Técnicas para contação de histórias
Educação Infantil - Contadores de Histórias
1 Aplicando as técnicas em sala de aula
O modo como professores e pais apresentam as narrativas despertam nas crianças o interesse, a curiosidade e o prazer em escutá-las. Assim, torna-se um desafio para o contador de histórias agradar o público e para isso, deve investir não apenas na próprio preparo, mas em tudo o que pode ser agregado ao desenvolvimento desse trabalho.
Algumas vezes, as histórias são lidas diretamente do livro, mas quando se decide não utilizar esse recurso incorpora-se o espírito de contador de histórias em sua plenitude. Mas, é preciso esclarecer que o livro estará sempre presente. A diferença é que, ao reduzir ou deixar de consultá-lo com muita frequência ao longo das histórias, o contador abre espaço para a utilização de técnicas da arte de contar histórias, além de abrir caminho para a sua criatividade.
Para contar uma história não basta ler, o narrador deve se envolver, chamando e prendendo a atenção dos ouvintes e instigando os a participarem da história. A seguir iremos citar algumas estruturas necessárias e estratégias para a contação de história, pois essa decisão leva em conta vários detalhes, para que seja um momento especial e prazeroso:
Local:
O espaço físico é muito importante, pois interfere não apenas na desenvoltura do contador de histórias, mas também em como os ouvintes receberão o conteúdo. Alguns dos aspectos que devem ser considerados dizem respeito a como estará acomodada a plateia e a quais características ambientais colaboram para a encenação e o conforto de todos. É preciso protegê-las de fatores que prejudicam a comunicação, como janelas e espelhos atrás do contador de histórias ou um ambiente afetado pela presença de ruídos indesejáveis. Uma forma indicada para posicionar as crianças é em semicírculo e a contação de história deve ser realizada próxima as crianças.
Sendo assim, é preciso que se averigue todos esses elementos com antecedência, é preciso inclusive antecipar-se aos imprevistos. A acústica também não pode ficar de fora dos itens a serem considerados, assim como o espaço de mobilidade oferecido.
Materiais:
Quanto aos materiais temos uma diversidade que podem ser confeccionados ou utilizados na contação de histórias.
Veja a seguir alguns exemplos:
- Sucata: pode-se confeccionar instrumentos musicais e até personagens, de forma lúdica, aumentando o leque de atividades em torno da contação de histórias.
- Fantoches: podem ser usados para ilustrar as histórias contadas como utilizados em aventais, deixando com que a criança participe da contação de história, colando os personagens no avental usado pelo contador.
- Televisão de papelão: trata-se de uma imitação de um aparelho de televisão, normalmente, apenas a parte frontal desenhada numa caixa de madeira ou papelão, que vai emoldurar as ilustrações.
- Caixas para contar histórias: Você pode usar materiais aleatórios que permitem a criação de uma caixa que sirva para guardar elementos interessantes para criar as historinhas.No caso, pode-se usar papelão para moldar a caixa da forma que seja melhor, além de tecido como TNT para encapá-la ou inclusive EVA e velcro para ter elementos decorativos. Basta usar a sua criatividade e explorar as possibilidades.
- Bonecos de papel: Esses recursos didáticos podem ser criados tanto para usar na sala de aula, como também para que as crianças se divirtam em casa. Os bonecos podem ser criados de uma forma ainda mais simples, usando desde papel sulfite, até restos de jornais, revistas, cartolinas, dentre outros. Permita que os alunos façam os bonecos para que desenvolvam a sua capacidade física, a motora e a cognitiva.
- Cenário para histórias de papelão: Este cenário de histórias feito de caixa é um material que tem em qualquer lugar, fácil de encontrar e também pode ser confeccionado.
- Bichinhos e bonecos de pratos descartáveis: Pode ser usar dos pratos descartáveis para confeccionar bichinhos e bonecos para contar histórias. Depois de prontos é só colocar um palito e começar as histórias, as crianças vão amar e você não precisa gastar muito.
- Bonecos de rolo de papel higiênico: Falando em recursos didáticos, você não pode deixar de usar os bonecos de rolo de papel, pode ser rolo de papel higiênico, de papel toalha, ou de qualquer outro rolinho até, de papel mesmo. Da para fazer várias criações para contar muitas histórias com eles, e as crianças poderão ajudar na confecção dos bonecos.
