assim, o ciclo de transmissão dos microrganismos de um lote para outro.

Densidade de alojamento

A densidade de alojamento deve ser respeitada para cada fase de criação, uma vez que afeta tanto o desempenho quanto diretamente a sanidade. Dessa forma, tem ligação próxima com o processo de limpeza e desinfecção. Maiores densidades levam a uma maior pressão de infecção.

Vazio sanitário

Trata-se de um período de “descanso” que se inicia após a desinfecção. Sua duração é variável, mas deve ser de no mínimo três a cinco dias. Nesse período, a instalação tem de ficar fechada e isolada da circulação de animais e pessoas.

Fumigação

É um processo complementar ao de limpeza e desinfecção. Trata-se da exposição de determinada área ou objeto a um desinfetante na forma de gás. Dessa forma, o objetivo é atingir aquelas partes que porventura não foram atingidas pelo processo de limpeza e desinfecção com produtos líquidos.
Para a eficácia da fumigação, são necessários alguns pré-requisitos: o local poder ser totalmente fechado, a umidade relativa do ar não ser inferior a 60% e a temperatura ambiental não estar abaixo de 20°C.
Para a fumigação de materiais a serem introduzidos na granja, usa-se o fumigador. O produto usado é o permanganato de potássio + formol ou o paraformaldeído. Os produtos citados são queimados, originando-se, assim, o gás desinfetante. O tempo mínimo de fumigação é de 20 minutos.

Aplicação prática de um programa de limpeza e desinfecção (PLD)

A limpeza diária e rotineira das instalações é importante para garantir boa higiene no ambiente e deve ser realizada em todos os setores da granja, com o uso de água ou limpeza a seco e ainda o auxílio de instrumentos como vassouras, rodos e pás. Após a saída dos animais, deve-se seguir os procedimentos abaixo descritos.

Controle de moscas e roedores

As moscas e os ratos assumem importante papel como vetores de doenças no sistema de produção de suínos, devendo, por isso, ser controlados permanentemente. Entre as medidas gerais de controle destacam-se o destino adequado do lixo, animais mortos, restos de parição e dejetos, limpeza e organização da fábrica, depósito de rações e insumos, além dos galpões e arredores.
O primeiro passo para se evitar roedores é criar um ambiente impróprio para sua proliferação, ou seja, limpeza e organização, eliminando os resíduos e acondicionando bem a ração e os ingredientes. O combate direto pode ser realizado através de meios mecânicos como a utilização de armadilhas e ratoeiras ou produtos químicos (raticidas), os quais devem ser empregados com cuidado (dispositivos apropriados) para evitar intoxicação dos animais e operadores.
Para o controle de moscas, recomenda-se o “controle integrado” que envolve medidas mecânicas direcionadas ao destino e tratamento de dejetos, que deve ser realizado permanentemente, somado ao controle químico ou biológico que elimina o inseto em alguma fase do seu ciclo de vida. Sempre que houver aumento da população de insetos na granja, em especial de moscas, deve-se procurar e eliminar os focos de procriação.
No mercado, existem produtos e empresas especializadas no combate a moscas e roedores. O ideal é a contratação de profissionais experientes para esse serviço. Caso seja realizado pelos próprios funcionários da granja, estes deverão utilizar equipamentos de proteção individual e seguir as recomendações do fabricante do produto, buscando-se, assim, evitar a contaminação de humanos e dos animais. É muito importante utilizar somente produtos registrados no MAPA ou Ministério da Saúde.

5 Manejo aplicado à reprodução

Nas granjas de suínos, o plantel de reprodução é composto tanto por marrãs pré-púberes (aquelas que ainda não manifestaram o primeiro cio) quanto por púberes em preparação para a cobertura ou gestantes, multíparas gestantes, lactantes e desmamadas. Nesse tópico, serão descritos os principais manejos reprodutivos aplicados à fêmea suína e a sua implicação prática sobre o desempenho reprodutivo das granjas.

Preparação de marrãs

Os princípios que devem ser observados no manejo de preparação de marrãs são as instalações, ambiência, nutrição, manejo reprodutivo e sanidade. É importante observar que existem diferenças entre os manejos adequados para cada linhagem genética disponível hoje no Brasil. Nesse sentido, então, faz-se interessante um bom contato com o fornecedor dos animais para a produtividade.

As marrãs de reposição devem ser alojadas em baias, com espaçamento de 2,0 a 2,2 m2/ fêmea, com 6-10 animais/baia, em piso de boa qualidade, com água à vontade e comedouros adequados (fi gura 1 e 2).

Imediatamente após a chegada, caso a granja não possua quarentena, deve ser iniciada a adaptação sanitária com a aplicação dos procedimentos já descritos no capítulo sobre Biosseguridade. O procedimento de vacinação e medicação deve ser discutido e indicado por um médico-veterinário.

Juntamente com a adaptação sanitária, recomenda-se dar início ao manejo de indução da puberdade. Esse procedimento consiste em colocar a fêmea jovem em contato com um macho adulto (com mais de 10 meses de idade) e saudável, duas vezes ao dia, durante 15 minutos, permitindo um contato focinho a focinho entre ambos. Como as leitoas estão alojadas em baias nessa fase, o macho deve entrar nesse local e dispor de tempo sufi ciente para estabelecer contato com todas as fêmeas (fi guras 3 e 4). Deve-se observar o rodízio de machos para renovação e variação do estímulo.

Tradicionalmente, esse manejo é iniciado aos 150-160 dias de idade, o que é conhecido como indução precoce da puberdade.

Após a manifestação do primerio cio, as fêmeas devem ser agrupadas em baias com data semelhante de entrada em cio, de forma que os lotes fi quem organizados, devendo ainda se acompanhar as próximas entradas em cio para definição do momento da cobertura. Espera-se que 95% das marrãs estejam em cio até 30 dias após o início do manejo com o macho.

A definição de momento ideal para a cobertura das marrãs deve ser feita baseando-se no adequado peso compatível com a idade, número de cios apresentados, flushing de 14 dias pré- -cobertura (ração de lactação à vontade) e programa de adaptação sanitário completo (vacinas recomendadas). Qualquer um desses fatores que venha a falhar pode resultar em falhas reprodutivas, problemas sanitários e até necessidade de remoção precoce da fêmea do plantel.

Peso/idade/ número de cios

A recomendação é de que as marrãs sejam cobertas com 140-150 kg de peso vivo, com idade aproximada de 220 a 240 dias e, a partir do 2º cio, preferencialmente no 3º cio. Dados de pesquisa consistentes indicam que, com essas caracteríticas, é possível associar a maturidade hormonal da fêmeas com as reservas corporais de tecido magro e gordura e com um alto número de ovulações e espaçamento uterino adequado para gestação de um grande número de fetos. O peso corporal tem sido considerado o fator mais importante relacionado à determinação do desempenho da primípara e sua influência no desempenho por toda a vida. Assim, a marrã coberta com peso adequado chegará ao parto com bom escore corporal, garantindo uma boa primeira lactação e retorno à ciclicidade, além de um bom desempenho no segundo parto.

