Manual brasileiro de boas práticas agropecuárias na produção de suínos 1
Gestão de Agronegócios
1 Introdução à produção de suínos
A suinocultura é uma atividade pecuária bem consolidada no Brasil, com um mercado interno em franco crescimento. O país conta com tecnologia de ponta disponível em todas as áreas de produção de suínos: genética, nutrição, sanidade, manejo, instalações e equipamentos.
O cenário atual da atividade evidencia uma redução signifi cativa nas margens de lucro e, por isso, produzir de forma economicamente efi ciente passou a ser pré-requisito para a sobrevivência no setor.
A alimentação dos suínos representa aproximadamente 70% do custo total da produção de um sistema de ciclo completo, ressaltando a importância do valor de mercado desses insumos. Fatores como quebras de safra, aumento das exportações de grãos e mesmo a concorrência de outras atividades por esses produtos, determinam aumento considerável nos custos de produção.
O preço de venda do kg do suíno é determinado por questões internas, como a renda da população e a concorrência com outras carnes, e por questões externas, como a eventual redução das exportações. Além disso, períodos de atratividade econômica resultam em aumento dos plantéis e a entrada de novos produtores na atividade, o que provoca o aumento da oferta e a redução do preço.
A mão de obra brasileira, relativamente barata em relação à Europa e Estados Unidos, sempre foi vista como uma das vantagens competitivas do país. Entretanto, nos últimos anos, têm ocorrido modificações importantes nesse sentido, já que o crescimento da economia tem promovido o aumento de vagas urbanas de trabalho e crescente migração da população para essas áreas. As principais consequências desse processo são a redução de oferta de pessoas interessadas em trabalhar na atividade, gerando a necessidade de automação cada vez maior e a ampliação do tamanho das unidades de produção, buscando ganhos de escala para otimizar o uso do quadro de funcionários e o investimento nos equipamentos.
A atividade também passa por um processo de adaptação às exigências do mercado consumidor, preocupando-se cada vez mais com segurança alimentar, restrição a uso de antimicrobianos, proteção ambiental e conceitos de bem estar animal.
Na suinocultura atual e dos próximos anos, seguramente não haverá espaço para uma gestão amadora, sendo necessária uma análise minuciosa dos dados zootécnicos, a extrapolação econômica dos mesmos, e acima de tudo uma visão global de todo processo de produção interno e externo.
Neste contexto, a elaboração deste manual de Boas Práticas de Produção (BPP) aplicado à produção de suínos, tem por objetivo a criação de um conjunto de informações de aplicabilidade prática na atividade, primando pelo resultado técnico e econômico e pela qualidade do produto final. A proteção do produto, do ambiente, das pessoas e do bem-estar animal são os grandes temas que regem os critérios requeridos para a implantação desse programa.
2 Cadeia produtiva de suínos no Brasil
Produção brasileira de carne suína
Organização da produção de suínos no Brasil
Exportação brasileira de carne suína
Consumo de carne suína no Brasil
3 Planejamento da atividade
Para se implantar um projeto de criação de suínos devem ser considerados desde a capacidade de investimento do produtor e a viabilidade econômica do negócio até o nível de produtividade que se deseja atingir e o manejo a ser adotado.
Além disso, o bem-estar animal e a ambiência constituem outros fatores indispensáveis. O aumento da escala de produção e a migração da atividade para regiões de clima mais quente também despertaram um maior interesse na construção de instalações que amenizem as condições climáticas menos favoráveis.
Localização e meio ambiente
A escolha do local no qual a granja será construída deve levar em conta as questões relacionadas ao meio ambiente e à legislação em vigor, respeitando-se distâncias mínimas de cursos d’água, áreas de preservação permanente, divisas de propriedade, estradas, entre outras.
O dejeto líquido deverá ter seu destino adequado de acordo com o sistema de tratamento utilizado. No caso de distribuição na propriedade (adubação de cultivares), faz-se importante cumprir as recomendações agronômicas de cada cultura (soja, milho, sorgo, etc) e os limites para distribuição do esterco (m3/ha/ano) estabelecidos pela legislação ambiental.
O volume de efluentes pode ser estimado segundo a fase de produção (tabela 1).
Essas quantidades podem variar conforme o manejo e tipo de instalação. Por exemplo, quando se trabalha com lâmina d’água na terminação estima-se um aumento da ordem de 15% na produção de dejetos. O desperdício de água também se apresenta como um fator importante para alterar esses valores.
