Desafios da atualidade na educação
Educação e Psicologia Infantil
1 Desafios da atualidade na educação
Desafios
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996, ao certificar a Educação Infantil como parte integrante da Educação Básica, trouxe implicações relevantes para o perfil do profissional que trabalha nessa área. Desde esse tempo, a formação do educador de Educação Infantil passou a seguir as orientações contidas na referida lei, o que presume considerar a particularidade desse nível educativo, isto é: cuidar de educar crianças pequenas em uma perspectiva vasta e inseparável.
Ao se reportar à questão da identidade do profissional da Educação Infantil, Santos (2005) ressalta que, nos últimos anos, na dinâmica dessas instituições, suscita-se uma nova postura de adequação a um novo perfil profissional.
Durante muito tempo, o perfil de educador para esse nível educativo estava relacionado ao modelo idealizado da mulher como naturalmente apta a cuidar e a educar crianças pequenas. Porém, essa concepção fundamentada na 'feminização' do cargo de educador e, mais especialmente, da Educação Infantil é, nos dias de hoje, bastante contestada, visto que estudiosos desse segmento têm destacado cada vez mais a complexidade que envolve a atuação nessa área. A diversas situações educativas que surgem no ambiente de Educação Infantil tem conduzido a necessidade de uma formação que veja as especificidades da educação nessa etapa da vida.
Sobre isto, Rocha (1999) assinala que o trabalho com a criança pequena implica uma multiplicidade de aspectos, saberes e experiências específicas que evidenciam a importância de se discutirem quais domínios devem ser contemplados na formação desses profissionais.
O modelo social concebido a mulher como educadora nata trouxe muitas consequências que hoje em dia tendem a influenciar o perfil e a compreensão necessário ao educador para sua atuação na Educação Infantil. Segundo Oliveira (2007), o modelo materno de cuidado e educação da criança pequena não reconhece a exigência de profissionalização, então as exigências impostas ao profissional desse nível educacional são mínimas.
Por outro lado, espera-se que esse professor tenha algumas habilidades, como: paciência, capacidade para expressar afeto e domínio com crianças. Acrescentando essa questão, Montenegro (2005) ressalta que, em uma cultura marcada por uma concepção assistencialista de atendimento à criança pequena, as mulheres são vistas como naturalmente habilitadas para cuidar e educar, negando com isso a necessidade de treinamento específico para o desempenho de tais tarefas.
Por se tratar de um trabalho realizado quase que exclusivamente por mulheres, Montenegro destaca que a profissionalização desses docentes é um tema que encontra muitos obstáculos. Obviamente, o problema da profissionalização desse segmento não são as mulheres que atuam nele e sim os estereótipos relacionados à vinculação entre a atividade e a maternagem.
2 A relevância da qualificação docente
A concepção da Educação Infantil como extensão da função materna enfraquece a conduta profissionalizante desse segmento. Pois essa percepção propõe que o educador dessa área usa somente conhecimentos do senso comum, o que leva a achar que a atuação desses profissionais não necessita ser baseada de modo teórico. É necessário destacar que a educação nos primeiros anos de vida é um das principais bases para a formação do indivíduo.
Nesse sentido, como bem lembra Campos (1999), o professor precisa conhecer em profundidade as fases de desenvolvimento das crianças, suas características culturais, sociais, étnicas e de gênero, a realidade da qual elas partem e como aprendem. Na atualidade, os discursos que instituem um perfil profissional necessário se fundamentam nas funções de educar e de cuidar como dimensões indissociáveis para o trabalho na Educação Infantil.
Aqui, não há ênfase nas qualidades femininas que, conforme mencionado, influenciaram a forma como a docência nesse nível educativo se configurou como profissão. Cabe salientar que a identidade do segmento como um todo se correlaciona com um conceito de profissional assumido pelo professor dessa etapa da escolarização (GUIMARÃES, 2005).
Segundo Aquino (2005), a definição de um perfil para o professor da Educação Infantil é um dos aspectos primordiais a ser considerado na consolidação de uma identidade para o segmento. Historicamente esse profissional foi denominado de muitas maneiras, com diferentes responsabilidades e nível de escolaridade.
De acordo com Aquino, para demarcar uma epistemologia do saber docente, é preciso reconhecer a especificidade que caracteriza o trabalho desenvolvido em instituições como creches e pré-escolas. Por epistemologia, entenda-se o conceito de Tardif (2000 apud AQUINO, 2005, p. 1): "estudo do conjunto de saberes utilizados realmente pelos profissionais em seu espaço de trabalho cotidiano para desempenhar todas as suas tarefas".
