Educação Física Escolar como possibilidades de emancipação do sujeito

Educação Física, Jogos e Cultura

1 Jogos e brincadeiras como possibilidades de emancipação do sujeito

Jogos e brincadeiras

A Educação Física é uma das disciplinas do Currículo Escolar e de acordo com as Diretrizes Curriculares de Educação Física para Educação Básica, da Secretaria de Estado da Educação, seus conteúdos estruturantes são: o esporte, a ginástica, os jogos e brincadeiras, as lutas e a dança. Segundo as Diretrizes Curriculares a cultura corporal é o objeto de conhecimento da Educação Física escolar. O tratamento dela requer que os aspectos da cultura corporal sejam selecionados, organizados e sistematizados no currículo escolar, permitindo o acesso ao conhecimento historicamente acumulado acerca do movimento humano. Ou seja, os conteúdos de ensino quando apresentados aos alunos, são tratados simultaneamente, constituindo-se referências que vão se ampliando no pensamento do aluno, que vai do momento da constatação de um ou vários dados da realidade, até interpretá-los, compreendê-los e explicá-los.

O presente artigo diz respeito ao trabalho que foi implementado na escola enriquecido pelo debate teórico que teve como foco Jogos e Brincadeiras como conteúdo estruturante da Educação Física. Nosso objetivo é apresentar algumas estratégias utilizadas no desenvolvimento do trabalho a partir de uma perspectiva crítica desta temática, no sentido de um aprofundamento teórico-metodológico sobre estes conhecimentos e sua implicação para as práticas corporais escolares. Para isso desmembramos esse intento em alguns objetivos específicos: discutir os jogos e as brincadeiras na concepção proposta pelas Diretrizes Curriculares, identificar quais as contribuições dos jogos e das brincadeiras no processo de ensino e aprendizagem, compreender como os jogos e brincadeiras foram construídos historicamente, apresentar alguns encaminhamentos metodológicos para o desenvolvimento deste conteúdo estruturante na Educação Básica.

Para os que os objetivos fossem alcançados, tornou-se necessário uma constante reflexão sobre as possibilidades de exploração deste conteúdo de ensino e suas possíveis adaptações/transformações, numa perspectiva crítica de educação. Conforme as Diretrizes Curriculares, além do seu aspecto lúdico, os jogos e brincadeiras permitiram debater as possibilidades de flexibilização das regras e da organização coletiva. Essas ações permitiram que juntos, professores (as) e alunos (as) discutissem e elaborassem os objetivos e regras das atividades, dentro de um processo criativo de modo que estas escolhas e decisões fossem refletidas.

Diante disto, utilizando-se do conteúdo estruturante jogos e brincadeiras, foi possível elaborar inúmeras possibilidades para desenvolver com os (as) alunos (as) uma reflexão sobre a cultura corporal e uma leitura critica da realidade no qual estão inseridos. Como sugere as Diretrizes Curriculares:

ao conhecimento e à reflexão crítica das inúmeras manifestações ou práticas corporais historicamente produzidas pela humanidade, na busca de contribuir com um ideal mais amplo de formação de um ser humano crítico e reflexivo, reconhecendo-se como sujeito, que é produto, mas também agente histórico, político, social e cultural.

O diagnóstico da realidade escolar teve como ponto de partida a aplicação de questionários no início da implementação do projeto na escola, que após o desenvolvimento das aulas foi reaplicado ao final, viabilizando uma análise comparativa nas respostas. Logo após a aplicação do primeiro questionário foram realizadas as atividades, porém, durante a aplicação dos jogos e brincadeiras levou-se em consideração a individualidade de cada um, pois segundo Anguslki, deverão ser respeitadas as experiências e limites dos(as) alunos(as), pois isto dependerá do contexto histórico do qual cada um está inserido e de que forma interpretam o respectivo conteúdo. “Os brinquedos e brincadeiras são sínteses da materialização da cultura de um povo”.

Implementação:

A implementação é o momento da operacionalização do projeto PDE na escola. A escola, então, é o espaço da concretização e socialização do projeto elaborado. As demais produções realizadas durante o processo, como o caderno temático, integraram as atividades do processo de implementação que ora relatamos.

