Relação entre música,alfabetização e letramento
Alfabetização e Letramento
1 Musica na Alfabetização
A música é um elemento que está na sociedade há muitos anos.
Nos primórdios somente era utilizada como divertimento e meio de socialização, por exemplo como as grandes festas na Europa, nos rituais dos índios na descoberta do Brasil e depois como forma de expressão.
Ao longo da história, foi tomando espaço e repercursão, foi se desenvolvendo, organizando-se em ritmos, melodias e letras, permitindo a qualquer pessoa aprendê-la.
Consequentemente foi buscando histórias a serem contadas e sentimentos a serem expressados e dessa forma passou a fazer parte da sociedade efetivamente e consequentemente está dentro da escola.
E nesse espaço, a música afeta também o processo de alfabetização e letramento, nosso foco neste trabalho.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, o processo de alfabetização utiliza de diferentes textos que circulam socialmente, promovendo assim a prática do letramento.
Letramento e alfabetização devem caminhar juntos e, nesse percurso, a música pode tornar-se uma grande aliada ao ensino.
Alfabetizar e letrar são duas ações distintas, mas não inseparáveis, ao contrário: o ideal seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo se tornasse, ao mesmo tempo, alfabetizado e letrado (SOARES).
Mesmos sabendo que a música está ligada à alfabetização e ao letramento, buscamos neste trabalho, verificar se essa associação realmente existe e de que modo ocorre realmente no ensino.
Para responder a essa dúvida, buscamos respostas no ambiente escolar e desenvolvemos uma pesquisa utilizando questionário, entrevista e observação não participante.
O questionário quis saber a opinião do docente sobre formas de trabalhar a música, seus pontos negativos e positivos, a finalidade dela dentro da escola, como se da o seu desenvolvimento.
Além disso também desenvolvemos uma entrevista com uma professora de musicalização dentro da escola, investigando como é o seu planejamento, sua forma de aplicação da música, e quais aspectos são focalizados em suas aulas.
O foco recai na rede municipal de ensino de Cascavel, verificando a aplicabilidade da música no processo da alfabetização e letramento no primeiro ano do ensino fundamental anos inciais.
No presente artigo pensamos, então, analisar especificadamente sobre a alfabetização e seu processo, o letramento e a música e sua história e por fim a relação entre estes três elementos significativos no desenvolvimento de um aluno do primeiro ano do ensino fundamental.
Verificamos se aplicabilidade em conjunto acontece realmente dentro da sala e aula.
2 Alfabetização,letramento e música
Um relacionamento com vistas à aprendizagem:
A alfabetização é hoje vista como um processo de aprendizagem que basicamente e superficialmente consiste em aprender a ler e a escrever, apoiada no contexto de codificar e decodificar as letras (grafemas) e os sons (fonemas).
A alfabetização é uma prática. E assim como toda a prática que é especifica a uma instituição, envolve diversos saberes (por exemplo quem ensina conhece o sistema alfabético e suas regras de uso), diversos tipos de participantes (aluno e professores) e, também, os elementos matérias que permitem concretizar essa prática em situações de aula.
Trata-se, assim, de uma prática que cabe à escola desenvolver junto aos alunos, de forma que se apropriem do código ensinado. Para que essa apropriação ocorra, a alfabetização pode associar-se às práticas voltadas ao contexto de uso da linguagem, promovendo assim um ensino pautado na contextualização dos conteúdos. Isso faz com que o processo de alfabetização alie-se ao letramento.
O letramento não é a alfabetização propriamente dita, mas deve fazer parte dela. Também não é um método, nem uma habilidade, mas pode se dizer que é uma prática que surgiu para colaborar com o desenvolvimento da alfabetização.
Após vários métodos criados para os avanços na alfabetização, o letramento, pode se dizer que foi o melhor meio de aperfeiçoar as relações entre a sala de aula e a sociedade no processo de apropriação da leitura e da escrita.
Na visão de Castela Não há um conceito de letramento capaz de abarcar todos os sujeitos, as demandas funcionais decorrentes dos lugares sociais ocupados, e os conceitos espaciais, temporais, culturais e políticos.
