Paisagismo

Jardinagem e Paisagismo

1 Arquitetura paisagista:

Arquitetura paisagista ou paisagismo é a arte e a técnica de promover o projeto, planejamento, gestão e preservação de espaços livres, urbanos ou não, de forma a processar micro e macro-paisagens.

Características:

Paisagismo é a criação de projetos de áreas verdes englobando tudo que interfere na paisagem externa as edificações. O paisagista pode utilizar inúmeros elementos construtivos: piscinas, quadras esportivas, adegas, quiosques, churrasqueiras, acessos e escadas, pisos, muros e iluminação, além da escolha da vegetação que melhor se adapte à iluminação e solo do local. Os espaços livres urbanos são um dos principais campos de trabalho da Arquitetura da Paisagem. O paisagista trabalha com composições de arte e ciência para esquematizar um ambiente físico com elemento que o irão compor.

É uma maneira de desafiar a criatividade e criar possibilidades de interação do humano com o ambiente em que estiver frequentando.  O paisagista ou arquiteto paisagista precisa não só ter conhecimentos de arte e ciência, como também de geologia e topografia, sistemas climáticos e aquáticos e demais conhecimentos da natureza. Sobre o desenho urbano no paisagismo, Ed Wall e Tim Waterman (2012) disseram: “Os arquitetos paisagistas são frequentemente convidados a liderar projetos de desenho urbano, pois sua formação profissional lhes propicia sensibilidade e uma excepcional habilidade de interferência nos contextos físicos.

Muitas firmas de paisagismo se dedicam quase exclusivamente ao desenho urbano, não somente devido às habilidades específicas dos membros de suas equipes, mas simplesmente porque o escopo de muitos projetos é o contexto urbano. Ao considerar o projeto de um parque urbano, por exemplo, não é possível concebê-lo como uma forma separada de seu entorno. Os passeios usados pelos pedestres através da cidade e em direção ao parque, o fechamento formado pelos prédios, o movimento de veículos e serviços e as motivações políticas que determinam qualquer mudança no espaço são considerações de desenho urbano que influem em todo trabalho de paisagismo.

Ao longo dos últimos séculos, a população global tem se tornado cada vez mais urbana e concentrada. A urbanização pode ser vista como um processo natural e até mesmo ecológico, assim como o mundo natural, que é muitas vezes desequilibrado, conflituoso e perigoso. Projetar e planejar ambientes urbanos exige uma abordagem contextual e a ciência dos sistemas que se sobrepõem e são interdependentes, de modo bastante similar ao projeto de ambientes maiores”. Longwood Gardens (Filadélfia), o aterro do Flamengo (Rio de Janeiro), Caracas (Venezuela) são lugares onde se pode encontrar, atualmente, jardins ou estufas projetadas por Burle Marx. Além dessas, existe também o Parque Burle Marx, em São Paulo.

A importância de plantas nativas no paisagismo:

egundo Heiden, "as espécies autóctones são altamente adaptadas às condições edafoclimáticas locais (solo e clima), não são dependentes de aplicações sistêmicas de agrotóxicos, como normalmente requerem as espécies exóticas, sobretudo em condições de monocultura". Além da importância inegável para a ecologia, introduzir plantas nativas das regiões onde se encontram reforça a imagem vegetal regional de cada lugar.

2 Paisagismo:

O florescer de uma profissão:

Até nos sonhos mais românticos a paisagem principal é a de um jardim, rico em cores e pureza. O próprio paraíso, constantemente idealizado por artistas, poetas, cineastas, é representado por meio de imensos jardins verdes, desenhados por flores, enfeitados por pássaros, denotando a inquestionável predominância da natureza. Talvez na realidade do dia-a-dia a visão sobre as paisagens que nos cercam não seja tão romântica assim, mas é fato que o reconhecimento dessa necessidade pelo que é natural vem crescendo. A prova disso é o espaço cada vez mais conquistado pelos Paisagistas, profissionais que se dedicam a desenhar e contemplar a natureza por meio de seus jardins. 