Metodologia:

Os sujeitos desta pesquisa foram os alunos das 5ª séries do Ensino Fundamental, turma A, B, C e D do Colégio Estadual Antonio Lacerda Braga – EFMPM – do Município de Colombo. Os alunos tiveram seus entendimentos sobre o conteúdo de jogos e brincadeiras aferidos por meio de um roteiro de perguntas. Em nossa análise comparamos as respostas dos alunos antes da aplicação do projeto e depois.

Todos os alunos das quatro quintas séries responderam ao questionário, totalizando um total de 64 respostas, porém, para efeito da pesquisa, foram desconsiderados os questionários dos alunos que responderam apenas um deles (ou o do início ou o do final da implementação).

Os questionários foram aplicados pela pesquisadora e as questões foram lidas aos alunos e esclarecidas suas duvidas para o preenchimento do mesmo.

Encaminhamentos Metodológicos:

A implementação iniciou-se aplicando o questionário aos alunos das referidas turmas na terceira semana de aula após o início do ano letivo. Um dos principais aspectos levado em conta durante a aplicação das atividades foi estimular e despertar o interesse nos alunos. Durante a aplicação e execução das atividades de jogos e brincadeiras foi possível desenvolver a aprendizagem, a interação e o convívio. Conforme indicam as próprias Diretrizes Curriculares.

Dessa maneira, como conteúdo estruturante da Educação Física, os jogos e brincadeiras compõem um conjunto de possibilidades que ampliam a percepção e a interpretação da realidade, além de intensificarem a curiosidade, o interesse e a intervenção dos alunos envolvidos nas diferentes atividades.

Outro eixo norteador no desenvolvimento deste conteúdo foi considerar aquilo que o aluno traz como experiência anterior sobre o conteúdo proposto, momento considerado pelas Diretrizes Curriculares como a preparação e mobilização do aluno para a construção do conhecimento escolar. Utilizando aquilo que os alunos conhecem sobre o tema, o(a) professor(a) poderá comparar com situações do cotidiano elaborando questões para serem discutidas sobre o tema.

Após esta etapa, iniciou-se a implementação propriamente dita dos jogos e brincadeiras que se desenvolveu da seguinte forma: Discussão acerca do conhecimento que o aluno traz a respeito do conteúdo discutido; Comparações de situações reais com situações possíveis no desenvolvimento da atividade; (dúvidas sobre os conhecimentos prévios); Apresentação do conteúdo sistematizado historicamente construído, propiciando aos alunos a assimilação e recriação do mesmo; Intervenção pedagógica para estabelecer uma relação entre a atividade e os objetivos previamente estabelecidos; vivenciar a criação de outras maneiras de realizar as atividades; avaliação da atividade ao final de cada tema dentro do conteúdo.

Durante a implementação procurou-se salientar que os jogos e as brincadeiras foram construídos em determinados momentos históricos, muitos deles permaneceram praticamente inalterados ao longo dos tempos. Os brinquedos também foram desenvolvidos por diferentes culturas e dentro de respectivos momentos. Pois como afirma Gonçalves Junior:

Os jogos e brincadeiras e brinquedos populares são parte da cultura, habitualmente transmitidos de geração para geração, por meio da oralidade. Muitos desses brinquedos e brincadeiras preservam sua estrutura inicial; outros se modificam, recebendo novos conteúdos.

2 Jogos e Brincadeiras

Atividades desenvolvidas I: Jogo de queimada (caçador):

Conforme a metodologia da implementação apresentada anteriormente, iniciamos com a discussão sobre o jogo caçador. Nessa identificamos o conhecimento prévio que os discentes possuíam sobre o tema proposto. Eles comentaram que sentem muita dificuldade na execução deste jogo, apesar de gostarem da atividade. Muitos citaram a exclusão como principal fator que desmotiva a execução da atividade.

Nosso segundo passo foi comparar situações reais com situações possíveis no desenvolvimento da atividade, esclarecendo as dúvidas que surgiram na identificação do conhecimento prévio dos alunos sobre o caçador.

O terceiro passo foi a apresentação aos alunos do conteúdo sistematizado, historicamente construído, propiciando a assimilação e recriação do mesmo.

