Noções de Primeiro Socorros a bordo

NR 37 - Segurança e Saúde em Plataformas de Petróleo

1 Primeiros socorros:

 

Introdução:

 

Iremos abordar nessa apostila noção básica de primeiros socorros, qual é a primeira coisa que deve ser feito em casos de mal súbito, quais os principais acidentes decorrente de navio ou barco aquaviário e como proceder.

Lembrando que os primeiros socorros são as intervenções que tem que ser realizadas de forma rápida, logo depois do acidente ou mal súbito, que tem como objetivo evitar que o problema se agrave. Essas intervenções são de grande importância, pois podem estar evitando complicações e até mesmo o óbito de uma pessoa.

Antes de iniciar os procedimentos de primeiros socorros, é primordial que o socorrista tenha em mente manter-se a calma.

Vale ressaltar que para esses procedimentos o socorrista deve ser familiarizado, pois qualquer erro pode agravar o estado de saúde da vitima.

 

Objetivos Básicos Do Atendimento De Primeiros Socorros:

 

Existem 3 objetivos básicos do atendimento de primeiros socorros:

  • Permanecer em contato com o serviço especializado de emergência, mantendo os mesmos com as informações precisas e relevantes a respeito do acidente e acidentado;
  • Evitar agravamento da situação do acidentado;
  • Manter os sinais vitais do acidentado;

Pessoas que realizam primeiros socorros necessitam ter liderança sob os demais, passar confiança, possuir uma abordagem tranquila para não deixar o acidentado nervoso, e o mais importante, ter conhecimento das técnicas de primeiros socorros.

 

 

Etapas para o primeiro socorro:

 

Para fazer os procedimentos corretos de primeiro socorros, existem as etapas para ser seguidas. Veja cada uma delas:

Etapa 1: Fazer a avaliação do local do acidente

O socorrista da vítima terá de recolher todas as informações a respeito do local do acidente, como ocorreu. Para isso é necessário avaliar o ambiente de trabalho, equipamentos, e as condições dos perigos presentes no ambiente de trabalho.

Os perigos que forem identificados tem que ser eliminados de maneira a estar protegendo o acidentado e o socorrista. É preciso sinalizar a área do acidente e isolá-la, para estar evitando a aproximação de curiosos que possam estar atrapalhando o socorro.

 

Etapa 2: Avaliando o estado geral do acidentado

Depois de garantir a segurança no local. O socorrista deve verificar:

  • Estado do consciência: Pode perguntar ao acidentado seu nome, idade, se ele sente dor, ou pedir que ele realiza algum movimento específico.
  • Respiração:  Avaliar se existem movimentos torácicos e abdominais relativos à respiração (subida e descida do tórax);
  • Pulso:  Identificar se existe a presença do bombeamento. Pode aferir o pulso carotídeo, pulso radial, femoral, umeral e outros;
  • Hemorragia:  É necessário avaliar se existe a presença de sangramentos.
  • Pupilas: É necessário verificar o estado de dilatação e simetria.

Depois da avaliação geral citado acima, é importante definir as ações que terão de ser tomadas. É recomendado que o socorrista  siga as diretrizes de Suporte Básico à Vida, que são definidas pela American Heart Association (AHA).

 

Etapa 3: Manter em contato com o serviço de emergência

Ao contactar o serviço especializado, é fundamental que passem as informações precisas e com clareza. A partir dessas informações a equipe irá planejar oque será feito a vítima. Nesta hora, é identificada a necessidade de Reanimação Cardiopulmonar (RCP), é necessário preciso solicitar á equipe de emergência o DEA (Desfibilador automático externo).Sendo assim, a importância de realizar as etapas 1 e 2 antes de do contato com a emergência. 

Vale ressaltar que as etapas 1 e 2 é necessário a realização de modo breve e com precisão. Em empresas, em outras palavras barcos de pesca, trabalho aquaviário, quando ocorrer o evento é importante acionar o SESMT (Serviço Especializado em Engenharia e Medicina do Trabalho) para que faça cumprir o Plano de Atendimento a Emergências (PAE) da empresa/ barco de pesca/ navio marítimo.

Lembrando que o SESMT faz parte desta NR, e é de suma importância as instalações contratarem para que assim garanta a saúde e segurança dos trabalhadores. 

 

Etapa 4: Monitoração e manter os sinais vitais do acidentado

Depois de ser realizada a avaliação do local do acidente, a avaliação do estado geral do acidentado e contactar o suporte especializado, é necessário manter os sinais vitais do acidentados, enquanto os especialistas não chegam.

Os sinais vitais mostram o grau de funcionamento de funções que são essenciais para estar mantendo o acidentado vivo. Algumas funções vitais são a atividade cerebral, a atividade cardíaca e a atividade respiratória.

