Emergências e urgências odontológicas
Noções Básicas em Urgência e Emergência na Odontologia
1 Emergências médicas em consultório dentário:
Introdução:
Na rotina de atendimento odontológico o cirurgião dentista pode encontrar-se frente às situações de urgência e emergência em nível ambulatorial. Segundo a lei n.º 5081 de 24 de agosto de 1996, em seu artigo 6º, fica estabelecido a competência do cirurgião dentista quanto à prescrição e aplicação de medicação de urgência em casos onde a vida e a saúde do paciente podem ser comprometidos.
Emergência é definida como uma situação ou condição com alta probabilidade de desencadear risco de vida. É uma situação causada, na maioria das vezes, por ansiedade, doenças e/ou complicações durante os atendimentos, etc. Em casos emergenciais, há a necessidade de primeiros cuidados e/ou intervenções imediatas.
Urgência é definida por uma condição que deve ser tratada sem demora, de forma iminente.
O aumento da expectativa de vida, o aumento de idosos que procuram tratamentos odontológicos traz ao consultório odontológico indivíduos diabéticos, hipertensos, cardiopatas, asmáticos ou portadores de desordens renais e hepáticas, obrigando o profissional a adotar certas precauções antes de iniciar o tratamento clínico.
Neste importante assunto, o que se espera do dentista (CD) é que ele seja apto na hipótese de haver necessidade de uma intervenção emergencial caso o paciente apresenta alguma complicação durante o tratamento.
Neste capítulo iremos ver como enfrentar situações emergenciais que acontecem frequentemente em clínicas.
2 Principias situações em emergências:
Principais situações de emergência:
Segundo as bases verificadas, as principais situações de emergência, no consultório odontológico, são:
- Síncope (Desmaio)
- Hiperventilação
- Crise convulsiva
- Hipoglicemia
- Crise hipertensiva.
Sincope:
A síncope possui sintomas idênticos à lipotimia, acrescida de perda da consciência , pelo agravamento da hipóxia. Pode acrescentar também:
- Bradicardia (menos de 60/bpm)
- Hipotensão
- Perda de consciência
Ela se manifesta com:
- Dilatação das pupilas;
- Náusea;
- Palidez;
- Perda temporária da consciência;
- Pés e mãos frios;
- Pulso rápido;
- Queda da pressão sanguínea;
- Respiração acelerada;
- Sudorese.
Neste caso o cirurgião deve:
- Colocar o paciente deitado de costas (posição supina) e com os pés um pouco mais altos do que a cabeça (10 a 15 graus), que deve ficar na mesma altura do tórax – evitar Trendelenburg;
- Afrouxar as vestes;
- Manter livres as vias aéreas (proporcionar a passagem de ar, elevando a cabeça para trás e o mento para cima – hiperextensão cervical);
- Verificar a respiração, pulso e pressão arterial;
- Administrar oxigênio (3 a 4 l/min);
- Tranquilizar o paciente.
Hiperventilação:
Acontece geralmente com os pacientes jovens e ansiosos que é caracterizada pela ansiedade, acarreta o aumento do O2 e diminuição do CO2, no sangue, levando a um quadro clínico de alcalose respiratória.
Clinicamente o paciente com hiperventilação apresenta, em sequência:
- Confusão mental;
- Conversa desconexa;
- Mal-estar;
- Respiração ofegante (rápida e profunda);
- Tontura;
- Vista escura.
- Pode haver dor no peito,
- Formigamento ou agulhadas nos membros
- Espasmos e rigidez das mãos.
O cirurgião dentista deve:
- Colocar o paciente sentado, ligeiramente reclinado;
- Acalmar o paciente;
- Fazer o paciente respirar o seu próprio ar expirado, colocando um saco de papel no rosto, ou com as mãos em forma de concha, Cobrindo a boca e o nariz do paciente;
- Não administrar oxigênio;
- Caso persistam os sintomas, um sedativo (por exemplo Diazepam 10 mg IM ).
Crise convulsiva:
São contrações musculares tônicas e crônicas generalizadas e que geralmente dura 5 minutos.
Pode apresentar:
- Secreção espumosa pela boa
- Cianose
Após a crise:
- Letargia,
- Confusão mental
- Amnésia.
As medidas que devem ser tomadas:
- Afastar objetos que a vítima possa atingir com braços e pernas.
- Afrouxar as roupas ao redor do pescoço.
- Quando o ataque passar verificar se a pessoa se machucou.
Nesse caso o cirurgião dentista deve:
- Deitar o paciente;
- Conter os movimentos;
- Permeabilizar vias aéreas;
- Oxigenação;
- Abaixar a língua;
- Observar os sinais vitais.
Hipoglicemia:
A hipoglicemia é comum em pacientes diabéticos , onde o nível de glicose pode baixar por:
- Aumento de insulina;
- Diminuição calórica;
- Aumento do metabolismo da glicose (exercícios, infecções ou estresse)
Geralmente os pacientes com diabetes é capaz de diagnosticar sua própria hipoglicemia.
