Jardinagem e Paisagismo
Jardinagem e Paisagismo
1 Jardinagem e Paisagismo
Introdução
Atualmente, grande parte dos brasileiros vive em grandes centros urbanos, repletos de estruturas de concreto e com o ar poluído. O modo de vida agitado e inconstante dessas cidades, aliado à falta de contato com a natureza, contribui significativamente para a piora da qualidade de vida de todos nós.
Dessa forma, se apresenta como uma necessidade contemporânea um retorno ao contato com a natureza, com sua beleza e pureza. A existência de áreas verdes, não apenas em residências, mas dentro das casas e nos espaços urbanos públicos melhora a vida dos moradores das grandes cidades que, além de apreciarem um espaço harmônico, possuem um espaço de socialização em contato direto com a natureza.
Daí vem a importância da jardinagem e do paisagismo, que são duas áreas do conhecimento voltadas para a composição de visuais inspirados na natureza, para que eles sejam agradáveis e harmônicos. Neste curso não temos a pretensão de esgotar o assunto, pois o paisagismo e a jardinagem são práticas antigas e ricamente detalhadas, com muitas informações importantes. Nosso objetivo aqui é expor os conceitos mais fundamentais relativos a essas duas práticas.
Muitos pensam que construir um jardim harmonioso é tarefa dispendiosa, mas neste curso mostraremos como é possível montar um belo jardim sem que isso seja muito custoso para você. Serão mostrados todos os materiais e as etapas necessárias para a construção de um jardim, assim como as plantas que você pode escolher para compô-lo e os cuidados que precisa ter na manutenção. Você verá também como é importante realizar esse trabalho em parceria com um bom profissional, jardineiro e/ou paisagista.
Assim, esperamos que você aprenda os conceitos fundamentais sobre jardinagem e paisagismo, obtendo as ferramentas teóricas necessárias para a construção de um jardim. Queremos mostrar também que todos podem possuir um espaço verde belo e harmônico, independente do tamanho da área e dos recursos disponíveis, colaborando para a qualidade de vida tanto do proprietário do espaço quanto da comunidade próxima como um todo, que também será beneficiada pela sua presença.
2 Abordagem Inicial
Unidade 1
Na história da evolução humana, podemos dizer que desde sempre o homem teve sua existência ligada intimamente à natureza, pois precisa dela pra sobreviver. Com o desenvolvimento das sociedades, é sensível que o ser humano tem se distanciado da natureza, o que diminui a qualidade de vida de todos.
De acordo com os relatos históricos, percebemos desde as primeiras grandes civilizações uma preocupação com a manutenção do equilíbrio entre o desenvolvimento da sociedade e a preservação da natureza. A civilização Suméria, por exemplo, construiu os Jardins Suspensos da Babilônia no século VI a.C., que são considerados uma das sete maravilhas do mundo antigo.No Brasil, o início do desenvolvimento do paisagismo se deu com a chegada da Família Real Portuguesa, em 1808, com o Rei Dom João VI. Devido à transferência da Corte para o Rio de Janeiro, a cidade foi urbanizada para recebê-la, e esse processo incluiu a criação de praças, parques e do Jardim Botânico para abrigar as espécies vegetais que o rei trouxe consigo.
Depois de Dom João VI, os reis Dom Pedro I e Dom Pedro II deram continuidade ao desenvolvimento do paisagismo no Brasil, trazendo célebres paisagistas europeus para a implantação de diversos projetos paisagísticos, principalmente na capital do Império, Rio de Janeiro. Atualmente, o paisagismo impõe-se como uma necessidade fundamental para a sobrevivência e qualidade de vida dos moradores dos grandes centros urbanos, uma vez que serve para manter o equilíbrio do ecossistema, que é muito agredido pelo desenvolvimento das cidades.
Podemos dizer que o paisagismo é a arte de recriar tudo o que é belo. Tem sua origem na natureza, proporcionando belas paisagens e melhor qualidade de vida aos indivíduos e à sociedade.
A importância do paisagismo
O paisagismo é uma atividade muito importante na vida de todos, ainda que muitos não o reconheçam como tal. Podemos dizer que ele tem duas funções essenciais: a social e a ecológica. A função social do paisagismo se dá por meio da implementação de espaços que têm o objetivo de favorecer o convívio entre a população de uma região, como praças, parques e espaços públicos.
