A importância das histórias no desenvolvimento infantil

Educação Infantil - Contadores de Histórias

1 Estímulos a imaginação infantil

Sabemos, com todos os pontos e vírgulas, que contar histórias é extremamente importante e benéfico para as crianças, desde a mais tenra idade. Há quem afirme a eficácia de embalar os bebês, ainda no ventre, com a melodia da voz da mãe, contando histórias, para familiarizar a criança desde aí, com os mecanismos narrativos, e com a proximidade e o afeto que o contar histórias envolve. Essas ações, de certo modo, já fazem parte das estratégias para a formação do leitor

Mas, além disso, sabemos que a história narrada, por escrito ou oralmente, nos permite também aquisições em diversos níveis. Isto é: contar histórias para as crianças permite conquistas, no mínimo, nos planos psicológico, pedagógico, histórico, social, cultural e estético.

Ao ouvir uma história, as crianças (e o leitor em geral) vivenciam, no plano psicológico as ações, os problemas, os conflitos dessa história. Essa vivência, por empréstimo, a experimentação de modelos de ações e soluções apresentadas na história fazem aumentar consideravelmente o repertório de conhecimento da criança, sobre si e sobre o mundo. E tudo isso ajuda a formar a personalidade.

Ao fazer contato com a obra de arte, no caso, a literatura, a criança participa de uma ação pedagógica, mesmo que não seja essa a função da narração oral ou do texto literário. A sujeição à experiência artística educa, em sentido amplo. No mínimo educa para a escuta coletiva, para as regras de convivência social, para a percepção da igualdade ou da diferença, para os mecanismos da comunicação linguística, para o reconhecimento e uso da emoção, para a diversidade estética, para a constatação dos usos do tempo e do espaço etc.

Mas nem sempre essa experiência ampla do “aprender” é facilmente decodificável, como muitas vezes querem professores e escolas.

Portanto, a experiência literária no momento do ouvir uma história, vai muito além da simples retenção de informação e nem sempre é imediatamente traduzível para o ouvinte. Mas há quem insista nisso, obrigando as crianças a transformarem em palavras ou em novos produtos artísticos (como desenhos, resumos, poemas, comentários, etc.) a experiência que acabaram de viver.

As histórias narradas oralmente proporcionam às crianças uma visão epocal (ainda que de uma forma esboçada), seja do seu tempo, seja de outros tempos. O recorte oferecido pela história delineia sempre uma época, um conjunto de costumes, comportamentos, vivências, códigos de ações, uma ética, que acabam fazendo do texto esse complexo histórico. E se as histórias forem ainda contos populares, há a possibilidade de revelarem uma sabedoria ancestral e a tradição dos povos, com temáticas de caráter universal e neste caso, apagando (borrando ou tornando elástica) a linha do tempo, pela potencialização de questões que são de ontem e hoje, de todo e qualquer tempo.

Contar oralmente uma história está relacionado ao reunir, ao criar intimidade, ao ato de entrega coletiva. É um ato agregador de pessoas; é o exercício do encontro consigo, com os outros, com o universo imaginário, com a realidade, por extensão. Por isso, esse costume milenar é também socializante. E mais, na medida em que o universo narrativo de uma história revela modos de interação social entre os personagens, também nos revela um quadro de modelos, a serem seguidos ou a serem questionados. Muitas vezes punidos ou premiados. Do esquematismo e maniqueísmo dos contos clássicos ou populares à interação dos contrários num mesmo sujeito, da literatura contemporânea, a história permite e convida também à comparação com os modelos sociais que conhecemos ou à descoberta de novos modelos. Sem dúvida, para quem está aprendendo a estar no mundo há pouco tempo, esse material é de importância inquestionável.

