Organização e Manutenção em canteiro de Obras

Gestão e Fiscalização de Obras e Projetos

1 DEFINIÇÃO CANTEIROS

Segundo a norma NR-18 - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, define-se canteiro de obras como: Área de trabalho fixa e temporária onde se desenvolvem operações de apoio e execução de uma obra. Segundo a norma NBR-12284 - Áreas de Vivências em Canteiros de Obras define o canteiro como: Áreas destinadas à execução e apoio dos trabalhos da indústria da construção, dividindo-se em áreas operacionais e áreas de vivência. Com estas definições, é visível que os canteiros devem ser considerados como uma fábrica cujo produto final é o edifício. Logo, sendo considerado uma fábrica, o canteiro deve ser analisado sob a ótica dos processos de produção do edifício e também como o espaço onde as pessoas envolvidas na produção estarão vivendo seu dia-a-dia de trabalho. (SOUZA, 2000) O canteiro deverá ser preparado de acordo com a previsão de todas as necessidades, assim como a distribuição conveniente do espaço disponível e obedecendo as necessidades do desenvolvimento da obra. (AZEREDO, 1997)

TIPOS DE CANTEIRO

De acordo com ILLINGWORTH (1993), os canteiros de obra podem ser enquadrados dentro de um dos três seguintes tipos: restritos, amplos e longos e estreitos. Como a maioria dos canteiros de obras é do tipo restrito, ou seja, ocupa uma alta porcentagem do terreno de construção, há a necessidade de se preocupar ainda mais na elaboração dos arranjos físicos dos canteiros para que estes fiquem com uma organização adequada para o desenvolvimento dos trabalhos, tanto no que diz respeito à saúde e segurança do trabalhador como na produtividade. Devido a isto, ILLINGWORTH (1993) afirma que os canteiros restritos são os que exigem mais cuidados no planejamento, devendo-se seguir uma abordagem criteriosa para tal tarefa.

ELEMENTOS DO CANTEIRO

Segundo ALVES (2012), cada parte que compõe um canteiro é denominada “elemento” do canteiro. Dentro desta definição existem dois tipos de elementos a serem utilizados ele podendo ser ou não ser obrigatórios. Segundo DANTAS (2004), os canteiros de obras estão divididos em vários setores dependendo da sua localização, listados abaixo:

ELEMENTOS LIGADOS À PRODUÇÃO:

a) Central de concreto;
b) Central de argamassa;
c) Central de preparo de armaduras;
d) Central de produção de formas;
e) Oficina de montagem de instalações de esquadrias;
f) Central de pré-moldados;
g) Central de carpintaria.

ELEMENTOS DE APOIO À PRODUÇÃO

a) Estoques:
b) Materiais não perecíveis;
c)Materiais perecíveis;
d) Baias de agregados;
e) Almoxarifados:
f) Da construtora;
g)Para empreiteiros.

SISTEMA DE TRANSPORTES

a) Elevadores e gruas (transporte vertical de materiais).

APOIO ADMINISTRATIVO

a) Escritório administrativo/ técnico com instalações sanitárias;
b) Recepção da obra;
c) Chapeira de ponto;
d) Refeitório;
e) Ambulatório;
f) Sanitários e vestiários.

2 OUTROS ELEMENTOS

a) Entradas de agua, luz e coleta de esgoto;
b) Portões;
c) “stand” de vendas.
As instalações administrativas e de produção, devem, na medida do possível, ser instaladas no mesmo setor, para permitir melhor controle pela administração. (DANTAS, 2004) Outro grupo de elementos do canteiro é a área de vivência, existe uma norma regulamentadora da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) designada para este grupo de elementos que é a NBR 12284/1991 - Áreas de Vivências em Canteiros de Obras. As áreas de vivência são de grande importância, pois são locais onde geralmente há uma concentração razoável de pessoas e possuem uma variedade maior de elementos.

LEGISLAÇÃO APLICADA A CANTEIRO DE OBRAS

Devido a diversas estratégias gerenciais onde o foco na qualidade é essencial para o desenvolvimento e estabelecimento de empresas, a padronização se torna fundamental para que não só os canteiros, mas a empresa como um todo consiga desenvolver e executar um produto com o máximo da sua capacidade. Porém, o processo de padronização dos canteiros é algo que deve ser muito bem analisado para poder ser implantado, cabendo à construtora analisar quais atividades ou procedimentos podem ser passiveis de padronização. (SAURIN, 1997) Além da eficiência da execução do produto, a padronização diretamente influencia na segurança do ambiente onde os trabalhadores estão expostos, a fim de haver uma melhora na qualidade dos canteiros no quesito segurança e organização, a NR-18 foi elaborada a fim de suprir esta lacuna que existe na legislação brasileira quanto às instalações do canteiro e das áreas de vivência.

HISTÓRICO DA SEGURANÇA DO TRABALHO NO BRASIL

No Brasil, podemos fixar por volta de 1930 a nossa revolução industrial e, embora tivéssemos já a experiência de outros países, em menor escala, é bem verdade, atravessamos os mesmos percalços, o que fez com que se falasse, em 1970, que o Brasil era o campeão mundial de acidentes do trabalho. (ARAÚJO, 2000) A figura 3 abaixo nos dá ideia de que era, de fato, lamentável a situação que enfrentávamos.