Localização das instalações
Itens importantes de infraestrutura, como energia elétrica, acesso de veículos (estradas), abastecimento de água (poço artesiano, fonte natural ou aproveitamento de água das chuvas) e meios de comunicação, devem ser considerados na seleção e/ou adequação da área destinada às construções, além das questões associadas a topografia, condições climáticas e biosseguridade (tabela 2).
É fundamental a redução da incidência das radiações solares dentro da instalação. Os barracões devem ser construídos com o seu eixo longitudinal orientado no sentido leste-oeste com desvio máximo de 15º. Nessa posição, a sombra incidirá embaixo da cobertura nas horas mais quentes do dia e a carga térmica recebida pela instalação será a menor possível, conforme indica a figura 1.
Por mais que se oriente adequadamente a instalação em relação ao sol, haverá incidência direta de radiação solar em seu interior em algumas horas do dia na face norte, no período de outono e inverno. Para amenizar esta situação pode-se lançar mão de sombrites, cortinas e da arborização, os quais estão descritos no item “tópicos importantes na concepção de instalações”.
Dimensionamento das instalações
A pergunta a ser feita é quantos animais a granja pretende vender por período de tempo antes de determinar o tamanho do plantel. Importante também se pensar na construção da granja em salas por fase de produção, permitindo, assim, a realização de vazio sanitário nas instalações entre lotes de animais.
Fluxo de produção
A suinocultura brasileira atual trabalha, em geral, de modo completamente confinado. Tanto por essa característica quanto pelo uso intensivo das instalações, o correto planejamento do fluxo de produção interfere diretamente na pressão de infecção e no aparecimento de doenças. Nesse sentido, é fundamental planejar as instalações considerando-se o vazio sanitário das instalações para permitir o trabalho no sistema de “todos dentro – todos fora” e a produção dos suínos em lotes nas fases de maternidade, creche, recria e terminação objetivando manter os animais de mesma idade na mesma sala em cada fase da produção.
O vazio sanitário é o período que a instalação permanece desocupada (sem animais), após ser lavada e desinfetada, até a entrada de outro lote. Esse período reduz a transmissão de agentes patogênicos de um lote para o outro, melhorando a saúde geral, o desempenho dos suínos e, consequentemente, a diminuição do uso de medicamentos e o aparecimento de doenças.
A produção em lotes consiste em dividir o número de porcas do plantel em vários lotes de tamanho idêntico que são manejados em intervalos regulares (intervalo entre lotes), com o objetivo de planejar as atividades das diferentes fases da criação (desmame, coberturas, partos e as fases de creche e crescimento-terminação). Os lotes são sempre ajustados no desmame com a introdução de leitoas.
Para adotar o sistema de vazio sanitário no sistema de “todos dentro – todos fora” é preciso que se planejem as instalações em salas por fase e o manejo dos animais em lotes que obedeçam um fluxo de produção. Esse fluxo depende basicamente da determinação das seguintes premissas:
1. Intervalo entre lotes: sete, 14, 21 ou 28 dias ou combinações;
2. Idade média de desmame programada: de 21 ou 28 dias;
3. Idade de saída da creche: 63 ou 70 dias;
4. Idade de venda dos suínos produzidos (mercado): de 150 dias ou mais.
5. Período de vazio sanitário em cada setor: de três a sete dias.
Atualmente, as idades do desmame programado mais praticadas no mundo são de 21 ou 28 dias. Vale salientar que se a idade programada de desmame for 21 dias, a idade média real será próxima a 20 dias e, se a idade programada de desmame for 28 dias, a idade média real será aproximadamente 26 dias. Isso se explica em função da introdução de leitoas, retorno ao cio, variações no intervalo demame-cio, indução ao parto e porcas que parem com mais de 114 dias de gestação.
Para o cálculo do número de salas da instalação/fase de produção e o número de lotes de porcas do rebanho podemos utilizar duas fórmulas abaixo descritas. A fórmula 1 calcula o número de salas a serem usadas em todas as fases.
Fórmula 1: Cálculo do número de salas em cada fase de produção.
Utilizando essa fórmula, vamos fazer um exemplo e calcular o número de salas de maternidade de uma granja que desmama os leitões com 21 dias de idade e o intervalo entre lotes é semanal.
No exemplo acima, vamos recolher as porcas para a maternidade sete dias antes do parto, considerar 21 dias de amamentação e outros sete dias para o vazio sanitário. Nessas condições, precisamos de cinco salas de maternidade. Assim, com essa mesma fórmula, é possível calcular o número de salas para os demais manejos e fases de produção. A fórmula 2 calcula o número de lotes de porcas do rebanho, o qual varia em função do intervalo entre lotes que a granja trabalha.
Fórmula 2: Cálculo do número de lotes de porcas do rebanho.