A escola é a instituição responsável pela difusão do letramento. Acreditamos que isso seja possível por meio de diversos instrumentos no processo de ensino, sendo um deles o trabalho com a música na sala de aula, elemento norteador desta pesquisa.
Tomando os fundamentos apresentados, vemos que a alfabetização e o letramento hoje acontecem de forma associada, pois é possível verificar os aspectos positivos de cada método de alfabetização e utilizá-los na prática docente, ou seja, tudo que colabora para a aprendizagem da leitura e da escrita é válido assim, como a música, principal elemento focado para objetividade deste artigo.
Tomamos, então, neste estudo, a alfabetização como a prática de leitura e escrita, que envolve o contato com as letras, palavras, frases, o estudo do grafema, do fonema e o conhecimento e a memorização dos mesmos, umas das primordiais bases para a comunicação do ser humano.
O letramento é tomado na perspectiva da valorização da cultura escrita, ou seja, elementos da leitura e da escrita que fazem parte da vida do aluno e da prática social.
Nesse enfoque, a música é um dos gêneros textuais que pode contribuir para o processo de alfabetização e letramento, pois, quando estudada dentro de uma sala de aula, desperta uma curiosidade e um interesse pelo conteúdo administrado em qualquer aula.
Considerando que nosso foco é primeiro ano do ensino fundamental, a alfabetização já é atraente por caracterizar-se pelas coisas novas aprendizagens. Nesse processo, a criança fica ainda mais concentrada no que faz. Dado esse interesse, se a música for trabalhada como uma prática de letramento, pode despertar, cada vez mais, o interesse pelo conhecimento adquirido.
O ato de cantar, dançar, ler uma letra de música, é a coerência que faz a junção entre a prática de ler e escrever com a presença do contexto cultural do sujeito de tal forma dinamizadora, interativa, participativa, animada, ou seja, uma forma totalmente voltada para a criança que está recém dialogando com o grafema e o fonema.
A estimulação do desenvolvimento afetivo, estético, cognitivo, sensorial e musical específico, realizado através da música é essencial como também contribui como prática social na alfabetização e no letramento, já que como nos diz Moraes e Pinheiro “Uma das artes usadas para chamar a atenção da sociedade.
O mais importante: letras de canções podem revelar traços da evolução da língua, o que pode ser considerado, então, como um dos primeiros instrumentos pedagógicos do homem ao transmitir seus ritos e heranças culturais às novas gerações .
Assim, podemos verificar a importância na música desde os primórdios da humanidade, como meio de sociabilização, concentração e em processo de ensino aprendizagem, ou seja, na alfabetização e letramento a música também tem uma função significativa. Na alfabetização e no letramento é importante educar com a música porque a criança tem a capacidade de compreender o progresso da linguagem musical dentro da língua oral, transmitido através da experiência e da convivência adquiridas e repassadas novamente pelos professores.
Na visão de Martins Educar musicalmente é propiciar à criança uma compreensão progressiva de linguagem musical. Através de experimentos e convivência orientada. Esta prática da utilização da música como complemento da educação é uma forma de dinamizar e agilizar o desenvolvimento durante os anos iniciais do ensino fundamental, que se inicia com a alfabetização.
Os métodos utilizados no uso da música em sala de aula vão desde pequenas canções, para focalizar a atenção dos alunos, até o trabalho com conteúdo diversos, que envolvem a sociedade na vida do aluno e também fazem o movimento oposto, envolvem o aluno na sociedade, ou seja, a música é uma expressão de uma cultura de um país, pois possibilita a transmissão de uma forma de agir e pensar.
É difícil encontrar alguém que não se relacione com a música [...] Surpreendemo-nos cantando aquela canção que parece ter “cola” e que não sai da nossa cabeça e não resistimos a, pelo menos, mexer os pés, reagindo a um ritmo envolvente.