BREVE HISTÓRICO E ORIGEM DA NR-18

Dentre as normas relativas à Segurança e Medicina do Trabalho, a Norma Regulamentadora nº 18, com o título de “Obras de Construção, Demolição e Reparos”, define as regras de prevenção de acidentes de trabalho para a indústria da construção (CRUZ, 1998). Esta norma foi aprovada pela portaria nº 3.214 de 08/07/1978, porém devido aos progressos tecnológicos e sociais seu texto tornou-se defasado, necessitando de modificações legais, as quais ocorreram recentemente. A nova Norma Regulamentadora nº 18 introduz inovações conceituais que aparecem a partir de sua própria formulação, uma vez que é a 1ª norma publicada que teve a sua condução final consolidada através de negociação clássica nos moldes prescritos pela Organização Internacional do Trabalho (CRUZ, 1998).
De 10/06 à 30/06/94 deu-se a fase de planejamento do estudo para a alteração na NR18, com a formação de dez Grupos de Trabalho nas seguintes cidades: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória. Estes grupos geraram dez propostas de alteração, as quais em agosto de 1994 foram consolidadas primeiramente em três e após em uma única proposta, denominada 1ª versão (CRUZ, 1998). A 1ª versão foi publicada no Diário Oficial da União em 17/11/94, sob forma de minuta do Projeto de Reformulação da NR-18, com prazo de 30 dias, depois de prorrogado por mais 90 dias, para o recebimento de sugestões e contribuições. Foram recebidas cerca de 3000 sugestões, propostas e contribuições de aproximadamente 300 entidades, empresas e profissionais da comunidade, as quais foram analisadas e discutidas pelo Grupo Técnico de Trabalho, sendo incorporadas ao texto da norma, quando relevantes. A conclusão e texto final da NR- 18 foram obtidos através do consenso de uma Comissão Tripartite e Paritária, formada em maio de 1995, composta por representantes dos Trabalhadores, Empregadores e Governo, com publicação no Diário Oficial da União em 07/07/1995 (CRUZ, 1998).
A mudança do título de “Obras de Construção, Demolição e Reparos” para “Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção” já introduziu inovações consideráveis. Ampliou-se o campo de atuação da norma a todo meio ambiente de trabalho da indústria e não apenas aos canteiros de obras, bem como a toda a indústria da construção sem restrições ao tipo de obra. Estes objetivos são colocados em prática através do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT). Este visa garantir o surgimento de programas consistentes de prevenção com perfeita integração entre dirigentes, empregados (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA) e profissionais da área, evitando assim a aquisição de pacotes pré-fabricados cuja motivação única seja atender a norma para evitar multas (CRUZ, 1998). Além da NR-18, outras normas regulamentadoras definem também itens importantes que devem ser adotados pelas construtoras visando à segurança no ambiente de trabalho.
Segundo a NR-9, fica estabelecida a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do PPRA (Programa de Prevenção e Riscos Ambientais), visando à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. Segundo a NR-7, ficam estabelecidas a obrigatoriedade e a implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores.
Cabe ao SESMT (Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) a função de centralizar o planejamento da segurança, em consonância com a Produção, e descentralizar sua execução. Segundo a NR-5, cabe a CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) a função, como um órgão interno da empresa, de ser um divulgador das normas de segurança e de realizar algumas funções executivas estabelecidas na legislação em vigor, tais como: elaborar Mapa de Riscos, discutir acidentes ocorridos, convocar reuniões extraordinárias, etc.
A NR-5 traz informações completas sobre Eleição, Registro, Curso para Componentes de CIPA e detalhes para o seu funcionamento, bem como modelo dos documentos a serem elaborados, que permitem à Produção implantar uma CIPA, mesmo sem ter Profissional da Área de Segurança do Trabalho em seu quadro de efetivo.

UTILIZAÇÃO DA NR-18 NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Devido a NR-18 grandes avanços em termos de legislação e em termos de incentivo às empresas foram visíveis, porém, mesmo assim, esta NR tem provocado uma grande estranheza a seus aplicadores devido as dúvidas quanto a sua interpretação e questionamentos sobre sua viabilidade de aplicação, tanto técnica quanto econômica, de algumas de suas exigências. (BORGES, 2009) TISAKA (2006) afirma que custo médio mensal por operário somente no caso de aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) fica em torno de R$30,00. Mesmo este valor parecendo irrisório em comparação aos custos totais da obra, somente isso já impacta cerca de 5% do orçamento total da obra.
Umas das fortes críticas feitas por especialistas e empresas referentes à NR-18 é quanto a sua grande prescrição excessiva de muitas exigências, tais como espessura de colchões ou dimensões de armários no alojamento. (SAURIN, FORMOSO, 2006) Os motivos que levaram a esta abordagem foram esclarecidos por fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), os quais participaram da comissão tripartite que elaborou a norma. Ainda que tenha havido esforço para não especificar materiais e técnicas, visto o caráter dinâmico de tecnologias e métodos de trabalho na construção, muitas exigências tornaram-se prescritivas em excesso, devido, por um lado, do temor dos empregadores em relação à fiscalização, a qual poderia ser muito exigente face à falta de especificações claras, baseando-se, por exemplo, em normas da ABNT, as quais são tecnicamente mais rigorosas. (BORGES, 2009)
É visível que somente a NR-18 e os correspondentes RTP (Regulamentos Técnicos de Procedimento), não são suficientes para suprir todas as necessidades de uma legislação de tema tão complexo e longo. Devido a isto, existe uma vertente que defende que a NR-18 deva possuir uma maior quantidade de normas técnicas complementares que tenha como função suprir todas as brechas que possa existir nesta norma regulamentadora, detalhando, por exemplo, requisitos de desempenho de instalações de segurança como guarda-corpos, escadas ou telas. (BORGES, 2009) Segundo ROCHA et al. (2000), as áreas de vivência, apesar de serem prioridade da fiscalização, ainda têm um elevado nível de não conformidade, apresentando falta de cumprimento de exigências bastante simples, tais como a colocação de suportes para sabonete, cabide para toalha junto aos chuveiros e recipiente com tampa para depósito de papéis usados junto ao vaso sanitário. As áreas de vivência, apesar de não estarem diretamente relacionadas às causas de acidentes, influenciam na sua maior ou menor ocorrência, visto que condições precárias da mesma contribuem para diminuir a motivação dos trabalhadores e, por consequência, estimular comportamentos inseguros. (BORGES, 2009)
Para que haja maiores índices de conformidade à NR-18, devem-se ser elaboradas mais campanhas educativas com a ideia de incentivar e conscientizar as construtoras para maior aplicação da mesma e, ao mesmo tempo, existir uma maior rigorosidade na fiscalização por parte dos órgãos responsáveis para que a ela seja implantada em toda sua plenitude. ROCHA et al. (2000) destaca ainda a necessidade de serem incentivadas as pesquisas na área, visto que, no Brasil em particular, há carência de estudos aprofundados sobre segurança do trabalho na construção. A falta de conhecimento sobre índices de acidentes, situação dos canteiros em relação à segurança, custos de implantação da segurança, programas de gestão da segurança e a carência de normas, entre diversos outros temas, só contribuem para que a construção civil mantenha-se no topo da lista de indústrias causadoras de acidentes no país.
Segundo COSTELLA et al. (1998), em relação aos problemas econômicos causados pelos acidentes do trabalho, pode-se destacar os altos custos diretos (indenização ao acidentado nos primeiros 15 dias, perdas de equipamentos e de materiais, etc.) e indiretos (diminuição da produtividade global, adaptação de outro funcionário na mesma função, etc.) dos acidentes, causados pela falta de segurança em geral. Isto deveria alertar os empresários para o volume de recursos que é desperdiçado cada vez que ocorre um acidente, sendo este um forte argumento para estimular investimentos na área. Um fato muito importante a ser considerado é que os empresários normalmente visualizam somente os custos diretos relacionados aos acidentes do trabalho, enquanto que os custos indiretos podem ser de 3 a 10 vezes maiores que o custo direto (HINZE, 1991 e 1997).
Conforme ARAÚJO (2000), muitas das exigências da NR-18 não são cumpridas por falta de planejamento da ação e conscientização da sua importância. Outra constatação importante, diz respeito à falta de padrões de segurança nas empresas, evidenciando que o grau de preocupação com as questões de segurança.

