Parada Cardiorrespiratória, estados de choque e socorro a objetos estranhos
NR 10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade
1 Primeiros Socorros da Vítima em PCR:
Introdução:
A Parada Cardiorrespiratória (PCR) é a interrupção da circulação sanguínea por conta da suspensão inesperada dos batimentos cardíacos, sendo a cessação súbita das funções respiratórias e cerebrais, comprovada pela fata de pulso central, femoral ou carotídeo, de movimentos respiratórios ou respiração agônica, e a presença de inconsciência do paciente.
A PCR pode ter a origem cardíaca, respiratória, metabólica ou traumática que irá gerar um colapso na circulação sanguínea e, para estar reverter esse quadro, foi criado o método de Ressuscitação Cardiopulmonar - RCP, que vai se referir às tentativas de recuperar a circulação espontânea, sendo a sua aplicação universal.
A parada cardiorrespiratória pode acontecer de três ritmos cardíacos diferentes sendo: a fibrilação ventricular, atividade elétrica sem pulso e assistolia. Quando forem identificados qualquer um destes casos, deve ser iniciado rapidamente as manobras de ressuscitação cardíaca.
Suporte Básico de Vida e Suporte Avançado de Vida:
Quando falamos de primeiros socorros em casos de Parada cardiorrespiratória, falamos automaticamente de Suporte Básico de Vida - SBV. Este suporte irá implicar em medidas iniciais e imediatas aplicadas à vítima de mal súbito ou trauma, fora do ambiente hospitalar, onde vão ser feitas ações na tentativa de manter os sinais vitais permitindo ganhar tempo até a chegada de um socorro especializado, capaz de estar instituindo procedimentos de Suporte Avançado de Vida - SAV.
Cuidados Iniciais:
As ações iniciais do Suporte Básico de Vida são feitas por leigos que foram capacitados, e no caso da Parada Cardiorrespiratória, o suporte irá considerar a circulação artificial. Já a desobstrução das vias aéreas e ventilação tem que ser realizadas apenas se o socorrista leigo se sentir preparado para executar, contando ainda com desfibrilação precoce quando obter disponibilidade do equipamento.
Mas, existem alguns cuidados iniciais como:
- Ter segurança no local;
- Avaliação da responsividade e da respiração;
- Pedir ajuda;
- Verificar o pulso;
- Fazer compressões torácicas.
A importância de reconhecimento rápido da PCR, como também a iniciação da RCP precocemente se dá pela ideia de que a falta de oxigenação por conta da PCR geram conforme passam os minutos, lesões irreversíveis no tecido cardíaco e cerebral, causando a morte da vítima.
Neste caso, os procedimentos criam uma cadeia de atos que somam ações em conjuntos, não é um passo a passo de onde você começa um procedimento, finaliza, depois começa outro. Nessa cadeia soma-se as ações, fazendo uma, duas ou três coisas ao mesmo tempo.
Massagem cardíaca:
A massagem cardíaca é uma técnica de grande importância pois ela serve como uma tentativa de substituir o coração e continuar bombeando sangue pelo corpo, mantendo a oxigenação do cérebro.
A massagem cardíaca tem que começar todas as vezes quando a vítima está inconsciente e não respira. Para estar avaliando a respiração é necessário colocar a pessoa de barriga para cima, retirar a roupa apertada e depois encostar o rosto junto da boca e do nariz da pessoa. Caso não veja o peito subindo, não se sinta a respiração no rosto ou não se ouça nenhuma respiração, é necessário iniciar a massagem.
Realizando a massagem em adultos e adolescentes:
Para realizar a massagem cardíaca em adultos e adolescentes, é necessário seguir esses passos:
- Ligar para o socorro e solicitar uma ambulância:
- Manter a pessoa de barriga para cima e numa superfície dura;
- Posicionar as mãos sobre o peito da vítima, entrelaçando os dedos entre os mamilos;
- Empurre a suas mãos com força contra o peito, deixando os braços esticados e usando o peso do próprio corpo, contando, no mínimo, 2 empurrões por segundo até chegar o serviço de resgate. É importante lembrar de deixar que o tórax do paciente volte a posição normal entre cada empurrão.
Geralmente a massagem cardíaca é intercalada com 2 respirações a cada 30 compressões, porém, caso seja uma pessoa desconhecida ou caso não se sinta à vontade para fazer as respirações, as compressões devem ser mantidas de maneira contínua até a chegada da ambulância.
