Caixa lúdica como instrumento no diagnóstico psicopedagógico

Psicopedagogia Básica

1 Psicopedagogia:

Estudo do processo de aprendizagem:

A psicopedagogia: um campo de conhecimento e atuação que lida com os problemas de aprendizagem nos seus padrões normais ou patológicos. Estuda o processo de aprendizagem humana.

Aprendizagem: diagnóstico dos seus obstáculos:

Diagnóstico psicopedagógico: o olhar e a escuta acerca do indivíduo (a emoção, os vínculos).
- É uma avaliação. Uma investigação profunda a partir de uma queixa, na qual são identificadas as causas que interferem no desenvolvimento. Não deverá somente fundamentar uma dificuldade, mas apontar as potencialidades do indivíduo.

Psicopedagogia: estudo do processo de aprendizagem:

O sujeito aprendente: aspectos neurofisiológicos, afetivos, cognitivos, familiar e social.
Busca entender o Modelo de aprendizagem do sujeito e o vínculo que o indivíduo estabelece com o objeto de aprendizagem, consigo mesmo.

O (a) psicopedagogo (a):

O psicopedagogo é como um detetive que busca pistas, procurando solucioná-las, pois algumas podem ser falsas, outras irrelevantes, mas a sua meta fundamentalmente é investigar todo o processo de aprendizagem levando em consideração a totalidade dos fatores nele envolvidos, para valendo-se desta investigação, entender a constituição da dificuldade de aprendizagem.

Da psicanálise para a psicopedagogia:

Diante da complexidade estrutural e funcional do sujeito, sua subjetividade e complexidade do processo de aprendizagem, a prática psicopedagógica utiliza técnicas e métodos de outras áreas de conhecimento.
- Teorias psicogenéticas do desenvolvimento humano de Piaget, Vigotsky, Wallon (1992).
- A psicanálise: no intuito de confrontar pensamentos, elaborar e (re) elaborar explicações, propor novas respostas para perguntas já anteriormente elaboradas, buscar novas perguntas para antigas repostas.
A sexualidade infantil é inerente a todo ser humano. Ele afirmou que forças inconscientes motivam o comportamento humano e que a fonte das perturbações emocionais residia nas experiências traumáticas reprimidas nos primeiros anos de vida. Desenvolveu uma abordagem terapêutica que tem por objetivo dar a conhecer às pessoas os seus próprios conflitos emocionais inconscientes.
As crianças poderiam projetar seus traumas através do brincar ainda na terna fase infantil.
Melaine Klein (1882-1960): trouxe a brincadeira para o trabalho psicanalítico com crianças, juntamente. Notou que a criança expressava suas fantasias, desejos, experiências simbolicamente no brinquedo e acentuou o uso da caixa de brinquedos.
Sara Pain (1986) introduziu a técnica na psicopedagogia. Alícia Fernandez (1990) contextualizou, reorganizou a técnica. (Weiss 1997).
O psicopedagogo deve utilizar procedimentos próprios de sua área de atuação; assumir as responsabilidades para as quais esteja preparado; utilizar instrumentos conforme sua formação profissional e competência técnica.

2 Procedimento para o diagnóstico psicopedagógico:

A Sessão lúdica: diagnóstica ou terapêutica?
A Caixa lúdica: É fundamental para a compreensão dos processos cognitivos, afetivos e sociais, e sua relação com o modelo de aprendizagem do sujeito. A atividade lúdica fornece informações sobre os esquemas do sujeito.

Recurso diagnóstico, caixa lúdica:

A Caixa Lúdica: Não tem objetivo de avaliar as aprendizagens (o que o aprendente sabe ou não) pode-se até chegar a fazer isto, mas não como propósito final.
- Benefícios do uso da Caixa lúdica, na primeira sessão, na relação vincular.

Hora do jogo,caixa lúdica:

“Sem dúvida para analisar uma criança não basta um frio conhecimento da técnica e da teoria. É necessário ter algo do prazer que sente a criança ao brincar, manter algo da ingenuidade, da fantasia e da capacidade de assombro, que são inerentes a infância.
A relação vincular entre o terapeuta e o cliente baseada na confiança e segurança.
Os objetivos da sessão lúdica devem ser de provocação.

