Anatomia e Marketing
Marketing e Publicidade
1 Anatomia e Marketing
Introdução
Na face estão inseridos numerosos músculos, artérias, glândulas, veias e nervos. O arranjo anatômico do músculo frontal permite uma grande mobilidade à região frontal, sendo, pois considerado o músculo mimético do couro cabeludo. Por outro lado, a face é a parte do corpo humano que mais evidencia o envelhecimento cutâneo.
Segundo Finn e Ellen-Cox a face, também, é um importante elo de comunicação inter-humana e sua aparência transmite características pessoais, tais como: saúde, emoções e idade. Revela o íntimo de nossa expressão, é a parte essencial da comunicação humana.
A interpretação de cada uma das emoções apresenta diferenças substanciais: o temor, conforme esperado, é detectado quase que exclusivamente na parte superior do rosto. Em manifestações de surpresa, também os olhos desempenham papel de destaque.Mas no caso da alegria ocorre exatamente o oposto: sem a boca, ela praticamente, não pode ser percebida. Já uma expressão triste e enojada se revela, principalmente, por meio da parte inferior do rosto.
Em termos anatômicos, o principal músculo cutâneo do couro cabeludo, o músculo epicraniano, é o occipitofrontal, que tem dois ventres: o frontal anteriormente e o occipital posteriormente. Entre esses dois músculos, há uma grande e plana lâmina tendínea, a gálea aponeurótica, que cobre o vértice.A gálea é firmemente conectada à pele, mas desliza sobre o periósteo
Embriologicamente, segundo Hiatt e Gartner (2011), o ventre frontal do músculo epicraniano origina-se de determinados músculos da face, enquanto o ventre occipital origina-se de ossos da calvária.
Os dois ventres do músculo occipitofrontal quando atuam conjuntamente, tracionam para trás o couro cabeludo, elevando os supercílios e enrugando a fronte como uma expressão de surpresa, interesse ou preocupação.
Berzin estudou o músculo occipitofrontal eletromiograficamente em trinta voluntários e demonstrou que os ventres occipitais e frontais têm ações independentes, não se contraindo ao mesmo tempo.
O músculo frontal tem ação de levantar a sobrancelha homolateralmente, seguido de um deslocamento da gálea aponeurótica, sendo ativo na formação de rugas horizontais na testa. E que, por sua vez, o músculo occipital é ativo durante o sorriso e o bocejo.
Músculos antagonistas do músculo frontal são o complexo muscular orbicular, prócero, abaixador e corrugador do supercílio.
O músculo frontal pode contrair-se de modo independente ou junto com o músculo situado perpendicularmente, o corrugador do supercílio, que encurta as sobrancelhas na expressão de “cara fechada”.
O arranjo anatômico do músculo frontal permite uma alta mobilidade à região frontal, sendo pois, considerado o músculo mimético do couro cabeludo.Ele é uma lâmina muscular bem desenvolvida que cobre quase toda a fronte. Não tem inserções ósseas diretas, pois, como muitas de suas fibras se entrecruzam com a do músculo prócero, orbicular do olho e corrugador do supercílio, alcançam indiretamente as inserções ósseas destes músculos, recebe inervação dos ramos temporais do nervo facial.
Já para Sicher as fibras mesiais do músculo frontal, podem ter conexões com o músculo piramidal e com o feixe angular do músculo quadrado do lábio superior. Os dois ventres do músculo frontal, geralmente estão quase em contato na linha média da fronte, podendo mesmo fusionar-se.
Llorca descreveu que o músculo frontal pode contrair-se unilateralmente e que rugas formam somente na metade correspondente sugerindo aparência de atenção, interrogação. Chama a atenção para o fato de que os símios têm um músculo frontal mais desenvolvido, o que acarreta uma ação contrária ao do músculo frontal em humanos, levando o couro cabeludo para diante.