Algumas músicas podem ser utilizadas como forma de alfabetização, como por exemplo, uma atividade feita da letra da música “Pato Pateta” do compositor Toquinho, na qual pode ser dada a introdução da letra P para o início da alfabetização, relacionando assim, grafema/fonema de uma forma lúdica, associada à música.
A área de educação musical tem, no entanto, cada vez mais fortalecido o seu compromisso com a educação básica, com um aumento dos estudos acerca da pratica nas escolas, seja para conhecer seja realidade, seja para propor alternativas para esse contexto educativo.
Os sons que aparecem na música também contribuem para o desenvolvimento da coordenação motora, da memória, da integração social, da percepção sensorial, da psicomotricidade, da noção de tempo e espaço, da expressão corporal, oral e gráfica, além do desenvolvimento dos sentidos.
A música também é uma forma de promover o convívio social, e contribui totalmente para a estimulação do desenvolvimento integral da criança. Assim, se utilizada em toda a educação básica, pode auxiliar pode auxiliar o aprendizado dos conteúdos propostos, numa perspectiva interativa.
3 Metodologia
Para investigarmos a importância do trabalho com música na sala de aula, em turmas de alfabetização, focalizando também a maneira como esse trabalho é desenvolvido, realizamos uma pesquisa qualitativa e explicativa, analisando a relação entre a música e as crianças do primeiro ano do ensino fundamental, na rede municipal de Cascavel.
Seguindo o enfoque qualitativo de pesquisar, desenvolvemos, inicialmente, uma pesquisa bibliográfica com o intuito de aprofundarmos o tema estudado.
Além desse enfoque bibliográfico, a investigação também contou com uma pesquisa de campo, sustentada em uma abordagem de caráter qualitativo, com o emprego de questionários entregues para professoras que participaram da pesquisa, docentes de escolas de comunidades carentes do município citado.
O questionário lançou situações explorando a funcionalidade da música no ato de ensino aprendizagem. Nesse contexto, foram entregues cinco questionários com oito questões, tratando também sobre a identificação, formação e atuação em turmas de primeiro ano e de processo de alfabetização.
Além desse instrumento de pesquisa, também recorremos à entrevista para a geração dos dados, sendo essa realizada junto a uma professora que atua na área de Música.
A entrevista concedida pela docente apontou aspectos importantes relacionados à investigação proposta.
Para asseverar tais dados, também realizamos uma observação não participante durante o período de aula da referida docente.
4 Investigando as relações entre música, alfabetização e letramento na escola
Nesta seção do presente artigo discorremos sobre os resultados verificados na pesquisa. Considerando o espaço destinado à análise dos dados, tomamos as informações apresentadas por três docentes que responderam ao questionário, identificadas como.
Verificamos que todas as professoras que responderam ao questionário têm já um grande tempo de atuação e com uma vasta experiência de alfabetização, sendo duas docentes com mais de dez anos. Na questão sobre a formação das docentes, as professoras participantes da pesquisa apresentam formação variada nos cursos de graduação em Pedagogia e Letras.
Quando questionadas sobre a função da música no processo de alfabetização, uma das docentes respondeu que “a música é grande aliada na alfabetização auxiliando na dicção correta das palavras”. não conseguiu responder a essa questão e informou que a música “auxilia na memorização, além de trazer a ludicidade para a sala de aula”.
Na questão que solicitava às docentes a forma como trabalham com a música na sala de aula, verificamos que para isso ocorre “ouvindo músicas em sala, cantando, analisando a letra”.A música suaviza a aula e faz com que o conteúdo aprendido tenha referência para o aluno” e , por meio das músicas “é possível explorar a sonorização e a grafia de cada verso”.