Também podemos identificar a função social desta profissão quando pensamos que é por meio de um bom projeto paisagístico para uma grande cidade que a qualidade dos habitantes melhora, beneficiando a todos. Essas melhorias podem se dar através de um projeto que melhore a arborização da cidade e o ajardinamento, o que ajuda a diminuir o calor naquele espaço e os índices de poluição.
Já o equilíbrio ecológico se mostra cada vez mais importante em um planeta que se preocupa crescentemente com a preservação da natureza. O equilíbrio ecológico depende cada vez mais do paisagismo, com seus projetos de implantação e manutenção de áreas verdes nas grandes cidades. Para que exerça essa função, é preciso que o projeto paisagístico não leve em consideração apenas a dimensão decorativa, mas, sim, que procure se adequar o máximo possível as necessidades do local em que ele será executado. Isso significa incluir espécies de plantas que atraem pássaros e pensar no aumento da densidade das folhas, que são dois fatores essenciais para a promoção do equilíbrio do ecossistema.
Atrair pássaros às áreas urbanas é importante, pois eles são responsáveis pela dispersão das sementes das plantas frutíferas e também enriquecem a paisagem das cidades. A densidade foliar, por sua vez, tem a função de oxigenar o ambiente urbano, cada vez mais poluído pela grande circulação de veículos e pela atividade industrial.
Jardinagem
A jardinagem é o trabalho de um profissional ou de um leigo para manter um local público ou privado de acordo com o plano paisagístico projetado para aquele lugar. Em outras palavras, é o processo de manter as plantas regadas, podadas e sadias, ou seja, a jardinagem é responsável pelo cultivo do jardim e pela garantia da sua existência. A prática da jardinagem é, na grande maioria dos casos, destinada a fins ornamentais, mas ela também pode ser aplicada com fins educativos, como no caso de um zoológico ou jardim botânico, assim como na urbanização de determinados espaços na cidade, como praças e parques.
Dessa forma, podemos perceber como a jardinagem se relaciona intimamente com o paisagismo, uma vez que essas duas práticas caminham juntas. O paisagismo é responsável pela concepção do projeto paisagístico da área, ou seja, pela distribuição das plantas ornamentais, equilíbrio das cores e das espécies que serão utilizadas e adequação da utilização do espaço. A jardinagem entra no momento da implantação e da manutenção do projeto. Em outras palavras, as duas práticas são interdependentes, e uma estaria incompleta na ausência da outra.
Como contratar um bom jardineiro
Para ser um bom profissional desta área, é preciso que o jardineiro domine alguns conhecimentos básicos. Infelizmente, existem muitos jardineiros que não têm os saberes mínimos para exercer essa profissão, o que tem como consequência o prejuízo do jardim que deveria estar sendo cuidado. Para evitar que isso aconteça com o seu jardim é preciso que sejam tomados alguns cuidados no momento de contratar uma pessoa para cuidar dele. Vamos listar alguns passos, como sugestão, que você pode adotar no momento de escolher o prestador de serviços:
a) Peça indicações a conhecidos sobre profissionais em que eles confiam e que já puderam verificar a qualidade do trabalho.
b) Peça referências de seus últimos trabalhos para conferir a qualidade do serviço prestado.
c) O bom jardineiro sabe lidar com as plantas de maneira segura, pois possui experiência com elas. Ele não tem a necessidade de fazer uso de artifícios verbais para “impressionar” o cliente.
d) A maioria dos bons jardineiros não procura serviço de porta em porta, pois eles têm sua clientela fixa que já conhece a qualidade do serviço.
e) Um bom profissional de jardinagem possui as próprias ferramentas, sempre bem conservadas.
Muitos dos chamados “maus jardineiros” são pessoas que não receberam uma profissionalização correta ou específica para esta área e muitos apenas encaram essa atividade como um “bico”, ou seja, um trabalho temporário para ganhar renda extra.
