Educação física, jogos e cultura
Educação Física, Jogos e Cultura
1 O educador físico:
Na área de Educação Física Escolar há muitas discussões sobre os conteúdos que devem ser trabalhados pelos professores, as abordagens e áreas de conhecimentos que ela abrange, além disso, estudamos o movimento, com técnicas sofisticadas buscando a perfeição e adotamos como nossos conteúdos das áreas mais diversas como as médicas, as biológicas e humanas entre outras, por muitas vezes como docentes esquecemos, o nosso ponto chave que é o ser humano historicamente criado e culturalmente desenvolvido de uma maneira integral e única, destacado pelo Coletivo de Autores (1998).
Como podemos ver a formação profissional do profissional de Educação Física sempre foi muito precária DAOLIO (2004) ressalta, os profissionais formados por volta de 1980 tinham como formação a predominância de conhecimentos voltados para a área biológica, tais profissionais não tiveram acesso às discussões socioculturais e ainda o mesmo autor, o corpo era visto como um conjunto de sistemas e não como cultura, o esporte era de alto rendimento ou passa tempo, não lidava com os fenômenos políticos e culturais da época, a Educação Física não tinha o caráter cultural, essa concepção nos chama atenção para as atuais dificuldades que encontramos ainda nos dias atuais.
O Coletivo de Autores vem reforçar a citação acima e nos mostrar uma nova tentativa de inovar e buscar uma nova reflexão para a Educação Física quando destaca, no passado a perspectiva da Educação Física, tinha como objetivo o desenvolvimento da aptidão física do homem, onde a contribuição histórica é relativa aos interesses da classe dominante, mantendo uma estrutura capitalista, mas hoje nossa área começou a ter uma nova reflexão, sob um aspecto lúdico buscando investigar a criatividade humana e à adoção de uma postura investigativa e produtora de cultura.
Devido a essa tentativa de mudança na concepção de Educação Física DAOLIO (2004) ainda afirma, que “cultura é o principal conceito para a Educação Física”, na perspectiva que o movimento humano é o nosso estudo, mas o caráter social e cultural que a Educação Física deve exercer em seus alunos não pode ser deixado de lado, devemos assumir a responsabilidade que nos foi dada, transmitindo e ensinando conhecimentos que transformem a realidade social.
Nesse estudo a compreensão do indivíduo quanto ser cultural e suas relações inter-pessoais se faz presente e MEDINA (1948) menciona, o homem só pode evoluir, cada vez mais, através da percepção gradual que se dá em relação a si mesmo, em relação aos outros, em relação ao mundo, assim nosso papel como educadores é o de proporcionar essa interação e conhecimento cada vez maior do ser humano com o mundo e suas relações.
Na perspectiva de OLIVEIRA (2004) a Educação Física existe em função do homem, enquanto ser individual e social, sendo assim temos que entender o indivíduo como um todo, nas suas várias formas de se relacionar com o mundo e a Educação Física como Cultura Corporal de Movimento têm que estar atenta as individualidades.
Com esses subsídios teóricos mencionados, propõe-se desenvolver uma investigação da Educação Física Escolar quanto Cultura Corporal de Movimento.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa que apresenta como método entrevistas semi-estruturadas com os 52 alunos e 5 professores.
2 A Educação Física e sua origem no Brasil:
No passado, a Educação Física teve seus paradigmas estritamente ligados às instituições militares e à classe médica (higienista). Com a visão de melhorar a qualidade de vida, muitos médicos adotaram a forma higienista e buscaram modificar os hábitos de saúde e higiene da população (BRASIL, 2001).
Seguindo a mesma menção acima, a Educação Física favorecia a educação do corpo, tendo como meta a constituição de um físico saudável e equilibrado organicamente, ou seja, menos suscetível às doenças. Além disso, havia o pensamento político e intelectual da época, uma preocupação com o melhoramento genético da raça humana. Com a miscigenação entre escravos, havia o temor de uma “mistura” que “desqualificasse” a raça branca. Dessa forma, a educação sexual associada à Educação Física deveria prevenir homens e mulheres da responsabilidade de manter a “soberania racial branca”.
