Características
As plantas floríferas utilizadas em canteiros são as forrações, que são plantas herbáceas, de porte baixo (até 1 m), utilizadas em jardinagem, com o intuito de recobrir o solo e ao mesmo tempo proporcionar beleza ao observador do jardim. As forrações são utilizadas basicamente para recobrir o solo nas áreas de jardim em que o gramado não pode ser utilizado, como nas áreas sombreadas. Podem ser utilizadas também para formar canteiros de grande beleza, mesclando cores e formas em seu jardim ou ainda para delimitar caminhos, piscinas, quiosques e monumentos presentes no jardim. Algumas espécies podem ser utilizadas como um destaque do jardim, seja pela floração, cor das folhas ou simplesmente por se tratar de espécie rara.
São diversas as características e utilizações das forrações, devido ao grande número de espécies vegetais utilizadas com esta finalidade. Portanto, para uma utilização racional destas plantas, devemos conhecer as características de cada planta (porte, longevidade, coloração das folhas e flores, etc.), assim como as condições ideais de cultivo quanto à luminosidade, espaçamento, necessidade de água, etc. Para uma melhor compreensão destas informações, são explanadas a seguir as principais características que influenciam na escolha de espécies para jardinagem. Observe que as diversas características inerentes às espécies, podem ser conhecidas através da prática e também de livros e revistas especializadas.
Luminosidade: esta característica é fundamental no sucesso da escolha das espécies que irão compor o jardim. As forrações podem ser de sol pleno, de meia sombra e de sombra total. Para a escolha de espécies, é
necessário o conhecimento das condições de luminosidade do local e o conhecimento das características específicas das plantas.
• Sol pleno: - quando uma área possui insolação direta por pelo menos mais da metade do dia é consideradas
área de sol pleno. As plantas indicadas para estas áreas são aquelas que necessitam de insolação plena para o perfeito desenvolvimento das características ornamentais desejadas. Se colocarmos plantas de sol pleno em condições de meia sombra ou sombra, estas não irão se desenvolver completamente, não manifestando as características ornamentais, podendo até mesmo vir a morrer. Como exemplos de plantas de sol, podemos citar: Gazânia, Coreopsis, Hemerocalis, Íris, Cóleus, Senécio, Onze horas, Margarida, Cravinas, etc.
• Meia sombra: - esta condição se caracteriza em áreas que são sombreadas durante a metade do dia (manhã
ou tarde), geralmente em volta de prédios e casas ou áreas que possuem sombreamento parcial, por onde passam faixas de raios solares durante o dia todo, como em baixo das copas de árvores e outros vegetais de grande porte, assim como em telados e ripados artificiais. As plantas que necessitam de condições de meia sombra para o perfeito desenvolvimento são bastante versáteis, pois podem ser plantadas também em locais sombreados, sem apresentar grandes perdas de características ornamentais, como cor das folhas, floração, etc. Todavia, não podem ser plantadas em locais com insolação plena, pois serão bastante prejudicadas. Um grande número de forrações se encontra neste grupo, podendo citar como exemplos: Heras verdadeiras, Singônio, Peperomia, Trapoeraba, Vinca, Impatiens, Clorofito, Ajuga, Periquito, Jibóia, etc.
• Sombra: - são locais com sombra constante, como nos jardins de interior ou locais com vegetação arbórea com copa bastante densa, (por onde os raios solares são filtrados por completo), não havendo insolação direta em nenhum momento do dia. As plantas indicadas para esta situação, são aquelas que não suportam insolação direta, com risco de ficarem queimadas e não apresentarem beleza ornamental. As plantas deste grupo podem ser colocadas em condições de meia sombra sem grandes alterações nas características específicas como cor das folhas e porte; todavia, não conseguem apresentar perfeitamente as características próprias. As principais forrações de sombra são: Piléias, Filodendros, Curculigo, Marantas e Calatéas, Grama preta, Dólar, Selaginelas, Spatifilum, entre outras.
Floração: as forrações são divididas em floríferas, (que possuem flores ornamentais); de folhagem, (que possuem folhagem ornamental e flores insignificantes); e aquelas que possuem tanto as folhas como as flores ornamentais. O conhecimento das espécies quanto a esta característica se torna fundamental na escolha das espécies de um jardim. A classificação de uma espécie em um desses grupos é bastante pessoal, cabendo à
própria pessoa fazer esta classificação (significado de beleza é abstrato); no entanto, algumas plantas são bastante típicas dentro de cada grupo, como por exemplo, Heras, Periquito, Singônios, Clorofitos entre outras, são tipicamente de folhagem; enquanto que Cravo de defunto, Hemerocalis, Boca de leão, Margarida, Petúnia, Amor perfeito, Capuchinho, Celósia, Impatiens, etc., são plantas de flores ornamentais.
