A Educação Física e a Promoção da Qualidade de Vida na Escola
Fundamentos Metodológicos de Educação Física
1 Desafios na Saúde de Comunidades Escolares:
Nos últimos anos é observada a ampliação da área de atuação dos profissionais de Educação Física, em especial, na orientação da prática de atividade física dirigida à aquisição de benefícios físicos, psicológicos e para o bem-estar geral. Soma-se a isso o reconhecimento legal do professor de Educação Física como profissional de saúde, segundo Resolução de número 218 do Conselho Nacional de Saúde, homologada em 6 de março de 1997, valorizando sua atuação na promoção da saúde e da qualidade de vida das pessoas em sinergia com a atuação dos nutricionistas, fisioterapeutas, médicos e farmacêuticos.
Se por um lado, a ampliação da área de atuação profissional aumenta a importância dos ensinamentos sobre a atividade física como fator de promoção da saúde, de outro não se vê sua valorização na área escolar onde, seguramente, a prática da atividade física pode ser ainda mais efetiva na adoção de um estilo de vida ativo pelas crianças em fases de desenvolvimento físico, emocional e social.
A formação em educação Física e a Promoção de Estilos de vida Saudáveis:
Cursos de graduação em educação física formam profissionais especializados na análise, estudos e aplicações das atividades físicas visando o desenvolvimento da educação e da saúde das pessoas. Dentre as diversas atribuições desse profissional, o professor de educação física tem por objetivo promover o bem-estar e a qualidade de vida, contribuindo para a melhoria dos aspectos físicos, da auto-estima e da integração dos indivíduos no ambiente e na comunidade onde vivem.
A efetivação destes aspectos relacionados à qualidade de vida exigem a aplicação de estratégias diferenciadas que envolvem a promoção de uma educação direcionada para a saúde, o lazer e a adoção de um estilo de vida ativo. Sabe-se, no entanto, que a promoção de estilos de vida saudáveis depende de várias condições individuais e ambientais, em especial daquelas que envolvem o nível educacional das comunidades, as condições de vida disponibilizadas pelo aparelho estatal e da estrutura organizacional da própria sociedade.
A escola e os programas de promoção da Qualidade de vida:
A escola pode ser considerada como um espaço ideal para desenvolvimento de programas de promoção da qualidade de vida em função de várias condições que são contempladas pela sua estrutura e objetivos. É, essencialmente, um local que favorece a participação de toda a comunidade, visto que muitos dos que ali convivem compartilham suas necessidades e podem, a partir de esforços de organização, definirem objetivos e metas comuns.
O conceito “Escola Promotora da Saúde” é proposto pela Organização Mundial da Saúde como estratégia para promoção da qualidade de vida nos municípios e comunidades saudáveis. Os objetivos da “Escola Promotora da Saúde” estão centrados em três principais temas: a) educação para a saúde e o ensino de habilidades para a vida, visando a aquisição de conhecimento sobre a adoção e manutenção de comportamentos e estilos de vida saudáveis; b) estruturação de ambientes saudáveis para criar e melhorar a qualidade de vida na escola e nos locais onde ela está situada; c) fortalecimento da colaboração entre os serviços de saúde e de educação visando a promoção integrada da saúde, alimentação, nutrição, lazer, atividade física e formação profissional (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD).
Este pode ser considerado um bom exemplo de uma política pública descentralizada onde se busca o equilíbrio da participação dos representantes da sociedade civil e das autoridades locais, sejam elas representadas por prefeito, secretários ou o próprio diretor escolar. Segundo a Organização Mundial da Saúde, neste exemplo o processo civil e democrático é fortalecido com o envolvimento e a participação da comunidade a qual exerce sua influência e controle dos determinantes de sua própria saúde e qualidade de vida.
pria saúde e qualidade de vida. Esta política cria ambientes físico e social de apoio que permitem às pessoas terem uma vida saudável, fazerem escolhas apropriadas e adequar os ambientes às práticas relacionadas à promoção da saúde. A abordagem científica do tema da “qualidade de vida na escola” depende, necessariamente, de uma avaliação diagnóstica sobre os principais problemas vividos pelas pessoas, análise das possíveis soluções, definição de estratégias locais e monitoramento do processo. Nesta abordagem toda a comunidade opina, decide sobre a destinação dos recursos para atender às demandas e aos projetos estratégicos voltados para a promoção da saúde e qualidade de vida (OPAS/OMS).
