Parada respiratória e parada cardíaca

Noções Básicas em Primeiros Socorros

1 Parada respiratória:

Introdução:

 

Chamamos primeiros socorros, as medidas iniciais e imediatas aplicadas à vítima, fora do ambiente hospitalar, executadas por qualquer pessoa, para garantir a vida da vítima e evitar agravamento das lesões existentes.

Parada Respiratória em adulto: É a supressão súbita dos movimentos respiratórios, podendo ser acompanhada ou não de parada cardíaca.

Diagnóstico: É definido através dos seguintes sinais e sintomas:

  •  Ausência de movimentos respiratórios;
  •  Cianose (cor azul dos lábios, unhas, não obrigatório);
  •  Dilatação das pupilas (não obrigatória);
  •  Inconsciência.

Em casos em que apresentem parada respiratória após trauma (acidente) não devemos nos esquecer da possibilidade de fratura de coluna cervical. Como no local do acidente não dispomos de métodos diagnósticos, devemos considerar todos os pacientes como portadores de lesão de coluna até que se prove o contrário no hospital.

Quando a vítima não responde, o socorrista deve verificar se ela está respirando. Esta avaliação requer o posicionamento adequado da vítima, com as vias aéreas abertas.

 

Posição da vítima para iniciar o atendimento:

 

Para que a RCP seja eficiente, a vítima deve ser posicionada adequadamente, sendo que esta deverá estar deitada em superfície plana e rígida. É imperativo que a vítima inconsciente seja posicionada, o mais breve possível. Se a vítima estiver de bruços (em decúbito ventral), o socorrista deve girar o corpo como um todo, de maneira que a cabeça, ombros e torso se movem simultaneamente, sem se torcer. Deve-se tomar muito cuidado se houver suspeita de lesão no pescoço ou nas costas.

Para vítimas que estejam deitadas, pode ser utilizada a seguinte sequência:

  • Ajoelhe-se ao lado da vítima, a uma distância aproximadamente igual à largura do corpo, na altura da sua linha do ombro, pois assim haverá espaço suficiente para girar o corpo da vítima com o pescoço devidamente apoiado;
  • Mova o braço da vítima aproximando-o de você de modo a ele ficar acima da cabeça da vítima;
  • Se necessário, estique as pernas da vítima, para que estejam retas ou levemente flexionadas no joelho;
  • Coloque sua mão atrás da cabeça e do pescoço da vítima, como apoio;
  • Com a outra mão, segure a vítima por baixo do braço, abraçando o ombro e o torso (tronco);.
  • Gire a vítima para seu lado, puxando-a de maneira firme e equilibrada no ombro e ao mesmo tempo controle a cabeça e o pescoço, que devem estar no mesmo plano das costas, movendo o corpo sempre como um todo.

Caso a vítima não esteja respirando, deve ficar em posição supina, com os braços ao longo do corpo. Desta forma, estará na posição adequada para o próximo passo na RCP.

 

 

Desobstrução das vias aéreas:

 

Uma das condutas mais importantes para o sucesso na ressuscitação é a rápida desobstrução das vias aéreas. A vítima não responsiva, em geral, apresenta perda do tônus muscular, com consequente obstrução da faringe pela queda da base da língua e tecidos moles da faringe.

A língua é, em geral, a causa mais comum de obstrução das vias aéreas em vítimas inconscientes. A língua ou a epiglote pode criar a obstrução quando a pressão negativa produzida pelo esforço inspiratório fecha a entrada da traqueia. Como a língua está presa ao mandibular, o movimento do mesmo para frente levanta a língua da parte posterior da faringe e abre as vias aéreas.

O socorrista deve se valer da manobra de inclinar a cabeça e elevar o queixo para desobstruir as aéreas. Se um corpo estranho ou vômito for visível na boca, deve ser removido. Não se deve levar muito tempo neste procedimento. Os líquidos e semilíquidos devem ser removidos com o dedo indicador e o médio, protegidos por um tecido; os corpos sólidos devem ser extraídos pelo dedo indicador em posição de gancho.

a) Manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo (atualmente mais usada). Para se realizar esta manobra você deve:

  • Colocar uma das mãos na testa da vítima e pressioná-la firmemente para trás, a fim de que a cabeça se incline.
  • Colocar os dedos da outra mão sob a parte óssea do queixo.
  •  Elevar o queixo para cima e sustentar a mandíbula, ajudando a inclinar a cabeça para trás.

