Riscos Ergonômicos na Movimentação e Transporte dos Pacientes
Noções Básicas de Maqueiro
1 Cartilha de Movimentação e Transporte dos pacientes:
Estabelecida por meio da Portaria n° 3.715, de 23 de novembro de 1990, do então denominado Ministério do Trabalho e Previdência Social, Norma Regulamentadora n.º 17, conhecida por NR 17.
Esta Norma Regulamentadora visa a estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. Em seus artigos estabelece os seguintes termos:
17.1.1. As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho.
17.2.1.1. Transporte manual de cargas designa todo transporte no qual o peso da carga é suportado inteiramente por um só trabalhador, compreendendo o levantamento e a deposição da carga.
17.2.1.2. Transporte manual regular de cargas designa toda atividade realizada de maneira contínua ou que inclua, mesmo de forma descontínua, o transporte manual de cargas.
17.2.6. O transporte e a descarga de materiais feitos por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou qualquer outro aparelho mecânico deverão ser executados de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua saúde ou a sua segurança.
17.3.5. Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados de pé, devem ser colocados assentos para descanso em locais em que possam ser utilizados por todos os trabalhadores durante as pausas.
Conforme Alexandre (2003), os trabalhadores de enfermagem são especialmente susceptíveis a lesões na coluna vertebral pelo fato de terem que movimentar e transportar paciente regularmente, o que representa um evento acumulativo, que predispõe, sobretudo, as algias vertebrais. A dor lombar é um problema comum e que acarreta perda de dias de trabalho e um alto custo financeiro anualmente dentro da área de Enfermagem.
Uma das causas dessa dor constitui na atividade de remoção e transporte de pacientes, exigindo em diversos momentos o uso da força física para a colocação e retirada de pacientes, seja das macas para a cama e vice versa ou quando no uso das cadeiras de rodas. A ocorrência de lesões dorsais apresenta maior risco em clinicas ortopédicas e geriátricas, principalmente em trabalhadores que executam suas atividades em tempo Integral, por estarem repetindo movimentos com regularidade e justamente pelo uso da força física.
Escala De Avaliação Dos Riscos Na Movimentação:
Para a observação da movimentação e transporte dos pacientes em macas e/ou cadeira de rodas efetuadas pelos maqueiros optou-se por utilizar nesta pesquisa o formulário de Coleta de Dados (Check List) denominado Escala de Avaliação do Risco na Movimentação e Transferência (Anexo A) utilizado no trabalho de Mestrado: Desenvolvimento de Instrumento para Avaliar a Movimentação e Transferência de Clientes: um Enfoque Ergonômico, Radovanovic e Alexandre.
Esse capitulo apresentara uma análise, avaliação e compreensão das atividades desenvolvidas pelo setor de Enfermagem, relativos à movimentação e transferência de pacientes. Essa Escala de Avaliação apresenta propriedades psicométricas confiáveis e foi desenvolvida tendo como referencial teórico a Ergonomia.
O instrumento constitui-se em uma escala que normalmente é preenchida por um trabalhador da saúde. Neste caso foi preenchida por mim, sou funcionário do hospital a mais de 3 anos, como Técnico de Segurança do Trabalho. Para essa pesquisa, no intuito de manter o mesmo padrão de conceitos de avaliação e pela ondição do trabalho, os Check List foram feitos no momento da movimentação dos pacientes pelos Maqueiros em corredores e UTIs, disputando espaço com as equipes médicas, pessoal de limpeza, rouparia, dentro de um Hospital que em dias normais chega a ter picos de circulação de mais de 1.500 pessoas.
Este documento apresenta uma parte contendo dados da unidade de internação e do paciente. Posteriormente, compreende oito tópicos, com três alternativas cada. Esses tópicos são:
- peso;
- altura;
- nível de consciência e psicomotricidade;
- mobilidade na cama;
- transferência da cama/maca ou cama/cadeira e vice-versa;
- deambulação, cateteres e equipamentos utilizados pelo paciente;
- meio ambiente do hospital.
A pontuação conferida a cada paciente pode variar na faixa entre 8 e 24 pontos, tendo em vista que são oito tópicos com variação (multiplicador) de 1 a 3 pontos para cada tópico.
