Comparação entre a modelagem numérica e experimental
Gestão e Fiscalização de Obras e Projetos
1 COMPARAÇÃO ENTRE A MODELAGEM NUMÉRICA E EXPERIMENTAL DA DEFORMAÇÃO POR FLUÊNCIA EM VIGAS DE CONCRETO ARMADO
RESUMO
2 INTRODUÇÃO
3 Objetivos
4 JUSTIFICATIVA
. ORGANIZAÇÃO DO TEXTO
TIPOS DE DEFORMAÇÕES NO CONCRETO
DEFORMAÇÃO ELÁSTICA
DEFORMAÇÃO PLÁSTICA
DEFORMAÇÃO LENTA OU FLUÊNCIA
5 REVERSIBILIDADE
6 FATORES QUE AFETAM A FLUÊNCIA NO CONCRETO
Verifica-se, na prática, que a fluência depende de vários fatores relacionados entre si. Essa interligação proporciona uma abordagem um pouco complexa. Sendo assim, este capítulo abordará de forma bastante simples e restrita alguns dos principais fatores que afetam a fluência no concreto. Algumas características da fluência decorrem das propriedades intrínsecas das misturas, outras das condições externas. As variações da umidade na pasta endurecida de cimento, que essencialmente é quem controla as deformações de retração por secagem e de fluência no concreto, são influenciadas por numerosos fatores simultâneos inter-relacionados (METHA & MONTEIRO [1994].
MATERIAIS E DOSAGEM
Segundo NEVILLE [1997], deve ser notado que realmente é a pasta de cimento hidratado que apresenta fluência, sendo o papel do agregado basicamente o de contenção; os agregados não são sujeitos à fluência quando submetidos às tensões usuais no concreto. Assim, o autor afirma que a fluência é uma função do teor, em volume, da pasta de cimento no concreto, mas a dependência não é linear . Existe uma relação entre a fluência do concreto, o teor em volume de agregados e o teor em volume de cimento não hidratado. Essa função é descrita da seguinte forma:
METHA & MONTEIRO [1994] relatam que a granulometria, dimensão máxima, forma e textura do agregado também são fatores bastante significativos para a fluência no concreto que geralmente é caracterizada pela influência direta do módulo de deformação do agregado. Existem alguns fatores físicos do agregado que exercem uma forte representatividade sobre a fluência, um dos mais importantes deles é o módulo de elasticidade, NEVILLE [1997]. NEVILLE [1997] mostra resultados muito importantes em concretos com idade após 20 anos de conservação, mantidos a 50% de umidade relativa e a 21ºC, Figura 3.1.
A EQUIPE DE FURNAS [2000] afirma que na maioria de suas investigações a fluência foi estudada, experimentalmente, com o objetivo de se determinar uma dependência com as diversas propriedades do concreto. Desse modo foi constatado que a fluência diminui com o aumento do diâmetro máximo do agregado (Dmáx). A fluência varia com a forma do agregado e esta será maior para concretos com agregados britados. Foi constatado que a fluência do concreto aumentou 2,5 vezes quando um agregado com alto módulo de elasticidade foi substituído por um agregado com baixo módulo de elasticidade.
UMIDADE DO AR E TEMPERATURA
NEVILLE [1997] afirma que um dos fatores mais importantes que atuam sobre a fluência é a umidade relativa do ar que envolve o concreto, isso quer dizer que para se obter uma menor fluência, o concreto deve, teoricamente, ser exposto em ambientes com altos níveis de umidade. Isso é ilustrado na Figura 3.2 para peças curadas a umidade relativa de 100% e depois carregadas e expostas a diversas umidades.
Segundo METHA & MONTEIRO [1994] espera-se que um aumento na umidade atmosférica torne mais lenta a taxa relativa do fluxo de umidade do interior para as superfícies externas do concreto. À umidade relativa de 100%, admite-se que o coeficiente de fluência seja 1, aumentando para 2 à uma umidade relativa de 80% e 3 à umidade relativa de 45%. A influência da umidade relativa é muito menor, ou nenhuma, no caso de elementos que tenham atingido o equilíbrio higroscópico com o meio antes da aplicação da carga.
Com relação à temperatura, a fluência será tanto maior quanto maior for a temperatura durante o carregamento. METHA & MONTEIRO [1994] relatam que se uma peça de concreto é exposta a uma temperatura maior que a ambiente como parte processo de cura, antes de ser carregada, a resistência aumentará e a deformação por fluência será um tanto menor do que de um concreto armazenado a uma temperatura mais baixa. Por outro lado, a exposição à alta temperatura, durante o período em que o concreto está sendo carregado, pode aumentar a fluência.
Para temperaturas abaixo de 5ºC, a deformação lenta praticamente cessa. Por outro lado, para temperaturas acima de 20ºC a fluência aumenta. Este fato é notado principalmente em pontes, nas quais o concreto do tabuleiro, sobre o qual existe uma camada de asfalto, atinge temperaturas acima de 40ºC quando exposto à radiação solar durante um longo tempo, EQUIPE DE FURNAS [2000].