Se você pretende que seu jardim esteja sempre bem cuidado, com uma boa manutenção das plantas e do espaço, procure um profissional qualificado e com referências para exercer o trabalho. Caso não tenha a intenção de contratar um jardineiro, mas fazer você mesmo a manutenção do seu jardim, listamos alguns “pecados” que devem ser evitados:
- Fazer uma poda desregrada, mutilando as plantas sem deixar condições para que elas sobrevivam.
- Plantar árvores em buracos muito rasos, ou sobre lajes de concreto, o que impede que as raízes cresçam e as plantas se desenvolvam.
- Cobrir o gramado com muita terra, impedindo-o de respirar, o que provoca a morte da grama.
Os jardins no Brasil e nas Américas
Um dos fatores que influenciam decisivamente na composição de um jardim é o contexto cultural em que ele está inscrito. Se compararmos, iremos perceber que um jardim europeu é muito diferente de um jardim feito no México, por exemplo. Veja a seguir:
Devido à colonização europeia no continente americano, evidentemente que o estilo da composição das paisagens, que é predominante nas américas, sofreu forte influência das concepções dos europeus em relação ao que era belo e harmonioso. Antes da chegada dos espanhóis e portugueses no continente americano, sabe-se – por meio de escavações arqueológicas – que as civilizações Maia, Asteca, Tolteca e Inca tinham o hábito de cultivar jardins.
De acordo com M. Coutinho dos Santos, depois da chegada de Cristóvão Colombo à América e de Pedro Álvares Cabral às terras brasileiras se expandiu a influência ibérica e europeia como um todo em nosso continente. O contato das civilizações ameríndias e europeias teve como consequência o desaparecimento, quase que total, dos produtos da cultura indígena e, no que se refere aos jardins, somente possuímos vestígios arqueológicos.
Quando o Estilo Barroco entrou em alta na Europa, no final do século XVII, ele foi trazido ao continente americano, dando início ao estilo colonial e de missões. A obrigatoriedade de um pátio nas casas construídas neste estilo causou o aparecimento do jardim fechado, que lembrava os jardins dos monges na Idade Média, ou os jardins dos muçulmanos na Espanha ocupada pelos árabes neste período. Geralmente encontramos todos os tipos de jardins ao longo do continente americano. Devido à maior influência britânica, a América do Norte apresenta grande quantidade de jardins à inglesa. No México e em países de língua espanhola e que conservaram laços com a tradição indígena, o estilo predominante é o Colonial, com elementos decorativos inspirados na cultura de seu povo.
Já no Brasil a influência dos portugueses foi diferente do que a exercida pelos colonizadores espanhóis e a jardinagem só foi possível quando se formaram grandes fortunas e, para abrigar seus donos, determinou-se que deveriam ser criadas chácaras e quintas, cujas decorações foram descritas por Taunay: “À frente ou lateralmente às casas grandes, existiam bonitos jardins cultivados com capricho. Ao centro, ostentavam o invariável repuxo sobre tanque de azulejos, em que viviam peixinhos de vivo colorido. Atrás das mansões ou próximos às mesmas surgiam os pomares, geralmente muito agradáveis e abrangendo grande área toda plantada de árvores e arvoredos frutíferos da maior diversidade possível.
Em local apropriado ficavam as hortas, também agradáveis, cultivadas com cuidado e sortidas de hortaliças da máxima variedade e cuidadas, quase sempre, por chacareiros portugueses. Muito interessante a irrigação praticada nas hortas de antigamente: pelas principais ruas corriam reguinhos d’água, nos quais, de distância em distância, haviam pequenas poças no próprio chão, dessas poças, tiravam os hortelãos a água em cuidas amarradas em cabos de pau, assim, arremessada aos canteiros. Dando para o jardim ficavam, geralmente, certas dependências da moradia, tais como a sala de bilhar, a das armas e a da escola dos sinhôs-moços, onde o ensino era ministrado por professores competentes.”
3 Conde de Taunay, citado em Manual de Jardinagem e Paisagismo.
A importância do solo
4 Como reconhecer o solo
Outra maneira de verificar o solo é cavando um pequeno buraco para conferir a cor dele – quanto mais escuro, mais rico em nutrientes. Se a terra apresentar a cor entre preto e marrom significa que a sua qualidade é boa, pois ela é rica em matéria orgânica e é capaz de reter água e ar na quantidade ideal para as plantas ornamentais. Se a terra estiver avermelhada significa que o solo é bom para o plantio, mas tem excessiva quantidade de argila. Neste caso, o indicado é que se misture areia e esterco no solo. Quando o solo está amarelo, ele possui pouca quantidade de nutrientes e muita areia e, neste caso em particular, é preciso que seja feita uma análise da terra em laboratório.
