A mediação do professor e sua importância no desenvolvimento dos alunos

Mediador Escolar

1 O que é mediação?

Ser mediador é se posicionar literalmente entre o ensino e a aprendizagem, ou seja, é não dar respostas prontas, e sim estimular a busca de respostas promovendo a reflexão, mostrando os caminhos, compreendendo as dificuldades e o motivo de elas estarem ocorrendo. Dessa maneira, o professor-mediador estará colaborando para a construção da autonomia dos alunos - seja de pensamento seja de ação - ampliando a participação social e dinamizando o desenvolvimento mental deles, de forma a capacitá-los a exercer o papel de cidadão do mundo.

Resultados de uma mediação adequada:

A mediação terá sucesso quando o professor:

• Interagir com a criança, e não coagi-la;

• Interagir com a criança procurando compreender seu mundo e o modo de ela vivenciá-lo; para isso, é preciso entender o universo dela e o processo que está em andamento;

• Considerando o conhecimento de mundo que a criança traz, valorizá-la, estimulá-la e proporcionar-lhe outros conhecimentos e outras leituras;

• Estimular a reflexão e a busca de respostas;

• Usar o “erro” da criança para buscar o “acerto”;

• Não ignorar nem desrespeitar as várias formas dialetais utilizadas pelos alunos. Ao contrário, num clima de respeito, desde a Educação Infantil, encorajar todas as crianças a falar, a escrever e a ler como sabem;

• Der voz à criança e orientá-la a respeitar a fala dos outros.

A brincadeira infantil: uma ação pedagógica:

A brincadeira infantil representa o aprendizado. É uma ação privilegiada no desenvolvimento humano, principalmente na infância, pois é um meio para a elaboração e a reelaboração do conhecimento. Brincar é uma forma de ação cognitiva na qual a criança abstrai, interpreta e entende a realidade, pois simula essa realidade.

Os jogos promovem contextos ricos e desafiadores para o aluno explorar diferentes tipos de situações-problema. Por meio de situações lúdicas, a criança tem a oportunidade de se apropriar de novos conhecimentos, pois pode pensar, levantar hipóteses, confrontar estratégias, discutir, interagir com os colegas, com as situações e os objetos de conhecimento, comparando pontos de vistas diferentes e vivenciando verdadeiras e genuínas situações de comunicação.

O seu papel, nesse processo, é fundamental. Conhecer o jogo, criar e propor, com base nele, situações-problema desafiadoras é uma de suas tarefas, bem como observar as tentativas do aluno durante o jogo, apoiando-o quando surgirem as dificuldades e estimulando-o a desenvolver suas potencialidades. É preciso assegurar a cada participante do jogo o direito de pensar, expressar o pensamento, negociar as ideias e criar outras com base nas discussões realizadas, ou seja, ele dever ter o direito de viver intensamente o jogo de forma prazerosa e enriquecedora.

2 O que é Sequência didática:

Sequência didática é um termo utilizado na área educacional que caracteriza o conjunto de atividades planejadas e interligadas para o ensino de um conteúdo.
Ela pode ser elaborada em etapas, organizadas de acordo com o objetivo que o professor pretende alcançar durante o ano letivo escolar para a aprendizagem dos seus alunos e tornar mais eficiente este processo.
É um sistema que pode ser utilizado em todas as disciplinas, já que auxilia o professor a organizar o trabalho em sala de aula de forma gradual, partindo de habilidades que os alunos já dominam para alcançar os níveis que eles ainda precisam dominar.
Para compreender o valor pedagógico e as razões que justificam a elaboração de uma sequência didática, é fundamental identificar a fase e as atividades que vão ajudar tanto o professor quanto os alunos a atingirem seus objetivos.

Etapas da sequência didática

No âmbito de obter sucesso, uma sequência didática bem aplicada precisa seguir algumas etapas para seu funcionamento. São eles:

Apresentação do projeto

É o momento em que o professor apresenta aos alunos a tarefa e os estudos que irão realizar durante o ano letivo.

Produção inicial

Nesta etapa, os alunos, já informados sobre o projeto, irão expor o que sabem e pensam sobre o assunto, por meio de produção de texto, conversas, etc. A produção inicial trata-se de uma avaliação prévia e é através dela que o professor conhece as dificuldades dos alunos e obtém meios de estabelecer quais atividades deverão ser empregadas na sequência didática.

Os módulos

Esta etapa trata das atividades (exercícios e pesquisas) planejadas metodicamente, com a finalidade de desenvolver as capacidades do aluno. Os módulos devem ser direcionados às dificuldades encontradas na produção inicial dos alunos e visando a superação dessas dificuldades, devem propor atividades diversificadas e adaptadas às particularidades da turma.

Produção final

Nesta fase, é proposta uma avaliação do que os alunos conseguiram aprender no decorrer da sequência didática (comparação entre produção inicial e produção final).

3 Como Preparar Sequências Didáticas Na Educação Infantil:

Escolas diferentes seguem currículos diferentes: enquanto algumas enfatizam o ensino de idiomas e conhecimentos cognitivos, outras optam por desenvolver competências sociais; umas empregam atividades lúdicas, outras prezam pelo contato com a natureza e criam consciência ecológica ou apostam na tecnologia. Qualquer que seja o método aplicado, há espaço para sequências didáticas no planejamento.

Sequências didáticas são um conjunto de aulas pensadas para ensinar um conteúdo de forma acumulativa. Ao longo dos dias (ou mesmo semanas, para projetos mais extensos), as crianças vão construindo o conhecimento, sempre passando de desafios mais simples para mais complexos.