Ao se referir às variações anatômicas em seu tratado de anatomia humana Testut relatou que o músculo frontal pode inserir em regiões ósseas: na apófise orbitária externa, arco superciliar, borda orbitária, na glabela, nos ossos próprios do nariz, apófise ascendente do maxilar superior e órbita interna. Cita, ainda, a ausência do músculo frontal em suas dissecções, contrariando relatos de Schaeffer que mencionou que este raramente está ausente.
Enquanto que para Goss,tanto o ventre frontal como o occipital podem variar, consideravelmente em tamanho e extensão; qualquer um pode estar ausente; os músculos dos dois lados podem fundir-se na linha mediana; os ventres frontais podem se entrecruzar na mesma linha; o ventre occipital pode fundir-se com o músculo auricular posterior.
No decorrer do tempo, repetidas contrações se associam à formação de rugas horizontais na pele sobrejacente, devido à aderência do músculo frontal na pele. Quando persistentes mesmo em repouso, ou quando ocorrem de forma acentuada durante a expressão facial, são denominadas linhas faciais hiperfuncionantes e, geralmente, interpretada como sinal de envelhecimento.
Como o músculo frontal está associado à tensão muscular crescente da ansiedade, em geral é monitorado para se obter biofeedback. Ao contrário de certas afirmações da literatura, toda atividade elétrica no músculo frontal cessa com o repouso completo nos indivíduos normais, na ausência de estados emocionais ou expressões específicas.
Embora variações interpessoais, na forma de contração do músculo frontal, sejam exibidas nos inúmeros gestos de mímicas faciais e, apesar dos inúmeros artigos publicados sobre o tema, os padrões de contração glabelar ainda não foram, adequadamente, estudados e classificados.Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi classificar os padrões de contração do músculo frontal de estudantes do curso de fisioterapia de uma Universidade da cidade de Bauru.
Foram analisadas 105 fotografias padronizadas da região frontal de um total de 214 alunos, do curso de Fisioterapia da Universidade do Sagrado Coração (USC) Bauru-SP. Os dados foram coletados no período de 22 de agosto a 12 de outubro de 2011.
Foram excluídos da análise, sujeitos com doenças sistêmicas, anomalias músculo-cutânea na região frontal, história prévia de tratamentos ablativos (dermoabrasão, peelings, ou lasers), cirúrgicos ou preenchimentos na região frontal. Não houve restrição quanto à idade, credo, gênero ou fototipo.
Para a tomada das fotos utilizou-se uma máquina fotográfica marca Sony©, modelo Cyber Shot DSC W350. As fotografias foram feitas em dois momentos: inicialmente em repouso e a seguir durante a contração máxima do músculo frontal.
Para essa segunda medida, solicitava-se ao sujeito que elevasse as sobrancelhas e enrugasse a fronte, como em uma expressão de surpresa ou medo.
Entre a primeira e segunda coleta de fotos de cada sujeito, foram mantidas as características da câmara, iluminação e distância. Em seguida, todas as fotografias foram distribuídas para quatro examinadores. Esse grupo foi constituído por três fisioterapuetas e um biologo, todos com experiência em anatomia e fisiologia muscular.
Cada examinador analisou, individualmente, as fotografias, classificando os padrões de contração do músculo frontal, de acordo com a disposição do predomínio ou ausência (hipocinesia) das linhas hiperfuncionantes na região frontal, baseando-se nos critérios estabelecidos por Braz e Sakuma .
Assim sendo, os examinadores classificaram as linhas hiperfuncionantes em quatro tipos:
1 Medial: predomínio contido entre as linhas mediopupilares.
2 Lateral: predomínio após a linha mediopupilar.
3 Total: linhas hiperfuncionantes que se estendem além da linha mediopupilar até o final da cauda das sobrancelhas.
4 Hipocinesia: ausência de contração muscular, sem aparecimento das linhas hiperfuncionantes na região frontal.
Resultados
Dos 105 participantes estudados, 24 (23%) são homens e 81 (77%) mulheres, estando compreendidos na faixa etária dos 20 aos 59 anos. Na Tabela 1, pode ser observada a classificação dos padrões de contração do músculo frontal, de acordo com as análises realizadas pelos examinadores.
