Principios Básicos da NR 35

NR 35 - Trabalho em Altura

1 NORMAS E REGULAMENTOS APLICÁVEIS AO TRABALHO EM ALTURA

1. Conceito de Trabalho em Altura

De acordo com a NR-35, considera-se trabalho em altura toda atividade executada acima de 2,00 metros do nível inferior, onde haja risco de queda.
Essas atividades exigem planejamento, organização e execução segura, obedecendo às determinações legais e técnicas estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

      A Origem e Importância da NR-35

      A Norma Regulamentadora nº 35, instituída pela Portaria SIT n.º 313 de 23 de março de 2012, foi criada para reduzir o número de acidentes e mortes relacionados a quedas de altura — uma das principais causas de óbito no ambiente de trabalho no Brasil.
      Ela define requisitos mínimos e medidas de proteção para o trabalho em altura, garantindo:

      • A segurança e a saúde dos trabalhadores;

      • A responsabilidade solidária entre empregador e empregado;

      • A obrigatoriedade de treinamento e autorização formal para execução de tarefas acima de 2 metros.

      3. Estrutura da NR-35

      A norma está organizada em tópicos que tratam de:

      1. Disposições gerais;

      2. Responsabilidades do empregador e do trabalhador;

      3. Planejamento, organização e execução do trabalho;

      4. Treinamento e capacitação;

      5. Equipamentos de proteção individual e coletiva;

      6. Emergência e salvamento.

      Cada empresa deve adotar procedimentos internos baseados nesses princípios, com registros documentais e fiscalização constante.

      4. Outras Normas Relacionadas ao Trabalho em Altura

      O cumprimento da NR-35 exige integração com outras normas, pois o trabalho em altura envolve múltiplos riscos.
      As principais normas correlatas são:

      NormaAssuntoRelação com o Trabalho em Altura

      NR-01Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos OcupacionaisDetermina a obrigatoriedade de Análise de Risco (AR) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

      NR-06Equipamentos de Proteção Individual (EPI)Define as responsabilidades na entrega, uso e manutenção dos EPIs, como cinturões e talabartes.

      NR-09Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA ou PGR)Identifica e controla os agentes de risco que podem afetar a atividade em altura.

      NR-18Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da ConstruçãoRegulamenta andaimes, escadas, plataformas e acessos provisórios.

      NR-33Segurança e Saúde em Espaços ConfinadosAplica-se quando o trabalho em altura ocorre em locais com restrição de entrada e saída.

      CLT – Art. 157 e 158Obrigações de empregadores e empregadosEstabelece deveres de cumprir as normas de segurança e utilizar adequadamente os EPIs.

      5. Responsabilidades Legais

      Do Empregador:

      • Garantir a implementação das medidas de proteção previstas na NR-35;

      • Assegurar a realização de treinamentos periódicos;

      • Fornecer EPIs e EPCs adequados;

      • Suspender atividades quando houver condições impeditivas;

      • Elaborar e manter atualizado o plano de emergência e resgate.

      Do Trabalhador:

      • Cumprir as orientações e procedimentos de segurança;

      • Utilizar corretamente os EPIs;

      • Comunicar situações de risco;

      • Participar dos treinamentos e reciclagens;

      • Interromper o trabalho quando identificar riscos graves e iminentes.

        6. Documentos Obrigatórios

        Todo trabalho em altura deve estar amparado por registros formais, entre eles:

        • Análise de Risco (AR);

        • Permissão de Trabalho (PT);

        • Ficha de Entrega de EPI;

        • Comprovante de Treinamento NR-35;

        • Relatório de Inspeção de Equipamentos;

        • Plano de Emergência e Resgate.

        7. Penalidades e Fiscalização

        O descumprimento das normas pode gerar:

        • Multas e interdição da atividade pela Auditoria Fiscal do Trabalho;

        • Responsabilização civil e criminal em caso de acidentes;

        • Indenizações trabalhistas e danos morais;

        • Perda de certificações de segurança e credibilidade institucional.

        2 AR E CONDIÇÕES IMPEDITIVAS

        1. O Que é AR (Análise de Risco)

        A Análise de Risco (AR) é um procedimento obrigatório previsto na NR-35.
        Tem como finalidade identificar, avaliar e controlar os riscos envolvidos na atividade antes de sua execução.
        Deve ser realizada antes de cada tarefa e documentada quando o trabalho apresentar complexidade ou perigo elevado.

        Exemplos de riscos avaliados:

        • Quedas de altura;

        • Choques elétricos;

        • Quedas de materiais;

        • Condições meteorológicas adversas;

        • Falhas estruturais ou de equipamentos.