4 Como escolher o tema da minha sequência didática?

Qualquer assunto pode dar origem a uma sequência didática. Para começar, é bom se perguntar o que você pretende que as crianças aprendam sobre determinado tema. Qual o propósito desse conteúdo? É fazer com que a turma aprenda a ler? Que se familiarize com a cultura e tradições da região? Que entenda a importância da alimentação saudável? Que desenvolva certos movimentos?

Deixe dois pontos bem claros – qual o conteúdo e qual o objetivo da sequência. O conteúdo é aquilo que será ensinado, o objetivo, o que você espera que a classe aprenda.

O próximo passo é observar o que as crianças já sabem sobre esse tema, qual o repertório que trazem de outras vivências. Essa sondagem pode ser realizada de várias maneiras (como simplesmente perguntar a elas sobre o assunto), mas a mais esclarecedora é, com certeza, colocá-las em contato com o tema na prática. Se a sequência didática for abordar insetos, por exemplo, livros, revistas, bichinhos de plástico ou quebra-cabeças podem ser distribuídos, enquanto o professor caminha pela sala e repara em como as crianças interagem com eles ou sobre o que conversam entre si.

A partir desses questionamentos, o professor será capaz de traçar uma sequência de atividades. As atividades são como ferramentas escolhidas cuidadosamente para proporcionar experiências significativas à turma, nas quais ela vai adquirir as habilidades e aprendizados necessários – ou seja, a escolha está longe de ser aleatória!

Cada atividade, cada experimento, jogo ou brincadeira deve acrescentar algo ao desenvolvimento das crianças, para que elas consigam evoluir. É como criar um passo a passo de quais conhecimentos elas precisam para passar de uma atividade para a seguinte.

Trabalhe a interdisciplinaridade:

Sequências didáticas são uma oportunidade para se trabalhar um mesmo conteúdo sob diversos olhares. Ainda usando o exemplo do tema “insetos”, imagine que a turma está abordando um tema de Natureza e Sociedade, mas também irá desenvolver novo vocabulário, quando aprender nomes de animais, suas partes, o que comem, etc.; motricidade, ao desenhá-los, procurar por insetos no pátio, construir um inseto com massa de modelar ou argila, criar um formigueiro em um aquário; matemática, identificando o número de pernas, asas, antenas; e assim por diante.

Busque não dividir as aulas por disciplina, fragmentando o conteúdo (não anuncie, por exemplo, “agora, vamos aprender matemática”). Apenas relacione os aprendizados como partes de um todo. Isso leva as crianças a perceberem o assunto mais amplamente, através de múltiplas linguagens.

Outra vantagem é valorizar os potenciais de cada aluno, já que a sequência permite que eles sejam expostos a diferentes formas de trabalho em que podem se sobressair.

Na Educação Infantil, algumas etapas devem estar presentes na sequência didática:

#Dica 1: Explorar as habilidades sócio-emocionais:

São atividades que permitem que as crianças identifiquem sentimentos, emoções e organizações sociais. O foco é o autoconhecimento e a socialização e interação com os colegas.

#Dica 2 Explorar os sentidos:

Nessas atividades, o foco é a descoberta da visão, audição, tato, olfato e paladar.

#Dica 3 Explorar linguagens:

Aqui, entram as atividades em que a turma trabalha a linguagem oral e escrita, a música, o desenho e outras mídias (como vídeos, jogos online, etc.).

#Dica 4 Explorar conceitos matemáticos:

Ocorre quando são apresentadas noções de maior e menor, perto ou longe, formas geométricas, números, somas ou subtrações.

#Dica 5 Explorar conteúdos específicos:

Finalmente, há espaço para o aprendizado de temas específicos como natureza, literatura ou arte, entre outros.

Durante a sequência, garanta que haja um equilíbrio entre atividades individuais, em duplas e coletivas. Cada uma delas vai gerar interações e aprendizado distintos. Enquanto um exercício individual foca nos conhecimentos adquiridos por cada criança e exige mais concentração, duplas são excelentes para que cada um exponha pontos de vista e, juntas, elas discutam hipóteses. Já grandes grupos proporcionam trabalho em equipe, respeito às regras e troca de aprendizados.

5 Quanto tempo reservar para uma sequência didática?

Essa resposta depende não do número de atividades, mas da complexidade do que você espera que as crianças aprendam. Enquanto algumas brincadeiras e dinâmicas podem ser concluídas em poucos minutos, outras levarão aulas inteiras para serem completas. Alternar atividades longas com outras, mais breves, é uma boa forma de garantir o interesse.

Além disso, leve em consideração como cada criança aprende e o tempo que costumam levar para finalizar cada tipo de exercício. Pense ainda em como serão feitas as avaliações e o acompanhamento do aprendizado durante a sequência didática: em quais circunstâncias os alunos mostrarão o que sabem? Eles vão montar um portfólio, fazer uma prova, apresentar algo para os colegas, participar de uma gincana?

Por fim, reserve sempre algumas aulas livres ao fim da sequência, para o caso de atrasos ou mudanças de percurso. Afinal, é comum que algumas das hipóteses do professor não se confirmem em sala de aula e as crianças apresentem mais interesse em um assunto que não estava previsto ou mais dificuldade em uma etapa que você julgou que seria fácil. Sinta-se livre para ir adaptando o projeto ao longo do caminho, adotando estratégias diferentes para que a turma atinja os resultados desejados.

Se uma atividade não está funcionando, substitua-a por outra! Se uma curiosidade veio à tona, explore-a. Porém, mantenha sempre em mente aqueles objetivos traçados no início da sequência didática.