3 TIPOLOGIAS DAS INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS

Embora na maior parte dos canteiros predominem os barracos em chapas de compensado, Existem diversas possibilidades para a escolha da tipologia das instalações provisórias, cada uma com suas vantagens e desvantagens (SAURIN, FORMOSO, 2006). Avaliando estes dois quesitos, vários critérios devem ser abordados para a definição da instalação, listados abaixo:

a) Custos de aquisição;

b) Custos de implantação;

c) Custos de manutenção;

d) Reaproveitamento;

e) Durabilidade;

f) Facilidade de montagem e desmontagem;

g) Isolamento térmico;

h) Impacto visual.

Será abordado a seguir duas opções de sistemas, porém além destas há também instalações em alvenaria, porém está se torna interessante somente quando as instalações provisória podem se tornar permanentes após a finalização da obra.

SISTEMA TRADICIONAL RACIONALIZADO

Segundo SAURIN e FORMOSO (2006) sistema tradicional racionalizado representa um aperfeiçoamento dos barracos em chapa de compensado comumente utilizados, visando aumentar o seu reaproveitamento e facilitar a sua montagem e desmontagem Para sua implantação SAURIN e FORMOSO (2006) elaboraram os seguintes requisitos devem ser implantados, seguindo principalmente as solicitações da NR-18:

a) Proteger as paredes do banheiro contra a umidade (requisito da NR-18), revestindo-as, por exemplo, com chapa galvanizada ou pintura impermeável. Com o mesmo objetivo, é recomendável que o piso dos banheiros seja feito em contrapiso cimentado, e não em madeira;

b) Prever módulos especiais para portas e janelas. As janelas preferencialmente devem ser basculantes, garantindo iluminação natural à instalação;

c) Pintar os módulos nas duas faces, assim como selar os topos das chapas de compensado, contribuindo para o aumento da durabilidade da madeira;

d) Prever opção de montagem em dois pavimentos, já que esta será uma alternativa bastante útil em canteiros restritos. Um problema que pode surgir ao planejar-se um sistema com dois pavimentos é a interferência com a plataforma principal de proteção. Nesse caso, uma solução que tem sido aceita pela fiscalização é o deslocamento da plataforma para a laje imediatamente superior, somente no trecho em que existe interferência;

CONTAINERS

A utilização de containers na construção é uma prática habitual em países desenvolvidos e uma alternativa adotada há algum tempo, por exemplo, em obras de montagem industrial e grandes empreendimentos. (SAURIN, FORMOSO, 2006) Apesar de existir a opção de compra de container com isolamento térmico, o custo desta opção faz com que ela raramente seja utilizada, ocasionando a principal reclamação dos operários em relação ao sistema: as temperaturas internas são muito altas nos dias mais quentes. Tendo em vista a minimização do problema, algumas medidas simples podem ser adotadas: pintura externa em cor branca, execução de telhado sobre o container e, conforme a NR-18, uma ventilação natural de, no mínimo, 15% da área do piso, composta por, no mínimo, duas aberturas. Além dos requisitos de ventilação, a NR-18 tem outras exigências importantes em relação aos containers:

a) A estrutura dos containers deve ser aterrada eletricamente, prevenindo contra a possibilidade de choques elétricos;

b) Containers originalmente usados no transporte e/ou acondicionamento de cargas devem ter um atestado de salubridade relativo a riscos químicos, biológicos e radioativos, com o nome e CNPJ da empresa responsável pela adaptação.

Mesmo possuindo um alto custo de utilização devido as dificuldades para manter um bom nível de conforto térmico o que exige a aquisição de uma grande quantidade de aparelhos de ar-condionado, os container possuem diversas vantagens listados abaixo:

a) Rapidez no processo de montagem e desmontagem;

b) Reaproveitamento total da estrutura;

c) Possibilidade de diversos arranjos internos.

Hoje em dia, o mercado para aquisição de container (aluguel e venda) é bastante grande e diversificado, o que facilita a sua negociação, modos de execução e de entrega como container já montado ou somente de entrega de seus componentes para montagem na obra. Tendo esta variedade de possibilidades de instalações (Tradicional racionalizada, containers e alvenaria), cabe ao responsável pelo planejamento determinar qual é a melhor opção para o canteiro em questão. Para a tomada da decisão, certos itens devem ser avaliados e compatibilizados visando o melhor aproveitamento do canteiro em questão, como:

a) Duração da obra;

b) Pico máximo de funcionários que utilizaram as instalações;

c) A vida útil dos materiais que podem ser utilizados para instalação;

d) O custo dos materiais (compra/aluguel);

e) Facilidade de montagem e reaproveitamento;

f) Custo de instalação. Compatibilizando todos estes itens, considerando a experiência e vivência em obras do engenheiro responsável será possível determinar qual é a melhor alternativa para o canteiro em estudo.

