Orientações técnicas, legais e normativas para projetos de espaços destinados a serviços de alimentação coletiva
Cozinheiro Industrial
1 Orientações técnicas, legais e normativas para projetos de espaços destinados a serviços de alimentação coletiva
Resumo
Este artigo possui a finalidade de abordar como devem ser realizados os projetos de arquitetura em equipamentos de alimentação coletiva, os quais possuem por característica básica a presença de uma cozinha industrial.
Os equipamentos pertencentes ao setor da alimentação coletiva recebem a denominação de Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) e objetivam produzir e oferecer alimentos com adequadas condições higiênicas e nutricionais, dirigidos à satisfação das necessidades nutricionais da clientela a que se destina.
Devido à importância deste equipamento, muitas normativas, leis e práticas de bons serviços existem tanto em esfera mundial quanto federal que, além de regrar o funcionamento destes equipamentos, fazem com que seus objetivos básicos sejam cumpridos.
Assim, este documento apresenta uma compilação dos critérios que devem ser seguidos no projeto arquitetônico, objetivando a qualidade do produto ofertado ao consumidor final.
2 Introdução
objetivos
método da pesquisa
3 Projeto arquitetônico
de uma UAN
As Cozinhas Industriais são parte integrante das UAN e o seu planejamento depende de suas funções e complexidade de ações onde não existe uma forma padrão de projeto, mas um estudo caso a caso, que resulta em um projeto final, fruto de um levantamento profundo e estudo de fatores específicos, como porte, infraestrutura, localização, padrão de serviços, entre outros (SEBRAE, 2013).
Segundo Monteiro (2009), o projeto arquitetônico de uma cozinha industrial deve contemplar questões de organização espacial, sempre em busca da funcionalidade do processo produtivo e garantindo a qualidade do produto final. Os espaços devem levar em conta aspectos que envolvem desde a lógica de esforços, com a aplicação dos estudos e normas técnicas específicas sendo o projeto planejado desde o início de modo a integrar todos os fluxos a fim de não formar áreas desconexas, ociosas ou sobrepostas e também evitar fluxos cruzados que possam gerar a contaminação entre os alimentos.
Cada espaço deve ser concebido levando-se em conta a disposição dos equipamentos, sua função e a área de utilização, o que requer o estudo de quais são os equipamentos utilizados e de como ocorre o seu funcionamento.
Em questões de estrutura básica, uma cozinha industrial pode ser dividida nos seguintes espaços (SEBRAE, 2013):
• recepção e armazenamento, onde é feita a pesagem, controle qualitativo, quantitativo e armazenagem dos alimentos. Estão nesse setor as câmaras frigoríficas e os almoxarifados para secos,
• pré-preparo, onde são executados os descasques, fatiamentos e lavagem para desinfecção,
• copa, a qual responde pelos serviços de sobremesas e bebidas,
• preparo, onde é realizado o cozimento dos alimentos,
• higienização, a qual corresponde aos serviços de lavagem de utensílios,
• distribuição, onde á o atendimento ao público,
• serviços, correspondendo aos vestiários, sanitários, lavanderia, e
• administração, onde trabalha o corpo técnico responsável.
Para o planejamento de uma cozinha industrial, devem ser levados em conta os aspectos que seguem (MONTEIRO, 2009):
• flexibilidade e modulação, a fim de atender mudanças ou implantações de novos processos de trabalho,
• circulações e fluxos bem definidos, a fim de se evitar a contaminação dos alimentos.
• construção de espaços que facilitem a integração e a supervisão, com o princípio de projeto aberto, e
• simplicidade e eficiência, a fim de garantir um ambiente limpo.
Dada a esta variedade de premissas necessárias ao bom funcionamento de um estabelecimento desse tipo, depreende-se a complexidade dos ambientes e suas inter-relações, bem como aspectos utilitários específicos que devem ser priorizados, ressaltando não só a importância do estabelecimento no âmbito da alimentação coletiva, como também das relações sociais com a população em geral.
Os órgãos reguladores e norteadores de projetos de cozinhas industriais estão presentes em todas as esferas, desde a internacional até municipal.
A seguir, serão apresentadas descrições sobre pontos importantes para o projeto de uma cozinha industrial, os quais estão baseados em esfera internacional no Codex Alimentarius (ORGANIZAÇÃO, 2006), e em nível federal na Resolução da Anvisa RDC nº 216 de 15 de Setembro de 2004 (ANVISA, 2004), as quais são as mais completas e atuais.