Na medida em que se familiarizam com a arte (a arte da palavra, a arte do contar - no caso mais específico, a literatura), as crianças vão percebendo os elementos estéticos os elementos que fazem daquele “objeto” um objeto de arte. Elas também vão, desde cedo, criando critérios de valoração (mesmo que de forma simples), de comparação, de classificação, de fruição (o prazer de ouvir; o prazer de ter contato com uma história bonita e bem contada; o prazer de ver imagens (ilustrações) instigantes nos livros, etc). A convivência e familiaridade com a arte faz surgir a necessidade de torná-la cada vez mais presente no cotidiano, no dia-a-dia, na vida. A arte passa a ser não só o escudo, mas a metáfora necessária para a criança entender o mundo e até se proteger (futuramente) das agruras da vida. A arte passa não só a ter um valor como a ser um valor. E a literatura, pouco a pouco, vai se tornando esse valor na vida do leitor. Prazer e catarse também entram nesta relação.

De forma mais global, a literatura exige do ouvinte uma forma específica de recepção e de criação, diferente do que exigem outros veículos de comunicação. O ouvinte, ao receber um conjunto de estímulos (sonoros, rítmicos, plásticos, emocionais, etc.) através da narração oral é convidado a recriar as idéias lançadas pelo narrador, para compreender, acompanhar e resignificar a história que está ouvindo. Tanto a leitura como a narração oral, fazem o ouvinte experimentar o papel de co-autor. E ainda mais, são também ampliadoras do repertório cultural, que é sempre cumulativo: quanto mais histórias uma criança ouve, quanto maior o convívio orgânico com as artes -
convívio ativo, que engloba o contemplar e o fazer-, maior será a dimensão cultural vislumbrada pela criança.

Por tudo isso, pode-se dizer: as crianças que têm contato com as histórias desenvolvem mais a imaginação, a criatividade e a capacidade de discernimento e crítica; na medida em que se tornam ouvintes e leitores críticos, as crianças assumem o protagonismo de suas próprias vidas. O que começou, lá no passado com o objetivo de apontar padrões sociais aceitáveis “instruir mais que divertir” foi sempre o objetivo dos textos direcionados às crianças - pode, gradualmente, se tornar também um saudável exercício de cidadania, se proporcionar a discussão, a contestação e a relativização das idéias. Essa dimensão nunca pode ser ignorada pelo professor que usa as histórias em seu trabalho na sala de aula. Isso tudo somado à experiência estética que a narração oral proporciona é mais do que suficiente para os livros se tornarem companheiros inseparáveis das crianças no processo de aprendizagem e aquisição do gosto pela leitura.

Mas o grande salto só ocorrerá, se o narrador souber transformar a narração oral numa experiência artística de alto nível. Para isso, concorrem a qualidade do narrador (que deve ser um grande leitor), a sua preparação (prévia) como contador de histórias e sua habilidade em escolher obras que reúnam comprovadas qualidades literárias.

2 Como estimular a imaginação de uma criança?

A imaginação é a base da fantasia na infância, assim como o processo criador é atividade primordial de sobrevivência do homem, desde seu surgimento até a modernidade o homem cria e recria objetos os quais acreditamos a partir da teoria de Vygotsky que os mesmos antes de tornarem-se concretos fisicamente existiram em sua mente, através de um processo em que o autor denomina imaginação, o uso de instrumentos e signos para instigar este imaginário criativo.

Pois como destaca Vygotsky (1996 [...] necessariamente, tudo o que nos cerca e foi feito pelas mãos do homem, todo o mundo da cultura, diferentemente do mundo da natureza, tudo isso é produto da imaginação e da criação humana que nela se baseia. Qualquer invenção, grandiosa ou pequena”, diz Ribot, “antes de firma-se, de realizar-se de fato, manteve-se íntegra como uma construção erigida na mente, por meio de novas combinações ou correlações, apenas pela imaginação ( VYGOTSKY, 1996, p. 14).

