Massagem Cardíaca em Vítima com PCR, Tipos de Estado de Choque e Transporte de Vitimas

Noções Básicas em Urgência e Emergência na Odontologia

1 Massagem cardíaca em vitimas com PCR:

Introdução:

A massagem cardíaca  recomendada quando há parada cardiorrespiratória, que acontece quando o coração não consegue bombear sangue suficiente para manter o cérebro e os demais órgãos funcionando, deixando a pessoa inconsciente. Isso ocorre de forma súbita, geralmente por taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular. Menos frequentemente, acontece por bradicardia ou outras causas.

O que faz o sangue circular o bombeamento do coração. Através de avisos elétricos o músculo contrai, empurrando todo o sangue que estava dentro da cavidade para o corpo através da Aorta (Grande artéria que leva o sangue do ventrículo esquerdo até o corpo). Quando o coração é forçado a bater muito rápido ou muito lentamente ele não consegue receber sangue do corpo para empurrar para frente (o ventrículo ainda está cheio de sangue) e os órgãos que deveriam ser oxigenados começam a sofrer. A saber, os que primeiro sofrem são os que mais usam oxigênio, como o cérebro e o próprio coração.

Em casos de suspeita de parada cardíaca, existe uma sequencia de procedimentos que qualquer pessoas pode fazer para ajudar o sangue a circular até que a pessoa tenha um atendimento especializado. É importante saber que o melhor resultado na tentativa de reanimar uma pessoa em parada cardíaca é quando esse processo é realizado nos primeiros cinco minutos do incidente.

Veja abaixo a sequência correta:

1. Tentar despertar a vitima

AS vezes pode ser que seja apenas uma síncope  (desmaio) e a pessoa desperta logo após. Pode ser que a vitima também esteja dormindo, alcoolizada e tenta se desperta-la evirando esforço desnecessário. 

2. Chamar pode ajuda 

É importante antecipar a chegada de ambulância, paramédicos ou médicos no local, enquanto isso deverá colher todas as informações como: nome, idade, telefone e local, para adiantar o atendimento especializado.

3. Deitar a pessoas de barriga para cima e levantar o queixo

Primeiro veja se a pessoa veja se a pessoa respira espontaneamente apenas com este movimento. Às vezes a parada é causada por falta de oxigênio. Levantar o queixo "abre" as vias aéreas e permite que o oxigênio volte a fluir. É Muito comum em crianças, em especial quando engasgam com comida.

4. Utilize a respiração boca a boca em casos extremamente urgente

Atualmente não é recomendado a prática da reanimação boca a boca, devido ao risco de contato com secreções digestivas e respiratórias. Geralmente os socorristas possuem no "Kit Urgência" a mascara RCP, que é usado para reanimar a vitima.

5. Inicie a massagem cardíaca 

a. Sinta o final do osso esterno, o osso que junta as costelas da direita com as da esquerda, no meio do peito. Sinta o final do osso na boca do estômago. Meça dois dedos a partir dali na direção da cabeça.

b. Comece a empurrar com o peso do seu corpo, em movimentos ritmados, esse osso para dentro. Cerca de 100 compressões por minuto.

c. A função disso é fazer com que o peso do seu corpo "comprima" o coração, empurrando o sangue para frente.

d. Esse processo substitui o coração temporariamente, preservando o cérebro e outros órgãos.

6. Intercalação de compressões 

Se possível, intercale 30 compressões  com duas respirações. A massagem deve continuar até a chegada do resgate.

Técnica de Compressão:

  • Comprima rápido, comprima forte e permita o retorno completo do tórax;
  • Execute a compressão com uma profundidade de 4 (quatro) a 5 (cinco) centímetros;
  • Tempo de compressão e descompressão devem ser iguais;
  • Limite as interrupções, a compressão torácica é o procedimento mais importante para garantir uma sobre vida a vítima;
  • Após 2 (dois) minutos ou 5 (cinco) ciclos de RCP reavalie a vítima, não demore mais do que dez segundos nesta avaliação.

Importante:

Quanto aos riscos, a massagem pode levar a fratura de algumas costelas e no caso de trauma (acidente), ela pode piorar alguma fratura que não havia sido identificada, é mais provável que a pessoas venha a óbito se não receber a massagem.

Acima falamos do primeiro socorro em caso de vitimas com PCR, afinal oque é PCR, sua causa e sintomas? Veja a seguir.

 

Oque é PCR:

A Parada Cardiorrespiratória é a interrupção das atividade cardíacas  respiratórias, ficando o paciente inconsciente e sem sinais de circulação sanguínea, como a ausência de pulso.