Segundo Redin (2008), o perfil do profissional de Educação Infantil se constitui a partir do seu campo de atuação, o que significa, na percepção do autor, considerar a realidade da criança como um ser em desenvolvimento, como sujeito histórico com direitos e necessidades. Então, para Redin, o profissional dessa modalidade educativa será multidimensional em um segmento que é essencialmente multidisciplinar (ROCHA, 1999). Assim, pode-se pensar em um profissional multidimensional para atender a multifuncionalidade que define a educação nos primeiros anos de vida. Por isso, é relevante destacar que o educador de Educação Infantil precisa construir e assumir sua identidade docente libertar-se da imagem de mãe e mulher que tradicionalmente está ligada a esse profissional.
Essa perspectiva implica uma nova compreensão sobre o perfil do professor como aquele profissional que, como qualquer outro, reflete sua prática. Pode-se pensar aqui em um pesquisador que constrói conhecimento compartilhado não apenas entre as crianças com as quais trabalha, como também entre ele e as crianças. Isso envolve um processo de sustentação de relações interpessoais e da cultura que a criança traz consigo, que se dá por meio da criação de ambientes e situações que promovam desafios e questionamentos sobre as imagens que ele (o professor) possui tanto da criança como da sua própria compreensão dos significados da Educação Infantil. Em outras palavras, trata-se de facilitar e mediar a aprendizagem das crianças, mas também de aprender com elas (MOSS, 2005).
3 Família e comunidade
A família representa um dos primeiros ambientes no qual a criança inicia sua vida em sociedade. Em parceria com outras instituições e, dentre elas, está a escola, a família tem condições de garantir ao (a) seu(sua) filho(a) melhores condições de desenvolvimento em todas as áreas de sua vida. Através da família as crianças recebem instruções básicas de relacionamento psicossociais, transmitam em exemplos e influências socioculturais. Portanto, cabe a família a transmissão de normas, ética, valores, ideais, e crenças que marcam a sociedade.
Atualmente ampliou-se as concepções de família mas continua sendo papel dela a função de educar, ela é a base da educação da criança, o aluno precisa já ir pra escola com essa base. O papel do professor não deve ser visto como antigamente como já tratamos no capítulo anterior, a função do professor não é de educador mas de instruir, alguns cuidados devem ser feitos pois o professor de educação infantil trabalha com crianças pequenas, porém quero enfatizar através desse texto é o propósito de cada um, família e escola têm que refletir e assumir seus papéis.
No âmbito da educação brasileira, temos visto os obstáculos encontrada pelos gestores de escolas em estabelecer colaboração entre o ambiente escolar e a família dos alunos. Constantemente, podemos ver que a maioria dos professores reclamam da pouca ou nenhuma demonstração de interesse da família em participar do cotidiano escolar do filhos.
Para revertermos isso, requer estudo, a fim de se verificar o porquê desta falta de participação, buscando modos de trazer a família e toda a comunidade para dentro da escola, ajudando em suas tomadas de decisões e acompanhando de perto o progresso de seus filhos(as). Portanto, escola, família e comunidade devem caminhar juntos, sendo de muita relevância para um melhor desenvolvimento dos alunos e até da escola ter a presença e participação da família e de toda a comunidade.
4 Aluno como protagonista
É necessário que o aluno estabeleça relações de um novo conhecimento a conceitos importantes em sua estrutura cognitiva para desenvolver a aprendizagem, isto é, que já possuem uma mínima noção de clareza, estabilidade e diferenciação.
No convívio social, a aquisição de conhecimento, embora constante, é incompleta em formar o sujeito para viver em sociedade. Ela é acrescentada pelo processo de ensino e aprendizagem desenvolvido no convívio escolar. Assim sendo, o professor é o agente de estímulo a busca pelo conhecimento a ser desenvolvido no aluno, e feito isso, só depende do aluno para que o processo de aprendizagem seja concretizado com êxito.
O aprender na escola tem que ocorrer de maneira significativa, dessa forma a aquisição do conhecimento não pode começar do nada, mas do conhecimento prévio, dos interesses e das experiências dos alunos. A aprendizagem torna-se significativa quando o novo conceito é introduzido às estruturas de conhecimento dos alunos passando a obter significado para ele ao manter relação com a sua vivência.
Como afirma Gómez (1998, p. 38), ao comentar sobre a aprendizagem significativa de Ausubel, dizendo que “a aprendizagem significativa está na vinculação substancial das novas ideias e conceitos com a bagagem cognitiva do indivíduo”.
Ao tratar do processo de aprendizagem no âmbito escolar pode-se levar em consideração dois fatores de grande relevância, o aluno como agente ativo e participativo do processo da sua aprendizagem e o professor como agente na mediação entre o aluno e a busca por novos conhecimentos.
O processo de aprendizagem precisa ocorrer simultaneamente no aluno e no professor, conforme Demo (2007) “Se quisermos melhorar a aprendizagem dos alunos, há que promover a aprendizagem do professor”.
Demo (2006) aponta que para o aluno aprender bem, é imprescindível que o professor continue aprendendo bem, sendo um eterno aprendiz.
Por fim, concluímos que a escola é parte integrante na missão de instruir, e o professor deve fazer com que o aluno seja autor de sua história, fazendo dele um cidadão atuante de transformação.