 

 

Posição de recuperação:

 

Se a vítima estiver sem resposta, não houver evidência de trauma e estiver claramente respirando de maneira adequada, o socorrista deve colocá-la na “posição de recuperação” .

  • Girar a vítima para o lado de forma que cabeça, ombros e costas sejam girados simultaneamente, sem torção.
  • Se a pessoa socorrida tiver sido vítima de trauma ou houver suspeita de trauma, ela não deve ser movida.
  • Na posição de recuperação, as vias aéreas muito provavelmente manter-se-ão desobstruídas, e uma obstrução não reconhecida (pela queda da base da língua para trás) é menos provável.

É fundamental que a vítima em posição de recuperação esteja sob observação direta e contínua até que se torne responsiva ou até que o pessoal treinado chegue para assumir o tratamento da vítima. A posição de recuperação, também, pode ser utilizada para vítimas ressuscitadas com sucesso.

 

 

Respiração de resgate:

 

Levando em consideração o ensino e a orientação, iremos apresentar a baixo a técnica de respiração Boca a Boca:

Boca a boca (ao realizar a manobra, utilizar-se de um material de proteção, vide lenço ou alguma material similar): A respiração boca-a-boca foi considerada uma maneira rápida e eficiente de se suprir oxigênio à vítima. O socorrista deve inflar os pulmões da vítima de maneira adequada em cada ventilação.

  • Mantenha as vias aéreas desobstruídas, usando a técnica da inclinação da cabeça e elevação do queixo.
  • Levemente, pince o nariz usando o polegar e o dedo indicador (da mão que está na testa), para que o ar não escape pelo nariz da vítima.
  • Respire normalmente e coloque seus lábios na boca da vítima, vedando-a e criando um selo à prova de vazamento de ar
  • Em seguida, insufle duas vezes, sendo que cada respiração seja de 1 segundo.

Observação: manobra realizada quando necessariamente for a última solução, vide possíveis complicações acarretadas por contaminação oral.

 

É necessário garantir um tempo adequado para as duas insuflações (1 segundo para cada uma) para que haja boa expansão torácica e menor possibilidade de distensão gástrica (a medida de tempo “por insuflação” é usada, aqui, como o tempo inspiratório da vítima).

O socorrista deve inspirar, após cada ventilação, e cada ventilação deve ter volume suficiente para expandir o tórax.

A respiração de resgate deve ser realizada a um ritmo de 8 a 10 insuflações por minuto. Um volume de ar muito grande e um fluxo inspiratório muito rápido podem causar pressões na faringe que excedam a pressão de abertura do esôfago, permitindo que o ar entre no estômago e cause distensão gástrica. A indicação de ventilação adequada é dada quando observamos o tórax subindo e descendo.
• Ouvimos e sentimos o fluxo de ar durante a expiração.

 

Parada Respiratória na Criança:

 

O relaxamento dos músculos e o deslocamento passivo posterior da língua podem levar obstrução das vias aéreas na vítima inconsciente. Sempre que for encontrada uma vítima inconsciente e que não esteja respirando, as vias aéreas devem ser abertas rapidamente, através da manobra de elevação do queixo e inclinação e fixação da cabeça, proporcionando desta forma a imobilização da coluna cervical.

Se a criança estiver consciente e apresentar respiração espontânea, porém com esforço intenso, não se deve perder tempo tentando abrir mais as vias aéreas. Em vez disso, a criança deve ser transportada, o mais rapidamente possível, para um serviço onde se aplique o suporte avançado de vida.