Vacinação para doenças reprodutivas

A vacinação para parvovirose, leptospirose e erisipela tem um excelente custo/benefício, sendo ainda um dos pontos não negociáveis do manejo da leitoa pré-cobertura. A vacina é aplicada em duas doses e a recomendação é a de que exista um intervalo mínimo de 15 dias entre a primeira e a segunda dose, devendo haver ainda o mesmo intervalo entre a segunda dose e a cobertura da fêmea. Em geral, para uma leitoa que será inseminada aos 210-230 dias, o ideal é que as doses da vacina sejam aplicadas aos 180 e 200 dias de idade.

Manejo alimentar das marrãs

As marrãs atuais têm um ganho de peso diário muito alto e, por isso, devem ser alimentadas durante a indução da puberdade para uma taxa de crescimento de 0,700 a 0,800 kg/dia. Assim, a alimentação, desde o início da indução da puberdade até duas semanas antes da cobertura, deve ser moderadamente restrita, já que as fêmeas cobertas muito gordas têm maior taxa de descarte e resultados reprodutivos piores.

Nos 15 dias que antecedem a cobertura, deve ser realizado o aumento da quantidade de ração e do número de arraçoamentos/dia. Esse manejo se chama flushing e é uma forma de aumentar a sobrevivência dos folículos que serão ovulados, além de também melhorar o ambiente uterino que vai receber os embriões, aumentando, assim, as chances de leitegadas maiores. Deve-se também utilizar uma ração mais energética como a lactação, à vontade.

Para realização do flushing adequadamente em marrãs alojadas nas gaiolas, é indispensável utilizar os comedouros acessórios, conforme indicam as fi guras 5 e 6, para que elas tenham ração à disposição durante todo o dia. Nas baias, com comedouros lineares, é possível fazer o flushing, apenas deixando ração à vontade.

Para realização do flushing adequadamente em marrãs alojadas nas gaiolas, é indispensável utilizar os comedouros acessórios, conforme as fi guras 5 e 6, para que elas tenham ração à disposição durante todo o dia. Nas baias, com comedouros lineares, é possível fazer o flushing apenas deixando ração à disposição.

As marrãs que estão alojadas em baias podem ser cobertas nas baias ou nas gaiolas. Caso sejam cobertas nas gaiolas, é fundamental realizar a transferência dessas para se adaptarem à nova instalação duas semanas antes da cobertura, juntamente com a realização do flushing.

Em resumo, para o adequado manejo das marrãs devemos seguir os seguintes pontos:

1. Receber fêmeas com 150-160 dias de idade;

2. Alojar em baias com 2,0 a 2,2 m2 /fêmea, grupos máximos de 10 fêmeas da mesma idade;

3. Aplicar o protocolo de vacinação da adaptação sanitária (deve ser definido para cada granja) e utilizar 14 dias de ração medicada;

4. Iniciar o manejo com o macho logo após a chegada na granja, duas vezes/dia, durante 15 minutos, até a formação das baias sincronizadas;

5. Utilizar machos com mais de 10 meses de idade, utilizando machos diferentes de um dia para o outro para variar o estímulo;

6. Realizar a vacinação reprodutiva 40 e 20 dias antes da cobertura;

7. Fazer a adaptação nas gaiolas e o flushing duas semanas antes da cobertura.

Manejo reprodutivo

As categorias de fêmeas incluídas no manejo reprodutivo são as marrãs prontas para cobertura (com todos os passos anteriores cumpridos), as matrizes desmamadas de todas as ordens de parto e as matrizes que voltam aos grupos de cobertura após problemas reprodutivos (retorno ao cio, aborto).

Logo após o desmame, espera-se que o retorno ao cio ocorra em um intervalo médio de cinco dias. As matrizes que tiverem diagnóstico de cio positivo serão inseminadas e as demais continuarão sendo estimuladas com o macho até que entrem no cio e, consequentemente, nos grupos de cobertura.

Normalmente, as fêmeas fi cam alojadas em gaiolas e o macho colocado em frente às fêmeas desmamadas diariamente, duas vezes ao dia, e devem ser pesquisados os sinais de cio. Os sinais de cio são edema e hiperemia da vulva (figura 10), orelhas eretas (figura 9) e o reflexo de tolerância ao homem na presença do cachaço, onde a fêmea fica completamente parada na presença do macho adulto (figura 7 e 8).

Inseminação artificial

As fêmeas que estiverem em cio deverão ser incluídas em um protocolo de inseminação. Duas possibilidades estão descritas na tabela 1. Utilizam-se duas a três doses de sêmen com três bilhões de espermatozoides cada, distribuídas durante o cio em intervalos regulares, uma ou duas vezes ao dia.

6 Manejo aplicado à reprodução Parte 2

É fundamental sempre verificar se a matriz continua em cio antes de se fazer a infusão da dose, pois inseminações após o final do cio aumentam as chances de infecção uterina e de baixo número de nascidos.
No protocolo com duas doses diárias, as matrizes recebem em média 3,2 doses/cio e no protocolo de 24 horas de intervalo, esse número é reduzido para 2,2 doses na média da granja.
A granja deve optar por um desses protocolos considerando as particularidades de seu sistema. Por exemplo, programas com intervalos de 24 h entre doses inseminantes somente devem ser adotados por sistemas que utilizem sêmen fresco (com máximo de 36 h de armazenamento) e com equipes altamente treinadas para diagnóstico de cio.
Independentemente do protocolo definido, a técnica de inseminação está ilustrada na sequência de fotos abaixo (fi guras 11 a 18).

Manejo pós-cobertura e gestação

Após a inseminação, as matrizes devem permanecer no mesmo local, não devendo ser transferidas ou sofrer estresse até os 35 dias de gestação. O diagnóstico de retorno ao cio deve ser iniciado aos 14-15 dias após a cobertura, procurando identificar precocemente as fêmeas que não ficaram prenhes para realocá-las no próximo grupo de cobertura ou encaminhá-las ao descarte.
O manejo de alimentação, que era à vontade pré-cobertura, deve passar a restrito nos quatro a cinco dias que seguem à cobertura. Posteriormente, a quantidade de ração servida tem de ser adequada durante as diferentes fases da gestação (fi guras 20 e 21) para atender o crescimento de tecidos maternos, fetais e glândula mamária.
O ajuste da condição corporal deve ser iniciado logo após esse curto período de restrição, sendo desejável que as fêmeas sejam desmamadas e cobertas no escore próximo a 3 e estejam com escore próximo a 4 no momento do parto (fi gura 19). Essa informação também pode ser discutida com a equipe técnica da genética utilizada.
No terço final da gestação (a partir dos 70-80 dias), a alimentação da mãe deve ser direcionada para o crescimento dos fetos e a glândula mamária (fi gura 22 e 23). Essa fase interfere diretamente no peso dos leitões ao nascer e na produção de leite após o parto. A quantidade fornecida é aumentada e, muitas vezes, é possível produzir uma ração pré-parto ou mesmo usar a ração lactação nessa fase.
Erros nesse manejo produzem consequências sobre a produção de leite (fi gura 24 e 25), sobre o peso médio ao nascer e sobre o percentual de leitões nascidos com baixo peso. Tudo isso tem reflexo sobre o desempenho da maternidade e as fases subsequentes.
O fornecimento de água também não deve ser esquecido, pois as matrizes gestantes tendem a se locomover pouco e acabam ingerindo pouca água. Os bebedouros tipo calha que servem também como comedouros nas gaiolas de gestação exigem limpeza e reabastecimento frequentes, caso contrário a água terá qualidade ruim ou insuficiente (fi guras 26 e 27).
Em baias coletivas, os bebedouros poderão ser tipo chupeta ou byte ball, regulados 5 a 10 centímetros acima do dorso das fêmeas com vazão de 2,0 litros por minuto. Poderão ser utilizados também bebedouros tipo concha fixados a 20 centímetros do chão, também com vazão de 2,0 litros por minuto.
Os principais problemas sanitários com fêmeas gestantes estão relacionados ao aparelho locomotor (figura 29) e ao trato urinário (fi gura 31). Os problemas de aparelho locomotor estão relacionados à nutrição, mas principalmente à qualidade dos pisos das gestações (fi gura 28). Os problemas urinários são causados pela baixa ingestão de água, baixa frequência de micção e alta contaminação ambiental (figura 30).
Para prevenir problemas urinários, as matrizes devem ser levantadas quatro vezes ao dia, em horários fixos, desconsiderando-se o momento do arraçoamento. Esse manejo estimula a ingestão de água e a micção (fi gura 32).
Ainda durante a gestação, existem os protocolos de vacinação será serem aplicados nas matrizes, os quais consistem principalmente de vacinas para doenças entéricas dos leitões recém-nascidos e rinite atrófica. Esses protocolos devem respeitar a recomendação do fabricante e do médico veterinário.