4 DIMENSIONAMENTO SEGUNDO NR-18

Apresentam-se, a seguir, alguns itens da NR-18 de forma resumida com suas exigências e recomendações:

a) Áreas de vivência: São destinadas a atender as necessidades básicas humanas como alimentação, higiene, descanso, lazer e convivência. Nelas devem existir: instalações sanitárias; vestiário; alojamento; local de refeições; cozinha; lavanderia; área de lazer e ambulatório.

b) Instalações Sanitárias: precisa ter 1 lavatório, 1 vaso, 1 mictório, para cada 20 operários ou fração. Um chuveiro para cada 10 operários, local do vaso com, no mínimo, 1m² e área do chuveiro com, no mínimo, 0,8 m²;

c) Vestiário: armários individuais com cadeado e bancos com largura mínima de 30 cm. Além de espaço físico com suas dimensões mínimas descritas na norma;

d) Alojamento: é proibido o uso de 3 camas ou mais na mesma vertical, a altura mínima entre a última cama e o teto é de 1,20 m. As menores dimensões das camas devem ser de 0,80m por 1,90m;

e) Local de Refeições: Independentemente da quantidade de trabalhadores é obrigatório um espaço reservado para o aquecimento e realização das refeições com condições mínimas de infraestrutura conforme definido na norma;

f) Cozinha: As pessoas envolvidas no preparo dos alimentos devem usar aventais e gorros, também há a necessidade de equipamentos de refrigeração para a conservação dos alimentos;

g) Lavanderia: Deve ter tanques individuais e coletivos em número adequado;

h) Área de lazer: Pode ser utilizado o local de refeições para fins de recreação.

Serviços de Engenharia:

a) Treinamento: Todo trabalhador deve receber treinamento admissional de, no mínimo, 6 horas, ministrado dentro do horário de trabalho;

b) Demolição: Antes de fazer qualquer demolição, devem ser desligadas todas as instalações elétricas, de gás, hidráulicas, respeitando as normas em vigor. As construções vizinhas devem ser analisadas a fim de preservar a estabilidade e a integridade física. Todos os materiais frágeis que porventura estiverem na região devem ser retirados;

c) Escavações, fundações e desmonte de rochas: Muros e construções vizinhas que possam ser afetadas pelas escavações devem ser escorados. É obrigatória no desmonte de rochas com detonação de explosivos a utilização de sinal sonoro;

d) Carpintaria: dotado com mesas estáveis, carcaça de motor aterrada e lâmpadas de iluminação protegidas contra impactos provenientes da projeção de partículas. Deve ter piso resistente, nivelado e antiderrapante, com cobertura capaz de proteger os trabalhadores;

e) Armações de aço: A dobragem deve ser feita sobre bancadas ou plataformas estáveis, a área de trabalho onde se situa a bancada deve ser coberta para proteção dos trabalhadores contra queda de materiais e intempéries. Nas fôrmas, é obrigatória a colocação de pranchas de madeira firmemente apoiadas sobre as armações;

f) Estruturas de concreto: Os suportes e escoras para as fôrmas devem ser vistoriados antes e durante a concretagem. As fôrmas devem ser projetadas para resistir às cargas máximas de serviço. No local da concretagem, deve permanecer apenas o pessoal indispensável na execução do serviço;

g) Estruturas metálicas: As peças estruturais pré-fabricadas devem ter pesos e dimensões compatíveis com os equipamentos de transportar. A colocação de pilares e vigas deve ser feita de maneira que, ainda suspensos, se executem a prumagem, marcação e fixação de peças;

h) Operações de soldagem e corte a quente: O dispositivo utilizado para manusear eletrodos deve ter isolamento adequado à corrente usada. É proibida a presença de material inflamável próximo às garrafas de oxigênio. Os equipamentos de soldagem elétrica devem ser aterrados;

i) Escadas, rampas e passarelas: Escadas com no mínimo de 0,80m de largura, patamares a cada 2,90m de altura. Rampas provisórias não devem ter inclinação maior que 30°. As escadas de mão são proibidas nas proximidades de portas ou áreas de circulação como também quando houver riscos de queda de objetos. Este tipo de escada deve superar 1m do piso superior e ser apoiada em piso resistente sem riscos de escorregamentos;

j) Medidas de proteção contra queda de altura: Em todo o perímetro da construção de edifícios com mais de 4 pavimentos ou equivalente, é obrigatória a instalação de uma plataforma principal na altura da primeira laje logo depois da concretagem. Esta plataforma deve ter no mínimo 2,50m de projeção horizontal, acima dela, devem ser instaladas plataformas secundárias em balanço a cada 3 lajes;

k) Movimentação e Transporte de materiais e pessoas: As torres de elevadores devem ser dimensionadas em função das cargas a que estarão sujeitas. As rampas de acesso devem ter guarda-corpo e rodapé. É proibida a utilização de gruas para transporte de pessoas. Os operários que trabalham com as máquinas e equipamentos de transporte devem ter ensino fundamental completo, caso não possua experiência registrada na CTPS anterior a maio de 2011, e devem passar por treinamento e atualizações anualmente;

l) Cabos de aço e Cabos de fibra sintética: devem ser dimensionados e utilizados na construção conforme a norma técnica vigente (NBR 6327 - 2006);

m) Telhados e Coberturas: Nos locais de trabalho é obrigatória a existência de sinalização de advertência e de isolamento da área que possa evitar acidentes;

n) Instalações Elétricas: A execução e manutenção das instalações elétricas devem ser feitas por profissional qualificado. Os transformadores e estações abaixadoras devem ser instalados em local isolado, com acesso apenas do profissional habilitado e qualificado;

o) Máquinas, equipamentos e Ferramentas diversas: Devem ser protegidas todas as partes móveis dos motores e partes perigosas da máquina ao alcance dos trabalhadores. É proibido o uso de ferramentas manuais em bolso ou locais inadequados;

p) Armazenamento e Estocagem de Materiais: O Armazenamento não deve prejudicar o trânsito de pessoas, de materiais e o acesso aos equipamentos de combate a incêndio;

q) Ordem e Limpeza: Os entulhos produzidos devem ser regularmente coletados e removidos. Sendo proibida a queima ou estocagem desses materiais em locais inadequados do canteiro;

r) Tapumes e galerias: É obrigatório o fechamento do canteiro com tapumes ou barreiras de modo que se possa evitar a entrada de pessoas estranhas à obra.

