Alinhamento das estratégias do planejamento e controle da manutenção (PCM)

Planejamento e Controle da Manutenção (PCM)

1 RESUMO

A Manutenção e a Operação, por serem as funções administrativas e operacionais mais relevantes da Produção, já que, em conjunto, têm as responsabilidades de fazer certo (vantagem de qualidade), fazer rápido (vantagem da velocidade), fazer pontualmente (vantagem da confiabilidade), mudar o que está sento feito (vantagem da flexibilidade) e fazer barato (vantagem de custo), vem nos dias de hoje ganhando impulsos e estão agora no centro de várias atividades importantes devido ao seu papel vital, por exemplo, nas áreas de segurança, preservação do meio ambiente, produtividade, marketing, qualidade, sistemas de confiabilidade e contabilidade

Com esta nova visão, grandes mudanças e oportunidades estão sendo apresentadas para estes setores da Operação e Manutenção. No novo paradigma, as equipes de Manutenção e da Operação são motivadas há preservar estrategicamente o pleno funcionamento do sistema organizacional produtivo e não somente preservar o equipamento em prol do equipamento. Mas, efetivamente, a fim de desenvolver uma estratégia eficaz proporcionando o aumento dos ativos da empresa, com isso busca alcançar as metas do Planejamento e Controle da Produção estabelecido na empresa. Esta dissertação tem como propósito principal analisar o alinhamento das estratégias do Planejamento e Controle da Manutenção com as finalidades e funções do Planejamento e Controle da Produção

Para isso, realizou-se um estudo bibliográfico obedecendo ao que preceitua a técnica de Análise de Conteúdo. Por fim a análise da pesquisa direciona a algumas contribuições de caráter significativo, por exemplo, para as áreas de estratégia e logística de organizações que atuam, principalmente, em ambientes com alto nível de competitividade. Visto que fundamentalmente a análise aponta para o impacto positivo do alinhamento sobre parâmetros tais como: sustentação da estratégia competitiva, produtividade, custos, confiabilidade e disponibilidade dos ativos físicos e a flexibilização do sistema organizacional produtivo. E evidencia que o alinhamento é possível em empresas de médio a grande porte.

2 Alinhamento das estratégias do planejamento e controle da manutenção (PCM)

INTRODUÇÂO

A indústria no Brasil desde o inicio do século XX vem apresentando uma crescente evolução com relação à construção do conhecimento e diversificação tecnológica. O futuro da indústria brasileira está intimamente ligado à profissionalização e ao conhecimento, visto que a tendência para o setor é ser reconhecido e competitivo internacionalmente. Em função disso deve estar estruturado e se apresentar como um ambiente favorável à inovação. A evolução da produção industrial tem se amparado nos dias atuais em novas tecnologias, na automação e nos sistemas de informação.

É necessário dar continuidade ao processo de evolução alcançado nos anos 90, quando a indústria brasileira aumentou significativamente sua produtividade com taxas médias em torno de 8% ao ano (IPEA, 2008) e, consequentemente, sua competitividade. A atual evolução advém da expansão tecnológica, do desaparecimento das fronteiras, do processo de globalização, do desenvolvimento de atitudes pró ativas com relação à cultura da gestão ambiental e da responsabilidade social incorporadas às estratégias corporativas da indústria. Neste contexto, desencadeiase um aumento da competitividade, conseqüência das premissas estabelecidas pelo mercado de consumo.

As empresas com o intuito de tornarem seus sistemas e processos ávidos e mais competitivos, têm demonstrado uma preocupação gerencial com a atualização e a reformulação dos processos produtivos. Neste âmbito, estudos vêm sendo elaborados há alguns anos com a visão no crescimento industrial e na contínua melhoria dos processos produtivos. Um estudo proposto por Porter (1980) há 28 anos atrás faz uma abordagem de como as empresas podem desenvolver vantagem competitiva perante o cenário externo (seus concorrentes) agregando valor à empresa. Tal estudo apresenta uma metodologia que trata de uma análise sobre as indústrias e concorrência e também faz uma descrição de três estratégias genéricas empresariais: Custo, Diferenciação e Enfoque. Recomenda que uma dessas estratégias seja adotada pelas empresas com o objetivo de alcançar uma melhor posição no mercado.

Numa visão semelhante Slack et al. (1999, p. 83) afirmam que as decisões estratégicas das organizações envolvem o planejamento estratégico da produção. Em um estudo mais recente, Oliveira (2007) aponta quatro princípios gerais para os quais o gestor no setor produtivo deve estar atento:

O principio da contribuição visando os objetivos máximos da empresa;

O principio da precedência do planejamento, correspondendo a uma função administrativa que vem antes das outras (organização, direção e controle);

O principio das maiores influência e abrangência, pois o planejamento pode provocar uma série de modificações nas características e atividades da empresa;

O principio da maior eficiência, eficácia e efetividade. O planejamento deve procurar maximizar os resultados e minimizar as deficiências.

 

Da mesma forma, quando se planeja as atividades de manutenção dos equipamentos da organização tem-se que considerar especificidades e particularidades da organização, ou seja, trabalhar para manter o pleno funcionamento do sistema. Qualquer que seja a concepção do planejamento, isto é, baseado na diversidade dos modelos de manutenção, o foco não é somente o equipamento e sim a função do sistema. Entenda-se função como: “finalidade para a qual um sistema foi desenhado ou projetado ou montado” Filho (2000) ou “função consiste de um verbo, um objeto e um padrão desejável de desempenho” Moubray (1997).