ADIÇÕES E ADITIVOS
Os aditivos e adições também influenciam o resultado final da deformação lenta. METHA & MONTEIRO [1994] comentam que tais aditivos ou adições como cloreto de cálcio, escória granulada e pozolanas tendem a aumentar o volume de poros finos no produto da hidratação do cimento. Uma vez que a fluência no concreto é associada diretamente à água contida em pequenos poros (de 3 a 20nm), concretos contendo adições capazes de refinar estes poros, normalmente apresentam retração por secagem e fluência maiores. Aditivos redutores de água e retardadores de pega, que são capazes de causar uma melhor dispersão de partículas de cimento anidro na água, também levam a um refinamento dos poros no produto de hidratação. Em geral, espera-se que aditivos que aumentem a retração por secagem aumentem a fluência, METHA & MONTEIRO [1994].
NEVILLE [1997] afirma que o efeito da resistência do concreto no momento de aplicação da carga sobre a fluência vale também quando se usam diferentes materiais cimentícios. De outro modo não seriam possíveis generalizações sobre a fluência de concretos com cinzas volantes ou escórias granuladas de alto forno, pois a literatura relata pesquisas feitas em diferentes condições de ensaio. Pode-se dizer com confiança que o modelo da evolução da fluência e da recuperação não é alterado pela presença de cinza volante classe C ou Classe F, escoria granulada de alto forno ou sílica ativa, ou mesmo uma combinação desses materiais.
No entanto, pode haver algum efeito da pasta de cimento sobre a fluência resultante da inclusão de vários materiais cimentícios. O efeito sobre a fluência por secagem, onde são importantes a permeabilidade e a difusividade da pasta de cimento hidratado, pode ser diferente do efeito sobre a fluência básica. Por exemplo,o uso de escória de alto forno pode levar a uma fluência básica menor, porém com aumento da fluência por secagem. Deve ser lembrado que os diferentes materiais cimentícios têm diferentes velocidade de reação e, portanto, aumentos de resistências diferentes enquanto o concreto estiver sob carga.
GEOMETRIA DA PEÇA
A espessura de uma peça de concreto tem grande influência no valor e na variação da fluência. As peças espessas apresentam um menor valor de fluência em comparação com as delgadas, isso se deve ao fato de que a secagem no interior é mais demorada do que na parte externa da peça. À uma umidade relativa mantida constante, tanto a forma quanto o tamanho da peça influenciam diretamente na magnitude da retração e da fluência, EQUIPE DE FURNAS [2000].
METHA & MONTEIRO [1994] classificam por espessura teórica ou efetiva os parâmetros de tamanho e forma da peça usados para expressar uma única quantidade, que é igual a área da seção dividida pelo semiperímetro em contato com a atmosfera. Essa relação entre espessura teórica e coeficiente de fluência é mostrada na Figura 3.3
INTENSIDADE DO CARREGAMENTO
Quanto maior for a intensidade da carga aplicada numa estrutura de concreto maior será sua deformação por fluência, ou seja, a fluência é proporcional à carga aplicada para tensões variando entre 40% e 50% da resistência a compressão do concreto. Deve-se também lever em consideração o tempo de sua aplicação.
EFEITOS DA FLUÊNCIA SOBRE AS ESTRUTURAS
A deformação por fluência afeta de forma bastante significativa o deslocamento vertical (flecha) e, muitas vezes também, a distribuição de tensões em estruturas de concreto armado ou protendido. No caso de concreto simples a fluência não altera a resistência do material, embora sob tensões muito elevadas possa abreviar a aproximação de deformação limite na qual ocorre a ruptura. Isto pode ocorrer quando a carga aplicada for superior a um valor entre 85% e 90% da carga limite (resistência do material), NEVILLE [1970].Para o concreto massa a fluência também é um parâmetro muito importante, pois o seu efeito resulta na relaxação das tensões de origem térmicas oriundas do resfriamento do concreto.
O concreto, logo após lançado, sofre uma elevação de temperatura devido ao desenvolvimento do calor gerado pelas reações exotérmicas de hidratação do cimento, atinge a temperatura máxima e inicia o resfriamento para entrar em equilíbrio térmico com o ambiente. Na fase de aquecimento não existe a possibilidade de fissuração, pois as tensões iniciais são de compressão. Com o passar do tempo, devido ao resfriamento, estas tensões de compressão são aliviadas e instalam-se tensões de tração. Esse fenômeno pode provocar fissuras antes mesmo que a temperatura tenha se equilibrado com o ambiente, EQUIPE DE FURNAS [2000].
A relevância em se fazer comentários sobre as propriedades que influenciam a deformação por fluência neste capítulo vem do fato de que, tanto a norma NBR 6118/2003 como o programa DIANA levam em consideração estas propriedades no desenvolvimento de seus cálculos para o estudo da fluência. Como ambos serão utilizados para a elaboração deste trabalho, achou-se de maneira fundamental o comentário destas propriedades. Nos próximos capítulos serão descritas algumas representações matemáticas que descrevem o fenômeno da fluência.
7 MODELOS REOLÓGICOS
VISCOELASTICIDADE
MODELOS REOLÓGICOS BÁSICOS
8 MODELO VISCOELÁSTICO DE KELVIN-VOIGT
MODELO VISCOELÁSTICO DE TRÊS PARÂMETROS
MODELO VISCOELÁSTICO DE BURGER
9 FUNÇÃO DE FLUÊNCIA E COEFICIENTE DE FLUÊNCIA
MÉTODOS PARA ANÁLISE DA FLUÊNCIA
MÉTODOS ALGÉBRICOS
MÉTODO INCREMENTAL
MÉTODO DO MÓDULO EFETIVO
MÉTODO DE TROST-BAZANT