As três funções vitais que foram mencionadas acima possuem uma grande interdependência. A atividade cerebral vai comandar o funcionamento de todo o corpo humano e necessita de sangue rico em oxigênio chegue ao cérebro. Para o sangue se enriquecer o oxigênio, precisa que o acidentado esteja respirando, e para que o sangue chegue ao cérebro, é necessário que o coração esteja funcionando.

Deste modo, o socorrista tem de certificar as funções vitais da vitima, deve ser observado antes de qualquer ação ou iniciativa:

  • Estado de consciência (perda dos sentidos)
  • A falta de respiração
  • Falta de circulação (pulso ausente)
  • Hemorragia abundante

Ao ser identificado a alteração desses quadros, o socorrista deve intervir imediatamente. É fundamental o período dos primeiros socorros, até a chegada da equipe médica especializada.

American Heart Association orienta as ações de acordo com o fluxo apresentado abaixo:

 

2 Avaliação do Estado de Consciência e Sinais Vitais:

 

Avaliação do Estado de Consciência:

 

A avaliação do estado de consciência tem de ser  iniciada com a aproximação do socorrista pelo lado em que a cabela da vítima esteja virado, sempre evitando que em que a mesma se mexa.

Depois da conversa que o socorrista terá com a vitima (se possível), perguntando seu nome, como procedeu o acidente, dentre outros.

Caso a pessoa não responda, é necessário fazer um estímulo doloso na vítima e aguardar alguma reação. Se não ocorrer reação, é preciso chamar o Serviço Médico especializado (equipe especializada de emergência) e estar verificando se a respiração e pulso da vítima estão normais. Se a vítima esteja respirando normalmente e com pulso, é preciso monitorá-la até a chegada da equipe especializada.

 

Avaliação Da Respiração:

 

A ausência de respiração pode ser identificada pela falta de movimento torácico de expansão e compressão, cianose (coloração azul-roxeada da pele) do rosto, lábios e a extremidade dos dedos.

A falta de respiração pode evoluir para uma asfixia, perda de consciência (falta de oxigenação do cérebro) e parada cardiorrespiratória (parada cardiáca) podendo levar ao óbito.

Quando identificado a ausência de respiração, o socorrista deve:

  • Verificar as vias respiratórias (narinas e boca) e desobstrui-las em caso de oclusão;
  • Afrouxar as roupas do acidentado;
  • Se o acidentado estiver inconsciente, é necessário iniciar a ventilação artificial com o uso do Ambu (equipamento) ou respiração boca-barreira
  • Se o acidentado retornar a consciência, tem que mantê-lo deitado e lateralizar o seu corpo;
  • Em caso da parada respiratória aumentar para uma cardiorrespiratória ( caso em que não exista respiração, nem circulação de sangue), é preciso iniciar o processo de Reanimação Cardiopulmonar (RCP), que também é chamado de massagem cardíaca ou compressões torácicas.

 

Avaliação Da Circulação:

 

Avaliação da circulação sanguínea tem de ser realizado de modo rápido e ao mesmo tempo a verificação da respiração. Ela é feita através da verificação do pulso, que pode ser carotídeo, radial,  femoral, umeral, dentre outros.

A falta de pulso mostra que o acidentado sofreu uma parada cardíaca, ou seja, o coração parou de bombear o sangue para outras partes do corpo. É necessário reestabelecer a circulação sanguínea o quanto antes, pois, desta maneira o socorrista devem começar de imediato o procedimento de RCP (Reanimação Cardiopulmonar).

Se por ventura tenha apenas um socorrista, o mesmo tem que iniciar as compressões torácicas (RCP) antes de estar aplicando as ventilações de resgate (diferente do procedimento que é apresentado acima). O único socorrista tem que começar RCP com 30 compressões torácicas seguidas por duas respirações.

O RCP tem que ser mantido até a equipe especializada chegar ao local.

 

Controle De Hemorragias:

 

Além de conseguir reestabelecer o batimento cardíaco da vítima, é fundamental estar mantendo o volume de sangue corpóreo, através do controle de hemorragias.

Hemorragia é toda perda de sangue por ferimentos. Podem ser internas ou externas. Nas hemorragias externas, o sangue se elimina para fora do organismo, já a hemorragia interna em uma cavidade interna do organismo.

Hemorragias externas são facilmente identificadas e controladas. Algumas técnicas de controle de hemorragia são: curativo compressivo e curativo simples.  Vale lembrar, que é importante deixar a cabeça do acidentado em nível inferior ao ponto da hemorragia, para estar garantindo oxigenação do cérebro.