Ainda Brasil (2001), destaca que, embora a elite imperial estivesse de acordo com os pressupostos higiênicos, eugênicos e físicos, havia ainda uma forte oposição às atividades físicas por conta do trabalho físico e do trabalho escravo. Tudo o que prescindia esforço físico era visto com maus olhos e isso dificultava a obrigatoriedade da Educação Física nas escolas.
O mesmo autor, dentro de tudo isso, as instituições militares sofreram influência da filosofia positivista, favorecendo o desenvolvimento da educação do físico. Era de fundamental importância formar indivíduos fortes e saudáveis que defendessem a pátria e seus ideais, pois só assim alcançariam à ordem e o progresso.
Em 1851, teve a Reforma Couto Ferraz, que tornou obrigatória a Educação Física nas escolas dos municípios da Corte. Os pais não viram com bons olhos essa nova realidade, pois não aceitavam o fato de seus filhos estarem ligados às atividades que não fossem intelectuais. Mas houve uma maior tolerância à ideia de ginástica pelos meninos, uma vez que se associavam às instituições militares, mas, em relação às meninas, os pais proibiram a participação de suas filhas.
Ainda tirado da mesma fonte bibliográfica, no ano de 1882, Rui Barbosa deu seu parecer sobre o Projeto 224, no qual defendeu a inclusão da ginástica nas escolas, equiparou os professores dessa modalidade a outras disciplinas e ainda destacou a importância de se ter um corpo saudável para sustentar a atividade intelectual.
O mesmo autor continua, no início deste século, a Educação Física ainda recebia o nome de ginástica e foi incluída no currículo do Estado da Bahia, Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo. Nessa mesma época, a Educação Física sofria uma forte influência do movimento escola-novista, que evidenciou a importância da atividade física no desenvolvimento integral do ser humano.
A Educação Física que se aplicava tinha seus pilares nos métodos europeus, os quais se firmavam em princípios biológicos. A base do movimento era de natureza cultural, política e científica conhecidas como: Movimento Ginástico Europeu, e foi à primeira sistematização da Educação Física no Ocidente, citação de BRASIL.
Mesmo autor, destaca na década de 30, no Brasil, dentro de um contexto histórico e político mundial, com vista às idéias nazistas e fascistas que associavam a eugenização da raça à Educação Física, ganhou forças. O exército passou a comandar um movimento em prol à Educação Física que se mesclava aos objetivos patrióticos e uma preparação pré-militar. O discurso passou de eugênico para dar lugar às idéias higienistas e de prevenções às doenças. O período higiênico foi duradouro.
Apesar de algumas mudanças começarem a acontecer, como a inclusão da Educação Física nos currículos na tentativa de valorizar e mostrar os benefícios para o ser humano, isso não poderia ser considerado garantia melhora para o componente curricular, uma vez que faltavam profissionais capacitados principalmente nas escolas primárias, destaca BRASIL (2001).
Apenas em 1937 é que se fez a primeira referência à Educação Física em textos constitucionais federais, incluindo-a como prática obrigatória e não mais apenas como disciplina curricular. E ainda destacava-se o adestramento físico como maneira de preparar a juventude para defender a nação e para o cumprimento dos deveres com a economia (BRASIL, 2001).
Segundo o BRASIL (2001) os anos 30, que era a época da industrialização e urbanização, fez com que a Educação Física ganhasse novas atribuições: fortalecer o trabalhador para melhorar sua capacidade produtiva e desenvolver o espírito de cooperação em benefício da coletividade.
Até a promulgação das leis e diretrizes de base de 1961, houve um amplo debate sobre o sistema de ensino brasileiro. Nessa lei, ficou determinada a obrigatoriedade da Educação Física para as escolas primárias e de ensino médio. Sendo assim, o esporte passou a ocupar um lugar cada vez maior durante as aulas. O processo de esportivização da Educação Física Escolar iniciou com a introdução do Método Desportivo Generalizado, que significou uma contraposição aos antigos métodos de ginástica tradicional e uma tentativa de incorporar o esporte, já que era uma instituição bastante independente, adequando-o ao objetivo e práticas pedagógicas, BRASIL (2001).