7 Manejos aplicados à maternidade

A maternidade pode ser considerada como um setor central dentro da granja, pois fornece os leitões para as fases de crescimento e devolve as matrizes para o setor de reprodução (gestação). O manejo de maternidade interfere diretamente na performance tanto das matrizes quanto dos leitões no pós-desmame, exigindo uma mão-de-obra muito bem treinada para cumprir rotinas relacionadas aos cuidados sanitários, alimentares e de ambiente. Registros de indicadores e de ocorrências são ferramentas fundamentais na melhoria constante de todos os processos.

Cuidados no pré-parto

A preparação ao parto inclui cuidados com o ambiente onde os animais serão alojados e a transferência e a adaptação das fêmeas na instalação.

Como forma de reduzir a pressão de infecção, o setor de maternidade deve trabalhar no sistema “todos dentro - todos fora” e a partir de procedimentos criteriosos de lavagem, desinfecção e vazio sanitário das instalações, antes da entrada de qualquer animal do lote subsequente.

Alojamento das matrizes na maternidade e alimentação pré-parto

Antes do alojamento das matrizes, os equipamentos de climatização e alimentação, bem como bebedouros, cortinas e demais componentes das instalações devem ser testados, a fi m de que se proceda com as correções necessárias em tempo ágil e se garanta o pleno funcionamento de todos os itens quando do manejo dos animais.

Recomenda-se levar as porcas para a maternidade de cinco a sete dias antes da data prevista para o parto (fi guras 1 a 4). Transferências muito próximas ao momento da parição não permitem uma boa adaptação da matriz ao ambiente de maternidade, resultando em maior estresse durante o parto, além do risco de ocorrerem partos no setor de gestação em fêmeas que naturalmente antecipam alguns dias na data prevista, além de interferir na qualidade do colostro.

As fêmeas que serão transferidas devem ser lavadas com escova, água e sabão, dando especial atenção à região posterior, aparelho locomotor e mamário. Pode-se ter um local especial para lavar os animais de forma a dar mais segurança e conforto a quem for realizar a tarefa. Recomenda-se também evitar lavar os animais em grupo, principalmente quando alojados na gestação em gaiolas individuais, pois podem ocorrer brigas, ferimentos nas fêmeas e até natimortalidade.

Após o banho, as matrizes devem ser transferidas com calma, sem estresse ou agressões, individualmente ou em grupos pequenos (três a quatro matrizes). Transferir as fêmeas nas horas mais quentes do dia durante o inverno e nas horas mais frescas no verão. Falhas na transferência para a maternidade podem resultar na ocorrência de abortos, partos prematuros, mortalidade de fêmeas e nascimento de leitões natimortos pré-parto.

Ainda antes do parto, recomenda-se proceder com a contagem de tetas funcionais de cada matriz, anotando essa quantidade na ficha da porca ou no posterior do animal, o que auxilia no momento da uniformização das leitegadas.

Desde o primeiro dia de alojamento na maternidade deve ser fornecida ração do tipo lactação nas mesmas quantidades que vinham sendo dadas no final da gestação, pois o crescimento dos fetos nessa fase final é bastante significativo.

Nos três dias que antecedem o parto, recomenda-se a redução na quantidade de ração fornecida para diminuir o volume de fezes no intestino. Isso é importante para prevenir a ocorrência de complicações e a contaminação com fezes durante o parto. Pode-se ainda utilizar produtos laxativos (sal amargo) alguns dias antes da parição. No dia do parto, as fêmeas não podem ser alimentadas, recebendo apenas água à vontade.

Indução ao parto

A ocorrência dos partos pode ser programada com o uso da indução. Se bem conduzido, esse procedimento determina que mais de 80% dos partos ocorram entre 24-36 horas após a aplicação do produto indutor. O principal objetivo dessa técnica é reduzir a ocorrência de partos no período noturno, quando há poucos ou nenhum funcionário para atender os leitões.

Os produtos utilizados são o dinoprost ou coprostenol sódico, nas doses recomendadas nas suas bulas, podendo ser aplicados pela via intramuscular com agulha 40x12 ou na submucosa vulvar (figura 5) com agulha de insulina (13 x 4,5).

A escolha do momento da aplicação deve ser feita baseada na duração média da gestação de cada fêmea e de cada granja, sendo recomendado utilizar como padrão um dia antes da data prevista do parto. Faz-se necessário muito cuidado quanto à exatidão das anotações de cobertura, caso contrário haverá risco de indução de abortos ou partos prematuros, além de nascimento de leitões fracos, pouco viáveis e até de leitegadas inteiras sem qualquer leitão vivo.

Assistência ao parto

O atendimento imediato ao parto e aos leitões recém-nascidos se faz fundamental para garantir a sobrevivência do maior número possível de leitões, reduzindo, assim, o frio e acelerando a chegada ao aparelho mamário ou pela intervenção nos partos com problemas.

Sinais de parto

Para que o acompanhamento ao parto seja efetivo, desde o início é preciso conhecer os sinais que antecedem a expulsão do primeiro leitão. O quadro abaixo resume esses sinais (fi gura 6 a 9). Principais sinais associados ao parto e momento em que eles ocorrem.

A eliminação de uma secreção com consistência semelhante à urina indica a abertura da cérvix e a possibilidade de expulsão do primeiro leitão. A fêmea mostra as contrações através de movimentos de esticar e encolher dos membros posteriores em direção ao abdômen. Esses movimentos são responsáveis pela expulsão do feto.

Parto e registros

Os leitões são expulsos com a fêmea em decúbito lateral (deitada de lado) e a cada leitão que estiver passando pelo canal do parto, a fêmea faz um movimento da cauda. A posição de nascimento dos leitões pode ser em apresentação anterior (fi gura 10) ou posterior. A placenta pode ser expulsa (fi gura 12) junto com os primeiros leitões nascidos e ao longo de todo o processo, mas normalmente quando em quantidade maiores pode ser um indicativo de que o parto está no fim.