Já as hemorragias internas tem mais dificuldade para serem identificadas, por isso, são mais preocupantes. O socorrista tem que monitorar alguns sinais como:

  • Pulso fraco e rápido
  • Pele fria
  • Sudorese (transpiração abundante)
  • Palidez intensa e mucosas descoradas
  • Sede acentuada
  • Apreensão e medo
  • Vertigens
  • Náuseas
  • Vômito de sangue
  • Calafrios
  • Estado de choque
  • Confusão mental e agitação
  • "Abdômen em tábua" (duro não compressível)
  • Dispneia (rápida e superficial)
  • Desmaio

 

Sinais Vitais:

 

Sinais vitais são aqueles que indicam as funções vitais e podem orientar o diagnóstico inicial e estar acompanhando a evolução do quadro clínico de uma vítima. Também são considerados como os sinais emitidos pelo nosso corpo de que as funções vitais estão normais e que qualquer alteração indica uma anormalidade.

Os sinais vitais são: Respiração, pulso, pressão arterial e temperatura.

 

Pulso:

 

O pulso é a ondulação que se exerce pela expansão das artérias seguida de uma contração do coração. Ele nada mais é do que a pressão exercida pelo sangue contra a parede arterial em cada batimento cardíaco. 

O pulso pode ser percebido sempre que uma artéria é comprimida contra um osso. Os locais mais comuns para obter o pulso são nas artérias carótida, radial, femoral e braquial. Ele também pode ser visto através da ausculta cardíaca com a ajuda de um estetoscópio e denominado pulso apical. Na verificação o pulso deve-se observar a sua frequência, volume e ritmo.

Índices Normais De Pulso

  • Homem 60 a 70 bpm
  • Mulher 65 a 85 bpm

 

Respiração:

 

A respiração se refere a entrada de oxigênio na inspiração e a eliminação de dióxido de carbono pela expiração. É uma sucessão de ritmos de movimentos de expansão e de retração pulmonar com a finalidade estar efetuando trocas gasosas entre a corrente sanguínea e o ar nos pulmões.

Para ser avaliado a respiração, tem de ser intendido o que é, não é mesmo!

A avaliação é quantidade de frequência respiratório por minuto.

Índices normais da respiração

  • Homem 15 a 20 movimentos respiratórios por minuto
  • Mulher 18 a 20 movimentos respiratórios por minuto
  • Criança 20 a 25 movimentos respiratórios por minuto
  • Lactente 30 a 40 movimentos respiratórios por minuto

São usados termos específicos para a definição de padrões respiratórios, como:

  • Eupnéia: Respiração normal, com movimentos regulares, sem dificuldades;
  • Apnéia: Ausência dos movimentos respiratórios;
  • Dispnéia: Dificuldade na execução dos movimentos respiratórios;
  • Bradipnéia: Diminuição da frequência respiratória;
  • Taquipnéia: Aumento da frequência respiratória.

3 Acidentes Marítimos:

Principais acidentes Marítimo:

 

Como já apontado os tripulantes estão sujeitos a enfrentar vários tipos de acidentes, ainda quando o assunto é de tratado de "mar".

Muito dos acidentes podem ser evitados, seguindo as diretrizes do Grupo de Segurança e Saúde no Trabalho a bordo das embarcações (GSSTB)  e Serviço Especializado em Engenharia e Medicina do Trabalho (SESMT), já citada em outras apostilas.

 

Em concordância de uma analise realizada por companhia de seguradoras baseadas em reclamações, a falha humana é apresentada em primeiro lugar com alguma das principais causas, apresentados por gráficos:

 

Causas de acidentes por danos na propriedade 

 

Causas por acidente de poluição

 

Casos de acidentes por falha humana

Por tipo de acidentes, essas são as principais:

  • Fogo ou explosão;
  • Abalroamento(ausência de vigia);
  • Encalhe(mau tempo, nevoeiro);
  • Água aberta(erro humano, objetos a deriva);
  • Escorregamento de carga(excesso de carga);
  • Soçobramento (perda de estabilidade, velocidade do navio igual à velocidade da onda quando a correr com o tempo);
  • Homem ao mar (balanço excessivo);
  • Avaria no leme (encalhe);

 

Meios a bordo para realizar em situações de acidente:

 

Para que ocorra isso é necessário que o profissional de pesca ou responsável cheque antes do navio sair do porto das medidas protetivas emergencial, caso proceda essas situações faça o uso das mesmas. 

Devem ser equipados meios de salvação coletivas e individual, fora os dispositivos de alarme que navios/barcos são obrigados a ter se seguido corretamente as diretrizes, das quais são recomendado para esse fim.

Deste modo, os meios de salvação se dividem em duas categorias:

 

Individuais e coletivos, são eles:

Individual

  • Boias de salvação;
  • Coletes de Salvação;
  • Fatos Térmicos ou de Imersão;
  • Ajudas térmicas.

Coletivo

  • Baleeiras,
  • Jangadas e Balsas,
  • Embarcações de Salvamento Rápidas,
  • Botes de Socorro,
  • Sistemas de Evacuação (MES)-Mangas e Escorregas.