Educação Física na educação infantil de acordo com a BNCC

Fundamentos Metodológicos de Educação Física

1 O profissional de educação Física:

 

A Educação Fisíca é um dos componentes curriculares obrigatórios da Educação Básica, que abrange todos os níveis e modalidades, e precisa abordar os conhecimentos científicos, pedagógicos e técnicos acerca da atividade física.

O profissional de Educação Física é especialista na motricidade humana, atendendo às expressões do movimento corporal conforme os aspectos sociais, históricos e culturais da sociedade. Em relação às atividades físicas, sua função é: diagnosticar, definir procedimentos, ministrar, orientar, desenvolver, identificar, planejar, coordenar, supervisionar, lecionar, assessorar, organizar, dirigir e avaliar.

Sua atuação envolve intervenções fundamentada em diagnósticos feitos por métodos e técnicas específicas, como consultas, avaliações, orientações e prescrições de atividades físicas. Tem como finalidade abordar a educação sobre a prática de exercícios físicos, a recreação por meio dela, o treinamento desportivo e a melhoria da saúde através da realização de atividades físicas.

O ensino em Educação Física tem a função de intervir da seguinte maneira, segundo o CONFEF:

“Identificar, planejar, programar, organizar, dirigir, coordenar, supervisionar, desenvolver, avaliar e lecionar os conteúdos do componente curricular/disciplina Educação Física, na Educação Infantil, no Ensino Fundamental, Médio e Superior, e nas atividades de natureza técnico-pedagógicas (Ensino, Pesquisa e Extensão), no campo das disciplinas de formação técnico-profissional no Ensino Superior, objetivando a formação profissional”.

 

Educação Física na BNCC:

 

Conforme a BNCC, a Educação Física aborda a expressão dos alunos por meio das práticas corporais, que propiciam experiências sociais, estéticas, emotivas e lúdicas, fundamentais para a Educação Básica. É um dos componentes curriculares e uma das competências cruciais para o Ensino Fundamental.

Como área de conhecimento, se enquadra na área das Linguagens, junto com Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Artes, pois concede ao aluno o acesso ao conhecimento, sentido e significado das manifestações da cultura corporal de movimento, sendo as práticas corporais  textos culturais passíveis de leitura e produção.

Enquanto disciplina escolar, deve abordar as práticas corporais conforme as diferentes formas de expressão social, visto que o movimento humano caracteriza aspectos culturais.

As aulas devem propiciar aos alunos a construção de um conjunto de conhecimentos sobre seus movimentos, de modo a desenvolver autonomia sobre a cultura corporal de movimento, para o cuidado de si e dos outros. Sendo assim, são capazes de atuar de forma autônoma e confiante na sociedade, por meio das diversas finalidades humanas que envolvem o corpo em movimento.

A Educação Física tem um diferencial importante das outras áreas de conhecimento, ela vai além e proporciona experiências mais amplas que envolvem cultura, lazer e saúde, não se limita à racionalidade científica que costuma orientar as práticas pedagógicas.

As práticas corporais têm três elementos fundamentais:

  • Movimento corporal: como elemento essencial.
  • Organização interna: com uma lógica específica, de graus variados.
  • Produto cultural: relacionado ao lazer, entretenimento, cuidado e saúde do corpo.

 

Educação Infantil:

 

Apesar de não serem definidos como Educação Física, a BNCC aponta aprendizados fundamentais associados ao corpo na educação de crianças entre 0 e 5 anos e 11 meses de idade. Veja a seguir alguns desses pontos:

 

Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) devem aprender a:

 

  • Perceber as possibilidades e os limites de seu corpo nas brincadeiras e interações das quais participam;
  • Movimentar as partes do corpo para exprimir corporalmente emoções, necessidades e desejos;
  • Imitar gestos e movimentos de outras crianças, adultos e animais;
  • Utilizar os movimentos de preensão, encaixe e lançamento, ampliando possibilidades de manuseio de diferentes objetos;
  • Vivenciar diferentes ritmos, velocidades e fluxos nas interações e brincadeiras (em danças, balanços, escorregadores etc.).

 

Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) devem aprender a:

 

  • Deslocar seu corpo no espaço, orientando-se por noções como em frente, atrás, no alto, embaixo, dentro, fora etc., ao se envolver em brincadeiras e atividades de diferentes naturezas;
  • Explorar formas de deslocamento no espaço (pular, saltar, dançar), combinando movimentos e seguindo orientações;
  • Desenvolver progressivamente as habilidades manuais, adquirindo controle para desenhar, pintar, rasgar, folhear, entre outros.

