Limpeza de superfície em serviço de saúde COVID-19

Noções Básicas em Limpeza Hospitalar

1 Limpeza e a Desinfecção

A limpeza e a desinfecção de superfícies são os processos que proporcionam segurança e conforto aos seus pacientes, profissionais, familiares visitantes nos serviços de saúde. Contribuem, também, para o controle das suas infecções relacionadas à assistência à saúde, para garantir um ambiente com superfícies limpas, com uma diminuição do número de microrganismos, apropriadas para realizar as atividades desenvolvidas nesses serviços (BRASIL,2012).

No contexto da COVID-19 se constitui uma conduta básica para diminuir o risco de transmissão a partir de superfícies contaminadas, ainda mais pela sobrevivência deste patógeno em superfícies animadas por períodos prolongados (KAMPF; PFAENDER; STEINMANN, 2020). Sendo assim, os serviços de saúde devem criar, disponibilizar de maneira escrita e manter disponíveis, normas e rotinas dos procedimentos de limpeza e a desinfecção de superfícies. Mas , não existe uma recomendação diferenciada para tais procedimentos (ANVISA, 2020).

 

Definição:

A limpeza do ambiente consiste na remoção da sujidade que é depositada nas superfícies inanimadas utilizando de meios mecânicos (fricção), físicos (temperatura) e ou químicos (detergente). Pode ser associada ao que dizemos á aplicação de agentes desinfetantes para eliminar microrganismos (fungos, vírus e bactérias)  (CARRARA; STRABELLI; UIP, 2017).

 

Limpeza:

A limpeza é a remoção de sujidades orgânicas e inorgânicas, redução de carga microbiana presente nos produtos para a saúde, usando água, detergentes, produtos e acessórios de limpeza, por meio de ação mecânica , tendo atuação em superfícies internas (Iúmen) e externas, de maneira a tornar o produto seguro para o manuseio e preparado para desinfecção ou esterilização.

 

Desinfecção:

É um método que destrói microrganismos patogênicos ou não, tanto de artigos como de superfícies com a exceção do alto número de esporos bacterianos, pela aplicação de meios físicos ou químicos.

 

Tempo de permanência dos patógenos nas superfícies:

Os microrganismos podem sobreviver em superfícies breves a longos períodos. Diversos fatores podem influenciar a sobrevivência desses patógenos, entre os quais a quantidade, a presença de material orgânico, tipo de superfície, meio de suspensão, modo de deposição, temperatura e umidade relativa e o método usado para determinar a viabilidade do agente que foi pesquisado.

 

 

  • Para os vírus este comportamento não muda. Os coronavírus humanos, como coronavírus da Síndrome Respiratório Aguda Grave (SARS-CoV), o coronavírus da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) ou coronavírus humano endêmico (HCoV) podem persistir em superfícies inanimadas como o metal, vidro ou plástico por até 9 dias.
  • Plástico - 5 dias
  • Papel -  4-5 dias
  • Vidro - 4 dias
  • Luvas - 8 horas
  • Metal - 48 horas
  • Madeira - 4 dias
  • Alumínio - 2-8 horas

Os desinfetantes de superfícies recomendados em ambientes de atendimento a pacientes suspeitos ou confirmados para COVIS-19 não diferem dos já incorporados ás rotinas dos serviços de saúde e incluem sobretudo aqueles à base de cloro (0,1%) álcoois (entre 62-71%) , peróxido de hidrogênio 0,5% ácido peracético e o quaternário de amônio. Outros agentes biocidas são menos eficazes.

Se sabe que os vírus são inativados por estes princípios ativos e é de extrema importância que sejam vistas as recomendações do fabricante e as normas regulamentadoras dos desinfetantes e saneantes nacionais e internacionais. Também que sejam estabelecidos protocolos de limpeza e desinfecção, que são as ferramentas eficazes para gerar e manter as melhores condutas e práticas dos cuidados com as superfícies inanimadas, nos quais tem que ser definido um cronograma dos ambientes/superfícies.