O quarto passo consistiu em realizar intervenções pedagógicas para que a atividade fosse realizada a partir das regras previamente estabelecidas, de acordo com o conteúdo sistematizado apresentado. Um dos objetivos do desenvolvimento desta atividade era perceber as dificuldades e as contribuições apresentadas em se realizar a atividade seguindo regras pré-estabelecidas. A primeira problematização apresentada aos alunos propunha que eles refletissem esta atividade de uma maneira que, ao final, não houvesse um vencedor e um perdedor.

O quinto passo busca propiciar aos alunos a vivência e a recriação de outras maneiras de realizar as atividades. Os alunos experimentaram o jogo de acordo com as novas regras sugeridas e criadas por eles. Esta parte da atividade proporcionou que os (as) alunos (as) desenvolvessem o pensamento estratégico no momento de criar outras formas de realizar a brincadeira. A busca pelas novas maneiras contribuiu também para o processo de socialização e motivação, como também para desenvolver o pensamento crítico e consciente. (Bases nas laterais, quem é “queimado” em vez de ir para base, vão para a outra equipe, preocupação apenas em brincar).

No último passo, realizamos uma conversa para avaliação da forma como foi desenvolvido o processo de ensino e aprendizagem do jogo caçador. Na discussão sobre a realização desta atividade, os alunos comentaram que no jogo tradicional os jogadores queimados se sentem excluídos, não querendo mais participar, e desta parte ninguém gosta. Porém, ao utilizar as regras criadas por eles, citam que a brincadeira ficou muito mais estimulante. Alguns colocaram que mesmo assim, não gostaram desta atividade, pois “ficar correndo de um lado para outro não tem graça nenhuma”, afirmaram eles.

Cinco marias:

No início da etapa da atividade proposta, foi realizada uma discussão sobre o encaminhamento da mesma, onde os alunos relataram sobre o conhecimento que traziam sobre o tema. Um aspecto relevante nesta etapa foi que a maioria dos alunos expôs que não conheciam esta brincadeira, poucos já haviam ouvido a respeito, porém a maioria nunca havia experimentado.

Depois de realizada a primeira discussão, foram apresentadas algumas formas da realização desta atividade, utilizando um mínimo de conhecimento prévio que o aluno apresenta a respeito do conteúdo.

Em seguida, o conteúdo sistematizado foi apresentado aos alunos, o que serviu de base para iniciar o conteúdo, de maneira que o aluno pudesse recriá-lo.

Dando continuidade as etapas anteriores, foram realizadas as intervenções pedagógicas para que a atividade fosse realizada a partir das regras previamente estabelecidas, de acordo com o conteúdo sistematizado apresentado. Como encaminhamento do desenvolvimento do tema proposto, primeiramente os alunos confeccionaram os saquinhos, para que em seguida pudessem realizar as atividades.

Na realização do quinto passo propiciamos aos alunos a vivência e a recriação de outras maneiras de realizar esta atividade. Depois da realização desta atividade de acordo com as regras pré-estabelecidas, os alunos experimentaram a vivência de acordo com as novas regras sugeridas e criadas por eles. Um dos objetivos do desenvolvimento desta atividade era perceber as dificuldades e as contribuições apresentadas em se realizar a atividade seguindo regras pré-estabelecidas, e a partir daí criar novas formas de realização. Como contribuição para o desenvolvimento do conteúdo, cada aluno fez um trabalho de pesquisa sobre as diferentes maneiras de se jogar cinco marias, e na sequência cada um mostrava aos outros o que encontrou e aprendeu. Algumas maneiras diferenciadas criadas e sugeridas por eles foram cinco marias em duplas, cada um brincando individualmente tentando superar suas dificuldades. O importante nesta etapa foi que os alunos se encontraram com situações reais em que precisavam improvisar e criar estratégias para aplicar as regras criadas por eles. Através disso, expressavam suas idéias e opiniões, utilizando a comunicação como uma ferramenta fundamental.

Para finalizar, realizamos uma conversa para avaliação do desenvolvimento desta atividade, discutindo junto com os alunos os avanços conquistados e quais as dificuldades encontradas e enfrentadas por eles, na vivência e experimentação de novas maneiras de realizar a atividade proposta. Como esta atividade não era muito conhecida pelos alunos, eles colocaram que o interesse apresentado foi maior que nas atividades já experimentadas. Todas as etapas da atividade foram importantes para eles, desde a confecção dos saquinhos até a realização da brincadeira propriamente dita.