Vale lembrar que a massagem cardíaca não pode ser interrompida, então caso tenha alguém pessoa perto, chame para fazer um revezamento no procedimento, sempre respeitando o mesmo ritmo. A massagem só pode ser parada apenas com a chegada do resgate no local.
Massagem cardíaca em crianças:
Já para realizar a massagem em crianças de até 10 anos os passos são um pouco diferentes:
- Chame a ambulância ligando para o número 192;
- Deitar a criança numa superfície dura e posicionar seu queixo mais para cima para ajudar a respiração;
- Fazer duas respirações boca a boca;
- Apoiar a palma de uma das mãos no peito da criança, entre os mamilos, em cima do coração como mostra a imagem;
- Pressionar o tórax apenas com 1 mão, contando 2 compressões por segundo até chegar o resgate;
- Fazer 2 respirações boca-a-boca a cada 30 compressões.
Diferente de adultos, as respirações na criança tem que ser mantidas para ajudar a oxigenação dos pulmões.
Massagem cardíaca em bebês:
Em caso de um bebê é necessário tentar manter a calma e seguir esses passos:
- Ligar para a ambulância, discando o número 192;
- Deitar o bebê de barriga para cima sobre uma superfície dura;
- Posicionar o queixo do bebê mais para cima, para ajudar na respiração;
- Retirar qualquer objeto da boca do bebê que possa estar atrapalhando a passagem de ar;
- Começar com 2 respirações boca a boca;
- Posicionar 2 dedos sobre o meio do peito, normalmente são colocados os dedos indicador e médio entre os mamilos, como você vê na figura a seguir;
- Pressionar os dedos para baixo, contando 2 empurrões por segundo, até chegar o resgate.
- Fazer 8 respirações boca-a-boca depois de 30 compressões com os dedos.
Assim como nas crianças , no bebê as respirações a cada 30 compressões também precisam ser mantidas para estar garantindo que existe oxigênio chegando ao cérebro.
Se o bebê estiver engasgado não é necessário começar a massagem cardíaca sem antes retirar o objeto.
Importância da massagem cardíaca:
Realizar a massagem cardíaca é de grande importância para estar substituindo o trabalho do coração e deixar o cérebro da pessoa com oxigenação, enquanto a ajuda profissional está chegando. Dessa maneira é possível diminuir os danos neurológicos que podem começar a aparecer apenas 3 ou 4 minutos quando o coração não está mais bombeando sangue.
Hoje em dia, a Sociedade Brasileira de Cardiologia indica apenas a massagem cardíaca, sem ter a necessidade de se realizar respirações boca a boca em pacientes adultos, pois o mais importante nesses pacientes é realizar uma massagem cardíaca eficaz, que seja capaz de fazer o sangue circular em cada compressão do tórax. Já em crianças, as respirações tem que feitas a cada 30 compressões porque, nesses casos, a maior causa parada cardíaca é por hipóxia, ou seja, falta de oxigenação.
2 Estados de choque e transporte de acidentados:
Introdução:
O estado de choque tem como característica por uma oxigenação insuficiente dos órgãos vitais, que ocorre por uma insuficiência circulatória aguda, que pode ser causada por fatores como trauma, emoções, perfuração de órgãos, frio ou calor extremo, cirurgias, entre outros.
Se não for tratado, o estado de choque pode estar levando à morte, por isso é necessário se atentar a sintomas como palidez, pulso fraco, pressão arterial baixa ou pupilas dilatadas, mais ainda a uma pessoa que sofreu acidente.
Sintomas e sinais:
Podemos identificar alguém em estado de choque quando sua pele fica pálida, fria e pegajosa, respiração lenta e superficial, pulso fraco, pressão arterial baixa, tonturas, fraquezas, olhos sem brilho, com um olhar fixo e as pupilas dilatadas.
Certas pessoas podem sentir náuseas, dores no peito, suores frios e em casos mais graves levar a prostação e inconsciência. Quando uma pessoa se encontra em estado de choque, ela pode estar consciente ou inconsciente, porém em qualquer caso é importante a observação clínica dos sinais e sintomas por um profissional de saúde.
Causas possíveis:
O estado de choque pode ocorrer por conta de um grande trauma, perfuração súbita de órgãos, uma pancada, insolação, queimadura, exposição a frio extremo, reação alérgica, infecção grave, cirurgia, emoções, desidratação, intoxicação ou afogamento.