É importante utilizar fichas de parto, registrando a hora de nascimento de cada leitão, visando a auxiliar na decisão de intervenção. Da mesma forma, pode-se anotar as intervenções (carbetocina ou ocitocina, toque e aplicação de medicamentos), peso ao nascimento e o tipo de leitão: vivo, natimorto ou mumificado (figuras 13 a 15).

Tabela 1: Classificação natimortos e mumificados

Classificar adequadamente no momento do parto é muito importante, pois as medidas que devem ser tomadas para prevenir essas perdas são diferentes entre essas três categorias.

Intervenção aos partos complicados (distócicos)

Considera-se como distócico todo parto que foge da normalidade, ou seja, onde a fêmea não consegue parir naturalmente, precisando da intervenção humana.

Os principais problemas nos partos em suínos são a presença de leitões mal posicionados ou muito grandes e a falta de contrações uterinas.

As reações das fêmeas durante o parto são bastante variáveis e podem ter interferência de fatores ambientais como temperatura e tranquilidade da sala de maternidade. Apesar disso, a fêmea normalmente manifesta comportamento diferenciado quando o trabalho de parto não transcorre de forma normal. Saber reconhecer esse comportamento anormal e realizar as intervenções corretas no tempo certo pode auxiliar na redução da perda de leitões e de fêmeas.

Em geral, quando ocorre um intervalo maior que 20 minutos entre os nascimentos, deve-se considerar que há algum tipo de complicação, buscando-se iniciar, assim, as intervenções.

São dois tipos de distocias mais frequentes:

1. A fêmea apresenta contrações abdominais frequentes e vigorosas, associadas a inquietação e sem o nascimento de qualquer leitão;

2. A fêmea não apresenta contrações abdominais e uterinas após o nascimento de um leitão que exigiu muita força e energia da fêmea ou durante um parto prolongado e difícil;

8 Manejos aplicados à maternidade Parte 2

Em ambos os casos, deve-se iniciar com procedimentos não invasivos que podem auxiliar a fêmea.
O primeiro procedimento deve ser massagear o abdômen no sentido crânio-caudal (das costelas para o posterior da fêmea), de forma vigorosa, porém sem machucar a fêmea (fi gura 16). É importante tomar cuidado com massagem feitas com os pés, onde o operador coloca-se em pé sobre o abdômen da fêmea. A massagem abdominal e do aparelho mamário pode ser realizada mesmo durante um parto normal, já que estimula a liberação de ocitocina e as contrações uterinas.
O segundo procedimento não invasivo é levantar a fêmea calmamente e mudá-la de posição. O útero da matriz suína é relativamente grande e, muitas vezes, durante o parto, pode ocorrer algum problema de posicionamento dos fetos, o que prejudica o trânsito dos mesmos. A simples mudança de posição da matriz, em muitos casos se mostra sufi ciente para reposicionar os leitões.
Quando esses procedimentos não são sufi cientes, deve-se avaliar o tipo de problema (se há ou não contrações) e tomar a decisão entre os procedimentos de toque ou a aplicação de carbetocina ou ocitocina.
Quando o problema é a falta das contrações, o procedimento recomendado em geral é a aplicação de carbetocina ou ocitocina, respeitando-se a dose recomendada pelo fabricante. A utilização de carbetocina ou ocitocina deve ser cuidadosa e realizada somente quando existir a certeza de que não há nenhum leitão preso no canal cervical, pois isso pode resultar em prolapso e até rompimento do útero caso o canal do parto esteja obstruído.
No caso das contrações vigorosas e inquietação da fêmea, deve-se proceder com o toque, seguindo as regras de higiene e cuidados na realização.
Em resumo, a intervenção só é recomendável quando o parto não transcorre normalmente, ou seja, quando o intervalo entre leitões aumenta ou as contrações param. Algumas etapas devem ser seguidas e, didaticamente, recomenda-se cumprir o diagrama abaixo:

Manejo dos recém-nascidos

O parteiro precisa estar treinado e dispor dos seguintes materiais para atendimento imediato dos recém-nascidos:
a) papel toalha absorvente, pó secante ou maravalha para secagem do leitão;
b) tesoura para o corte do cordão umbilical – limpa e desinfetada, mantida sempre bem afiada;
c) cordão de algodão – mantido embebido em solução desinfetante trocada diariamente;
d) solução desinfetante para o umbigo – acondicionada em recipiente fechado e com capacidade para pequenos volumes;
e) Carbetocina ou ocitocina para determinados partos distócicos;
f) antibiótico injetável e antitérmico para matriz em caso de toque ou febre;
h) luvas de toque dentro de suas embalagens;
i) solução lubrificante estéril para toque;
j) agulha e linha cirúrgica para pequenas intervenções;
l) lâminas e cabo de bisturi;
m) tranquilizante e anestésico local;
n) relógio e caneta para anotações;
o) seringas e agulhas (40 x 15).
Esses materiais devem, preferencialmente, estar acondicionados em uma bandeja (figura 20) ou caixa a ser limpa três vezes ao dia. Nessa ocasião, lavam-se a caixa, a tesoura e, externamente, os frascos de solução desinfetante para o umbigo e o cordão.
As tarefas a serem realizadas com o leitão imediatamente após seu nascimento são as seguintes:
Imediatamente após esse procedimento inicial, o leitão deve ser acompanhado na sua primeira mamada.

Reanimação de leitões aparentemente mortos

Alguns leitões podem nascer com parada respiratória, aparentemente mortos, porém mantem os batimentos cardíacos. Para tentar reanimá-los, deve-se proceder conforme consta nas fi guras 27 e 28.
Posicionar o leitão de cabeça para baixo e forçar a saída de secreções das vias respiratórias. Fazer compressão intercalada do tórax, compressão do abdômen em direção ao tórax para expulsar líquidos aspirados e reativar a respiração. Se for obtido sucesso, esses leitões devem ser abrigados em local aquecido e incentivados a mamar assim que possível.

Acompanhamento da primeira mamada (ingestão do colostro)

É fundamental que o leitão mame o colostro, pois ele nasce praticamente sem imunidade, já que a placenta da fêmea suína não permite a transferência de anticorpos para os fetos durante a gestação.

9 Manejos aplicados à maternidade Parte 3

A ingestão de colostro precisa ocorrer uniformemente na leitegada, o que só é possível acompanhando a mamada logo após o nascimento. Deve-se fazer com que os leitões tenham a ingestão da maior quantidade possível nas primeiras seis horas de vida – período de maior concentração de anticorpos no colostro e maior absorção pelo intestino do leitão. A organização da mamada nesse período está ilustrada nas fi guras 29 a 34.
Nas leitegadas grandes, o ideal é assegurar que os primeiros 8-10 leitões nascidos mamem o colostro e, após isso, marcá-los com um pincel. Na sequência do transcorrer do parto, os primeiros serão fechados no escamoteador, mantendo no máximo dez leitões mamando até o término. Dessa forma, evita-se disputa por tetos e garante-se uma melhor ingestão de colostro em 100% dos leitões, inclusive nos que nascem por último.