Todos os itens mencionados acima, além dos que não foram citados, estão detalhadamente descritos na norma, como por exemplo, as dimensões que cada ambiente deve possuir, o pé-direito, o piso e condições de ventilação e higiene. Alguns elementos mais específicos como cabos de aço ou instalações elétricas possuem normas regulamentadoras específicas para o seu manuseio. Um determinado serviço deve ser executado obedecendo tanto a sua respectiva norma como a NR-18 ou qualquer outra norma de segurança que cite o mesmo, pois elas são elaboradas para serem aplicadas em conjunto e não se contradizem de maneira que uma ação fique com duas interpretações.

5 PROJETO E PLANEJAMENTO DAS INSTALAÇÕES DE CANTEIRO DE OBRAS

DIRETRIZES PARA PLANEJAMENTO DE CANTEIRO DE OBRAS

ILLINGWORTH (1993) destaca duas regras fundamentais que sempre devem ser seguidas no planejamento de canteiros restritos:
a) Sempre atacar primeiro a fronteira mais difícil;
b) Criar espaços utilizáveis no nível do térreo tão cedo quanto possível.
ILLINGWORTH (1993) argumenta que a primeira regra recomenda que a obra inicie a partir da divisa mais problemática do canteiro. O principal objetivo é evitar que se tenha de fazer serviços em tal divisa nas fases posteriores da execução, quando a construção de outras partes da edificação dificulta o acesso a este local. Os motivos que podem determinar a criticidade de uma divisa são vários, tais como a existência de um muro de arrimo, vegetação de grande porte ou um desnível acentuado.
A segunda regra aplica-se especialmente a obras nas quais o subsolo ocupa quase a totalidade do terreno, dificultando, na fase inicial da construção, a existência de um layout permanente. Exige-se, assim, a conclusão, tão cedo quanto possível, de espaços utilizáveis ao nível do térreo, os quais possam ser aproveitados para locação de instalações provisórias e armazenamento, com a finalidade de facilitar os acessos de veículos e pessoas, além de propiciar um caráter de longo prazo de existência para as referidas instalações. (SAURIN, 1997) Segundo ALVES (2012), para atender aos propósitos exemplificados acima, o construtor precisa ter informações suficientes para que isto se torne realidade. Estas informações vêm dos projetos completos e revisados; do cronograma físico, contendo informações sobre volumes e quantidades produzidas, estocadas e transportadas. Além disso, é preciso:
a) Ter as especificações técnicas da obra, tanto em relação ao processo construtivo, como o que será produzido e quais os materiais produzidos e adquiridos para a obra;
b) Conhecer a CLT- Consolidação das Leis Trabalhistas e a NR-18 - Fornecendo subsídios para o dimensionamento das áreas de vivência;
c) Ter dados sobre a produtividade dos operários para o dimensionamento da mão de obra;
d) Conhecer o cronograma de execução dos serviços, a área do terreno e da obra a ser construída.
Além destes itens outros tópicos devem receber uma atenção especial para a continuidade do processo de planejamento, deve-se colher o máximo de dados possíveis do entorno onde será instalado o novo canteiro de obras a fim de poder dimensionar corretamente sua logística, principalmente, as entradas e saídas do canteiro e o fluxo de material de entrada e saída do canteiro, avaliando alguns quesitos como:
a) Interdições temporárias da rua de localização do canteiro de obras ou de acesso ou ainda do entorno da obra. As interdições são decorrentes da instalação de feiras livres, faixas seletivas, áreas de lazer, obras, etc;
b) Fluxo de trânsito e intensidade de congestionamentos na rua do canteiro de obras ou das cercanias que possa interferir no funcionamento do canteiro;
c) Fluxo de pedestres e intensidade de pessoas transitando nas calçadas do canteiro de obras;
d) Dimensões úteis das calçadas e existências de postes, pontos de ônibus e outros aspectos que possam interferir no funcionamento do canteiro;
e) Situação da drenagem pluvial na região do canteiro e possível interferência no funcionamento do canteiro;
f) Condições de serviços das concessionárias de energia elétrica, iluminação, água, remoção de lixo comum;
g) Localização de hospitais, postos de saúde e outros serviços de interesse.
Outro fator a ser analisado além do logístico, é o fator humano. Deve-se avaliar o impacto que o empreendimento causará aos moradores no entorno, avaliando as poluições visuais, sonoras e do ambiente pelo qual todos eles passarão e presenciarão durante o período de execução do empreendimento. Assim, o contato com os prédios é essencial para o sucesso desta tarefa assim evitando problema futuro com os moradores.
O ideal nesta situação seria fazer uma lista com o contato de todos os prédios e síndicos, a fim de sempre que houver um evento maior na construção como, por exemplo, grandes concretagens ou mobilização de grandes equipamentos; Todos sejam avisados com antecedência para não criar transtornos maiores no entorno.

OBJETIVOS DO PLANEJAMENTO DE CANTEIROS

O planejamento de um canteiro de obras pode ser definido como o planejamento do layout e da logística das suas instalações provisórias, instalações de segurança e sistema de movimentação e armazenamento de materiais. A organização física dos recursos de produção, a interação desses recursos com o ambiente espacial e o estabelecimento dos fluxos do processo produtivo são tarefas diretamente ligadas ao projeto do layout das instalações. (SANTOS et al., 1995) O planejamento do layout envolve a definição do arranjo físico de trabalhadores, materiais, equipamentos, áreas de trabalho e de estocagem. (FRANKENFELD, 1990) Visando obter uma melhor utilização do espaço físico disponível através da redução das movimentações de materiais, componentes e mão-de-obra, fazem com que maquinas e homens trabalhem de forma eficiente. TOMMELEIN (1992) dividiu os múltiplos objetivos que um bom planejamento de canteiro deve atingir em duas categorias principais:
a) Objetivos de alto nível: promover operações eficientes e seguras e manter alta a motivação dos empregados. Segundo TOMMELEIN (1992) o cuidado com o aspecto visual do canteiro, que inclui a limpeza e impacto positivo perante funcionários e clientes. Segundo SAURIN (1997) Não seria exagero afirmar que um cliente, na dúvida entre dois apartamentos (de obras diferentes) que o satisfaçam plenamente, decida comprar aquele do canteiro mais organizado, uma vez que este pode induzir uma maior confiança em relação a qualidade da obra;
b) Objetivos de baixo nível: Reduzir as distâncias de transportes, de movimentação de matérias, evitar obstruções aos movimentos de insumos e maquinários e principalmente, redução do tempo de transporte.