Com essa fórmula, podemos calcular o número de lotes de porcas da granja para uma granja que trabalha com desmame de 21 dias e intervalo semanal entre lotes.
No exemplo acima, foram considerados cinco dias de intervalo desmame cio, 114 dias de gestação e 21 dias de amamentação, o que resultou em 20 lotes de porcas.
Resumindo: considerando-se apenas a maternidade e o número de lotes de porcas para trabalhar com desmame de 21 dias e intervalo semanal entre lotes, vamos precisar de cinco salas de maternidade e 20 lotes de porcas. O tamanho do rebanho é definido em função do tamanho das salas.
4 Planejamento da atividade Parte 2
Número de matrizes
Dimensionamento da área de reprodução - reposição, gestação e maternidade
Maternidade: quantas gaiolas?
Gestação e reposição: quantos espaços?
Estoque de machos
Estoque médio de reprodutores (fêmeas e machos)
Espaço de circulação e reserva técnica
Espaço total para reprodutores da granja
Espaço total para gestação, reposição e machos
Dimensionamento das fases de crescimento
Dimensionamento de creche
Dimensionamento de recria e terminação
5 Planejamento da atividade Parte 3
Tópicos importantes na concepção de instalações
Ventilação
Umidificadores
Isolamento térmico
Cortinas
Sombreamento e grama
Aquecimento dos escamoteadores e das creches
6 Gestão da qualidade aplicada à produção de suínos
Para a gestão da granja, o primeiro passo a ser considerado é a definição das metas do negócio. Serão elas que nortearão tanto a implantação e o acompanhamento do sistema de quanto o gerenciamento e a busca dos resultados. Com essas metas estabelecidas, deve-se determinar, a partir de um plano de ação, uma sequência de prioridades que resultem em maior impacto nos resultados zootécnicos e financeiros da granja.
Nesse contexto, estão detalhadas, a seguir, algumas ferramentas a serem utilizadas em um sistema de gestão da qualidade na produção de suínos visando à busca contínua de melhores resultados.
O papel do gerente na formação da equipe
As granjas que apresentam os melhores resultados têm em comum uma equipe altamente eficiente e comprometida que, além de frequentemente treinada e capacitada, adota ainda ferramentas de gerenciamento que possibilitam a padronização na execução das rotinas.
Como definição, equipe é um grupo de pessoas que trabalham em prol de um mesmo objetivo. Seus componentes precisam dispor de clareza da divisão de responsabilidades e das fronteiras e limites de suas ações e atribuições.
Definir funções é uma excelente forma de garantir que a rotina seja cumprida, já que cada pessoa tem suas responsabilidades a serem atendidas em um prazo previamente determinado. A distribuição de funções facilita a identificação das pessoas que não as estejam cumprindo, além de apontar também aqueles que mais se destacam em suas atribuições.
Toda a equipe necessita da condução de um líder que disponha da habilidade de manter um ambiente harmônico, comunicar-se com eficiência em todos os níveis da hierarquia da empresa (acima e abaixo de seu cargo), desenvoltura para aproveitar os pontos fortes de cada pessoa ajustando-a à melhor função para seu perfil e ainda conciliar, no trabalho, um ambiente que conjugue seriedade a aprazibilidade.
“Líder não é mais aquele que administra pessoas; é aquele que permite e promove o crescimento de pessoas” (Paulo Gaudencio).
Assim, um bom gerente precisa dispor de:
• Conhecimento do sistema de produção que opera;
• Empenho e bom nível de esforço empregado;
• Motivação;
• Integridade – honestidade e credibilidade;
• Dar andamento a todas as atividades que seus comandados realizarão;
• Autoconfiança, atitude firme, segura e ponderada;
• Capacidade de lidar com o inesperado;
• Flexibilidade, mantendo o bom senso;
• Capacidade de argumentação e poder de convencimento.
A habilidade da comunicação e o conhecimento teórico e prático da atividade que gerencia são fundamentais. Os colaboradores realizam as tarefas e aceitam melhor as mudanças quando se convencem e acreditam que aquela é a melhor forma de realizá-las.
“O líder deve ter capacidade de influenciar um grupo em direção à realização de metas”.
Atualmente, são exigidas as seguintes competências de liderança:
• Mentalidade global;
• Capacidade de lidar com contradições;
• Habilidade diante do inesperado;
• Sonhar e transformar o sonho em realidade;
• Disponibilidade para aprender.