 

Tipos e frequência de limpeza/desinfecção em serviços de saúde:

Os princípios que guiam as práticas de limpeza e desinfecção de ambientes consideram o objetivo da superfície ou do item no processo de assistência, bem como o risco de aquisição de infecção por pacientes e por profissionais. Para isso, as áreas são classificadas em críticas, semicríticas e as não críticas. Este racional é baseado no volume de matéria orgânica que é presente em seu ambiente, o grau de suscetibildiade do indivíduo e o tipo de procedimento que é realizado.

Veja a seguir os tipos de limpeza em superfícies em serviços de saúde.

 

Concorrente ou diária:

A limpeza das superfícies horizontais em ambientes de assistência á saúde (mobiliários, equipamentos, piso, instalações sanitárias, portas, maçanetas, unidade do paciente). Uma atenção especial tem que ser dada a superfícies altamente tocadas como: portas, maçanetas, telefones, interruptores de luz, banheiros, entre outros.

 

Intermediária:

A limpeza é feita em setores de alta rotatividade quando vão ser observados a manutenção da higiene do piso, banheiro e cestos com os resíduos dos serviços de saúde.

 

Terminal ou Geral:

É a limpeza de todas as superfícies (verticais e horizontais; internas e externas) dos mobiliários/componentes/equipamentos da unidade do paciente, do setor ou do serviço de saúde, incluindo o teto, piso e as paredes. Ela tem que ser realizada após alta, óbito ou quando ocorrer a transferência do paciente, em situações de longa permanência, quando o paciente é operado e sempre que necessário.

Agora veja como é a frequência de limpeza concorrente das superfícies do ambiente hospitalar.

 

Críticas:

Frequência recomendada: 3 vezes ao dia; horário pré-estabelecido e sempre que for necessário.

 

Semicríticas:

Frequência recomendada: 2 vez ao dia, horário pré-estabelecido e sempre que for necessário.

 

Não Críticas - Áreas comuns e externas:

Frequência recomendada: 1 vez por dia; horário pré-estabelecido e sempre que for necessário.

Agora você irá ver a frequência de limpeza terminal programada para o ambiente hospitalar.

 

Crítica:

Semanal: data e horário pré-estabelecidos e sempre que for necessário.

 

Semicrítica:

Quinzenal: data e horário pré-estabelecidos e sempre que for necessário.

 

Não Crítica:

Mensal: data e horário pré-estabelecidos e sempre que for necessário.

No planejamento dos procedimentos de limpeza/desinfecção deve-se incluir teto, parede e piso, bem como todas as superfícies envolvidas no cuidado em saúde. As superfícies com presença de matéria orgânica visível precisam de atenção especial procedimentos de limpeza/desinfecção.

 

Fluxo para descontaminação de superfície com matéria orgânica:

Superfície com matéria orgânica - Remover o excesso de matéria - Limpar a superfície contaminada - Aplicar o desinfetante sobre a superfície e esperar o tempo de ação.

 

Diretriz:

As superfícies do ambiente do serviço de saúde tem que ser mantidas limpas e seguras para a assistência em saúde.

 

Objetivos:

  • Manter as superfícies limpas e seguras para o cuidado em saúde.
  • Prevenir e controlas as infecções que são relacionadas à assistência em saúde.
  • Cobre bota
  • Avental
  • Máscara N95
  • Óculos
  • Touca
  • Protetor Facial
  • Luvas

 

2 Materiais necessários para a limpeza e desinfecção de superfícies:

Limpeza com água e sabão:

  • Toalha de tecido não tecido (TNT) ou de tecido
  • Desinfetante de superfície.
  • Sabão neutro.
  • Água.
  • 02 Bacias.
  • Mesa de apoio.

 

Limpeza e desinfecção com lenços impregnados com solução detergente desinfetante:

  • Lenços impregnados com desinfetantes.

 

Limpeza e desinfeção com produto com solução detergente desinfetante:

  • Toalha de tecido não tecido (TNT) ou de tecido.
  • Produto detergente desinfetante para a limpeza e desinfeção de superfícies.

Para a limpeza concorrente dos ambientes deverão ser previstos outros insumos para a reposição e manutenção de insumos de higiene de mãos. 