Após 1964, a educação no geral adotou uma visão tecnicista, onde o ensino tinha que formar mão-de-obra qualificada, os cursos técnicos profissionalizantes se difundiram e a Educação Física tinha um caráter instrumental, que era o de desenvolver atividades práticas voltadas para o desempenho técnico e físico do aluno, mesmo autor acima.
Na década de 70, ainda havia a função para a manutenção da ordem e do progresso. O governo investiu na Educação Física em função de diretrizes pautadas no nacionalismo, na integração social e na segurança nacional, pois visavam um exército forte saudável e a desmobilização das forças políticas oposicionistas. As atividades esportivas também eram importantes para a melhoria da força de trabalho com vista no “milagre econômico brasileiro”, nesse período os laços se firmavam com destaque no futebol, na Copa do Mundo de 1970, o mesmo autor.
Em 1971, a Educação Física Escolar, a partir de um decreto, considerou: “a atividade que por meios, processos e técnicas, desenvolve e aprimora forças físicas, morais, cívicas, psíquicas e sociais do educando” (BRASIL, p.22, 2001). A falta de especificidade do decreto manteve a ênfase na aptidão física. A partir da 5ª série, a iniciação esportiva tornou-se um dos eixos fundamentais de ensino na busca de novos talentos para representarem à pátria em competições internacionais. Essa época chamada de “modelo piramidal” norteou as diretrizes políticas da Educação Física.
Na década de 80, menciona BRASIL (2001) afirma que esse modelo começou a ser sentido e contestado: o Brasil não passou a ser um competidor de elite internacional e nem tão pouco aumentou o número de adeptos a atividades físicas. Iniciou-se uma crise de identidade no discurso da Educação Física, que originou uma mudança nas políticas educacionais: a Educação Física Escolar que priorizava o esporte nas 5ª e 8ª séries do primeiro grau, passou a dar origem de 1ª a 4ª séries e também à pré-escola. O enfoque passou a ser o desenvolvimento psicomotor do aluno, tirando da escola à função de promover os esportes de alto rendimento.
BRASIL (2001) destaca que os debates, as publicações, os cursos de pósgraduação, o aumento de livros e revistas entre outros, difundiram e argumentaram as novas tendências da Educação Física. As relações entre Educação Física e sociedade passaram a ser discutidas sob teorias críticas da educação: “questionou-se seu papel e sua dimensão política”. Ocorreu uma mudança no enfoque, tanto aos objetivos e conteúdos, quanto aos pressupostos pedagógicos de ensino e aprendizagem. Ampliaram a visão para uma área biológica, enfatizaram e reavaliaram as dimensões psicológicas, sociais, cognitivas e afetivas, concebendo o aluno como ser humano integral. Abarcaram-se em objetivos educacionais mais amplos, sob a perspectiva de conteúdos diversificados e não mais apenas em esportes, em pressupostos pedagógicos mais humanos e ao não adestramento de seres humanos.
A Educação Física atual, mesmo com tantas divergências, busca o desenvolvimento integral do ser humano, sob dimensões pedagógicas, sociológicas e filosóficas. Mas segundo o Coletivo de Autores, (p.36,1992), nossa Educação Física Escolar, tem como objeto de estudo o desenvolvimento da aptidão física, o que tem contribuído historicamente para a defesa dos interesses da classe no poder, mantendo a estrutura da sociedade capitalista.
3 Cultura corporal de Movimento e os conteúdos da Educação Física Escolar:
Educação Física Escolar trata-se de uma matéria curricular com conteúdos próprios, onde deve estar ligada a um conjunto de conhecimentos originados no domínio acadêmico da Educação Física, assim como apontado por SAVANI (1994).
Educação Física primeiramente precisa identificar os objetivos, conteúdo, métodos de ensino e de avaliação em função das características, necessidades e histórico social nos quais estão envolvidos, do contrário criam-se uma Educação Física Escolar negativa, sem conteúdos e princípios definidos para sua prática, OLIVEIRA (1991), citado por DAOLIO (2004). Sem uma sistematização, organização não se consegue desenvolver uma aprendizagem significativa e que esteja de acordo com as necessidades dos alunos.