6 ANALISE/ DEFINIÇÕES PRELIMINARES

Esta é considerada a etapa fundamental para o sucesso de uma implantação de um canteiro de obras ideal. Na análise preliminar, uma série de problemas, dificuldades, descontinuidades deve ser previstas através do projeto pré-executivo em mãos. A não realização completa e antecipada da análise preliminar pode provocar interrupções e atrasos durante as etapas posteriores, visto que faltarão as informações necessárias para a tomada de decisões. (SAURIN, 1997) O ideal nesta situação, é que a empresa responsável pelo empreendimento já possua uma tradição, experiência e padrão para a implantação de um canteiro, pois assim o processo se tornará mais rápido e prático. Devido a isto, SOUZA (2000) chama atenção para um detalhe primordial, quanto mais detalhados forem os projetos do produto, melhor a informação disponível para balizar o projeto do canteiro.

SAURIN (1997) listou uma série de atividades que devem ser seguidas na etapa preliminar na elabora do planejamento de um canteiro:

a) Programa de necessidades do canteiro: Nesta etapa todas as instalações de canteiro deverão ser locadas, estimando principalmente a área necessária de cada uma delas;
b) Informações sobre o terreno e o entorno da obra: devem estar disponíveis tais como a localização de árvores na calçada e dentro do terreno, pré-existência de rede de esgoto, passagem de rede alta tensão em frente ao prédio, desníveis do terreno, rua de trânsito menos intenso caso o terreno seja de esquina, etc. Mesmo que estas informações estejam representadas nas plantas dos vários projetos, é recomendável a conferência in loco;
c) Cronograma físico da obra: a elaboração do cronograma de layout requer a consulta ao cronograma físico da obra, uma vez que é normal a existência de interferências entre ambos. Embora o cronograma físico original possa sofrer pequenas alterações para viabilizar um layout mais eficiente, deve-se, na medida do possível, procurar tirar proveito da programação estabelecida sem alterá-la. Além destas análises de atrasos ou adiantamento de serviços, o estudo do cronograma físico permite a coleta de outras informações importantes para o estudo do layout, como, por exemplo, a verificação da possibilidade de que certos materiais não venham a ser estocados simultaneamente a outros (blocos e areia, por exemplo), o prazo de liberação de áreas da obra passíveis de uso por instalações de canteiro, prazo de início da alvenaria (para reservar área de estocagem de blocos), etc.;
d) Arranjo físico geral: a etapa de definição do arranjo físico geral, também denominado de macro-layout, envolve o estabelecimento do local em que cada área do canteiro (instalação ou grupo de instalações) irá situar-se, devendo ser estudado o posicionamento relativo entre as diversas áreas. Nesta etapa, por exemplo, define-se de forma aproximada, a localização das áreas de vivência, áreas de apoio e área do posto de produção de argamassa;
e) Vistoria nas edificações vizinhas: Deve-se avaliar possíveis riscos as construções que fazem divisas com o canteiro, a fim de se resguardar sobre futuros danos estéticos. Fazer um estudo estrutural nos prédios a fim de saber até onde pode ser possível executar alguma atividade no canteiro. E também fazer um estudo sobre o público que será afetado com a implantação do canteiro novo, adquirindo os contatos dos moradores e síndicos para que haja uma relação mais estreita e parceria entre ambas as partes, construtora e moradores.

ESCOLHAS RELATIVAS AO PROJETO DO PROCESSO

Nesta fase, uma série de decisões devem ser tomadas quanto ao processo executivo dos elementos que serão utilizados na construção da edificação, a fim de que se possa ser claro quais serão os espaços necessários para a circulação, estocagem de materiais e áreas de produção.
Com o crescimento da demanda de execução de novas obras a indústria da construção civil busca a inovação materializando ações no campo da mecanização a resposta para atendimento a estas demandas. A mecanização tem se caracterizado pelo uso de técnicas que confiram maior rapidez na execução das obras e equipamentos cada vez mais sofisticados e críticos, tais como elevadores, guindastes, andaimes suspensos motorizados, gruas, empilhadeiras, elevadores, etc. Nesse contexto, aumenta a necessidade de disponibilização de áreas dentro do canteiro de obras que atendam a essas necessidades e de projetos especiais que atendam a legislação e ao mesmo sejam funcionais para a obra. Como consequência, surge também a necessidade de definição de áreas a serem isoladas dentro do canteiro de obras. Trata-se daqueles locais em que as áreas de influências dos equipamentos críticos geram riscos aos colaboradores da obra.
Outro aspecto importante nesse ambiente é que os caminhos de serviço dentro da obra passam a assumir enorme importância nas questões da segurança e saúde dos colaboradores e na maior racionalização dos fluxos de trabalho.

Abaixo seguem alguns itens que devem ser avaliados:

a) Opções quanto as formas de concretagem: Nesta etapa deve ser definido, caso a obra utilize concreto, a forma que será adquirido o material. Se será concreto produzido em central ou se será produzido na obra. Hoje em dia não é mais habitual a produção de concreto em obra para confecção de grandes estruturas;
b) Opções quanto à armação: Avaliar se o aço será recebido em barras retas, assim havendo a necessidade de uma criação de uma central de corte e dobra ou se já será recebido aço já cortado e dobra pronto para montagem, porém neste caso deve-se definir um local onde possa armazenar este aço sem que haja confusão, mistura ou perda de material;
c) Opções quanto à argamassa para revestimento de paredes: Avaliar se a produção do mesmo ocorrerá dentro da própria obra a partir de sacos de cimento, cal e areia ou se se através de argamassas industrializadas, ou com argamassa de cal pré-misturada e assim por diante;
d) Opções quanto aos sistemas de formas adotados: Se a produção será feita na própria obra assim exigindo uma maior quantidade de carpinteiros e mutuamente um maior espaço para maquinário ou se será utilizado painéis alugados/comprados, assim exigindo uma menor área para carpintaria, porém, em contra partida, maiores locais para estocagens, caso não estejam sendo utilizadas;
e) Opções quanto ao acesso das fachadas para execução do revestimento: Se será através de balancins a cabo convencional, ou elétricos, ou por andaimes fachadeiros, móveis com sistema de cremalheira e assim por diante.