O alcance dos objetivos dos processos de limpeza e desinfeção, dentro dos parâmetros de qualidade que são esperados, prevê o planejamento das políticos e protocolos, o provimento de insumos, ampliar a divulgação das recomendações e sistemática capitação da equipe de saúde que é associado ao monitoramento contínuo da sua execução.

 

Dicas para frequência de limpeza e desinfecção:

  • Veja agora algumas dicas para consultórios, unidades do paciente e posto de medicação:
  • A limpeza/desinfecção no momento da reposição do sabonete/ álcool em gel/ papel toalha.
  • Todas as superfícies tem que ser continuamente observadas e, se for preciso, proceder os procedimentos de limpeza e a desinfecção.
  • A unidade do paciente  tem que ser submetida a limpeza/desinfecção terminal nos seguintes momentos: na alta. transferência, óbito e internação prolongada a cada 15 dias.
  • O horário ou turno tem que ser adaptado conforme a melhor logística e capacidade técnica de cada instituição.
  • Fazer a limpeza e desinfecção quando existe a necessidade de reposição dos insumos.
  • Fazer o planejamento de limpeza mensal de superfícies internas e externas.
  • Fazer a limpeza/desinfecção na hora da reposição do sabonete/papel toalha.

 

Observação:

Se recomenda que cada serviço avalie a sua estrutura e processos e faça a própria classificação de risco para a definição de como, quando, com qual produto/desinfetante e quem irá realizar o processamento da superfície que foi mapeada.

 

Rotinas de limpeza e desinfecção de superfícies no centro cirúrgico:

Veja a seguir alguns procedimentos para se realizar nesse tipo de limpeza:

  • Fazer a limpeza preparatória, diariamente, de todas as superfícies horizontais das salas cirúrgicas antes do primeiro procedimento cirúrgico.
  • Sempre que existir matéria orgânica visível sobre as superfícies seguir as orientações do fluxo que foi previamente descrito.
  • Fazer a limpeza terminal diária da sala cirúrgica depois do último procedimento cirúrgico.
  • Realizar a limpeza terminal da sala sempre que acontecer atendimento a paciente em precauções de contato, aerossóis e gotículas. Esperar um tempo de troca e renovação do ar antes de fazer um novo procedimento cirúrgico no caso de procedimentos que criem aerossóis.
  • Fazer a limpeza e desinfecção do dispenser de álcool em gel/antisséptico na hora da reposição.

 

Sala de recuperação pós-anestésica - Limpeza concorrente:

Veja a seguir alguns dos procedimentos para se realizar nesse tipo de limpeza:

  • Todas as superfícies que foram envolvidas no atendimento ao paciente cirúrgico tem que ser incluídas para o processamento do mapeamento da unidade.
  • Sem exceção , todas as superfícies que foram envolvidas no atendimento ao paciente cirúrgico tem que ser incluídas para o processamento no mapeamento da unidade e devem ser incluídas no planejamento da limpeza terminal.

 

Centro de material e esterilização:

  • A limpeza ter que ser realizada semanalmente de todo o setor 
  • Realizar a limpeza terminal diária do setor de limpeza de produtos de saúde (expurgo).
  •  

UTI Neonatal:

Todas as superfícies que estão envolvidas no atendimento ao neonato tem que ser incluídas para processamento, no mapeamento da unidade, para as quais tem que existir o planejamento da limpeza terminal semanal.

 

3 Modos de preparar o corpo em casos suspeitos ou confirmação de COVID-19:

O manuseio da pessoa com suspeita ou confirmado com COVID-19 precisa de uma série de conhecimentos e ações que se referem tanto no preparo do corpo propriamente dito, quanto ao apoio e as orientações à família.

A experiência do luto em frente à morte de um familiar, constitui de um profundo sofrimento e tem que ser conduzido com delicadeza, respeito, sensibilidade e empatia. Ela demanda uma atenção cuidadosa, ainda mais ao se tratar de uma situação que corta todos os ritos funerais socialmente aceitos.

Como o SARS-COV2 se transmite por contato, é essencial que a equipe de saúde seja resguardada da exposição a sangue e fluidos corporais infectados, objetos ou outras superfícies ambientais que foram contaminadas. Sendo assim, a equipe de saúde deverá implementar as medidas de proteção individual e também coletiva.