- Histórias Sonoras: As histórias podem ser contadas sem imagens. Sente as crianças na roda e comece a contar história usando apenas a entonações de sua voz e caras expressivas. Como recurso para as histórias sonoras use chocalhos e materiais que produzam sons. Assim você pode fazer o som de um urso gigante se aproximando, batendo dois pedaços de madeira no chão, por exemplo. As crianças adoram esse tipo de história.
Dicas de contação de histórias:
Para obter um momento educativo e prazeroso, iremos apresentar dicas para aperfeiçoar a contação de histórias:
- Converse com o grupo e estabeleça algumas regras para a contação.
- Se prepare para a contação de história.
- A duração da narrativa.
- Faixa etária.
- Ambiente.
- Lidar com interrupções.
- Você deve gostar de contar histórias e se envolver com a mesma.
- Baseando em informações passadas por pais em relação ao aluno, buscar histórias que venham ajudar a resolver um problema em questão.
- Imagine cada cena da história, não tenha medo de usar sua criatividade, não fique se preocupando com que os adultos vão pensar.
- Se organize de forma antecipada com materiais e recursos visuais.
- Não conte história de forma estática e monótona, isto com certeza, vai dispersar as crianças e te gerar frustação.
- Olhe nos olhos de cada criança, enquanto conta, e observe as reações delas durante a história.
- Entre no mundo da fantasia da criança. As crianças percebem a forma que o adulto conta a história e se elas gostarem certamente vão te pedir constantemente para contar mais.
- Converse depois da história.
2 As histórias infantis e suas análises
Introdução:
Depois de apresentadas as técnicas do modo de contar histórias do professor, iremos apresentar alguns contos infantis para serem usadas dentro de sala de aula.
Veja a seguir algumas histórias e análises sobre elas:
A bela e a fera:
Era uma vez um jovem príncipe muito vaidoso e egoísta. Certa vez, durante uma tempestade, uma velha senhora bateu à sua porta lhe pedindo abrigo.
Porém o príncipe se recusou a ajudá-la. Então, a velha, que na verdade era uma feiticeira, lança uma maldição sobre o rapaz, transformando-o em uma Fera. E o encantamento só seria quebrado com um beijo de amor.
Os dias passam e a Fera vive cada vez mais solitária em seu castelo.
Enquanto isso, vivia por perto um comerciante com sua filha chamada Bela. O homem precisa fazer uma grande viagem e pergunta à filha o que ela gostaria que ele trouxesse de presente. A simpática moça lhe pede apenas uma rosa.
O comerciante sai pelas redondezas e, ao voltar, é surpreendido por uma chuva caudalosa. Molhado e com fome, avista o castelo da Fera e vai até lá. Ao ver a porta aberta, entra no local para se abrigar e vê uma lareira acesa, mas ninguém aparece para recebê-lo.
Assim, adormece e, no dia seguinte, se levanta para voltar para casa. Mas quando estava saindo, vê um campo de rosas no quintal do castelo e começa a colher as flores para Bela. Nesse momento, chega Fera e, furiosa, lhe pergunta o que ele faz ali.
O comerciante explica que estava colhendo rosas para sua filha, mas mesmo assim a Fera diz que vai matá-lo. Assim, o homem pede que o deixe se despedir de Bela e seu desejo é concedido.
Ao chegar em casa e contar para a filha o que aconteceu, ela resolve ir junto com o pai para o castelo da Fera e chegando lá faz a proposta de morar com o monstro em troca da liberdade de seu amado pai.
Fera permite a troca e assim, a moça passa a viver no local. Com o passar do tempo, Bela e Fera se tornam mais próximos e chegam a desenvolver uma amizade.
Fera acaba se apaixonando pela jovem e a pede em casamento. A moça então recusa e pede ao senhor que a deixe visitar seu pai, que está doente. Fera deixa Bela ir e lhe diz que deveria retornar em sete dias.
A moça passa uma semana na companhia do pai e quando volta, encontra o monstruoso ser caído perto das rosas, quase morto de saudade da amada.
Naquele instante, Bela percebe o quanto o amava também e lhe dá um beijo, que quebra a maldição da bruxa e transforma a Fera em um belo príncipe novamente. Os dois se casam e vivem felizes para sempre.