 

Abertura das vias aéreas:

 

Para realizar esta técnica deve observar os seguintes passos:

  • Coloque uma mão na testa da criança e incline a cabeça gentilmente para trás até uma posição neutra. O pescoço é ligeiramente estendido.
  • Coloque os dedos, exceto o polegar, da outra mão sob a parte óssea do queixo e eleve a mandíbula para fora e para o alto.
  • Tenha cuidado para não fechar a boca ou empurrar os tecidos moles abaixo do queixo, pois estas manobras podem obstruir mais do que as vias aéreas.
  • Se um corpo estranho ou vômito estiver visível, remova-o.

 

 

Avaliação da respiração:

 

Se a respiração espontânea está presente, a per viabilidade das vias aéreas deve ser mantida. Se o lactente ou a criança não apresente resposta, não tem evidência de trauma e a respiração é obviamente eficiente, o socorrista deve colocar a vítima em posição de recuperação e ativar o SME.Se a vítima está respirando efetivamente, é suficientemente pequena e não há evidência de trauma, o socorrista pode carregar a vítima até o telefone para uma rápida ativação do SME.

 

Respiração de salvamento na criança:

 

Em se tratando de criança, algumas alterações técnicas são necessárias para desenvolvermos procedimentos de resgate. A respiração de salvamento é diferenciada na criança, até mesmo no que diz respeito à idade. Em crianças com idade até 1 (um) ano, o socorrista deverá realizar o procedimento da seguinte forma:

Cobrir o nariz e a boca da criança com a sua boca, criando uma vedação. Uma mão faz a inclinação da cabeça, enquanto a outra eleva o queixo do lactente. Evite a inclinação da cabeça se houver trauma craniano ou de pescoço.

Crianças acima de 1 (um) ano a boca do socorrista deverá cobrir a boca da criança, criando uma vedação boca-a-boca. Uma mão faz a elevação do queixo, enquanto o polegar e o indicador da outra mão são usados para pinçar o nariz da criança e fixar a cabeça.

 

 

Dispositivos de proteção utilizados na Respiração Boca a Boca:

 

Devemos sempre pensar, em primeiro lugar, na proteção da pessoa que esta executando o atendimento. Devido inúmeras doenças que podem ser transmitidas pela saliva, desenvolveu-se dispositivos de proteção (barreiras de proteção) para se evitar o contato da mucosa do socorrista com a mucosa da vítima.

 

 

Pocket Mask:

 

 

Lenço facial:

 

2 Parada cardíaca:

No adulto:

 

A parada cardíaca é reconhecida pela ausência de pulso nas grandes artérias da vítima inconsciente.

O coração deixa de bombear o sangue para o organismo que, desta forma, deixa de transportar oxigênio para os tecidos. Existem tecidos que resistem vivos, até algumas horas, à falta de oxigênio. No enquanto, o cérebro, centro essencial do organismo, começa a deteriorar-se após três minutos de falta de oxigênio. Desta forma o diagnóstico e a recuperação cardíaca devem ser feitos de imediato. Caso haja demora na recuperação cardíaca, o cérebro pode sofrer lesões graves e irreversíveis.

Diagnóstico:

Ausência de pulso (radial, femoral e carotídeo);
• Pele fria, azulada ou pálida (cianótica);
• Parada respiratória (frequente, mas não obrigatória);
• Inconsciência;
• Dilatação das pupilas (frequente, mas não obrigatória);
• Na dúvida, proceda como se fosse.

A parada cardíaca é reconhecida pela ausência de pulso nas grandes artérias das vítimas inconsciente e sem respiração. No entanto, se a vítima estiver ventilando adequadamente, muito provavelmente a circulação também será adequada, e a parada cardíaca é pouco provável.

Para um atendimento eficiente e eficaz, foi desenvolvido um protocolo sequencial de atendimento, sendo utilizada uma sequência de letras representando as etapas do socorro.

Estamos falando da sequência C-A-B, da diretriz 2010 da American Heart Association, onde:

C - Compressão rápida e profunda

A – Liberação das Vias Aéreas

B – Respiração

 

Técnicas de Compressão Torácica:

 

A técnica da compressão torácica consiste de uma série de aplicações rítmicas de pressão sobre a parte inferior do esterno; estas compressões produzem circulação, como resultado de um aumento generalizado da pressão intratorácica ou da compressão direta no coração. O sangue circula para os pulmões, onde receberá oxigênio suficiente para a manutenção da vida.