O paisagismo não é uma profissão nova. O projeto paisagístico estabeleceu-se realmente no Brasil por uma  ação do Imperador Dom Pedro II com obras como a dos parques São Cristóvão, São Clemente e Campos de Santana, no Rio de Janeiro. Mas é na década de 30 que a atividade paisagística começa a “florescer” no Brasil, através do trabalho revolucionário de Roberto Burle Marx, paisagista autodidata, mundialmente consagrado por suas obras inovadoras e por seus múltiplos talentos, pois era também artista plástico, arquiteto, designer, pintor e tapeceiro

Burle Marx não tinha diploma, mas no meio paisagístico é considerado o maior Arquiteto Paisagista do século 20. Sempre associando seu trabalho à arquitetura, não há como deixar de citar a parceria de Burle Marx com Lúcio Costa e Oscar Niemayer, conhecidos como arquitetos revolucionários. Juntos, marcam a modernização da arquitetura brasileira. O paisagista é considerado um artista da natureza. É ele quem faz o planejamento de espaços públicos, como praças e parques, além de atuar em residências e empresas privadas, criando jardins e áreas verdes em setores urbanos, rurais, recreativos e ecológicos. 

Para a arquitetura paisagista, “Paisagismo não é modismo, tem que ser trabalhado junto com a arquitetura”. Defende-se que esse trabalho consiste em analisar uma série de itens para se obter bons resultados, diz que construção e paisagismo representam algo que deve ser trabalhado e formulado em conjunto: “o Paisagismo é a roupa da casa”. O paisagista, profissional empenhado em defender a ecologia e a melhorar a qualidade de vida, não pode ser confundido com jardineiro, o que é muito comum. O Paisagista não só enfeita o mundo criando belas paisagens, mas pode atuar em projetos de restauração e preservação, pois sua atividade depende de conhecimentos técnicos de desenho, botânica, agronomia e engenharia florestal.

“Jardineiro não é Paisagista. Jardineiro planta, o Paisagista elabora todo o projeto e analisa as condições”. Maria de Fátima defende: “É preciso gostar e ter critérios, o paisagista não pode ser confundido com jardineiro jamais”. A maioria dos profissionais em paisagismo são autônomos e contam com o apoio da Associação Nacional de Paisagismo ANP, fundada em 1995 com o intuito de desenvolver e valorizar a atividade paisagística no Brasil. Existe, ainda, a polêmica sobre a regulamentação da profissão, já que a Organização Internacional do Trabalho reconhece as profissões de Arquiteto, Urbanista e Arquiteto Paisagista como independentes.

A questão é intensamente discutida em Congressos e Organizações envolvidos com a atividade. A grande preocupação é criar órgãos reguladores e fiscalizadores que garantam a qualidade do profissional que atua na área e dos serviços prestados à sociedade. Cláudio Fernandes, Engenheiro Agrônomo que atua há 8 anos como paisagista diz que “profissionais não graduados incomodam quando deixam de mexer com ornamentação para tratar também de manutenção e técnica, entendidas apenas por profissionais graduados”. Raquel de Toledo Barros Baeta, paisagista há 14 anos, não é graduada, mas o gosto por plantas a fez procurar cursos de paisagismo. “Não mexo com edificação, só com a parte de jardinagem”, declara. Apaixonada pela profissão, Raquel valoriza muito o contato com a natureza: “o que procuro fazer é copiar o que tem na natureza”, esclarece. 

Existem vários cursos e especializações em Paisagismo, mas a preocupação de quem defende a regulamentação reside no fato de existirem muitos cursos de curta duração descomprometidos com a real responsabilidade do Paisagista, habilitando muitas pessoas de forma inadequada. “Paisagismo agora é moda”, diz Raquel, e continua: “hoje existem mais comércios com espaços específicos para jardinagem”. Para Maria de Fátima, o crescente número de profissionais sem nível universitário torna a concorrência desleal, pois estes “cobram valores fora da realidade porque não oferecem o mesmo serviço”.

Já Rosângela acha que a falta de informação e conhecimento mais aprofundados sobre a atividade, faz com que as pessoas não a valorizem e, conseqüentemente, não entendam a utilidade de um projeto paisagístico fundamentado nos conhecimentos técnicos: “as pessoas não têm uma cultura paisagística”, desabafa. Ela ressalta que o ideal é que o paisagismo acompanhe o processo de construção para que haja harmonia, mas geralmente não é o que acontece: “dentro da construção o paisagismo é a pior área, porque é deixada em último plano, geralmente quando a pessoa já gastou demais e não tem mais dinheiro”, esclarece. Cláudio não acha que a atividade seja pouco divulgada, mas que o mercado é muito restrito, porque “o cidadão comum não pensa em paisagismo”. 

