Primeiros Socorros, Estados de Consciência e Sinais de Apoio
Noções Básicas em Primeiros Socorros
1 Introdução aos Primeiros socorros:
Introdução:
Os primeiros socorros são as intervenções que tem que ser realizadas de forma rápida, logo depois do acidente ou mal súbito, que tem como objetivo evitar que o problema se agrave até que um serviço especializado chegue ao local de atendimento. Essas intervenções são de grande importância, pois podem estar evitando complicações e até mesmo o óbito de uma pessoa.
Primeiramente, antes de realizar qualquer procedimento de primeiro socorro, é de grande importância lembrar que o socorrista tenha em sua cabeça a necessidade de:
- Afastar os curiosos;
- Manter a calma;
- Garantir que um serviço de emergência seja chamado.
Vale lembrar também, que certas pessoas não estão prontas para estar fazendo os primeiros socorros, e por isso, o ideal é que deixe a outra pessoa estar realizando os procedimentos adequados e estar auxiliando de outra maneira, como indo buscar socorro.
Omissão de socorro:
A omissão de socorro é considerada crime no Brasil. Segundo o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, não prestar assistência a uma pessoa em risco pode resultar em detenção ou multa. Veja o que o art. 135 fala sobre o tema:
Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
Objetivos básicos do atendimento de primeiros socorros:
Existem 3 objetivos básicos do atendimento de primeiros socorros:
- Permanecer em contato com o serviço especializado de emergência, mantendo os mesmos com as informações precisas e relevantes a respeito do acidente e acidentado;
- Evitar agravamento da situação do acidentado;
- Manter os sinais vitais do acidentado;
Pessoas que realizam primeiros socorros necessitam ter liderança sob os demais, passar confiança, possuir uma abordagem tranquila para não deixar o acidentado nervoso, e o mais importante, ter conhecimento das técnicas de primeiros socorros.
Etapas Básicas de Primeiros Socorros:
Existem etapas para estar realizando os primeiros socorros. A seguir você vai entender a respeito de cada uma delas.
Etapa 1: Fazer a avaliação do local do acidente
Aqui, a pessoa que vai prestar o socorro tem que coletar o máximo de informações do lugar onde ocorreu o acidente para estar entendendo como aconteceu. É necessário avaliar o ambiente de trabalho, ferramentas, equipamentos, as condições em que ocorria o trabalho e se existe a presença de perigos associados.
Os perigos que forem identificados tem que ser eliminados de maneira a estar protegendo o acidentado e o socorrista. É preciso sinalizar a área do acidente e isolá-la, para estar evitando a aproximação de curiosos que possam estar atrapalhando o socorro.
Etapa 2: Avaliando o estado geral do acidentado
Depois de garantir a sua segurança e a do acidentado, o socorrista tem que avaliar o acidentado. O socorrista tem que verificar:
- Estado do consciência: Pode perguntar ao acidentado seu nome, idade, se ele sente dor, ou pedir que ele realiza algum movimento específico.
- Respiração: Avaliar se existem movimentos torácicos e abdominais relativos à respiração (subida e descida do tórax);
- Pulso: Identificar se existe a presença do bombeamento. Pode aferir o pulso carotídeo, pulso radial, femoral, umeral e outros;
- Hemorragia: É necessário avaliar se existe a presença de sangramentos.
- Temperatura corpórea:
- Pupilas: É necessário verificar o estado de dilatação e simetria.
Depois da avaliação do estado geral do acidentado, é necessário estar definindo as ações a serem tomadas. Se recomenda que o socorrista siga as diretrizes de Suporte Básico à Vida, que são definidas pela American Heart Association (AHA).
Etapa 3: Manter em contato com o serviço de emergência
Ao contactar o serviço especializado, é fundamental que passem as informações precisas, de maneira clara e sem ficar nervoso. É a partir das informações prestadas que a equipe especializada vai ser planejar para estar atuando ao chegar no local de socorro.
Sendo assim, a importância de realizar as etapas 1 e 2 antes de estar fazendo a ligação. Nesta hora, é identificada a necessidade de Reanimação Cardiopulmonar (RCP), é necessário preciso solicitar á equipe de emergência o DEA (Desfibilador automático externo).