O que devemos fazer em caso de choque:
Se a pessoa estiver consciente, é necessário deitar em um local arejado e seguro e tentar afrouxar as roupas do corpo, desapertando os botões e fechos e alargando gravatas e lenços, por exemplo, mas ao mesmo tempo, tentar deixar a temperatura normal do corpo. Tem que levantar as pernas, em um ângulo de cerca de 45º e tentar acalmá-la enquanto é chamado a emergência médica.
No caso da pessoa estar inconsciente, tem que ser colocado em posição lateral de segurança e contactar a emergência médica, que irá levar para o hospital. Além disso, é de grande importância nunca se dê de beber à vítima, caso ela esteja inconsciente.
Tratamento:
O tratamento varia do tipo de choque de que a pessoa está a sofrer. Caso ele sofra de choque hipovolêmico, tem que parar a hemorragia e aumentar o volume de sangue, administrando líquidos na veia, em casos mais graves, pode ser necessário estar realizando uma transfusão de sangue e tratar as feridas externas.
Se ocorrer choque cardiogênico, é preciso administrar líquidos na veia, remédios vasoconstritores e nos casos mais graves, pode ser necessário estar realizando uma cirurgia ao coração.
Em choque neurogênico, além de líquidos na veia, pode ser ainda necessário administrar corticoides e no choque séptico, o tratamento é feito por antibióticos e ventilação, se a pessoa tenha problemas para respirar.
O choque anafilático é tratado com anti-histamínicos, adrenalina e corticoides, o choque é tratado com a remoção da causa da obstrução e o choque endócrino se controla com medicamentos que corrigem o desequilíbrio hormonal.
Transporte de acidentados:
Antes de compreendermos as técnicas de transporte, é de grande importância entendermos que transporte e remoção são duas coisas diferentes. A remoção se relaciona com a retirada de uma pessoa do local que oferece perigo, sendo assim, podemos estar considerando a remoção como um resgate, porém o transporte da vítima é a atitude que é tomada depois do resgate.
As técnicas para remover e transportar os acidentes tem como objetivo visar a proteção da vítima traumatiza, procurando não deixar que ocorram lesões secundárias, que são as que são causadas depois do trauma inicial. Sendo assim , é de grande importância que as técnicas de remoção e transporte de acidentados sejam usados por socorristas leigos apenas em situações excepcionais, quando a vida do acidentado está em risco continue no loca, como em caso de incêndio ou desmoronamento.
O transporte pode ser feito em casos onde o acidentado esteja em uma zona muito longe e que o contato com o Serviço Médico de emergência esteja comprometido, como um exemplo, nas situações de acidentes em matas ou residências rurais muito longes onde não é possível entrar em contato com o resgate de urgência. Mas protocolos médicos alertam a nunca fazer movimentos desnecessários e que possam aumentar ainda mais o estado de saúde do acidentado, pois todas as técnicas de remoção e transporte precisam de habilidade e a forma correta para ser executada.
Técnicas de transporte:
Em situações de acidentes em lugares distantes, é comum acontecer traumas como, entorses, luxações, picadas de animais, quedas ou outras situações onde a vítima tem problemas para caminhar e precisa de ajuda, nestes casos, são recomendadas algumas técnicas de transporte do acidentado. Veja a seguir as técnicas de transporte:
Transporte de apoio:
Passa o braço do acidentado por trás da nunca da pessoa que está socorrendo, que o segura com um de seus braços, passando o seu outro braço por trás das costas do acidentado, em diagonal.
Transporte nas costas:
Nessa técnica, é feita somente com um socorrista, onde este põe os braços sobre os ombros da vítima, por trás, buscando e segurando os braços do acidentado, onde as axilas do acidentado ficam sobre os ombros do socorrista. A pessoa que está socorrendo procura os braços do acidentado e os segura, carregando o acidentado arqueado, como se ele fosse um grande saco em suas costas.
Transporte cadeirinha:
Neste tipo de transporte, os socorristas ficam de pé, um de frente ao outro. Seguram firmemente o seu punho direito com a mão esquerda e com a mão direita segura o punho esquerdo do companheiro, e com as mãos trançadas dos dois socorristas, criam uma cadeirinha. Depois, a vítima consciente é transportada sentada sobre esta cadeirinha, apoiando os seus braços sobre os ombros dos socorristas.