3 A caixa lúdica:

O material da Caixa Lúdica:

Na Caixa lúdica a C/A encontrará material didático mas o objetivo da caixa lúdica não é avaliar a aprendizagem, sua função é criar e fortalecer o vínculo terapêutico do sujeito.
O foco de atenção do psicopedagogo é a reação do sujeito diante das tarefas, considerando resistências e bloqueios, lapsos, hesitações, repetição, sentimentos de angústia.

Objetivos da caixa lúdica:

- Estabelecer vínculo com o aprendente;
- Observar a modalidade de aprendizagem;
- Deixar o aprendente projetar suas ansiedades, suas dificuldades intra-psíquicas.
- Diminuir a tensão do primeiro encontro cliente-sujeito terapeuta;
- Estabelecer uma forma de dialogo entre cliente – terapeuta;
-Usar a brincadeira como forma de entrevista não direcionada ; onde se pergunta a criança e nem perceba que está sendo entrevistada;
- Diminuir os mecanismos de defesa psíquicos durante a avaliação;
-Servir de base para o primeiro levantamento de hipótese;

Aspectos da sessão lúdica centrada na aprendizagem.

- Enquadramento diagnóstico: consiste em como o terapeuta coloca o sujeito na sessão: o uso da sala, do tempo, do material; Limites gerais de segurança pessoa, de conservação do material e da sala; O papel do terapeuta (observar, compreender, cooperar, ser participante ativo, registrar)
- Seleção do Material: dependerá do objetivo específico da sessão, do tempo disponível e da idade da criança.
-Observação: O terapeuta vai observar aspectos do conhecimento que já possui, do seu funcionamento cognitivo e suas relações vinculares.

Material:

-A escolha do material e da brincadeira;
- O modo de brincar;
- A relação com o terapeuta;
O foco de atenção do psicopedagogo é a reação do sujeito diante das tarefas, considerando resistências e bloqueios, lapsos, hesitações, repetição, sentimentos de angústia.

Aspectos da avaliação diagnóstica:

- O inventário: A criança classifica os materiais, seja por mera manipulação, seja experimentando o funcionamento, ou seja, olhando dentro da caixa, favorecendo as possibilidades de ação.
- A organização: O material passa a ser utilizado para um ação, uma organização simbólica. Nessa fase a criança combina, ajusta os materiais na busca de um fim antecipado, aceitando e descartando possibilidades.
- A integração: O sujeito incorpora o que fez aos seus esquemas anteriores, jogando, brincando com a sua confecção.
É o momento em que dá sentido à sua criação. A aprendizagem propriamente dita.

A caixa e os materiais:

- Material da Caixa lúdica: madeira, papelão ou plástica.
- Medida da Caixa lúdica: 40 cm x 50 cm x 60 cm.
- Materiais/brinquedos para colocar dentro da caixa:
- brinquedos: Carrinho, brinquedos de casinha, dinheiro de brinquedo, dominó,bonecas, aviões, armas de brinquedos, motos, bonecos , etc.
-Jogos: pega vareta, quebra cabeça, lego;
- Retalhos de tecidos, soldados, aparelhos a pilha;
- Materiais pedagógicos: Apontador, canetas, cola, borracha, caixa de giz de cera, caixa de lápis de cor, lápis preto, massa de modelar, moto, papeis variados, papel sulfite de várias cores, etc.

4 Como usar a caixa lúdica:

-Apresentação do material: o terapeuta lança a consigna mostrando à criança que ela pode usar o que quiser da caixa e ele ficará só observando.
- Deve explicar que terá um tempo estipulado e que ele avisará quando acabar; (30 minutos)
1. Observação – 15 minutos - a criança brinca sozinha
2. Construção de vínculos e exploração oral - 15 minutos (o terapeuta participa da brincadeira)
- Consigna: Aqui está uma caixa com muitas coisas e você pode brincar com tudo o que quiser, enquanto isso eu vou observar o que você está fazendo, quando terminar o tempo eu te aviso

5 Cuidado psicopedagógico:

O psicopedagogo deve ter cuidado com julgamentos precoces e divisões de atitudes baseadas nos conceitos de certo/errado e ter um olhar dirigido ao sujeito, que é único, peculiar, tem sua própria história e portanto suas atitudes ou falta delas são reflexo dessa constituição.