Matemática e o lúdico
Matemática para o Ensino Fundamental
1 Ensinando matemática de forma divertida:
Muitas pessoas pensam que a forma de ensino de matemática tem de a ser chata e entediante. Professores e alunos têm uma ideia equivocada de que para ensinar e aprender matemática é necessário muita prática. Em partes, a frase que “matemática é prática” está certa, pois tudo aquilo que praticamos, é aprimorado. Mas, acreditamos que os números e os seus processos devem ser compreendidos, deixando de lado ideia de “decoreba”, para um ensino que seja de maneira mais lúdica e uma aprendizagem mais significativa.
Isso não significa que não deva usar as folhas e as atividades impressas, precisamos saber que essas tarefas são complementares. É necessário o trabalho de compreensão da matemática a partir da manipulação de materiais concretos, assim como é fundamental que se façam atividades de sistematização dos conhecimentos.
O que não deve ser feito é a prática da "pedagogia das folhinhas", onde o professor dá uma atividade atrás da outra, sem intencionalidade e intervenções. Ainda, por muitas vezes, estas atividades são tiradas do Google, não sendo pensadas ou adaptadas para o contexto e a realidade da turma. O professor vira um mero entregador de atividade e o aluno um cumpridor de tarefas. Tenha em mente o protagonismo do professor e do aluno em sala de aula.
Agora irei dar algumas sugestões práticas de como trabalhar com a matemática de forma lúdica:
Materiais Concretos
Não podemos falar em ensino da matemática sem o uso de materiais concretos. Foi comprovado cientificamente que enquanto estamos manipulando os números o nosso cérebro tem cinco áreas ativadas. Duas delas são visuais. Isso evidencia a necessidade de ver os processos que estão sendo realizados. Por isso, é essencial que tenhamos materiais concretos em sala de aula.
Se a sua escola não possui , peça alguns na lista de materiais. Se esta não é uma possibilidade, confeccione você com os alunos! Muitos materiais podem ser construídos com as crianças que acabam ganhando um significado ainda maior do que os recursos comprados.
E esta sugestão não vale somente para as crianças pequenas mas até mesmo aos pré-adolescentes, lá do 4º e 5º ano, eles irão precisar fazer uso de alguns materiais concretos para auxiliar na compreensão dos conceitos aprendidos naqueles anos escolares, como por exemplo: frações e sistemas de medidas.
Abaixo darei algumas sugestões de materiais de acordo com seu ano de atuação você professor poderá introduzir em sua sala de aula:
Educação Infantil, 1º, 2º e 3º ano – materiais de contagem, material dourado, ábaco, escala cuisenaire, fichas escalonadas, blocos lógicos…
4º e 5º ano – material dourado, ábaco, escala cuisenaire, geoplano, balança, régua, trena, relógio…
Jogos
Os jogos matemáticos também são uma ótima estratégia para ensinar matemática de uma forma divertida. Podendo ser também comprados (pedidos na lista de materiais da escola) ou confeccionados com as crianças. Todo recurso que for confeccionado pode ser plastificado, para que a durabilidade seja maior.
Segue abaixo algumas sugestões de jogos que podem ser explorados em sala:
- Cartas: baralho comum, Uno;
- Jogos de trilha;
- Jogos de memória (número/quantidade, algarismo/número por extenso, cálculo/resultado, tabuada…);
- Jogos com sistema monetário;
- Dominó (também pode ser modificado o conteúdo, de acordo com o que estiver sendo trabalhado);
- Tangram;
- Bingo (número/quantidade, algarismo/número por extenso, cálculo/resultado, tabuada…);
- Boliche (soma/multiplicação dos pontos);
- Passatempos (sudoku, estrela/quadrado mágico, raciocínio lógico…).
Explorar situações do dia a dia
Não é porque estamos sem lápis e papel usando materiais lúdicos, que não estamos aprendendo! Uma outra sugestão é usar as situações do dia a dia para que a criança perceba a presença do número e sua funcionalidade no nosso cotidiano. Como por exemplo: refletir sobre a composição do número da sala, perguntar quantos alunos vieram, quantos faltaram, qual será a idade da professora no seu aniversário, comparar com a dos seus familiares.
Tudo isso são situações simples, que são realizadas na base do diálogo do professor e aluno e a sua interação com o mundo, não sendo necessário o registro, e as crianças aprendem muito!
Observe alguns exemplos:
Quantos vieram?;
Exploração de sistema monetário para idas à cantina;
Exploração do relógio (noções de tempo).
Exploração de calendário (dias, semanas, meses, ano, datas especiais, tempo, ontem, hoje, amanhã…);
Cálculo mental
Essa prática para alguns é considerada ultrapassada. Com o surgimento da calculadora, do computador, da tecnologia na palma da mão, muitas pessoas deixaram de usar o cérebro. Não pensamos mais sobre rotas, colocamos no GPS. Não calculamos números baixos, digitamos na calculadora. Não memorizamos listas de supermercado, escrevemos no whatsapp.