Problemas como falta de fornecedores que produzam quantidade e qualidades de plantas diferentes também é uma queixa: “assim fica difícil inovar”, diz Fátima. Além disso, e da falta de conhecimento das pessoas, Cláudio fala da dificuldade em formar mão-de-obra especializada, já que “profissionais que entendem são poucos, e por causa do grande numero de profissionais não especializados é preciso trabalhar com uma margem de lucro muito baixa”. Embora o número de paisagistas não graduados esteja aumentando, e alguns casos representem ameaça aos princípios da profissão, há o indicativo de que o paisagismo está crescendo e conquistando espaço, já que cada vez mais os habitantes das grandes cidades fogem para o interior em busca do verde e do ar puro. 

Têm crescido também os espaços específicos para venda de artigos para jardinagem, bem como a criação de programas de computador próprios para projetos paisagísticos. Esse aumento mostra que, cada vez mais, pessoas sentem a necessidade e a utilidade do trabalho desses artistas naturais. “O paisagismo está se popularizando mais graças a Deus”, diz Raquel com alegria. Independente do “modismo”, como Fátima se refere aos cursos de curta duração, “sempre tem serviço”, declara. Cláudio também atribui a maior procura ao aumento no número de condomínios fechados, “onde as pessoas, por estarem ‘presas’, sentem mais a necessidade do contato com a natureza”. 

Junto com o crescimento, floresce o encanto dessa profissão tão criativa e espontânea, que, mesmo com algumas dificuldades, é formada por peculiaridades poéticas. O Paisagista não apenas enriquece a paisagem, mas influi na qualidade do ar, do ambiente e da vida. “O paisagismo é vivo, serve para renovar o ar, atrair pássaros...”, diz Fátima, satisfeita, que acrescenta: “mexer com plantas ajuda até a curar doenças como a depressão”. O trabalho paisagístico tem o poder de transformar por meio das plantas, que se revelam com o tempo. Cláudio resume: “o paisagismo é como uma moldura que valoriza a obra”. Fátima, que também não esconde o amor pela profissão, não hesita ao dizer que “a terra é mágica”. E é através da dedicação, do gosto e da sensibilidade desses profissionais que o mundo pode se tornar um lugar repleto de flores e verde, pois, como conclui Raquel, “o desejo de todo mundo é estar num jardim”. 

3 Jardins externos:

1. CONHECER A TERRA:

Quando seu projeto envolve um jardim ou mesmo plantas em vasinhos dentro de casa, o primeiro passo para pensar o que pode ser feito é conhecer o lugar. É importante saber o tipo de terra do jardim, a frequência de chuvas, a incidência de luz solar na casa e a umidade dos ambientes. Assim, é mais fácil saber que tipo de planta vai se adaptar melhor ali. Sem essas informações, seu jardim não será saudável, pode dar muita mão de obra e acabar morrendo, mesmo com todos os cuidados. Vasos dentro de casa também não sobrevivem por muito tempo se estiverem no lugar errado, sendo que, às vezes, só a mudança de cômodo e, consequentemente, de condições climáticas já melhora a saúde da planta.

2. PLANTAR EM VASOS:

O uso de vasos é uma opção interessante para quem vai cultivar dentro ou fora de casa. A vantagem deles é a mobilidade para trocar de lugar ou levar embora em uma mudança. Além disso, os vasos podem ter várias texturas e podem ser feitos de diferentes materiais. Os mais tradicionais são de cerâmica, mas é interessante também optar por materiais metálicos ou reaproveitar peças de madeira como pallets assim, eles também podem fazer parte da decoração e combinar com o restante da mobília no ambiente.

3. APOSTAR EM BANCOS E MESAS NOS JARDINS:

Ter um jardim em casa é um privilégio que deve ser aproveitado ao máximo. Dispor bancos e mesas aqui faz a família aproveitar o ambiente de forma mais completa. Dessa forma, o jardim se transforma em um espaço incrível para fazer refeições mais demoradas reunindo várias pessoas ou em um lugar tranquilo e fresco para ler e relaxar. Com os móveis certos, este pode virar um ambiente muito mais útil do que decorativo. Só tenha atenção para o material em que a mobília foi produzida. Mesas e bancos externos precisam ser feitos de materiais que resistam ao sol e à chuva. Madeira ou ferro são bons exemplos que vão bem com o aspecto bucólico do jardim.

4. FAZER CAMINHOS:

Ainda seguindo a ideia de integrar os moradores e o jardim, é importante ter um caminho para que todos possam aproveitar o lugar sem pisotear as plantas que foram colocadas ali. Os caminhos ondulados são mais longos para uma caminhada e criam um visual bem bonito expondo todas as espécies cultivadas. Os caminhos podem ser feitos de pedras soltas ou de cimento contínuo. O importante é que ele seja acessível e que as plantas com espinhos ou folhas pontiagudas não fiquem por perto para machucar quem passa. Imagine que a família vai usar o jardim mas também vai receber visitas que não conhecem bem o lugar e podem acabar se machucando.

