Prevenção de acidentes infantis e conduta para a hora do parto
Noções Básicas em Primeiros Socorros
1 Prevenção de acidentes na infância:
1º Ano de Vida:
A criança, no 1º ano de vida, está sujeita a acidentes os quais se tornam mais frequentes à medida que se desenvolve a habilidade de movimentos. Sua curiosidade a leva a se virar, engatinhar e pegar objetos. Ela precisa de proteção em tempo integral; por isso, aqui vão algumas dicas para se evitar alguns dos acidentes mais comuns nesta idade.
Banho: Verifique sempre a temperatura da água com um termômetro ou com o cotovelo (menos de 25º C). Nunca saia do alcance da criança, o afogamento não é o único perigo. O simples mergulho com aspiração de água até os pulmões pode provocar problemas.
Asfixia: Cobertores pesados e travesseiros fofos representam real perigo. O berço e o cercadinho devem ficar situados longe de fios soltos, cordas de venezianas, cortinas e nem deixar ao alcance da criança, sacos plásticos ou impermeável onde a criança possa por a cabeça.
Quedas de altura: Somente o berço ou o cercadinho podem ser considerados locais seguros. Não deixe a criança sem assistência sobre móveis, trocador de fraldas, cama, sofá, mesa, etc. Deixe as roupas preparadas previamente no momento da troca de fraldas.
Brinquedos: Devem ser grandes o suficiente para não serem engolidos, fortes para não serem quebrados e nem terem peças facilmente destacáveis. Pontas arestas ou tintas solúveis na boca, devem ser evitadas.
Objetos: Não deixe ao alcance da criança objetos cortantes ou pontiagudos, como alfinetes e agulhas, e objetos pequenos como botões e moedas, fáceis de serem engolidos.
Berço: O berço e o cercadinho devem ter grades altas com intervalos pequenos para evitar que o bebê introduza a cabeça entre eles (os de malha são os mais seguros).
Queimaduras: Controle a temperatura da água do banho. Não beber líquidos quentes com a criança no colo; aquecedores, garrafas térmicas, ferro de passar roupa também devem ser mantidos fora do alcance da criança. Em tomadas elétricas coloque um esparadrapo ou protetor próprio, e atenção com os fios elétricos soltos. A área próxima ao fogão deve ser proibida à criança.
Viagens de automóvel: Ao sair não segurar a criança no colo no banco dianteiro, use uma cadeirinha infantil ou quando transportá-la no colo sente sempre no banco traseiro. Ofereça líquidos à criança em viagens prolongadas.
Medicamentos e produtos tóxicos: Remédios, produtos químicos, produtos de limpeza, venenos para insetos e ratos devem ser mantidos fora da visão e alcance das crianças, pois elas não têm nenhuma noção do perigo destas substâncias e por curiosidade acabam levando tudo à boca.
Mantenha estes produtos em local alto ou fechado onde a criança não pode ter acesso, e em caso de ingestão acidental faça contato o mais depressa possível com o seu médico.
Escadas e portas: Escadas devem permanecer cercadas, as portas devem ser travadas com um peso ou presilha para impedir a eventualidade de esmagamentos, quando mexidas por crianças, vento ou mesmo adultos distraídos.
2º ao 4º ano de vida:
A criança se desenvolve e começa a ganhar mais autonomia em seus movimentos, sem com isso diminuir os riscos de acidentes. Pelo contrário, nesta fase a criança quer investigar e imitar tudo, sem ter a noção do perigo.
Banho / Afogamento: Os cuidados quanto ao banho da criança devem permanecer os mesmos do primeiro ano de vida. Mantenha-se sempre a uma distância que lhe permita controlar todos os movimentos do bebê. A atenção com tanques, piscinas, banheiras e poços de água devem ser redobradas. A criança não pode ser deixada sozinha nas proximidades de um destes lugares em circunstância alguma.
Asfixia: Os cuidados para deixar fora do alcance fios, cordões, sacos plásticos devem continuar. A tendência a imitar e a curiosidade os levam a se esconder em armários ou em locais com pouca ventilação, além do fascínio pelo fogo que pode levar a intoxicação com a fumaça, isto exige uma atenção redobrada.
Queda: À medida que aumentam as áreas de exploração da criança, dentro e fora de casa, também aumentam os riscos de acidentes e quedas. Nesta fase, surge o perigo das janelas e escadas, onde, por segurança, devem ser instaladas grades ou redes de proteção e, atenção com as cadeiras próximas às janelas ou as que possam ser arrastadas.
Brinquedos/Objetos: Eles precisam resistir aos movimentos da criança e devem ter um tamanho que não lhes permita serem engolidos. Não devem ter cantos vivos ou pontas, sendo confeccionados com substâncias atóxicas. A criança já brinca com uma variedade muito maior de objetos. Ë importante ensinar-lhe sobre o perigo dos objetos cortantes, principalmente quando junto a outras crianças e, também, sobre os riscos de se perseguir uma bola perdida na rua. Armas como facões, canivetes ou revólveres e objetos como tesouras, agulhas, estiletes, ferramentas e tintas, devem ficar seguramente trancados.
Berço/Cama: O berço deve ter grades altas, com intervalos pequenos que não possibilite a criança enfiar a cabeça entre elas. Ele ainda evita que a criança saia por conta própria, em momentos em que não está sendo monitorada, mas logo deverá ser trocado por cama infantil aberta.