Didaticamente, para facilitar sua identificação, cada padrão de contração e frequência que foi observado na análise, foi descrito a seguir:
Padrão total (figura abaixo): O tipo mais frequente observado pelos quatro examinadores, 32 casos (30,5%) examinador A e C; 38 casos (36,1%) examinador B e 32 casos (30,4%) examinador D. As rugas horizontais quando presentes no centro da fronte avançam lateralmente além da linha mediopupilar, até o final das sobrancelhas.
Padrão medial (Figura 2): As rugas nesses casos, concentram-se na região central da fronte, geralmente estão contidas entre as linhas mediopupilares. Os resultados encontrados foram 27 casos (25,7%) examinador A, 25 casos (23,8%) examinador B, 29 casos (27,6%) examinador C e examinador D, 31 casos (29,5%)
Padrão lateral (Figura 3): Tipo menos frequente, os resultados encontrados foram de 12 casos (11,4) examinador A; 17 casos (16,1%) examinador B; 15 casos (14,2%) examinador C e examinador D, 12 casos (11,4). As rugas horizontais predominam nas laterais da fronte, após a linha mediopupilar.
Hipocinesia (Figura 4): não há presença de rugas na regiãofrontal e observamos neste grupo apenas o predomínio do posicionamento arqueado das sobrancelhas. Os resultados encontrados foram de: 32 casos (30,5%) examinador A; 25 casos (23,8%) examinador B; 23 casos (21,9%) examinador C e 30 (28,5%) examinador D.
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Na literatura há um grande número de estudos tratando da morfologia e variações anatômicas do músculo frontal. No entanto, existem poucas publicações científicas relacionadas aos padrões de contração do músculo frontal e suas aplicações clínicas nas sequelas de paralisia facial periférica, hanseníase, cirurgias de rejuvenescimento facial e cosmética da região frontal.
Embora a anatomia dos músculos da face seja similar na maioria dos indivíduos, existem diferenças interpessoais relacionadas com animação e expressão faciais típicas de cada pessoa. Podem ser reconhecidas para uma mesma região variações na forma de contração, exibidas durante a animação facial.
2 Marketing
A utilização dos meios de comunicação de massa, da propaganda e da publicidade permite o acesso ao consumo, pois comunicam à sociedade os códigos cultuais que estão presentes nos bens e serviços. É nesse contexto que a divulgação e exposição da morte e dos produtos e dos serviços funerários nos meios de comunicação de massa têm sido uma das premissas utilizada pela indústria do funeral com o objetivo de atrair novos consumidores.
A série Six Feet Under exibida pelo canal televisivo Home Box Office (HBO) é um exemplo da exposição dos serviços funerários nos meios de comunicação. O primeiro episódio da série foi transmitido nos Estados Unidos em 03 de junho do ano de 2001, ao todo foram sessenta e três episódios, e após cinco temporadas, encerrou em 21 de agosto de 2005.
A trama se desenvolve em torno de uma fictícia empresa fúnebre, a Fisher & Sons Funeral Home, e dos dramas sociais vividos pela família Fisher, abordando os temas da morte e outros assuntos como infidelidade, homossexualidade e religião. Cada episódio se iniciava com a morte de um cliente da funerária e era em torno desta morte que a trama se elaborava, com os personagens refletindo sobre suas vidas. No Brasil a série foi estreada em 06 de julho de 2005, com o título: “A Sete Palmos”, sendo exibida pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), HBO e Warner Channel.
No início do ano de 2008 foi criado na Alemanha o primeiro canal funerário do mundo que consiste em homenagear pessoas falecidas através do serviço de obituário televisionado transmitido pela Rede Ethos TV. Anualmente morrem cerca de oitocentas mil pessoas na Alemanha e o tele-obituário, com cerca de dois minutos de duração, é reprisado quase dez vezes por dia.