Clinicamente os sintomas são:
- Confusão mental;
- Convulsões;
- Descontrole dos esfíncteres;
- Dilatação das pupilas;
- Irritabilidade;
- Náuseas;
- Nervosismo;
- Queda da pressão sanguínea;
- Sudorese abundante;
- Taquicardia.
Nesse caso:
- Se o paciente estiver consciente: administrar água com açúcar.
- Se o paciente se apresentar inconsciente: administrar glicose intravenosa (solução a 50%)
Crise hipertensiva:
Ela se manisfesta com:
- Sangramento gengival;
- Excessivo pós-manipulação pelo dentista;
- Hemorragia nasal espontânea (epistaxe).
Observação:Sintomas iniciais de dor de cabeça, tontura e mal-estar, confusão mental, agitação ou estado de coma superficial, AVC e convulsões.
Neste caso deve:
- Colocar o paciente em uma posição confortável, evitando deitá-lo de costas, o que pode agravar os sintomas e o próprio quadro;
- Avaliar a pressão arterial e a freqüência cardíaca;
- Caso a crise seja leve a moderada (sistólica < 220, diastólica < 110; paciente assintomático), tranquilizar o paciente, encaminhando-o para avaliação médica imediata, com um acompanhante;
- Caso a pressão arterial atinja níveis extremamente altos (sistólica ≥ 220, diastólica, ≥ 130), caracterizando uma emergência hipertensiva, providenciar socorro médico.
Importante:
- Se o paciente estiver consciente e respirando é lipotimia.
- Se o paciente estiver inconsciente e respirando é síncope.
3 Preparação para emergências médicas em odontologia:
Ter equipamentos e kit de emergência e de suma importância para a clinica odontológica.
Após conhecer os dois sintomas mais comuns em emergências médicas em odontologia, é importante entender que para poder agir diante dessas situações, o cirurgião-dentista deve ter conhecimento em primeiros-socorros, e ter equipamentos e medicamentos para administrar.
Equipamentos e medicamentos:
O cirurgião-dentista precisa ter um planejamento para situações emergenciais, assim como um consultório equipado e com medicamentos para o uso durante tais ocorrências.
Portanto, invista em um kit básico para emergências. Ele pode conter ambu, tubo de oxigênio, cânulas de Guedel, farmácia básica, estetoscópio, aparelho de pressão, seringas, glicosímetro e oxímetro.
Vias de administração de medicamentos:
Da mesma forma que o cirurgião dentista (CD) tem de ter conhecimentos das emergências médicas é importante saber as vias de administração de medicamentos, pois no caso de emergências haverá necessidade de mediar o paciente.
Além dos casos emergenciais, a prescrição de medicamentos visa prevenir, diagnosticar, tratar ou curar alguma doença. A administração de qualquer medicamento está condicionada a sua prescrição por profissionais habilitados.
As vias de administração são:
- Enterais: quando a droga entra em contato com qualquer um dos segmentos do trato gastrointestinal.
- Parentais: não entram em contato com o trato gastrintestinal.
- Aplicação tópica: aplicação do fármaco local onde ele deve agir.
Via enterais:
Via oral- a mais utilizada:
Esta via é a mais utilizada por ser segura, econômica e conveniente para a administração de medicamentos. Os medicamentos prescritos por essa via tem a forma líquida ou sólida. Na forma de sólidos temos comprimidos, cápsulas e pó, na forma líquida são as soluções, xaropes que possuem absorção mais rápido.
Via sublingual (mucosa oral)
Os medicamentos são colocados sob a língua, sendo absorvidos pela saliva. Ela também é muito utilizada em casos emergenciais, como por exemplo, na administração do vaso- dilatador- Isordil no tratamento de angina pectoris.
Via parenterais:
São utilizados para obter uma ação rápida do medicamento. Essa é indicada, também, quando o fármaco não pode ser administrado por via oral em casos de pacientes inconscientes, que tenham dificuldades de deglutição ou portadores de irritação na mucosa gástrica. Os medicamentos devem ser totalmente estéreis.
Via intramuscular:
O medicamento ocorre na camada muscular.
Via subcutânea
Podem ser aplicadas pequenas quantidades de medicamentos que devem ser de fácil absorção. Por essa via são administradas as vacinas, adrenalinas e insulina.
Via endovenosa:
Por essa via, o medicamento é introduzido diretamente na veia por meio de punção, proporcionando efeito imediato do medicamento. É a via mais rápida de absorção, sendo bastante utilizada na administração de antibióticos, analgésicos, anti inflamatório e medicação de "urgência".
Atualmente dificilmente é encontrado no mercado um cirurgião dentista (CD) que se sinta capacitado para atender corretamente essas emergências em nível ambulatorial, pois essa questão é abordada de forma muito superficial nos cursos de graduação, sendo discutida as vezes como conteúdo de outras matérias.