Diagnóstico dos desafios em saude e qualidade de vida na Escola Contemporânea:
A avaliação da saúde e da qualidade de vida no ambiente escolar, assume significativa importância porque permite aos dirigentes e a toda comunidade o conhecimento da situação real sobre os desafios a serem vencidos, fortalecendo seu poder de decisão a partir de informações específicas geradas pela própria comunidade. Nossa experiência de convívio acadêmico na interface entre a escola pública e a universidade, permite-nos relacionar alguns aspectos de saúde e qualidade de vida, de escolares e da comunidade do entorno da escola, muito presentes nos dias atuais.
Um dos importantes aspectos evidenciados neste livro-texto, que é dirigido à formação na graduação em educação física, diz respeito às atividades propostas nas aulas de Educação Física nos ciclos da Educação Infantil à 5ª Série. A legislação vigente permite que as aulas de educação física sejam, ainda hoje, desenvolvidas pelas professoras regentes de classe sem a formação específica na área. É reconhecido que para orientar e aplicar as atividades adequadas em cada fase é necessário elevado grau de especialização dos conteúdos da área de educação física, requerendo professores habilitados com conhecimento e capacitação para a aplicação de um programa de atividades físicas segundo as exigências morfo-funcionais de cada faixa etária.
Outro dado bastante relevante sobre a qualidade de vida na escola diz respeito à disseminação de hábitos alimentares pouco adequados com o crescimento e desenvolvimento saudável das crianças e dos jovens. Incentivados pelas mídias e sem nenhum controle ou orientação por parte das autoridades escolares, as próprias cantinas oferecem produtos como alimentos fritos, bolos com recheios e outras guloseimas com teor excessivo de açúcar, ricos em gorduras saturadas, em especial produtos industrializados como biscoitos, balas e refrigerantes “ligth” que contêm edulcorantes.
De outro lado, o conhecimento amplamente disseminado, também pelas mídias, é incapaz de sensibilizar professores, pais e dirigentes sobre a importância de elevar o consumo da água, sucos naturais, frutas, hortaliças e de alimentos tradicionais como arroz e feijão. A implantação de programas de qualidade de vida integrados ao desenvolvimento curricular e à participação da comunidade de pais e professores parece ser um caminho mais efetivo para o estabelecimento de estilos alimentares saudáveis e a prevenção de doenças relacionadas a quadros de carência como desnutrição, anemias e deficiências de vitaminas e das doenças provocadas pelo excesso de alimentos como sobrepeso, obesidade, diabetes, hipertensão arterial.
Essa apostila tem por objetivo, fortalecer a implementação de atividades de promoção da qualidade de vida não apenas sobre aspectos mais imediatos e urgentes relacionados com a adoção de estilo de vida saudável, mas também traçar um quadro das possibilidades de intervenções aplicáveis na escola que tenham repercussões positivas para a saúde das pessoas ao longo da vida. Fato que se mostra a cada dia mais evidente é o descuido com os aspectos relacionados à postura corporal em vários segmentos das nossas atividades diárias. Sabe-se que o principal fator que origina os processos dolorosos e restritivos do sistema locomotor decorre da manutenção de posturas inadequadas, hábito este estabelecido na idade escolar , em especial no que respeita às posturas adotadas na posição sentado ou no transporte de cargas como as mochilas escolares.
O estilo de vida sedentário associado à pouca orientação sobre as posturas mais apropriadas para a execução das atividades da vida diária têm levado à instalação de variados processos álgicos na vida adulta com repercussões negativas sobre a qualidade de vida. No entanto, as medidas educacionais hoje conhecidas poderiam ser amplamente difundidas e aplicadas pelos professores da área de educação física atingindo, especialmente, as crianças no início de sua vida escolar.
Outros agravos músculo-esqueléticos também presentes na escola são relacionados com o estresse pelo qual passam os professores, tendo em conta as inúmeras pressões emocionais e físicas às quais são submetidos, seja pela rotina do ensino, as repercussões psicológicas do assédio moral e mesmo da própria inadequação organizacional das instituições, aspecto este bastante presente nos setores públicos prestadores de serviços.