O paciente deve estar deitado, em posição horizontal durante as compressões torácicas, afim de facilitar o fluxo sangüíneo para o cérebro, que fica reduzido quando a cabeça esta em um nível mais elevado que do tórax.

Caso a vítima esteja sobre uma cama, deve-se colocar uma tábua sob o tórax em contato direto com as costas, isto proporcionará uma superfície rígida, facilitando assim a compressão do tórax.

As compressões torácicas devem, quando possível, serem acompanhadas da respiração de resgate realizada adequadamente, proporcionando um aporte de oxigênio.

Com uma das mãos, localizar o processo Xifóide na margem inferior da caixa torácica do paciente

 

 

Marcar dois dedos acima do processo Xifóide (cerca de 3 cm), e colocar a região hipotênar de uma das mão (o calcanhar da mão) sobre o esterno, a seguir colocar a outra mão sobre a primeira

 

 

Os dedos devem estar entrelaçados, preferencialmente mantidos afastados da caixa torácica.

 

 

Uma compressão eficiente pode ser conseguida tomando-se os seguintes cuidados:

 

  • Os cotovelos assim como o braço devem estar estendidos formando um ângulo reto (90 grau) com a parede do tórax da vítima.
  • O socorrista deve se colocar rente ao corpo da vítima, posicionando a mão e mantendo os braços esticados.
  • O peso do tronco do socorrista irá criar a pressão necessária para realizar as compressões
  • O esterno deve ser deprimido, aproximadamente, entre 3,8 a 5,1 cm para um adulto de tamanho normal.
  • A pressão no tórax deve ser liberada, para que o mesmo retome a posição normal após cada compressão. Estas compressões devem atingir um ritmo de bombeamento de 100 batimentos por minutos.
  • Não tirar as mãos do peito nem mudar de posição, pois a posição das mãos pode ser desperdiçada.

As compressões irregulares, os movimentos bruscos, o posicionamento incorreto da mão e a inclinação sobre o tórax podem reduzir a eficácia da ressuscitação e, muito provavelmente, causar lesões.

 

 

Na criança:

 

Avaliação da circulação: verificação de pulsos:Uma rápida avaliação da circulação é necessária para se identificar uma contratilidade cardíaca ineficaz ou ausente. É necessário que o socorrista esteja bem treinado para este procedimento, pois deverá observar sempre a provável idade da criança, afim de se orientar quanto ao local de verificação do pulso.

 

Pulso em lactentes:

 

O pescoço curto e gorducho dos lactentes abaixo de 1 ano de vida faz com que a rápida localização de pulso na artéria carótida seja difícil, tornando a palpação da artéria braquial  uma opção

 

 

Outro local frequentemente palpado por profissionais de saúde é a artéria femural, onde levemente o socorrista irá apalpar a região utilizando o dedo indicador e médio

 

Verificação do pulso em crianças:

 

Em crianças acima de 1 ano de idade, a artéria carótida, na lateral do pescoço, é a artéria central mais acessível à palpação. A artéria carótida fica na região lateral do pescoço entre a traqueia e o músculo esternocleidomastóideo. Para sentir a artéria:

  • Localize a cartilagem cricoide da vítima (pomo de Adão) com 2 ou 3 dedos de uma das mãos enquanto mantém a cabeça inclinada com a outra mão.
  • Deslize seus dedos até o sulco na lateral do pescoço mais próximo a você, entre a traqueia e o músculo esternocleidomastóideo.
  •  Palpe a artéria suavemente.

 

 

Se o pulso está presente, mas a respiração espontânea ausente:

 

Forneça respiração de salvamento sozinho com uma freqüência de 20 respirações por minuto (1 vez a cada 3 segundos) para o lactente ou criança até que a respiração espontânea retorne.

Após fornecer aproximadamente 20 respirações, ative o SME (vide “Ativação do SME” abaixo).

 

Se o pulso não é palpável ou a freqüência cardíaca é menor que 60 e estão presentes sinais de perfusão periféricas pobre:

 

  • Comece as compressões torácicas.
  • Coordene as compressões com ventilação.
  • Após realizar aproximadamente 20 ciclos de compressões e ventilações, ative o SME.

