Introdução á Gestão pública
Administração Pública
1 Gestor público
Antes de falarmos sobre os conhecimentos, as atitudes e as competências esperadas para o perfil daqueles que assumem a tarefa da gestão pública, é necessário saber definir quem é o gestor público.
O conceito de gestor público já é definido pela própria ação que exerce. Esse profissional é aquele que administra, atua e tem responsabilidade direta com o patrimônio público pelo qual se deve zelar e prestar contas à sociedade.
Tendo essa perspectiva, pode-se falar que o gestor público é aquele designado, eleito ou nomeado formalmente, conforme previsto em regulamentos específicos (leis) para exercer a administração de órgão ou entidade integrante da administração pública.
O perfil do gestor público
O gestor público não age como “dono” da instituição ou como aquele que pode fazer o que lhe pareça mais cômodo, de acordo com sua vontade pessoal. Na administração pública, só é permitido fazer o que a lei autoriza.
Como a atuação do gestor público é voltada para a prestação do serviço público, seus objetivos e sua representação devem estar voltados aos interesses sociais à qualidade do serviço que está prestando.
As atribuições do gestor público
Podemos falar que as atribuições de um gestor público são definidas basicamente por leis e documentos regulatórios específicos do órgão ou da entidade por ele administrados. Mas, existem atribuições que se estendem a todos os gestores que desempenham funções e, organizações públicas. Essas atribuições tem bases em normas e princípios, que se revelam inerentes à própria atividade desempenhada pelo gestor público, a saber:
- Prestar contas de sua gestão a partir de prazos definidos em regulamento próprio.
- Realizar o acompanhamento e o controle, em termos físicos e financeiros, da execução do orçamento e dos programas de trabalho.
- Responsabilizar-se por uma gestão fiscal que assegure o equilíbrio das contas.
- Zelar pelos bens, direitos e valores de propriedade da organização ao qual está inserido.
- Autorizar a celebração de contratos e convênios, atendendo aos interesses e às finalidades da organização ao qual está inserido.
- Realizar a gestão de pessoas, priorizando a formação continuada e a valorização dos profissionais quanto ao desempenho de suas funções dentro das organizações.
Vale lembrar que o trabalho do gestor público tenha que estar amparado em bases legais, que de certa forma contribuem para colocar em práticas as ações que exerce.
Princípios e fundamentos para o perfil do gestor público
Em primeiro lugar, é importante observar que não são somente as experiências profissionais ou a formação acadêmica que definem o perfil de um gestor público, apesar de serem elementos importantes. Para além das experiências profissionais, o perfil de um gestor se constrói a partirde alguns princípios e fundamentos, dentre os quais destacam-se: o conhecimento, as atitudes, a cidadania e a conduta ética.
A liderança na gestão pública
Tomar iniciativa, coordenar uma ação e decidir pela equipe são ações comumente relacionadas à pessoa que se destaca em um determinado grupo e que exerce uma posição de maior responsabilidade nas tomadas de decisões. O profissional que atua e exerce essa posição é considerado líder ou aquele que exerce liderança sobre outras pessoas
É muito comum atribuir ao gestor o papel de líder, mas, na prática, nem sempre acontece de um gestor exercer de fato a liderança. Assim como a população espera que um gestor público assuma um papel de líder diante da sociedade, o mesmo ocorre com a comunidade escolar, que espera dos gestores escolares (diretores e diretores auxiliares) o exercício da liderança diante das ações que lhe são atribuídas.
De acordo com Luck (2008) a capacidade de liderança não é inata, porém se desenvolve num processo social a partir do entendimento de que se faz parte de uma equipe que compartilha de interesses e responsabilidades sociais em comum. Segundo a autora, a liderança corresponde a um conjunto de ações, atitudes e comportamentos assumidos por uma pessoa para influenciar o desempenho de alguém, visando a realização de objetivos organizacionais.
Para exercer a liderança, serão requeridas do gestor público ações e atitudes que competem à liderança, como, por exemplo, unir pessoas para realizarem uma determinada tarefa, alcançar um resultado esperado ou cumprir determinados objetivos.
Os termos liderança e gestão não podem ser compreendidos como sinônimos. Para os autores Oliveira, Sant’anna e Vaz (2010), parece ser mais comum que as competências dos líderes estejam vinculadas às habilidades e atitudes, enquanto que as competências requeridas aos gestores estão voltadas mais para o conhecimento técnico.