A taxa de mortalidade em casos de parada cardiorrespiratória já chegou a mais de 90%. Atualmente, essa taxa caiu para cerca de 30%, devido aos atendimentos que hoje em dia ocorre de forma mais rápida e eficaz. No entanto, entre esses 30%, cerca de apenas 15% não apresentam nenhuma sequela neurológica.

 

Sinais de parada cardiorrespiratória:

A parada cardiorrespiratória deve ser diagnosticada de forma rápida, para evitar lesões neurológicas na vitima. Abaixo, observe uns dos sinais: 

  • Ausência de pulso;

  • Ausência de movimentos respiratórios;

  • Inconsciência do paciente;

  • Cianose, que é a coloração azul-arroxeada de pele e mucosas.

 

Causas:

Os casos de parada cardiorrespiratória súbita são raros. Na maioria dos casos, a parada cardiorrespiratória está relacionada à doença cardiovascular em adultos. Entre as causas de parada cardiorrespiratória, podemos citar:

  • Hipovolemia: diminuição do volume sanguíneo.

  • Hipóxia: falta de oxigenação.

  • Hipoglicemia: queda significativa da concentração de açúcar no sangue. Os valores considerados normais, variam entre 70 e 110 mg/dl de sangue. A hipoglicemia acontece quando esses valores ficam abaixo de 70 mg/dl de sangue.

  • Hipocalemia: baixa concentração de potássio no sangue (concentração normal entre 3,5 a 5,0 mEq/L).

  • Hipercalemia: alta concentração de potássio no sangue (concentração normal entre 3,5 a 5,0 mEq/L).

  • Hipotermia: a temperatura normal do corpo que é de 37 ºC, cai para menos de 35ºC.

  • Trombose coronariana: infarto agudo do miocárdio.

  • Embolia pulmonar: ocorre devido ao bloqueio de uma artéria pulmonar.

  • Tensão no tórax (pneumotórax), entre outras.

2 Tipos de Estado de Choque:

O que é Choque:

O choque é caracterizado por uma quantidade de oxigênio no corpo está muito baixa e toxinas vão se acumulando, podendo causar lesões em vários órgãos e colocando a vida em risco.O choque pode surgir por diversas causas, pois cada choque tem um definição especifica. Veja abaixo os principais tipos:

 

Choque séptico:

É um choque que tem uma condição de resposta exagerada  a uma infecção no corpo, seja por bactérias, fungos ou vírus, que acaba causando disfunção orgânica, ou seja, que dificulta o normal funcionamento do corpo. Geralmente ele é frequente em pessoas com imunidade baixa, como: crianças, idosos ou pacientes com lúpus ou HIV.

Possíveis sintomas: podem surgir sinais como febre acima de 40ª C, convulsões, frequência cardíaca muito elevada, respiração rápida e desmaio. 

Como confirmar o diagnóstico: o diagnóstico de septicemia deve ser sempre feito no hospital, sendo muito importante a avaliação clínica. Além disso, o médico também deverá pedir exames laboratoriais para avaliar vários parâmetros do sangue, entre os quais a quantidade de lactato sérico, a pressão parcial de oxigênio, a contagem de células sanguíneas e o índice de coagulação do sangue.

Como tratar: o tratamento é feito com o uso de antibióticos, como Amoxicilina ou Azitromicina, diretamente na veia. Além disso, pode ser necessário usar soro na veia e aparelhos para ajudar o paciente a respirar.

 

Choque anafilático:

Esse tipo de choque ocorre em pessoas que tem alergias graves com substâncias, como por exemplo acontece em alguns casos como alergia a nozes, picadas de abelha ou pelo de cachorro.

Possíveis sintomas: esses sintomas podem surgir segundos ou horas após o contato com a substância, é comum sentir "bola presa na garganta", apresentar inchaço exagerado no rosto, com isso gerando inflamação do sistema respiratório.  

Oque fazer neste caso:

  1. Chamar uma ambulância, ligando para o número 192 ou levar a pessoa imediatamente para o pronto-socorro;
  2. Observar se a pessoa está consciente e respirando. Se a pessoa desmaiar e deixar de respirar, deve-se iniciar a massagem cardíaca. Veja aqui como fazer corretamente.
  3. Se estiver respirando, deve-se deitá-la e levantar as suas pernas para facilitar a circulação sanguínea.

Como tratar: é necessária uma injeção de adrenalina o mais rápido possível para parar os sintomas e evitar que a pessoa fique sem conseguir respirar. É muito importante ir imediatamente ao pronto-socorro ou chamar ajuda médica, ligando o 192. Algumas pessoas com histórico de alergia ou choque anafilático podem transportar na bolsa, ou roupa, uma caneta de adrenalina que deve ser usada nestes casos. 

