Formação inicial e continuada dos professores

Mediador Escolar

1 Formação inicial e continuada dos professores

Introdução

A formação docente seja ela inicial ou continuada deve oportunizar seminários, reuniões de estudos, debates, congressos, assim como um trabalho pedagógico que auxilie especialmente os professores de forma que sua formação contribua e acrescente permanentemente para a melhoria da qualidade das aulas e consequentemente da educação tendo como finalidade a formação de sujeitos para uma sociedade mais justa e igualitária.

Professores no começo da carreira

As transformações históricas, sociais, políticas e econômicas ocorridas nos últimos anos transformaram as pessoas, a sociedade e também a educação. A educação passou a ser um direito de todos, ou seja, dos que antes não tinham acesso à ela, implicando na necessidade de formação de mais professores.

Todas essas mudanças deixaram muitos professores perdidos sobre o seu papel, não podendo se dedicar apenas aos conteúdos específicos da sua área de formação, mas precisando atender os alunos na sua totalidade.

Para saber mais, o professor de hoje tem que buscar ampliar sua formação, pois só a graduação não atende às necessidades dos alunos, que além da área à qual lhe compete, ele precisa criar vínculos afetivos com os alunos, bem como incluir os alunos especiais na turma.

Os professores em início de carreira, mencionam sentir maior dificuldade de atuação, porque lhes falta embasamento teórico bem como a prática, tanto no que diz respeito ao planejamento das aulas, como metodologias e uso de ferramentas adequadas para contemplar os anseios das crianças e adolescentes com os quais tem que trabalhar.

A prática docente requer um professor que cumpra seu papel no processo de ensino aprendizagem de maneira eficaz, comprometido com a constituição de sujeitos críticos, reflexivos e conscientes de seu papel social como cidadãos.

Nesse sentido, os mesmos professores não receberam, e admitem não buscarem conhecimento para saberem como lidar com assuntos que dizem respeito à educação de crianças e jovens tais como: discriminação étnico-racial, discriminação de gênero, as próprias dificuldades de aprendizagem e as várias limitações dos portadores de necessidades especiais.

De acordo com a política de formação de professores explicitada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei Nº 9.394/96 – LDB, a formação do professor precisa estar fundamentada em uma educação para o convívio social entre diferentes culturas reconhecendo os valores e os direitos da humanidade.

Nessa perspectiva, o professor precisa estar envolvido, comprometido com seu crescimento profissional e a formação de uma identidade coletiva ao que Nóvoa explica:

"Estas práticas de formação continuada devem ter como pólo de referência as escolas. São as escolas e os professores organizados nas suas escolas que podem decidir quais são os melhores meios, os melhores métodos e as melhores formas de assegurar esta formação contínua. Com isto, eu não quero dizer que não seja muito importante o trabalho de especialistas, o trabalho de universitários nessa colaboração. Mas a lógica da formação continuada deve ser centrada nas escolas e deve estar centrada numa organização dos próprios professores”.

A partir da LDB (Lei de Diretrizes e Bases), foram criados Normas, Parâmetros e Referenciais que estabelecem critérios para a formação de professores da educação básica. De acordo com os Referenciais para Formação de Professores:

É importante então, que a instituição de formação inicial se empenhe numa reflexão contínua tanto sobre os conteúdos como sobre o tratamento metodológico com que estes são trabalhados, em função das competências que se propõe a desenvolver, já que as relações pedagógicas que se estabelecem ao longo da formação atuam sempre como currículo oculto. As relações pedagógicas vivenciadas no processo de aprendizagem dos futuros professores funcionam como modelos para o exercício da profissão, pois, ainda que de maneira involuntária, se convertem em referência para a sua atuação.”

2 Formação Continuada dos Professores

Infelizmente o que ocorre em muitas escolas e com muitos professores, é um total desânimo. Muitos dos professores já com alguns ou mais anos de docência estão nesse grupo. Os motivos enumerados são muitos, porém acredita-se que contribui muito para isso, a estagnação destes educadores, que estão fechados, e acreditam piamente que não precisam mais se atualizar, muito menos estudar.

Dizem os professores que é sempre a mesma coisa, que na formação continuada, há anos, discussão é sempre a mesma, citam como exemplo temas como:

avaliação, currículo entre outros. E acrescentam: que fazem porque são obrigados. Mencionam também a indisciplina dos alunos como um dos fatores para a desmotivação, aliado à isso o desprestígio da sociedade no reconhecimento e valorização profissional.

Analisando a lei que garante ao profissional da educação uma continuidade de sua formação, percebe-se que incentivos não faltam ao profissional atuante, de buscar sua capacitação e aperfeiçoamento da prática docente. Acreditamos que a formação contínua e permanente do professor lhe dá mais poder de argumentação nas discussões da classe profissional, mas mesmo assim muitos permanecem acomodados e influenciam alguns de seus colegas com o pensamento de que já sabe tudo de que precisa e nada lhe será acrescentado.

Ao que Gadotti assevera: Durante muito tempo, a formação continuada de professores era baseada em “conteúdos e objetivos”. Hoje, o domínio dos conteúdos de um saber específico (científico e pedagógico) é considerado tão importante quanto as atitudes (conteúdos atitudinais ou procedimentais).