A partir de uma análise de um conjunto de entrevistas e da menção de vários atributos, alguns autores identificaram algumas compêtencias requeridas ao perfil de um líder público brasileiro. A seguir, algumas características desse profissional:
2 Visão sistêmica, competência técnica e capacidade inovadora
Pode-se afirmar que a visão sistêmica, a competência técnica e a capacidade inovadora são interdependentes e primordiais ao perfil de um gestor público. De certa maneira, a visão sistêmica colabora com o desenvolvimento da competência técnica que, por sua vez, possibilita o desenvolvimento de ações inovadoras.
A partir da competência técnica, o gestor público gerencia, coordena, organiza e acompanha as atividades que sua equipe exerce de modo adequado e com base em planejamentos.
A competência técnica é o conhecimento profundo no que se refere aos métodos, processos e procedimentos , das atividades desenvolvidas por sua equipe. Refere-se, também, à proatividade e autodomínio para resolução de problemas urgentes, confusos e complexos. Para isso, é preciso conhecimento específico da área em que atua, além de uma visão global sobre gerenciamento em organizações públicas.
Essa visão global é a visão sistêmica, ou seja, é a capacidade que o gestor público deve ter quanto à compreensão da dinâmica institucional, das relações políticas e sociais na qual a sua atividade está inserida, e de como os resultados dessas atividades impactam ou agregam valor à sociedade. No caso do diretor e do diretor auxiliar, ter uma visão sistêmica é compreender que a escola faz parte de um sistema maior, que pertence a uma rede e que responde a políticas públicas específicas.
É preciso, também, olhar ao redor da escola e compreender a comunidade na qual ela está inserida.
Algumas das atitudes esperadas do gestor público em relação à visão sistêmica são:
- Buscar, organizar e transmitir informações relevantes;
- Desenvolver percepção sobre as pessoas que trabalha;
- Saber lidar com a diversidade de opiniões;
- Receber críticas profissionais de forma construtiva;
- Valorizar, promover e reconhecer as contribuições de outras áreas;
- Agir com cidadania e responsabilidade.
Na gestão pública é fundamental tratar os assuntos com o máximo rigor técnico, cumprindo com os prazos estabelecidos e de acordo com a legislação vigente. Além disso, a competência técnica também significa exercer a função e executar as tarefas com qualidade, considerando os princípios de eficiência e eficácia.
Os princípios de eficiência e eficácia estão interligados. O primeiro tem mais relação com a otimização do tempo, estratégias e recursos utilizados para a realização de determinadas tarefas. A eficácia, por sua vez, está diretamente ligada aos resultados das ações planejadas e realizadas pelos gestores públicos, que são considerados eficazes quando conseguem obter bons resultados no desempenho de suas funções.
Algumas das atitudes esperadas do gestor público em relação à competência técnica são:
- Ser proativo (tem a ver com o comportamento e está relacionado ao ato de planejar e executar ideias e tarefas, na tentativa de evitar ou resolver possíveis problemas);
- Buscar aperfeiçoamento contínuo dos processos de trabalho e de sua equipe;
- Demonstrar segurança técnica e compartilhar seus conhecimentos;
- Realizar as atividades nos prazos estabelecidos;
- Realizar registros e organizar documentos concernentes a sua área de atuação;
- Articular teoria e prática, considerando uma visão integradora
Capacidade inovadora
Para além da competência técnica e da visão da sistêmica (da totalidade), há outro fator importante atribuído ao perfil do gestor público: a capacidade inovadora.
É fato que, com o passar do tempo, as organizações mudam, bem como as necessidades das pessoas, os processos e as tecnologias. A inovação, neste caso, não significa invenção ou descoberta de algo novo, mas, sobretudo, diz respeito à adoção de estratégias inovadoras que objetivam mudanças no exercício de sua função.
O gestor público que busca inovações em seu processo de trabalho deve impulsionar sua equipe a “aventurar-se” na busca de soluções ousadas e a buscar criatividade na execução das ações relacionadas aos processos de trabalho. Algumas das atitudes esperadas do gestor público em relação à capacidade inovadora são:
- Demonstrar ousadia;
- Estimular a criatividade individual;
- Ter capacidade de aprender com os próprios erros;
- Estar aberto a mudanças e inovações;
- Saber lidar com as resistências às mudanças;
- Buscar soluções para os problemas;
- Demonstrar habilidade para propor ideias.