Vale lembrar que as etapas 1 e 2 tem que ser realizadas com brevidade e precisão para que o socorro seja acionado o mais breve possível. Na empresa, assim que ocorrer o evento, é preciso acionar o SESMT (Serviço Especializado em Engenharia e Medicina do Trabalho) para que faça cumprir o Plano de Atendimento a Emergências (PAE) da empresa.
Etapa 4: Fazer o monitoramento e manter os sinais vitais do acidentado
Depois de ser realizada a avaliação do local do acidente, a avaliação do estado geral do acidentado e contactar o suporte especializado, é necessário manter os sinais vitais do acidentados, enquanto os especialistas não chegam.
Os sinais vitais mostram o grau de funcionamento de funções que são essenciais para estar mantendo o acidentado vivo. Algumas funções vitais são a atividade cerebral, a atividade cardíaca e a atividade respiratória.
As três funções vitais que foram mencionadas acima possuem uma grande interdependência. A atividade cerebral vai comandar o funcionamento de todo o corpo humano e necessita de sangue rico em oxigênio chegue ao cérebro. Para o sangue se enriquecer o oxigênio, precisa que o acidentado esteja respirando, e para que o sangue chegue ao cérebro, é necessário que o coração esteja funcionando.
Sendo assim, o socorrista tem que se certificar quanto às funções vitais da vítima, tem que observar, prioritariamente, acima de qualquer outra iniciativa:
- Estado de consciência do acidentado (Perda dos sentidos)
- A falta de respiração
- Falta de circulação (pulso ausente)
- Hemorragia abundante
Quando identificar alteração nesses quadros, o socorrista tem que intervir imediatamente. É de fundamental importância que em todo o período dos primeiros socorros, até quando chegar a equipe médica especializada, o acidentado seja monitorado e obervado em relação ao seus sinais vitais.
A American Heart Association orienta as ações de acordo com o fluxo apresentado abaixo:
2 Avaliação do estado de consciência, hemorragias e sinais vitais:
Avaliando o estado de consciência do acidentado:
A avaliação do estado de consciência do acidentado tem que ser iniciada com a aproximação do socorrista pelo lado onde a cabeça da vítima esteja virada (evitando que a vítima mexa a cabeça), olhando no olho da vítima.
Depois, o socorrista tem que buscar conversar com a vítima, perguntando o seu nome e idade, e também, pedir explicação de como ocorreu o acidente.
Se a vítima responder falando, isso indica que ela está consciente e com as vias aéreas desobstruídas. Deve-se ligar para o socorrer e explicar a situação da vítima e do acidente, e em seguida fazer o monitoramento da vítima.
Caso a pessoa não responda, é necessário fazer um estímulo doloso na vítima e aguardar alguma reação. Se não ocorrer reação, é preciso chamar o Serviço Médico especializado (equipe especializada de emergência) e estar verificando se a respiração e pulso da vítima estão normais. Se a vítima esteja respirando normalmente e com pulso, é preciso monitorá-la até a chegada da equipe especializada.
Avaliação da respiração:
A ausência de respiração pode ser identificada pela falta de movimento torácico de expansão e compressão, cianose (coloração azul-roxeada da pele) do rosto, lábios e a extremidade dos dedos.
A falta de respiração pode evoluir para uma asfixia, perda de consciência (falta de oxigenação do cérebro) e parada cardiorrespiratória (parada cardiáca) podendo levar ao óbito.
Quando identificamos a ausência de respiração, o socorrista deve:
- Verificar as vias respiratórias (narinas e boca) e desobstrui-las em caso de oclusão;
- Afrouxar as roupas do acidentado;
- Se o acidentado estiver inconsciente, é necessário iniciar a ventilação artificial com o uso do Ambu (equipamento) ou respiração boca-barreira
- Se o acidentado retornar a consciência, tem que mantê-lo deitado e lateralizar o seu corpo;
- Em caso da parada respiratória aumentar para uma cardiorrespiratória ( caso em que não exista respiração, nem circulação de sangue), é preciso iniciar o processo de Reanimação Cardiopulmonar (RCP), que também é chamado de massagem cardíaca ou compressões torácicas.