Dentro das funções do gerente, a contratação de pessoas é fundamental para que se possa alcançar bons resultados. Desde a entrevista de seleção, o candidato deve ser completamente esclarecido sobre as responsabilidades e tarefas do cargo, a hierarquia da granja (autonomia/autoridade), as obrigações e direitos, os conhecimentos técnicos e práticos exigidos, a necessidade de dedicação, o local e a carga horária (folgas, horas-extras, fi nais de semana) e sobre o salário, benefícios e incentivos.
A definição do perfil dos cargos é fundamental para o sucesso da contratação e, consequentemente, da montagem de uma equipe eficaz. Por se tratar de uma atividade muito peculiar, com alta tecnologia e ritmo industrial, mas executada no meio rural, a suinocultura exige que o perfil dos colaboradores para contratação seja muito bem definido, dentro de determinadas características, tais como:
• Gostar do trabalho com animais e não ter aversão a material biológico e ao cheiro;
• Saber trabalhar em equipe;
• Dispor de escolaridade mínima para o cargo que almeja;
• Ter comprometimento com resultados;
7 Gestão da qualidade aplicada à produção de suínos Parte 2
Qualidade Total , 5S (8S), PDCA e POP`s
Efeito da padronização nas melhorias de uma empresa
8 Gestão da qualidade aplicada à produção de suínos Parte 3
Rotinas para a implementação de programas de qualidade
9 Material genético dos suínos
A competitividade da produção suína é decorrente de melhorias contínuas:
• Na produtividade – conseguidas por meio do ganho genético via seleção das linhas puras e do vigor híbrido proporcionado pelo cruzamento para formação das matrizes;
• No ambiente – ambiência e bem estar, manejo e reprodução, nutrição, saúde e biossegurança;
• Na gestão do empreendimento.
Os ganhos genéticos devidos à seleção são da ordem de 1 a 3 % por ano, cumulativos geração após geração, e os derivados do vigor híbrido são da ordem de 10% nas características reprodutivas, não sendo, porém, cumulativos, isto é, não passando para os fi lhos como aqueles decorrentes da seleção.
As linhas puras são selecionadas para poucas e diferentes características para se conseguir o máximo de ganho na característica e, quando cruzadas para formação das matrizes, formam um híbrido contendo o melhor de cada linha pura selecionada, o qual possui produtividade máxima e equilibrada entre as linhas que o produziram.
Para facilitar a logística do sistema de melhoramento são desenvolvidas linhas especializadas para produção de fêmeas (linhas fêmeas) e de cachaços (linhas-macho).
Nas linhas fêmeas, prioriza-se o desempenho reprodutivo e produtivo com ênfase 50% em reprodução e 50% em ganho de peso e produção de carne. Nas linhas-macho, a ênfase é quase total em ganho de peso, produção de carne e conversão alimentar.
Essa ênfase é garantida pelo uso dos índices de seleção. Utilizam-se três diferentes índices de seleção no melhoramento de suínos, os quais se encontram relatados nos sumários de reprodutores publicados pelos programas de melhoramento.
1. Índice de produtividade da porca (SPI) para selecionar cachaços pai de matriz F1;
2. Índice de cachaço terminal (TSI) para selecionar cachaços que vão cruzar com as matrizes F1 e produzir leitões de abate; e
3. Índice materno (MLI) para selecionar cachaços que serão utilizados no melhoramento da linha pura.
O SPI é um índice bioeconômico que ordena os cachaços pelo valor genético estimado pelo melhor estimador linear não tendencioso-blup (EBV ou DEP) das características número de leitões nascidos vivos, número de desmamados e peso da leitegada desmamada, ponderado pelo valor econômico de cada uma delas.
O TSI é um índice bioeconômico que ordena os cachaços pelo valor genético estimado pelo melhor estimador linear não tendencioso-blup (EBV ou DEP) das características: dias para alcançar peso de abate, espessura de toucinho, carne na carcaça e conversão alimentar, ponderado pelo valor econômico de cada uma delas. Cada ponto no TSI representa U$1,00 para cada 10 animais abatidos fi lhos desse reprodutor, ou seja U$0,10/por animal abatido acima ou abaixo da média dos demais reprodutores, devido ao crescimento mais rápido e a melhor carcaça.
O MLI pondera tanto características paternas quanto maternas pelos seus respectivos valores econômicos, colocando aproximadamente o dobro da ênfase nas características reprodutivas do que nas características pós-desmama. Cada ponto no MLI representa U$1,00 por leitegada produzida para cada filha do reprodutor acima ou abaixo da média do grupo de contemporâneas. Portanto, um MLI=120 representa que cada leitegada de uma filha desse reprodutor vale cerca de U$20,00 a mais do que a média das leitegadas das contemporâneas dessa filha devido ao maior número de leitões na leitegada e leitões mais pesados à desmama.
