Métodos de contação de histórias

Educação Infantil - Contadores de Histórias

1 Introdução e o ato de contar histórias

A prática de contar uma história na Educação Infantil é um método de incentivo à imaginação e o real. Ao contar uma história, pegamos de experiência do narrador e de cada personagem como nossa, e ampliamos nossa experiência de vida por meio da narrativa do autor.

Os fatos, as cenas e os contextos são do plano de nossa imaginação, mas os sentimentos e as emoções ultrapassam a ficção e se materializam na vida real.

É de grande importância a prática do contar histórias na vida de uma criança, pois tem o poder de enriquecer o imaginário, a criatividade, oralidade, auxiliando no desenvolvimento da linguagem, para contribuir com o enriquecimento do vocabulário, incentivar a prática da leitura transmitindo conhecimento e valores. Essa prática é essencial para a formação do processo de ensino e aprendizagem.

A prática de ler promove o exercício da própria cidadania, uma vez que o indivíduo constrói, através do ato de ler, uma concepção de mundo sendo capaz de compreender o que lhe chega através dela, analisando o conteúdo e tornando-se crítico diante das informações apresentadas. A didática do conto de histórias é enriquecedora para crianças nos anos iniciais, mas com o cuidado de que a estrutura da narração deve ser de forma clara, de fácil linguagem, com imagens, explorando a história escolhida de maneira lúdica, dentro do seu processo de aprendizagem a contação permitirá as crianças um melhor desenvolvimento da capacidade de produção e compreensão de texto.

Através das histórias as crianças aprendem a lidar melhor com diferentes situações, proporcionando a criança a liberdade de criar e recriar, depois fazer debates a respeito de histórias contadas do seu jeito, por meio da imaginação e da fantasia. Dessa forma, o docente deve utilizar dentro de suas práticas pedagógicas, a ato de contar histórias, pois é um recurso didático fantástico que usados de uma maneira correta irá enriquecer suas aulas.

O que o ato de contar histórias pode proporcionar as crianças?

Contar histórias estimula o prazer a leitura, desenvolve a linguagem e escrita, despertando o senso crítico e reflexivo nas crianças.

Encontra-se três níveis de leitura:

  • Primeiramente é o tato, o prazer de pegar em livros e sentir o papel, analisar ilustrações e figuras.
  •  Segundo nível é o emocional, independência das emoções revelam o que estabelece e o que causa a nós.
  •  Terceiro e último é o nível racional, junção da autora ao plano intelectual do livro.

Ao se contar uma história estará atuando na construção e formação da criança em diversas áreas. Uma delas é o auxílio tanto no desenvolvimento emocional quanto ao intelectual. É propiciado o aperfeiçoamento cognitivo e emocional, enquanto viaja no vasto mundo imaginário e lúdico das histórias, seja ela uma fábula, história em quadrinhos, um conto, enfim, esse momento é quando ela se permite vivenciar as histórias e brincadeiras, criando uma descoberta da realidade através da fantasia, se aventurando em sentimentos, levando assim a um pensamento crítico e reflexivo diante de algumas situações onde viverá cotidianamente ao longo de sua vida, levando assim a se desenvolver psicologicamente.

Os alunos que tem oportunidade de fazer, representar e apreciar as diversidades encontradas na linguagem artística de forma orientada, tem um desenvolvimento intelectual de percepção mais aguçado e uma compreensão de mundo mais abrangente, pois os códigos da linguagem da arte são envolventes e apaixonantes.  As crianças que são privadas destes conhecimentos são mais limitadas em seus desenvolvimentos, tendo em sua maioria dificuldades para exporem suas ideias, pensamentos e sentimentos, reprimindo e silenciando suas emoções.

É importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias... Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo... (ABRAMOVICH, 1993, p.16).

 A contação de histórias é um período único na vida de uma criança, pois estabelece um clima de cumplicidade entre o professor e o aluno. Onde será transmitido no momento da contação conhecimentos e valores, sua atuação é decisiva na formação e no desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem.