        2. Condições Impeditivas

        • Realização de trabalhos simultâneos que apresentem riscos específicos. É o caso de trabalhos de solda ou que exijam uso de máquinas e equipamentos em altura, dentre outros;
        • Atendimento a requisitos de segurança e saúde de outras Normas Regulamentadoras.

        Riscos adicionais, incluindo os relativos a trabalhos com máquinas e equipamentos, como:

        São situações que colocam em risco imediato a segurança do trabalhador e impedem a execução da atividade até que sejam corrigidas.

        Exemplos:

        • Falta ou defeito em sistemas de ancoragem;

        • Ausência de linha de vida ou EPI adequado;

        • Ventos fortes, chuva, tempestade elétrica ou iluminação insuficiente;

        • Superfícies escorregadias ou sem proteção;

        • Falhas em andaimes ou plataformas.

        3. Procedimento em Caso de Condição Impeditiva

        1. Interromper imediatamente o trabalho;

        2. Comunicar o superior ou responsável pela segurança;

        3. Registrar a ocorrência;

        4. Corrigir o problema antes de retomar a atividade.

        A retomada só pode ocorrer quando o risco for eliminado ou controlado e houver autorização formal do responsável técnico.

          3 RISCOS POTENCIAIS INERENTES AO TRABALHO EM ALTURA E MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE;

          1. Riscos Potenciais no Trabalho em Altura

          Trabalhar acima de 2 metros do nível inferior envolve diversos riscos que podem resultar em acidentes graves ou fatais.
          Os principais riscos são:

          • Queda de pessoas ou materiais;

          • Choque elétrico (linhas energizadas próximas);

          • Ruptura de cabos, cordas ou ancoragens;

          • Escorregamentos e tropeços;

          • Falta de proteção coletiva (guarda-corpos, redes);

          • Uso incorreto ou ausência de EPI;

          • Condições meteorológicas adversas (vento, chuva, calor excessivo);

          • Fadiga e falta de atenção.

          2. Medidas de Prevenção e Controle

          A prevenção começa no planejamento e no comportamento seguro do trabalhador.
          As principais medidas são:

          a) Realizar análise de risco antes de iniciar o trabalho;
          b) Garantir a utilização correta dos EPIs (cinturão, talabarte, trava-queda, capacete, etc.);
          c) Instalar sistemas de proteção coletiva (andaimes, plataformas, linhas de vida, guarda-corpos);
          d) Manter equipamentos inspecionados e certificados;
          e) Adotar procedimentos padronizados para subida, descida e movimentação em altura;
          f) Evitar trabalho em condições meteorológicas inseguras;
          g) Realizar treinamentos periódicos e simulações de emergência.

          4 SISTEMAS, EQUIPAMENTOS E PROCEDIMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA;

          1. Conceito de Proteção Coletiva

          A proteção coletiva tem prioridade sobre a individual.
          Seu objetivo é proteger todos os trabalhadores expostos ao risco de queda, evitando que o acidente ocorra, independentemente da ação individual.

          2. Principais Sistemas e Equipamentos

          a) Guarda-corpos: barreiras fixas instaladas nas bordas de lajes, plataformas e passarelas.
          b) Redes de proteção: utilizadas em obras e estruturas metálicas para reter quedas de pessoas e materiais.
          c) Plataformas de trabalho: fornecem base estável e segura para execução das atividades.
          d) Linhas de vida horizontais e verticais: estruturas fixas que permitem a conexão do trabalhador com o sistema de ancoragem.
          e) Sinalização e isolamento de áreas: impedem a entrada de pessoas não autorizadas em zonas de risco.
          f) Sistemas de ancoragem fixos e temporários: pontos de conexão seguros para EPIs e dispositivos de retenção de queda.

          3. Procedimentos de Utilização

          • Verificar se o sistema foi projetado e dimensionado por profissional habilitado;

          • Inspecionar antes do uso, observando deformações, corrosão ou desgastes;

          • Nunca improvisar proteções coletivas;

          • Garantir instalação e manutenção adequadas;

          • Registrar as inspeções e manter documentação acessível.

          5 EPI PARA TRABALHO EM ALTURA: SELEÇÃO, INSPEÇÃO, CONSERVAÇÃO E LIMITAÇÃO DE USO

          1. Conceito de EPI

          De acordo com a NR-06, o EPI é todo dispositivo ou produto destinado à proteção individual contra riscos capazes de ameaçar a segurança e a saúde do trabalhador.
          No trabalho em altura, o EPI é complementar à proteção coletiva, não devendo substituí-la.