DEMANDA POR MATERIAIS E MÃO DE OBRA

Nesta etapa o engenheiro responsável pelo planejamento deve possuir em mãos o cronograma físico da obra com a informação detalhada, datas e precedências dos serviços e os respectivos quantitativos, pois assim é possível criar um cronograma com as previsões da qualificação e do quantitativo de materiais, equipamentos e mão-de-obra necessárias a obra. Portanto, a elaboração de um cronograma físico-financeiro detalhado e realista é crucial e exige a participação de várias pessoas diretamente envolvidas com a obra proprietário ou incorporador, engenheiro, mestre de obras, orçamentistas e compradores, entre outros gestores. Uma vez que o cronograma está pronto, as possibilidades de alterações são mínimas, assim sendo a base fundamental para a elaboração do cronograma de mão de material e mão de obra. Com base no cronograma assim elaborado é possível realizar o monitoramento do progresso e realizar os replanejamentos necessários sempre que ocorrências propiciem atrasos ou possíveis atrasos no processo de implantação e de operação e manutenção dos canteiros de obras. SOUZA (2000) sugere que o cronograma deva ser elaborado mostrando as necessidades da obra semanalmente e em cima deles devem ser utilizados fatores de segurança para a garantia de certeza e eficiência.

MOVIMENTO DE TERRA, CONTENÇÃO DA VIZINHANÇA E FUNDAÇÕES.

Nesta fase inicial, a demanda de funcionários é basicamente formada por subempreiteiros donos de grandes maquinários para a execução dos serviços de limpeza do terreno, contenção e fundação. Assim, a necessidade por áreas de vivencia ainda não é grande exigindo, logo, poucas construções provisórias. Porém quando o terreno não possui dimensões confortáveis para a execução destes serviços iniciais, a instalação das áreas provisórias devem ser adaptadas para a realidade da situação.

SOUZA (2000) sugere uma série de alternativas de formas de instalações provisórias quando o canteiro possui dimensões desvantajosas:

a) Uso de áreas não sujeitas ao movimento de terra;
b) Postergar o movimento de terra em determinada região do canteiro, a contenção de vizinhança e as fundações em regiões próximas ao alinhamento do terreno e reserva esta área para as instalações provisórias do canteiro. Assim, fazendo com que estes serviços sejam somente executados numa fase mais para frente da obra;
c) Uso da própria área interna da escavação para o posicionamento dos containers, quando necessário serão deslocados conforme a necessidade de execução dos serviços;
d) Uso de plataformas em balanço, a partir do alinhamento e apoiadas na própria contenção do terreno.

ESTRUTURAS DOS SUBSOLOS SOB A TORRE E A PERIFERIA

Neste ponto, além de já considerar as premissas executadas na fase anterior, novas considerações devem ser feitas no sentindo em dar continuidade nos processos de definições. SOUZA (2000) sugere dois tópicos para esta fase:
a) A necessidade de pensar nos acessos aos serviços como, por exemplo, concretos que será utilizado e nos elementos de apoio administrativo definindo suas localizações de forma pratica e que sejam eficientes para o desenvolvimento da obra;
b) Neste ponto, chega a fase da definição da entrada de equipamento de transporte vertical, assim prevendo onde poderá ser instalado e deixando o espaço já separado para quando esta hora chegar.

ESTRUTURA DO RESTANTE DA TORRE

Agora, o processo começa a ganhar uma maior facilidade de definição uma vez que a própria estrutura já construída até o momento oferece uma série de locais em diversos pavimentos para a estocagem de forma adequada dos materiais, e com isso diminuindo a necessidade de utilização de algum espaço fora da área já construída

ALVENARIA E REVESTIMENTOS

Numa análise geral, este é o momento que o canteiro chega ao máximo do seu desenvolvimento. A quantidade de trabalhadores chega ao pico e os locais para estocagens de uma série de materiais são utilizados, assim neste momento a demanda por espaço é enorme, assim sendo uma das fases primordiais e mais importantes para o sucesso da expansão da edificação (SOUZA, 2000).

FINALIZAÇÃO DA OBRA

Por fim, mas não menos importante, esta etapa há uma redução significativa da utilização dos espaços do canteiro da obra. Com os serviços de estruturas e alvenarias concluídos, o foco principal fica no acabamento mais fino o que exige uma menor demanda por espaço físico. Nesta etapa, o canteiro tem que sofrer adaptações e modificações para que a desmobilização ocorra de forma rápida e pratica, compatibilizando com o cronograma de entrega da obra.

7 REQUISITOS E RECOMENDAÇÕES DA ISO 9001.

Devido ao constante aperfeiçoamento do sistema produtivo, lançamento de serviços e produtos com qualidade a ISO 9001 passa a existir como uma alternativa para a implantação destes aperfeiçoamentos. (PERDIGÃO, PERDIGÃO, 2012) Os clientes exercem influência constante sobre os produtores no sentido de que estes lhe propiciem sempre índices crescentes de asseguramento da qualidade e disponibilidade dos produtos no mercado, ou sobre os prestadores de serviços, para que esses serviços sejam amplamente confiáveis. (PERDIGÃO, PERDIGÃO, 2012) Apesar de não haver uma necessidade explícita para obtenção dessa certificação, há uma conscientização dos empresários alusiva à importância da implementação de um sistema de Gestão de Qualidade em suas empresas e como isso pode ajudá-los a estabelecer um padrão de excelência no atendimento a seus clientes. (PERDIGÃO, PERDIGÃO, 2012)
A ISO 9001 determina que a organização deve obrigatoriamente prover a infraestrutura mínima para que a conformidade no produto seja adquirida. E que todos os processos possuam qualidade em suas aplicações e especificações. A ISO 9001 aborda também que a empresa responsável pelo empreendimento deve gerenciar o ambiente de trabalho para que a conformidade seja alcançada. Entende-se como ambiente de trabalho todas a condições no qual os trabalhos são executados incluindo todos os fatores ambientais, físicos e assim por diante. (ISO 9001) De acordo com a ISO 9001 a empresa responsável pelo empreendimento deve elaborar e planejar os processos para a realização do produto sendo, assim, consistente com os requisitos de outros processos do sistema de gestão da qualidade.