Mediação de conflitos
Saber gerenciar pessoas e solucionar conflitos também são capacidades determinantes para o perfil de um gestor público. A gestão de pessoas é uma tarefa complexa, uma vez que cada um de nós possui características únicas e pessoais.
Gerenciar pessoas significa interagir com elas, considerando a história particular de cada um, seus gostos, vontades e emoções. Significa, também, saber conviver com estilos diferentes e saber mediar interesses, necessidades e expectativas diversas.
Pessoas e organizações são interdependentes. As pessoas dependem das organizações para sua subsistência e desenvolvimento profissional e, por outro lado, as organizações dependem das pessoas para atingirem seus objetivos e desenvolverem as ações com qualidade. Um grande desafio para qualquer gestor público é estabelecer uma separação entre o comportamento das pessoas e o das organizações, pois as organizações funcionam por meio das pessoas que, muitas vezes, decidem e agem em seu nome. Nesse sentido, é fundamental que os gestores públicos estabeleçam a forma como consideram as pessoas no contexto das organizações.
Pode-se definir a gestão de conflitos como a capacidade de prever ou de solucionar as tensões e os desacordos que comumente podem ocorrer no relacionamento entre as pessoas. É preciso identificar essas tensões e, ao mesmo tempo, trabalhar para impedir o crescimento do conflito.
Muitos gestores encaram os conflitos como algo construtivo e acabam tirando proveito das situações para aprender e superar desafios. O gestor público com competência para gerir pessoas e mediar conflitos, entre outras coisas, deve:
- Saber negociar;
- Saber ouvir;
- Saber comunicar;
- Criar uma atmosfera afetiva;
- Criar um ambiente de confiança; e
- Construir relações de cooperação.
Além das experiências profissionais, o perfil de um gestor se constrói a partir de alguns princípios e fundamentos, dentre os quais se destacam: o conhecimento, as atitudes, a cidadania e a conduta ética.
Além dos princípios e fundamentos já citados, existe, também, a liderança, que corresponde a um conjunto de ações, atitudes e comportamentos assumidos pelo gestor com o objetivo de influenciar o desempenho da equipe de trabalho, unir pessoas para realizarem uma determinada tarefa, bem como a realização de objetivos organizacionais.
Para ser um bom líder, é preciso ter uma visão sistêmica, além de competência técnica e capacidade inovadora - três características interdependentes e primordiais ao perfil de um gestor público. De certa forma, a visão sistêmica colabora com o desenvolvimento da competência técnica que, por sua vez, possibilita o desenvolvimento de ações inovadoras.
A competência técnica é o conhecimento profundo - em nível de métodos, processos e procedimentos - das atividades desenvolvidas. Já a visão sistêmica é a capacidade que o gestor público deve ter quanto à compreensão da dinâmica institucional, das relações políticas e sociais na qual a sua atividade está inserida, e de como os resultados dessas atividades impactam ou agregam valor à sociedade.
O gestor público que busca inovações em seu processo de trabalho deve impulsionar sua equipe a “aventurar-se” na busca de soluções ousadas e abusar da criatividade para a execução das ações relacionadas aos processos de trabalho. No desenvolvimento de seu trabalho diário, também precisa lidar com a gestão de conflitos.
É possível definir a gestão de conflitos como a capacidade de prever ou de solucionar as tensões e desacordos que comumente podem ocorrer no relacionamento entre as pessoas. É preciso identificar essas tensões e, ao mesmo tempo, trabalhar para impedir o crescimento do conflito.
3 Planos de desenvolvimento para gestores públicos
Existem pautas de desenvolvimento que gestores podem estar trabalhando, e essas são essenciais para o crescimento da cidade ou estado em que estão exercendo a sua função.
Veja a seguir algumas ideias para alavancar o desenvolvimento em gestão política.
Gerar emprego
- Incluir o desenvolvimento econômico na agenda de prioridades da gestão do município
- Construir forte parceria com o setor produtivo
- Desenvolver programa de desenvolvimento a partir das vocações e oportunidades do município e região
- Estimular e facilitar a formalização de empreendimentos e de Microempreendedores Individuais
Mobilizar lideranças
- Promover uma agenda de desenvolvimento do município em parceria com empreendedores e lideranças locais.