Peteca:

Como ponto de partida para o desenvolvimento desta atividade foi importante observar e aproveitar o que o conhecimento que o aluno trouxe a respeito do assunto proposto, e utilizá-lo no processo de ensino e aprendizagem, criando atividades que contribuam com a possibilidade de emancipação dos alunos. Utilizando o brincar para que os alunos se tornem sujeitos capazes de interagir com o meio onde vivem.

Depois de realizada a primeira discussão, como o segundo passo foi discutido as formas da realização desta atividade, inclusive a possibilidade dos próprios alunos confeccionarem seu próprio material (a peteca).

No terceiro passo nesta etapa do processo, o conteúdo historicamente construído foi repassado aos alunos, assim como a experiência de um pequeno jogo com as regras pré-estabelecidas.

No quarto passo foram realizadas as devidas intervenções pedagógicas, e nesta fase os alunos realizaram a confecção da peteca, para que as demais atividades relacionadas ao tema proposto fossem realizadas.

Depois da confecção do material e da realização desta atividade de acordo com as regras pré-estabelecidas, os alunos experimentaram a vivência de acordo com as novas regras sugeridas e criadas por eles. Os alunos (as) apresentaram sugestões como: confeccionar peteca com materiais alternativos, brincar de peteca em pequenos círculos ou jogando-a por cima da própria rede de voleibol, com o objetivo de não deixar a peteca cair, brincar de peteca em duplas, um jogando para o outro.

Na etapa final, durante a discussão sobre a avaliação da atividade, os (as) alunos (as) relataram que é muito mais prazeroso brincar com o jogo de peteca do que jogar de acordo com as regras pré-estabelecidas. Os (as) alunos (as) colocaram para o grupo suas vivências e experiências através do jogo da peteca. A maioria afirmou conhecer este jogo, porém muitos nunca haviam praticado e agora que conheceram passaram a gostar.

Pular corda:

No início do trabalho com corda, os alunos se mostraram bem familiarizados com esta atividade e todos já haviam realizado esta brincadeira pelo menos uma vez. A maioria queria dar seus testemunhos das mais variadas maneiras de como desenvolveram esta atividade. Estes conhecimentos apresentados foram utilizados na criação de outras maneiras de se realizar esta atividade.

Depois de realizada a primeira etapa, foram discutidas as formas de realização desta atividade, propiciando e viabilizando a vivência em grupo. Esta atividade também foi utilizada como uma interessante e divertida forma de valorização da nossa cultura lúdica, assim como, ferramenta para proporcionar a transformação, o desenvolvimento e a diversificação desta atividade lúdica convencional.

O terceiro ponto no desenvolvimento desta atividade, foi a apresentação do conteúdo sistematizado aos alunos, mostrando a eles que pular corda é uma atividade física bastante conhecida no mundo, seja em forma de brincadeiras de criança, nas brincadeiras de rua, ou nos exercícios de preparo e condicionamento físico de atletas.

O seguinte passo foi proporcionar a criação e vivencia de novas maneiras de se pular corda, com a realização de dinâmicas sem a divisão de equipes e sem finalidade competitiva. Um outro fator importante aqui foi o respeito aos seus limites a aos limites dos outros, com a inclusão de todos os participantes na vivência e experimentação das atividades propostas. As sugestões foram: dois alunos seguram a corda pelas pontas bem próxima ao chão e as outras pulam; a altura da corda vai aumentando aos poucos; Zerinho: dois alunos batem a corda onde o objetivo dos outros participantes é passar pela corda sem esbarrar nela; cada aluno deve saltar a corda individualmente, num ritmo lento, e contar qual o número de repetições de saltos que consegue realizar em sequencia, sem errar; cada aluno deve fazer a mesma contagem, agora com a corda sendo batida num ritmo rápido; criação de novas músicas para pular corda e chicotinho queimado.