Deste modo a construção do imaginário criativo como instrumento humanizador deu se pela necessidade de construir uma relação pautada no desenvolvimento da autonomia, da participação dos sujeitos através das interações interpessoais, sociais, interativas e afetivas e as relações com os meio e os signos de aprendizagem, assim como estas trazem a dinâmica de se trabalhar ativamente (em contato) com os mesmos instrumentos, instrumentos estes aos quais englobam-se as múltiplas linguagens, a imaginação, a curiosidade e a alteridade. Assim dando vez e voz a criança constatamos que a comunicação entre os sujeitos libera o imaginário criativo na construção do conhecimento dos sujeitos, integrando ambos os lados a um mundo infantil, que necessita ser mais instigados nas instituições de educação Infantil.  O ato de brincar/imaginar como atividade, está constantemente gerando novas situações, possibilitando a criança avançar seus estágios de desenvolvimento - tanto intelectuais como humanos.

Como podemos estimular a imaginação de uma criança?

Devemos dar asas à imaginação, deixar com que as crianças reflitam, imaginam e criam suas histórias através de contato com outras histórias, vivenciadas por elas, fazendo com que seu conhecimento de mundo se amplie através de experiências contadas por outras pessoas, sendo por algum familiar ou por um professor, que hoje em dia tem um papel fundamental no fazer do educando um amante dos livros. Assim para trabalhar a imaginação nas crianças podemos utilizar de vários recursos como:

  • Leituras de livros e revistas: Ela proporciona à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Através dos livros ela tem oportunidade de conhecer e vivenciar um outro mundo que não seja o dela, além de estar ampliando seus conhecimentos.
  • Passear por lugares novos: É uma forma prazerosa para a crianças estar exercitando sua imaginação, num ambiente livre e diferente, ela tem contato com o novo, sendo assim a criança já por si própria curiosa, pode se usar isso como um gancho dando oportunidade de novas aprendizagens a elas e ampliar seu mundo de imaginação.
  • Assistir desenhos e filmes: Que criança não gosta de assistir a desenhos não é mesmo? E olha assistir a essas programações pode ajudar no desenvolvimento das crianças, como dar oportunidade para a criança estimular a criatividade e fantasias, esses conteúdos ensinam noções de moral e sociedade, passam valores, influência na personalidade e passam bons exemplos.
  • Conversa sobre assuntos diversos: Através das conversas podemos passar conhecimentos, transmitir culturas além de trabalhar a fala e ensinar a criança a argumentar, fazendo dela a protagonista de sua própria história, tornando-a crítica e reflexiva.
  • Ouvir músicas e apresentar instrumentos: Com a música podemos desenvolver na criança várias habilidades como a coordenação motora, cognitiva, linguístico, afetiva, atenção, percepção, apreciação, memorização, movimento dentre outras, além de proporcionar momentos de interação e lazer entre os envolvidos. Pode se apresentar as crianças diversos instrumentos deixando com que elas tenham conhecimentos sobre eles, o manuseando e até mesmo confeccionando esses materiais.

Segundo Vygotsky, a imaginação não pode ser considerada um "divertimento caprichoso do cérebro", mas sim uma função vitalmente necessária, que se encontra em relação direta com a riqueza e a variedade da experiência acumulada pelo ser humano, porque "esta experiência é o material com que se constroem os edifícios da fantasia".

Então concluímos que a uma necessidade pedagógica de se ampliar a experiência da criança, a fim de que uma base suficientemente sólida para a atividade criadora seja construída. "A função imaginativa depende da experiência, das necessidades e interesses daqueles nos quais se manifesta’’.  (Vygotsky).

Quanto mais ricas e diversificadas forem as experiências, as interações da criança com o mundo (outros sujeitos e objetos) e as atividades que ela é incentivada a realizar, maiores serão suas possibilidades criadoras e mais rica será sua criatividade, porque maior será o material de que sua imaginação poderá dispor na construção de algo novo.

"Quanto mais vê, ouve e experimenta, quanto mais aprende e assimila, quanto mais elementos reais dispõem em sua experiência, tanto mais considerável e produtiva será a atividade de sua imaginação". (Vygotsky).