5. TER ATENÇÃO COM OS PISOS:

Não se pode esquecer também que os pisos precisam ser pensados com cuidado. Eles ficam expostos às intempéries do clima e podem acabar cedendo, por isso, é importante investir em revestimentos de qualidade para evitar esses problemas. Os caminhos e algumas partes do jardim podem ser feitas de madeira, pedras ou outros tipos de pisos. É recomendável que o chão embaixo das cadeiras e mesas tenha um revestimento porque é uma área de grande circulação e é inevitável transformar a grama em barro em poucos meses. O piso evita essa formação e mantém o lugar com um aspecto mais limpo, conservado e mais fácil de limpar.

4 Paisagismo em ambientes fechados:

1. USAR PLANTAS DENTRO DE CASA

Casas que não possuem área externa também podem abrigar plantinhas. É fácil determinar as espécies que podem ser cultivadas em pequenos vasinhos dentro de casa, sempre com a preocupação de conhecer as condições climáticas com antecedência. A arquiteta catarinense Silvia Monteiro, reforça que é possível criar um jardim dentro do apartamento, por exemplo. Basta tomar alguns cuidados para a escolha de mudas ideais para cada ambiente. “Essa ajuda conseguimos por meio dos profissionais em casas especializadas”, pontua.

Uma orientação importante é avaliar se o local terá luz direta do sol, se pegará água da chuva no caso de sacadas, por exemplo, ou se terá irrigação manual / monitorada. A partir dessas informações é só seguir com a escolha da espécie. Silvia lembra ainda, que outras plantas podem compor uma pequena horta de temperos frescos  essa é a chance de saber exatamente a procedência dos seus ingredientes. A única preocupação, segunda a arquiteta e paisagista, é que os vasos peguem sol pelo menos 4 horas por dia.

Também podem ser espécies decorativas como flores ou suculentas. Estas últimas precisam de poucos cuidados e são ótimas para pessoas sem tempo ou experiência com jardinagem. Para ambientes fechados, palmeiras são ótimas opções, já que não precisam de muita luz solar e vivem com pouca água.

2. FAZER JARDINS VERTICAIS:

Em apartamentos pequenos, a criatividade tem que ser explorada ao máximo para utilizar todos os espaços. Uma saída prática para trazer as plantas para dentro de casa é fazer um jardim vertical. Ele ocupa um espaço provavelmente abandonado, embeleza a casa e pode ser usado para plantar uma hortinha, chás, flores cheirosas ou pequenas suculentas. O jardim vertical serve como decoração ou como uma peça útil para a cozinha. Além disso, ele pode ficar em varandas que tenham alguma incidência de sol. “Os jardins verticais são uma ótima escolha para trazer bem estar e conforto ligados com a natureza, mesmo em ambientes pequenos podemos criar uma parede verde sem atrapalhar a ergonomia do local”, reforça Silvia Monteiro. 

3. TER PACIÊNCIA:

Para ter um jardim, é importante ter paciência. As plantas demoram a crescer e a ficar do jeito desejado, além de precisarem de cuidados todos os dias. Mesmo as espécies que demandam menos atenção têm que ser regadas de tempos em tempos. O ideal é que a jardinagem seja um trabalho prazeroso e não mais uma obrigação. Para ter um jardim, é importante ter paciência. As plantas demoram a crescer e a ficar do jeito desejado, além de precisarem de cuidados todos os dias. Mesmo as espécies que demandam menos atenção têm que ser regadas de tempos em tempos. O ideal é que a jardinagem seja um trabalho prazeroso e não mais uma obrigação.

Os benefícios de ter tanto verde em casa são infinitos, seja para criar um lugar gostoso de convivência ou para fornecer temperos frescos. Então, todo o cuidado que ele demanda vale muito a pena para quem for utilizar o espaço. A arquiteta que é parceira da Portobello Shop Florianópolis dá uma última dica. Para Silvia, a casa de praia também pode ficar bonita com a integração da natureza. Algumas alternativas para cultivar são as palmeiras imperiais e os coqueiros, que se adaptam facilmente também com o solo bastante arenoso. “Como nossa cidade é litorânea devemos ter cuidado com a escolha das espécies sujeitas à maresia, e lembrar que temos um clima tropical, com altas temperaturas e chuvas frequentes no verão. Existem plantas específicas que se adaptam muito bem nesse tipo de situação, como por exemplo, os hibiscos, alpineas e ixoreas finaliza.