Comentário sobre a história:
Em A Bela e a Fera, os significados que estão presentes giram em torno do elo afetivo entre pai e filha (chamado na psicologia por "Complexo de Édipo"), e a descoberta do amor.
Ao pedir para seu pai uma rosa, a garota, na verdade, pede um sinal de amor, que o pai vai buscar no jardim do homem que mais tarde se casará com ela.
Bela, quando aceita viver com a Fera, está se comprometendo a conviver com seu lado "animal", assim como no conto A princesa e o sapo.
A moça aos poucos vai se afeiçoando ao monstro e, quando percebe, está em paz com um lado emocional pouco explorado, o que permite que internalize conhecimentos importantes e harmonize aspectos conflitantes em si mesma.
Ao mesmo tempo, Bela descobre que o amor por um homem pode ser construído através da convivência e compreensão.
O patinho feio:
Era uma manhã de verão, e uma pata havia botado cinco ovos. Ela estava aguardando impaciente a chegada de seus filhotinhos.
Mas havia um ovo que demorou para se abrir , deixando a mamãe inquieta. Assim, quando o primeiro ovo abriu, mamãe pata ficou muito feliz. Logo os outros patinhos também começaram a nascer.
Passado algum tempo, o último filhote por fim conseguiu sair do ovo. Mas quando mamãe pata o viu, ela não ficou muito satisfeita e exclamou:
- Esse patinho é muito diferente, muito feio. Não pode ser meu filho!
- Ah! Alguém te pregou uma peça. Disse a galinha que morava ali por perto.
O tempo foi passando e o patinho feio foi ficando cada vez mais feio, cada vez mais diferente de seus irmãos e cada vez mais isolado. Os outros animais zombavam dele, o que o deixava triste e angustiado.
Então, quando o inverno chegou, o patinho resolveu partir. Ele andou muito e encontrou uma casa, assim, resolveu entrar pensando que lá talvez alguém gostasse dele. Foi o que aconteceu. Havia um homem que o acolheu, assim, o patinho passou esse tempo muito bem.
Mas, esse homem tinha também um gato, que um dia levou o pato para fora de casa, deixando-o sozinho e triste novamente.
O patinho saiu andando e depois de muito andar encontrou um lugar muito bonito, com um lago. O pato viu um cantinho confortável e foi até lá descansar. Nesse momento, algumas crianças que estavam por perto, perceberam a chegada de uma nova figura. Elas ficaram deslumbradas e disseram:
- Vejam, temos um visitante!
- Nossa! E como é lindo!
O patinho não entendeu de quem as crianças estavam falando, mas quando ele se aproximou do lago e viu seu reflexo na água, viu um fascinante cisne. Então, ao olhar para o lado, ele se deu conta de que outros cisnes também moravam ali.
Dessa forma, o patinho descobriu que na verdade, ele era um cisne. Desde então, ele passou a viver entre seus iguais e não ficou mais entristecido.
Comentário sobre a história:
Esse conto foi escrito pelo dinamarquês Hans Christian Andersen em 1843 e transformou-se em filme da Disney em 1939.
A história nos fala sobre aceitação e pertencimento. O patinho, depois de ser muito humilhado e experimentar sentimentos de angústia, solidão e baixa auto estima, consegue se dar conta de seu valor. Isso porque ele descobre que, na verdade, estava inserido em um ambiente que não era o seu por natureza, pois ele era um cisne.
Em algum momento, a narrativa conta sobre emoções presentes no universo infantil. Muitas vezes, as crianças sentem-se deslocadas entre os amigos e mesmo na própria família. Tais emoções, se não tratadas, podem ser levadas para a vida adulta também.
Então, a história do patinho feio nos mostra uma busca interior em direção a um resgate e descoberta de nossa potência como seres humanos, assumindo toda a nossa "beleza" e autoamor escondidos.
É um conto que explora também a questão do "diferente". Pois, o patinho não era nem um pouco parecido com seus irmão, não se adequando e vivendo sempre isolado. Mas, à medida que sai em busca de sua totalidade, ele se depara com sua força na diferença, afinal, todos nós somos diversos uns dos outros.
Vale lembrar que o pato é um animal "híbrido", que vive tanto na água quanto na terra, simbolizando assim o diálogo entre o mundo do consciente e do inconsciente.
3 Histórias infantis e suas análises
Cachinhos Dourados e os Três ursos:
Era uma vez uma família de ursos que vivia em uma casa muito bonitinha no meio da floresta.