Manejo dos leitões na primeira semana

Vários procedimentos devem ser realizados nos primeiros dias de vida dos leitões para garantir a viabilidade durante a lactação e a melhor performance nas fases posteriores de crescimento. Muitos dos procedimentos realizados na primeira semana de vida do leitão são invasivos e, portanto, têm de ser realizados com muito cuidado, pois podem ser portas de entrada para inúmeras infecções, como nas articulações, no umbigo e até generalizadas.
A ocorrência desses problemas pode resultar na diminuição do ganho de peso e refugagem, com consequente morte ou eliminação. Além disso, os prejuízos secundários são a elevação dos custos com medicamentos e maior tempo da mão-de-obra para cuidar de leitões doentes.

Treinamento para uso do escamoteador

O escamoteador deve ter um ambiente seco, com aquecimento adequado e luminosidade, onde o leitão se sinta confortável para passar a maior parte do tempo em que não estiver mamando (fi gura 35). Essa estrutura é fundamental na redução do estresse, redução da perda de energia e na melhoria da saúde geral dos leitões. O escamoteador deve proporcionar boa vedação, distribuir calor uniformemente e evitar correntes de ar. Os ajustes devem ser feitos de modo a permitir a manutenção da temperatura adequada dentro do escamoteador, o que o tornará atrativo para os leitões. Caso contrário, eles irão abrigar-se junto da mãe, aumentando o risco de morte por esmagamento. Escamoteador frio ou muito quente, escuro e/ou úmido, provavelmente se tornará local de micção e defecação para os leitões (figura 36).
Nos primeiros dias de vida, o leitão deve ser treinado para permanecer dentro do escamoteador nos momentos em que não estiver mamando. Desenvolver esse hábito no leitão é fundamental para a redução da mortalidade por esmagamento.
Em duas situações especiais, é obrigatório que o leitão seja fechado no escamoteador nos primeiros dia de vida: nos momentos de limpeza da sala e de alimentação das matrizes. Nessas ocasiões, a fêmea está em pé e é comum ocorrer esmagamento no momento em que ela volta a se deitar.
Nos demais momentos, os leitões devem ser conduzidos ao escamoteador assim que acabar a mamada, e o escamoteador deve ser fechado por aproximadamente 40 minutos. Então, a porta do escamoteador é aberta para que fi quem livres para mamar. Quando uma nova mamada se encerrar, os leitões são conduzidos novamente para o escamoteador e a porta é fechada por mais 40 minutos. Essa atividade deve ser repetida várias vezes durante o primeiro e o segundo dia, até que a leitegada adquira o hábito de entrar no escamoteador após a mamada.
Nessa tarefa de treinamento é muito importante que os leitões sejam conduzidos até o escamoteador com o uso de uma vassoura ou de qualquer objeto que os obrigue a entrar, não devendo ser carregados até lá.
Outro ponto importante é que os manejos traumáticos dos primeiros dias (caudectomia, desgaste de dentes, aplicação de ferro) não sejam realizados com os leitões dentro do escamoteador e sim na parte posterior da baia, deixando o escamoteador livre para que eles se refugiem após os procedimentos.

Corte de cauda (caudectomia)

O corte do último terço da cauda é um manejo realizado como prevenção ao canibalismo nas fases de crescimento. O ideal é que seja realizada no primeiro dia de vida com um aparelho que permita cortar e cauterizar ao mesmo tempo (fi guras 37 a 39). A cauterização previne hemorragias e promove cicatrização mais rápida do tecido.
Não se recomenda que seja feito muito próximo da base da cauda, pois aumenta o risco de infecções. Quanto maior o diâmetro da cauda no local da incisão, maior o risco de infecções e mais demorada a cicatrização. A caudectomia pode ser a porta de entrada para bactérias que poderão produzir abscessos na coluna vertebral, artrites e septicemias.

Desgaste dos dentes:

O leitão nasce com oito dentes: quatro caninos e quatro incisivos. Em geral, esses dentes são pontiagudos o sufi ciente para promover lesões no aparelho mamário da fêmea e nos demais leitões, durante brigas ou na estimulação do aparelho mamário. Em situações transitórias ou não de baixa produção leiteira e/ou manejo inadequado de uniformização e transferência de leitões, as disputas por tetos tornam-se mais frequentes predispondo a lesões nos leitões.
Os dentes devem ser tratados com aparelho desgastador (figuras 40 a 42). Recomenda-se não utilizar alicate para cortar os dentes, devido ao maior risco de lesões por utilização incorreta ou ferramenta inadequada.
O manejo dentário nunca deve ser realizado antes da primeira mamada, evitando assim que esse procedimento interfira na ingestão do colostro. Para a realização dessa tarefa, é fundamental que a cabeça do leitão esteja bem fixada e a boca, aberta. Deve-se desgastar o terço superior do dente, tomando cuidado para não lesar a língua, a gengiva e os lábios.

Aplicação de ferro

O leite da fêmea suína pode suprir apenas 10 a 20% das necessidades diárias de ferro e as reservas corporais desse mineral no organismo do leitão são muito baixas. Portanto, os leitões criados em confinamento total são extremamente susceptíveis ao aparecimento da anemia ferropriva. Os leitões com essa anemia apresentam redução da taxa de crescimento, leve dificuldade respiratória e maior predisposição ao aparecimento de doenças como diarreia neonatal e pneumonias (redução da resistência orgânica). O aumento da taxa de mortalidade é inevitável, podendo chegar até a 60% dos leitões afetados.
As fontes de ferro suplementar podem ser injetáveis (fi gura 43) e por via oral. No procedimento injetável, cuidados de higiene devem ser preconizados, pois o resultado pode ser a formação de abscessos, infecções localizadas e complicações como a septicemia. Além disso, pode ocorrer refluxo no local da aplicação ocasionando subdosagem.
Deve ser usada uma agulha especifi camente para abastecer a seringa e outra para aplicação nos animais. Recomenda-se aplicar intramuscular uma dose de 200 mg de ferro dextrano (1 ou 2 ml conforme a concentração do produto) até o terceiro dia de vida, utilizando-se agulhas 10 x 8.

Castração

A castração dos machos tem o objetivo de eliminar o odor e o sabor desagradáveis da carne dos animais inteiros. É um procedimento cirúrgico que deve ser realizado ainda na primeira semana de vida, pois, além de os leitões serem mais fáceis de conter, existe menor risco de hemorragias e infecções, sendo, ainda, mais rápida a cicatrização.
A higiene da maternidade, dos instrumentos e do operador constitui o fator determinante sobre a ocorrência de infecções na castração.
O material necessário é um bisturi com lâmina em boas condições (deve ser trocada sempre que perder o fi o), além de uma solução desinfetante para os equipamentos e mãos.
Os animais a serem castrados deverão ser examinados para a presença de hérnias inguinais, mono ou criptorquidismo. Nesse caso, deverão ser separados dos demais para a realização do procedimento adequado para cada caso.
Independente do método de castração, o primeiro passo é a limpeza da pele do saco escrotal com antisséptico. Os testículos devem ser trazidos próximos à superfície com os dedos indicador e polegar, e a castração pode ser procedida de várias formas, mas o mais comum é a realização de um corte longitudinal na bolsa escrotal sobre cada testículo, exposição dos testículos e extirpação dos mesmos juntamente com o cordão espermático (ductos e vasos sanguíneos). Cortes horizontais não são recomendados, pois facilitam o acúmulo de sujidades e infecção do local. Não é recomendado o uso de sprays repelentes, pois promovem irritação e ardência. Produtos cicatrizantes de aplicação local podem ser utilizados.
A sequência da castração está ilustrada nas fi guras 44 a 46.