Em ambas as questões, as docentes foram muito breves em suas respostas, expondo certa resistência às informações sobre encaminhamentos que associam música, alfabetização e letramento. Contudo, as reflexões das docentes parecem aproximar-se do pressuposto defendido por Paz:
O ensino de música deve ser, desde o começo, uma força viva. A criança, muito antes de dominar as regras gramaticais, utiliza palavras com fluência e formula frases já com entonação. A linguagem é, para ela, uma coisa viva e, não, regras no papel. Deve-se educar o ouvido para que sejam sentidas, perfeitamente, modulações e combinações sonoras diversas. Deve-se deixar o aluno perceber a harmonia com seu próprio ouvido, antes de se deparar com o ensino da mesma. O conhecimento das regras não deve ser o objeto e, sim, uma necessidade a ser atendida em tempo devido. (PAZ).
A pergunta seguinte do questionário apontou para a música relacionada ao desenvolvimento da criança, indagando-se: Trabalhar com a música em turmas de alfabetização contribui para quais aspectos do desenvolvimento da criança? As respostas obtidas foram variadas e apresentaram um pouco de avanço teórico, especialmente nos apontamentos.
A música contribui para “a forma correta de articulação das palavras, rima, ampliação vocabular e escrita (registro) ”.“A música contribui para desenvolver os aspectos cognitivos, motores, auditivos, entre outros. Não podemos deixar de destacar também a afetividade.
Por meio da música, a criança se relaciona melhor com os outros” e de acordo com P3 “ao trabalharmos o ritmo e a melodia é possível exercitar no aluno o hábito de esperar sua vez e respeitar a vez do outro”.
O apontamento das docentes apontam sobre a música e sua função direta no aluno:
A música pode contribuir para a formação global do aluno, desenvolvendo a capacidade de se expressar através de uma linguagem não verbal e os sentimentos e emoções, a sensibilidade, o intelecto, o corpo e personalidade, a música se presta para favorecer uma série de áreas da criança. Essas áreas incluem a “sensibilidade”, a “motricidade”, o “raciocínio”, além da transmissão e do resgate de uma série de elementos da cultura.
Além das respostas acima, em uma conversa informal realizada registramos seu apontamento de que a música vem sendo muito utilizada fora da sala de aula, em forma de aulas extras e apropriadamente em aulas de musicalização. Em uma observação feita pela mesma professora, ela percebe a diferença entre alunos que participam de qualquer atividade de música com os que não participam, marcando que há diferença nas questões cognitivas e na própria forma de escrever.
Nesse campo que organiza a musicalização como uma disciplina própria, dissociada das demais,isso acontece porque o ensino da música se fortaleceu com as licenciaturas específicas em Música, que se orientam nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Música.
Na última questão do questionário, pedíamos se existia algum ponto negativo em relação à prática da música dentro da sala de aula, mais especificadamente na alfabetização, e quais seriam esses pontos.
As docentes foram unânimes ao informar que haveria ponto negativo algum. Uma precaução na relação entre música, alfabetização e letramento, acenando para o encaminhamento que o professor delega à música na sala de aula.
O excesso de música durante as aulas, músicas escolhidas sem uma análise detalhada na relação e escolha para que contemplem os objetivos com o aluno, e seguindo essa mesma linha de preocupação, não necessariamente negativo, mas ao ser mal direcionada, o trabalho com a musicalização pode „desperdiçar tempos preciosos‟ assim, como o trabalho por exemplo, com o livro didático tradicional ao ser mal encaminhado”.
Essa preocupação das docentes condiz como que Silva nos coloca que a respeito do uso da música na aprendizagem, pois para a autora, a música possui vários significados e representações no cotidiano das pessoas e se utilizada de forma adequada pode ser um agente facilitador em diversos contextos que envolvam o raciocínio e a aprendizagem.
Além dos dados fornecidos pelas docentes nos questionários respondidos, recorremos também a uma professora especialista na área, realizando junto a essa professora uma entrevista com o intuito de verificarmos os pontos que podem ser mais positivos no processo de alfabetização. Indagada sobre seu planejamento escolar e a relação que tenta estabelecer entre a música e o ensino, a docente informou: Inicio minha aula com pequenas músicas que as crianças já sabem e depois, em forma de dinâmicas vou passando a melodia, a importância de saber a letra.