 

Compressões torácicas:

 

As compressões torácicas são periódicas e, sendo rítmicas, devem fazer circular o sangue contendo oxigênio para os órgãos vitais (coração, pulmões e cérebro), até que o suporte avançado de vida seja providenciado. As compressões torácicas devem sempre ser acompanhadas por ventilações.

 

Para atingir ótimas compressões:

 

A criança deve estar em posição supina sob uma superfície lisa e rígida.Para o lactente, a superfície rígida pode ser a mão ou o antebraço do socorrista, com a palma suportando o dorso do lactente. Esta manobra efetivamente eleva os ombros do lactente, permitindo a inclinação da cabeça ligeiramente para trás, em posição de perviabilidade das vias aéreas

 

Compressão torácica no lactente.

 

Em lactente, a área de compressão está na metade inferior do esterno. A técnica para a compressão torácica é a seguinte:

Use uma das mãos para manter a posição da cabeça do lactente (a menos que sua mão esteja sob o dorso da criança), o que possibilita a ventilação sem retardo para reposicionar a cabeça.

Use sua outra mão para comprimir o tórax. Coloque o dedo indicador desta mão no esterno, exatamente abaixo da linha intermamilar do lactente. Coloque os dedos médios no esterno é realizada aproximadamente na largura de um dedo abaixo do nível dos mamilos. Evite a compressão do apêndice xifóide, que é a porção mais baixa do esterno, pois sua compressão pode lesar o fígado, o estômago ou o baço

Usando 2 ou 3 dedos, comprima o esterno aproximadamente de 1/3 a ½ da profundidade.A frequência de compressão deve ser pelo menos de 100 vezes por minuto.

A frequência de compressão deve ser pelo menos de 100 vezes por minuto.As compressões devem ser coordenadas com as ventilações numa relação de 1 socorrista 30:2; 2 socorristas 15:2.

Com pausas para ventilação, o número de compressões será na verdade de pelo menos 80 por minuto.

No fim de cada compressão, libere a pressão sem remover os dedos do tórax. Permita que o esterno retorne brevemente a sua posição normal.Deve ser realizado um ritmo suave de compressão-relaxamento sem movimentos bruscos, com tempos iguais para compressão e relaxamento.

Ative o SME após ter realizado aproximadamente 1 minuto de RCP (20 ciclos).

Se a vítima retornar à respiração efetiva, coloque-o em posição de recuperação.

Localizando a posição apropriada para a compressão torácica no lactente. Note que a outra mão do socorrista é usada para manter a posição da cabeça para facilitar a ventilação.

 

 

Compressão torácica na criança:

 

Qualquer criança por volta de 1 ano até 8 anos considerada uma criança para fins de SBV. Se a criança é maior ou mais velha que 8 anos, as compressões torácicas deverão ser como as descritas para adultos.

  • Use uma das mãos para manter a posição da cabeça da criança de forma que seja possível ventilar sem reposicionar a cabeça.
  • Usando 2 dedos da outra mão, trace a margem inferior da caixa torácica da vítima, do lado do tórax mais próximo a você, até o local de encontro entre costelas e esterno.
  • Marque este local (onde costelas e esterno se encontram) e evite comprimir sobre este local, que inclui o xifóide.
  • Coloque a região hipotênar da sua mão sobre a metade inferior do esterno (entre a linha mamilar e xifóide), evitando o apêndice xifóide. O eixo mais longo da região hipotênar da mão deve ficar sobre o eixo mais longo do esterno.
  • Comprima o tórax aproximadamente em 1/3 a 1/2 de sua profundidade.A frequência de compressão é de 100 vezes por minuto
  • As compressões devem ser coordenadas com ventilações numa relação de 30:2
  • As compressões devem ser rápidas e profundas. Mantenha seus dedos fora das costelas, enquanto a região hipotênar da mão permanece no esterno.
  • Possibilite o retorno do tórax para sua posição de repouso após cada compressão, mas não levante a mão do tórax. Compressão e relaxamento devem ter igual duração.
  • Ative o SME após realizar aproximadamente 2 minutos de RCP (5 ciclos).
  • Se a vítima retorna à respiração efetiva, coloque-a na posição de recuperação.