 

Choque hipovolêmico:

O choque hipovolêmico surge quando não existe sangue suficiente para levar o oxigênio até aos órgãos mais importantes como o coração e cérebro. Normalmente, este tipo de choque aparece após um acidente quando existe uma hemorragia grave, que tanto pode ser externa como interna.

Possíveis sintomas: alguns sintomas incluem dor de cabeça leve, cansaço excessivo, tonturas, náuseas, pele pálida e fria, sensação de desmaio e lábios azulados. 

Primeiro socorros para choque hipovolêmico:

Choque hipovolêmico é uma situação de emergência que deve ser tratada o mais rápido possível. Assim, se existir suspeita deve-se:

  1. Chamar imediatamente a ajuda médica, ligando para o 192;
  2. Deitar a pessoa e elevar os pés cerca de 30 cm, ou o suficiente para que fiquem acima do nível do coração;
  3. Manter a pessoa quente, utilizando cobertores ou peças de roupa.

Como tratar: quase sempre é necessário fazer uma transfusão de sangue para repor a quantidade de sangue perdida, assim como tratar a causa que levou ao surgimento da hemorragia. Por isso, deve-se ir ao hospital se existir suspeita de uma hemorragia.

 

Choque cardiogênico:

Este tipo de choque acontece quando o coração deixa de ser capaz de bombear o sangue pelo corpo e, por isso, é mais frequente após um caso de infarto, intoxicação por medicamentos ou infecção generalizada. No entanto, pessoas com arritmias, insuficiência cardíaca ou doença coronária também têm um risco elevado de sofrer um episódio de choque cardiogênico.

Possíveis sintomas: normalmente surge palidez, aumento dos batimentos cardíacos, diminuição da pressão arterial, sonolência e diminuição da quantidade de urina.

Como tratar: precisa ser tratado o mais rápido possível no hospital para evitar uma parada cardíaca, sendo necessário ficar internado para fazer medicamentos na veia ou fazer uma cirurgia cardíaca, por exemplo.

Principais complicações:

As complicações do choque cardiogênico são a falência de múltiplos órgãos nobres como rins, cérebro e fígado, sendo responsável pela maioria das mortes de pacientes internados nos cuidados intensivos. Estas complicações podem ser evitadas sempre que o diagnóstico e o tratamento são feitos precocemente.

 

Choque neurogênico:

O choque neurogênico  aparece quando existe uma perda repentina dos sinais nervosos do sistema nervoso, deixando de enervar os músculos do corpo e os vasos sanguíneos. Esse tipo de choque normalmente é sinal de problemas graves no cérebro ou na medula espinhal.

Possíveis sintomas: podem apresentar dificuldade para respirar, diminuição do batimento cardíaco, tonturas, sensação de desmaio, dor no peito e diminuição da temperatura corporal.

Como é o tratamento:

O tratamento para o choque neurogênico deve ser iniciado o mais rápido possível para evitar complicações graves que colocam a vida em risco. Dessa forma, o tratamento pode ser iniciado imediatamente no pronto-socorro, mas depois precisa ser continuado na UTI para manter uma avaliação constante dos sinais vitais. Veja algumas formas de tratamento:

    • Imobilização: é usada nos casos em que acontece uma lesão na coluna, de forma a evitar que se agrave com os movimentos;
    • Uso de soro diretamente na veia: permite aumentar a quantidade de líquidos no corpo e regular a pressão arterial;
    • Administração de atropina: um remédio que aumenta os batimentos cardíacos, caso o coração tenha sido afetado;
    • Uso de epinefrina ou efedrina: juntamente com o soro, ajudam a regular a pressão arterial;
    • Uso de corticoides, como metilprednisolona: ajudam a diminuir as complicações de lesões neurológicas.

    Importante: Em casos ou suspeitas de choque é recomendável ir direto ao pronto socorro.

    3 Trasporte de vítimas:

    Transporte de acidentados:

    O transporte de vitimas deve ser feito por um equipe especializada como por exemplo o Corpo de Bombeiros , SAMU, e outros.

    As vitimas sendo transportadas por forma impropria poderá agravar com lesões, provocando sequelas irreversíveis ao acidentado.

    O acidentado somente devera ser transportados com técnicas e meios próprios somente na ausência da equipe de resgate.

     

    Uma pessoa- De Apoio:

    Passe o seu braço em torno da cintura da vítima e o braço da vítima ao redor de seu pescoço.

     

    Quatro pessoas:

    Três pessoas segura a vitima cuidadosamente e a 4° pessoa imobiliza a cabeça impedindo qualquer deslocamento.

     

    Uma pessoa- Nas costas:

    Dê as costas para a vítima, passe os braços dela ao redor de seu pescoço, incline-a para frente e levante-a.

    Uma pessoa- Cadeirinha

    Faça a cadeirinha conforme abaixo. Passe os braços da vítima ao redor do seu pescoço e levante a vítima.