Desta forma com os menores que estão no começo da alfabetização, encontramos letras nas músicas, fazemos dinâmicas, como por exemplo, em toda letra A, batemos palmas, ou em uma palavra especifica, como o nome de uma cor, é pedido para se encostar-se A esta cor e fazer uma dança.
Com os maiores, que já estão sabendo ler e escrever utilizo a letra da música para marcar o contexto assim, trabalhamos a letra de forma separada da melodia, até todos aprenderem a cantar a letra certa para depois partir para o toque, a melodia e o ritmo certo da música”
Também está professora de música relatou sobre a importância da audição nas aulas de musicalização. Ações como ouvir, esperar sua vez, esperar a hora de tocar e consequentemente a hora de parar de tocar, servem como aprendizado para convívio em sociedade e com os colegas.
É importante dividir, ouvir o outro, aguardar o momento certo de agir, e isso tudo possibilita disciplina através da brincadeira e da dinâmica que a música que traz para dentro da sala. Para um trabalho em sala de aula convencional, de um primeiro ano dos anos iniciais, a música associa a brincadeira com o conteúdo, e promove a assimilação do ouvir para aprender e do respeito mútuo entre todos.
Nas palavras da docente pode-se confirmar a diferenciação entre crianças que frequentam aulas de música e as que não participam, pelo simples fato de algumas alterações no comportamento da criança.
Para a docente da área musical, “A música traz junto com ela o ato de diversão de movimento corporal de alegria, quanto trabalhada com crianças que está no começo da alfabetização e letramento este trabalho fica mais complicado, exigindo uma dedicação maior para as aulas, mas ao mesmo tempo, você trabalha até o espaço de sala de aula para colaborar para interiorização do conteúdo e da aula de música, pensemos um pouco sobre as atividades, como letrar neste momento, não é a fonte de maiores conhecimentos dos pequenos, pode se trabalhar o ouvir, o analisar como numa simples brincadeira de estatua utilizando um violão, ou talvez uma brincadeira de cores, no qual cada aluno é designado para uma cor, começo tocar qualquer instrumento assim que o mesmo para, todos devem voltar para a sua cor, desenvolvendo o senso de ordem e disciplina, sem que necessite gritos ou castigos, como era utilizado um dia dentro da educação.
Nesta mesma dinâmica pode se tocar rápido, fazendo com que os alunos andem rápido e até corram e também toque devagar, uma música mais lenta para que o andar deles se torne mais lento também, despertando a motricidade, os sentidos e desta forma quando forem para a sala de aula para a alfabetização e letramento puro e total, possam desenvolver o aprendido na aula de música, contribuindo para melhor aprendizagem”
Depois desta entrevista com a professora de música, a docente autorizou a observação de uma aula de música, na qual foi possível observamos nitidamente a cooperação dos alunos e a atenção que no desenvolvimento da aula, demonstrando interesse e alegria por trabalhar com a música. No fim de sua aula a professora tocou uma música bem suave para os alunos se acalmarem e voltaram às outras atividades escolares de forma passiva, despertando a atenção dos alunos para a aula com a professora regente de sala.
Todo o percurso investigativo utilizado na pesquisa nos permite perceber que a música é um elemento importante no processo de ensino, pois desperta a atenção dos alunos e promove uma aprendizagem de forma lúdica e criativa, sem perder a atenção, o raciocínio e a interação com a alfabetização. Dessa forma, tem-se uma prática de alfabetização associada ao letramento, permeada pelo trabalho com a música.
5 Colaboração para a prática da linguagem
A música é um elemento da alfabetização e do letramento que contribui para o seu processo de ensino aprendizagem, nos aspectos cognitivo, psicológico, afetivo, promovendo o desenvolvimento integral do sujeito, no desenvolvimento comportamental, dos sentidos e convivo social, pois o trabalho feito com um música, de forma bem trabalhada é diferente o resultado do que uma aula feita a base de leituras de textos e responder questões escritas no quadro, sem diálogo entre professor e aluno, sem interação de conhecimentos.