Veículos Motorizados: Não permita que a criança brinque em áreas onde possam transitar veículos. É muito importante ensiná-la sobre o perigo do tráfego de veículos e de atravessar a rua sozinha (regras elementares de trânsito já podem ser ensinadas).
Ao transportar uma criança dentro de um automóvel, nunca colocá-la no banco da frente, mesmo no colo. Use sempre uma cadeirinha ou cinto de segurança.
Queimaduras: Além das tomadas, fios elétricos e aparelhos domésticos, começam a se tornar perigosos os fósforos, velas e isqueiros, devido ao fascínio que o fogo provoca nas crianças. Os produtos químicos e de limpeza que são facilmente inflamáveis também representam um grande perigo.
Ingestão de Produtos Tóxicos: Existe um grande risco de intoxicação pela ingestão de produtos químicos, principalmente remédios, muitas vezes coloridos e com formas atraentes. As consequências da ingestão acidental de um destes produtos pode ser fatal.
Mantenha todos os remédios trancados em um mesmo armário, longe delas. Mantenha também à distância os produtos de limpeza e os cosméticos. Em caso de ingestão acidental procure imediatamente um médico.
Escadas e Portas: Para evitar acidentes em escadas, mantê-las cercadas: a criança já se locomove sozinha sem dificuldades, mas os degraus ainda representam uma empreitada difícil para ela. As portas devem ser travadas, pois soltas representam perigo quando movimentadas rapidamente pela ação do vento ou de pessoas.
2 Conduta para a hora do parto:
Definição:
Após a fecundação, a união do óvulo com o espermatozoide, o novo ser começa a se desenvolver dentro do útero materno. Após nove meses de gestação, haverá a expulsão do concepto para o meio externo através do parto.
A grande maioria dos casos se resolve espontaneamente, apenas sendo assistido pelo médico ou parteira. No entanto, em situações em que não haja condição de transporte da parturiente ao hospital, devemos ter um certo treinamento na assistência ao parto para que possamos assisti-lo, até mesmo dentro da viatura.
Sinais de Parto:
No final da gestação, a parturiente começa a apresentar sinais e sintomas que são indicativos do inicio do trabalho de parto, são eles:
- Contração uterina de forte intensidade e frequente;
- Saída de pequena secreção vaginal sanguinolenta;
- Saída de água pela vagina (ruptura da bolsa das águas);
- Sensação intensa de evacuação.
Conduta:
Nestas condições, o trabalho de parto está se iniciando, então devemos tomar as seguintes condutas:
- Quando as dores se intensificarem e passarem a ocorrer em intervalos menores, deveremos pedir à parturiente para evacuar e urinar, pois no momento da expulsão a bexiga será comprimida, juntamente com o reto, propiciando a saída de urina e material fecal, aumentando o risco de infecção;
- Colocar a parturiente deitada de costas, com os joelhos elevados e as pernas afastadas uma da outra e pedir-lhe para conter a respiração e fazer foça de expulsão cada vez que sentir uma contração uterina;
- Quem vai assistir ao parto, deverá lavar bem as mãos;
- Devemos cobrir o ânus da parturiente com um pano limpo para diminuir a possibilidade de contaminação com material fecal;
- À medida que o parto progride, ver-se-á cada vez mais a cabeça do feto em cada contração. Devemos ter paciência e esperar que a natureza prossiga o parto. Nunca devemos tentar puxar a cabeça da criança para apressar o parto.
- À medida que a cabeça for saindo, devemos apenas ampará-la com as mãos, sem imprimir nenhum movimento, apenas de sustentação;
- Depois de sair totalmente, a cabeça da criança fará um pequeno movimento de giro e, então, sairão rapidamente o ombro e o resto do corpo. Sustente-o com cuidado. Nunca puxe a criança, nem o cordão umbilical; deixe que a mãe expulse naturalmente o bebê;
- Nascida a criança, limpe apenas o muco do nariz e boca com gaze ou pano limpo e assegure-se de que começou a respirar. Se a criança não chorar ou respirar, segure-a para baixo pelas pernas, com cuidado para que não escorregue. Dê alguns tapinhas nas costas para estimular a respiração. Desta forma, todo líquido que estiver impedindo a respiração sai;
- Se o bebê ainda assim não respirar, faça respiração artificial delicadamente, insuflando apenas o volume suficiente para elevar o tórax da criança como ocorre em um movimento respiratório normal;
- Prepare-se para cortar o cordão umbilical. Deite a criança de costas e com um fio, previamente fervido, faça dois nós no cordão umbilical. O primeiro a aproximadamente quatro dedos da criança e o segundo nó distante 5 cm do primeiro. Corte entre os dois nós com uma tesoura, lâmina ou outro objeto esterilizado:
- O cordão umbilical sairá, junto com a placenta, cerca de 20 minutos após o nascimento;
- Após a saída da placenta devemos fazer massagem suave sobre o abdome para provocar a contração espontânea do útero e diminuir a hemorragia que é normal após o parto;
- Transportar a puérpera e a criança ao hospital para completar a assistência médica. A placenta também deverá ser transportada para que possa ter certeza de que ela saiu completamente ou se ainda sobraram restos dentro do útero materno.