     

    Duas pessoas- Segurando pelas extremidades:

    Uma segura a vítima pelas axilas, enquanto a outra, segura pelas pernas abertas. Ambas devem erguer a vítima simultaneamente.

    Três pessoas:

    Uma segura a cabeça e costas, a outra, a cintura e a parte superior das coxas. A terceira segura a parte inferior das coxas e pernas. Os movimentos das três pessoas devem ser simultâneos, para impedir deslocamentos da cabeça, coluna, coxas e pernas.

    Quatro pessoas:

    Semelhante ao de três pessoas. A quarta pessoa imobiliza a cabeça da vítima impedindo qualquer tipo de deslocamento.

     

    Transporte de bombeiro:

    Este transporte pode ser aplicado em casos que não envolvam fraturas e lesões graves. É um meio de transporte eficaz e muito útil, se puder ser realizado por uma pessoa ágil e fisicamente capaz.

    Transporte de Arrasto em Lençol:

    Manobra de Retirada de Acidentado, com Suspeita de Fratura de Coluna, de um Veículo. Seguram-se as pontas de uma das extremidades do lençol, cobertor ou lona, onde se encontra apoiada a cabeça do acidentado, suspende-se um pouco e arrasta-se a pessoa para o local desejado.

     

    Transporte de Cadeira:

    Vítima, da seguinte maneira: uma pessoa segura a parte da frente da cadeira, onde os pés se juntam ao assento. O outro segura lateralmente os espaldares da cadeira pelo meio. A cadeira fica inclinada para trás, pois a pessoa da frente coloca a borda do assento mais alto que a de trás.

     

    Trasporte de Maca:

    A maca é o melhor meio de transporte. Pode-se fazer uma boa maca abotoando-se duas camisas ou um paletó em duas varas ou bastões, ou enrolando um cobertor dobrado em três, envolta de tubos de ferro ou bastões. Pode-se ainda usar uma tábua larga e rígida ou mesmo uma porta. Nos casos de fratura de coluna vertebral, deve-se tomar o cuidado de acolchoar as curvaturas da coluna para que o próprio peso não lese a medula. Se a vítima estiver de bruços (decúbito ventral), e apresentar vias aéreas permeáveis e sinais vitais presentes, deve ser transportada nesta posição, com todo cuidado, pois colocá-la em outra posição pode agravar uma lesão na coluna.

     

    Trasporte de lençol pelas bordas:

    Primeiro coloca a vitima no meio do lençol enrolam-se as bordas laterais deste, bem enroladas. Estes lados enrolados permitem segurar firmemente o lençol e levantá-lo com a vítima. Em geral, duas pessoas de cada lado podem fazer o serviço, mais três é melhor. Para colocar a vítima sobre o cobertor, é preciso enfiar este debaixo do corpo dela. Para isto, dobram-se várias vezes uma das bordas laterais do lençol, de modo que ela possa funcionar como cunha. Enfia-se esta cunha devagar para baixo da vítima. Depois disso é que se enrolam as bordas laterais para levantar e carregar a vítima. Este transporte também não é recomendado para os casos de lesão na coluna. Nestes casos a vítima deve ser transportada em superfície rígida.

    Remoção da vitima com suspeitas de fraturas de coluna (consciente ou não):

    A remoção de uma vítima com suspeita de fratura de coluna ou de bacia e/ou acidentado em estado grave, com urgência de um local onde a maca não consegue chegar, deverá ser efetuada como se seu corpo fosse uma peça rígida, levantando, simultaneamente, todos os segmentos do seu corpo, deslocando o acidentado até a maca.

     

    O transporte de acidentados ou de vítimas de mal súbito requer de quem for socorrer o máximo cuidado e correção de desempenho, com o objetivo de não lhes complicar o estado de saúde com o agravamento das lesões existentes.

    Antes de iniciar qualquer atividade de remoção e transporte de acidentados, assegurar-se da manutenção da respiração e dos batimentos cardíacos; hemorragias deverão ser controladas e todas as lesões traumatoortopédicas deverão ser imobilizadas. O estado de choque deve ser prevenido.

    O acidentado de fratura da coluna cervical só pode ser transportado, sem orientação médica ou de pessoal especializado, nos casos de extrema urgência ou iminência de perigo para o acidentado e para quem estiver socorrendo-o.

    É recomendável o transporte de pessoas nos seguintes casos:

    • Vítima inconsciente.
    • Estado de choque instalado.
    • Grande queimado.
    • Hemorragia abundante. Choque.
    • Envenenado, mesmo consciente.
    • Picado por animal peçonhento.
    • Acidentado com fratura de membros inferiores, bacia ou coluna vertebral.
    • Acidentados com luxação ou entorse nas articulações dos membros inferiores.