Percebemos também que algumas professoras da rede municipal aceitam e muito bem a música presente na sala de aula, que mesmo não a utilizando todos os dias, veem nesse gênero uma ótima opção para descontrair aquela sala de aula com um grupo de discentes inquietos e sem atenção no conteúdo, pois além de fim, a música contribui também na aprendizagem de conteúdos de diferentes áreas do conhecimento.
Dessa forma, as respostas das docentes, tanto no questionário, como na entrevista realizada, nos permitem apontar a música como uma prática que possibilita a alfabetização de forma mais atrativa, além de caracterizar-se como uma prática de letramento. A música é uma colaboração para a prática da linguagem, seja ela verbal ou não verbal e para as diversas outras áreas do conhecimento dentro da educação básica é de extrema importância.
6 APRECIAÇÃO MUSICAL
São inúmeros os conceitos dado ao termo “apreciação musical”, embora seja uma técnica musical abordada pelos educadores da área específica é ainda questionada como um treinamento musical e confundida como percepção musical. Busquemos, primeiramente, no Dicionário de Música da Harvard um embasamento teórico para alicerçar nosso entendimento:
Um tipo de treinamento musical planejado para desenvolver a habilidade para ouvir música inteligentemente. Esse tipo de educação musical é muito comum nos Estados Unidos e Inglaterra, mas praticamente desconhecido na Alemanha e França. Cursos em apreciação musical têm sido criticados como superficiais, mas como todos os cursos acadêmicos, eles podem ser bem ou mal ministrados. O ouvinte amador tem muitas vezes demonstrado uma faculdade crítica e analítica bastante semelhante a muitos executantes profissionais.
A arte de ouvir com atividade de pensamento, que é o objetivo dos cursos de apreciação, pode ser tão exigente e satisfatória quanto a performance. O treinamento em apreciação deveria começar na escola elementar, podendo continuar através de toda a vida. A proposta desse artigo é a de proporcionar ao educador uma nova forma de desenvolver atividades de escuta e com repertório que desperte interesse aos alunos, tornando a alfabetização significativa seguida de registros criados por elas (crianças), desenvolvidos e necessários aos seus interesses.
De acordo com a definição do Dicionário fica claro a possibilidade “de desenvolver habilidade para ouvir música inteligentemente” e partindo desse princípio que a introdução da música na sala de aula como um agente catalizador se faz oportuno. A música se faz presente na vida da criança nos rádios, na televisão, nos celulares, jogos eletrônicos, bares, salas de concerto, computadores e por que não na sala de aula cujo objetivo seja o de ampliar seu vocabulário de forma significativa?
“A arte de ouvir com atividade de pensamento” é o 1º passo para que a criança aprecie a música que orientada pelo seu professor, estará longe de uma mera audição descompromissada, sem fins construtivos e assim, atrair a atenção do aluno que atentamente no momento da escuta fará conexões com o que ele tem de experiências musicais adquiridas no decorrer da sua vida resultando em um novo conhecimento.
Bastião acrescenta que a prática da apreciação pode ser mais abrangente e significativa para o aluno se o professor possibilitar que o mesmo responda à música de formas diferenciadas, com o que pensa, sente e vivência de acordo com a sua experiência, pois bem, essas diferentes possibilidades podem ser canalizadas como atividades para a alfabetização e letramento.
Fica registrado aqui o termo “apreciação musical” não como parte técnica da música que exige do educador o conhecimento musical para aplicá-lo e sim como ação de um educador criativo, pesquisador e não um mero reprodutor de ideias já concebidas, tendo em mãos, mais uma ferramenta facilitadora no processo de alfabetização e letramento. Apreciação musical é um ato comum entre os que apreciam música e entre os que entendem que música é muito mais do que entretenimento.
A apreciação musical envolve a audição num simples ato de escutar ao mais complexo ato de ouvir com atenção, atentando-se a detalhes exigidos por quem o propõe a fazê-lo. A proposta da apreciação musical como uma atividade diferenciada, é uma forma de mostrar o quanto o professor está preocupado em dar o melhor de si para os alunos, pois é de um professor criativo, pesquisador, que fará de sua aula uma aula dinâmica inteligente e interessante, garantindo o melhor do que se espera: a apreensão do conteúdo.