Localizando a posição apropriada para a compressão torácica na criança. Note que a outra mão do socorrista é usada para manter a posição da cabeça para facilitar a ventilação.

 

 

Coordenação de compressões e respiração de salvamento:

 

As compressões torácicas devem ser sempre acompanhadas pela respiração de salvamento. No fim de cada 30 compressões, a pausa de 1 segundo deve ser permitida para a ventilação.

A frequência de 15:2 compressões ,ventilação para lactentes e crianças é usada para dois socorristas (a técnica de 2 socorristas deve ser usada somente por profissionais de saúde).O lactente e a criança devem ser reavaliados após 5 ciclos de compressões e ventilações ou 2 minutos.

A coordenação de compressões e ventilações assim rápidas, por um único socorrista pode ser difícil.Por isso, durante as compressões cardíacas e entre as ventilações para o lactente, mantém-se a perviabilidade das vias aéreas pela inclinação da cabeça, usando a mão que não está sendo ocupada. A manutenção da cabeça inclinada desta forma pode reduzir o tempo necessário para prover a ventilação, possibilitando o suprimento de um número adequado de compressões e ventilações a cada minuto.

A ventilação é adequada se é observada expansão torácica efetiva com cada respiração fornecida pelo socorrista.

 

Ativação do Serviço Médico de Emergência:

 

Se o socorrista está sozinho, o SME deve ser ativado cerca de 1 minuto após o suporte de socorro (ventilações / compressões torácicas, se necessário).Se não houver trauma de cabeça ou de pescoço e a vítima tiver respiração espontânea, o socorrista deve virar a vítima inconsciente de lado (posição de recuperação) antes de deixá-la para ativar o SME. SE há suspeita de trauma craniano ou de pescoço, a vítima não deve ser virada.

Se vítima é pequena e não há suspeita de trauma, é possível carregá-la (mantendo cuidadosamente a cabeça e o pescoço) até o telefone, enquanto a RCP é realizada de forma que o SME, a RCP deve continuar até que chegue socorro ou o socorrista esteja exausto demais para continuar.

O socorrista que chama o SME deve estar preparado para dar as seguintes informações:

  • O local da emergência, incluindo endereço, nomes de ruas e pontos de referência.
  • O número do telefone de onde a chamada está sendo feita.
  • O que aconteceu, por exemplo: acidente de carro, afogamento.
  • O número de vítimas.
  • Condições da(s) vítima(s).
  • A natureza do atendimento que está sendo dado.
  • Qualquer outra informação requerida.

Aquele que chama só deve desligar o aparelho depois que aquele que o atende terminar a conversa ou especificamente, instruí-lo a fazê-lo.

 

Desfibrilador Externo Automático:

 

O Desfibrilador Automático Externo (DEA) é um aparelho eletrônico portátil que diagnostica automaticamente as, potencialmente letais, arritmias cardíacas de fibrilação ventricular e taquicardia ventricular em um paciente.Além de diagnosticar, ele é capaz de tratá-las, através da desfibrilação, uma aplicação de corrente elétrica que para a arritmia, fazendo com que o coração retome o ciclo cardíaco normal.

O Desfibrilador Automático Externo (DEA), utilizado em parada cardiorrespiratória, tem como função identificar o ritmo cardíaco "FV" ou fibrilação ventricular, presente em 90% das paradas cardíacas. Efetua a leitura automática do ritmo cardíaco através de pás adesivas no tórax.

Tem o propósito de ser utilizado por público leigo, com recomendação que o operdor faça curso de Suporte Básico em parada cardíaca. Hoje, são utilizados equipamentos em Unidade de Emergencia, UTI, Unidade Móvel Emergência, Shoping Center, Aeroporto, etc.

O DEA, Desfibrilador Automático Externo, é equipamento capaz de efetuar desfibrilação com leitura automática, independente do conhecimento prévio do operador.