Quando o solo não é analisado, em particular solos visivelmente pobres, podem acontecer problemas ligados à deficiência de nutrientes e inadequação em relação às plantas que serão cultivadas, o que acaba tendo como consequência a necessidade de trocar a terra. Se isso acontecer, o valor inicialmente planejado será acrescido do custo de troca da terra. A análise do solo poderá ser feita em laboratórios oficiais ou particulares. Em geral, o tempo para a avaliação é de uma semana, mas isso pode variar de acordo com a época do ano, pois em alguns períodos a procura de agricultores por essa análise é grande e o prazo pode ser estendido.
Os laboratórios fornecem os critérios que deverão ser preenchidos para a análise do solo, mas, em geral, deve ser coletada uma amostra de terra a cada 500m². Essas amostras são colhidas de porções de solo de até 30 cm de profundidade, em média, e postas em sacos plásticos limpos, na quantidade de ½ kg por amostra. Para ter um resultado mais confiável, é aconselhável que sejam colhidas várias amostras de terra nos diversos pontos do terreno, misturando-as e, em seguida, tirando a quantidade necessária para ter a amostra com ½ kg a cada 500m².
A análise é importante porque ela indica o grau de acidez, o teor de hidrogênio, cálcio, magnésio, alumínio e matéria orgânica existente no solo, sendo que esses são os elementos que determinam a adubação ideal para o terreno.
CORREÇÃO DO PH E DA FERTILIDADE
Para medir a acidez do solo, o parâmetro adotado é o pH, em uma escala que varia de 1,0 a 14,0 – sendo que, quanto mais perto de 1,0, mais ácido é o solo e, quanto mais próximo de 14,0, mais alcalino. Quando o pH é 7,0 o solo é neutro. Veja a escala abaixo:
Na maioria dos solos o pH varia de 3,0 a 9,0, sendo o pH ideal entre 6,0 e 6,5 para a maioria das plantas ornamentais. Se o solo estiver muito ácido, as plantas não conseguirão absorver os nutrientes da terra completamente e seu crescimento será prejudicado. Se você quiser medir o pH da terra de seu jardim, precisa ir a uma loja especializada em produtos químicos e comprar um peagâmetro, um aparelho que, ao ser colocado na terra, indica o pH.
Em geral, o solo brasileiro costuma ser muito ácido, o que torna necessária a correção do pH da terra. Caso verifique a necessidade de correção do pH, a cada ponto de pH que precise corrigir, misture 150g de calcário dolomítico por m².
Por exemplo
A conta feita para chegar a este número foi a seguinte:
1 ponto de pH = 150g de calcário dolomítico Como precisaremos corrigir em 2 pontos o pH do solo, temos: 2 x 150g = 300g
No caso acima, para corrigir um pH de 4,0 para 6,0, é preciso que sejam aplicados 300g de calcário dolomítico a cada metro quadrado. Se o terreno tiver 30m², a conta ficará da seguinte forma: Se a cada 1 m² precisamos de 300g de calcário dolomítico, para corrigir todo o terreno serão necessários:
30 x 300g = 9000g de calcário ou 9 kg
A aplicação do calcário dolomítico demora 30 dias para fazer efeito e corrigir o pH do solo, então, faça a aplicação um mês antes de começar a plantar. Caso o solo do seu jardim esteja alcalino é preciso que seja aplicado sulfato de amônia uma semana antes do plantio.