7 A MÚSICA
DA FAMÍLIA À ESCOLA:
A música não é só uma técnica de compor sons, mas um meio de refletir e de abrir a cabeça do ouvinte para o mundo.Com sua recusa a qualquer predeterminação em música, propõe o imprevisível como lema, um exercício de liberdade que ele gostaria de ver estendido à própria vida, pois ‘tudo o que fazemos (todos os sons, ruídos e não sons incluídos) ‘é música. Iniciar esta sessão com a frase de J. Cage que responde a Murray Schafer, quando o questiona a respeito do que é som: segundo Cage, “a escuta torna a música aquilo que, por princípio, não é música.”
Através do som com variantes externos vários fatores influenciam a presença da música e tomando como principio a resposta de J. Cage, tudo o que fazemos é música”, talvez isso explique aquela colocação popular: este tipo de som soa como música aos meus ouvidos.” Analise: você já ficou algum dia, da hora em que acordou até a hora em que foi dormir, sem ouvir pelo menos uma música? A música é feita de sons ordenados e o som está presente em todos os lugares.
Cada lugar com o seu som característico, por exemplo: na praia o som é diferente que o som da cidade, do campo, dentro de uma igreja, dentro de uma empresa, dentro da escola.As diferenças de sons de “A Paisagem Sonora Musical: Hoje todos os sons pertencem a um campo contínuo de possibilidades, situado dentro do domínio abrangente da música.Eis a nova orquestra: o universo sônico. E os novos músicos: qualquer um e qualquer coisa que soe! trata a paisagem sonora do mundo com uma enorme composição macro cósmica.
O primeiro passo é aprender a ouvir essa paisagem sonora como uma peça de música ouvi-la tão intensamente como se ouviria uma Sinfonia .O primeiro passo é aprender a ouvir essa paisagem sonora como uma peça de música ouvi-la tão intensamente como se ouviria uma Sinfonia. Na família, a música está presente nas mais variada formas: através de aparelho de som, da televisão, do computador, do videogame, ao comemorar o aniversário, cantando durante os afazeres, na opção religiosa da família, enfim, o “elemento” música é um fator comum na família.
Essa seleção de repertório musical revela o perfil dos moradores: as músicas selecionadas por moradores mais jovens é diferente do perfil de famílias onde seus moradores são mais conservadores. A escolha do repertório familiar tem influência na educação dos filhos, pois é comum a criança gostar do estilo de música que seus pais apreciam (geralmente desde a concepção da criança), e não é estranho que esse estilo musical passa a fazer parte do seu repertório pessoal.
Para a criança essa escolha musical e esse “gosto” desenvolvido pela família são como se fosse uma referência de suas origens. É claro que essa “influencia” musical não irá impedir, futuramente, que a criança amplie seu repertório musical e que também desenvolva outros “gostos” musicais.A criança tenta descobrir o sentido do mundo, interagindo ativamente com pessoas e objetos, conhecendo uma realidade externa a ela, e é com a presença desta realidade que a criança passará a apreciar diferentes melodias, diferentes ritmos e gêneros musicais para a formação de seu repertório pessoal.
A música se estende durante desenvolvimento da criança: com as canções de ninar, com as músicas cantadas para brincar, com as músicas colocadas no carro para um passeio, com aquele brinquedinho sonoro, com o irmãozinho cantando, no balanço do “colinho” dos avôs, enfim a música passa a ser um elemento frequente para os ouvidos da criança que naturalmente, é proporcionado através do meio em que vive.
Quando a criança atinge a idade de frequentar a escola ou por necessidades familiares, a frequentar uma creche, a música continuará a fazer parte do seu cotidiano, pois, é impossível educação escolar sem música. A música na escola não pode ser simplesmente ornamental para animar as festas, mas através da vivência das dimensões estéticas, sonoras, visuais, plásticas e gestuais, desenvolverem a consciência crítica dos valores humanos e encontrar meios de levar os alunos a atuarem como cidadãos.