Além disso, buscaram-se informações complementares nas bibliografias de Monteiro (2009), Silva Filho (1996) e ABERC (2008).
4 Implantação e Edificação
É desejável que, durante a escolha do local de implantação de um restaurante, busque-se um ambiente longe de possíveis fontes de contaminação e que não ofereçam riscos às condições gerais de higiene e salubridade, como lugares livres de odores, fumaças, mananciais hídricos contaminados e áreas circundantes que ofereçam as condições de proliferação de insetos e roedores (MONTEIRO, 2009).
Também é desejável que a implantação da cozinha no terreno seja dada na orientação solar Sul (para o hemisfério Sul), permitindo a iluminação sem incidência direta dos raios solares, o que aumentaria a temperatura interna do ambiente, gerando desconforto aos funcionários (MONTEIRO, 2009). O serviço de alimentação deve, preferencialmente, estar localizado em pavimento térreo, o que facilita o acesso, ventilação e iluminação naturais, além de reduzir custos com monta cargas e elevadores (MONTEIRO, 2009).
A edificação deve ser projetada de modo a garantir o não cruzamento dos fluxos de produção e alimentos, com leiaute e dimensões que garantam a satisfatória realização das tarefas, além de garantir o conforto ambiental. Cada etapa do processo de produção deve ter um local próprio destinado para cada processo, com acesso controlado e individual e separados por meio físico ou outro meio eficaz que evite a contaminação cruzada. Também devem ser evitados os usos de materiais que não possam ser facilmente limpos e desinfetados, com o uso preferencial para superfícies de aço inoxidável e materiais laváveis (ANVISA, 2004).
Circulação
Quando fala-se em cozinhas industriais, deve-se pensar que o trabalho depende do transporte de um grande número de utensílios, objetos, equipamentos, bandejas, através de carrinhos, que requerem espaços de circulação bem estudados.
O espaço que um usuário necessita individualmente depende de fatores influenciadores como (SILVA FILHO, 1996):
• número de pessoas trabalhando no mesmo espaço,
• quantidade, porte e tipo de equipamento,
• tipo de comida a ser preparada, e
• espaço necessário para estocagem do produto. Assim, as áreas de circulação devem ter no mínimo 1,20m de largura, as áreas de circulação entre os equipamentos devem ter cerca 0,90m e diante dos caldeirões, 1,20m (SILVA FILHO, 1996).
Assim, as áreas de circulação devem ter no mínimo 1,20m de largura, as áreas de circulação entre os equipamentos devem ter cerca 0,90m e diante dos caldeirões, 1,20m (SILVA FILHO, 1996)
Iluminação
Segundo Silva Filho (1996), a iluminação utilizada adequadamente, evita doenças visuais, aumenta a eficiência do trabalho e diminui o número de acidentes.
Os estabelecimentos devem ter iluminação natural ou artificial que possibilite a realização dos trabalhos e não comprometa a higiene e as características sensoriais dos alimentos, com níveis de iluminância conforme a Tabela 1, e com temperatura de cor que não altere a tonalidade real dos alimentos.
As luminárias devem estar suspensas ou locadas diretamente no teto, sobre a área de manipulação de alimentos. Devem ser resistentes à corrosão e vapor d’água e protegidas contra quebra, além de não gerar ofuscamento, contrastes excessivos, sombras e cantos escuros (SILVA FILHO, 1996).
Deve-se ter um cuidado especial com as coifas e dutos de cocção, os quais acabam muitas vezes bloqueando a passagem de luz natural e gerando sombras, trabalhando-se com a correta combinação das luminárias de maneira a reduzir estas zonas escuras. Também se deve ter cuidado com o grande número de superfícies refletoras de luz, como o aço inoxidável.
O projeto de luminotécnica deve levar em consideração o tipo de iluminação e a localização dos pontos elétricos. Nas bancadas de trabalho, fazse necessário o emprego de iluminação própria e direta, principalmente nas áreas onde são feitas a higienização e o corte de alimentos, garantindo a segurança e eficiência das tarefas (MONTEIRO, 2009).
As janelas deverão estar voltadas para a orientação sul, sempre levando-se em conta a quantidade ideal de iluminação natural necessária para desenvolver a tarefa. Também, a iluminação artificial deve servir como complementar para a iluminação natural, sendo as lâmpadas fluorescentes as mais indicadas, pois distribuem uniformemente a iluminação, propiciam conforto e não produzem calor, além de produzirem menor deslumbramento e concentração de brilho (SILVA FILHO, 1996).