De acordo com BRASIL MINISTÉRIO da EDUCAÇÃO de 2001, temos os seguintes referenciais como objetivos do ensino fundamental:
• Compreender a cidadania como participação social e política exercendo seu direito e respeitando o do outro;
• Ter uma postura crítica e transformadora nas diferentes situações sociais;
• Conhecer e valorizar a pluralidade sociocultural do país em que vive sem nenhum tipo de discriminação seja ela social, cultural, de crença, sexo ou outras características individuais ou coletivas;
• Desenvolver o conhecimento e o sentimento de confiança em suas capacidades afetivas, físicas, cognitivas, éticas, estética, de inter-relação pessoal e de inserção social para buscar conhecimento e exercer sua cidadania;
• Conhecer e cuidar do próprio corpo;
• Utilizar diferentes formas de linguagem para se comunicar e se expressar.
• Saber ler e interpretar as diferentes fontes de informação.
• Questionar a realidade, a capacidade critica para formular e resolver os problemas.
O componente curricular, Educação Física ainda está muito vinculada aos conhecimentos tratados na biologia, psicologia e na pedagogia, afirmação feita por SERGIO (1991), acredito que todos esses conteúdos estejam dentro da grade curricular que trata a Educação Física, mas também entendo que somos capazes de desenvolver nossos próprios conhecimentos enfatizando nossas necessidades.
Os conteúdos organizados surgem, segundo LIBÂNEO, 1985:39; citado por um Coletivo de Autores, através de conteúdos culturais, onde os conhecimentos são relativamente autônomos, incorporados pela humanidade e reavaliados pela realidade social, ou seja, nos são impostos culturalmente pela sociedade “... os conteúdos são exteriores ao aluno que devem ser assimilados e não simplesmente reinventados”. Como professores temos que estar capacitados a fim de interagir com os alunos fazendo com que eles aprendam o que esta sendo trabalhado e seu aprendizado esteja ligado e associado à significação humana e social que ele representa. Além dos conteúdos sobre desenvolvimento motor e de coordenação que a Educação Física deve trabalhar, temos que dar enfoque aos conteúdos de ensino sobre a relevância social e seu sentido.
Os conteúdos abordados devem estar de acordo com a capacidade cognitiva e a prática social do aluno, ao seu próprio conhecimento e às possibilidades enquanto sujeito histórico, Coletivos de Autores (p.31) de forma sistemática e metodológica, visando sempre às carências e as necessidades dos alunos.
Nossa área de estudo é muito ampla, pode ser denominada cultura corporal, onde temas ou formas de atividades corporais são aplicados, o homem incorpora sua cultura corporal dispondo sua intencionalidade do conceito produzido pela consciência corporal citação do livro Coletivo de Autores (p.62). Segundo LEONTIEV (1981), citado pelo coletivo de autores, “as significações não são eleitas pelo homem, elas penetram as relações com as pessoas que formam sua esfera de comunicações reais”, as atividades assumem diferentes sentidos dependendo da realidade de cada aluno, do seu cotidiano, das relações pessoais e perspectivas.
Menção do mesmo livro acima, “por considerações como essas se pode dizer que os temas abordados nas escolas expressam um sentido/significado onde se interpenetram, dialeticamente, a intencionalidade/objetivos do homem e as intenções/objetivos da sociedade”, (p.62) e diante disso a Educação Física sobre o aspecto do sentido/significado abrange a relação entre: jogos, ginástica, esportes e danças os problemas sociais que estão interligados.
Além de jogos, esportes, ginástica e dança, outros temas cabem à Educação Física tratar, bem como os problemas sócio-político atuais, discussões e reflexões desses problemas se faz necessárias afim de que o aluno entenda a realidade social interpretando-a e explicando-a a partir dos seus interesses de classe social, cabe a escola promover ao aluno a preocupação o senso crítico da prática social.
4 Jogo:
HUIZINGA (1951: 3-31) citado por KISHIMOTO (1999, p.23), caracteriza o jogo como elemento da cultura, “omite os jogos de animais e analisa apenas os produzidos pelo meio sociais, apontando as características: o prazer, o caráter “não sério”, a liberdade, a separação dos fenômenos do cotidiano, as regras, o caráter fictício ou representativo e sua limitação no tempo e no espaço”, o prazer é fator integral do jogo, mas devemos destacar que o desprazer é o elemento que o caracteriza, defendido por VYGOTSKY.