Todos os dias, antes do almoço, a mamãe Ursa, o papai Urso e o filho Ursinho saíam para caminhar nos arredores enquanto o mingau esfriava nas tigelas.
Certo dia, enquanto a família estava fora, uma menininha loira de cabelos cacheados, cujo apelido era Cachinhos Dourados, estava perdida na floresta e, ao avistar a casinha, resolveu bater na porta.
Ao ver que ninguém respondia, a garota decide entrar, já que a porta estava entreaberta.
A casa era muito aconchegante, e em cima da mesa havia três tigelas de alimento. Cachinhos provou da primeira tigela e quase queimou a língua, de tão quente que estava o mingau.
Depois provou da segunda e achou o mingau muito frio e sem graça. Quando experimentou da terceira tigelinha, o alimento estava morno e delicioso, por isso comeu tudo!
Depois, cansada, viu três cadeiras e resolveu se sentar em todas. A cadeira maior era muito dura, a segunda era larga e desconfortável, já a terceira cadeira era pequena e frágil, e ao se sentar, Cachinhos a quebrou.
Ela continuou explorando o lugar e subiu as escadas, chegando ao quarto dos ursos, onde viu três camas. Se deitou na primeira e era enorme e muito dura, a cama ao lado era mole e desconfortável. Ao se deitar na terceira caminha, a garota achou que era perfeita. Assim, adormeceu.
Pouco tempo depois, os ursos voltaram à casa e logo viram algo de errado. O papai Urso disse:
— Alguém mexeu no meu mingau.
A mamãe Ursa também disse que alguém tinha provado de sua comida. O filho Ursinho, chorando, falou:
— Comeram todo o meu mingau!
Depois o Ursinho foi até a sua cadeirinha e, ao vê-la quebrada, chorou ainda mais.
Os ursos subiram as escadas e ao chegar no quarto, o papai Urso percebeu que alguém havia de deitado em sua cama, a mamãe Ursa viu que sua cama estava desarrumada também e o filho Ursinho deu um grito, dizendo:
— Mamãe, papai, venham ver, tem uma menina deitada na minha cama!
Cachinhos Dourados acordou assustada e num pulo, saiu correndo. A menina quase caiu, mas o papai Urso a segurou e explicou que aquela casa era deles e que ela não poderia entrar assim sem ser convidada.
A menina se sentiu envergonhada e foi embora, prometendo nunca mais entrar na casa das pessoas.
Comentário sobre a história
Crescimento é o tema central em Cachinhos dourados. No conto, a menina está perambulando pela floresta sem saber para onde ir. Essa passagem traz o significado de estar perdida em suas próprias emoções. Quando encontra a casa dos ursos, a garota entra para explorar, mesmo sabendo que ali não é o seu lugar.
A curiosidade a faz investigar os diferentes papéis em uma família, provando assim a comida de cada urso, sentando em suas cadeiras e dormindo em suas camas.
É por meio da experimentação e da prática que Cachinhos se dá conta de que o papel do pai ou da mãe não lhe cabe, e, mesmo que se sinta bem comendo a comida do filho ou dormindo em sua cama, já é grande demais para ser um "bebê", tanto que quebra a cadeira do ursinho.
Assim, a história traz elementos preciosos para analisar a passagem da primeira infância para a próxima etapa da vida.
Para finalizar, devemos dizer que as técnicas são essenciais para a contação de histórias, mas também os métodos e as práticas para o processo de ensino são de grande importância , pois elas estão conectadas a recursos que ajudam na atuação pedagógica.
Branca de Neve
Era uma vez Branca de Neve, uma princesinha muito bela que vivia com seu pai. Sua mãe havia falecido e o rei resolveu se casar novamente com uma bonita moça.
No entanto, a nova esposa do rei era também muito vaidosa e malvada. Ela tinha um espelho mágico e pelas manhãs perguntava para ele: “Espelho, espelho meu, existe uma mulher mais bela do que eu?”
E o espelho sempre respondia que de todas ela era a mais bela.
Enquanto isso, Branca de Neve crescia e ficava cada dia mais encantadora, com a pele clara como a neve, os cabelos escuros como a noite e a boca vermelha como o sangue.
Assim, um dia, a madrasta ao perguntar para o espelho, recebeu como resposta: “Minha rainha, a senhora é realmente muito bonita, mas agora de todas a mais bela é Branca de Neve.”