- Designar e valorizar o Agente de Desenvolvimento do município.
- Apoiar os empreendimentos de comércio, serviços, bares e restaurantes para que utilizem espaços urbanos adequadamente, em especial devido ao novo normal pós-pandemia.
- Estabelecer um diálogo permanente com o setor produtivo, promovendo reuniões, encontros temáticos, trocas de experiências, missões, visitas a casos de sucesso e a construção conjunta de agendas com as lideranças.
Simplificando os processos
- Reduzir o tempo de abertura de empresas, adotando a premissa de boa-fé, a simplifi cação de processos e o licenciamento online,
- Incentivar a construção civil, simplificando a emissão de alvarás de construção.
- Simplificar o licenciamento e estimular a venda de produtos artesanais de origem animal para todo o país, implantando o Selo Arte.
- Valorizar os pequenos negócios por meio da aplicação da Lei da Liberdade Econômica.
- Apoiar o licenciamento e comercialização de produtos locais com a implantação do Serviço de Inspeção Municipal
Apoie o empreendedor
- Implantar e fortalecer o apoio e a orientação aos empresários
- Oferecer capacitações e cursos técnicos e gerenciais aos empreendedores
- Divulgar aos empreendedores as oportunidades de negócios em compras públicas
- Apoiar pequenos negócios locais na aproximação com grandes empresas, na participação de feiras e na prospecção de novos mercados
- Articular parcerias e orientar os empreendedores sobre acesso a linhas de crédito e garantias
- Fomentar e incentivar a abertura de Empresa Simples de Crédito - ESC
Dê preferência para empresas locais
- Dar preferência aos pequenos negócios locais e regionais nas compras do município
- Adquirir produtos da agricultura familiar para a merenda escolar
- Contratar Microempreendedores Individuais para realizar pequenos reparos e serviços diversos em prédios e espaços públicos
- Promover campanhas de valorização de compras no comércio local
- Apoiar a organização de feiras livres de produtos locais e da agricultura familiar
Incluir empreendedorismo nas escolas
- Implantar o ensino do empreendedorismo, incluindo inovação, sustentabilidade, educação financeira e associativismo em todas as escolas do município.
- Promover formação sobre empreendedorismo aos professores da rede de ensino
- Incentivar a participação dos alunos de empreendedorismo em feiras, festivais e eventos comemorativos de datas festivas
- Estimular a participação das empresas do município no programa Menor Aprendiz e a oferta de estágios
Qualificação
- Oferecer apoio aos empreendedores autônomos para inclusão no mercado de trabalho nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS)
- Realizar parcerias com instituições de ensino e empresas privadas para promoção de cursos de qualificação profissional
- Construir parcerias com organizações da sociedade para promoção da inclusão pelo associativismo e empreendedorismo
- Promover programas de requalificação de trabalhadores para adaptação a novas tecnologias e oportunidades
- Preparar os pequenos negócios para vender para a prefeitura
Fortalecendo a identidade do município
- Trabalhar para a identidade e a diferenciação do município e região
- Promover o município como destino e participar de rotas de turismo
- Apoiar a participação de empreendedores locais em missões técnicas, feiras e exposições • Divulgar produtos e atrativos locais implantando a Indicação Geográfica e promovendo a marca regional
Incentivando a cooperação
- Estimular cooperativas de produtores e prestadores de serviço e crédito junto aos empreendedores locais
- Incentivar o associativismo e a cooperação para compras compartilhadas, produção coletiva, divulgação e comercialização de produtos
- Participar de consórcios públicos em conjunto com os municípios vizinhos para oferecer serviços públicos com mais qualidade e economicidade
- Prestigiar e apoiar as entidades de representação dos setores produtivos
Inovação e sustentabilidade
- Garantir internet de qualidade nas escolas, prédios púbicos e praças.
- Apoiar espaços de inovação, startups locais e incubadoras de empresas.
- Implantar serviços online e desburocratizados para a população, modernizando o atendimento da prefeitura.
- Estimular os empreendedores locais na adoção de fontes de energia sustentável e reciclagem de resíduos.
- Fomentar a implantação do Código Florestal, a preservação de mananciais e do meio ambiente no meio rural e urbano.