TIPOS DE TERRAS E SUAS PROPRIEDADES
Já mostramos que a cor do solo é um bom indicativo da qualidade dos nutrientes presentes nele. Agora vamos estudar como observar os elementos visíveis que compõem a terra e o que eles nos indicam sobre a sua qualidade. As características podem ser classificadas em:
a) Elementos grossos, como pedras e cascalho;
b) Elementos finos, como areia, argila e limo;
A terra que tem grande quantidade de elementos grossos, desde que não apresente muita argila em sua composição, possui grande permeabilidade. A que possuir muitos elementos finos, se não tiver uma quantidade de argila menor do que a de húmus, é pouco permeável e, assim, a água tem mais dificuldade de alcançar as raízes das plantas. Para que o solo seja ideal para as plantas ornamentais, é necessário que haja equilíbrio entre os elementos grossos e finos. Também é preciso manter o maior índice possível de húmus no solo, o que irá assegurar a sua fertilidade, além de um bom escoamento da água e as condições necessárias para o desenvolvimento das raízes.
MINHOCAS
Uma medida que interfere pouco na composição original do solo é a inclusão de minhocas na terra onde será feito o plantio. Elas são trabalhadoras incansáveis na manutenção do solo, conservando-o areado, o que melhora a sua permeabilidade. Seu trabalho se dá por meio da escavação constante do solo, formando galerias rasas que tornam a terra mais fofa e rica em vida micro-orgânica. A alimentação das minhocas absorve aproximadamente 4% dos nutrientes da terra, e as excreções produzidas por elas são consideradas um fertilizante natural para o jardim.
A luz do sol é fatal para as minhocas, pois causa desidratação e morte. Por isso, elas permanecem embaixo da terra durante todo o dia, saindo apenas à noite para se reproduzirem. As minhocas também saem da terra quando ela está excessivamente molhada, pois não conseguem respirar nesta condição em que o nível de oxigênio no solo é menor.
A incorporação de minhocas à terra dos jardins em que elas não existem, ou que existem em quantidade insuficiente, é uma técnica que garante a fertilidade natural do solo, além de favorecer o desenvolvimento mais rápido das raízes das plantas.
Preparação do solo e adubação
Para preparar o solo a fim de receber o jardim, o primeiro passo é fazer uma limpeza geral de toda a área, arrancando as ervas daninhas e a vegetação invasora. Desta maneira, as ervas daninhas devem ser cortadas com um arrancador de tiririca, pois essa ferramenta permite o alcance das raízes mais profundas da planta. Ao tirar as raízes e os tubérculos da terra, eles devem ser colocados em um saco plástico e incinerados. Essa medida pode parecer um exagero, mas não o é, pois as ervas daninhas infestam novamente o terreno quando sobrevive algum resquício de tubérculo ou raiz na tera.
Depois que as ervas daninhas forem eliminadas, o terreno deve ser todo revirado por enxadão ou enxada rotativa (quando se tratar de grandes áreas), atingindo a profundidade de 30 cm. Em seguida, os torrões de terra devem ser quebrados com o forcado ao mesmo tempo em que se tiram as raízes e restos de entulho, tais como cacos de telhas, cerâmica, tijolo, entre outros.
Terminado esse processo, a terra estará limpa e preparada para receber os adubos. Na incorporação deste, também utilizaremos o forcado para misturar o fertilizante à terra, renivelando em seguida (ainda que grosseiramente) a área. Feita a limpeza, a aração e a adubação do solo, a terra terá que ser deixada descansando por dez dias, sendo regada diariamente. Esse período é importante, pois se sobrar algum resquício de vegetação, ela brotará nestes dez dias e será possível arrancá-la antes que o plantio comece. Além disso, os fertilizantes são absorvidos durante esse tempo, evitando que as raízes se queimem devido ao contato direto com a terra. A última fase de preparação do solo é seu nivelamento definitivo. Em primeiro lugar, a terra deve ser movimentada com uma enxada larga, a fim de cobrir as partes que estão desniveladas. Isso feito, deve-se passar o rastelo para os acertos finais de limpeza e nivelamento do terreno.
O processo de nivelamento do terreno é importante porque ele garantirá que não existam pontos em que a água da chuva e da rega fique armazenada, o que causaria um encharcamento excessivo daquele pedaço de terra. O terreno deve ser pensado de forma que a água possa escorrer livremente para os pontos de drenagem, caso contrário a terra ficará muito molhada e com pouco oxigênio, o que irá matar as plantas. Por este motivo, é extremamente importante que os pontos de drenagem do jardim sejam cuidadosamente planejados. Esses pontos têm a finalidade de facilitar o escoamento do excesso de água que, pelas regas ou ação das chuvas, não é absorvida pelo solo e que, permanecendo na terra, poderia encharcá-la causando o apodrecimento das raízes das plantas. A drenagem do terreno pode ser feita de forma natural ou artificial, dependendo da topografia e da permeabilidade do solo.