O paciente situado na faixa entre 8 e 12 pontos oferece pouco risco durante os procedimentos de movimentação e transporte, ou seja, não necessita de auxílio e requer supervisão da equipe de enfermagem.
Aquele situado entre 13 e 18 pontos oferece médio risco, ou seja, necessita de planejamento, auxílio da equipe de enfermagem e de pequenos equipamentos, como pranchas, lençóis, cintos, etc.
Por sua vez, os pacientes situados entre 19 e 24 pontos oferecem muito risco à equipe durante os procedimentos, e necessitam de um rigoroso planejamento, auxílio da equipe de enfermagem e de equipamentos mais sofisticados, como, por exemplo, elevadores mecânicos.
2 Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares:
Para avaliação de sintomas musculoesqueléticos foi apresentado o instrumento derivado do questionário Nórdico e adaptado para a língua portuguesa Célia e Alexandre (2004), que é reconhecido mundialmente e avalia problemas musculoesqueléticos dentro de uma abordagem ergonômica:
Este questionário contém uma figura humana, vista pela região posterior, dividida em nove regiões anatômicas:
- 03 de membros superiores,
- 03 de tronco,
- 03 de membros inferiores.
Compreende questões relativas à presença de dores osteomusculares, nos últimos 12 meses e nos últimos 7 dias, à ocorrência de incapacidade funcional e se houve procura por auxílio profissional na área de saúde nos últimos 12 meses.
3 Horários de trabalho e distribuição de maqueiros por Setor:
Os maqueiros do turno diurno apresentam três escalas de horários diferentes, sendo: Grupo 01: carga horária de 12 horas/36 horas, dias alternados, de segunda a sábado, totalizando 36 horas semanais. Grupo 02: carga horária de 08 horas diárias de segunda à sexta-feira, totalizando 40 horas semanais. Grupo 03: carga horária de 06 horas diárias, totalizando 30 horas semanais.
Os maqueiros do turno noturno trabalham em escala de horário de 12 horas/36 horas, dias alternados, de segunda a sábado, com carga de 36 horas semanais. No domingo os funcionários da área de saúde realizam a movimentação e transporte de pacientes. O principal número de pacientes no domingo é constituído de casos de emergências médicas e no setor de Pronto Socorro.
Os maqueiros do turno diurno do quadro abaixo ficam distribuídos pelos setores de maior incidência de movimentação e transportes de pacientes determinados pelo tipo de unidades de saúde e emergências médicas, Desta forma podem atender a necessidade de demanda dos pacientes com rapidez e eficiência, questões preponderantes no atendimento hospitalar. Já os maqueiros da noite ficam localizados principalmente no Pronto Socorro e nos setores de Ortopedia e Raio X. Os funcionários do setor de Enfermagem do Hospital trabalham no regime de 12 horas/36 horas, dias alternados, com carga horária diária de 12 horas, com folga de 5 por 1(trabalha um dia 12 horas, folga no outro, após cinco dias, tem duas folgas).
4 Riscos Ergonômicos:
Risco Ergonômico alto:
Os pacientes situados entre 19 e 24 pontos oferecem muito risco à equipe durante os procedimentos, e necessitam de um rigoroso planejamento, auxílio da equipe de enfermagem e de equipamentos mais sofisticados, como, por exemplo, elevadores mecânicos. No hospital possui macas com regulagem de altura e cadeiras de rodas especiais para a movimentação e transporte de pacientes obesas.
Constatou-se que os setores de UTIs (em todas), Centro Cirúrgico e da Enfermaria 3 – Gastroplastia Redutora (pacientes obesos), constituíram como a maioria de seus pacientes considerados muito risco ergonômico para os maqueiros durante os procedimentos de movimentação e transporte na figura abaixo "Classificação de riscos ergonômicos nas UTIs, Centros Cirúrgicos e Enfermaria 3. Região Metropolitana de Curitiba"
Risco Ergonômico médio:
Os pacientes situados entre 13 e 18 pontos oferece médio risco, ou seja, necessita de planejamento, auxílio da equipe de enfermagem e de pequenos equipamentos, como pranchas, lençóis, cintos, etc.