Acústica
Devido à presença de máquinas, sistemas de exaustão, manipulação de utensílios, água, vapor, impactos nas superfícies inoxidáveis, entre outros, o nível de ruído nas cozinhas industriais tende a ser alto, sendo potencializado pelo elevado pé-direito necessário e a existência de superfícies não absorventes.
O projetista deve ter o cuidado no que se refere à escolha de materiais, pois, normalmente os minimizadores de ruídos são elementos porosos, não recomendados para as cozinhas, exceto no tratamento de forros (SILVA FILHO, 1996).
Segundo Monteiro (2009), o nível de ruído aceitável à permanência prolongada vai de 45 a 55db, para não causar fadiga nem irritação por permanência prolongada.
Deve-se prever um isolamento acústico entre a cozinha e o refeitório, tomando-se o cuidado para que materiais porosos não fiquem em contato direto com a cozinha.
Ventilação, Temperatura e Umidade
A ventilação em cozinhas industriais deve ser adequada para prevenir o acúmulo excessivo de calor, condensação de vapor, poeira e remoção do ar viciado, deixando o ambiente livre de fungos, gases, fumaças, entre outros. Por isso, o fluxo de ar não deve incidir diretamente sobre os alimentos. Deve-se ter cuidado com a direção do fluxo de ar que nunca deve ir de uma área suja para uma área limpa.
É de extrema importância a instalação de um sistema de exaustão para remover a fumaça e os vapores resultantes do cozimento e não ser utilizados ventiladores e equipamentos de condicionamento de ar domésticos na área de manipulação (ABERC, 2008).
No setor de lavagem de utensílios, a captação dos vapores deve ser prevista na entrada e na saída das máquinas de lavar louças, para o controle do excesso de umidade no ambiente que prejudica a secagem das louças, gerando bolores e fungos (ABERC, 2008).
Quanto à temperatura, nas áreas de manipulação de alimentos, recomenda-se 15ºC, e 26ºC, nas áreas de cocção, e a umidade relativa do ar entre 50% e 60% (ABERC, 2008).
Piso, Paredes e Divisórias
Nas cozinhas industriais deve prevalecer a cor branca, devido à larga utilização do aço inoxidável nos equipamentos e materiais, pois a cor branca não interfere no índice de reflexão do aço, o que não cria cantos e ambientes escuros. Além disso, as cores claras são usadas também a fim de demonstrar o nível de sujidade do ambiente (ANVISA 2004).
O piso deve ser lavável, não absorvente, antiderrapante (devido à presença de gorduras, óleos, detergentes, entre outros elementos escorregadios), sem fendas nem rachaduras e que facilitem a limpeza e desinfecção. Além disso, devem suportar tráfego intenso e com alta resistência à abrasão (PEI 5), ser anticorrosivo para suportar os agentes químicos provenientes da limpeza e quando necessário, possuir rejuntamento antiácido (ANVISA 2004).
Devem também ter desnível suficiente para que os líquidos drenem naturalmente em direção às saídas dotadas de ralos sanfonados e grelhas de recolhimento com tela de proteção, evitando assim que a água fique empossada, a entrada de animais e o retorno de odores indesejáveis. Deve ser dada preferência para os monolíticos, para melhor utilização de carros de transportes (ANVISA 2004).
As paredes devem ter acabamento lavável e não absorvente, serem vedadas e livres de insetos além de serem lisas, que proporcionem fácil limpeza e desinfecção. Nas partes baixas (até 1,80m), devem ser usados revestimentos antiácidos, de fácil limpeza e resistência a impactos inerentes as operações exercidas em cada setor. Já nas partes mais altas, as quais estão menos expostas, devem ser aplicadas pinturas impermeabilizantes e, se possível, que seja absorvente acústica. Além disso, em alguns setores específicos, como copas de lavagem, deverão ser revestidos com material como aço inoxidável (ANVISA 2004).
O rodapé e o roda-forro devem ser construídos em curva a fim de facilitar a limpeza e não acumular sujeira, sendo nos locais de maior movimentação, colocadas cantoneiras de alumínio ou aço inoxidável a fim de aumentar a resistência (ANVISA, 2004).
5 Implantação e Edificação 2
Portas e Janelas
Telhados, forros e estruturas auxiliares
Instalações
Áreas específicas
Áreas para Recepção e Armazenamento dos alimentos
Áreas para Pré-preparo (centros de trabalho)
Área para cocção dos alimentos
6 Implantação E Edificação 3
Higienização de utensílios
Refeitórios