2 Métodos para contagem de histórias

Existem diversos métodos de contar uma história, mas quando se trata do ambiente escolar, é importante destacar que, contar uma história para crianças, vai muito além disto, pois, se trata de uma atividade de grande importância. Contudo, Oliveira cita que existem diferenças entre ler e contar:

As histórias contadas oralmente têm uma força de transmissão oral, isto é: a voz, o olhar e o gesto vivo do contador de histórias, que alegra ou entristece a sua plateia. Na “contação” usam-se as próprias palavras, há variações nas versões de cada história, permite-se o uso de recursos e está mais próxima da oralidade. A criança aprende mais sobre a língua que se fala, amplia seu repertório e seu universo imaginário, percebe que as histórias podem ser mudadas e começa a criar suas próprias histórias. Ao ler o professor apresenta aos alunos o universo letrado, instigam a curiosidade pelos livros e seus conteúdos. Neste caso a história é sempre a mesma, independente de quem a lê. Podemos modificar a entonação, a altura ou o timbre da voz, mas o texto é sempre o mesmo. A leitura traz consigo marcas específicas da língua escrita e que não utilizamos cotidianamente ao falar. (OLIVEIRA, 2006, p. 04).

Um excelente narrador de histórias é aquele que contém o dom natural para fazer da sua história um conto mágico de narrativas. Sendo assim, podemos então dizer que uma história conduz uma criança para um mundo mágico criado através das histórias, no qual o ouvinte é chamado para uma viajem aonde irá até onde sua criatividade alcançar.

Quando uma criança escuta a uma história ela pode desenvolver e atingir vários objetivos. Onde é citado por Tahan que, através da contação de histórias será desenvolvido várias habilidades no individuo:

  • Primeiro a expansão da língua infantil, onde e enriquecido o vocabulário da criança facilitando a expressão e a articulação,
  • Segundo será estimulada a inteligência, onde será desenvolvido o poder criador do penar infantil,
  • Terceiro será a aquisição de conhecimentos, onde serão alargados os horizontes e ampliando as experiências da criança,
  •  Quarta habilidade será da socialização, onde a criança estará se identificando com o grupo e o ambiente, levando a estabelecer associações por analogia, entre o que é e o que conhece,
  • Quinta será a revelação das diferenças individuais, onde a professora estará facilitando o conhecimento de características predominantes em seus alunos, evidenciadas através das reações provocadas pelas narrativas,
  • Sexta habilidade será a formação de hábitos e atitudes sociais e morais, onde através da imitação de bons exemplos e situações decorrentes das histórias, estimulando bons sentimentos na criança e incitando-a na vida moral,
  • Sétima e última habilidade será a do interesse pela leitura, familiarizando a criança com os livros e histórias, despertando para o futuro esse interesse tão necessário.

É notável o diferencial nos olhos de quem conta uma história, conseguimos notar a sua habilidade sobre os livros, tanto para transferir informações, quanto para montagem de repertório, de figurino... por fim “é exatamente do fascínio de ler que nasce o fascínio de contar. E contar histórias hoje significa salvar o mundo imaginário” (SISTO, 2005, p.28). Para ter um bom aproveitamento em uma contação de histórias, deve conter imagens verbais, sonoras e corporais. 

Há algum tempo atrás, para se contar uma história não usavam nenhum método que prenda a atenção dos ouvintes, ou seja, só era contada oralmente, se usava basicamente a voz, alguns gestos e o olhar. No decorrer dos tempos e com as novas atualizações e novos recursos as histórias passaram a ser contadas de maneiras diferentes de forma mais lúdicas e criativas.

No momento atual o docente encontra vários recursos lúdico/pedagógicos para assim proporcionar ao aluno um excelente momento de contação de histórias, basta um pouco de criatividade e então, podemos confeccionar: deboches, flanelógrafo, cineminhas, peças teatrais, fantoches etc. Também livros de tecido, feitos com EVA ou plásticos e livros específicos para a hora do banho. Esses recursos auxiliam o contador na apresentação da história, pois além de conseguir prender a atenção da criança para que escute atentamente a história, também consegue com que o momento da história passa também a ser assistida, imaginada e prazerosa.

Utilizam-se outras linguagens: a música, a mímica, a dança, as artes plásticas... tudo é bem-vindo quando desperta o sabor de um passeio com o qual se sonhou há muito tempo, com o qual se restituiu o tempo do jogo do faz-de-conta. (SISTO, 2005, p. 32).

Para contar uma história sem o apoio de um livro o docente deve utilizar alguns métodos, como mudanças no tom de voz, gestos corporais, além de também conhecer toda a história em que será contada, pois assim o momento da contação ocorrerá sem interrupções e com bastante satisfação. Através da segurança e emoção, transferida pelo contador através da sua voz e principalmente pelos seus gestos que estimulam os ouvintes a um mundo expresso na história.