          2. Principais EPIs Utilizados

          • Cinturão de segurança tipo paraquedista – usado com sistema de ancoragem;

          • Talabarte com absorvedor de energia – reduz o impacto de uma queda;

          • Trava-queda (deslizante ou retrátil) – bloqueia automaticamente a queda;

          • Capacete com jugular – evita desprendimento durante o trabalho;

          • Calçado antiderrapante e luvas de proteção – garantem estabilidade e firmeza na tarefa;

          • Mosquetões e conectores – asseguram a ligação entre os componentes do sistema.

          3. Seleção e Inspeção

          • Escolher apenas EPIs com CA (Certificado de Aprovação) válido;

          • Verificar compatibilidade entre os equipamentos (cinturão, talabarte e ancoragem);

          • Realizar inspeção visual e tátil antes de cada uso: costuras, deformações, cortes ou oxidação;

          • Registrar inspeções e substituir equipamentos danificados ou vencidos.

          4. Conservação e Limitações de Uso

          • Armazenar em local limpo, seco e longe do sol;

          • Nunca lavar com solventes ou produtos abrasivos;

          • Não emprestar EPIs de uso pessoal;

          • Seguir o prazo de validade e recomendações do fabricante;

          • Lembrar: o EPI reduz o risco, mas não elimina o perigo — deve ser usado com técnicas seguras e supervisão.

          6 ACIDENTES TÍPICOS EM TRABALHOS EM ALTURA

          1. Principais Tipos de Acidentes

          Os acidentes em altura estão entre os mais graves no ambiente de trabalho.
          Os mais comuns são:

          • Queda de pessoas devido à ausência ou mau uso de EPIs e EPCs;

          • Queda de materiais ou ferramentas sobre outros trabalhadores;

          • Choque elétrico em serviços próximos a redes energizadas;

          • Colapso de estruturas, andaimes ou plataformas;

          • Escorregamentos e desequilíbrios causados por piso irregular ou molhado;

          • Improvisações em equipamentos sem certificação ou inspeção.

          2. Principais Causas

          • Falta de planejamento e análise de risco;

          • Treinamento insuficiente ou inexistente;

          • Descumprimento de procedimentos operacionais;

          • Ausência de supervisão;

          • Uso inadequado de EPIs ou equipamentos vencidos;

          • Negligência e excesso de confiança durante a execução.

          3. Medidas de Prevenção

          • Realizar análise de risco e planejamento prévio de cada tarefa;

          • Implantar sistemas de proteção coletiva;

          • Garantir EPIs adequados e em bom estado;

          • Promover treinamento e reciclagem periódica;

          • Fiscalizar o cumprimento das normas e interromper atividades inseguras;

          • Estimular a cultura de segurança e responsabilidade compartilhada.

          7 CONDUTAS EM SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA, INCLUINDO NOÇÕES BÁSICAS DE TÉCNICAS DE RESGATE E DE PRIMEIROS SOCORROS

          1. Situações de Emergência em Trabalho em Altura

          Emergência é toda situação inesperada que representa risco imediato à vida ou à integridade física.
          No trabalho em altura, podem ocorrer:

          • Queda ou suspensão do trabalhador;

          • Choque elétrico;

          • Mal súbito ou perda de consciência;

          • Rompimento de equipamentos;

          • Incêndio ou explosão na área de trabalho.

          2. Condutas em Caso de Emergência

          • Manter a calma e avaliar a segurança da área;

          • Acionar o plano de emergência e comunicar a equipe de resgate;

          • Não tentar o resgate sem treinamento ou autorização;

          • Isolar a área para evitar novos acidentes;

          • Aguardar equipe treinada, fornecendo informações precisas sobre a ocorrência.

          3. Noções Básicas de Técnicas de Resgate

          • O resgate deve ser planejado previamente, com equipamentos adequados e equipe capacitada;

          • Utilizar cordas, polias e sistemas de ancoragem certificados;

          • Evitar improvisações — o resgate mal executado pode causar novos acidentes;

          • Após o resgate, o trabalhador deve ser avaliado por profissional de saúde antes de retornar às atividades.

          4. Primeiros Socorros

          Medidas iniciais até a chegada de socorro especializado:

          • Verificar consciência e respiração da vítima;

          • Proteger o local e não movimentar o acidentado sem necessidade;

          • Controlar sangramentos com compressão direta;

          • Manter vias aéreas desobstruídas;

          • Chamar o serviço de emergência (SAMU 192) informando local, tipo de acidente e condições da vítima.