Praticar o cálculo mental ajuda no desenvolvimento de funções cognitivas e dá capacidade para que o aluno faça procedimentos mais complexos, como algoritmos extensos, expressões numéricas e frações.
Um aluno que não resgata diretamente da memória por exemplo: os fatos básicos ou a tabuada, tende a demorar muito mais em cálculos complexos, muitas vezes, ficando desanimado e até “desistindo” da operação.
É preciso primeiramente a compreensão dos processos, para depois a memorização. A memorização nunca vem antes da compreensão, pois aí vai se tornar a matemática feita pela "decoreba" de forma mecânica e sem sentido e isso é o que não queremos reproduzir.
Estes cálculos mentais podem ser trabalhados a partir de jogos com dados, batalha dos números, cartas, números móveis, régua, etc. Tudo usando o lúdico, para que o ensino e aprendizagem não seja maçante e entediante.
2 Sugestões de brincadeiras para ensinar matemática:
Jogos de matemática para crianças são ótimos recursos de aprendizado, principalmente nos primeiros anos de escola. Além de ser divertido jogar, esse tipo de material deixa as crianças familiarizados com os números e auxilia as crianças a perder o medo de estudar matemática.
O melhor de usar esse tipo de estratégia é que há vários jogos disponíveis e a maioria deles é bem simples e acessível. Lembrando que para trabalhar esses materiais com a criança é preciso considerar o grau de dificuldade do jogo, que deve ser conforme a sua idade.
Aqui citaremos alguns jogos de matemática que podem ser utilizados com as crianças para auxilia-las a conhecer melhor o mundo dos algarismos.
1- Jogos de trilhas
Esses jogos são desafiadores têm o poder de atrair as crianças, mexendo com seu potencial inventivo e imaginativo. É um jogo simbólico, isto é, a representação corporal do imaginário, onde a criança assume o papel do personagem, passa a ter os mesmos desejos da figura que representa, buscando alcançar o objetivo final, que é vencer.
Além disso, os jogos podem distraí-las, trabalhar com regras e formas de conduta, de forma clara, levando-as a aprender a lidar com a frustração e superar a ansiedade.
Se o jogo for construído pelas próprias crianças, o prazer em jogar será ainda maior.
Objetivos do jogo
- Compreender noções de sequência numérica;
- Incentivar o cálculo mental e o raciocínio lógico;
- Trabalhar número antecessor e sucessor;
- Resolver cálculos matemáticos a partir das quatro operações;
- Resolver situações-problema;
- Resolver expressões numéricas que envolvam duas ou mais operações.
2- Jogo de Memória
O jogo da memória pode ser usado de diferentes maneiras, inclusive como um dos jogos de matemática. É possível estimular o raciocínio através de números apresentados de forma diferente. Enquanto uma carta apresenta o número 10, o seu par ideal vai ser o que tem a multiplicação equivalente, que seria 2 x 5.
Essa é uma forma de incentivar as diferentes operações matemáticas, podendo colocar adição, subtração, multiplicação e divisão nas cartas. Os jogadores devem estar atentos aos sinais e ligados para encontrar os pares. Isso estimula a concentração, autonomia, confiança e ajuda a detectar alguma dificuldade, como o TDAH.
Objetivos do jogo
- Memorizar imagens rapidamente
- Desenvolver e aperfeiçoar o raciocínio
- Trabalhar noção espacial
- Estimular a comunicação
- Incentivar a sociabilidade
3- Jogos com sistema monetário
O contato das crianças com o sistema monetário é de muita relevância, pois aos poucos elas vão aprendendo as primeiras noções matemáticas, além de criar noção de valor e a importância de se juntar e economizar dinheiro.
Devemos ressaltar que é necessário ter cautela quanto ao uso desse material com as crianças, pois há uma idade certa para elas poderem manusear esse material, sem que corram riscos de acidentes.
Para trabalhar o sistema monetário pode ser construído com as crianças um mini mercado, propiciando atividades bem atrativas, fazendo com que eles se tornem mais ativos em seu processo de aprendizagem realizando cálculos mentais ao mesmo tempo que aprende por meio de momentos mais divertidos e de maior interação.
Objetivos do jogo
- Conhecer os números e ter noção das operações matemáticas;
- Conhecer o sistema monetário brasileiro;
- Desenvolver os conhecimentos a respeito das operações matemáticas;
- Aprender a utilizar o dinheiro para realizar compras, vendas e conferir o troco;
- Construir uma ligação entre os conceitos matemáticos e sua aplicação prática na vida.
4- Dominó
O dominó é um jogo tradicional, coletivo e conhecido das crianças. É um ótimo material para ser utilizado pelo professor sendo para diferentes níveis de dificuldades. Ele possibilita uma série de desempenhos em um contexto educacional como o raciocínio lógico e aritmético nos alunos. Para as crianças temos os dominós com figuras não só facilitando o desempenho do jogo mas contribuindo para a sua aprendizagem.