O tema da morte e do morrer está presente também em revistas e jornais. A revista norte-americana Mortuary Management é uma publicação semanal que circula desde o ano de 1914 abordando assuntos relacionados à indústria de serviços fúnebres é voltada para os funeral directors e traz uma contínua análise sobre o serviço mortuário, incluindo: estratégias para auxiliar a indústria fúnebre a aumentar sua produtividade, aconselhamento jurídico, técnicas de mercado e uso das inovações tecnológicas.Já o jornal semanal Funeral Monitor circula semanalmente no cotidiano fúnebre norte-americano, apresentando relatórios e tendências do setor funerário.
Se para comunicar a morte é preciso torná-la atraente, a Cofanifunebri, uma empresa italiana produtora de caixões, utiliza desde o ano 2003 como estratégia de marketing para vender seus produtos a divulgação de um calendário com um forte apelo erótico e sensual. Em cada mês mulheres seminuas aparecem próximas a um modelo diferente de caixão.
No Brasil as indústrias do funeral utilizam vários atrativos para informar, lembrar, difundir e divulgar seus produtos e serviços. Algumas websites se dedicam a informar assuntos fúnebres e divulgar empresas que atuam no setor funerário. A funerária online (FOL)83 é uma website dedicada exclusivamente para divulgar classificados de empregos e negócios, fóruns de discussão, informações sobre cursos, dicas sobre saúde, além de um guia funerário contendo cadastros com nomes e endereços de treze associações de assistência familiar, duzentos e oitenta e quatro cemitérios (a maioria cemitérios parques), trinta e dois crematórios, cento e vinte seis fábricas de urnas, quatro mil seiscentos e quatorze funerárias,cento e vinte e dois comércios (incluindo artigos funerários cirúrgicos), trinta e sete entidades (incluindo administrações de cemitérios e outros órgãos ou entidades envolvidos diretamente e indiretamente com o morrer), cento e seis indústrias (incluindo indústria de velas, de veículos fúnebres e de coroa de flores), vinte empresas de paramentação, duzentos e trinta e sete planos assistenciais e trinta e nove empresas de cerimonial para velórios.
A revista Diretor Funerário, voltada para os profissionais que atuam no ramo funerário brasileiro, oferece informações sobre o ramo funerário brasileiro e mundial.
Mas é com a propaganda que as empresas projetam suas imagens, informam e divulgam seus produtos e serviços aos possíveis consumidores. Dentre as estratégias propagandísticas utilizadas pelas empresas do ramo funerário para divulgar os produtos e serviços nos meios de comunicação de massa, é recorrente a utilização de imagens de paisagem (céus, nuvens, florestas, etc.) acompanhadas por músicas românticas ou clássicas. Um comercial para TV da Funerária Gonzaga, localizada na cidade de Governador Valadares, no Estado de Minas Gerais, possui quinze segundos de duração e apresenta cinco imagens com paisagens naturais que são acompanhadas pelo som de uma música clássica e pela voz de um locutor que narra as mensagens que vão surgindo quando cada imagem é revelada. Já o comercial de TV do Sistema Prever Assistência Familiar, localizado na cidade de São José do Rio Preto, no Estado de São Paulo, possui trinta segundos de duração e apresenta doze cenas com imagens cotidianas, acompanhada por locuções e por mensagens
A Funerária Central, localizada no município de Barueri, no Estado de São Paulo, divulgou em um programa local de televisão um merchandising84 , com um tom jocoso, para transformar os produtos e serviços em necessidades, desejos e utilidades. O apresentador do programa Conversa de Botequim aparece ao lado de um jovem chamado Pedrão, por trás dos dois há uma TV de plasma exibindo, com letras na cor branca sob um fundo azul, a logomarca da Funerária Central e a mensagem: “Funerária Central. www.funerariacentral.com.br”. Os dois (o apresentador do programa e Pedrão) iniciam um diálogo num clima alegre e descontraído:
Apresentador: “Muito bem! O Programa Conversa de Botequim sempre a frente deseu tempo e, claro, sempre inovando no ramo publicitário. E hoje Pedrão, nós vamos falar do que?”
- Pedrão: “Olha, hoje nós vamos falar de mais um parceiro do Programa Conversa de Botequim. É o seguinte, se você está pensando em morrer, ou se não tá pensando p elo menos sabe que vai morrer, não sabe?”