 

Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) devem aprender a:

 

  • Demonstrar valorização das características de seu corpo e respeitar as características dos outros (crianças e adultos) com os quais convivem;
  • Criar com o corpo formas diversificadas de expressão de sentimentos, sensações e emoções, tanto nas situações do cotidiano quanto em brincadeiras, dança, teatro, música;
  • Criar movimentos, gestos, olhares e mímicas em brincadeiras, jogos e atividades artísticas como dança, teatro e música.

 

2 A importância das atividades físicas na escola:

 

É importante ressaltar a relevância de atividades físicas dentro do âmbito escolar para trabalhar a parte integral do indivíduo. Afinal movimentar faz bem tanto para a nossa saúde física quanto mental, além de auxiliar nos estudos.

Isso é o que mostra a pesquisa feita pela Universidade de Illinois, nos EUA, com crianças por volta dos nove anos de idade, que se saíram melhor em testes de matemática e escrita em comparação com outras crianças que não se exercitavam.

“As aulas de Educação Física na escola são fundamentais para que a criança desenvolva sua coordenação motora, que contribuirá para a alfabetização, assim como para seu desenvolvimento cognitivo e social”, explica Jorge, presidente do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF).

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), pode-se definir atividade física como toda prática que envolva trabalho muscular voluntário e produza gasto de energia,  incluindo atividades físicas praticadas durante o trabalho, jogos, execução de tarefas domésticas, viagens e em atividades de lazer.

O termo "atividade física" não deve ser confundido com "exercício", que é uma subcategoria da atividade física que é planejada, estruturada, repetitiva e tem como finalidade melhorar ou manter um ou mais componentes do condicionamento físico.

Vejamos agora alguma das vantagens a serem obtidas pelo alunos ao praticarem atividades físicas:

  • reduz riscos relacionados ao sedentarismo;
  • melhora da postura;
  • aumento da coordenação motora;
  • diminuição da ansiedade;
  • redução de tensões físicas e psicológicas;
  • elevação da capacidade de concentração;
  • melhora do rendimento escolar.

Portanto, é importante que a escola também foque nos estímulos às atividades físicas inserido- as em suas práticas pedagógicas.

Estudos recentes apontam que praticar exercícios regularmente ajuda a pensar com mais clareza, melhora o desempenho da memória e promove maior concentração.

Isto é, exercitar o corpo ajuda as crianças e adolescentes a alcançarem os objetivos em sala de aula. Além disso, ao habituar-se às atividades físicas vai fazer com que as crianças e jovens adquirem o hábito de se movimentar. Isso pode funcionar como ponto de partida para uma vida adulta ativa e, consequentemente, saudável.

 

A escola e o estímulo a atividades físicas:

 

A escola ocupa uma posição central na formação do aluno-cidadão, com função destacada quando se refere ao estímulo a atividades físicas. É dever da escola proporcionar condições adequadas para as aulas práticas de Educação Física, considerando a total relevância dessa disciplina.

E para que isso ocorra a gestão escolar deve levar em conta o espaço físico destinado às aulas da disciplina e às condições do material pedagógico necessário as aulas. Dessa forma, a gestão da escola conseguirá identificar quais as necessidades de recursos que a disciplina demanda para atingir suas metas, promovendo meios para a consolidação de um ambiente propício as aulas.

Obs: Devemos lembrar que a gestão escolar deve engajar toda a comunidade escolar em suas tomadas de decisões, visando por um melhor ensino e aprendizagem dentro do contexto escolar além de fortalecer a união dentre todos os envolvidos na educação. Fazendo com que todos principalmente a família valorizem as práticas ocorridas na escola.

 

Estimulando os alunos a praticar exercícios físicos:

 

Antigamente era comum a criança sair à rua, correr, interagir com amiguinhos, agora, isso é raro. Cada vez mais a TV e os jogos eletrônicos ganham o espaço das brincadeiras infantis, e tais atividades implicam em ficar horas sentado na cadeira.

Isto é, no dia a dia do estudante, a motivação para movimentar o corpo fica reduzida a quase zero. Essa realidade vai com ele à escola, chegando inclusive na aula de Educação Física.

Tendo em vista o objetivo maior de melhorar a qualidade de vida do aluno através das práticas físicas, na escola devem não somente nas aulas de Educação Física, mas em todas as oportunidades que surgirem serem desenvolvidas diferentes atividades lúdicas e recreativas.