Como o dominó é uma atividade lúdica, cabe ao professor investigar o conhecimento que seus alunos tem sobre o jogo, pois ao jogar se constrói um novo contexto para novas descobertas, que poderão ser utilizadas em recursos complementares.
As interações permitem momentos de comunicação e de construção de informações compartilhadas, onde o estudante faz da aprendizagem uma ação interessante e prazerosa.
Objetivos do jogo
- Trabalhar contagem organizada
- Desenvolver a flexibilidade de pensamento
- Trabalhar a rapidez do raciocínio
- Desenvolver a capacidade lógica
- Trabalhar a representação decimal
5- Bingo
O formato do bingo pode ser adaptado para muitas disciplinas. Você pode usá-lo como um material de ampliação de vocabulário nas aulas de Português, como uma atividade para as aulas de Ciências ou de Geografia, ou ainda para a fixação de conceitos de História. É uma forma divertida e interativa de rever os conteúdos com as crianças.
Objetivos do jogo
- Estimular a imaginação
- Promover o raciocínio lógico
- Desenvolver a organização do pensamento
- Trabalhar a atenção e concentração
6- Boliche
O jogo de boliche é um grande exercício, isto é, requer muitas habilidades tanto cognitivas quanto motoras do indivíduo ao jogar. É um jogo tanto lúdico quanto dinâmico, cuja atividade envolve atenção, equilíbrio e conceitos.
Objetivos do jogo
- trabalhar a ansiedade,
- rever os limites,
- reduzir a descrença na auto capacidade de realização,
- diminuir a dependência, desenvolver a autonomia,
- aprimorar a coordenação motora,
- desenvolver a organização espacial,
- melhorar o controle segmentar,
- aumentar a atenção e a concentração,
- desenvolver antecipação e estratégia,
- ampliar o raciocínio
- Desenvolver a criatividade
7- Passatempos
Presentes em jornais e revistas, geralmente atendendo ao público daquele veículo de comunicação, os jogos de passatempo vão muito mais além do que somente “passar aquele tempo à toa”.
Um material que pode auxiliar nas aulas, relacionando-os aos assuntos trabalhados, além de torná-las mais dinâmicas e interessantes.
Objetivos do jogo
- Desenvolver a atenção,
- Trabalhar o raciocínio,
- Desenvolver a coordenação motora,
- Trabalhar a memória,
- Aprender conhecimentos gerais e específicos.
3 O lúdico e a matemática:
Desde tempos atrás, nota-se os problemas do ensino da matemática, onde muitos alunos não se interessam pela disciplina, tornando o ensino da matemática cada vez monótono e maçante.
Com o decorrer do tempo, vários métodos foram sendo colocados em prática.
Trazendo os jogos para dentro de sala de aula, tornando o aprendizado mais lúdico.
Nesta perspectiva, o jogo torna-se conteúdo assumido, com a finalidade de desenvolver habilidades de resolução de problemas, possibilitando ao aluno a oportunidade de estabelecer planos de ação para atingir determinados objetivos [...] (KISHIMOTO, 2000, pp. 80 - 81)
No ensino da matemática , os jogos, propiciam a sensação de prazer e bem estar, devolvem os gostos pelos números, deixando com a criança se expresse livremente, não tendo medo de errar e expor suas opiniões.
O jogo tem um papel muito relevante dentro de sala de aula, pois o jogo não é visto como um mero passatempo mas um complemento para a aprendizagem, passa a ter o caráter de material de ensino, auxiliador do professor no processo de ensino e aprendizagem. Pois a criança ao jogar e brincar irá entender e compreender melhor o conteúdo além de fazer com que as aulas do professor seja muito mais prazerosa, estimulando assim o interesse das crianças em aprender.
As brincadeiras e os jogos na educação matemática coloca a criança diante de situações lúdicas, onde ela aprende a estrutura lógica da brincadeira e, deste modo, aprende também a estrutura matemática presente.
O jogo parece dentro de um amplo cenário, que procura apresentar a educação, em particular a educação matemática, em bases cada vez mais científicas, passando a ser defendido como importante aliado do ensino formal de matemática (MOURA, 2008, p. 76).
É importante ressaltar que os jogos devem ser desafiadores, ligado ao planejamento e objetivos. Devendo levar em consideração a faixa etária, o contexto além dos interesses dos alunos.
Portanto, cabe ao professor analisar e avaliar as potencialidades educativas de inúmeros jogos e brinquedos para um bom desempenho curricular.
Na educação escolar a criança deve brincar e interagir com os demais, pois neste momento da brincadeira a criança se desenvolve e constrói seu conhecimento de mundo, aumentando sua capacidade mental e facilitando na melhoria de um bom desenvolvimento na matemática. "O jogo e a brincadeira permitem ao aluno criar, imaginar, fazer de conta, funciona como laboratório de aprendizagem, permitem ao aluno experimentar, medir, utilizar, equivocar-se e fundamentalmente aprender" (VYGOTSKY e LEONTIEV, 1998, p. 23).