No hospital são usados pranchas e lençóis. Nos setores de Ortopedia, Ginecologia e Obstetrícia, Cateterismo, bem como em cirurgias de parto ou de traumas entre outras situações de Pronto Socorro, representam a ocorrência de médio risco ergonômico durante os procedimentos de movimentação e transporte de pacientes realizados pelos maqueiros no quadro a seguir "Classificação dos riscos ergonômicos em unidades de internação/cirúrgicas que apresentaram maior parcela de pacientes com médio risco ergonômico. Região Metropolitana de Curitiba. 2014."
Em sua maioria nessas unidades encontram-se pacientes que apresentam mobilidade com auxilio nas camas e cadeiras de rodas, com bom nível de consciência e pouco ou nenhum cateter ou equipamentos como sonda vesical ou drenos. Sempre é recomendável, e norma do setor de maqueiros, a prévia avaliação das condições gerais do paciente conversando e estimulando o paciente, quando em condições, a se movimentar independentemente. O maqueiro deve sempre manter a atenção no nível de consciência e das condições físicas do paciente e do ambiente (leito, corredores do hospital) antes de iniciar os procedimentos de remoção e transporte de pacientes em qualquer que sejam as condições e unidades do hospital.
Risco Ergonômico baixo:
Os pacientes situados na faixa entre 8 e 12 pontos oferecem pouco risco durante os procedimentos de movimentação e transporte, ou seja, não necessitam de auxílio e requer supervisão da equipe de enfermagem.
São exemplos de unidades com pouco risco ergonômico diversos setores de atendimento, como Exames de Raio X, Tomografia, Ecocardiograma Doppler, Endoscopia, Altas de pacientes entre outros. Pode-se perceber que diversas situações de atendimento no Pronto Socorro apresentam a maioria de seus pacientes com pouco risco ergonômico, conforme o quadro a seguir "Classificação dos riscos ergonômicos em unidades de internação que apresentaram maior parcela de pacientes na faixa de pouco risco ergonômico. Região Metropolitana de Curitiba. 2014".
Em sua maioria os pacientes nessa faixa de classificação não necessitam de cuidados especiais na movimentação e transporte. São pacientes na sua maioria com mobilidade independente, bom nível de consciência capazes de efetuarem a transferência entre cama e cadeira de rodas de forma independente. Esses pacientes são movimentados e transportados por cadeiras de rodas.
É procedimento hospitalar que o paciente seja movimentado em cadeiras de rodas quando é levado para exames mais complexos como exames de Raio X, pós lesão ou trama de acidente, de torção ou luxação de joelho entre outros e mesmo após a alta de internamento.
Todavia sempre podem existir nessa faixa de pacientes quantidades relevantes de casos que se enquadram como pacientes de médio e muito risco como, por exemplo, nos casos dos pacientes que entram no Pronto Socorro provenientes de acidentes de trânsito, com fraturas na cabeça ou na coluna cervical, os quais necessitam de exames de Raio X. Neste caso, o trabalho do maqueiro na movimentação e transporte de pacientes, apresenta um elevado risco na sua atividade rotineira, em que necessita a atenção e responsabilidade e procedimentos éticos e profissionais. Ao mesmo tempo em que ele pode transportar um paciente em boas condições de saúde, após um exame de Raio X, num segundo momento pode ser solicitado para transporte de paciente transportado por ambulância e conduzi-lo imediatamente para o Centro Cirúrgico.
Os maqueiros, embora pelo que aponta a pesquisa, sejam em sua maioria jovens, em início de carreira na área de saúde, precisam estar conscientes da responsabilidade e importância do seu trabalho, que exigirá esforços e desgastes físicos necessários para a execução da atividade de movimentação e transporte de pacientes doentes. Por isso, existe a necessidade que se faça a implementação de treinamentos em transporte e movimentação de cargas, técnicas corretas de movimentação de pacientes, aquisição por parte dos empregadores de materiais adequados para o exercício da profissão, programas ergonômicos nos locais de trabalho e também cursos de reciclagem para os funcionários, visando a promoção da saúde e o bem estar dos maqueiros nas situações de trabalho.