Na conversa final sobre o desenvolvimento da atividade, foi retomado que um dos principais objetivos principais enfatizado no início, foi que ela deveria ser realizada sem finalidade competitiva, proporcionando integração e vivência dos grupos. A maioria dos alunos colocou que o maior desafio no desenvolvimento desta atividade era conseguir realizar os movimentos estabelecidos e sentir satisfação em ter conseguido atingir os objetivos propostos pela brincadeira. Apresentaram também que sentiram algumas dificuldades em criar variações para essa brincadeira por estarem acostumados com sua maneira tradicional.

Gato e rato:

Toda aula proposta deve ter o conhecimento prévio dos alunos como ponto de partida para elaboração de seu desenvolvimento e conforme a metodologia da implementação apresentada anteriormente, iniciamos o tema com a discussão sobre o jogo gato e rato. Sobre a referida atividade, os alunos já traziam diversos conhecimentos, e para o desenvolvimento desta atividade esses conhecimentos prévios foram utilizados para tornar a aula mais dinâmica, participativa e interessante.

As dúvidas apresentadas pelos alunos sobre os conhecimentos prévios serviram para facilitar a criação de situações reais e concretas para o desenvolvimento da atividade, e nesta etapa foram esclarecidas as dúvidas que surgiram na identificação do tema proposto.

Em seguida, na execução do terceiro passo foi apresentado aos alunos do conteúdo sistematizado, historicamente construído, propiciando a assimilação e recriação do mesmo.

O quarto passo consistiu em realizar intervenções pedagógicas para que a atividade fosse realizada a partir das regras previamente estabelecidas, de acordo com o conteúdo sistematizado apresentado.

Os alunos gostam de envolver-se em tarefas onde pode produzir e socializar algo que lhe é proposto, e isso pode ser claramente percebido nesta etapa da criação e experimentação das novas maneiras de se executar a atividade. Por isso, a aprendizagem tornou-se maior sendo ele é o sujeito do processo e envolvido neste desafio, sentindo-se membro importante de um grupo, tornando-se assim, responsável. Nesta atividade os alunos não conseguiram criar muitas variações, entretanto, as sugestões foram: com dois ratos e dois gatos (ou mais); sem soltar os braços (a roda) e o gato e rato tem que passar por baixo; tentaram modificar as perguntas, mas ao final, desistiram.

O fator essencial nesta avaliação final da atividade é que ela seja baseada em dados concretos da sua realização. Para descrevê-las e avaliá-las os alunos visualizaram suas práticas e falaram sobre elas. O objetivo desta etapa foi criar um caminho para a tomada de consciência dessas práticas. Nesta atividade os alunos mostraram-se interessados em participar, porém, relataram que sentiram dificuldades na criação de novas maneiras de praticá-la.

3 Atividades desenvolvidas II:

Pega-pega:

O conhecimento que o aluno traz sobre a brincadeira pega-pega teve um sentido e um significado indispensável para iniciar a atividade e vinculá-lo ao novo conteúdo. Este tema foi o mais discutido e conhecido pelos alunos em relação aos demais. Durante a discussão os alunos apresentaram grande interesse e entusiasmo por ela, e mesmo aqueles que não participaram muito das outras se mostraram interessados em brincar.

No segundo momento, os alunos colocaram diversas maneiras de se realizar a atividade de pega-pega, que foram utilizadas no item onde eles criaram novas maneiras de brincar

O próximo passo para o desenvolvimento das atividades, foi colocar o conteúdo sistematizado aos alunos, enfatizando que o pega-pega é uma brincadeira bastante simples porem com variações ao redor do Brasil quanto ao nome, porém os mais comuns são Pique-Pega são Pega-Pega.

A criação e experimentação de novas maneiras de realizar as atividades foi o terceiro passo, e contribui para desenvolver no aluno o senso crítico, o espírito criativo e o respeito pela opinião dos demais integrantes do grupo do qual faz parte, no caso aqui, a escola. As maneiras diferenciadas de executar a atividade desenvolvida por eles foram as seguintes: com mais de um pegador; pega-pega ajuda: quem vai sendo pego ajuda os outros; pega-pega em duplas: os pegadores estarão de mãos dadas; pega-pega com e sem pique; pega-pega sobre as linhas da quadra: tanto o pegador quanto os outros membros da brincadeira só poderão correr pelas linhas estabelecidas.