Se o terreno tiver uma permeabilidade média e for inclinado na direção da rua, o sistema de valetas subterrâneas pode ser adotado, preenchendo-as com pedrisco grosso, o que possibilitará o escoamento da água para a rua. O pedrisco grosso é um tipo de pedra pequena que tem origem na areia dos rios, com acidez neutra e grande capacidade de drenagem da água. A valeta principal deve ser cavada na porção mais firme do solo, com uma profundidade média de 40 cm abaixo da superfície.
Um sistema de drenagem artificial é o que utiliza manilhas furadas, tubos de concreto com furos que servem para escoar artificialmente a água de um terreno. Estas manilhas são colocadas na camada firme do subsolo e são cobertas por uma camada de pedrisco grosso para evitar que a terra obstrua os buracos por onde passará a água. É importante ressaltar que não apenas em um grande jardim a drenagem se apresenta como essencial, mas também em jardins internos, vasos e jardineiras. Os canteiros de concreto, presentes em prédios de apartamentos, por exemplo, também precisam de um meio de drenagem eficiente.
5 ADUBAÇÃO
Em relação aos adubos inorgânicos ou sintéticos, podemos dividi-los em três tipos:
Em relação aos adubos inorgânicos ou sintéticos, podemos dividi-los em três tipos:
6 Construindo o Jardim
Unidade 2 você irá aprender como construir o seu jardim. Veremos quais são as etapas de construção e quais são as ferramentas necessárias. Veremos detalhadamente como realizar as nove etapas de construção da sua área verde, assim como quais são as pragas e doenças mais comuns nos jardins, como identificá-las e eliminá-las com o mínimo de prejuízo. Bons estudos!
Ferramentas necessárias
As etapas de construção do jardim são, em linhas gerais, as seguintes:
1) Limpeza e desbravamento do terreno.
2) Terraplanagem.
3) Locação da planta no terreno.
4) Construção das vias de acesso.
5) Reparo do terreno.
6) Plantação do jardim.
Assim que essas etapas tiverem sido superadas, ou seja, quando o jardim já estiver plantado é preciso começar o trabalho de manutenção. As etapas da manutenção são:
7) Cultura das plantas.
8) Defesa sanitária do jardim.
9) Limpeza.
Vamos abordar cada uma dessas fases mais detalhadamente mais adiante no presente curso. Neste momento, discriminaremos esses processos para que você possa conhecer as ferramentas necessárias em cada uma delas. É importante que você escolha as ferramentas de acordo com a extensão do jardim que pretende cultivar e selecione os equipamentos de melhor qualidade para que eles não prejudiquem as plantas e você não tenha gastos futuros com consertos de peças.
De acordo com as seis etapas de construção do jardim, foram listadas as ferramentas necessárias a cada uma delas, conforme você pode verificar:
A partir da lista apresentada podemos dizer que existe um mínimo de 24 peças que devem estar presentes na construção e manutenção de um jardim. Veremos a seguir como são essas ferramentas e que funções elas exercem.
Foice
A foice é usada no momento de desbravamento do terreno, quando o objetivo é fazer o corte baixo do mato, preparando o solo para a capina. Além disso, a foice pode ser utilizada para cortar arbustos e galhos não muito grossos.
- Enxada
A enxada será usada na capina do terreno a ser preparado para a jardinagem, ou seja, ela irá retirar o mato que está no solo. Além de servir para a capina, a enxada é útil para escavar e revolver a terra, espalhando e misturando adubos, por exemplo. Para escolher uma enxada de boa qualidade, deve-se observar a qualidade deste material, lembrando que uma boa enxada deve ter a lâmina de aço e o cabo de madeira lisa, bem ajustado.
- Enxadão
O enxadão é usado quando trabalhamos com um terreno muito compacto, em que haveria muito trabalho para que a enxada fosse utilizada. O enxadão é uma enxada de lâmina mais estreita e mais grossa que a enxada comum. Normalmente, tem o cabo mais curto que o da enxada, formando com ele um ângulo de 90° – sendo que a enxada forma um ângulo menor que o de 90° com o seu cabo.