A madrasta furiosa pediu a um de seus servos para sequestrar Branca de Neve e matá-la na floresta, trazendo o seu coração como prova de sua morte. O servo, com pena da moça, pediu para que ela fugisse e levou o coração de um veado que passava por ali.
Então Branca de Neve passou a morar na floresta e ali fez amizades com os animais. Um dia, estava caminhando, e se deparou com uma simpática casinha. Ela resolveu entrar na casa e avistou sete pequenas camas. Cansada, a menina dormiu em umas das camas.
A casa era onde moravam os sete anões que, durante o dia, trabalhavam em uma mina. Ao retornarem para casa encontraram Branca de Neve dormindo e ficaram muito felizes.
A menina logo ao acordar contou a eles sua triste história. Os anões prometeram ajudá-la e assim ela passou a morar com eles, fazendo as tarefas da casa.
Um dia, ao perguntar novamente ao espelho sobre sua beleza, descobriu que a enteada estava viva. Então ela, resolve se disfarçar de velha camponesa e vai até a floresta para oferecer a Branca de Neve uma maçã envenenada.
A jovem dá a primeira mordida logo cai desmaiada, ao ver que tinha conseguido o que queria, a madrasta má foge.
Ao voltarem para casa os anões avistam a bela Branca de Neve caída no chão e ficam muito tristes. Então eles a colocam dentro de uma caixa de vidro no centro da floresta para poderem contemplar sua beleza sempre.
Tempos depois, aparece um príncipe montado em seu cavalo branco. Ao avistar a bela jovem adormecida, o rapaz não se contém e lhe dá um beijo.
Nesse momento, Branca de Neve se desperta do encanto, e se apaixona pelo príncipe. Os dois se casam e vivem felizes para sempre.
Comentário sobre a história:
A história da Branca de Neve é muito antiga e tem várias versões, como outras histórias.
Os valores colocados nesse conto tem relação com o amadurecimento e desenvolvimento psicológico.
A princesa e a ervilha:
Era uma vez, um príncipe que estava muito triste, pois procurava uma princesa para se casar mas não conseguia encontrar nenhuma. Foi em todos os reinos vizinhos sem sucesso.
Já tinha desistido, quando em uma chuvosa noite, bate à porta do castelo em apuros uma moça que, ao ver o rei, diz:
- Boa noite, estou molhada e faminta. Sou uma princesa e quando retornava para o meu castelo me perdi. Eu poderia ficar essa noite aqui para me abrigar, por gentileza?
O rei, desconfiado de se tratar realmente de uma princesa, deixa a moça entrar.
Então o rei tem uma ideia e pede para preparar um aposento especial a ela. Debaixo de sete colchões um sobre o outro é colocado uma ervilha.
O rei sabia que somente uma nobre princesa teria a sensibilidade para perceber embaixo dos colchões a ervilha.
E assim ocorreu, no dia seguinte, no café da manhã, a jovem estava com uma feição ainda cansada. O rei e o príncipe perguntaram como ela tinha passado a noite, e a moça respondeu:
- Me desculpem, tenho que ser sincera, passei acordada essa noite. Não consegui dormir, pois sentia algo me incomodando.
Dessa forma, foi comprovado que a jovem era realmente uma princesa e o príncipe soube logo que ela era a mulher que a tanto tempo procurava. Os dois se casaram e viveram felizes para sempre.
Comentário sobre a história:
A história apresenta valores como a espiritualidade, sensibilidade e espírito investigativo.
A realeza é colocada nos contos de fadas normalmente como um símbolo da “nobreza da alma”, a coragem, generosidade e dignidade.
4 Incentivo a leitura
Nos dias de hoje, por conta dessa era digital, os alunos estão cada vez mais longe da leitura, é frequente que os alunos busquem informações mais rápidas e acessíveis, o que pode levar muitos deles a pensar que ler é perda de tempo.
Com isso os educadores precisam saber como incentivar esses alunos a ler cada vez mais, se tornarem amantes dos livros deixando com que eles tenham prazer na leitura, pois a leitura continua sendo uma importante ferramenta no processo de aprendizagem e na construção de sujeitos críticos, autônomos e criativos, sendo essencial já que estamos inserido em um mundo letrado.