Atenção: Todos os profissionais com idade igual ou acima de 60 anos, gestantes, lactantes, portadores de doenças crônicas, cardiopulmonares, oncológicas ou imunodeprimidos não podem ser expostos às atividades relacionadas ao manejo de corpos de casos confirmados/ suspeitos pela COVID-19.

 

Orientações:

  • A comunicação do óbito tem que ser feita aos familiares, amigos e responsáveis, de preferência, por equipes da atenção psicossocial e/ou assistência social. Isso irá incluir o auxilio para a comunicação sobre os procedimentos referentes á despedida do ente.
  • O reconhecimento do corpo deve ser feito por um único familiar/responsável. Neste caso, este indivíduo deve manter 2 metros de distanciamento; e se acontecer a necessidade de aproximação , ela deve ser feita com máscara, luva e avental. O reconhecimento também pode ser feito por fotografias, evitando o contato ou a exposição.
  • Ao realizar os cuidados com o cadáver, só podem estar presentes no quarto ou área, os profissionais estritamente necessários.
  • Durante a realização dos cuidados com o cadáver, só podem estar no quarto ou área, os profissionais realmente necessários.
  • Quando realizado os cuidados com o corpo, deve-se fazer o mínimo possível, evitando os procedimentos que criem gases ou extravasamento de fluidos corpóreos.
  • É essencial descrever no prontuário os dados sobre todos os sinais externos e marcas de nascença/tatuagens, órteses, próteses que podem identificar o corpo.

 

Paramentação para que equipe que faz o manejo dos corpos:

  • Uniforme privativo
  • Máscara N95 ou PFF2
  • Gorro 
  • Luvas nitrílicas cano longo
  • Protetor ocular (óculos/protetor facial)
  • Avental impermeável
  • Sapato fechado impermeável
  • Proteção impermeável para os pés

 

Ações para o preparo do corpo:

  • Para realizar o preparo do corpo, você deve seguir essas ações:
  • Primeiramente, colocar a paramentação completa.
  • Separar os materiais e insumos para o tamponamento, retirar tubos, drenos, cateteres, proteção de feridas e quando existir, etiquetas para identificação do corpo: Gazes não estéreis, algodão, pinça Cheron ou anatômica: atadura, lâmina de bisturi; esparadrapo; lençol para revestir o corpo; invólucro impermeável  para o corpo (02);biombo etc.
  • Fazer duas etiquetas de identificação do corpo, usando esparadrapo, com letras legíveis e colar as identificações fixadas na região torácica e a outra invólucro impermeável externo para corpo.
  • Fazer uma etiqueta de identificação contendo a informação de risco biológico:COVID-19, agente biológico de classe de risco 3.
  • Preparar a maca para transporte do corpo com um invólucro impermeável para o corpo e afixar as duas etiquetas:
  1. Identificação do paciente.
  2. Informação do Risco Biológico: COVID-19, Agente Biológico de classe de risco 3.
  • Se dirigir ao leito/enfermaria e iniciar os procedimentos para preparar o corpo.
  • Higienizar tamponar/bloquear os orifícios de drenagem de feridas e punção de cateter com uma cobertura impermeável (Esparadrapo impermeável)
  • Realizar a limpeza dos orifícios naturais e proceder o tamponamento para deixar o extravasamento de fluidos corporais.
  • Fixar a identificação do cadáver no tórax do corpo do paciente.
  • Acondicionar o corpo em um lençol e em um invólucro para corpo impermeável à prova de vazamento e selado. 
  • Aproximar a maca com o segundo invólucro impermeável para corpo com as duas identificações (dados de informação do paciente e risco biológico).
  • Passar o corpo e acondicionar no segundo invólucro para óbito impermeável a prova de vazamento e selado sobre a maca de transporte. Fechar o involucro cuidadosamente evitando ao máximo a contaminação do invólucro.
  • Trocar a luva e realizar a desinfecção do involucro impermeável à prova de vazamento de fluidos corporais com hipoclorito a 0,5% a 1%.
  • Comunicar ao necrotério o encaminhamento do corpo.
  • Acionar os maqueiros para transportar o corpo até o necrotério.
  • Levar o corpo ao necrotério.

A maca de transportes de cadáveres tem que ser usada somente para esse fim e ser de fácil limpeza e desinfeção, proceder a limpeza e desinfecção da maca de transporte.

A limpeza e desinfecção da maca depois do transporte tem que ser executada seguindo os seguintes passos:

  • Aplicar a solução de hipoclorito a 1% e aguardar 10 minutos:
  • Proceder a limpeza com a água e sabão:
  • Aplicar depois hipoclorito de sódio a 1%:
  • Todos os profissionais que trabalham no transporte, guarda de corpo e colocação do corpo no caixão também tem que adotar as medidas de precaução de contato e respiratória (aerossóis), que tem que ser mantidas até o fechamento do caixão.
  • Quando chegar ao necrotério, juntar o corpo em um compartimento refrigerado e sinalizado como a COVID-19, o agente biológico classe de risco 3;
  • Se recomenda que sejam registrados nomes, datas e atividades de todos os trabalhadores que participaram dos cuidados post-mortem, incluindo a limpeza do quarto/enfermaria.
  • O corpo tem que ser acomodado em uma urna e ser lacrada antes da entrega aos familiares/responsáveis.
  • Os profissionais que atuam no transporte, guarda e alocação do corpo no caixão também tem que adotar medidas de precaução
  • O serviço funerário//transporte tem que ser informado de que se trata da vítima de COVID-19, agente biológico classe de risco 3.
  • Após a manipulação do corpo,retirar e descartar luvas, máscaras, avental em lixo infectante:
  • Higienizar as mãos antes depois do preparo do corpo, com água e sabão:
  • Não é preciso veículo especial para transporte do corpo:
  • Não existe necessidade de uso de EPI por parte dos motoristas dos veículos que irão transportar o caixão com o corpo. O mesmo irá se aplicar aos familiares que irão acompanhar o translado, considerando que eles não irão manusear o corpo:

 

Orientações para o serviço funerário:

É de grande importância que os envolvidos no manejo do corpo, equipe da funerária e os responsáveis pelo funeral sejam informados sobre o risco biológico classe de risco 3, para que as medidas apropriadas possam ser tomadas para proteger contra a infecção.

  • O manuseio do corpo tem que ser o menor possível
  • O corpo não pode ser embalsamado e formalizado
  • É necessário realizar a desinfecção externa do caixão com álcool líquido 70% antes de levá-lo ao velório.
  • Dar preferência à cremação dos cadáveres, mesmo que não seja obrigatório .
  • Os funcionários que irão transportar o corpo par ao caixão, tem que se equipar com gorro, óculos, luvas, avental impermeável e máscara cirúrgica.
  • Remover adequadamente o EPI após transportar o corpo e higienizar as mãos com água e sabonete líquido imediatamente após retirar o EPI.

 

Recomendações para o funeral:

Passar as informações adequadas aos familiares/responsáveis sobre os cuidados com o corpo do ente falecido.

O funeral tem que ocorrer em local aberto e ventilado

O funeral tem que acontecer com o menor número de pessoas, de preferência somente os familiares mais próximos, para reduzir a probabilidade de contágio e como medida para controlar os casos da COVID-19.

Deve-se recomendar as pessoas:

  • Seguir as medidas de higiene das mãos 
  • Devem ser evitados apertos de mão e outros tipos de contato físico entre os participantes do funeral:
  • As pessoas dos grupos mais vulneráveis (crianças, idosos, grávidas e pessoas com imunossupressão ou com doença crônica), não devem participar dos funerais, bem como pessoas sintomáticas respiratórias.
  • Recomendar que a urna funerária tem que se manter fechada durante o funeral e evitar qualquer tipo de contato físico com o corpo do falecido.
  • Devem ser disponibilizados água, sabonete líquido, papel toalha e álcool gel a 70% para higienizar as mãos.
  • Não permitir alimentos durante o funeral. Para bebidas, não podem dividir os copos.
  • A cerimônia do sepultamento não pode contar com aglomeração de pessoas, respeitando a distância mínima de, pelo menos dois metros entre elas e também outras medidas de isolamento social e etiqueta respiratória.
  • Se recomenda que o enterro ocorra com no máximo 10 pessoas
  • Os falecidos devido à COVID-19 podem ser enterrados ou cremados.
  • Não se recomenda realizar a tanatopraxia (formolização e embalsamamento):

 

Ocorrência de óbito em domicilio ou em instituições de moradia:

Os familiares ou responsáveis das instituições  que reportarem o óbito devem receber orientações para não manipularem os corpos e evitar o contato direto. Imediatamente depois da confirmação do óbito, quando se trata de caso suspeito de COVID-19, o médico atestante tem que notificar a equipe de vigilância em saúde. Essa deverá proceder a investigação do caso:

Verificar a necessidade de coletar amostras para o estabelecimento da causa do óbito ( caso o paciente seja suspeito)

A retirada do corpo dever ser feita por equipe de saúde, observando as medidas de precaução individual, conforme foi dito anteriormente

O corpo deve ser envolto em lençóis e em bolsa plástica (essa bolsa deve evitar  o vazamento de fluidos corporais);

Os residentes com o falecidos devem receber as orientações de desinfecção dos ambientes e objetos (uso de solução clorada  0,5% a 1%):

O transporte do corpo até o necrotério tem que ser observadas as medidas de precaução e ser realizado, de preferência, em carro mortuário/ rabecão ou outros:

Depois do transporte, o veículo tem que ser sanitizado e desinfectado. No necrotério, as recomendações tem que ser seguidas como as descritas para o manejo dos corpos de óbitos que acontecem em ambiente hospitalar;

  • Os casos suspeitos ou confirmados de COVID-19 não podem ser enviados para o Serviço de Verificação de Óbito (SVO). Apenas realizar a coleta de material biológico caso não tenha sido feita em vida, por meio de swab na cavidade nasal e de orofaringe, para posterior investigação pela equipe da vigilância local. Veja as recomendações de fluxo local.
  • A frente da necessidade do envio de corpos ao SVO, tem que ser realizada a comunicação prévia ao gestor do serviço para a certificação de capacidade para o recebimento.
  • Os procedimentos de biossegurança no SVO, em caso suspeito de COVID-19, tem que ser os mesmos que foram adotados para qualquer outras doenças infecciosas de biossegurança 3.
  • Seguir para isso as recomendações estabelecidas na NOTA TÉCNICA GVIMS/GGTES/ANVISA nº 04/2020.

 

Recomendações gerais para a necrópsia:

A necropsia para os casos suspeitos de COVID-19 tem que ser evitado, se for indicado tem que ser feito em sala com adequado sistema de tratamento de ar; inclui os sistemas que mantêm a pressão negativa em relação às áreas adjacentes e que fornecem um mínimo de seis trocas de ar (estruturas existentes) ou 12 trocas de ar (Nova construção ou reforma) por hora. O ar do ambiente tem que sair diretamente para o exterior ou passar por um filtro HEPA. As portas da sala tem que ser mantidas fechadas, exceto durante a entrada e a saída.

  • Limitar o número das pessoas durante a necropsia. O ideal é ter somente um técnico e um médico patologista:
  • Preferir métodos manuais: evitar que as secreções respinguem ou se espalhem pelo ar. Isso é importante quando a serra é utilizada. Caso ela seja utilizada, conecte uma cobertura de vácuo para segurar os aerossóis.
  • Dar preferência aos equipamentos que promovam um menor lançamento de fragmentos teciduais, como alicates, por exemplo.
  • Quando for necessário, coletar os tecidos por meio de técnica de autópsia minimamente invasiva.

 

Equipamentos de proteção individual usados durante a necrópsia:

  • Luvas cirúrgicas duplas interpostas com uma camada de luvas de malha sintética à prova de corte:
  • Macacão usado sob um avental ou avental impermeável:
  • Óculos ou escudo facial:
  • Cobre botas/sapatos ou botas impermeáveis:
  • Máscaras N95 ou superior

Para os outros trabalhadores que manipulam os corpos humanos, é recomendado:

  • Luvas não estéreis e nitrílicas ao manusear potencialmente infecciosos: Se houver risco de cortes, perfurações ou outros ferimentos na pele, usar as luvas resistentes sob as luvas de nitrila.

 

Para a coleta de tecidos e manipulação de amostra:

  • Utilizar cabines de segurança biológica para a manipulação e exame de amostras menores, sempre que for possível:
  • Proceder a análise em sala apropriada.
  • Usar equipamentos de proteção individual
  • Roupa Cirúrgica:
  • Máscara cirúrgica ou respirador em partículas de AGP ou máscara N95:
  • Vestido/avental resistente a líquidos com mangas:
  • Luvas de autópsia
  • Protetor facial 
  • Botas impermeáveis
  • Higienizar as mãos antes e depois do preparo da coleta de amostras.

 

Descarte e limpeza do material durante a autópsia:

  • Os EPIs tem que ser removidos antes de sair do conjunto de autópsia e descartados, apropriadamente, como os resíduos infectantes (RDC nº 222/2018).
  • Resíduos perfuro cortantes tem que ser descartados em recipientes rígidos, á prova de perfuração e vazamento , e com o símbolo de resíduo infectante.
  • Após a retirada dos EPIs, é necessário proceder à higienização das mãos.
  • Artigos não descartáveis devem ser encaminhados para a limpeza e desinfecção/esterilização, conforme a rotina de serviço e em conformidade com a normatização.
  • As câmeras, telefones, computadores e outros itens que ficam na sala de necropsia tem que ser tratados como artigos contaminados. Dessa maneira, precisam de limpeza e desinfecção conforme a recomendação do fabricante.

Caso seja possível, é sugerido que esses itens fiquem na antecâmara. 

Os materiais descartáveis tem que ser dispensados em sacos amarelos e encaminhados para a incineração.

Todos os materiais utilizados em procedimentos que irão envolver a manipulação de tecidos e secreções de corpos de pessoas com COVID-19, suspeita ou confirmada, tem que ser descartados como resíduo infectante (A1).

Os sistemas de tratamento de ar tem que permanecer ligados enquanto é feita a limpeza do local.

 

Confirmação e descarte de casos para a COVID-19:

Todo óbito que é confirmado para a COVID-19 pelo SVO tem que ser notificado imediatamente ao sistema de vigilância local. O sistema de vigilância epidemiológica local tem que tomar conhecimento quando a causa da morte for inconclusiva ou descartada para a COVID-19.

O transporte do corpo tem que ser feito conforme os procedimentos de rotina, com a utilização de revestimentos impermeáveis para interromper o vazamento do líquido. O carro funerário deve ser submetido à limpeza e desinfecção de rotina depois do transporte do corpo.

 

Emissão da declaração de óbito:

A declaração de óbito tem que ser emitida pelo médico assistente, em caso de morte ocorrida em hospitais e outras unidades de saúde ou em domicílio. Nos casos em que a causa do óbito tenha sido esclarecida no SVO, fica a cargo do médico patologista.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica o uso do código de emergência U07.1, da 10ª Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10), para o diagnóstico da doença respiratória aguda devido à COVID-19. Mas, devido à ausência da categoria U07 nos volumes da CID-10 em uso no Brasil, bem como nos manuais e protocolos de codificação, esse código não está habilitado para inserção no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

A Coordenação Geral de Informações e Análises Epidemiológicas (CGIAE/DASNT/SVS/MS), gestora do SIM em nível nacional, informa que o código B34.2 (Infecção por coronavírus de localização não especificada) da CID-10 tem que ser utilizado para a notificação de todos os óbitos por COVID-19. Para os óbitos que ocorrem por doença respiratória aguda devido à COVID-19, deve ser utilizado também, como marcador, o código U04.9 (Síndrome Respiratória Aguda Grave – SARS).

Esta orientação vai ser mantida até que as tabelas com os novos códigos definidos pela OMS sejam atualizadas nos sistemas de informação e que tenhamos a edição atualizada da CID-10, em língua portuguesa, que se encontra em fase de revisão.