- Apresentador: “É verdade. É destino certo”
- Pedrão: “Você vai morrer, sabia?”
- Apresentador: “Com certeza. Você vai também”
- Pedrão: “E você que está em casa também vai morrer”
- Apresentador: “Isso é verdade”
- Pedrão: “Então você não pode deixar de conhecer a Funerária Central, porque morrer é triste, agora mais triste é ir pro cemitério de uma maneira sem graça e sem vergonha”
- Apresentador: “É verdade. Ir totalmente desconfortável, num caixão que você não sabe se o fundo vai aguentar”
Pedrão: “Numa Caravan daquelas bem horrorosa, porque tem funerária com esse tipo de carro ainda!”
- Apresentador: “Tem funerária que usa esse tipo [de carro]. Que é aquela Caravanzona e ainda o cara vai batendo atrás e segurando o defunto, não é verdade?”
- Pedrão: “Exatamente. Mas na Funerária Central não tem nada disso”
- Apresentador: “Claro que não!”
- Pedrão: “As melhores urnas. As melhores condições de pagamento. Você paga em trinta e seis, setenta e oito, oitenta vezes a sua urna funerária”
- Apresentador: “E olha, faz o financiamento sem consulta ao SPC, Serasa. Você pode ter nome no protesto, não tem problema nenhum, a gente aceita até cartão de crédito. Olha! com prazo de validade vencido”
- Pedrão: “E na hora de ir para a sua última morada você vai de primeira classe. Vai numa caranga bonita e toda a família atrás, buzinando e tocando buzina pela cidade.
Você tá pensando o quê?”.
Ambos sorriem.
- Apresentador: “E se falar que viu no Programa Conversa de Botequim ganha uma coroa de flores Pedrão!”
- Pedrão: “Exatamente! E quanto você pagaria por tudo isso? Não responda ainda,pois a missa de sétimo dia, a Funerária Central também marca pra você”
- Apresentador: “E a de trigésimo dia é inteiramente grátis. Você não paga nada para levar. Tudo isso na Funerária Central”.
- Pedrão: “E se falar que assistiu no Conversa de Botequim, duas carpideiras grátis para chorar na beira do seu caixão. Você não pode deixar de participar dessa promoção da funerária central, www.funerariacentral.com.br”
Apresentador: “Agora se você falar o nome do Edson. Ele que é o dono da Funerária Central. Você tem um desconto de quarenta e cinco por cento. Estou falando quarenta e cinco por cento só pela palavra Edson, eu vi no Conversa de Botequim”
Pedrão: “Há mais de quinze anos no mercado nenhum cliente da Funerária Central voltou para reclamar”
- Apresentador: “Olha, Pedro, certeza de um bom negócio. Você não pode perder tempo. Você tem que ligar agora e, claro, adquirir o seu modelo básico, o seu
modelo stand e o seu modelo extra luxo”.
Nesse momento o apresentador e Pedrão caminham na direção de três urnas funerárias que estão expostas no ambiente ao seu lado esquerdo.
- Pedrão: “Olha! Dá uma olhada na qualidade dos caixões e ainda vai ganhar as velinhas viu! As velas. É tudo igual a aniversário, com velinhas, carpideiras. O seu
velório vai se tornar um grande evento, amigo telespectador”
- Apresentador: “É verdade”
- Pedrão: “Quanto vale tudo isso já que tá indo embora desse mundo? Vá no melhor estilo. Vá de Funerária Central. Você pode ir no simplão [aponta para o modelo
básico do tipo de caixão que está exposto].
Você pode ir no mai ou meno [aponta para o outro tipo de caixão, o modelo stand]. Você pode ir no xique no último [aponta para o terceiro tipo de caixão que está exposto, o modelo extra luxo]”
- Apresentador: “E olha, você quer outros modelos? Não perca tempo, ligue agora ou acesse o site www.funerariacentral.com.br e tem diversos modelos”
- Pedrão se dirige para o apresentador segura-o pela cintura e diz, em referência ao peso do apresentador: “E faz sob medida”
- Apresentador: “É verdade. Para mim tem que ser sob medida”
- Pedrão: “E reforçado no fundo”.