- Forcado
O forcado é utilizado no processo de juntar o mato que foi capinado ou roçado. É uma espécie de garfo grande, que permite a realização do trabalho com rapidez e eficiência.
- Ancinho
A diferença entre o ancinho e o garfo é que o primeiro tem dentes mais numerosos e próximos uns dos outros. Isso faz com que ele seja eficiente em juntar os restos dos detritos resultantes da capina ou do roçado que eventualmente escaparam ao garfo. Além disso, o ancinho é útil para espalhar a terra no acabamento final, servindo também como escarificador.
- Pá
As pás são semelhantes a colheres em tamanho maior: servem para movimentar pequenas porções de terra ou para colocar lixo ou terra nos carrinhos de mão. Existem pás em tamanhos, formas e cores diferenciadas, mas todas prestam o mesmo serviço.
- Pá-direita
A pá-direita se diferencia da pá comum pela lâmina mais plana, mais curta, mais estreita e mais grossa do que a lâmina da pá. Ela serve para revolver e escavar a terra, arrancar plantas e acertar as bordas do jardim. Em muitos casos, pode substituir os serviços destinados ao enxadão com maior eficiência.
- Plantadores
Os plantadores são destinados ao plantio de pequenas mudas e variam em relação à forma e ao tamanho.
Arrancadores de plantas (em geral)
Os arrancadores de plantas são engenhosos utensílios pensados para essa prática, com relativo sucesso, da operação de arrancar pequenas plantas sem danificar as raízes. É usado quando você precisar transplantar uma planta ou quando quiser tirar ervas daninhas do solo.
Arrancador de tiririca
Os arrancadores de tiririca são instrumentos específicos para a retirada de ervas daninhas do terreno quando os arrancadores comuns não se mostram eficientes.
Tesouras de poda
As tesouras de poda podem ser utilizadas para aparar gramados e plantas durante as podas de limpeza, para cortes de ramos finos e para colher flores sem danificar a planta.
Esse nome é destinado a uma série de pequenas ferramentas que têm a finalidade de quebrar a crosta endurecida que se forma após alguns dias em que o terreno foi preparado e plantado. Os escarificadores são usados na capina e na retirada de plantas daninhas quando os outros instrumentos não conseguiram realizar esse trabalho.
- Cortador de grama
Os cortadores de grama, como o próprio nome já diz, são as ferramentas utilizadas para o trabalho de aparar a grama. Existem vários modelos e tamanhos, mas eles diferem na qualidade do material e servem basicamente para a mesma utilização.
Canivetes para enxertar
O canivete para enxertar é adaptado para facilitar o enxerto de borbulha, que é um processo de propagação de plantas muito eficiente. Esse processo consiste em pegar um pedaço da casca da outra planta, juntamente com um gomo desta, e inseri-lo no caule de uma segunda planta, para que a primeira cresça a partir da estrutura da segunda.
7 - Podão
- Regadores
- Mangueira
- Pulverizador
- Pincéis para caiação de troncos e escovas de aço
- Vassouras
- Carrinho de mão
- Soquete
Etapas de construção de jardins
PIQUETE
8 Plantação do jardim
Agora que o terreno está preparado para o recebimento das plantas, veremos como planejar e realizar a plantação das espécies selecionadas para compor o jardim. Em primeiro lugar, vamos pensar no alinhamento das plantas, que é um diferencial para a composição da paisagem. Os alinhamentos das plantas podem ser retilíneos, ou seja, traçados em linhas retas, ou em formato de curvas, de acordo com o estilo que você pretende dar ao seu jardim.
Para fazer o alinhamento é preciso que você assinale no terreno o local onde as plantas serão colocadas. Os materiais necessários para fazer a marcação são: balizas, estacas, trena e martelo. As balizas são hastes em formato de hexágono de madeira, com o comprimento entre 2m e 2,5m, com a ponta de metal, o que facilita sua penetração no solo. Em geral elas são pintadas com listras vermelhas para que possam ser visualizadas a grandes distâncias.