Além dos índices de seleção dos animais testados, a experiência do selecionador é fundamental para escolher entre os animais de índice mais elevado, aqueles que não apresentam defeitos de aprumos, pés, conformação, número e qualidade das tetas funcionais segundo a finalidade de uso. Os demais defeitos são eliminados ao sair da fase de creche e já não mais aparecem nos animais testados.
Cada reprodutor listado no sumário de reprodutores traz os três índices para informar se ele é melhor como pai de porca, pai de cachaço terminal ou para o uso na linha pura. Agrega também os valores genéticos (DEPs) para cada característica separadamente para facilitar a escolha para as características que o produtor quer melhorar com maior ênfase.
Para aquisição de material genético, o produtor deve pesquisar por animais com registro genealógico, com informação genética confiável, se possível com os índices SPI, TSI e MLI, já que tais indicadores funcionam como uma escala dando a referência inicial e permitindo o monitoramento do ganho genético do rebanho a cada geração.
A qualidade genética dos reprodutores de um sistema de produção é considerada a base tecnológica de sustentação de sua produção. Portanto, de nada adianta fornecer o melhor ambiente possível para um animal se este não tiver potencial genético para se beneficiar dos aspectos positivos do meio no qual é criado.
Principais linhagens
Atualmente, é baixa a presença de linhagens puras nas granjas produtoras de suínos para o abate. O melhoramento genético é realizado por empresas especializadas em selecionar e manter nos plantéis as principais características desejáveis. Essas empresas importam constantemente material de outros países que se destacam no cenário mundial de produção de suínos e incorporam essas características de alto valor ao plantel brasileiro.
As principais raças utilizadas na suinocultura brasileira, dispostas no quadro abaixo (fi guras 1 a 4), são distribuídas em diferentes percentuais nos cruzamentos de machos e fêmeas dentro de cada genética disponível no país.
Nas linhagens maternas, normalmente as duas raças utilizadas são a Landrace e a Large White, por suas características de prolificidade (grande número de leitões nascidos), habilidade materna (docilidade, produção de leite, facilidade de parto) e comprimento (espaçamento uterino). As linhas fêmeas são desenvolvidas para produzir matrizes com capacidade de desmamar grande número de leitões por parto e por ano.
Os rebanhos de linhas machos utilizam basicamente genótipos das raças Large White, Pietrain, Hampshire, Landrace e Duroc, selecionadas para alto rendimento e produção de carne magra na carcaça, além de ganho de peso e conversão alimentar.
A produção de genética de suínos está dividida em granjas núcleo e multiplicadoras. No topo da pirâmide estão as granjas núcleo, responsáveis pelo melhoramento genético das raças puras e linhagens sintéticas, utilizando seleção intensiva das características economicamente importantes. Nessa fase do melhoramento genético, os acasalamentos são criteriosamente definidos, evitando-se a consanguinidade. A taxa de reposição anual recomendável para granjas Núcleo é de 100 a 200% para machos e de 70 a 100% para fêmeas.
Na parte central da pirâmide estão as chamadas granjas multiplicadoras, que recebem raças puras ou linhagens sintéticas do rebanho núcleo e são responsáveis pela produção de matrizes, principalmente, fêmeas F1 e machos. A taxa de reposição anual recomendável para granjas Multiplicadoras é de 50 a 100% para machos e 40 a 50% para fêmeas.
Na base da pirâmide ficam os chamados rebanhos comerciais – produtores de animais para o abate. Estas granjas recebem os reprodutores dos estratos superiores da pirâmide e fazem o cruzamento final, beneficiando-se novamente do vigor híbrido. O rebanho comercial destina-se à produção de suínos híbridos para abate.
Aquisição de animais e certificação GRSC
Os suínos de reposição (machos e fêmeas) obrigatoriamente devem ser adquiridos de granjas multiplicadoras de genética que possuam o Certificado de Granja de Reprodutores Suídeos Certifi cada (GRSC), fornecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Essa é uma garantia na qual os suínos passam por exames periódicos, com o alto padrão sanitário e controle de produção.
Todos os animais selecionados para venda como reprodutores suínos (machos e fêmeas) devem estar acompanhados do registro genealógico. Esse documento é controlado pelo Ministério da Agricultura e emitido pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). O registro genealógico é a garantia para o produtor de suínos de que os animais adquiridos são fruto do melhoramento genético, garantindo que os aprimoramentos nas características desejáveis na produção de suínos (prolificidade, ganho de peso, conversão alimentar e qualidade de carne) cheguem até as granjas de produção de suínos para o abate, potencializando continuamente os resultados.