Quando HUIZINGA aponta o caráter “não sério” durante o jogo, não quer dizer que para criança a brincadeira não seja séria para ela, pois o riso, o lúdico, o cômico se contrapõem ao trabalho, que é uma atividade considerada séria, destacado por KISHIMOTO (1999, P.24) e ainda afirma que o jogo tem que ser uma ação voluntária, livre, se imposta deixa de ser jogo.
O jogo satisfaz uma necessidade do ser humano em especial à de ação e a do prazer. O jogo como conteúdo nas aulas de Educação Física deve possibilitar um maior repertório de movimentos corporais e estimular o cognitivo, por proporcionar as crianças situações de tomada de decisões rápidas e resoluções de problemas criadas durante a atividade, Coletivo de Autores (1992).
Segundo, OLIVEIRA (2004), a Educação Física é muito mais que o adestramento e vigor físico do corpo, a cooperação também formula valores para o grupo. E como ferramenta, o jogo é a forma mais simples e natural para o desenvolvimento do sentimento de trabalho em grupo (p.98). Quando se está jogando as decisões tomadas devem partir do que a maioria decidir num contexto de se chegar a melhor estratégica a ser tomada pelo grupo e o que for decidido todos devem seguir, a democracia entra em vigor.
Quando se prática um jogo, existem regras a serem seguidas, quanto mais rígidas tanto maior é a atenção exigida, nas escolas as regras são fundamentais, pois permite à criança a percepção da passagem do jogo para o trabalho, menção do Coletivo de Autores (1992). Não apenas no âmbito escolar, mas também em todas as situações que tenhamos o convívio social, necessitamos de regras para um melhor relacionamento. Seguindo HUIZINGA, CAILLOIS (1958: 42-3), citado por KISHIMOTO (1999), “aponta como característica do jogo: a liberdade de ação do jogador, a separação do jogo em limites de espaço e tempo, a incerteza que predomina o caráter improdutivo de não criar nem bens nem riqueza e suas regras”, a criança ao brincar não está preocupada em habilidades motoras, aquisição de conhecimentos, ela simplesmente brinca sem se preocupar.
Sendo assim, o jogo deve ser usado na Educação Física como estratégia para se estimular um aprendizado significativo e pertinente ao cotidiano dos alunos.
5 Esporte:
Segundo, BRASIL MINISTÉRIO da EDUCAÇÃO (2001), considera-se esportes as práticas que têm um caráter oficial e competitivo, organizado em federações regionais, nacionais e internacionais e têm a função de organizar a atuação amadora e profissional. Necessitam de equipamentos sofisticados e certos campos como piscinas, bicicletas, ginásio etc.
Mas no livro, Educação Física e o conceito de cultura de DAOLIO (2004), ele cita alguns autores que defendem o esporte na Educação Física como patrimônio cultural da humanidade e que deve ser apreendido por todas as crianças nas aulas por proporcionar situações de movimento, com essa afirmação o esporte têm que ser trabalhado de maneira a estimular as possibilidades de movimento.
Os esportes são praticados pelo homem desde as épocas mais remotas. Em francês, etimologicamente, tem o sentido de desporto e que os ingleses alteraram para ‘sport’. O termo significava prazer, divertimento e descanso. Apoiado neste conceito, o lúdico aparece como sua característica básica, na medida em que o esporte é sempre um jogo. Sendo assim, torna-se difícil delimitar o campo conceitual do esporte segundo OLIVEIRA (1983) menciona“... a colocação de Educação Física como sinônimo de esporte induz a concebê-la, essencialmente, como competição e cria o recorde como seu objetivo fundamental”.
Apesar das variações entre esporte-trabalho e esporte-lazer, obras com conteúdos sociológicos observam o esporte tanto como preenchimento do tempo livre como também meio de sobrevivência.
O autor OLIVEIRA (1983), faz uma crítica ao esporte que busca a superação física dos alunos ao citar: “Nas escolas, a busca de campeões conduz à especialização prematura, inibindo o desenvolvimento do potencial psicomotor das crianças” (p. 76), cria-se os medos, os traumas que surgem na Educação Física Escolar impossibilitando assim a descoberta do movimento e da expressividade corporal.