O fazer musical e apreciação musical é tarefa principal da escola, pois, a escuta (ação fundamental para o aprendizado), se ampliam à medida que promovemos estratégias que levam as experiências, também, de produção, percepção, reflexão e representação musicais.O Referencial Curricular Nacional para a Educação, a música é compreendida como linguagem e forma de conhecimento, e, a presença da música no contexto da educação é indispensável.
A música é uma linguagem que comunica e que está presente em todas as culturas exercendo também, o papel de promover interação e comunicação social.É o modo de agir do professor em sala de aula, mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos e fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor, que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade.
O professor autoritário, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca. Levar o universo musical para a sala de aula, pedir para que os alunos tragam a música que apreciam para deste retirar o conteúdo a ser trabalhado, é mais uma proposta de atividade com a apreciação musical com a finalidade de tornar significativa a aprendizagem despertando, assim, o interesse da criança pelo conteúdo aplicado.
8 APRECIAÇÃO MUSICAL COMO INSTRUMENTO FACILITADOR NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
INSTRUMENTO FACILITADOR NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO:
Apreciação Musical não se trata de um novo método para aprender a ler e a escrever, mas, de mais uma abordagem facilitadora no Processo de Alfabetização e Letramento. Considerando que a música por fazer parte do cotidiano da criança, essa opção tem a música como agente catalisador no processo de ensino colocando-se entre a escuta, a fala e a escrita, uma vez que comprovado por especialistas a música melhora a atenção, concentração, raciocínio lógico e matemático, socialização, entre outros.
Com a preocupação de fases a serem respeitadas ou desenvolvidas a apreciação musical será mais um processo otimizador proporcionando a decodificação de experiências por elas (crianças), já vivenciadas transportando-as para o papel em forma de desenho. Esse é o grande momento do professor que irá orientá-lo para a criação de pequenos textos: assim como a música apreciada passa por diferentes fases (começo, meio e fim), servirá para chamar a atenção do aluno quanto à noção do desenvolvimento de um pequeno texto também formado por começo meio e fim, estimulando-os assim para a interpretação, ação essa que ainda encontramos em diferentes níveis da educação como o grande vilão: a falta de interpretação.
A decodificação da atividade que a apreciação musical proporciona para a escrita é mais uma forma de expressar o que a criança sente o que pensa e o que e foi decodificado. Segue dois exemplos de atividades com apreciação musical. Os passos que seguem a progressão das atividades servirão de apoio às outras atividades desenvolvidas com outras músicas.
A utilização de músicas mais conhecidas como Cai- cai balão, Marcha Soldado e outros, tem como objetivo aproximar a criança e despertar o interesse pelo conteúdo a ser aplicado utilizando de suas experiências já adquiridas, não necessariamente dentro da escola. Essas músicas são textos que pertencem a uma longa tradição de uso da linguagem para cantar, recitar e brincar. A maioria deles é de domínio público, ou seja, não se sabe quem os inventou: foram simplesmente passados de boca a boca, das pessoas mais velhas para as pessoas mais novas.
Atividade nº 1:
CAI, CAI BALÃO
Cai, cai balão,
Cai, cai balão,
Aqui na minha mão.
Não cai não, não cai não.
Não cai não,
Cai na rua do sabão.
Estratégia:
1. Bater palmas quando cantar as palavras que terminam com “ai”;
2. Pular quando cantar as palavras que terminam com “ão”;
3. Mesmo que a sala ainda não sabe ler, fazer uma leitura sucinta para ajudar na memorização e na identificação das palavras;
4. Pedir para que as crianças copiem cada frase com um desenho representativo;
5. Circule as palavras que terminam com “ai”;
6. Pinte as palavras que terminem com “ão”.
Avaliação: É fácil perceber que esse tipo de atividade a criança estará integralmente sendo avaliada: nas atividades que incluíram movimentos corporais, ao pintar e circular as palavras e finalmente ao desenhar representando as palavras.