Longevidade: as forrações são classificadas neste sentido, em anuais e perenes, de acordo com o tempo que a planta necessita para completar um ciclo de nascimento-crescimento-reprodução-morte. O tempo gasto varia de espécie para espécie, sendo que as plantas que completam este ciclo em até dois anos são conhecidas por anuais. Portanto, ao plantarmos um jardim com plantas deste tipo, devemos refaze-lo após o tempo de vida das plantas. Exemplos de plantas anuais: Cravo de defunto, Alissum, Celósia, Impatiens, Vinca, Boca de leão, Petúnia, Amor perfeito, Coleus, Onze horas, Zinnia, etc.. As plantas que vivem por mais tempo são as plantas perenes, sendo que algumas vivem eternamente desde que as condições ambientais (clima, água, nutrientes, etc.) permaneçam favoráveis e adequadas, no entanto, quando plantadas em jardins requerem podas, desbastes, adubações, etc., para se manterem sempre bonitas e vistosas. Como plantas perenes temos o Hemerocalis, o Agapantus, o Periquito, as Calatéas e Marantas, o Singônio, as Piléias, entre outras.
Porte: esta característica diz sobre a altura da planta adulta. É importante para fazermos uma escolha adequada de espécies para o jardim, principalmente quando se fazem misturas de forrações em uma mesma área, pois com o crescimento das plantas, se uma espécie que cresce pouco ficar entre duas espécies que crescem mais, a espécie menor será prejudicada, além de ficar esteticamente em local inadequado. Portanto, o conhecimento das características das plantas é fundamental para a escolha das espécies que irão compor o futuro jardim.
Cores: a cor das folhas e flores é também um item importante na escolha das espécies para o jardim, principalmente quando se fazem arranjos em mosaicos ou maciços de forrações. Existem plantas que apresentam misturas de várias cores nas folhas e flores, como no caso das plantas variegadas. As flores também apresentam várias cores de acordo com a variedade, sendo o conhecimento prévio destas um fator importante na escolha das plantas. Por exemplo, o Cravo de defunto possui cor de flores variando do amarelo claro até o marrom, sendo o alaranjado o mais comum.
Necessidade de água: as plantas necessitam de água em maior ou menor quantidade e/ou freqüência dependendo da espécie. Na escolha das espécies para uma determinada área do jardim, devemos agrupar plantas que necessitam de um regime de água semelhante, para facilitar as irrigações e proporcionar um melhor desenvolvimento da muda. Por exemplo, se colocarmos uma planta que necessita de pouca água como as das famílias Crassulaceae e Cactaceae, no meio de plantas que necessitam de muita água como o Spatifilum, Singônio, Copo de leite, etc., uma das duas plantas ficará prejudicada por excesso ou por falta de água.
Espaçamento de plantio: este item influencia significativamente o desenvolvimento das plantas e consequentemente as qualidades ornamentais da espécie. De uma maneira geral o espaçamento é definido de acordo com o porte da espécie: espécies de porte maior, espaçamento de plantio maior e vice-versa. No entanto, pode-se plantar espécies de pequeno porte em espaçamentos maiores, sendo que neste caso as áreas demoram mais a se fechar; no entanto, o desenvolvimento individual não fica prejudicado. Espécies de maior porte não podem ser plantados em espaçamento reduzidos, com o risco das plantas estiolarem e não reproduzirem as características ornamentais desejadas. Os espaçamentos mais utilizados são de 10cm X 10cm até 30-40cm X 30-
40cm entre plantas. Observe que o espaçamento pode ser definido também pelo número de mudas disponíveis. Por exemplo, se tivermos um número definido de mudas para plantarmos em uma determinada área, o espaçamento será de acordo com o número destas mudas; por outro lado, se tivermos um número ilimitado de mudas, poderemos plantar em espaçamento mais reduzido ou adequado com a espécie, que a área se fechará
rapidamente.
Outras características: formato das folhas, arquitetura da planta, clima adequado, etc., se tornam importantes à
medida que se aumenta o conhecimento sobre este grupo de plantas.