- Apresentador: “Reforçado. Com alças cabeça de leão. Tem também essa alça tipo varão [aponta para a alça do caixão modelo extra luxo]. Tem a tipo varão. Tem essa daqui que é uma alça para seis pessoas [mostra a alça do caixão modelo extra luxo].
De repente você não tem tantos amigos assim, você só tem quatro amigos”
- Pedrão: “Tem de quatro alças também”
- Apresentador: “Tem de quatro alças?”
- Pedrão: “Opa! Não vai, você não vai ficar a pé” -
Apresentador: “Não! De jeito nenhum”
- Pedrão: “Funerária Central, empresa que vai levar você pro buraco meu filho [começa a sorrir]. Não perde esta oportunidade. www.funerariacentral.com.br. Olha! Embalsama. Se a sua sogra morre em São Paulo, morreu aqui, e se você quer mandar ela pra Austrália tem traslado internacional, num caixão bacana. Pode levar até naquele de papelão. Aquele de caixa de uva? Tem também. Não tem problema, porque sogra não merece muito, né verdade?”.
Ambos sorriem.
- Apresentador: “E além de tudo, pra sogra, você enterra e depois de sete dias elesretiram o caixão e crema, pra ter certeza mesmo que a „véia‟ desapareceu”
Ambos sorriem.
- Pedrão: “Exatamente. Olhe não deixe de participar do consórcio da FuneráriaCentral. Compre um no nome da sua sogra e se ela for contemplada o assassinato é gratuito para enterro imediato”
Ambos sorriem.
- Pedrão: “Dá uma olhada só que beleza essa qualidade de caixão” [mostra para o telespectador o tipo de caixão modelo stand] - Apresentador: “Olha é muito bom. É um caixão stand.
De primeira linha e claro ele é todo em MDF e é um caixão de primeira categoria. Tá certo ou não Pedrão?”
- Pedrão: “Tá certo”
Nesse momento sai de dentro do caixão modelo stand um jovem que diz: “E além de tudo é confortável”.
Todos sorriem bastante.
- Apresentador: “É isso ai. Não perca tempo. Funerária?
- Todos [o apresentador, Pedrão e a terceira pessoa que saiu de dentro de um dos caixões]: “Central”.
- Terceira pessoa: “Com ar condicionado e tudo”. Todos sorriem.
A exposição dos produtos e serviços fúnebres nos mass media também está atrelada ao processo de aceitação, ou seja, ao que Bourdieu chama de conluio objetivo de interesses, que passa tanto pela divulgação, quanto pela crença no produto tanto por parte do mercado que oferece os serviços e produtos, quanto por parte dos consumidores.
A nova cultura fúnebre, como já foi aqui ressaltada, fez com que a tradicional toilette funerária realizada com os cadáveres, passasse das mãos da família para as mãos de profissionais especializados. E esse processo é decorrente de uma série de fatores surgidos com as mudanças ocorridas no campo ritual da morte, tais como: a esthétique de la disparition, a interdição e ocultação da morte e dos mortos, o deslocamento do lugar da morte, a solidão dos moribundos, etc.
O que vemos é que os cuidados com o morto (lavar, vestir, barbear, pentear, aparar as unhas, etc.) que antes eram ritos familiares, estão sendo transferidos para as empresas. E nesse contexto, outros serviços vão sendo criados, tais como: tanatopraxia, formolização, necromaquiagem, restauração facial, etc., com o objetivo de amenizar as aparências da morte, conservando no corpo os ares familiares e alegres da vida, fazendo do morto um quase vivo.
Na contemporaneidade grande parte dos rituais que são realizados imediatamente após atestada a morte de algum indivíduo são praticados por profissionais adequados. Em nossa cultura e no contexto de atuação dos Grupos, os serviços são realizados por uma variedade de profissionais fúnebres.