Uniformização das leitegadas pós-parto

Após garantir ingestão uniforme de colostro para todos os leitões, realiza-se a uniformização de leitões entre as porcas da mesma sala de maternidade, com o mesmo dia de parto. Recomenda-se realizar a uniformização nos leitões por peso, após a ingestão do colostro, até 24 horas pós-parto, retirando o excesso de leitões em relação ao número de tetos disponíveis em cada porca. Deve-se manter em uma mesma porca leitões de tamanhos não muito diferentes, ou seja, agrupar os médios junto aos pequenos e os grandes junto aos médios, nunca os pequenos com os grandes.
Quanto melhor o manejo de uniformização no primeiro dia, menor a necessidade de posterior movimentação entre leitegadas. Entretanto, com o passar dos dias, é comum ocorrer atraso no desenvolvimento de determinados leitões em decorrência de secagem de tetos. Nesse caso, deve-se retirar todos os leitões de mesma sala ou lote que estejam nessa condição e colocá-los em uma mãe de leite, alojada na sala dos animais transferidos. A diferença de idade dos leitões e dias de lactação da fêmea que os adotar não deve ser superior a sete dias, para que a produção leiteira seja compatível com a demanda dos leitões.
Nas leitegadas com baixo peso, pode-se optar pelo não desgaste dos dentes e até a colocação de escamoteadores móveis e aquecidos, onde os leitões de baixo peso e fracos sejam alimentados até adquirirem energia para mamar por conta própria, o que representa uma alternativa para manter esses leitões confortáveis e alimentados. Em algumas granjas, esse procedimento é conhecido como “manejo do caixote” (fi gura 47). A permanência nesse local deve ser de, no máximo, um dia – tempo sufi ciente para fornecer energia para o leitão se alimentar sozinho nos tetos. Deve-se tomar cuidado para não colocar no caixote leitões refugos, mais velhos, ou com diarreia.
As fontes de energia suplementar podem ser a aplicação de polivitamínicos injetáveis, óleos vegetais (óleo de coco) ou pasta energética via oral e o fornecimento de leite proveniente de um banco de leite. A coleta e o armazenamento de leite ou mesmo colostro devem ser realizados obedecendo-se a padrões de extrema higiene, sob pena de tornar-se uma fonte de disseminação de problemas entéricos. O leite pode ser coletado diariamente ou mesmo congelado para uso em momentos de necessidade. É preciso condicionar os leitões a mamarem também na fêmea, caso contrário os leitões assumirão o banco de leite como sua única fonte de alimentação. O leite pode ser fornecido através de mamadeira ou uso de uma sonda, onde a deposição é realizada diretamente no estômago. Utiliza-se 10 a 20 ml de leite 3 a 4 vezes por dia.

10 Manejos aplicados à maternidade Parte 4

O ponto inicial para determinar quais procedimentos devem ser adotados é fazer a distinção entre leitões com baixo peso ao nascimento e leitões fracos (incapazes de mamar por conta própria). O segundo ponto é avaliar se existe viabilidade de manutenção desses leitões ou se a eliminação (eutanásia) é a alternativa mais adequada. Feitas essas observações, o manejo com leitões pequenos consiste basicamente em fornecer fontes adicionais de energia e mantê-los em ambiente limpo, seco e aquecido até que apresentem condições de mamarem normalmente.

Fornecimento de ração pré-inicial

Os leitões lactentes devem receber ração pré-inicial (pré-mater) a partir do 6°dia de vida. Essa ração pode ser colocada em comedouros (fi gura 48 e 49), dentro do escamoteador ou em local afastado da traseira da matriz, a fi m de evitar contaminação com as dejeções desta. A utilização dessa ração quase não influencia no peso do desmame, mas adapta o paladar dos leitões ao sabor das rações e possibilita um desenvolvimento mais precoce das enzimas digestivas necessárias à digestão da ração sólida, permitindo um melhor desempenho na creche. Ela pode ser fornecida seca ou em forma de papinha.

Manejo de porcas lactantes

É indiscutível que o melhor alimento para o leitão lactente é o leite da porca. Portanto, grande parte da performance dos leitões ao desmame é resultado do manejo despendido com a matriz durante a lactação. Pode-se entender como fatores fundamentais no desempenho da porca na lactação (produção leiteira) a saúde geral, a condição física, especialmente aparelho locomotor e tetos e a alimentação, incluindo o consumo de água. Por outro lado, uma porca bem manejada na maternidade terá melhores condições ao desmame e estará mais bem preparada para o ciclo reprodutivo subsequente.

Alimentação da fêmea na maternidade

Como em todas as outras fases da produção, a estratégia de alimentação na maternidade deve ser definida levando-se em consideração as recomendações da genética e da nutrição. O sucesso de um manejo alimentar na maternidade consiste em dar condições para que a matriz produza o máximo de leite e perca o mínimo possível de estado corporal.
Deve-se iniciar fornecimento da mesma quantidade de ração que ela vinha comendo no final da gestação, 24 horas após o parto, aumentando a oferta nos dias seguintes até que, já no terceiro ou no máximo no quarto dia pós-parto, já esteja comendo a quantidade de ração recomendada ou à vontade.
É fundamental que as matrizes tenham o consumo de ração relativamente alto durante a lactação, o que muitas vezes é limitado pelas altas temperaturas ambientais. Via de regra, uma matriz ao final da primeira semana de lactação, deverá consumir algo ao redor de 7,5 kg de ração/dia, o equivalente a 2,0 kg fi xo mais 0,5 kg por leitão lactente.
Para que a matriz consuma grande quantidade de ração, além das questões relacionadas ao conforto ambiental (temperatura), é preciso lançar mão de manejos que estimulem o consumo, como oferecer a ração na forma pastosa, com acréscimo de água e arraçoar várias vezes ao dia (3 a 4), com especial atenção às horas mais frescas (cedo pela manhã e à noite).
A disponibilidade de água fresca em abundância também contribui para um maior consumo de ração. Uma matriz em lactação requer 25 a 35 litros de água por dia. A vazão dos bebedouros deve ser de 2,5 litros/minuto.
Os funcionários envolvidos com o arraçoamento das matrizes devem ter plena consciência da importância do consumo efetivo na lactação e das quantidades recomendadas em cada fase.
O desconforto térmico (calor) pode ser percebido de várias formas, como respiração acelerada e baixo consumo de ração. O manejo de cortinas e ventiladores nem sempre é sufi ciente para amenizar as condições climáticas e, em determinadas épocas do ano, o uso de climatização para melhorar o conforto térmico da matriz lactante é indispensável.