Os professores devem trabalhar os esportes durante as aulas, mas sob o aspecto lúdico, de sociabilização, do conhecimento corporal, baseando o respeito aos amigos, às regras e os caminhos encontrados para solucionar o problema e não o resultado em si.
Nos países de línguas germânicas, com conceitos antigos de se entender a Educação Física, foi adotado o termo esporte generalizado, que significa qualquer modalidade de exercício físico. A supervalorização do esporte na Educação Física pode, sem dúvida, acarretar problemas incontroláveis se a idéia de recorde for o objetivo fundamental, OLIVEIRA (2004).
A busca deve ser o desenvolvimento global do aluno, visando os aspectos físicos, mas não como técnica de movimento, mas sua busca para o melhoramento e o caminho que ele percorreu até atingir o seu melhor. Assumimos que os indivíduos são únicos, com potencialidades e vivências diferentes; buscamos a autonomia do aluno e não o aperfeiçoamento técnico que tem como objetivo os campeonatos de alto rendimento, citado pelo mesmo autor acima.
Os esportes que se destacam na mídia também fazem parte do conteúdo da Educação Física Escolar, mas devem ser trabalhado sobre diferentes enfoques o da apreciação e da discussão de aspectos técnicos, táticos e estéticos. “Incluem-se neste bloco informações como histórias das origens e características dos esportes, jogos, lutas e ginásticas, valorização e apreciação dessa modalidade”, destacado por BRASIL.
6 Dança e atividades rítmicas:
A dança é considerada uma expressão representativa, por meio da linguagem corporal é possível transmitir sentimentos, emoções ocorridas no nosso cotidiano. As primeiras danças foram às imitativas, onde os dançarinos imitavam situações que desejavam que se tornassem realidade, acreditavam que forças desconhecidas impossibilitavam suas realizações.
O homem foi dançarino instintivamente, ao contemplar a natureza, passou a imitá-la, deixando emergir de seu íntimo, emoções que se concretizavam em movimentos corpóreos expressivos. Havia uma necessidade particular do ser humano em dançar, mesmo com toda a luta pela sobrevivência, ele aos poucos se tornava artista, a partir dessa citação podemos notar que existe uma necessidade constante do ser humano em dançar, em se expressar e em mostrar sentimentos muitas vezes ocultos a linguagem verbal.
O ser humano se expressa das mais diversas maneiras, comunica-se através de ações, de posturas e atitudes, por meio de movimentos, gestos, sem necessariamente dançar. Os movimentos rotineiros transformam-se em dança a partir do momento em que assumimos uma nova postura, podendo ser diferenciada ao unir-se ao caráter expressivo transformando o movimento corporal em poesia declamado pelo corpo.
A mesma autora ainda defende, que a dança é um conjunto de gestos e emoções, sentimentos opostos que se unem e contagiam. A vibração aos poucos toma conta dos movimentos e o que era simples e cotidiano se transforma em arte. Essa linguagem permite sentir alegria, tristeza, angústia, enfim, os sentimentos afloram e por mais que não aceitamos ou não conseguimos entender o seu real significado, a dança nos transforma. O movimento cotidiano ganha vida na dança acontece uma entrega, uma doação, onde os mesmos se confundem se transformam e se transmitem, o corpo e a alma se fundem os sentimentos e as emoções estão tanto na pele, quanto na alma.
O que leva o homem dançar é mais uma necessidade interior do que física. Ele expressa os seus sentimentos de: desejos, alegrias, pesares, respeito, temor, poder, entre outros, sem nenhuma restrição. Garantindo essa afirmação diz FUX (p.2, 1983) Quando o corpo se move e se expressa está nos dizendo a verdade, porque o corpo não mente, excluindo a possibilidade de atuação como personagem. Essa linguagem não-verbal é de uma riqueza enorme e denota os estados interiores, ou seja, nosso mundo interno e nós como professores não podemos negar esse direito aos nossos alunos.
Segundo BRASIL (2001) a “Dança” é um bloco de conteúdo que inclui as manifestações da cultura corporal, orientadas por estímulos sonoros que visa à expressão e comunicação por meio do movimento do corpo.