Avaliação da circulação:
A avaliação da circulação sanguínea tem que ser realizada, com rapidez, ao mesmo tempo em que a verificação da respiração. Ela é feita pela verificação do pulso, que pode ser carotídeo,radial, femoral, umeral e outros.
A falta de pulso mostra que o acidentado sofreu uma parada cardíaca, ou seja, o coração parou de bombear o sangue para outras partes do corpo. É necessário reestabelecer a circulação sanguínea o quanto antes, pois, desta maneira o socorrista devem começar de imediato o procedimento de RCP (Reanimação Cardiopulmonar).
Caso exista apenas um socorrista, o mesmo tem que iniciar as compressões torácicas (RCP) antes de estar aplicando as ventilações de resgate (diferente do procedimento que é apresentado acima). O único socorrista tem que começar RCP com 30 compressões torácicas seguidas por duas respirações.
O RCP tem que ser mantido até a equipe médica chegar ao local de socorro.
Controle de Hemorragias:
Além de conseguir reestabelecer o batimento cardíaco da vítima, é fundamental estar mantendo o volume de sangue corpóreo, através do controle de hemorragias.
Hemorragia é toda perda de sangue por ferimentos. Podem ser internas ou externas. Nas hemorragias externas, o sangue se elimina para fora do organismo, enquanto na hemorragia interna em uma cavidade interna do organismo.
Uma hemorragia não controlada pode levar a vítima a confusão mental, inconsciência, estado de choque, parada cardiorrespiratória e até a morte.
Hemorragias externas são facilmente identificadas e controladas. Algumas técnicas de controle de hemorragia são: curativo compressivo e curativo simples. Vale lembrar, que é importante deixar a cabeça do acidentado em nível inferior ao ponto da hemorragia, para estar garantindo oxigenação do cérebro.
Já as hemorragias internas tem mais dificuldade para serem identificadas, por isso, são mais preocupantes. O socorrista tem que monitorar alguns sinais como:
- Pulso fraco e rápido
- Pele fria
- Sudorese (transpiração abundante)
- Palidez intensa e mucosas descoradas
- Sede acentuada
- Apreensão e medo
- Vertigens
- Náuseas
- Vômito de sangue
- Calafrios
- Estado de choque
- Confusão mental e agitação
- "Abdômen em tábua" (duro não compressível)
- Dispneia (rápida e superficial)
- Desmaio
Casos de hemorragia interna tem que ser atuados imediatamente por uma equipe de especialistas, pois o seu quadro pode evoluir para confusão mental, inconsciência, estado de choque, parada cardiorrespiratória e morte.
Sinais vitais:
Sinais vitais são aqueles que indicam as funções vitais e podem orientar o diagnóstico inicial e estar acompanhando a evolução do quadro clínico de uma vítima. Também são considerados como os sinais emitidos pelo nosso corpo de que as funções vitais estão normais e que qualquer alteração indica uma anormalidade.
Os sinais vitais são: Respiração, pulso, pressão arterial e temperatura.
Pulso:
O pulso é a ondulação que se exerce pela expansão das artérias seguida de uma contração do coração. Ele nada mais é do que a pressão exercida pelo sangue contra a parede arterial em cada batimento cardíaco.
O pulso pode ser percebido sempre que uma artéria é comprimida contra um osso. Os locais mais comuns para obter o pulso são nas artérias carótida, radial, femoral e braquial. Ele também pode ser visto através da ausculta cardíaca com a ajuda de um estetoscópio e denominado pulso apical. Na verificação o pulso deve-se observar a sua frequência, volume e ritmo.
Índices Normais De Pulso
- Homem 60 a 70 bpm
- Mulher 65 a 85 bpm
- Criança 80 a 120 bpm
- Bebê 100 a 160 bpm
Respiração:
A respiração se refere a entrada de oxigênio na inspiração e a eliminação de dióxido de carbono pela expiração. É uma sucessão de ritmos de movimentos de expansão e de retração pulmonar com a finalidade estar efetuando trocas gasosas entre a corrente sanguínea e o ar nos pulmões.
Para estar avaliando a respiração temos que entender o seu caráter, se é profunda ou superficial, seu ritmo que pode ser regular ou irregular, e também a sua frequência, ou seja, a quantidade de movimentos respiratórios por minutos.