De acordo com a ISO 9001, deve-se planejar e realizar a produção e a prestação de serviço sob condições controladas. Neste caso as condições controladas são:

a) A disponibilidade de informações que descrevam as características do produto;
b) A disponibilidade de instruções de trabalho, quando necessárias;
c) O uso de equipamento adequado;
d) A disponibilidade e uso de equipamento de monitoramento e medição;
e) A implementação de monitoramento e medição;
f) A implementação de atividades de liberação, entrega e pós-entrega do produto.

REQUISITOS E RECOMENDAÇÕES DO PBQP-H

Além da ISO 9001, existe o PBQP-H, Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat, no qual é um instrumento do Governo Federal para cumprimento dos compromissos firmados pelo Brasil quando da assinatura da Carta de Istambul (Conferência do Habitat II/1996). A sua meta é organizar o setor da construção civil em torno de duas questões principais: a melhoria da qualidade do habitat e a modernização produtiva. (PBQP-H, 2012) Uma série de itens são listados e que devem ser seguidos pelas empresas para que a obra possua uma certificação de qualidade. Especificamente para os canteiros o PBQP-H no capitulo 7.1.1 determina que o Plano da Qualidade da Obra, consistente com os outros requisitos do Sistema de Gestão da Qualidade devem conter os seguintes elementos:
a) Relação de materiais e serviços de execução controlados, e respectivos procedimentos de execução e inspeção;
b) Projeto do canteiro;
c) Identificação das especificidades da execução da obra e determinação das respectivas formas de controle; devem ser mantidos registros dos controles realizados;
d) Definição dos destinos adequados dados aos resíduos sólidos e líquidos produzidos pela obra (entulhos, esgotos, águas servidas), que respeitem o meio ambiente, estejam em consonância com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) e com as legislações estaduais e municipais aplicáveis;
No campo da gestão dos recursos mais especificamente na infraestrutura e ambiente de trabalho, o PBQP-H nos capítulos 6.3 e 6.4 respectivamente determina que a empresa responsável pelo empreendimento, visando a obtenção da conformidade do produto a ser entregue, deve identificar, prover e manter uma infraestrutura mínima para a execução das atividades, além de determinar e gerenciar as condições do ambiente de trabalho necessárias para a obtenção da conformidade com os requisitos do produto Para isto, devem ser disponibilizados para a execução das atividades os seguintes itens:
a) Canteiro de obras, escritórios e demais locais e instalações;
b) Ferramentas e equipamentos;
c) Serviços secundários de apoio, como por exemplo, áreas de vivência, transporte e meios de comunicação.
Visando a criação de espaços e layouts para armazenamento e manuseio dos materiais em obra, o PBQP-H nos capitulo 7.5.5 determina que a empresa responsável pelo empreendimento deve, de maneira evolutiva, garantir, para os materiais controlados, a correta identificação, manuseio, estocagem e condicionamento, preservando a conformidade dos mesmos em todas as etapas do processo de produção independente se os materiais pertencem a própria empresa ou alguma empresa subcontratada até o fim da obra. Acima foram somente listados os itens que atingem diretamente a gestão do canteiro de obras, para os outros processos que envolvem uma construção o PBQP-H lista uma infinidade de outros itens a serem seguidos também.

DEFINIÇÃO DO LAYOUT DO CANTEIRO

Através das análises citadas anteriormente, o projetista do canteiro já possuirá informações suficientes para a elaboração da planta de layout do canteiro a ser implantado. Depois de finalizado o projeto, o mesmo deve ser analisado minuciosamente para identificação de problemas relacionados ao arranjo físico propriamente dito, a fim de evitar como, por exemplo, a localização de forma equivocada de algumas instalações ou o excesso de cruzamentos de fluxo de determinadas áreas.
Na hora do dimensionamento do canteiro se deve pensar no fluxo de materiais pela obra, prevendo os trajetos feitos pelos carrinhos de mão e giríca, quais serviços que poderão causar conflitos quanto executados simultaneamente e se o estoque de materiais de acabamento não será afetado pelo tráfego de pessoas e materiais. (DANTAS, 2004) Visando facilitar está analise, existem três formas de representação visual do layout através de desenhos, templates e os modelos tridimensionais (menos utilizados). Vale lembrar, que em todos os casos é muito raro encontrar algum projeto feito a mão, atualmente ferramentas computacionais como CAD e Microstation são utilizados para elaboração dos projetos.
Devido aos seus baixos custos, por possuir maior facilidade de elaboração e pelo fato que a grande maioria dos canteiros não possuírem um planta de layout bem definida; Os croquis são utilizados com um frequência maior que os outros métodos citados acima. (RAD, 1983) Nesta etapa, além de experiência, o responsável pelo desenho final do layout deve possuir criatividade e visão para que não haja falhas no seu dimensionamento para todas as fases que o canteiro passara ao decorrer do desenvolvimento da obra. Várias possibilidades devem ser criadas e todas devem ser avaliadas em vários critérios simultaneamente considerando a segurança, os custos, disposição e assim por diante. SOUZA (2000) afirma que o ideal nesta etapa seria que primeiramente seja elaborado um layout global mostrando todas as definições de forma geral, e, em seguida, os detalhamentos mais específicos do layout, uma vez que o global já tenha sido aprovado. Levando em conta essas necessidades e tudo que foi dito anteriormente, SAURIN (1997) sugere algumas diretrizes que são aplicáveis para elaboração de plantas de layout, abaixo:
a) Definição aproximada do perímetro dos pavimentos, diferenciando áreas fechadas e abertas;
b) Localização de pilares e outras estruturas que interfiram na circulação de materiais ou pessoas;
c) Portões de entrada no canteiro (pessoas e veículos) e acesso coberto para clientes;
d) Localização de árvores que restrinjam ou interfiram na circulação de materiais ou pessoas, inclusive na calçada;
e) Localização das instalações provisórias (banheiros, escritório, refeitório, etc.), inclusive plantão de vendas;