Abramovich propõe que:

Para contar histórias – seja qual for – é bom saber como se faz. Afinal, nela se descobrem palavras novas, se entra em contato com a música e com a sonoridade das frases, dos nomes... Se capta o ritmo, a cadência do conto, fluindo como uma canção ... Ou se brinca com a melodia dos versos, com o acerto das rimas, com o jogo das palavras... Contar histórias é uma arte. (2001, p. 18).

Com isso, quando uma criança houve uma história ela é capaz de expressar suas opiniões, fazer descobertas, ter dúvidas ou argumentar questões relacionadas e exercer a relação verbal que favorece a fala.

3 A importância da contação de histórias

O contar histórias é uma valiosa ferramenta no ambiente educativo no processo de ensino e aprendizagem.

Para Busatto (2006):

As histórias são verdadeiramente fontes de sabedoria, que tem papel formador da identidade. Há pouco tempo, elas formam redescobertas como fonte de conhecimento de vida, tornando-se também um grande recurso para educadores. Como advento da comunicação, ampliação dos seus recursos e da globalização das informações, a linguagem falada tende a definhas, porém, concomitantes a esse desenvolvimento. A tradição oral dos contos, não só não reapareceu como está ganhando força nos últimos tempos. (BUSATTO, 2006: 21).

No ambiente escolar, a prática de contar uma história ocorre a partir dos primeiros anos de vida da criança, ouvir com frequência uma história auxília no desenvolvimento da sua identidade. Durante o momento da contação, é determinado uma ligação de trocas entre o contador e o espectador, o que é de grande importância essa troca de experiências e conhecimentos, devendo ter uma comunicação entre ambos, sendo elas facilitadoras do processo, onde se cria o conhecimento cultural e efetivo. ´´Contar histórias é uma arte porque traz significações ao propor um diálogo entre as diferentes dimensões do ser´´. (BUSATTO, 2003, p.10).

A prática de contar uma história tem como principal objetivo divertir, estimulando a imaginação.

Contar histórias pode ser fermento para o imaginário. Elas nascem no coração e, poeticamente circulando, se espalham por todos os sentidos, devaneando, gatiando, até chegar ao imaginário. O coração é o grande aliado da imaginação nesse processo de produção de imagens significativas. Com o coração, a gente sente e vê internas as imagens que nos fazem bem. (BUSSATO,2006,p.58,59).

Quando a autora cita sobre o fermento para o imaginário, compreendemos que é um conjunto de coisas boas que passa entre o real e o imaginário do ouvinte, age como um antídoto, o imaginário se flui com uma grande relevância apta a criar o mundo contado nos contos e por instantes importantes. Quando se viaja pelo mundo imaginário, no qual tudo que é visto são desenhados pela mente e nada pode ser tocado, são fantasias de quem ouve uma história e que permite se teletransportar para outro mundo sem ao mesmo sair do seu lugar.

Antunes (2001) afirma que é na infância que se modificam as atitudes. Escutando historias, as crianças vão se reconhecendo com tais personagens, de acordo com algumas situações vividas onde ela consegue se familiarizar, e isso faz com ela consiga resolver seus conflitos. 

Contar uma história é um método pedagógico que auxilia o professor e os alunos de maneira significativa dentro da Educação Infantil, visto que escutar uma história estimula a imaginação, ensina, auxilia no descobrimento do novo, incentiva o processo de leitura e escrita, além de ser uma atividade na qual ajuda a criança a ser mais sociável e a ter mais interação.

Contar uma história possibilita a quem está escutando sentir emoções através das ilustrações, fazendo com que pense e reflita sobre o mundo da história onde foi contada, as histórias encorajam as crianças na busca da sua própria autonomia, responsabilidades, costumes e valores importantes no qual ajudam a fazer suas escolhas.

As histórias devem ser algo desafiador e motivador, pois, elas tem o poder de transformar pessoas. Ao ouvir uma narrativa a criança se sente entusiasmada, despertando o seu imaginário, o seu hábito pela leitura, além de também desenvolver sua fala e sua escrita. Segundo o pedagogo, Freire, 1994, ''O ato de contar histórias e algo que deve ocorrer frequentemente dentro de sala de aula, como uma atividade de interação entre professor/aluno, já que é um ótimo recurso chamativo e instigador, fazendo de um modo excepcional para a construção de um indivíduo criativo, isto é, alunos e professores terão a chance de resgatar memórias e sugerir novos significados''.

Pode se compreender que, uma criança precisa do mundo mágico, dos sonhos e fantasias para que consiga compreender o mundo a sua volta. O mundo dos livros é um caminho que ajuda a entender o que se passa ao seu redor, permitindo então, a estruturação do mundo real.