Índices normais da respiração
- Homem 15 a 20 movimentos respiratórios por minuto
- Mulher 18 a 20 movimentos respiratórios por minuto
- Criança 20 a 25 movimentos respiratórios por minuto
- Lactente 30 a 40 movimentos respiratórios por minuto
Existem outros fatores para estar alterando os valores normais da respiração como exercícios físicos, medicamentos, fatores emocionais, então, é importante que o socorrista saiba entender estas alterações.
São usados termos específicos para estar definindo as alterações dos padrões respiratórios, como:
- Eupnéia: Respiração normal, com movimentos regulares, sem dificuldades;
- Apnéia: É a ausência dos movimentos respiratórios;
- Dispnéia: Dificuldade na execução dos movimentos respiratórios;
- Bradipnéia: Diminuição da frequência respiratória;
- Taquipnéia: Aumento da frequência respiratória.
3 Sinais de apoio:
Entendendo o que são os Sinais de Apoio:
Para estar prestando todo tipo de atendimento de primeiros socorros é de grande importância compreender alguns conceitos básicos dos sinais que o corpo vai emitir, e que vão servir de informação para estar determinando o estado físico da vítima. Por exemplo, os sinais de apoio, são emitidos em razão do estado de funcionamento dos órgãos vitais, podendo ter alterações em casos de hemorragias, parada cardíaca, entre outros.
Dilatação e reatividade das pupilas:
A reatividade e a dilatação das pupilas são sinais de apoio muito importantes. Uma pupila totalmente dilatada irá indicar que o cérebro não está recebendo oxigênio, o que irá ocasionar cerebrais graves.
Podemos estar checando as pupilas por meio de uma fonte de luz lateral que consegue observar o estado das pupilas da vítima. Uma das coisas que podemos fazer é observar o diâmetro delas. Veja a seguir :
Avaliação do diâmetro das pupilas:
Situação:
Isocóricas (Normais): São simétricas e reagem à luz.
Diagnóstico-Provável:
Condição normal, porém, deve-se estar reavaliando constantemente.
Situação:
Mióse: ambas estão contraídas sem reação à luz.
Diagnóstico-Provável:
Lesão no sistema nervoso central ou abuso no uso de drogas.
Situação:
Anisocóricas: Uma dilatada e a outra contraída (assimétricas).
Diagnóstico-Provável:
Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou Traumatismo Cranioencefálico (TCE).
Situação:
Mindríse: Pupilas dilatadas
Diagnóstico-Provável:
Ambiente com pouca luz, estado de choque, parada cardíaca, hemorragia, TCE, anóxia (ausência de oxigênio) ou hipóxia severa (baixo teor de oxigênio).
Cor e umidade da pele:
Para observar este outro sinal de apoio, é necessário olhar a cor e a umidade da pele ( da face) e das extremidades dos membros, lugares onde as alterações se manifestam primeiro. Veja a seguir as alterações e ocorrência para uma melhor compreensão:
Alteração:
Cianose (pele azulada)
Ocorrência:
Exposição ao frio, parada cardiorrespiratória, estado de choque, morte.
Alteração:
Palidez
Ocorrência:
Hemorragia, parada cardiorrespiratória, exposição ao frio, extrema tensão emocional, estado de choque.
Alteração:
Hiperemia (pele vermelha ou quente)
Ocorrência:
Hemorragia, parada cardiorrespiratória, exposição ao frio, extrema tensão emocional, estado de choque.
Alteração:
Pele fria e viscosa ou úmida e pegajosa
Ocorrência:
Estado de choque
Alteração:
Pele amarela
Ocorrência:
Icterícia, hipercarotenemia.
Estado de consciência:
Ao encontramos com uma pessoa acidentada, ela pode estar em estado de consciência plena, quando é capaz de estar informando com clareza a respeito do seu estado físico. Podemos encontrá-la também inconsciente, em coma, ou ainda, podendo estar apresentando sinais de apreensão excessiva, olhar mais assustado, face contraída e medo.
Motilidade e sensibilidade do corpo:
A perda de sensibilidade no corpo é um sinal de apoio que pode nos dar várias informações. Podendo indicar uma paralisia da área, lesão do nervo do membro, lesão na medula espinhal, lesão do nervo periférico (facial) ou até uma lesão cerebral.