Transporte com lençol:
Muito usada na falta de uma maca de transporte, portanto, dobra-se uma manta, cobertor, lençol, toalha o lona sobre dois paus, varas, canos, galhos de árvores ou cabos de vassoura com grande resistência. É preciso três socorristas voluntários de cada lado para fazer o transporte. Para deixar a vítima sobre o lençol, é necessário colocar este debaixo do corpo dela, e para isso, dobra-se diversas vezes uma das bordas laterais do lençol, de maneira que ela possa funcionar como uma cunha. Coloca-se esta cunha devagar para debaixo da vítima, após isso é que se enrolam as bordas laterais sobre os cabos de auxílio para estar levantando e carregando a vítima.
A vítima é levantada e abraçada, de lado, até a altura do tórax das pessoas que fazem o seu socorre. O membro afetado tem que ficar sempre para o lado do corpo das pessoas que estão socorrendo, tendo o objetivo de melhor protegê-lo. Tendo três pessoas, por exemplo, eles se colocam em fileiras ao lado da vítima, que tem que estar com o abdômen para cima. Se abaixam apoiados num dos joelhos e com seus braços levantam até a altura do outro joelho, para após isso ficarem de pé e realizarem o transporte da vítima.
Transporte pelas extremidades:
Neste tipo de transporte um socorrista irá se posicionar ajoelhado junto à cabeça da vítima, e o outro socorrista irá se ajoelhar ao lado da vítima ao nível de seus joelhos, o primeiro socorrista levanta o tronco da vítima e o segundo a traciona pelos braços em sua direção. Depois, o socorrista apoia o tronco da vítima, passando os seus braços sob as suas axilas e o segundo socorrista segura a vítima pelos membros inferiores, passando as suas mãos pela região poplítea da perna. A vítima é erguida em um movimento sincronizado pelos dois socorristas e o transporte da vítima se efetua no sentido de suas extremidades inferiores.
Fratura de coluna:
A retirada de uma vítima com suspeita de fratura de coluna ou de bacia/ou acidentado em estado grave, com urgência de um lugar onde a maca não consiga chegar, tem que ser feita como se o seu corpo fosse uma peça rígida (transporte em bloco), levantando, simultaneamente, todos os segmentos do seu corpo, fazendo o deslocamento do acidentado até a maca.
Lembrando que esse quando o paciente esta em estado grave ou incerto, o socorro tem que ser feito apenas em último caso.
3 Socorro à Objetos Estranhos :
Introdução:
Os corpos estranhos são os corpos que penetram no organismo por qualquer orifício ou após uma lesão de causa variável. Os corpos estranhos podem se encontram com mais frequência nos olhos, ouvidos, ou nas vias respiratórias.
Corpos estranhos nos olhos:
No olho, os mais frequentes são os grãos de areia, insetos e limalhas.
Sinais e sintomas:
- Dor ou picada local.
- Lágrimas.
- Dificuldade em manter as pálpebras a abertas.
O que devemos fazer?
- Abrir as pálpebras do olho lesionado com cuidado;
- Fazer correr água sobre o olho, do lado de dentro, perto do nariz, parada fora;
- Repetir isso por duas ou três vezes;
- Caso não tenha resultado fazer um penso oclusivo, isto é, colocar uma gase e adesivo e ir para o hospital.
O que não devemos fazer?
- Esfregar o olho;
- Tentar retirar o corpo estranho com lenço, algodão, papel ou qualquer outro objeto.
Corpos estranhos nos ouvidos:
No ouvido, os corpos mais frequentes são os insetos.
Sinais e sintomas:
- Podem existir surdez, dor e zumbidos, ainda mais se o inseto estiver vivo.
O que devemos fazer:
- Caso seja um inseto, deitar uma gota de azeita e depois ir para o hospital.
O que não devemos fazer:
- Tentar retirar o objeto.
Nas vias respiratórias:
Os corpos estranhos nas vias respiratórias podem causar perturbações de variável natureza, de acordo com a sua localização.
Sinais e sintomas:
- Também são variáveis, e pode existir dificuldade respiratória, dor, vômitos e nos casos mais graves asfixia que pode levar à morte.
No Nariz: Os mais comuns, na criança, são os feijões ou objetos de pequenas dimensões.
O que devemos fazer:
Pedir para a criança assoar com força, comprimindo com o dedo a nariz contrária, tentando assim que o corpo seja expelido. Se não tiver resultado é necessário se deslocar ao hospital.
Na garganta: Os corpos estranhos entalados na garganta podem ser os pedaços de alimentos mal mastigados, pequenos objetos ou ossos. Estes corpos estranhos impedem a respiração e podem provocar asfixia.