Uma das etapas que foi mais prestigiada pelos alunos foi a vivência e criação de outras maneiras de realizar as atividades. Justificaram que se a brincadeira apresentava alguma regra que desmotivava a execução, nesta hora eles poderiam fazer as modificações necessárias, tornando-a mais agradável. Todos se sentiram incluídos no processo, pois poderiam dar suas sugestões, porém tinham também, que experimentar as sugestões dos demais.

Morto vivo:

O primeiro passo para iniciar o trabalho sobre o tema proposto foi realizar uma discussão acerca do conhecimento que o aluno apresenta a respeito do conteúdo discutido. Observamos que conhecimento que o aluno (a) trouxe sobre a brincadeira morto vivo foi a maneira tradicional e a maioria foi unânime na colocação das regras, ou seja, escolher um chefe que ficará na frente dos demais dando os comandos morto(abaixar-se) e vivo(manter-se em pé), quem erra sai e aquele que ficar por último o vencedor.

O segundo passo foi comparar as situações reais com situações possíveis no desenvolvimento da atividade, onde os alunos relataram as dúvidas sobre os conhecimentos prévios do conteúdo proposto. Essa atividade, assim como as outras, objetivou fins educativos, pois enquanto os (as) alunos (as) estavam brincando elas estavam desenvolvendo a atenção e ficavam mais atentos diante do que os colegas estavam dizendo. Contribuiu também para desenvolvimento do senso crítico e para integração dos participantes.

O terceiro passo consistiu na apresentação sistematizada do conteúdo, enfatizando que a atividade consiste em reunir os integrantes em um único grupo de crianças, que elegerão um “chefe” para dar uma sequência de ordens para ela. Apenas duas palavras podem ser usadas: vivo – as crianças devem se manter de pé e morto – as crianças devem se agachar, quando uma criança errar a ação dada a palavra, deverá sair do grupo, quem restar por último será o novo “chefe” da brincadeira.

No quarto passo possibilitamos aos alunos a vivência e criação de outras maneiras de realizar as atividades. Algumas atividades sugeridas e experimentadas pelos alunos (as) com modificações das regras tradicionais: troca dos comandos: sol/chuva, terra/mar, claro/escuro, etc.; troca dos movimentos: dentro/fora (círculo), frente/trás (linha), etc.; quando algum participante errar, em vez de sair será o orador; em vez de falar, aquele que comanda as ações mostraria uma figura (exemplo: sol/chuva).

Durante a conversa final para a avaliação da atividade, os alunos classificaram essa brincadeira como “muito legal e interessante”. Apreciaram as mudanças sugeridas e experimentadas afirmando alguns que anteriormente achavam a atividade desmotivante, mas com as modificações ficou mais divertida. Lembrando ainda, que é muito importante para a cultura brasileira, pois é uma brincadeira que faz parte da cultura popular.

Alerta:

No início desta atividade, onde foi realizada a discussão acerca do conhecimento que o aluno traz a respeito do conteúdo discutido, todas os(as) alunos(as) relataram que já conheciam este atividade e já tinham experimentado. Na discussão elencaram o que pode conduzir a brincadeira, como o nome de pessoas, frutas, carros, etc. Explicando que a brincadeira é realizada da seguinte maneira: se optarem, por exemplo, por nome de frutas, cada uma escolhe um: uva, banana, maçã, etc. Depois, a pessoa que está com a bola grita o nome de uma das frutas mencionadas, joga a bola pra cima e, então, a pessoa da fruta que ele gritou deve alcançar a bola enquanto as demais saem correndo. O jogador com o nome da fruta tem de pegar a bola e gritar: alerta! Então, todo mundo pára e ele deve tentar acertar alguém com a bola dando no máximo três passos. Se acertar, a pessoa atingida sai da brincadeira. A partir desses conhecimentos colocados por eles, partimos para os próximos itens.

Em seguida, a partir dos conhecimentos colocados pelos alunos no item anterior acerca deste conteúdo, coloquei como sugestão, o questionamento de como realizar esta atividade sem que a pessoa atingida tivesse que abandonar a brincadeira, ou seja, evitando que ocorresse a exclusão de seus participantes.