Os trabalhadores escolares como professores, merendeiras e faxineiras, convivem com agravos da saúde durante anos, os quais resultam na instalação de doenças músculo-esqueléticas e mentais, que podem ser relacionadas com as condições ambientais enfrentadas por esses trabalhadores, destacando-se o barulho dos alunos nos corredores ou da rua, a iluminação da sala de aula, a exposição ao sofrimento e cuidados com indivíduos e a necessidade de assumir, muitas vezes, uma posição de “mãe” ou “pai”, a concentração mental e atenção despendidas com o preparo e desenvolvimento das aulas, o acúmulo de trabalho em turnos seguidos sem tempo para o descanso necessário, com refeições prejudicadas e sem tempo para o lazer. Desta forma cresce a necessidade de implantação de programas para a promoção de saúde e melhoria da qualidade de vida em ambientes de trabalho como este. A possibilidade de intervenção mais aplicada nos dias atuais é a atividade física, pois, por meio dela, os funcionários podem recuperar sua energia, relaxar e minimizar seus problemas de saúde. Propõe-se a prática de atividades físicas organizada pelos próprios professores de educação física, principalmente através da ginástica laboral e o gerenciamento de estresse, através de práticas corporais.
Aspecto também evidenciado neste livro levanta os dados bastante preocupantes sobre o uso de drogas, em especial o álcool, as anfetaminas e o tabaco, por crianças e adolescentes, cresce constantemente. O uso do álcool atinge indivíduos em plena fase produtiva da vida e vem sendo relacionado com baixa da produtividade no trabalho, aumento dos acidentes de trabalho e absenteísmo, sem contar os malefícios para a saúde física e mental do usuário. O consumo do álcool pelos jovens aparece nas estatísticas de 50% dos suicídios e com 80% a 90% dos acidentes automobilísticos na faixa dos 16 aos 20 anos. As bebidas alcoólicas e o tabaco (cigarro), consideradas por nossa sociedade drogas lícitas, chegam às escolas com facilidade. A repercussão do uso do álcool sobre a saúde e a qualidade de vida na adolescência é relacionado com comportamento agressivo e inapropriado, queda do rendimento escolar, irritabilidade, afiliação com pares que apresentam comportamentos desviantes além da percepção de que na escola, entre os pares e na comunidade, existe aprovação do comportamento de uso de drogas. Pesquisa realizada em 2006 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre drogas psicotrópicas, com 48 mil estudantes de 5ª série ao ensino médio, comprovou que dois em cada três jovens já beberam até os 12 anos de idade, e um em cada quatro já experimentou cigarros. Os percentuais observados sobre as drogas mais utilizadas por estudantes atingem níveis preocupantes, entre eles, o uso do álcool por 65,2% dos alunos, tabaco 24,9%, solventes 15,5% maconha 5,9%, ansiolíticos 4,1%, anfetaminas 3,7% e a cocaína 2,0%.
“V levantamento nacional sobre o consumo de drogas psicotrópicas entre estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino nas 27 capitais brasileiras”, realizado em 2004 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), 65,2% dos estudantes relataram uso na vida de álcool; 44,3% nos últimos 30 dias; 11,7% uso freqüente; e 6,7% uso pesado. Quanto ao uso na vida de drogas psicotrópicas, considerando a diferença entre os sexos, os indivíduos do sexo masculino ingerem mais drogas, como a cocaína, a maconha e o álcool; já o feminino, os medicamentos, como os anfetamínicos anorexígenos moderadores de apetite e os ansiolíticos tranquilizantes.
Possibilidades de intervenção na promoção da qualidade de vida:
São inúmeras as possibilidades de intervenções visto o imenso arsenal de recursos e estratégias que o professor de educação física dispõe e domina. Um interessante exemplo foi desenvolvido recentemente em convênio entre a UNICAMP e a Prefeitura Municipal de Vinhedo em programa de incentivo e promoção de uma vida mais ativa associado à orientação de práticas alimentares saudáveis (BOCCALETTO e VILARTA, 2007). Programas dessa natureza devem estimular, dentre outras ações, a garantia do acesso à educação física realizada por professores graduados para todos os níveis escolares, realizar uma avaliação regular dos níveis de aptidão física relacionados com a saúde em escolares, incentivar a adoção de uma vida ativa entre crianças e jovens com a realização de aulas de educação física agradáveis além de práticas de caráter informativo em promoção da saúde vinculadas a ações educativas mediadas pelo professor de educação física e seus alunos. Sugere-se que o professor de educação física realize um diagnóstico das principais demandas em saúde, atividade física e práticas ali mentares e, a partir de dados reais, recomende atividades mais adequadas à comunidade escolar. Segue-se ao final do programa a avaliação dos resultados de sua ação educativa, tendo por finalidade corrigir os equívocos e redirecionar as medidas adotadas e informações oferecidas.
2 Estratégias para o Desenvolvimento de Habilidades para uma vida Saudável:
Segundo ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD, a Promoção da Saúde ocorre através de medidas sociais e políticas globais que propiciam, aos indivíduos e coletividades, um maior controle sobre os fatores que determinam o processo saúde/doença. Nessa perspectiva a saúde é encarada como um direito humano fundamental e um dos pilares necessários para que o indivíduo e a comunidade possam realizar de forma plena seus projetos de vida.
Dentre as estratégias para a Promoção da Saúde propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) encontra-se o modelo “Escolas Promotoras da Saúde” que tem por finalidade a aplicação, no âmbito escolar, dos princípios e métodos estabelecidos nas Conferências Internacionais de Promoção da Saúde.
Aida ressalta que a OPAS na América Latina e Caribe recomenda a implantação desta estratégia de promoção da saúde de forma articulada e sinérgica entre escola, comunidade e poder público, visando: o desenvolvimento de políticas públicas saudáveis e sustentáveis; a educação para a saúde incluindo o componente de habilidades e competências para a vida; a criação e manutenção de ambientes saudáveis e serviços de saúde escolar, alimentação saudável e vida ativa.
O Center for Disease Control and Prevetion (2000) em seu Indicador de Saúde Escolar e a OPAS (2006) através dos Anais da IV Reunião da Rede Latino-americana de Escolas Promotoras da Saúde – Relatórios dos Comitês de Trabalho – indicam os principais conceitos para a elaboração de critérios e procedimentos para a certificação das Escolas Promotoras da Saúde, descritos a seguir:
- Ambientes Saudáveis
• Apresenta ambiente de respeito à diversidade, acolhedor, que desenvolve a auto-estima, o sentido de pertinência, a participação, o “empoderamento” e cultura democrática na comunidade;
• Desenvolve equidade entre os gêneros e relações não discriminatórias;
• Permite gestão escolar participativa e condições adequadas de trabalho
• Apresenta ambiente livre de álcool, tabaco, drogas, abuso, exploração sexual e violência;
• Proporciona higiene escolar através do acesso à água potável, coleta seletiva de lixo e esgoto;
• Apresenta infra-estrutura adequada às necessidades especiais e às necessidades pedagógicas;
• Desenvolve ambiente favorável à aprendizagem;
• Cria e mantém áreas destinadas para a atividade física e recreação.
- Serviços de Saúde, Alimentação e Nutrição Escolar
• Realiza coordenação e planejamento em colaboração com os serviços de saúde;
• Facilita o acesso aos serviços de prevenção e atenção em saúde;
• Desenvolve equipamentos e materiais de informação de acordo com as demandas;
• Implanta sistema de referência e contra-referência;
• Apresenta infra-estrutura e equipamentos adequados para a cozinha, cantina e refeitório;
• Apresenta condições e medidas higiênicas nas situações de preparo e consumo de alimentos;
• Facilita a incorporação de uma dieta saudável e equilibrada;
• Regulamenta a oferta de alimentos vendidos dentro e no entorno mais próximo da escola;
• Implanta programas de hortas escolares;
• Proporciona a alimentação em espaços que valorizam a relação saudável e a educação.
- Participação Comunitária
• Desenvolve programas articulados e contextualizados com a comunidade local;
• Possibilita espaços de participação: estudantes, familiares, docentes, funcionários e demais membros da comunidade;
• Estimula a utilização criativa do tempo livre e apóia as organizações relacionadas com a infância e adolescência;
• Proporciona atividades integradoras para crianças e adolescentes não diretamente assistidos pela escola;
• Elabora plano de prevenção e manejo de emergências e desastres integrados ao plano geral da comunidade;
- Educação para a Saúde
• Adequada para todas as séries e com o uso de estratégias de aprendizagem ativas e técnicas motivacionais;
• Elabora currículo seqüencial e culturalmente adequado, abrangendo temas relacionados com a atividade física, a alimentação, doenças crônicas, hábitos posturais, crescimento e desenvolvimento, prevenção do uso de drogas lícitas e ilícitas, violência doméstica e urbana, meio ambiente sustentável, cidadania, entre outros;
• Elabora currículo consistente com os Padrões Curriculares Nacionais (PCN) em Educação Física e Temas Transversais: Saúde, Meio ambiente;
• Desenvolve tópicos essenciais relacionados com a atividade física e a alimentação saudável;
• Elabora atividades que desenvolvem as habilidades necessárias para a adoção de comportamentos saudáveis;
• Elabora tarefas que encorajam e promovem a interação entre os estudantes e familiares;
• Oferece oportunidades de educação continuada para os professores e funcionários.
3 Propostas de ações práticas relacionadas com Educação Física:
Conforme prescrito por CENTER FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, o O professor de educação física tem papel importante na promoção da saúde dos escolares e comunidade envolvida com a escola. Dentre os principais aspectos que poderá abordar com a comunidade escolar está o incentivo e promoção de uma vida mais ativa e práticas alimentares saudáveis.
Aspectos Gerais:
Para tais ações de intervenção há a necessidade de se garantir o acesso à educação física realizada por professores graduados, em todos os níveis escolares, com freqüência e currículo escolar adequados para cada ciclo, respeitando os PCN e as características próprias de cada região, bem como, incentivar a educação continuada dos profissionais da área.
Há a necessidade de se realizar uma avaliação regular dos níveis de aptidão física relacionados com a saúde em todos os escolares, garantir padrões mínimos de segurança para a realização da educação física quanto a instalações, equipamentos, vestuário, técnicas e práticas apropriadas bem como o acesso aos estudantes que necessitam de cuidados especiais em saúde.
Outras medidas que visam incentivar a adoção de uma vida ativa entre crianças e jovens é a realização de aulas de educação física agradáveis, com a maior parte do tempo em atividades de intensidade moderadas a vigorosas e a participação de todos os alunos, dos mais aos menos aptos, evitando a exclusão e discriminação. Não utilizar o acesso às aulas de educação física como medida punitiva.
Ainda ressalta que as práticas de caráter informativo em promoção da saúde devem ser vinculadas a ações educativas, mediadas pelo professor de educação física e seus alunos, através de práticas coletivas, workshops, palestras, tarefas para casa, cartazes, boletins, folhetos e demais meios de comunicação disponíveis na comunidade.
O professor de educação física, a partir de um diagnóstico da comunidade encontrará as principais demandas em saúde, atividade física e práticas alimentares podendo assim propor recomendações mais adequadas à sua população. Também poderá avaliar os resultados de sua ação educativa com a finalidade de corrigir os equívocos e redirecionar as medidas adotadas e informações oferecidas.
4 Práticas sugeridas para comunidade escolar:
Em concordância com GOMES, SIQUEIRA e SCHIERI, estima-se que pequenos aumentos nos níveis de atividade física em populações sedentárias poderiam causar um impacto significante na redução de doenças crônicas. No entanto, embora a importância da atividade física na manutenção da saúde seja bem aceita, os níveis dessas têm reduzido nas sociedades modernas, especialmente quando são consideradas as diferenças socioeconômicas.
De acordo com Nahas (2001) um indivíduo pode ser considerado sedentário quando adota um mínimo de atividade física que equivale a um gasto energético com atividades no trabalho, lazer, atividades domésticas e locomoção inferior a 500 Kcal por semana. Portanto, estimular a realização de atividades da vida cotidiana, como caminhar, subir escadas, dentre outras, além da participação e envolvimento em atividades físicas, dentre elas o exercício físico e o lazer ativo deve ser estimulado e orientado na Escola Promotora da Saúde a toda a comunidade.
Recomendações para a prática segura e regular devem ser disponibilizadas por meios acessíveis para auxiliar no aumento da atividade física da população e redução do sedentarismo. Dentre as principais recomendações direcionadas à comunidade escolar destacamos a possibilidade de se confeccionar cartazes, informes, comunicados, faixas, pôsteres e folhetos apresentando comunicações breves. Confira alguns exemplos a seguir:
“Faça uma avaliação médica e pergunte ao seu médico se sua pressão arterial está controlada e se você pode começar a se exercitar”
“Se indicado, faça um teste ergométrico: esteira ou bicicleta, medindo a pressão arterial e a frequência cardíaca. Peça orientação a seu médico e procure um professor de educação física para saber a melhor forma de fazer exercício”.
“Não obrigue seu corpo a grandes e insuportáveis esforços. Quem não está acostumado a fazer exercícios e resolve ‘ficar em forma’ de uma hora para outra prejudica a saúde. Vá com calma”.
“Os exercícios dinâmicos: andar, pedalar, nadar e dançar são os mais indicados para quem tem pressão alta, porém, devem ser feitos de forma constante, sob supervisão periódica e com aumento gradual das atividades”.
“Os exercícios estáticos: levantamento de peso ou musculação devem ser evitados, porque provocam aumento repentino da pressão arterial”.
“A intensidade dos exercícios deve ser de leve a moderada e freqüência de pelo menos 30 minutos por dia, três vezes por semana. Se puder, caminhe diariamente. Se não puder cumprir todo o tempo do exercício em um só turno, faça-o em dois ou mais turnos”.
“Ao realizar exercícios, contente-se com um progresso físico lento, sem precipitações e com acompanhamento médico. Procure uma atividade física que lhe dê prazer”.
Medidas sugeridas para a comunidade escolar em promoção da alimentação saudável:
Uma alimentação saudável deve ser baseada em práticas alimentares assumindo a significação social e cultural dos alimentos como fundamento básico conceitual. A alimentação se dá em função do consumo de alimentos e não somente de seus nutrientes, eles trazem significações culturais, comportamentais e afetivas, muitas vezes esquecidas.
A promoção de práticas alimentares adequadas se inicia com o incentivo ao aleitamento materno e está inserida no contexto da adoção de hábitos de vida saudáveis. A escola é considerada local propício para se desenvolver estratégias para uma alimentação saudável e para o incentivo da prática da atividade física.
O Ministério da Saúde desenvolveu os dez passos para a promoção da alimentação saudável na escola:
1º passo: A escola deve definir estratégias, em conjunto com a comunidade escolar, para favorecer escolhas saudáveis.
2° Passo: Reforçar a abordagem da promoção da saúde e da alimentação saudável nas atividades curriculares da escola.
3° Passo: Desenvolver estratégias de informação às famílias dos alunos para a promoção da alimentação saudável no ambiente escolar, enfatizando sua co-responsabilidade e a importância de sua participação neste processo.
4° Passo: Sensibilizar e capacitar os profissionais envolvidos com alimentação na escola para produzir e oferecer alimentos mais saudáveis, adequando os locais de produção e fornecimento de refeições às boas práticas para serviços de alimentação e garantindo a oferta de água potável.
5° Passo: Restringir a oferta, a promoção comercial e a venda de alimentos ricos em gorduras, açúcares e sal. 6° Passo – Desenvolver opções de alimentos e refeições saudáveis na escola.
7° Passo: Aumentar a oferta e promover o consumo de frutas, legumes e verduras, com ênfase nos alimentos regionais.
8º Passo: Auxiliar os serviços de alimentação da escola na divulgação de opções saudáveis por meio de estratégias que estimulem essas escolhas.
9° Passo: Divulgar a experiência da alimentação saudável para outras escolas, trocando informações e vivências.
10° Passo: Desenvolver um programa contínuo de promoção de hábitos alimentares saudáveis, considerando o monitoramento do estado nutricional dos escolares, com ênfase em ações de diagnóstico, prevenção e controle dos distúrbios nutricionais.
As medidas e ações aqui sugeridas não se esgotam em si mesmas. São sugestões iniciais para que o professor de educação física, em sua intervenção no espaço escolar, possa ter a dimensão da importância de suas ações para a promoção da atividade física, qualidade de vida e saúde. Devem servir como um incentivo à pesquisa de temas e planejamento de ações que sejam prioridades para a comunidade assistida.