Sanidade da matriz lactante

Além das questões relacionadas à alimentação da matriz para garantir a produção leiteira e minimizar as perdas de condição corporal, deve-se controlar o comportamento da matriz, principalmente nos primeiros dias pós-parto.
A MMA, ou Síndrome Metrite, Mastite, Agalactia, ou ainda chamada de Síndrome de Disgalactia pós-parto, caracteriza-se pela secagem total ou parcial da produção de leite nos primeiros três dias pós-parto.
Como causas, destacam-se as infecções que podem estar localizados no útero, na glândula mamária, nas vias urinárias ou no intestino. Também situações de estresse, ferimentos nas tetas, uso de toque ao parto sem higiene e intoxicação por micotoxinas podem desenvolver o quadro.
Os sintomas da MMA também são variáveis, podendo ocorrer isolada ou simultaneamente, tais como:
1. Agalactia (ausência de leite) ou hipogalactia (baixa produção de leite);
2. Anorexia (falta de apetite);
3. Febre (acima de 39,5°C);
4. Decúbito external (escondendo as tetas);
5. Prostação;
6. Descargas vulvares.
Como prevenção aos problemas sanitários pós-parto recomenda-se:
1. Redução do estresse, principalmente relativo ao calor ambiental;
2. Uso de alto teor de fibra na ração alguns dias antes do parto ou adição de produtos laxativos (sulfato de magnésio, sal amargo);
3. Boa higiene das porcas e do ambiente e, conforme o caso, uso de antibiótico via ração antes e depois do parto, conforme recomendação do médico veterinário;
4. Medição da temperatura retal das matrizes e seu comportamento devem ser acompanhados com atenção nos primeiros três dias, a fi m de agir o mais rápido possível quando da ocorrência do problema.
Para as matrizes afetadas, o tratamento deve ser realizado segundo a recomendação de um médico veterinário que indicará a aplicação de antibiótico correto (princípio ativo, dose e tempo de tratamento), antinflamatório e antitérmico e, se necessário, a transferência dos leitões para uma mãe-de-leite.
Deve-se observar também o aspecto e a persistência das descargas vulvares pós-parto. É normal a expulsão de líquidos em quantidades pequenas até aproximadamente quatro dias após o parto, principalmente nos momentos de amamentação. Entretanto, quando se percebem alterações na consistência e presença de pus (fi gura 53) e/ou odor desagradável, associado ou não a febre e queda no apetite, deve-se proceder com a medicação recomendada por um médico veterinário.
O aparelho locomotor da matriz é fundamental na manutenção da saúde da mesma. Problemas de lesões nos cascos e articulações (figura 52) ocasionam desconforto e a fêmea permanece deitada por períodos prolongados, o que predispõe a infecções geniturinárias e baixo consumo de ração, além de serem causas importantes no descarte de matrizes.
A passagem da fêmea pela maternidade permite uma atenção individualizada à qualidade dos cascos. Na primeira semana após o parto, quando os leitões já foram manejados, recomenda-se proceder com o toalete dos cascos, aparando crescimento excessivo e as pontas das sobre-unhas e a aplicação de unguentos em lesões mais profundas (rachaduras).

11 Manejos aplicados à maternidade Parte 5

Principais cuidados sanitários

Além de um bom programa de limpeza, desinfecção e vazio sanitário entre lotes, deve-se diminuir ao máximo a pressão de infecção e a contaminação cruzada entre baias e salas durante a lactação.
Recomenda-se também o uso de pá e vassoura para remoção das fezes e solução desinfetante com boa ação em presença de matéria orgânica para limpeza frequente desses instrumentos. Faz-se importante ainda aproveitar para remover as fezes nos momentos em que a matriz levanta para se alimentar e tomar água, o que coincide com a defecação. O ideal é que essa operação seja feita desde o alojamento na maternidade até o desmame.
A limpeza deve ser iniciada assim que o parto for encerrado, lavando o posterior da matriz com água, sabão e escova, removendo os resíduos de sangue e outras secreções do parto. Recomenda-se também proceder novamente com a lavação e desinfecção do piso, além de os fragmentos de placenta e umbigo serem coletados do piso e da vala de dejetos para que não haja putrefação desse material com o passar dos dias.
Deve-se evitar também o uso de água na limpeza diária, pois a umidade é prejudicial aos leitões. Quando ocorrem surtos de diarreia que acometerem grande parte de determinado lote de leitões, além da medicação dos animais, entretanto, é recomendável que se proceda com a lavação da baia e aplicação de desinfetante de baixa toxicidade e irritabilidade.
É importante ainda utilizar pedilúvios contendo solução desinfetante com boa ação em presença de matéria orgânica. Esses pedilúvios devem fi car na entrada da sala de maternidade e serem usados toda vez que qualquer pessoa entrar. Com relação à ação de desinfetantes em presença de matéria orgânica, via de regra, há perda de efi ciência na desinfecção, que pode variar conforme o desinfetante e o agente microbiano. Quando for necessário entrar na baia, recomenda-se que o operador passe antes e depois pelo pedilúvio a fi m de reduzir o risco de contaminação cruzada entre lotes, principalmente quando entrar em baia que esteja com incidência de diarreia. Solicita-se sempre deixar para limpar por último aquelas baias com animais doentes.
Faz-se necessário conferir especial atenção à limpeza dos escamoteadores para que não virem um foco de infecção e, ao mesmo tempo, mantenham-se atrativos para os leitões. Uso de forração removível como isolante térmico (papel ou maravalha) e para absorver a umidade é uma forma eficiente de manejar este equipamento.
Os corredores da maternidade têm de ser varridos diariamente com colocação de cal hidratada para manter o ambiente seco e higienizado.
As valas internas de dejetos devem manter uma lâmina d’água sufi ciente para que as fezes fi quem submersas, evitando, assim, a proliferação de moscas. Seu conteúdo deve ser esgotado regularmente sempre que se perceber a emanação excessiva de gases.
Atenção especial deve ser dada também aos comedouros dos leitões. A ração pré-inicial, por sua composição, é altamente perecível em contato com a água ou dejetos. Recomenda-se fornecer a ração várias vezes ao dia em quantidade pequenas, removendo sempre eventuais dejeções e sobras. Nos leitões lactentes as doenças entéricas (fi guras 54 e 55) são as principais causas de perdas de desempenho e mortalidade de leitões, sendo os principais agentes infecciosos envolvidos Escherichia coli (colibacilose), Clostridium perfrigens (clostridiose) e Isospora suis (coccidiose). Tais agentes podem apresentar-se associados ou isolados. No controle de todos eles, além de medidas rigorosas de limpeza e desinfecção entre lotes e ao longo do lote, deve-se garantir conforto térmico e adequada disponibilidade de colostro e leite materno.
A clostridiose é mais comum nos primeiros dias de vida, enquanto a E. coli pode acometer leitões durante toda a fase de lactação. Ambas são passíveis de prevenção também por meio da vacinação das matrizes na gestação, com posterior garantia de ingestão de colostro pelos leitões nas primeiras horas de vida. Já a coccidiose acomete leitões a partir da segunda semana e quando as medidas higiênicas não são sufi cientes para o controle, deve-se lançar mão do uso preventivo de coccidicidas. Leitões doentes precisam ser medicados, assim que identificados, e aqueles inviáveis devem ser sacrificados.O manejo recomendado para os leitões ao longo do período lactacional, quando não conduzido de forma adequada, especialmente com relação à desinfecção de instrumental utilizado na castração, corte de cauda, aplicação de medicamentos, entre outros, pode ser uma importante porta de entrada de agentes infecciosos oportunistas. Tais práticas podem predispor ao aparecimento de artrites e de epidermite exsudativa (Staphylococcus Hyicus).
Em linhas gerais, no controle sanitário da maternidade é preciso reduzir ao máximo os fatores estressantes, minimizar a infecção cruzada e controlar as demais doenças presentes no plantel. Para tanto destacam-se os seguintes cuidados:
• garantir a ingestão uniforme de colostro por todos os leitões;
• desmamar leitões com idade superior a 20 dias;
• reduzir transferências entre leitegadas e baias e não misturar leitões de idades diferentes;
• proceder com eficaz programa de limpeza,desinfecção e vazio sanitário entre lotes;
• controlar estrategicamente as doenças bacterianas, com medicações e vacinas.