No próximo item, realizamos a apresentação do conteúdo sistematizado, historicamente construído aos alunos, propiciando a assimilação e recriação do mesmo, assim como a experiência de um pequeno jogo com as regras pré- estabelecidas, para que a partir daí, os alunos (as) pudessem elaborar diferenciadas maneiras para desenvolver o tema proposto.

O quarto passo para o desenvolvimento da atividade, foi propiciar aos alunos a vivência e criação de outras maneiras de realizar as atividades, sempre utilizando os jogos e as brincadeiras como instrumentos de ação e educação. As alterações sugeridas pelos alunos (as) para tornar a brincadeira diferenciada foram as seguintes: a pessoa atingida passa a ser o pegador; aumentar gradativamente o número de pegadores; eliminar os três passos na hora de jogar a bola; realizar a atividade com mais de uma bola, e com mais pegadores.

No quinto e último passo da realização do tema proposto, foi realizada uma conversa final para a avaliação da atividade. Os alunos (as) classificaram a atividade como um pouco monótona e repetitiva. As opiniões variaram aos extremos, pois alguns gostaram muitos e outros nem um pouco. Apresentaram também que sentiram algumas dificuldades em criar variações para essa brincadeira por estarem acostumados com sua maneira tradicional.

4 Observações:

Os Jogos e as Brincadeiras revelaram-se como um conteúdo de grande importância no processo de desenvolvimento e formação crítica dos(as) alunos(as), pois lhes proporcionou novas descobertas e, com isso, refletindo diretamente no contexto social onde eles estão inseridos. Foi possível mediante este conteúdo possibilitar processos de construção de conhecimento, contribuindo para a formação de sujeitos capazes de transformar seu meio, transformando, principalmente, a si mesmos.

Para atingir os objetivos propostos, utilizando dos jogos e brincadeiras como ferramenta pedagógica, a partir de diferentes enfoques, fez-se necessário buscar recursos e formular estratégias que possibilitassem o trabalho escolar contextualizado à vida do aluno, respeitando seus valores sociais e seu desenvolvimento individual. Lembrando que todo o desenvolvimento do trabalho foi realizado sem ter o enfoque de competir, o objetivo das atividades era brincar. Para isso, foi fundamental planejar, sistematizar e desenvolver atividades com o objetivo de contribuir para a formação de sujeitos críticos capazes de escolhas e decisões conscientes, utilizando como recurso pedagógico os jogos e as brincadeiras.

Através da utilização dos Jogos e Brincadeiras com conteúdo da Educação Física na concepção das Diretrizes Curriculares os (as) alunos (as) puderam compreender como se constituem e como se situam historicamente os Jogos e as Brincadeiras, assim como, aprofundarem esse tema dentro da nossa realidade social. Desenvolveu-se também, a autonomia, a aceitação e reconhecimento do outro respeitando as diferenças e apropriação crítica no sentido de podermos reelaborar as atividades a partir das necessidades e reflexões de cada grupo.

O conhecimento prévio que o aluno trouxe a respeito dos conteúdos discutidos, facilitou a criação de situações reais e concretas para o desenvolvimento da atividade, tornando o trabalho pedagógico consistente contribuindo para que os alunos (as) se tornassem capazes de interagir em seu meio escolar numa perspectiva crítica. Neste caso o aluno (a) pode perceber a contribuição que cada um pode dar ao trabalho comum, extrapolando, inclusive, para sua vida.

Finalizando, os resultados encontrados foram muito positivos e corroboram com a visão de que existe um grande envolvimento e aceitação por parte dos alunos em relação aos Jogos e Brincadeiras. Porém, é evidente que as preferências giram em torno dos esportes.
Dessa maneira, como sugestão, propõe-se que novas condutas sejam tomadas, e para que o trabalho com Jogos e Brincadeiras contribua para o desenvolvimento de sujeitos críticos e emancipados, os professores de Educação Física não devem hesitar em planejar, organizar e propor atividades construídas em função de objetivos pedagógicos, e que também proporcionem a participação efetiva dos alunos na atividade e na busca constante da reflexão da realidade em que estão inseridos. A amostra aqui apresentada não pretende esgotar o assunto. Sendo necessários outros trabalhos de professores de Educação Física e/ou interessados no assunto, a fim de aprofundar o tema aqui abordado.