E para ajudar a estimular os alunos a praticarem exercícios físicos, trouxemos algumas sugestões de atividades:

Para o sucesso dessa tarefa, é primordial colocar em primeiro lugar o bem-estar da criança ou adolescente, considerar suas aptidões e limites, a fim de estimulá-lo, com atividades visando à inclusão, sem foco na competitividade, é eficaz para que todos se sintam igualmente capazes e participativos.

 

1. Cabeçobol

 

A bola de vôlei é o material desse jogo, que consiste em uma partida onde todos participam. A principal regra do jogo é só marcar gol com a cabeça, a bola circula de mão em mão e quem está com ela fica impedido de andar.

 

 

2. Queimada ameba

 

Coloca-se em jogo uma bola leve, é escolhido um espaço e os alunos se espalham por ele. O primeiro a ficar com a bola vai tentar “queimar” os colegas, encostando a bola de leve neles. Aquele que for pego fica sentado, imobilizado, virando uma “ameba”. Esse jogador tem dois jeitos de voltar à partida: tocando em outro jogador (que passa a tomar o seu lugar) ou pegando novamente a bola. A ameba pode sair do lugar, desde que se movimente como um caranguejo (de bruços, apoiada sobre os braços e as pernas).

 

 

3. Corrida em massa

 

O grupo é dividido em 4 equipes, cada uma colocada em um dos cantos da quadra. À largada, o primeiro integrante de cada equipe vai dar a volta na quadra, ao chegar ao canto onde está sua equipe dá a mão a um companheiro e correm juntos, indo buscar um por um dos demais membros.

 

O estímulo a atividades físicas na escola atinge objetivos pedagógicos e vai além, uma vez que seu resultado tem reflexos até mesmo na idade adulta do estudante. Portanto, encorajar professores e pais a incentivarem jogos, brincadeiras e exercícios é maneira eficiente da gestão escolar contribuir para a saúde física e mental dos estudantes da Educação Básica.

 

3 Psicomotricidade na Educação Infantil:

 

O conceito de psicomotricidade infantil muitas vezes é relacionado apenas ao movimento do corpo, mas ele vai muito além disso. A psicomotricidade envolve questões de raciocínio e emoção da criança, sendo também uma base essencial para o seu desenvolvimento integral. Quando as habilidades psicomotoras das crianças estão bem desenvolvidas, o processo geral de aprendizado tende a ser mais facilitado.

Mas afinal, o que é a psicomotricidade infantil?

Psicomotricidade é uma ciência que abrange conceitos psicológicos, psiquiátricos, psicossomáticos, psicolinguísticos e sociológicos.

Segundo a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, essa designação abarca o entendimento de movimento organizado e integrado, em razão das experiências vivenciadas pela pessoa tal ação resulta de sua individualidade, linguagem e socialização.

Ou seja, trata-se de uma ciência que agrega um olhar holístico às influências e relações entre o psiquismo e a motricidade. Se dedica ao estudo do ser humano através de seu movimento e sua relação com outras questões internas e externas, entendendo que nosso corpo é a origem da aquisição de habilidades cognitivas, afetivas e orgânicas.

Em resumo, podemos dizer que é a ciência que engloba a relação existente entre pensamento, emoção e ação.

A psicomotricidade infantil nesse contexto, é uma subdivisão dessa ciência que, especificamente, tem como finalidade de estudo como se dão essas relações em crianças. 

Nas crianças ocorre por meio de práticas educativas dos gestos espontâneos e das atitudes corporais, o que colabora para a formação de sua personalidade, da consciência de seu corpo, dentre outros. Além disso, seu desenvolvimento ajuda a criança a se situar no espaço e a ter mais coordenação racional de seus movimentos.

A psicomotricidade entende o movimento como algo intencional e significativo, uma manifestação humana de expressão própria. Assim, podemos entender a psicomotricidade infantil como um suporte para a criança adquirir consciência de si própria, de seu corpo e do espaço que ocupa no mundo. 

Por esse motivo, na educação infantil a psicomotricidade vem sendo trabalhada e estimulada. Uma educação psicomotora tem a capacidade de ser um fundamento essencial para garantir que as crianças tenham um desenvolvimento funcional conforme suas possibilidades, além de ajudar sua afetividade e fazer essa troca entre si mesma e o ambiente humano.

 

A psicomotricidade e o desenvolvimento da criança:

 

A psicomotricidade está fortemente ligada ao desenvolvimento infantil, especialmente quando consideramos o corpo como instrumento de aquisição cognitiva.

Ela auxilia a trabalhar a parte afetiva, intelectual e motora da criança, o que ajuda a um desenvolvimento muito mais completo e assertivo.

Principalmente nos cinco primeiros anos de vida da criança, devem ser estimuladas as habilidades psicomotoras, sendo um momento mais importante para aquisições físicas, emocionais e intelectuais.

Portanto, é fundamental que a escola insira a psicomotricidade nos planejamentos das aulas e das atividades na Educação Infantil. Assim, as crianças irão começar a elaborar e a compreender melhor seus movimentos, a noção de espaço e de seu próprio corpo, além do mais irá desenvolver com mais facilidade noções como respeito ao próximo e ao ambiente em que vive.

Quando deixada de lado essa questão, pode acontecer da criança não se desenvolver bem em determinado ponto. Como por exemplo, quando não é bem trabalhada a lateralidade, pode causar problemas de percepção espacial e do uso certo de termos como direita e esquerda. E até mesmo acarretar dificuldade da criança em acompanhar a direção de leitura e escrita ou de diferenciar “b”, “d”, “p” e “q”.

Desse modo, vimos que na Educação Infantil é importante que a criança tenha contato com atividades de movimento, jogos, brincadeiras e tarefas em grupo. Sendo muito mais que simples momentos lúdicos, são oportunidades de desenvolver uma série de habilidades e de consolidar o aprendizado, através de ações práticas.

 

Conheça as áreas psicomotoras:

 

  • Esquema Corporal: Refere a conscientização sobre seu corpo, suas partes constitutivas e suas possibilidades de movimento no espaço. É uma área fundamental para o desenvolvimento da personalidade da criança.

 

  • Imagem Corporal: Trata de uma importante área para o desenvolvimento do esquema corporal. Reflete a representação subconsciente que a criança tem de seu próprio corpo.

 

 

  • Tônus muscular: Essa área apresenta ligação direta com a fisiologia: em linhas gerais, refere-se à tensão fisiológica dos músculos que propicia equilíbrio estático e dinâmico, coordenação e postura à criança – esteja ela em repouso ou em movimento.

 

 

  • Organização espaço-temporal: A criança deve ter noções básicas de tempo e espaço para que essa área seja alcançada, tais como o que é perto ou longe, em cima e embaixo, o que está ao lado do que, etc. Assim sendo, essa área apresenta ligação da capacidade da criança de se orientar e de se movimentar em um ambiente e em determinado espaço de tempo. Por exemplo: Conseguir correr em dado ritmo, bater palmas em sincronia, entre outras.

 

 

  • Ritmo: Essa área tem relação com à realização ordenada de determinado movimento. O ritmo depende da preexistência da noção de organização espaço-temporal.

 

 

  • Coordenação motora global ou motricidade ampla: Nessa área a criança consegue ao mesmo tempo utilizar vários grupos musculares para realizar movimentos mais complexos e voluntários. Por exemplo, ao caminhar, se movimentam juntamente tanto os músculos inferiores quanto os superiores.

 

 

  • Coordenação motora fina ou motricidade fina: Essa área se define pela capacidade da criança de efetuar movimentos coordenados mais refinados ou detalhistas utilizando os grupos musculares das extremidades- conhecidos como movimentos de precisão. Por exemplo, escrever, encaixar peças ou cortar um papel com a tesoura.

 

 

  • Lateralidade: Basicamente essa área da psicomotricidade, representa a habilidade em utilizar ambos os lados do corpo para executar simples tarefas como, por exemplo, fechar a porta. Desse modo, quando a criança estiver com uma mão ocupada, ela deve conseguir realizar ações com a outra mão. Além disso, deve ser estimulado na criança a descoberta e o aperfeiçoamento do seu lado de dominância – resumindo, se ela é destra ou canhota.

 

 

  • Equilíbrio: Refere a capacidade da criança de se manter firme em uma base reduzida, parada ou em movimento – isto é, o equilíbrio pode ser estático ou dinâmico. Essa habilidade depende do sistema plantar e labiríntico.

 

Sugestões de como estimular a psicomotricidade infantil

 

  • Crie um ambiente afetivo saudável para a criança;
  • Estimule o brincar;
  • Incentive a prática de atividades físicas.