A escolha de uma concepção que esteja alinhada com as particularidades, objetivos e metas da empresa proporciona resultados com maior aderência e atendimento às expectativas da empresa com a manutenção. Portanto, o propósito de qualquer empresa é ter as ações da manutenção estrategicamente projetadas, em primeiro lugar, para assegurar as operações corretas dos equipamentos e obter dos equipamentos a maior disponibilidade possível, ou seja, sustentação do sistema sem desviar o objetivo da elevação das receitas (rentabilidade).

As concepções de manutenção fornecem os delineamentos sob os quais o gestor da função definirá as atividades da manutenção, que segundo Simeu-Abazi et al. (1997) podem estar em conformidade com as suas modalidades, ou seja, preditiva, preventiva, corretiva, etc., para cada um dos equipamentos da empresa, sua periodicidade e tecnologia necessárias.

 

Toda esta informação é a base para definir o processo de gestão da manutenção, como será a implementação da concepção, os recursos humanos e financeiros e o grau de comprometimento requerido de cada participante na organização da manutenção. Isso ressalta a importância de escolher a mais adequada concepção para as características e especificidades individuais de cada empresa.

Para escolher a concepção mais adequada e alcançar da sua aplicação o maior desempenho se deve considerar todos os parâmetros relacionados com os requisitos técnicos de cada equipamento do sistema, os fluxos de informação e os recursos que estabelecem as inter-relações dos diferentes sistemas da empresa que têm relação com a manutenção. É indispensável que se tenha em mente que a razão de atuação da moderna manutenção não está apenas fundamentada na reparação, mas na gestão do ativo industrial, garantindo a produção e conseqüente geração de receita.

Determinar o Planejamento e Controle da Manutenção baseado a uma concepção da manutenção não é uma tarefa trivial, já que são muitas as variáveis envolvidas que variam de acordo com as características dos processos produtivos e visão gerencial de cada empresa. Não é possível utilizar um sistema padrão e afirmar: este é o melhor. Segundo Fuentes (2006), a grande maioria dos pesquisadores não revela qual ferramenta é utilizada para fazer a avaliação de cada etapa na análise para a escolha e só indica as ferramentas que já são utilizadas, tais como FMEA (Failure Mode and Effect Analysis) e a Análise de Criticidade.

3 JUSTIFICATIVA

O gerenciamento da redução dos custos (maior receita), diferenciação do produto/serviço (vantagem competitiva) e liderança de mercado próprio dos modelos de produção impostos pela internacionalização dos mercados (liderança no mercado) gera uma nova necessidade, a de que todas as áreas e atividades que compõem o setor produtivo estejam sintonizadas e adequadas à maximização da receita empresarial considerando os aspectos da produção, os critérios da padronização, a qualidade, o baixo custo, a competitividade, etc.

Assim, em se tratando do setor de Engenharia da Manutenção, não basta que os gestores e colaboradores foquem seus objetivos em elevar a disponibilidade dos equipamentos produtivos, na redução do custo das intervenções e na confiabilidade do sistema. Ao paradigma de que a Engenharia da Manutenção deve aumentar a disponibilidade e os demais objetivos, deve ser acrescentado que a Engenharia de Manutenção deve trabalhar com o propósito de elevar as receitas da organização preservando o funcionamento do sistema produtivo.

É natural que processos fabris diferentes, os quais atendem aos modelos tecnológicos específicos exigem planejamento de manutenção de acordo com suas demandas peculiares. Por outro lado, o aumento dos níveis de competitividade industrial tem levado a um grande acréscimo na importância do gerenciamento produtivo, por outro a introdução de novas tecnologias de produção tem exigido uma reavaliação de vários conceitos e sistemas até então usuais. Desta feita, surgem novos sistemas e conceitos a serem aplicados na execução de atividades como as de Planejamento e Controle da Produção.

Há, portanto, a necessidade de indicar com base na estratégia de produção, prioridades competitivas compatibilizadas à estratégia competitiva um modelo de planejamento e controle de manutenção que responda às características do modelo produtivo, visto que o gestor de Manutenção Industrial precisa adequar as estratégias do Planejamento e Controle da Manutenção que permita o seu alinhamento com as finalidades e funções do Planejamento e Controle da Produção.

Assim, a contribuição do estudo é investigar o alinhamento das estratégias do Planejamento e Controle da Manutenção com as finalidades e funções do Planejamento e Controle da Manutenção, através de uma abordagem analítica.

4 OBJETIVO GERAL

Delinear as etapas da seção Manutenção, no que tange ao planejamento de suas ações, com vista a sistematizar estratégias com as metas da Produção

Para este propósito, buscaram-se os conceitos e definições sobre estratégias competitivas com base nos estudos de Porter (1980), os quais dão ênfase em três estratégias: Liderança, Diferenciação de produto/serviço no baixo custo ou enfoque. E para fundamentar o mecanismo de alinhamento das estratégias do Planejamento e Controle da Manutenção com as finalidades e funções do Planejamento e Controle da Produção é realizada uma análise de dois elementos: objetivos (prioridades competitivas) e as áreas de decisão (estrutura e infra-estrutura) da Função Produção, bem como a evolução dos processos produtivos e da Função Manutenção.

5 OBJETIVOS ESPECIFICOS

E como Richardson (2007) recomenda que o primeiro objetivo específico seja exploratório; o segundo seja descritivo, e o terceiro (se necessário) seja explicativo. Apresentam-se os objetivos específicos, que orientaram a pesquisa com base na técnica da Análise de Conteúdo.

  • Esquadrinhar a subdivisão e classificação proposta por Wheelwight e Hayes para a estratégia na Produção;
  • Pormenorizar as fundamentações dos planejamentos de Manutenção e da Produção em aplicações atuais;
  • Coligir as ações inseridas nos planejamentos de Manutenção elegidos para o delineamento, denominação e classificação das etapas pertinentes.