A construção da inteligência e da criatividade humanas está em relação direta à riqueza das atividades a que estamos submetidos ao longo da nossa vida. Isto inclui nossa vida escolar e o quanto ela pode alimentar o desenvolvimento das nossas capacidades cognitivas e imaginativas.

3 Exercitando a imaginação das crianças

Imaginar é tão fundamental ao longo da infância que precisa ser algo instigado pelos adultos, por meio do convite à brincadeira, à escuta de histórias, às conversas sobre os mais diferentes assuntos. Valorizar a imaginação infantil e abrir espaço para ela é um dos modos de favorecer as aprendizagens dos pequenos e de produzir impactos em seu desenvolvimento. Quando uma criança brinca, ela processa pela imaginação a criação de sua ligação interna com o mundo externo e transcende a realidade para recriar o cotidiano.

Estamos em uma geração diante de uma realidade contemporânea em que as crianças são bombardeadas pela tecnologia, com aparelhos tecnológicos, tablets, videogames, celulares e televisão, eles aumentam a comodidade do brincar e reduzem o espaço potencial da criatividade. Os meios de comunicação em massa são instrumentos importantes do nosso tempo, criados pela inteligência humana, mas é preciso equilibrar o digital com atividades diferentes, como brincadeiras ao ar livre, esportes e oficinas.

As crianças são curiosas, indagadoras, exploradoras, devemos aproveitar essas características e propor desafios a ela, dando asas a imaginação, é essencial exercitar a imaginação nas crianças, possibilitar um ambiente onde possa explorar e interagir com usos de vários materiais de forma segura e prazerosa. Podemos então concluir que usando a imaginação e capacidade criativa, a criança cria e transforma os seus próprios brinquedos, embarcando numa brincadeira que contribuirá para o seu desenvolvimento. 

Irei citar alguns brinquedos que podem render muita aprendizagem junto a diversão:

  • Blocos de montar: Com as peças coloridas dos blocos de montar, as crianças podem criar infinitas construções como prédios, casas, castelos, torres, janelas e o que mais mandar a imaginação.
  • Livros de colorir: Com um livro de colorir e um conjunto de lápis de cor, a criança relaxa e ainda estimula a parte do cérebro responsável pela capacidade de imaginar.
  • Quebra-cabeça: Um quebra-cabeça  é capaz de estimular toda a capacidade de raciocínio, já que obriga o cérebro a se manter em constante atividade. Isso estimula a agilidade mental e a criatividade infantil.
  • Jogos de tabuleiro: Jogos de tabuleiros são ótimos brinquedos lúdicos, pois estimulam o raciocínio analítico e a habilidade de encontrar soluções, quesitos ligados à parte criativa.
  • Brinquedos que imitam o mundo dos adultos: Kits de médico ou construção, carrinhos, panelinhas e vassouras, entre outros, estimulam a criança a tentar imitar as atividades dos adultos e a criar roteiros e histórias dentro de sua cabeça.

“As maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade” (VYGOTSKY)

O brincar na infância é uma experiência comovente porque a criança se envolve de forma afetiva, dando vida e propósito à brincadeira, e com esta atitude, ela sentirá prazer e a necessidade de fazer de novo. Vygotsky (2007, p.123) vai de encontro a esta afirmação, com a seguinte definição; “O brinquedo é muito mais lembrança de alguma coisa que realmente aconteceu do que imaginação. É mais a memória em ação do que uma situação imaginária nova.”

 O brincar pode se tornar significativo para a criança, se ela quiser brincar de novo, se lembrando da situação imaginária, e por esta constante, a brincadeira pode promover aprendizagem significativa por meio da memória constatada somente pela experiência própria e não imposta da repetição. Neste sentido, o brinquedo é usado como atividade instrutiva, no sentido de evidenciá-lo como uma mágica experiência feita pela criança.