12 Manejos aplicados aos leitões

Cuidados com leitões na fase pós-desmama

Um dos pontos cruciais na produção suína é o momento de desmama dos leitões e sua transferência para creche, iniciando o período de alimentação solida.

O melhor manejo de creche consiste em amenizar esses fatores de estresse e adaptar o leitão o mais rápido possível ao sistema para que manifeste o máximo potencial de ganho de peso e conversão alimentar.

Assim, também são as primeiras semanas de creche, onde o desempenho tem grande influência no potencial de desenvolvimento do leitão, não só nesse setor, mas também nas etapas seguintes de crescimento e terminação.

Após o desmame, deve-se fornecer a mesma ração de desmame desde o período de lactação. Esse manejo é essencial na adaptação do leitão ao consumo na primeira semana pós-desmame. O programa nutricional da creche pode ser alterado conforme os níveis de cada ração, além do potencial genético dos animais. Normalmente, os programas adotados no Brasil seguem o esquema abaixo:

O programa nutricional da creche também pode ser estabelecido segundo as quantidades de ração/fase:

Primeira semana pós-desmama

Dentro dos objetivos cruciais ao setor de creche, nas primeiras semanas, está a maximização do consumo de ração e água. Assim, o uso de rações pré-iniciais molhadas (papinha) no período pós-desmame é uma forma simples de aumentar o consumo nessa fase. As rações molhadas são mais atrativas e auxiliam na manutenção da integridade da mucosa intestinal (vilosidades), melhorando, assim, a digestão e absorção dos nutrientes.

Outra grande preocupação nos primeiros dias após o desmame está relacionada ao consumo de ração e de água. O leitão lactente utiliza basicamente a ingestão do leite materno para saciar fome e sede. Na creche há uma mudança radical nas fontes para saciar as duas necessidades fisiológicas em fontes diferentes (ração e água). O tempo médio para que os leitões ingiram água pela primeira vez na creche é variável, sendo que alguns podem levar até dois dias para encontrar o bebedouro e consumir efetivamente esse alimento.

O baixo consumo de água, além de ocasionar desidratação, também contribui para redução do consumo de ração. Entende-se então que consumo de ração e de água devem ser trabalhados em conjunto, desde a entrada dos leitões na creche. Deve-se lançar mão de artifícios para estimular a ingestão d’água.

A utilização de bebedouros suplementares, reabastecidos várias vezes ao dia, auxilia no fornecimento de água até que os leitões se adaptem aos bebedouros da creche.

Pode-se adicionar a essa água ácidos orgânicos que, além de aumentarem a palatabilidade, também auxiliam na redução do pH do estômago.

Recomenda-se trabalhar com no máximo 10 animais por bebedouro e a vazão deve ser de 1 litro/minuto, com a altura regulável ao tamanho e desenvolvimento de cada grupo, 3 a 5 centímetros acima do dorso dos leitões.

Principais cuidados ao desmame

• Ajustar toda a sala antes do desmame, regulando cocho, bebedouro e ambiência;

• Definir lotes pelo tamanho dos animais (padronização);

• Estimular o consumo através do fornecimento de 6 a 8 tratos diários;

• Utilizar termômetro de máxima e mínima para verificação da temperatura nas salas;

• Atenção especial à hidratação dos leitões;

• Atenção ao manejo de cortina e lavação das salas (formação de gás);

• Respeitar a relação de 10 leitões/bebedouro.

É importante que os leitões sejam mantidos em sua zona de conforto para que se obtenha maior consumo e ganho de peso na fase de creche. Grandes amplitudes térmicas, associadas à alta concentração de gases (amônia) e poeira, levam a irritações no trato respiratório dos animais, aumentando a probabilidade de ocorrência e agravamento de doenças respiratórias.

É necessário o controle da temperatura através do acompanhamento diário com termômetro de máxima e mínima em cada sala de creche, mas muito além está a observação do comportamento dos animais.

Os sinais comportamentais dos suínos nos demonstram, independente da temperatura ambiente, a sensação térmica e o conforto dos animais (fi gura 2). Leitões amontoados demonstram desconforto e sensação de frio (fi gura 1). Por outro lado, leitões ofegantes e espalhados demonstram sensação de calor excessivo.

O manejo de cortinas é fundamental para manter a temperatura adequada a cada fase, permitindo a renovação de ar das salas e impedindo a incidência direta de correntes de ar frio sobre os leitões. Em regiões mais frias, o uso de cortinas duplas auxilia significativamente na manutenção do conforto térmico.

Entretanto, em algumas situações, nem sempre apenas o uso de cortinas é sufi ciente para garantir o conforto térmico dos leitões, especialmente nas primeiras semanas de creche. Portanto, faz-se necessário dispor de alternativas para manter a temperatura ideal em cada fase. A temperatura ideal para a fase de creche é de:

O aquecimento das creches ( fi guras 3 a 7) pode ser realizado com a circulação de ar aquecido nas salas ou com a utilização de campânulas. As campânulas podem utilizar energia elétrica (resistências ou lâmpadas infravermelhas) ou gás (GLP ou biogás). As campânulas são móveis, podendo ser transferidas de uma sala para outra. Quando se usa o gás é preciso ter cuidado com a queima excessiva de oxigênio da sala que pode ocasionar desconforto aos animais. Recomenda-se fazer a renovação de ar manejando as cortinas com mais frequência.

O uso de lonas ou escamoteadores móveis nos primeiros dias de alojamento na creche também pode auxiliar na melhor utilização do calor produzido pelos leitões e pelas campânulas, já que promovem a redução no ambiente a ser aquecido.

Deve-se atentar também para a disponibilidade de cochos e bebedouros, além da lotação das baias, tendo importância no desempenho e na sanidade dos animais. A creche com piso ripado deve trabalhar com uma lotação de, no máximo, três animais por metro quadrado.

Independente do sistema de alimentação utilizado, deve-se ter como objetivo o maior consumo de ração possível, com o menor desperdício, pois a fase de creche é onde o leitão tem o melhor potencial de conversão da fase de crescimento. Os sistemas existentes de fornecimento de ração de forma seca, farelada ou peletizada são manual, semi-automático e automático.

Principais fatores relacionados com o peso de saída de creche

• A nutrição é uma importante ferramenta para um bom desempenho na creche;

13 Manejos aplicados à creche de leitões

• O desempenho na primeira semana de desmame apresenta forte correlação com o peso na saída de creche e dias necessários para o abate;

• Há correlação direta entre o desempenho na creche, peso ao nascer e peso ao desmame e estes devem ser trabalhados nos diversos setores para que possam somar ao desempenho final;

• Diversas ferramentas e manejos influenciam na variabilidade ao longo do crescimento e podem ser utilizados na melhoria para maior produção de carne magra;

• Há uma grande correlação entre consumo de água na primeira e o aumento do ganho de peso diário aos 42 dias pós-desmame, necessitando o estimulo ao leitão para evitar que ocorra desidratação.