As estacas têm o comprimento de 30 cm a 1m, sendo feitas de madeira e marcam o local onde as plantas serão fixadas. Para que sejam colocadas no solo, elas precisam ter uma das pontas talhada. A fixação das estacas é feita com o martelo. Para fazer os alinhamentos, coloque as estacas nas extremidades de cada marcação, de acordo com o alinhamento escolhido. Se ele for em quadrados, em grupos de cinco. Com a trena, marque os locais onde deverão ser colocadas as estacas, para marcar onde ficarão as plantas e, em seguida, coloque as estacas com o auxílio do martelo. Feito o trabalho de marcação do terreno, agora é a fase de plantar efetivamente. Vamos ver como isto pode ser feito com plantas isoladas, com gramados e em vasos.
PLANTAS ISOLADAS
Em primeiro lugar, devem ser feitas as covas para receber as plantas em cada peça do jardim, separando a terra superficial da terra mais profunda. Quando você for colocar a terra na cova, ponha primeiro a terra que estava mais próxima à superfície, pois ela é mais rica em nutrientes e isso fará com que a planta se desenvolva mais rapidamente. Para esse fim, também é proveitoso colocar uma camada de esterco na terra, de acordo com as necessidades do solo e da espécie a ser plantada.
Ao assentar a planta na cova, tome cuidado com a força empregada, pois isso pode danificar a raiz de determinadas espécies mais frágeis. A terra deve ser comprimida ao redor da planta para que não fiquem espaços vazios ao redor da vegetação, o que acaba prejudicando sua adesão ao solo. Isso feito, a planta deve ser regada para que as camadas laterais de terra se ajustem ao seu formato.
GRAMADOS
O gramado, ou tapete verde, é um elemento de alto valor para a composição da paisagem ornamental de seu jardim. Por isso, sua plantação deve ser feita criteriosamente pelo jardineiro, pois se for feita de forma negligente levará o gramado à morte. A plantação pode ser feita a partir das sementes da grama, jogadas sobre a terra já preparada. Em seguida, é necessário regar com a mangueira ou com o regador que tenha uma abertura para a água em buracos pequenos, evitando que a água jorre de forma muito forte (o que agride as sementes e a terra no momento inicial da plantação), para que as sementes fiquem bem aderidas ao solo.
Outra forma de realizar a plantação do gramado é por meio de mudas de grama, colocadas em covas rasas próximas umas das outras – com a distância máxima de 5 cm entre elas – sem se preocupar com o alinhamento, pois as mudas crescerão e preencherão estes espaços. Após a colocação das mudas de grama, deverá ser feita uma rega periódica no jardim, de manhã e à tarde se o tempo estiver seco. Esse processo pode ser feito em qualquer época do ano, mas é mais proveitoso se for realizado em meses em que as chuvas são regulares e/ou nos períodos em que não faz um calor excessivo. O mais adequado para a plantação das mudas de grama é que este trabalho seja feito no final da tarde, o que poupará as mudas recém-plantadas da exposição a um sol muito forte, o que pode prejudicar o seu desenvolvimento.
No caso de haver um jardim em que se planeje a plantação de grama e plantas isoladas, primeiro plante as espécies isoladas e depois a grama.
VASOS
Para realizar a plantação em vasos, é preciso que sejam seguidos seis passos simples para o bom desenvolvimento das plantas:
1º) Colocar na primeira camada do vaso, logo acima do buraco para escoamento da água que fica no fundo dos mesmos, uma porção de pequenas pedras (podem ser também pedaços de telha, de tijolo), para garantir a vazão da água.
2º) Deixar a terra que será colocada no vaso úmida, com a antecedência mínima de 10 dias, incorporando os adubos necessários à espécie a ser cultivada. para não agredir a terra e/ou a muda.
3º) Colocar a terra no vaso em quantidade suficiente para fazer a plantação.
4º) Efetuar o plantio com os mesmos cuidados descritos na etapa das plantas isoladas.
5º) Após colocar a planta, encher o vaso com terra até que fique próximo da borda, com uma distância máxima de 1,5cm.
6º) Assim como nos casos que vimos anteriormente, a muda plantada deve ser regada na sequência do plantio, com um regador com buracos finos para vazão da água,