Sobre a legislação brasileira Gadotti analisa que: [...] hoje a formação continuada do professor em serviço é um direito. Contudo, para que esse direito seja exercido na prática, de fato, creio que são necessárias algumas pré-condições ou exigências mínimas. Gadotti vai mais além em sua análise citando essas pré-condições ou exigências mínimas:

1º - direito pelo menos 4 horas semanais de estudo com os colegas, não só com especialistas de fora, para refletirem sobre a sua própria prática, para dividirem dúvidas e resultados obtidos;

2º - possibilidade de frequentar cursos sequenciais aprofundados em estudos regulares, sobretudo sobre o ensino das disciplinas ou campos do conhecimento de cada professor;

3º - acesso à biblioteca atualizada;

4º - possibilidade de sistematizar sua experiência e de escrever sobre ela;

5º - possibilidade de participar e de expôr sua experiência em congressos educacionais;

6º - possibilidade de publicar a experiência sistematizada;

7º - enfim, não só sistematizar e publicar suas reflexões ,mas também colocar em rede essas reflexões, o que cada professor, cada professora, cada escola está fazendo, por exemplo, por meio de um site da Secretaria de Educação ou da própria escola.

No entanto, alguns professores afirmam que a formação oferecida pela mantenedora deveria atingir aos interesses de cada professor, ou seja, deveria lhe ser dado a oportunidade de escolha atendendo às suas necessidades. É perceptível a desmotivação, ao que ainda afirmam que no plano de carreira não existe nenhum incentivo para a qualificação e que as coisas se dão muito no âmbito dos favorecimentos políticos (cargos comissionados).

Tardif deveriam ajudar nesse sentido quando afirma:

A carreira é também um processo de socialização, isto é, um processo de marcação e de incorporação dos indivíduos às práticas e rotinas institucionalizadas das equipes de trabalho. Ora, essas equipes de trabalho exigem que os indivíduos se adaptem a essas práticas e rotinas, e não o inverso.

A formação continuada de professores é um direito e não uma obrigatoriedade, então cabe ao professor se conscientizar da necessidade contínua de interagir e se socializar com os outros profissionais de sua área para atualizar-se das constantes mudanças na educação. Caso contrário, não adianta lamentar-se do desinteresse dos alunos, se ele próprio é o exemplo desse desinteresse.

O professor deve estar em constante aperfeiçoamento na sua área do conhecimento, não só em sua disciplina, mas na educação como um todo, visando contribuir para uma mudança significativa na sociedade.

Libâneo afirma que:

“A escola de hoje precisa propor respostas educativas e metodológicas em relação a novas exigências de formação postas pelas realidades contemporâneas como a capacitação tecnológica, a diversidade cultural a alfabetização tecnológica, a super informação, o relativismo ético, a consciência ecológica. Pensar num sistema de formação de professores supõe, portanto, reavaliar objetivos, formas de organização do ensino, diante da realidade em transformação.”

Porém o papel do professor hoje, não foi claramente redefinido, e enquanto muitos não se comprometem com a educação, continuam fracassando todos os envolvidos, como nos afirma Nóvoa:

“Estamos perante uma realidade nova, sem paralelo na história e o que os pais e a sociedade não conseguem e cobram dos professores. Para além do conhecimento e da cultura, espera- se que ajudem a restaurar dos valores, a impor aos jovens as regras da vida social, a combater a violência, a evitar as drogas, a resolver as questões de sexualidade, etc.” 

A prática docente exige novas atitudes e competência, fruto de um comprometimento com o ensino aprendizagem para diminuir as desigualdades.

Se pretendermos que a escola trabalhe para desenvolver a cidadania, se acreditamos que isso não é tão óbvio, nem tão simples, temos de pensar nas consequências. Isso não se fará sem abrir mão de algumas coisas, sem reorganizar as prioridades e sem levar em conta o conjunto de alavancas disponíveis: os programas, a relação com o saber, as relações pedagógicas, a avaliação, a participação dos alunos, o papel das famílias na escola, o grau de organização da escola como uma comunidade democrática e solidária.

O professor precisa ter um novo olhar, precisa refletir se o sujeito que quer constituir é o mesmo da sociedade atual, ou um sujeito mais crítico, ativo, para formar uma sociedade melhor. Como corrobora Tardif:

“Epistemologia da prática docente” que tem puçá coisa a ver com os modelos dominantes do conhecimento inspirados na técnica, na ciência positiva e nas formas dominantes de trabalho material. {...} tem como objetivo o ser humano. {...} pessoalmente com tudo que ele é, com sua história e sua personalidade, seus recursos e seus limites"

A prática docente precisa estar em constante transformação, pois os sujeitos (alunos), sempre são outros, com outras vivências e expectativas. Para isso, o professor necessita de constante estudo, atualização e formação, ela tem que ser permanente, pois do contrário, contribuirá para a constituição de sujeitos sem ação numa sociedade que exige urgentemente pessoas capazes, envolvidas e comprometidas com o bem comum.

3 Reflexões Finais

Como nos ensina Freire que o professor precisa “estar no mundo, com o mundo e com os outros”, acredita-se então, que a formação docente não acontece apenas no processo inicial, mas ela deve acontecer onde o professor estiver, pois é contínua e permanente.

Porque o mundo de hoje não é o mundo que foi ou será, ele está acontecendo agora, e precisamos trabalhar com o sujeito real e atual. Não tem como viver alheio ao que nos cerca de forma neutra, o professor precisa se posicionar, sair da inércia e gerar participação nos sujeitos com os quais convive

A acomodação docente continuará deixando os sujeitos acomodados, reforçando a educação bancária, enquanto que ao formar-me ajudo a formar o outro, comprometido com o “pensar certo”, e isso só é possível com a superação do pensamento ingênuo para o epistemológico, com professores que estejam em formação contínua e permanente.Que acreditem na transformação da sociedade através da educação. Se de um lado os professores buscam sua valorização profissional, é na prática educativa que auxiliarão na formação de novos sujeitos, críticos e reflexivos que lutem pelos seus direitos, em defesa das irracionalidades de qualquer espécie.