A seguir iremos mostrar algumas estratégias pedagógicas para estimular os alunos a ler mais:
Parceria com os pais
A responsabilidade de incluir a leitura na rotina das crianças e dos jovens não é apenas da escola, é também da família. O processo é progressivo e o seu sucesso depende, na maior parte, do envolvimento e participação familiar.
Dessa forma, procure manter um diálogo contínuo com eles, mostrando a importância de ter uma postura propositiva nesse sentido.
Ler histórias para o filho, levá-lo para passear em uma livraria, dar livros de presente e conversar sobre o que estão lendo são iniciativas simples que podem fazer grande diferença. Mas, é importante lembrar que a construção do hábito de leitura passa, também, pelo exemplo. Estudantes que não tem familiares leitores geralmente apresentam maior resistência.
Incentive a leitura por prazer
O professor tem que incentivar os alunos a descobrir os estilos literários dos quais mais gostam, além de incentivar que eles possam escolher livros na biblioteca para levar para casa. Sendo assim, quando tiver alguma leitura obrigatória na ementa, será possível abordá-la como uma atividade atrativa e lúdica para o aluno.
Podemos apresentar a obra de uma maneira diferente, conversar sobre o autor, sugerir a teatralização dos textos, realizar debates, ou seja, apoiar atitudes que tem o foco a tornar o processo mais prazeroso.
Realize visitas a bibliotecas
Se o professor espera que o aluno crie o hábito de ler cada vez com mais frequência e qualidade, ele precisa proporcionar e incentivar o contato com os livros.
Leve a turma para a biblioteca da escola, deixe que eles descubram os livros, folheiem as revistas e escolham de forma independente o que desejam ler. Além disso, lembre-os de que a leitura não precisa se ficar para dentro dos muros da escola. Fazer uma visita nas grandes bibliotecas municipais pode trazer bons resultados.
Crie projetos de leitura
Nesse contexto, a escola pode fazer a arrecadação de livros em gincanas, olimpíadas de leitura com premiações para os melhores desempenhos, organizar semanas especiais dedicadas à contação de histórias e a leitura, e também propor que os alunos escrevam suas próprias narrativas e poesias — a produção textual também é uma excepcional estratégia para estimular o gosto pela leitura.
Busque diversificar
Quando o foco é incentivar os estudantes ao interesse pela leitura, a diversificar os gêneros e tipos literários é essencial. Os estudantes tem que experimentar a leitura por meio de diversos materiais, que vão além dos formatos mais tradicionais.
A escola deve incentivar que leiam quadrinhos, revistas, jornais, charges, poesias, acrósticos, crônicas, contos, dentre outros. Isso vai livrá-los de preconceitos literários e irá preparar para ler de tudo , principalmente, no ato de ler de maneira crítica os enunciados das provas, para a escrever uma boa redação, por exemplo.
Lembrando que, a faixa etária deve ser sempre considerada no momento das escolhas dos livros.
Aumentando o domínio do letramento dos alunos
É importante que os educadores criem um momento de debate sobre a leitura. É interessante, antes da exposição por parte do professor, deixar com que os alunos falem sobre o que compreenderam e como interpretaram a obra. Não atrapalhar as ideias e evitar determinadas interpretações como erradas são atitudes essenciais nesse contexto — deve-se dizer que diferentes visões são válidas e enriquecedoras.
Devemos reforçar que, para aumentar o poder de compreensão dos alunos, o professor pode sugerir releituras, produções textuais e até a musicalização do texto, por exemplo.
Use a tecnologia a seu favor
O receio que esses novos aparelhos como celulares e tablets possam significar “o fim dos livros” é comum, porém, o educador não deve atribuir esse papel à tecnologia , sobretudo porque ela pode ser uma grande aliada no processo pedagógico. É necessário enxergar que, longe de levar ao distanciamento dos livros, a tecnologia traz novas formas de explorá-los e a possibilidade de conhecer obras antes não vistas.
Grupos de leitura no Facebook, postagens interessantes nas mídias sociais, projetos de blogs, jogos educativos e vídeos que tratam de alguma obra literária - tratam-se de excelentes maneiras de entreter os alunos na leitura, permitindo também que o professor aproxime mais de seus alunos.
Além de ser uma alternativa para incentivar a leitura dos alunos, a tecnologia também pode ajudar o professor a identificar os pontos fracos e fortes de cada um deles.