Sendo assim, temos que criar situações incentivando e estimulando nossos alunos a se expressarem sem medo, pois por muitas vezes esses sentimentos são sufocados por essa sociedade neoliberal na qual vivemos, onde o que conta são as noções da boa educação que culturalmente nos foram ensinadas. A sociedade nos coloca limites, regras e obrigações deste que nascemos-nos modificando e moldando como robôs que seguem ordens sem muitas indagações, cabe a nós professores libertar e incentivar o ser humano crítico, livre para tomar decisões e buscar melhora na sua qualidade de vida.
7 A importância da educação física escolar na sociedade:
De acordo com BETTI & ZULIANI (2002), a Educação Física Escolar, em conjunto com uma concepção educacional, vêem a formação da criança e do jovem como uma educação integral, ou seja, o desenvolvimento da personalidade do aluno como ser crítico e conhecedor das mais diversas formas de comunicação.
Os mesmo autores acima destacam que a Educação Artística, a Educação Moral e Cívica e a Educação Física não se enquadram nos atuais currículos escolares, ocupando assim um lugar incômodo na Escola. São atividades complementares e relativamente isoladas nos currículos escolares, com os objetivos determinados, na maioria das vezes, de fora para dentro: treinamento pré-militar, eugenia, nacionalismo, preparação de atletas etc.
Graças a estudos e debates, essa concepção tradicionalista mostra seu esgotamento, dando lugar à cultura corporal e esportiva que os autores BETTI e ZULIANI (2002), denominam de maneira mais ampla de “cultura corporal de movimento”.
Os meios de comunicação divulgam idéias sobre a cultura corporal de movimento, onde muitas produções são direcionadas ao público adolescente. Crianças iniciam-se muito precocemente às práticas corporais e esportivas dos adultos, sendo que na maioria das vezes, seu conteúdo técnico-científico é insuficiente. Nosso ritmo e estilo de vida nos tornam sedentários e com hábitos alimentares e corporais prejudiciais à nossa saúde. As crianças que permanecem muitas horas na televisão e nos computadores diminuem a atividade motora, abandonam a cultura dos jogos infantis e favorecem a substituição da experiência de praticar esporte pela de assistir o esporte, afirmação feita por.
O professor de Educação Física Escolar tem, por meio de atividades atrativas, seduzir seus alunos ao hábito da cultura corporal de movimentos, explicando e estimulando seus alunos sobre a importância de se fazer atividades físicas e assim criar hábitos saudáveis. Segundo CUNHA (1996) citado por GALVÃO (2002), o papel do professor não se encontra claramente definido e nem valorizado.
No texto de BETTI & ZULIANI (2002) são dadas à Educação Física novos objetivos sobre a sua prática pedagógica:
“A Educação Física deve assumir a responsabilidade de formar um cidadão capaz de posicionar-se criticamente diante das novas formas da cultura corporal de movimento... A Educação Física enquanto componente curricular da Educação Básica deve assumir então uma outra tarefa: introduzir e integrar o aluno na cultura corporal de movimento, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e transformá-la” (p. 75).
Na citação dos autores acima, fica claro que os objetivos se modificaram e que nossa função como professores nos proporcionam maiores responsabilidades, pois estamos ajudando na formação do caráter de nossos alunos, preparando-os para a vida com deveres e direitos, tendo uma visão crítica e ética para viverem em sociedade. “A integração que possibilitará o usufruto da cultura corporal de movimento há de ser plena – é afetiva, social, cognitiva e motora. Vale dizer, é a integração de sua personalidade” apontamento feito por BETTI (1992 1994a).
Para a formação social, não basta que o aluno trabalhe as habilidades físicas e táticas, que são necessárias, mas não únicas. Temos que aprender a nos organizarmos socialmente para praticar os esportes coletivos, compreender as regras, aprender a respeitar seus adversários e seus companheiros, não os vendo como inimigos, mas como integrantes participativos e essenciais para que se possa realizar a competição.
Nesse sentido, a Educação Física, num processo longo, deve levar seus alunos a descobrirem motivos e sentidos nas práticas corporais, favorecer o desenvolvimento de atitudes positivas para com elas, levar à aprendizagem de comportamentos adequados à sua prática, levar ao conhecimento, compreensão e análise de seu intelecto os dados científicos e filosóficos relacionados à cultura de movimento, dirigir sua vontade e sua emoção para a prática e a apreciação do corpo em movimento.
Através da Educação Física, podemos adquirir um maior conhecimento dos alunos, mas sem perder a especificidade dos conteúdos que ela abrange, é preciso assumir uma ação pedagógica propondo uma vivência impregnada da corporeidade do sentir e do relacionar-se, o professor deve provocar esses sentimentos em seus alunos, através da cultura corporal de movimento. “A Educação Física deve, progressiva e cuidadosamente, conduzir o aluno a uma reflexão crítica que o leve à autonomia no usufruto da cultura corporal do movimento”, esse processo tem fases onde devemos respeitar os níveis de desenvolvimento e interesses dos nossos alunos.
Segundo BETTI & ZULIANI (2002), essas fases referidas devem obedecer a uma ordem:
Primeira fase do Ensino Fundamental (1º a 3º / 4º anos): devemos considerar que a atividade corporal é um elemento fundamental da vida infantil e que a estimulação psicomotora adequada e diversificada, guarda as relações com o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social da criança; devem-se destacar atividades que visem o desenvolvimento das habilidades motoras básicas, jogos e brincadeiras de variados tipos de atividades de autotestagem.
A partir do 4º e 5º ano do Ensino Fundamental, deve-se promover a iniciação nas formas culturais do esporte, das atividades rítmicas, dança e das ginásticas. A aprendizagem de uma habilidade técnica deve ser secundária em relação ao desenvolvimento do espírito lúdico e prazeroso e levar em conta o potencial psicomotor dos alunos.
O aperfeiçoamento técnico e tático deve ficar para 7º e 8º anos do Ensino Fundamental, quando se pode iniciar um trabalho voltado para aptidões físicas, entendidas como o desenvolvimento global e equilibrado das capacidades físicas.
Na segunda fase, iniciam-se os conceitos teóricos sobre a cultura corporal do movimento, sempre buscando uma ligação entre conhecimento e prática e a inter-relação com outras matérias.
As diferentes e multifacetadas expressões de cultura corporal devem ser trabalhadas nas escolas como conteúdo, sistematicamente e metodologicamente, respeitando e valorizando o contexto social no qual estão sendo desenvolvidos. Buscando assim verificar, analisar, discutir e encontrar soluções para os mais diversificados problemas, só assim se tornará possível o conhecimento contextualizado e transformador, na qual os professores vêm tentando realizar.
É de fundamental importância o desenvolvimento da cultura corporal de movimento, nas escolas, mas deve ser tratado como conteúdo curricular e não como simples atividades práticas sem nenhum tipo de reflexão, requer uma metodologia motivadora e criativa ao contrário do modelo punitivo como tradicionalmente era desenvolvido quando surgem apenas como reflexo da esportivização excessiva da Educação Física.
Já está mais que explícito a forte influência da mídia na esportivização, onde advoga equivocadamente que o esporte de alto rendimento é sinônimo de Educação Física, correspondendo assim a todos os conteúdos da Cultura Corporal. BRACH (2003) citado por OLIVEIRA (2004), destaca a distância do esporte de alto rendimento com a Educação Física: “as relações entre educação física e esporte são geradoras de tensões já que se constituem em dois universos simbólicos, distintos, nem sempre compatíveis” (p. 88).
É função da Educação Física preparar os alunos a serem praticantes lúcidos e ativos, onde incorporem em suas vidas os esportes e os demais componentes da cultura corporal. Precisamos prepará-los para se tornem consumidores do esporte-espetáculo, assumindo uma visão crítica do sistema esportivo profissional, tendo conhecimentos dos interesses políticos e econômicos.
8 Escola na Sociedade atual
9 Procedimentos Metodológicos
10 Estruturação e conteúdo das aulas
Proposta 1
Proposta 2
Proposta 3
Proposta 4
Proposta 5
11 Análise dos conteúdos
12 Considerações Finais
13 Referências bibliográficas
14 Anexo 1
Perguntas:
3ª séries: